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Uma  noite de prazer

Uma noite de prazer

Autor:: renata medeirosM
Gênero: Romance
Atenção: pode conter gatilhos. Aviso: O Dono do Texas, livro 1 da série Alma de Cowboy, é um volume único. Por ser com casais diferentes, cada livro da saga pode ser lido separadamente, mas é provável que o anterior contenha spoilers do seguinte. Hudson Gray, conhecido como o Dono do Texas, chegou à conclusão de que ter muito dinheiro não bastava. O bilionário arrogante não quer ser apenas um dos homens mais ricos dos Estados Unidos, ele quer o poder. Para isso, ordena à sua assessora que trabalhe no que for necessário para transformá-lo no próximo governador do estado da estrela solitária[1]. O único problema, é que o CEO de conduta impecável em breve terá uma surpresa. Uma noite de prazer o levará diretamente a um relacionamento inesperado. A todos aqueles que como eu, amam uma história de um cowboy.

Capítulo 1 Uma noite de prazer

Hudson

Grayland[2] - Texas

Não perco o controle com facilidade. Sou famoso

pelo mau humor, arrogância e paciência curta.

Nenhum desses rótulos é exatamente lisonjeiro -

tampouco inadequado - mas apesar disso, não me lembro

de já ter partido para o confronto físico com alguém.

Agora, no entanto, enquanto observo meu primo

Callum, vestido apenas com uma cueca boxer e minha

esposa completamente nua sobre ele, agradeço a Deus

por não andar armado.

Descobrir uma traição de Evelyn, incrivelmente, não

me causa estranheza. Desde o início ela se mostrou

insatisfeita com o casamento. Eu andava tão ocupado com

o trabalho, que quando ela se aproximou, eu a analisei

como faço com minhas transações financeiras e decidi que

nossa união seria satisfatória o bastante.

Ela vem de uma boa família, é sofisticada e bonita.

Isso aliado a um sexo dentro da média, riscou outro item do

meu plano de vida, mas eu nunca a amei.

Assim, não chega sequer a me incomodar que tenha

me traído. O problema é com quem ela me traiu.

É tudo sobre ele. Meu sangue.

O homem que cresceu ao meu lado e compartilhou

dores e alegrias. Aquele em quem sempre confiei tanto

quanto nos meus três irmãos.

Por minha vontade, viro as costas e vou embora,

mas de jeito nenhum sairei sem que saibam que os peguei

em flagrante.

Não tem nada a ver com ciúmes, mas tudo sobre a

sensação de ser atraiçoado pelo meu melhor amigo.

Bato palmas para lhes chamar a atenção.

Evelyn desperta rapidamente, sentando-se na cama

com a culpa estampada no rosto. Callum, demora um

pouco mais.

- Hudson, eu posso explicar - ela diz, ao mesmo

tempo que meu primo pergunta.

- O que diabos está acontecendo aqui?

- Fodam-se os dois. Vocês se merecem - falo.

Viro as costas para sair, enquanto ela ainda me

chama uma última vez.

- Hudson...

- Nunca mais se aproxime de mim - interrompo,

com gelo escapando de cada palavra. - Meus advogados

entrarão em contato para tratarmos do divórcio.

Capítulo 1

Hudson

Dallas - Texas

Dois anos depois

- Ela finalmente assinou.

- Quanto isso vai me custar?

- Muito mais do que havíamos pensado a princípio,

mas você ainda deu sorte que ela nem desconfia das suas

intenções em se tornar governador. Eu não tenho dúvidas

de que se soubesse, o preço subiria.

Balanço a cabeça, concordando com a minha assistente

e também única amiga, Dominika. Claro que tem razão.

Estou há exatos dois anos tentando me livrar de Evelyn e

ela não recua.

Nesse meio tempo, muita coisa mudou, principalmente

meus objetivos.

Estava entediado com a carreira de CEO da indústria

petroleira apenas. O que mais eu poderia querer? Sou o

homem mais rico do Texas - daí o apelido que a mídia me

deu de o dono do Texas - e um dos cinco mais dos

Estados Unidos.

Eu precisava de algo que realmente me estimulasse,

assim, decidi focar em uma meta mais grandiosa: quero ser

o próximo governador do estado.

Como tudo em minha vida, criei um plano para atingir o

alvo. Um que não inclui uma ex-esposa gananciosa

perturbando minha assistente quase todos os dias.

- Então finalmente acabou? Sou um homem livre?

- Sim. Completamente. Vamos comemorar?

Ao invés de responder, ergo uma sobrancelha.

Ela me conhece bem demais para saber que não perco

tempo com essas bobagens. Sua sugestão foi uma espécie

de piada. Dominika tem um senso de humor estranho.

- Tudo bem, vou beber uma garrafa inteira de

champanhe francês e colocar na sua conta. Um brinde ao

fim dos telefonemas com sua ex gritando no meu ouvido.

- Faça isso. - Autorizo. Ela realmente merece por ser

meu escudo contra Evelyn, durante o tempo em que

ficamos separados até a assinatura do divórcio hoje.

