Hudson
Grayland[2] - Texas
Não perco o controle com facilidade. Sou famoso
pelo mau humor, arrogância e paciência curta.
Nenhum desses rótulos é exatamente lisonjeiro -
tampouco inadequado - mas apesar disso, não me lembro
de já ter partido para o confronto físico com alguém.
Agora, no entanto, enquanto observo meu primo
Callum, vestido apenas com uma cueca boxer e minha
esposa completamente nua sobre ele, agradeço a Deus
por não andar armado.
Descobrir uma traição de Evelyn, incrivelmente, não
me causa estranheza. Desde o início ela se mostrou
insatisfeita com o casamento. Eu andava tão ocupado com
o trabalho, que quando ela se aproximou, eu a analisei
como faço com minhas transações financeiras e decidi que
nossa união seria satisfatória o bastante.
Ela vem de uma boa família, é sofisticada e bonita.
Isso aliado a um sexo dentro da média, riscou outro item do
meu plano de vida, mas eu nunca a amei.
Assim, não chega sequer a me incomodar que tenha
me traído. O problema é com quem ela me traiu.
É tudo sobre ele. Meu sangue.
O homem que cresceu ao meu lado e compartilhou
dores e alegrias. Aquele em quem sempre confiei tanto
quanto nos meus três irmãos.
Por minha vontade, viro as costas e vou embora,
mas de jeito nenhum sairei sem que saibam que os peguei
em flagrante.
Não tem nada a ver com ciúmes, mas tudo sobre a
sensação de ser atraiçoado pelo meu melhor amigo.
Bato palmas para lhes chamar a atenção.
Evelyn desperta rapidamente, sentando-se na cama
com a culpa estampada no rosto. Callum, demora um
pouco mais.
- Hudson, eu posso explicar - ela diz, ao mesmo
tempo que meu primo pergunta.
- O que diabos está acontecendo aqui?
- Fodam-se os dois. Vocês se merecem - falo.
Viro as costas para sair, enquanto ela ainda me
chama uma última vez.
- Hudson...
- Nunca mais se aproxime de mim - interrompo,
com gelo escapando de cada palavra. - Meus advogados
entrarão em contato para tratarmos do divórcio.
Capítulo 1
Hudson
Dallas - Texas
Dois anos depois
- Ela finalmente assinou.
- Quanto isso vai me custar?
- Muito mais do que havíamos pensado a princípio,
mas você ainda deu sorte que ela nem desconfia das suas
intenções em se tornar governador. Eu não tenho dúvidas
de que se soubesse, o preço subiria.
Balanço a cabeça, concordando com a minha assistente
e também única amiga, Dominika. Claro que tem razão.
Estou há exatos dois anos tentando me livrar de Evelyn e
ela não recua.
Nesse meio tempo, muita coisa mudou, principalmente
meus objetivos.
Estava entediado com a carreira de CEO da indústria
petroleira apenas. O que mais eu poderia querer? Sou o
homem mais rico do Texas - daí o apelido que a mídia me
deu de o dono do Texas - e um dos cinco mais dos
Estados Unidos.
Eu precisava de algo que realmente me estimulasse,
assim, decidi focar em uma meta mais grandiosa: quero ser
o próximo governador do estado.
Como tudo em minha vida, criei um plano para atingir o
alvo. Um que não inclui uma ex-esposa gananciosa
perturbando minha assistente quase todos os dias.
- Então finalmente acabou? Sou um homem livre?
- Sim. Completamente. Vamos comemorar?
Ao invés de responder, ergo uma sobrancelha.
Ela me conhece bem demais para saber que não perco
tempo com essas bobagens. Sua sugestão foi uma espécie
de piada. Dominika tem um senso de humor estranho.
- Tudo bem, vou beber uma garrafa inteira de
champanhe francês e colocar na sua conta. Um brinde ao
fim dos telefonemas com sua ex gritando no meu ouvido.
- Faça isso. - Autorizo. Ela realmente merece por ser
meu escudo contra Evelyn, durante o tempo em que
ficamos separados até a assinatura do divórcio hoje.
Depois que a flagrei na cama do meu primo, nunca mais
fiquei em um mesmo ambiente com ela sem um advogado
presente. No começo, minha agora ex-esposa tentou de
tudo para conseguir uma reaproximação, mas quando
percebeu que não teria mais volta, se dedicou ao que
realmente a interessava: arrancar a maior quantidade de
dinheiro possível com o fim do nosso casamento.
- Ele telefonou novamente. - Dominika avisa e sei de
quem está falando. Callum. - Não perguntou por você.
Era sobre a propriedade ao norte do estado. Seu primo
quer saber se aceitará sua oferta e lhe venderá sua parte.
- Por que eu venderia? Não preciso de mais dinheiro
do que já possuo.
Ela suspira e sei que a irritei. É isso o que acontece
quando você é amigo de alguém por tempo demais.
Aprende a decifrar até seus suspiros.
