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Uma noite e para sempre

Uma noite e para sempre

Autor:: Grazi Domingos
Gênero: Bilionários
Ela foi presa em seu olhar perigoso. Ele se encantou com sua beleza. Mas ambos queriam apenas uma noite...

Capítulo 1 Saindo da toca

- Darla! - Ella chamou da sala, a voz já carregada de impaciência.

- Já estou descendo! - respondeu Darla, segurando o corrimão enquanto tentava equilibrar-se nos saltos altos.

Cada passo parecia uma batalha. Fazia tanto tempo que não usava um sapato daquele tipo que mal se reconhecia andando daquele jeito.

- Eu definitivamente não sei mais andar de salto - murmurou, franzindo o cenho e fazendo uma careta para os próprios pés.

Ella apareceu no pé da escada, cruzando os braços, mas com um sorriso divertido no rosto.

- Se continuarmos assim, vamos chegar quando a festa já tiver acabado! Não podemos perder o melhor da noite.

Darla suspirou, mas não conseguiu evitar um leve sorriso. No fundo, gostava da energia contagiante da amiga.

As duas haviam combinado de ir juntas ao evento. Para Ella, aquela noite era mais do que diversão - era oportunidade. Haveria colecionadores, curadores e pessoas influentes no mundo da arte, exatamente o tipo de público que poderia impulsionar sua carreira.

Quando decidiram dividir um apartamento em Nova Iorque, a ideia partira de Ella. Ela queria estar mais perto da galeria onde trabalhava - e Darla, por sua vez, precisava de um recomeço.

Ella pintava desde criança. Darla se lembrava perfeitamente do dia em que a amiga lhe mostrara, toda orgulhosa, seu primeiro kit de pintura - um presente de aniversário de nove anos. Desde então, Ella nunca mais parara.

Para Darla, observar a amiga pintar era quase terapêutico. As pinceladas suaves, as cores misturando-se na tela, o silêncio concentrado... tudo aquilo lhe trazia uma paz que raramente sentia depois de tudo o que havia vivido nos últimos meses.

- Vi o táxi chegando - disse Darla, pegando a bolsa e caminhando com cuidado até a porta.

Ella riu ao vê-la andar meio torta.

- Se continuar desse jeito, você vai acabar se acidentando... ou derrubando alguém!

- Muito engraçado - respondeu Darla, revirando os olhos, mas sem conseguir esconder o riso.

Poucos minutos depois, já estavam no carro, atravessando as ruas iluminadas de Manhattan até o hotel onde acontecia o evento.

O salão era grandioso. Lustres de cristal pendiam do teto, refletindo a luz dourada que dançava sobre o chão polido. A música era animada, quase como uma danceteria sofisticada, e pessoas elegantemente vestidas circulavam com taças de champanhe nas mãos.

O tema fora escolhido para deixar os convidados mais descontraídos após o leilão beneficente - cujo objetivo era arrecadar fundos para a reforma da ala norte da galeria onde Ella trabalhava.

Quando chegaram, o leilão já estava praticamente no fim, mas pelo sorriso satisfeito no rosto do chefe de Ella, o evento tinha sido um sucesso absoluto.

- Achei que vocês não viriam mais! - exclamou Daniel ao vê-las entrar.

Ele as abraçou calorosamente.

- Nos atrasamos porque alguém aqui esqueceu como se arrumar para uma festa - provocou Ella, apontando para Darla.

Daniel riu, e Darla apenas deu de ombros, sem graça.

Naquele momento, ela se sentia deslocada. Ao lado de Ella - tão confiante, elegante e social - Darla se sentia pequena, quase invisível.

- Vamos pegar umas bebidas - disse Daniel, já puxando Ella pelo braço.

Ele sussurrou algo em seu ouvido que fez Ella rir alto, completamente distraída. Em poucos segundos, Darla ficou sozinha no meio do salão.

Ela observou as pessoas ao redor: homens em ternos impecáveis, mulheres em vestidos brilhantes, risadas altas, conversas sofisticadas.

Aquilo não era seu mundo.

Preferia mil vezes o silêncio do apartamento, um moletom confortável, um pote de sorvete e uma série qualquer passando na TV.

Ainda assim, decidiu explorar o lugar. Talvez fosse sua única chance de estar em um evento como aquele.

Enquanto caminhava distraída, esbarrou em alguém com força suficiente para fazê-la cambalear.

Quando levantou os olhos, deu de cara com um homem muito alto, vestido em um terno escuro perfeitamente alinhado. Seu rosto era sério, quase severo, e seus olhos a percorreram lentamente, dos pés à cabeça.

Darla sentiu um arrepio estranho descer por sua espinha.