Depois que a flagrei na cama do meu primo, nunca mais

fiquei em um mesmo ambiente com ela sem um advogado

presente. No começo, minha agora ex-esposa tentou de

tudo para conseguir uma reaproximação, mas quando

percebeu que não teria mais volta, se dedicou ao que

realmente a interessava: arrancar a maior quantidade de

dinheiro possível com o fim do nosso casamento.

- Ele telefonou novamente. - Dominika avisa e sei de

quem está falando. Callum. - Não perguntou por você.

Era sobre a propriedade ao norte do estado. Seu primo

quer saber se aceitará sua oferta e lhe venderá sua parte.

- Por que eu venderia? Não preciso de mais dinheiro

do que já possuo.

Ela suspira e sei que a irritei. É isso o que acontece

quando você é amigo de alguém por tempo demais.

Aprende a decifrar até seus suspiros.

- Não seja irracional. Vocês precisam chegar a um

acordo. Venda seu terreno ou compre o dele, mas se quer

um conselho, venda. Você não precisa daquilo.

- Não gosto de me desfazer dos meus bens.

- Você está sendo intransigente. Não há sentido em

estender a briga pessoal de vocês em uma disputa de

negócios. Ele não é um concorrente qualquer, mas seu

sangue. No seu lugar, eu também não sei se o perdoaria,

mas essa guerra entre vocês está trazendo sofrimento para

sua avó e irmãos também. Eles sentem sua falta.

Ela sabe que acertou um nervo exposto.

Até o incidente com Evelyn, eu não passava um fim de

semana sem visitá-los. A cidade em que vivem, Grayland,

pertence à minha família há gerações. Tanto eu quanto os

meus irmãos e Callum temos propriedades rurais enormes

lá e nos arredores. Apesar da minha vida sempre

atribulada, eu gostava da sensação de voltar para casa aos

fins de semana. Não importa o quão caras sejam as

minhas roupas, eu sempre serei um cowboy.

Agora, quase não volto mais para a minha terra. Eu falo

com meus irmãos esporadicamente. Com vovó, há um

contato diário por telefone ou mensagens, mas não é a

mesma coisa.

Minha avó criou meu primo junto com todos nós, já que

no acidente de barco que vitimou meus pais, também

estavam os dele. De uma hora para outra, vovó, que já era

viúva, se viu sozinha com cinco rapazes. Eu, meus três

irmãos e meu primo. Há cerca de cinco anos, ainda trouxe

para juntos de nós Rebecca[3], a garotinha que foi

encontrada vagando abandonada em nossa cidade.

Apesar de não ser particularmente carinhoso, me fazia

bem encontrar minha família com frequência.

Atualmente, essas viagens se limitam ao almoço de

Ação de Graças[4] e Natal e ainda assim, me mantenho o

mais afastado possível do bastardo traidor.

- Se há uma coisa em comum em todos os membros

do clã Gray, é o orgulho. - Dominika continua, se

mostrando mais impaciente.

- Não é uma questão de orgulho somente. Ele era um

irmão para mim.

- Eu sei, mas aquela bruxa acabou separando a

família, não percebe isso?

Minha assistente não conhece os detalhes do que

presenciei naquele dia no rancho de Callum, mas sabe o

suficiente da traição de Evelyn e do meu primo.

Sei que ela tem razão quando diz que houve perdas de

todos os lados. Nós éramos muito unidos. Embora minha

relação com meus irmãos estivesse longe de ser uma

enseada calma, nos mantínhamos perto uns dos outros,

para o bem ou para o mal.

Desde a minha separação de Evelyn, Dallas, que

sempre foi um lugar em que eu somente trabalhava

durante a semana, acabou se tornando meu lar em

definitivo.

Meus parentes optaram por condenar Evelyn e acreditar

na palavra de Callum, de que nunca houve nada entre os

dois, mas eu sei o que vi.

- Tudo pronto para minha viagem a Chicago? -

Pergunto e ela comprime os lábios, sabendo que assim

estou abortando qualquer tentativa de falar novamente

sobre meu primo.

- Sim. Já enviei para seu e-mail todo o cronograma

das reuniões. Esses encontros serão fundamentais para

que consolide as últimas alianças para a campanha. Com

Evelyn fora da estrada, sua caminhada para o topo será

limpa e reta.

- Com ou sem Evelyn, eu não tenho nada a esconder.

- Veremos, chefe. De qualquer modo, terei que revirar

seu passado do avesso no decorrer dos próximos meses.

- Isso não me agrada.

- O que prefere: eu ou os democratas[5]?

- Pelo amor de Deus, Dominika! Do jeito que você fala

parece que fiz parte de um cartel de drogas na

adolescência. Minha vida pode não ser um livro aberto

porque não me agrada a ideia de bisbilhoteiros noticiando

cada passo que dou, mas também não escondo segredos

obscuros.

- Não diga isso em voz alta, futuro governador. As

mulheres preferem os bad boys, que atravessaram a

juventude partindo o coração de uma conquista diferente

em cada esquina. Apesar de que, nesse quesito, você não

deixa nada a desejar. Minha irmã me contou a quantidade

de namoradas e casinhos que teve na universidade.