- Não seja irracional. Vocês precisam chegar a um
acordo. Venda seu terreno ou compre o dele, mas se quer
um conselho, venda. Você não precisa daquilo.
- Não gosto de me desfazer dos meus bens.
- Você está sendo intransigente. Não há sentido em
estender a briga pessoal de vocês em uma disputa de
negócios. Ele não é um concorrente qualquer, mas seu
sangue. No seu lugar, eu também não sei se o perdoaria,
mas essa guerra entre vocês está trazendo sofrimento para
sua avó e irmãos também. Eles sentem sua falta.
Ela sabe que acertou um nervo exposto.
Até o incidente com Evelyn, eu não passava um fim de
semana sem visitá-los. A cidade em que vivem, Grayland,
pertence à minha família há gerações. Tanto eu quanto os
meus irmãos e Callum temos propriedades rurais enormes
lá e nos arredores. Apesar da minha vida sempre
atribulada, eu gostava da sensação de voltar para casa aos
fins de semana. Não importa o quão caras sejam as
minhas roupas, eu sempre serei um cowboy.
Agora, quase não volto mais para a minha terra. Eu falo
com meus irmãos esporadicamente. Com vovó, há um
contato diário por telefone ou mensagens, mas não é a
mesma coisa.
Minha avó criou meu primo junto com todos nós, já que
no acidente de barco que vitimou meus pais, também
estavam os dele. De uma hora para outra, vovó, que já era
viúva, se viu sozinha com cinco rapazes. Eu, meus três
irmãos e meu primo. Há cerca de cinco anos, ainda trouxe
para juntos de nós Rebecca[3], a garotinha que foi
encontrada vagando abandonada em nossa cidade.
Apesar de não ser particularmente carinhoso, me fazia
bem encontrar minha família com frequência.
Atualmente, essas viagens se limitam ao almoço de
Ação de Graças[4] e Natal e ainda assim, me mantenho o
mais afastado possível do bastardo traidor.
- Se há uma coisa em comum em todos os membros
do clã Gray, é o orgulho. - Dominika continua, se
mostrando mais impaciente.
- Não é uma questão de orgulho somente. Ele era um
irmão para mim.
- Eu sei, mas aquela bruxa acabou separando a
família, não percebe isso?
Minha assistente não conhece os detalhes do que
presenciei naquele dia no rancho de Callum, mas sabe o
suficiente da traição de Evelyn e do meu primo.
Sei que ela tem razão quando diz que houve perdas de
todos os lados. Nós éramos muito unidos. Embora minha
relação com meus irmãos estivesse longe de ser uma
enseada calma, nos mantínhamos perto uns dos outros,
para o bem ou para o mal.
Desde a minha separação de Evelyn, Dallas, que
sempre foi um lugar em que eu somente trabalhava
durante a semana, acabou se tornando meu lar em
definitivo.
Meus parentes optaram por condenar Evelyn e acreditar
na palavra de Callum, de que nunca houve nada entre os
dois, mas eu sei o que vi.
- Tudo pronto para minha viagem a Chicago? -
Pergunto e ela comprime os lábios, sabendo que assim
estou abortando qualquer tentativa de falar novamente
sobre meu primo.
- Sim. Já enviei para seu e-mail todo o cronograma
das reuniões. Esses encontros serão fundamentais para
que consolide as últimas alianças para a campanha. Com
Evelyn fora da estrada, sua caminhada para o topo será
limpa e reta.
- Com ou sem Evelyn, eu não tenho nada a esconder.
- Veremos, chefe. De qualquer modo, terei que revirar
seu passado do avesso no decorrer dos próximos meses.
- Isso não me agrada.
- O que prefere: eu ou os democratas[5]?
- Pelo amor de Deus, Dominika! Do jeito que você fala
parece que fiz parte de um cartel de drogas na
adolescência. Minha vida pode não ser um livro aberto
porque não me agrada a ideia de bisbilhoteiros noticiando
cada passo que dou, mas também não escondo segredos
obscuros.
- Não diga isso em voz alta, futuro governador. As
mulheres preferem os bad boys, que atravessaram a
juventude partindo o coração de uma conquista diferente
em cada esquina. Apesar de que, nesse quesito, você não
deixa nada a desejar. Minha irmã me contou a quantidade
de namoradas e casinhos que teve na universidade.
Dominika é a irmã caçula de uma colega de faculdade e
quando precisei de uma assistente, me foi altamente
recomendada, apesar de estar recém-formada.
Trabalhamos juntos já há cerca de quatro anos e a
admiração que tenho pela profissional que ela é, acabou se
transformando em amizade.
- Seu papel não é julgar o meu passado. Organize
minha campanha e tente não meter esse nariz sardento
onde não é chamada.
Ela sorri e dá de ombros. Infelizmente, sei que
vasculhará a minha vida amorosa inteira, incluindo ensino
médio e faculdade. Se existe alguém comprometido com
seu trabalho tanto quanto eu, é minha assistente. Seu
dever no momento é me fazer vencer a campanha eleitoral
e ela não desistirá até alcançar o objetivo.