- Desculpe-me - murmurou, incomodada tanto com o choque quanto com o jeito que ele a olhava.

O homem apenas assentiu, sem dizer uma palavra, e voltou-se para o casal com quem conversava, como se ela sequer existisse.

Darla soltou o ar que nem percebeu que estava prendendo.

Ainda abalada, decidiu procurar o banheiro. Precisava se recompor - arrumar a maquiagem, respirar fundo, recuperar o controle de si mesma.

O olhar daquele estranho a fizera sentir-se pequena, mal vestida... vulnerável. E isso despertou memórias que ela lutava diariamente para manter enterradas.

Sacudiu a cabeça, tentando afastar os pensamentos, e encontrou a porta do banheiro.

Entrou rapidamente - sem notar que o mesmo homem a observava em silêncio até que desaparecesse do salão.

Darla empurrou a porta do banheiro com um pouco mais de força do que pretendia. O ambiente estava quase vazio - apenas uma mulher retocando o batom diante do grande espelho iluminado.

Ela respirou fundo e apoiou as mãos na pia de mármore frio, encarando o próprio reflexo. Então abriu a bolsa e retocou a maquiagem com cuidado, embora soubesse que aquilo era mais uma tentativa de se recompor do que uma real necessidade estética.

Fechou a bolsa lentamente e ajeitou os longos cabelos negros que desciam livres até o quadril. Optara por deixá-los soltos porque o vestido, aberto nas costas, já a fazia sentir-se excessivamente exposta.

Os saltos pressionavam seus pés de forma incômoda. A cada minuto, o desconforto parecia maior, um lembrete de que aquele não era seu mundo, nem sua realidade.

Enquanto encarava seu reflexo no espelho, sua mente voltou - contra sua vontade - ao olhar daquele homem.

Havia algo perturbador nele. Não apenas a frieza, mas a intensidade. Como se ele tivesse visto além de sua aparência... além da superfície.

O coração de Darla acelerou ao lembrar da forma como ele a examinara. Não como quem observa alguém por desejo, mas como quem avalia, mede, julga.

A mulher ao lado lançou-lhe um olhar curioso pelo espelho.

- Primeira vez aqui? - perguntou com um sorriso educado.

Darla forçou um sorriso de volta.

- Sim... não costumo frequentar lugares assim.

- Dá para notar - disse a mulher, sem maldade. - Mas você está linda. Só relaxa.

Darla assentiu, agradecida pelo comentário. Ainda assim, quando ficou sozinha novamente, sentiu o aperto no peito retornar.

Ela fechou os olhos por alguns segundos, tentando afastar lembranças antigas e aquela sensação constante de estar sempre fora do lugar.

Sua mente foi tomada com a lembrança de Samuel naquela última noite, o modo como ele menosprezara seus sentimentos, como se seu corpo e sua entrega fossem irrelevantes.

Ela balançou a cabeça com força, afastando o pensamento. Sentiu um alívio silencioso por não ter cometido aquele erro.

Darla respirou fundo, pegou a bolsa e saiu do banheiro, varrendo o salão com os olhos em busca de Ella.

Avistou a amiga próxima ao bar - cercada de pessoas, como sempre - e deu um passo em sua direção.

Foi então que alguém esbarrou nela novamente.

A bolsa escapou de suas mãos e caiu no chão.

- Acho que já nos esbarramos mais cedo - disse a voz grave à sua frente, enquanto o homem se abaixava ao mesmo tempo que ela para pegar a bolsa.

Darla sentiu um arrepio imediato. Reconheceu-o antes mesmo de levantar o olhar.

Era ele.

O mesmo homem de antes.

Quando se ergueu, ele já segurava sua bolsa. O modo como a examinava - dos pés à cabeça - a irritou profundamente.

O salão atrás dele continuava cheio de gente, música e risadas altas.

- Me desculpe... de novo - disse ela, estendendo a mão para pegar o que lhe pertencia.

Ele a observou com o mesmo olhar intenso de antes. Desta vez, porém, não havia indiferença... havia curiosidade.

- A culpa também foi minha. - disse ele, entregando-lhe a bolsa, com uma voz grave e controlada. - Você parece perdida.

Darla piscou, surpresa por ele finalmente falar.

- Esse lugar é gigantesco. - respondeu, tentando parecer confiante, mas sentindo a voz vacilar levemente.

Ele inclinou a cabeça de leve, estudando-a.

- Imagino que seja sua primeira vez aqui.

Darla sentiu suas bochechas corarem. Era tão evidente assim? Ela se perguntou.

- Sim. Me desculpe, mais uma vez. - respondeu, dando um passo para o lado para passar por ele.