Dominika é a irmã caçula de uma colega de faculdade e

quando precisei de uma assistente, me foi altamente

recomendada, apesar de estar recém-formada.

Trabalhamos juntos já há cerca de quatro anos e a

admiração que tenho pela profissional que ela é, acabou se

transformando em amizade.

- Seu papel não é julgar o meu passado. Organize

minha campanha e tente não meter esse nariz sardento

onde não é chamada.

Ela sorri e dá de ombros. Infelizmente, sei que

vasculhará a minha vida amorosa inteira, incluindo ensino

médio e faculdade. Se existe alguém comprometido com

seu trabalho tanto quanto eu, é minha assistente. Seu

dever no momento é me fazer vencer a campanha eleitoral

e ela não desistirá até alcançar o objetivo.

- Daqui a uns dias você oficializará sua candidatura ao

governo. Eu gostaria muito de ver a cara da Evelyn quando

perceber que poderia lucrar mais com o divórcio.

- Ela não poderá me prejudicar. Meus advogados a

fizeram assinar um acordo de confidencialidade[6]. Se abrir

a boca em um site de fofoca ou para um repórter, haverá

um desconto de vinte por cento na pensão a que tem

direito. E se der mais entrevistas, trinta por cento e assim

sucessivamente, além de uma substancial multa no valor

total do acordo de divórcio.

Na verdade, eu não queria qualquer tipo de arranjo com

minha ex, mas acabei seguindo o conselho da banca

jurídica que contratamos especialmente para a

candidatura, mantendo essa possibilidade de punição

contra Evelyn durante seis anos. Esse será o tempo

necessário para que eu finalize minha campanha, cumpra

meu mandato como governador e ainda tenha um tempo

de descanso contra possíveis indiscrições dela.

Capítulo 2 Uma noite de prazer

Capítulo 2

Antonella

Boston - Massachusetts

Dez meses depois

- Você ao menos tem que tentar.

- Não. Pode me pedir qualquer coisa, menos isso.

- Por favor. Precisa experimentar. Sua vida é tão

chata!

- Você se lembra de que é a minha irmã mais velha?

Deveria me dar bons conselhos e ficar feliz que meu

programa favorito seja estar em casa nos fins de semana.

Sou uma adolescente-modelo.

- Primeiro, você já deveria saber que não sou uma irmã

mais velha convencional. Até porque, nossa diferença de

idade é de apenas três anos. Segundo, você não é mais

uma adolescente. Acaba de se tornar uma adulta. - Ela

pausa e olha o relógio em seu pulso fino. - Bem,

tecnicamente se tornará uma adulta, daqui a vinte minutos.

- Respondendo à sua afirmação anterior, minha vida

não é chata. Ela é como eu gostaria que fosse, Luna. Sou

feliz com pouco. No próximo outono iniciarei a faculdade e

quando terminar, vou ficar rica. Até lá, sua saúde estará

ótima e nós poderemos sair de férias pelo mundo. Ir à

Itália, como você sempre sonhou.

- No momento, eu me contentaria em poder ter meu

emprego de volta. O trabalho de hostess[7] me agradava.

Eu adorava ver as celebridades desfilando lá no

restaurante.

Seu olhar se perde por um instante, como se estivesse

recordando algo que a fizesse sorrir.

Ela estica a mão magrinha para mim.

- Antonella, eu amo você e tenho certeza de que todos

os seus sonhos vão se tornar realidade, mas só se tem

dezoito anos uma vez. A comemoração é obrigatória.

- Estamos juntas. É celebração suficiente.

- Eu não acredito que disse isso. Por mais que me

ame, precisa aproveitar um pouco. Você é tão linda. Faça

por mim. Se eu pudesse, sairia com você e nos

divertiríamos para valer, mas não acho que seria uma boa

ideia. Tenho me sentido fraca. Então, você precisa ir. Ou

vai querer estrear sua vida adulta tendo na memória uns

poucos beijos babados daquele seu namoro relâmpago do

ano passado?

- Não eram tão babados. O problema maior era que eu

não podia respirar, ele sempre tentava enfiar a língua na

minha garganta.

Ela joga a cabeça para trás e gargalha. Só de vê-la feliz

já compensa ter aquela conversa incômoda.

- Essa é a sua chance de se arriscar por uma noite.

Saia, beije, converse, ria. Tudo o que eu gostaria de fazer

no momento e não posso.

- Você está jogando sujo. Além do mais, se aceitasse

embarcar em sua loucura, eu nem saberia como conversar.

Eu falo muito e os rapazes não gostam disso.

- E quem disse alguma coisa sobre rapazes? Eu

pensei em encontrarmos um homem de verdade.

- Perdeu o juízo, Luna? Se não consigo manter uma

conversa decente com um cara da minha idade, o que diria

para um homem adulto?

- Claro que consegue. Você é linda e inteligente. Eles é

que são uns idiotas medrosos. Temem uma mulher que

poderia superá-los.