- Daqui a uns dias você oficializará sua candidatura ao
governo. Eu gostaria muito de ver a cara da Evelyn quando
perceber que poderia lucrar mais com o divórcio.
- Ela não poderá me prejudicar. Meus advogados a
fizeram assinar um acordo de confidencialidade[6]. Se abrir
a boca em um site de fofoca ou para um repórter, haverá
um desconto de vinte por cento na pensão a que tem
direito. E se der mais entrevistas, trinta por cento e assim
sucessivamente, além de uma substancial multa no valor
total do acordo de divórcio.
Na verdade, eu não queria qualquer tipo de arranjo com
minha ex, mas acabei seguindo o conselho da banca
jurídica que contratamos especialmente para a
candidatura, mantendo essa possibilidade de punição
contra Evelyn durante seis anos. Esse será o tempo
necessário para que eu finalize minha campanha, cumpra
meu mandato como governador e ainda tenha um tempo
de descanso contra possíveis indiscrições dela.
Capítulo 2
Antonella
Boston - Massachusetts
Dez meses depois
- Você ao menos tem que tentar.
- Não. Pode me pedir qualquer coisa, menos isso.
- Por favor. Precisa experimentar. Sua vida é tão
chata!
- Você se lembra de que é a minha irmã mais velha?
Deveria me dar bons conselhos e ficar feliz que meu
programa favorito seja estar em casa nos fins de semana.
Sou uma adolescente-modelo.
- Primeiro, você já deveria saber que não sou uma irmã
mais velha convencional. Até porque, nossa diferença de
idade é de apenas três anos. Segundo, você não é mais
uma adolescente. Acaba de se tornar uma adulta. - Ela
pausa e olha o relógio em seu pulso fino. - Bem,
tecnicamente se tornará uma adulta, daqui a vinte minutos.
- Respondendo à sua afirmação anterior, minha vida
não é chata. Ela é como eu gostaria que fosse, Luna. Sou
feliz com pouco. No próximo outono iniciarei a faculdade e
quando terminar, vou ficar rica. Até lá, sua saúde estará
ótima e nós poderemos sair de férias pelo mundo. Ir à
Itália, como você sempre sonhou.
- No momento, eu me contentaria em poder ter meu
emprego de volta. O trabalho de hostess[7] me agradava.
Eu adorava ver as celebridades desfilando lá no
restaurante.
Seu olhar se perde por um instante, como se estivesse
recordando algo que a fizesse sorrir.
Ela estica a mão magrinha para mim.
- Antonella, eu amo você e tenho certeza de que todos
os seus sonhos vão se tornar realidade, mas só se tem
dezoito anos uma vez. A comemoração é obrigatória.
- Estamos juntas. É celebração suficiente.
- Eu não acredito que disse isso. Por mais que me
ame, precisa aproveitar um pouco. Você é tão linda. Faça
por mim. Se eu pudesse, sairia com você e nos
divertiríamos para valer, mas não acho que seria uma boa
ideia. Tenho me sentido fraca. Então, você precisa ir. Ou
vai querer estrear sua vida adulta tendo na memória uns
poucos beijos babados daquele seu namoro relâmpago do
ano passado?
- Não eram tão babados. O problema maior era que eu
não podia respirar, ele sempre tentava enfiar a língua na
minha garganta.
Ela joga a cabeça para trás e gargalha. Só de vê-la feliz
já compensa ter aquela conversa incômoda.
- Essa é a sua chance de se arriscar por uma noite.
Saia, beije, converse, ria. Tudo o que eu gostaria de fazer
no momento e não posso.
- Você está jogando sujo. Além do mais, se aceitasse
embarcar em sua loucura, eu nem saberia como conversar.
Eu falo muito e os rapazes não gostam disso.
- E quem disse alguma coisa sobre rapazes? Eu
pensei em encontrarmos um homem de verdade.
- Perdeu o juízo, Luna? Se não consigo manter uma
conversa decente com um cara da minha idade, o que diria
para um homem adulto?
- Claro que consegue. Você é linda e inteligente. Eles é
que são uns idiotas medrosos. Temem uma mulher que
poderia superá-los.
Olho para minha irmã, minha companheira e a pessoa
por quem me levanto da cama todos os dias e fico tentada
a brincar de Cinderela, só para fazê-la feliz.
- Por favor, Antonella. Podemos marcar o encontro em
um bar, assim você não correrá risco algum.
- Nós não devemos gastar dinheiro com bobagens. O
orçamento já é bem apertado sem fazermos
extravagâncias. Além disso, não tenho idade para beber.
Estou fazendo dezoito anos, esqueceu[8]? O que iria fazer
em um bar?
Ela revira os olhos.
- Não precisa beber, irmã. Basta fingir. E ninguém
pensará que tem somente dezoito. Você é um mulherão.
- Vou tentar levar isso como um elogio - falo meio
sorrindo, apesar de saber que ela tem razão. Com um
metro e setenta e oito e mais curvas do que precisaria para
ser feliz, ninguém me dá a minha idade real.
- E foi mesmo. Queria ser como você.
- Você é linda.
- Tudo bem. Concordo que sou agradável de se olhar,
mas do que adianta, se não posso me divertir? Enquanto
eu não conseguir estabilizar a minha saúde, viverei presa
nesse apartamento.
Ando até onde está e seguro as mãozinhas frias.
- Vai dar tudo certo. Você vai ficar boa em breve. Tenha
fé em Deus.
- Vou sim porque eu quero muito viver. Sonho com uma
viagem pela Toscana há mais de dois anos. - Antes que
eu consiga ficar triste com o que disse, completa. - Vamos
lá, querida. Uma tentativa ao menos. Vai ser divertido
encontrar um homem para ser seu príncipe por uma noite.
- Divertido para quem? Para mim tenho certeza de que
não. Só de pensar em me inscrever nesse tal aplicativo de
namoro, já fico enjoada de nervoso.
- Será que dá para agir como uma garota da sua idade
ao menos uma vez? Você não é um bebê. Não pense
tanto. Aproveite. Faça por mim. Divirta-se sem medida. Eu
nunca peço nada - a chantagista diz. - Mas hoje estou
implorando para que você seja feliz no meu lugar.
- Não. - Nego de uma maneira menos convicta dessa
vez porque sei que acabarei cedendo.
- Por favorzinho! - Ela implora de novo, já sorrindo e
eu sacudo a cabeça.
- Tudo bem. Vamos instalar o tal aplicativo e dar uma
olhada, mas mesmo que encontremos alguém que valha a
pena, darei a palavra final.
Ela sorri muito excitada.
- Você é a melhor irmã do mundo!
No dia anterior ao encontro às
escuras
- E então? Martelo batido? É esse?
- Sim - respondo, tentando mostrar segurança,
enquanto olhamos juntas a tela do celular. Na verdade
estou com vontade de sair correndo.
- Ele é bonito.
- É, mas parece muito sofisticado também.
- Seu primeiro encontro na vida adulta será com um
cara refinado, Antonella. O quão legal é isso? - Diz.
- Foi uma pergunta retórica ou espera mesmo que eu
elabore a respeito?
- Não seja mala. Joguei o endereço que ele enviou no
Google Maps. O cara a convidou para tomar um drinque no
piano-bar do hotel mais chique da cidade.
- Não achou estranho ele marcar em um restaurante de
hotel? Tipo, parece meio sugestivo, até mesmo para mim
que sou inexperiente.
- Não acho. É inclusive mais seguro, já que o Caldwell-
Oviedo Tower[9] é muito bem localizado. Além disso, por ser
luxuoso, deve estar cheio de seguranças. Ele não se
arriscaria a fazer algo contra a sua vontade. - Ela me dá
um sorriso malicioso. - A não ser que você queira visitar a
suíte dele. Pelo que colocou aqui, não é de Boston, mas de
Nova Iorque.
- Vamos esclarecer uma coisa: não pretendo conhecer
a suíte dele e nem mesmo beijar esse cara. Só estou indo
para satisfazer sua vontade. Prometo tentar me divertir,
mas de verdade não acredito nesse encontro às escuras.
- Eu tenho uma amiga que conheceu o amor da vida
dela em uma sala de bate-papo.
Seguro a vontade de revirar os olhos para não magoá-la.
- Olha, não estou dizendo que seja impossível, mas
para me fazer beijar um cara em um primeiro encontro ou ir
em qualquer direção além de um beijo, ele teria que fazer
meus joelhos tremerem, meu coração acelerar e meu
cérebro virar manteiga de amendoim. Aquele tipo de
homem que rouba o fôlego da mulher nos romances.
- Então vamos torcer para que Aiden seja assim. Já
passou da hora de você encontrar um amor.
- Falou a experiente - digo e imediatamente me
arrependo. - Luna, eu sinto muito. Não quis ser cruel.
- Não se preocupe com isso. Você não foi. - Ela dá
um sorriso enigmático. - Além do mais, quem disse que
eu já não me apaixonei? Pode ser que meu coração já seja
tomado há anos e ninguém desconfie.
- Você não está falando sério.
Ela não responde por alguns segundos, mas seu sorriso
aumenta.
- Chega de falar de mim - diz. - O foco agora é fazer
da celebração dos seus dezoito anos inesquecível.
Capítulo 3
Antonella
Hotel Caldwell-Oviedo Tower
Ai, meu Deus. Com o que fui concordar?
Eu não deveria ter aceitado participar desse plano doido
de Luna.
Uma noite de Cinderela inesquecível - ela disse.
Sim, sei.