Olho para minha irmã, minha companheira e a pessoa

por quem me levanto da cama todos os dias e fico tentada

a brincar de Cinderela, só para fazê-la feliz.

- Por favor, Antonella. Podemos marcar o encontro em

um bar, assim você não correrá risco algum.

- Nós não devemos gastar dinheiro com bobagens. O

orçamento já é bem apertado sem fazermos

extravagâncias. Além disso, não tenho idade para beber.

Estou fazendo dezoito anos, esqueceu[8]? O que iria fazer

em um bar?

Ela revira os olhos.

- Não precisa beber, irmã. Basta fingir. E ninguém

pensará que tem somente dezoito. Você é um mulherão.

- Vou tentar levar isso como um elogio - falo meio

sorrindo, apesar de saber que ela tem razão. Com um

metro e setenta e oito e mais curvas do que precisaria para

ser feliz, ninguém me dá a minha idade real.

- E foi mesmo. Queria ser como você.

- Você é linda.

- Tudo bem. Concordo que sou agradável de se olhar,

mas do que adianta, se não posso me divertir? Enquanto

eu não conseguir estabilizar a minha saúde, viverei presa

nesse apartamento.

Ando até onde está e seguro as mãozinhas frias.

- Vai dar tudo certo. Você vai ficar boa em breve. Tenha

fé em Deus.

- Vou sim porque eu quero muito viver. Sonho com uma

viagem pela Toscana há mais de dois anos. - Antes que

eu consiga ficar triste com o que disse, completa. - Vamos

lá, querida. Uma tentativa ao menos. Vai ser divertido

encontrar um homem para ser seu príncipe por uma noite.

- Divertido para quem? Para mim tenho certeza de que

não. Só de pensar em me inscrever nesse tal aplicativo de

namoro, já fico enjoada de nervoso.

- Será que dá para agir como uma garota da sua idade

ao menos uma vez? Você não é um bebê. Não pense

tanto. Aproveite. Faça por mim. Divirta-se sem medida. Eu

nunca peço nada - a chantagista diz. - Mas hoje estou

implorando para que você seja feliz no meu lugar.

- Não. - Nego de uma maneira menos convicta dessa

vez porque sei que acabarei cedendo.

- Por favorzinho! - Ela implora de novo, já sorrindo e

eu sacudo a cabeça.

- Tudo bem. Vamos instalar o tal aplicativo e dar uma

olhada, mas mesmo que encontremos alguém que valha a

pena, darei a palavra final.

Ela sorri muito excitada.

- Você é a melhor irmã do mundo!

No dia anterior ao encontro às

escuras

- E então? Martelo batido? É esse?

- Sim - respondo, tentando mostrar segurança,

enquanto olhamos juntas a tela do celular. Na verdade

estou com vontade de sair correndo.

- Ele é bonito.

- É, mas parece muito sofisticado também.

- Seu primeiro encontro na vida adulta será com um

cara refinado, Antonella. O quão legal é isso? - Diz.

- Foi uma pergunta retórica ou espera mesmo que eu

elabore a respeito?

- Não seja mala. Joguei o endereço que ele enviou no

Google Maps. O cara a convidou para tomar um drinque no

piano-bar do hotel mais chique da cidade.

- Não achou estranho ele marcar em um restaurante de

hotel? Tipo, parece meio sugestivo, até mesmo para mim

que sou inexperiente.

- Não acho. É inclusive mais seguro, já que o Caldwell-

Oviedo Tower[9] é muito bem localizado. Além disso, por ser

luxuoso, deve estar cheio de seguranças. Ele não se

arriscaria a fazer algo contra a sua vontade. - Ela me dá

um sorriso malicioso. - A não ser que você queira visitar a

suíte dele. Pelo que colocou aqui, não é de Boston, mas de

Nova Iorque.

- Vamos esclarecer uma coisa: não pretendo conhecer

a suíte dele e nem mesmo beijar esse cara. Só estou indo

para satisfazer sua vontade. Prometo tentar me divertir,

mas de verdade não acredito nesse encontro às escuras.

- Eu tenho uma amiga que conheceu o amor da vida

dela em uma sala de bate-papo.

Seguro a vontade de revirar os olhos para não magoá-la.

- Olha, não estou dizendo que seja impossível, mas

para me fazer beijar um cara em um primeiro encontro ou ir

em qualquer direção além de um beijo, ele teria que fazer

meus joelhos tremerem, meu coração acelerar e meu

cérebro virar manteiga de amendoim. Aquele tipo de

homem que rouba o fôlego da mulher nos romances.

- Então vamos torcer para que Aiden seja assim. Já

passou da hora de você encontrar um amor.

- Falou a experiente - digo e imediatamente me

arrependo. - Luna, eu sinto muito. Não quis ser cruel.

- Não se preocupe com isso. Você não foi. - Ela dá

um sorriso enigmático. - Além do mais, quem disse que

eu já não me apaixonei? Pode ser que meu coração já seja

tomado há anos e ninguém desconfie.

- Você não está falando sério.

Ela não responde por alguns segundos, mas seu sorriso

aumenta.