Por uma vez que seja, esquecer de todas as minhas
responsabilidades, os planos para o nosso futuro
meticulosamente alinhados e somente viver.
Por mim, estaria em casa assistindo televisão e tomando
sorvete.
Eu não preciso de um encontro, mas não volto atrás com
a minha palavra e também não quero desapontar minha
irmã. O sorriso dela quando fui até seu quarto e mostrei o
que estava usando, faz valer qualquer risco de passar
vergonha.
Tenho que reconhecer que o vestido preto de alcinhas
valorizou meu corpo, apesar de que eu dispensaria as
sandálias altas. A produção me deixou com um ar menos
jovem. Acho que passaria tranquilamente por uns vinte e
poucos anos.
Ela estava tão feliz quando me entregou o envelope com
o dinheiro que corresponderia ao meu presente de
aniversário!
Nele, havia um bilhete explicando o que eu deveria
comprar - roupa e acessórios. Eu ri e perguntei por que
somente não me disse o que eu deveria usar ao invés de
escrever e ela respondeu que eu adoro um manual de
instruções, então, que decidiu agir de acordo.
Realmente amo. Montar e instalar coisas é comigo
mesmo. De aparelhos eletrônicos a móveis, se tem um
manual, estou dentro.
A alegria de Luna foi tanta que parecia que o encontro
era dela. Vibrou quando nós finalmente escolhemos o tal
Aiden no aplicativo e eu fiquei com vontade de usar uma
câmera escondida para mostrar os detalhes da minha noite
- apesar de não acreditar que ela resultará em um
namoro, como minha irmã sonha.
Costumo assustar os homens por saber conversar um
pouco de tudo. Luna até ensaiou comigo que eu não
deveria demonstrar entender alguns assuntos que ele
tocasse. Acho que vou tentar falar o menos possível. É a
única maneira de não meter os pés pelas mãos.
Dou passos incertos para dentro do saguão do hotel
luxuoso. Aos meus próprios ouvidos, as sandálias de salto
alto ecoam no chão de mármore, atraindo atenção.
Jesus, que vontade de sair correndo.
Repasso mentalmente todas as dicas que Luna me deu
de como me comportar. Como ela pode saber tanto da
vida? Nunca saiu muito ou namorou a sério. Quando
estava entrando na fase de poder se divertir como uma
adulta, adoeceu.
Afasto o pensamento, caso contrário a noite estará
perdida e eu só vim a esse encontro por causa dela.
Deus, eu não deveria estar aqui. Mesmo que tenha sido
um presente dado de coração, não podemos desperdiçar
dinheiro.
Paro na entrada do bar com as pernas bambas. O lugar
é sofisticado demais. Não tenho condições de frequentar
um dos hotéis da rede Oviedo. Na verdade, nem passar na
calçada.
Puxo algumas respirações para acalmar o mini ataque
de pânico que ameaça me dominar.
Um drinque. Isso não deverá fazer um rombo tão grande
em nossas economias.
Beberei um coquetel sem álcool e não pedirei nada para
comer.
De qualquer modo, não acredito que esse encontro
durará mais do que uma hora. Algumas das perguntas do
homem quando conversamos pelo aplicativo me irritaram
- e acreditem, ele era o menos pior. Um chegou até a me
pedir uma foto nua.
Agora que estou aqui, é torcer para que a noite passe
rápido para que eu possa voltar para o meu quarto.
Piano-bar do Hotel Caldwell-Oviedo
Tower
Uma hora depois
Deus, foi um erro ter vindo.
Ele nem disfarça. Desde que me cumprimentou, nem por
uma vez olhou acima do meu pescoço. Parece hipnotizado
pelos meus seios.
Sou inexperiente, mas isso não faz de mim uma imbecil.
Não preciso ser um gênio para perceber que a única coisa
que o homem quer é sexo.
Não que eu ache algo de errado em as pessoas
quererem fazer sexo. Sou virgem por falta de oportunidade.
Ainda não encontrei um cara que me fizesse desejar
eliminar esse problema.
Observo mais criticamente o meu encontro.
Ele foi bem mais sutil pela internet.
A ideia era me divertir, mas não há nada de divertido em
ficar desviando da mão boba de um homem que não me
atrai e que parece não conseguir ficar mais do que dois
minutos sem tocar alguma parte do meu corpo.
Ele disfarçadamente já acariciou meu rosto, pescoço e
perna. Estou há algum tempo controlando a vontade de
jogar o drinque nele - com direito ao guarda-chuvinha azul
do coquetel de brinde.
Ele não fez nada até agora que a boa etiqueta chamaria
de indecente, mas ainda assim, está me deixando
desconfortável.
- Eu tenho que ir. Devo acordar cedo para o trabalho
amanhã - minto parcialmente. Quero dizer, não a parte de
acordar cedo. Eu geralmente faço isso para o dia render
mais. Não é uma obrigação, mas uma escolha. A mentira
engloba a parte do trabalho. Meu turno no restaurante só
começa ao meio-dia.