- Chega de falar de mim - diz. - O foco agora é fazer

da celebração dos seus dezoito anos inesquecível.

Capítulo 3

Antonella

Hotel Caldwell-Oviedo Tower

Ai, meu Deus. Com o que fui concordar?

Eu não deveria ter aceitado participar desse plano doido

de Luna.

Uma noite de Cinderela inesquecível - ela disse.

Sim, sei.

Por uma vez que seja, esquecer de todas as minhas

responsabilidades, os planos para o nosso futuro

meticulosamente alinhados e somente viver.

Por mim, estaria em casa assistindo televisão e tomando

sorvete.

Eu não preciso de um encontro, mas não volto atrás com

a minha palavra e também não quero desapontar minha

irmã. O sorriso dela quando fui até seu quarto e mostrei o

que estava usando, faz valer qualquer risco de passar

vergonha.

Tenho que reconhecer que o vestido preto de alcinhas

valorizou meu corpo, apesar de que eu dispensaria as

sandálias altas. A produção me deixou com um ar menos

jovem. Acho que passaria tranquilamente por uns vinte e

poucos anos.

Ela estava tão feliz quando me entregou o envelope com

o dinheiro que corresponderia ao meu presente de

aniversário!

Nele, havia um bilhete explicando o que eu deveria

comprar - roupa e acessórios. Eu ri e perguntei por que

somente não me disse o que eu deveria usar ao invés de

escrever e ela respondeu que eu adoro um manual de

instruções, então, que decidiu agir de acordo.

Realmente amo. Montar e instalar coisas é comigo

mesmo. De aparelhos eletrônicos a móveis, se tem um

manual, estou dentro.

A alegria de Luna foi tanta que parecia que o encontro

era dela. Vibrou quando nós finalmente escolhemos o tal

Aiden no aplicativo e eu fiquei com vontade de usar uma

câmera escondida para mostrar os detalhes da minha noite

- apesar de não acreditar que ela resultará em um

namoro, como minha irmã sonha.

Costumo assustar os homens por saber conversar um

pouco de tudo. Luna até ensaiou comigo que eu não

deveria demonstrar entender alguns assuntos que ele

tocasse. Acho que vou tentar falar o menos possível. É a

única maneira de não meter os pés pelas mãos.

Dou passos incertos para dentro do saguão do hotel

luxuoso. Aos meus próprios ouvidos, as sandálias de salto

alto ecoam no chão de mármore, atraindo atenção.

Jesus, que vontade de sair correndo.

Repasso mentalmente todas as dicas que Luna me deu

de como me comportar. Como ela pode saber tanto da

vida? Nunca saiu muito ou namorou a sério. Quando

estava entrando na fase de poder se divertir como uma

adulta, adoeceu.

Afasto o pensamento, caso contrário a noite estará

perdida e eu só vim a esse encontro por causa dela.

Deus, eu não deveria estar aqui. Mesmo que tenha sido

um presente dado de coração, não podemos desperdiçar

dinheiro.

Paro na entrada do bar com as pernas bambas. O lugar

é sofisticado demais. Não tenho condições de frequentar

um dos hotéis da rede Oviedo. Na verdade, nem passar na

calçada.

Puxo algumas respirações para acalmar o mini ataque

de pânico que ameaça me dominar.

Um drinque. Isso não deverá fazer um rombo tão grande

em nossas economias.

Beberei um coquetel sem álcool e não pedirei nada para

comer.

De qualquer modo, não acredito que esse encontro

durará mais do que uma hora. Algumas das perguntas do

homem quando conversamos pelo aplicativo me irritaram

- e acreditem, ele era o menos pior. Um chegou até a me

pedir uma foto nua.

Agora que estou aqui, é torcer para que a noite passe

rápido para que eu possa voltar para o meu quarto.

Piano-bar do Hotel Caldwell-Oviedo

Tower

Uma hora depois

Capítulo 3 Uma noite de prazer

Deus, foi um erro ter vindo.

Ele nem disfarça. Desde que me cumprimentou, nem por

uma vez olhou acima do meu pescoço. Parece hipnotizado

pelos meus seios.

Sou inexperiente, mas isso não faz de mim uma imbecil.

Não preciso ser um gênio para perceber que a única coisa

que o homem quer é sexo.

Não que eu ache algo de errado em as pessoas

quererem fazer sexo. Sou virgem por falta de oportunidade.

Ainda não encontrei um cara que me fizesse desejar

eliminar esse problema.

Observo mais criticamente o meu encontro.

Ele foi bem mais sutil pela internet.

A ideia era me divertir, mas não há nada de divertido em

ficar desviando da mão boba de um homem que não me

atrai e que parece não conseguir ficar mais do que dois

minutos sem tocar alguma parte do meu corpo.

Ele disfarçadamente já acariciou meu rosto, pescoço e

perna. Estou há algum tempo controlando a vontade de

jogar o drinque nele - com direito ao guarda-chuvinha azul

do coquetel de brinde.

Ele não fez nada até agora que a boa etiqueta chamaria

de indecente, mas ainda assim, está me deixando

desconfortável.

- Eu tenho que ir. Devo acordar cedo para o trabalho

amanhã - minto parcialmente. Quero dizer, não a parte de

acordar cedo. Eu geralmente faço isso para o dia render

mais. Não é uma obrigação, mas uma escolha. A mentira

engloba a parte do trabalho. Meu turno no restaurante só

começa ao meio-dia.

É muito melhor ficar em casa planejando meu futuro do

que aguentar a conversa chata desse cara. O pensamento

me faz sorrir e o homem parece entender errado.

- Tudo bem, não precisa passar a noite inteira, baby.

Posso chamar um Uber para levá-la em casa depois - diz

com a voz rouca.

O quê? Ele acha que o estou convidando para prolongar

a noite?

Tudo bem que não contei a minha idade real e talvez ele

ache que sou mais experiente por causa da minha

aparência, mas não houve nada em nosso papo que o

levasse a crer que eu gostaria de terminar nosso encontro

em um quarto.

Finjo mexer na minha bolsa e disfarçadamente, observo

o homem com quem passei a última hora. Não fui só eu

quem deu a entender uma idade que não tinha. Tenho

certeza de que ele é bem mais velho do que os vinte e seis

anos que apontavam no aplicativo.

Jesus, como saio dessa enrascada agora?

Olho em volta do bar, tentando encontrar uma forma

educada de fugir. O cara bebeu três doses de uísque e não

parece disposto a me deixar ir sem fazer uma cena.

Pense rápido, Antonella.

Estou começando a suar frio, quando de repente a

solução aparece bem diante dos meus olhos.

Se tem algo que sou boa na vida, é em improvisar.

- Huh... eu adoraria acabar a noite desse jeito que

você está falando aí, mas infelizmente meu namorado do

Wyoming[10] acaba de chegar - digo, já me levantando.

- Namorado? Como assim? Não houve conversa sobre

namorado. Lembro que disse que era solteira.

O meu acompanhante parece confuso e irritado, mas

vou agarrar com unhas e dentes a oportunidade de fugir.

Sem mais explicações, ando na direção do namorado de

mentirinha.

Seu rosto é tudo, menos amigável. Está sentado, mas

parece uma montanha, mesmo que seus músculos estejam

ocultos por um terno escuro. Ele também não parece ser o

namorado de alguém.

Dono. Possuidor. Chefe. Rei. Feitor de escravos. Nunca

namorado.

Bom, acho que até combina com o papel que inventei

para ele. Cowboys não devem ser simpáticos ou metade

do charme desapareceria.

A parte de deduzir que é cowboy e de morar no

Wyoming fica por conta do chapéu que descansa em cima

da mesa - lembre-se do que eu falei sobre ser boa em

improvisar - porque em todo o resto, sua aparência é a

de um bilionário.

É, talvez eu tenha errado feio na escolha do meu alvo

para namorado fictício. A chance de que ele vá me ajudar a

sair dessa encrenca é mínima.

O homem é lindo de morrer, mas também parece

arrogante. Um queixo firme e orgulhoso. Nenhuma das

características que me servem agora.

Apesar disso, não tenho alternativa. Meu encontro não

se mostra disposto a desistir, andando ao meu lado e a

intuição diz que ele não será cavalheiro o suficiente para

simplesmente deixar para lá e me desejar uma boa noite

sem tentar nada.

Obrigada por isso, Luna. - Penso, mas imediatamente

me arrependo. Ela só queria me proporcionar uma noite

feliz.

Internamente, torço para que a minha encenação não

precise ir tão longe e que Aiden se manque e vá embora,

mas pelo canto do olho percebo que ainda me segue.

Merda.

Agora não tem mais jeito. Estou parada na frente da

mesa do cowboy.

- Não sabia que ainda estava na cidade, amor. Minha

irmã lhe disse onde poderia me encontrar? Deixe-me

apresentá-lo ao meu amigo - falo, me aproximando do

homem sexy, mas sem fazer contato visual com ele, no

entanto.

Não tenho dúvidas de que meu encontro não deve estar

nada satisfeito, enquanto o ricaço deve me achar doida de

pedra.

- Aiden, esse é o meu namorado. Na verdade,

tecnicamente falando, é ex, mas a gente fica indo e

voltando, sabe como é... - Solto, sem sequer respirar. -

Toda vez que ele vem a Boston, temos uma recaída. Eu

havia me esquecido de que combinamos de tomar um

drinque antes que ele volte para suas vacas, touros e

todas as coisas que os homens do Wyoming costumam

lidar. - Continuo, gesticulando, nervosa para caramba.

Nos meus momentos de estresse, meu sangue italiano

aflora, então meus braços e mãos são usados sem

qualquer vergonha.

Dou mais um passo para perto dele, mas acho que

Aiden ainda não está convencido do meu teatro.

Droga. O cara parece um cachorro que não quer largar o

osso.

O desconhecido se levanta e não acho que seja porque

está disposto a me ajudar, mas por mera educação. Nada

em sua postura demonstra simpatia.