É muito melhor ficar em casa planejando meu futuro do
que aguentar a conversa chata desse cara. O pensamento
me faz sorrir e o homem parece entender errado.
- Tudo bem, não precisa passar a noite inteira, baby.
Posso chamar um Uber para levá-la em casa depois - diz
com a voz rouca.
O quê? Ele acha que o estou convidando para prolongar
a noite?
Tudo bem que não contei a minha idade real e talvez ele
ache que sou mais experiente por causa da minha
aparência, mas não houve nada em nosso papo que o
levasse a crer que eu gostaria de terminar nosso encontro
em um quarto.
Finjo mexer na minha bolsa e disfarçadamente, observo
o homem com quem passei a última hora. Não fui só eu
quem deu a entender uma idade que não tinha. Tenho
certeza de que ele é bem mais velho do que os vinte e seis
anos que apontavam no aplicativo.
Jesus, como saio dessa enrascada agora?
Olho em volta do bar, tentando encontrar uma forma
educada de fugir. O cara bebeu três doses de uísque e não
parece disposto a me deixar ir sem fazer uma cena.
Pense rápido, Antonella.
Estou começando a suar frio, quando de repente a
solução aparece bem diante dos meus olhos.
Se tem algo que sou boa na vida, é em improvisar.
- Huh... eu adoraria acabar a noite desse jeito que
você está falando aí, mas infelizmente meu namorado do
Wyoming[10] acaba de chegar - digo, já me levantando.
- Namorado? Como assim? Não houve conversa sobre
namorado. Lembro que disse que era solteira.
O meu acompanhante parece confuso e irritado, mas
vou agarrar com unhas e dentes a oportunidade de fugir.
Sem mais explicações, ando na direção do namorado de
mentirinha.
Seu rosto é tudo, menos amigável. Está sentado, mas
parece uma montanha, mesmo que seus músculos estejam
ocultos por um terno escuro. Ele também não parece ser o
namorado de alguém.
Dono. Possuidor. Chefe. Rei. Feitor de escravos. Nunca
namorado.
Bom, acho que até combina com o papel que inventei
para ele. Cowboys não devem ser simpáticos ou metade
do charme desapareceria.
A parte de deduzir que é cowboy e de morar no
Wyoming fica por conta do chapéu que descansa em cima
da mesa - lembre-se do que eu falei sobre ser boa em
improvisar - porque em todo o resto, sua aparência é a
de um bilionário.
É, talvez eu tenha errado feio na escolha do meu alvo
para namorado fictício. A chance de que ele vá me ajudar a
sair dessa encrenca é mínima.
O homem é lindo de morrer, mas também parece
arrogante. Um queixo firme e orgulhoso. Nenhuma das
características que me servem agora.
Apesar disso, não tenho alternativa. Meu encontro não
se mostra disposto a desistir, andando ao meu lado e a
intuição diz que ele não será cavalheiro o suficiente para
simplesmente deixar para lá e me desejar uma boa noite
sem tentar nada.
Obrigada por isso, Luna. - Penso, mas imediatamente
me arrependo. Ela só queria me proporcionar uma noite
feliz.
Internamente, torço para que a minha encenação não
precise ir tão longe e que Aiden se manque e vá embora,
mas pelo canto do olho percebo que ainda me segue.
Merda.
Agora não tem mais jeito. Estou parada na frente da
mesa do cowboy.
- Não sabia que ainda estava na cidade, amor. Minha
irmã lhe disse onde poderia me encontrar? Deixe-me
apresentá-lo ao meu amigo - falo, me aproximando do
homem sexy, mas sem fazer contato visual com ele, no
entanto.
Não tenho dúvidas de que meu encontro não deve estar
nada satisfeito, enquanto o ricaço deve me achar doida de
pedra.
- Aiden, esse é o meu namorado. Na verdade,
tecnicamente falando, é ex, mas a gente fica indo e
voltando, sabe como é... - Solto, sem sequer respirar. -
Toda vez que ele vem a Boston, temos uma recaída. Eu
havia me esquecido de que combinamos de tomar um
drinque antes que ele volte para suas vacas, touros e
todas as coisas que os homens do Wyoming costumam
lidar. - Continuo, gesticulando, nervosa para caramba.
Nos meus momentos de estresse, meu sangue italiano
aflora, então meus braços e mãos são usados sem
qualquer vergonha.
Dou mais um passo para perto dele, mas acho que
Aiden ainda não está convencido do meu teatro.
Droga. O cara parece um cachorro que não quer largar o
osso.
O desconhecido se levanta e não acho que seja porque
está disposto a me ajudar, mas por mera educação. Nada
em sua postura demonstra simpatia.
Já não sei mais o que fazer para me livrar dessa
situação e espero com os dedos cruzados que o cowboy
bilionário não me desmascare.
Ergo a cabeça, me obrigando a encará-lo e imploro com
o olhar para que ele não me desminta.