Já não sei mais o que fazer para me livrar dessa

situação e espero com os dedos cruzados que o cowboy

bilionário não me desmascare.

Ergo a cabeça, me obrigando a encará-lo e imploro com

o olhar para que ele não me desminta.

- Que bom que conseguiu ficar em Boston por mais um

dia. Como anda sua tia Mary Beth? - Invento o primeiro

nome duplo que vem à minha mente. - Espero que todos

estejam animados com a festa anual da vaca leiteira. -

Continuo firme na encenação.

Jesus, cale a boca Antonella. Não exagere.

Tentando impedi-lo de negar nossa relação, fico na

ponta dos pés e dou um beijo na bochecha do lindo.

O homem primeiro congela ao sentir meus lábios contra

sua pele, mas graças a Nossa Senhora da Percepção

Rápida, ele parece finalmente compreender que estou em

uma enrascada.

- Oi, boneca. As vacas e touros mandam lembranças.

Assim como minha avó, Mary Grace, claro.

Ele enfatiza a palavra avó, talvez tentando me confundir,

mas se pensa que vai me fazer recuar, está enganado.

- Claro, amor. Sua avó. É que ela é tão conservada que

ninguém acreditaria que já tem um neto tão... tão... adulto.

- Você está atrasada para o nosso jantar. - Ele me

corta, parecendo totalmente dentro do papel agora.

Quase sofro um ataque do coração quando sinto seu

braço envolvendo minha cintura e me puxando ao encontro

do seu corpo musculoso.

Por um instante, eu me esqueço do porquê ter me

aproximado dele. O homem é cheiroso, o que está me

deixando quente e um pouco tonta.

Apesar da vergonha por tanta intimidade com um

estranho, minhas mãos se agarram aos ombros largos.

Não posso voltar atrás no teatro agora, certo?

Rá! Pior desculpa da vida. Até parece que meu corpo

inteiro não está formigando pelo contato com o dele.

- Sua irmã disse ao seu ex onde estava, sabendo que

tinha um compromisso comigo? - Aiden quase grita.

- Aham, mas acho que talvez ela tenha esquecido. Sua

memória é péssima. Ela tem até tomado umas vitaminas.

Sinto muito. Foi ótimo conhecê-lo, Aiden, mas agora você

já pode ir.

- Sua pira...

Em um segundo, a mão livre do cowboy segura meu

encontro embuste pelo colarinho.

- Cuidado. É da minha garota que está falando.

Jesus Cristo, seu sotaque é sexy demais! Deveria ser

proibido alguém com essa aparência ainda ter uma voz

capaz de fazer minha pele se arrepiar.

Na hora em que ele disse minha garota, tudo o que eu

pensei foi: é isso mesmo. Sou sua. Pode pegar.

Tenho que confessar que ele fica lindo com esse lado

macho alfa aflorado.

A cena é meio bizarra - eu praticamente imprensada

entre dois homens - mas o bar já está vazio então não há

ninguém prestando atenção em nós, além do pianista e

alguns garçons.

Prendo a respiração, torcendo para que não haja um

escândalo. Não quero que a única vez na vida que venho a

um lugar chique acabe parando nos jornais não na coluna

de celebridades, mas pelas páginas policiais.

Depois do que parece uma eternidade, Aiden finalmente

desiste.

- Não acredito que viajei para Boston só para passar

por isso. Tanto trabalho para inventar uma desculpa para

minha esposa e saio sem sequer uns amassos. Inferno de

noite!

Ele vai embora pisando duro, mas antes que eu tenha

tempo de ficar chocada pela palavra esposa, o meu

namorado de mentirinha segura meu queixo e me faz

encará-lo.

- Acho que agora mereço meu beijo de boas-vidas,

namorada.

E então, como se uma Antonella totalmente diferente da

que eu fui até hoje surgisse, meus braços vão para o seu

pescoço e ergo a cabeça, colando nossos lábios.

Eu quero muito provar sua boca.

Talvez a comemoração do meu aniversário não esteja

perdida, no fim das contas.

Capítulo 4

Hudson

Piano-bar do Hotel Caldwell-Oviedo

Tower

Observo o líquido âmbar dentro do copo em minha mão,

recostado em uma cadeira de encosto alto, no piano-bar do

hotel em que estou hospedado.

Não sou muito chegado a hotéis, mas tenho que admitir

que meu amigo Guillermo[11] conseguiu fazer um excelente

trabalho com a rede de luxo de sua família ao redor do

mundo.

O lugar está praticamente vazio, mas mesmo que não

fosse o caso, não sentiria vontade de olhar em volta. Seres

humanos me cansam rapidamente.

A música é agradável, suave, o que combinado ao

uísque de excelente qualidade, serve para melhorar um

pouco o meu estado de espírito de merda.

Passei o dia todo em reunião com elementos-chave do

meu partido e posso dizer sem medo de errar que essa é a

parte desagradável de me tornar um político - fazer

política.

Eu sabia que a caminhada para o poder seria

relativamente irritante porque tenho prazo de validade para

lidar com gente, mas nunca recuei diante do que quero e

não começarei agora.