- Que bom que conseguiu ficar em Boston por mais um
dia. Como anda sua tia Mary Beth? - Invento o primeiro
nome duplo que vem à minha mente. - Espero que todos
estejam animados com a festa anual da vaca leiteira. -
Continuo firme na encenação.
Jesus, cale a boca Antonella. Não exagere.
Tentando impedi-lo de negar nossa relação, fico na
ponta dos pés e dou um beijo na bochecha do lindo.
O homem primeiro congela ao sentir meus lábios contra
sua pele, mas graças a Nossa Senhora da Percepção
Rápida, ele parece finalmente compreender que estou em
uma enrascada.
- Oi, boneca. As vacas e touros mandam lembranças.
Assim como minha avó, Mary Grace, claro.
Ele enfatiza a palavra avó, talvez tentando me confundir,
mas se pensa que vai me fazer recuar, está enganado.
- Claro, amor. Sua avó. É que ela é tão conservada que
ninguém acreditaria que já tem um neto tão... tão... adulto.
- Você está atrasada para o nosso jantar. - Ele me
corta, parecendo totalmente dentro do papel agora.
Quase sofro um ataque do coração quando sinto seu
braço envolvendo minha cintura e me puxando ao encontro
do seu corpo musculoso.
Por um instante, eu me esqueço do porquê ter me
aproximado dele. O homem é cheiroso, o que está me
deixando quente e um pouco tonta.
Apesar da vergonha por tanta intimidade com um
estranho, minhas mãos se agarram aos ombros largos.
Não posso voltar atrás no teatro agora, certo?
Rá! Pior desculpa da vida. Até parece que meu corpo
inteiro não está formigando pelo contato com o dele.
- Sua irmã disse ao seu ex onde estava, sabendo que
tinha um compromisso comigo? - Aiden quase grita.
- Aham, mas acho que talvez ela tenha esquecido. Sua
memória é péssima. Ela tem até tomado umas vitaminas.
Sinto muito. Foi ótimo conhecê-lo, Aiden, mas agora você
já pode ir.
- Sua pira...
Em um segundo, a mão livre do cowboy segura meu
encontro embuste pelo colarinho.
- Cuidado. É da minha garota que está falando.
Jesus Cristo, seu sotaque é sexy demais! Deveria ser
proibido alguém com essa aparência ainda ter uma voz
capaz de fazer minha pele se arrepiar.
Na hora em que ele disse minha garota, tudo o que eu
pensei foi: é isso mesmo. Sou sua. Pode pegar.
Tenho que confessar que ele fica lindo com esse lado
macho alfa aflorado.
A cena é meio bizarra - eu praticamente imprensada
entre dois homens - mas o bar já está vazio então não há
ninguém prestando atenção em nós, além do pianista e
alguns garçons.
Prendo a respiração, torcendo para que não haja um
escândalo. Não quero que a única vez na vida que venho a
um lugar chique acabe parando nos jornais não na coluna
de celebridades, mas pelas páginas policiais.
Depois do que parece uma eternidade, Aiden finalmente
desiste.
- Não acredito que viajei para Boston só para passar
por isso. Tanto trabalho para inventar uma desculpa para
minha esposa e saio sem sequer uns amassos. Inferno de
noite!
Ele vai embora pisando duro, mas antes que eu tenha
tempo de ficar chocada pela palavra esposa, o meu
namorado de mentirinha segura meu queixo e me faz
encará-lo.
- Acho que agora mereço meu beijo de boas-vidas,
namorada.
E então, como se uma Antonella totalmente diferente da
que eu fui até hoje surgisse, meus braços vão para o seu
pescoço e ergo a cabeça, colando nossos lábios.
Eu quero muito provar sua boca.
Talvez a comemoração do meu aniversário não esteja
perdida, no fim das contas.
Capítulo 4
Hudson
Piano-bar do Hotel Caldwell-Oviedo
Tower
Observo o líquido âmbar dentro do copo em minha mão,
recostado em uma cadeira de encosto alto, no piano-bar do
hotel em que estou hospedado.
Não sou muito chegado a hotéis, mas tenho que admitir
que meu amigo Guillermo[11] conseguiu fazer um excelente
trabalho com a rede de luxo de sua família ao redor do
mundo.
O lugar está praticamente vazio, mas mesmo que não
fosse o caso, não sentiria vontade de olhar em volta. Seres
humanos me cansam rapidamente.
A música é agradável, suave, o que combinado ao
uísque de excelente qualidade, serve para melhorar um
pouco o meu estado de espírito de merda.
Passei o dia todo em reunião com elementos-chave do
meu partido e posso dizer sem medo de errar que essa é a
parte desagradável de me tornar um político - fazer
política.
Eu sabia que a caminhada para o poder seria
relativamente irritante porque tenho prazo de validade para
lidar com gente, mas nunca recuei diante do que quero e
não começarei agora.