Pego um movimento pela minha visão periférica e

quando viro a cabeça para olhar, há uma mulher e um

homem vindo em minha direção.

Sim, isso mesmo.

Uma mulher e um homem, porque eles nem de longe

parecem um casal.

Primeiro acho que estão me confundindo com alguém,

mas rapidamente enxergo a determinação nos olhos da

beleza curvilínea que se aproxima.

Linda não chega nem perto de descrevê-la.

Ela é um espetáculo de se olhar. Alta, corpo delicioso,

cintura fina que passa por quadris largos e segue em

pernas infinitas. O vestido preto que usa se agarra como se

tivesse sido moldado nela. Seus seios são cheios e para

completar, tem um rosto de traços perfeitos. Quase perfeito

demais, se não fosse a boca carnuda. Aqueles lábios são

um convite para o pecado.

Os cabelos abundantes, caem soltos pelas costas.

Gostaria que o bar fosse mais iluminado para poder

observar melhor seus olhos. Ela está bem perto agora e

ainda assim não consigo identificar completamente a cor.

Algo entre o avelã e o verde.

Acho que eu precisaria de algumas horas para conseguir

absorver sua beleza completamente.

Antes que eu tenha oportunidade de continuar meu

exame, no entanto, ela, agora já parada à minha frente, diz.

- Não sabia que ainda estava na cidade, amor. Minha

irmã lhe disse onde poderia me encontrar? Deixe-me

apresentá-lo ao meu amigo.

Em um primeiro momento, volto a considerar se não

está me confundindo com outra pessoa, mas então ela

completa e sua voz soa muito nervosa.

- Aiden, esse é o meu namorado. Na verdade, ex,

tecnicamente falando, mas a gente fica indo e voltando,

sabe como é... - O quê? - Toda vez que ele vem a

Boston, temos uma recaída. Eu havia me esquecido de que

combinamos de tomar um drinque antes que ele volte para

suas vacas, touros e todas as coisas que os homens do

Wyoming costumam lidar.

Levanto-me e olho para ela, tentando avaliar se está

alcoolizada ou sob o efeito de algum tipo de droga, mas

seu olhar é firme e um tanto desesperado.

Vacas do Wyoming? Ah, o chapéu. Sim, ela deve estar

tentando se livrar do seu acompanhante.

A mulher é criativa e quase me faz sorrir, o que é raro

em mim.

Ela se aproxima e continua falando sem parar.

- Que bom que conseguiu ficar em Boston por mais um

dia. Como anda sua tia Mary Beth? Espero que todos

estejam animados com a festa anual da vaca leiteira.

Agora meu esforço para evitar que o canto da minha

boca se erga em um sorriso se torna um pouco maior.

Mas qualquer graça desaparece quando ela cola nossos

corpos e me dá um beijo na bochecha. Sentir seus lábios

contra a minha pele faz com que uma espécie de choque

elétrico atravesse meu corpo, despertando meu tesão

imediatamente. Olho para ela e a proximidade de sua boca

é muito tentadora.

Agora, tudo o que eu quero, é que o idiota que parece

estar incomodando-a suma para ficarmos sozinhos, então

faço seu jogo.

- Oi, boneca. As vacas e touros mandam lembranças.

Assim como minha avó, Mary Grace, claro. - Não resisto

a provocá-la, corrigindo ao usar o avó ao invés de tia.

- Claro, amor. Sua avó. É que ela é tão conservada que

ninguém acreditaria que já tem um neto tão... tão... adulto.

Porra, ela é uma graça. Quantos anos terá? Parece

jovem, mas se estava em um bar a essa hora não pode ser

tão nova assim.

- Você está atrasada para o nosso jantar. - Continuo.

Tentando apressar o processo de nos livrar do bastardo,

puxo-a pela cintura, não deixando qualquer espaço entre

nós.

Merda! Jogada errada.

Minha perna agora está praticamente entre suas coxas e

percebo que está tão afetada pelo contato quanto eu. Para

minha surpresa, ela não só não tenta me afastar, como

ambas as mãos pousam em meus ombros.

- Sua irmã disse ao seu ex onde estava, sabendo que

tinha um compromisso comigo? - O homem fala e só

então eu lembro que não estamos sozinhos.

Dominika teria um ataque do coração se soubesse que

estou agarrado a uma estranha em público. Além de poder

ser prejudicial para a campanha, isso não é quem eu sou.

- Aham, mas acho que talvez tenha esquecido. A

memória dela é péssima. Ela tem até tomado umas

vitaminas. Sinto muito. Foi ótimo conhecê-lo, Aiden, mas

agora você já pode ir. - Tenta dispensá-lo mais uma vez.

- Sua pira...

Imediatamente seguro-o pela camisa e conforme aperto,

vejo seu rosto se transmutar em um vermelho intenso.

- Cuidado. É da minha garota que está falando.

Alguns garçons passam discretamente, observando a

cena, mas eu só solto o homem quando ele ergue as mãos

em sinal de rendição.

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