Pego um movimento pela minha visão periférica e
quando viro a cabeça para olhar, há uma mulher e um
homem vindo em minha direção.
Sim, isso mesmo.
Uma mulher e um homem, porque eles nem de longe
parecem um casal.
Primeiro acho que estão me confundindo com alguém,
mas rapidamente enxergo a determinação nos olhos da
beleza curvilínea que se aproxima.
Linda não chega nem perto de descrevê-la.
Ela é um espetáculo de se olhar. Alta, corpo delicioso,
cintura fina que passa por quadris largos e segue em
pernas infinitas. O vestido preto que usa se agarra como se
tivesse sido moldado nela. Seus seios são cheios e para
completar, tem um rosto de traços perfeitos. Quase perfeito
demais, se não fosse a boca carnuda. Aqueles lábios são
um convite para o pecado.
Os cabelos abundantes, caem soltos pelas costas.
Gostaria que o bar fosse mais iluminado para poder
observar melhor seus olhos. Ela está bem perto agora e
ainda assim não consigo identificar completamente a cor.
Algo entre o avelã e o verde.
Acho que eu precisaria de algumas horas para conseguir
absorver sua beleza completamente.
Antes que eu tenha oportunidade de continuar meu
exame, no entanto, ela, agora já parada à minha frente, diz.
- Não sabia que ainda estava na cidade, amor. Minha
irmã lhe disse onde poderia me encontrar? Deixe-me
apresentá-lo ao meu amigo.
Em um primeiro momento, volto a considerar se não
está me confundindo com outra pessoa, mas então ela
completa e sua voz soa muito nervosa.
- Aiden, esse é o meu namorado. Na verdade, ex,
tecnicamente falando, mas a gente fica indo e voltando,
sabe como é... - O quê? - Toda vez que ele vem a
Boston, temos uma recaída. Eu havia me esquecido de que
combinamos de tomar um drinque antes que ele volte para
suas vacas, touros e todas as coisas que os homens do
Wyoming costumam lidar.
Levanto-me e olho para ela, tentando avaliar se está
alcoolizada ou sob o efeito de algum tipo de droga, mas
seu olhar é firme e um tanto desesperado.
Vacas do Wyoming? Ah, o chapéu. Sim, ela deve estar
tentando se livrar do seu acompanhante.
A mulher é criativa e quase me faz sorrir, o que é raro
em mim.
Ela se aproxima e continua falando sem parar.
- Que bom que conseguiu ficar em Boston por mais um
dia. Como anda sua tia Mary Beth? Espero que todos
estejam animados com a festa anual da vaca leiteira.
Agora meu esforço para evitar que o canto da minha
boca se erga em um sorriso se torna um pouco maior.
Mas qualquer graça desaparece quando ela cola nossos
corpos e me dá um beijo na bochecha. Sentir seus lábios
contra a minha pele faz com que uma espécie de choque
elétrico atravesse meu corpo, despertando meu tesão
imediatamente. Olho para ela e a proximidade de sua boca
é muito tentadora.
Agora, tudo o que eu quero, é que o idiota que parece
estar incomodando-a suma para ficarmos sozinhos, então
faço seu jogo.
- Oi, boneca. As vacas e touros mandam lembranças.
Assim como minha avó, Mary Grace, claro. - Não resisto
a provocá-la, corrigindo ao usar o avó ao invés de tia.
- Claro, amor. Sua avó. É que ela é tão conservada que
ninguém acreditaria que já tem um neto tão... tão... adulto.
Porra, ela é uma graça. Quantos anos terá? Parece
jovem, mas se estava em um bar a essa hora não pode ser
tão nova assim.
- Você está atrasada para o nosso jantar. - Continuo.
Tentando apressar o processo de nos livrar do bastardo,
puxo-a pela cintura, não deixando qualquer espaço entre
nós.
Merda! Jogada errada.
Minha perna agora está praticamente entre suas coxas e
percebo que está tão afetada pelo contato quanto eu. Para
minha surpresa, ela não só não tenta me afastar, como
ambas as mãos pousam em meus ombros.
- Sua irmã disse ao seu ex onde estava, sabendo que
tinha um compromisso comigo? - O homem fala e só
então eu lembro que não estamos sozinhos.
Dominika teria um ataque do coração se soubesse que
estou agarrado a uma estranha em público. Além de poder
ser prejudicial para a campanha, isso não é quem eu sou.
- Aham, mas acho que talvez tenha esquecido. A
memória dela é péssima. Ela tem até tomado umas
vitaminas. Sinto muito. Foi ótimo conhecê-lo, Aiden, mas
agora você já pode ir. - Tenta dispensá-lo mais uma vez.
- Sua pira...
Imediatamente seguro-o pela camisa e conforme aperto,
vejo seu rosto se transmutar em um vermelho intenso.
- Cuidado. É da minha garota que está falando.
Alguns garçons passam discretamente, observando a
cena, mas eu só solto o homem quando ele ergue as mãos
em sinal de rendição.