Quando tentou sair, ele deu um passo à frente, não para bloqueá-la, mas para acompanhá-la pelo corredor.

- Você não parece confortável lá dentro - disse, olhando em direção ao salão.

Darla franziu o cenho.

- Mas você parece bem confortável em observar as pessoas. - rebateu, antes que pudesse se conter.

Por um breve segundo, um canto da boca dele se ergueu em um sorriso, tão sutil que ela não tinha certeza se realmente acontecera.

- Touché - respondeu ele.

- Já nos conhecemos? - perguntou, observando-a com curiosidade.

Darla o mediu de cima a baixo, devolvendo-lhe o mesmo olhar avaliativo - e negou.

- Tenho certeza que não.

Ele não acreditou.

André estava acostumado a ser reconhecido em qualquer lugar. Seu rosto estampava capas de revistas, seu nome circulava no meio empresarial e sua fortuna crescia ano após ano.

Era jovem, poderoso, implacável nos negócios, e cobiçado pelas mulheres.

Mas aquela garota à sua frente parecia genuinamente alheia a tudo isso. E isso o intrigava.

- Com licença, preciso encontrar minha amiga - disse Darla, tentando passar por ele.

André segurou seu braço com firmeza. Não com brutalidade, mas com autoridade suficiente para fazê-la parar.

Darla se voltou para ele, os olhos arregalados como os de uma corça assustada.

- Você ainda não me disse seu nome - insistiu ele.

Ela engoliu em seco, incomodada com sua persistência.

- Não acho que seja necessário, já que não nos encontraremos novamente.

- Claro que é - interrompeu ele. - Conhecimento é poder.

O calafrio percorreu sua espinha novamente. Aquele homem parecia acostumado a ter tudo o que queria.

Darla suspirou, resignada.

- Darla - disse enfim.

André soltou seu braço lentamente, como se relutasse em quebrar o contato. Um leve sorriso sombreou seus lábios.

Pessoas ao redor começavam a olhar com curiosidade. Eles estavam parados no meio do salão, chamando atenção.

- Posso te oferecer uma bebida? - ele perguntou.

Darla olhou para Ella, ainda envolvida em conversas importantes. Sabia o quanto aquela noite significava para a amiga.

Ao mesmo tempo, a presença de André a deixava tensa, inquieta, vulnerável.

- Não é necessário... - tentou recusar.

Mas André não recuou.

- Sua amiga está ocupada. - disse ele, olhando para a mesma direção onde ela havia olhado momentos antes, para a jovem loira cercada de pessoas em uma conversa animada. Então voltou a encará-la novamente. - Você está sozinha e desconfortável. Meu grupo também está afastado. Podemos fazer companhia um ao outro por alguns minutos.

Darla olhou novamente para Ella e depois para o casal com quem ele conversava antes, que naquele momenyo estavam acompanhados por outras pessoas.

Suspirou, derrotada.

- Tudo bem. Apenas uma bebida.

André assentiu, apesar de se sentir incomodado. Ela soava como se acompanhá-lo fosse um sacrifício, algo inédito para ele, já que nenhuma mulher o tratara assim antes, com tanto desinteresse.

Sem dizer nada, ele fez um gesto para que ela o seguisse e caminhou em direção ao bar, para um canto mais afastado de onde sua amiga estava.

Ela sentia o olhar dele em suas costas, atento, perturbador.

Quando chegaram, André puxou o banco almofadado para que ela se sentasse. Ao pousar a mão no centro de suas costas, sentiu a pele macia e quente sob seus dedos e foi tomado por uma onda inesperada de desejo.

Darla enrijeceu. O toque dele fez seu coração disparar. Sensações que ela tentava evitar há muito tempo despertaram em seu corpo novamente e ela tentou disfarçar duramente.

"O que está acontecedo com você, Darla? Ele é um estranho!" Ela disse a si mesma em pensamento, enquanto tentava se recompor.

Ele pediu duas taças de vinho, sem perguntar se era o que ela queria.

Ela deu de ombros e provou, contudo, surpreendendo-se com o sabor intenso em sua língua.

- Obrigada... é delicioso.

André assentiu, satisfeito.

- Ainda não me disse seu nome - ela lembrou, erguendo os olhos para ele.

- André.

O timbre grave de sua voz a fez estremecer levemente. Tudo nele exalava poder, perigo e sensualidade, exatamente o tipo de homem que ela deveria evitar.

Ela terminou a primeira taça sem sequer perceber. Ele encheu novamente.

O vinho espalhou um calor agradável por seu corpo, deixando-a mais relaxada do que pretendia.

De repente a música e a conversa alheia ao seu redor já não a incomodavam mais.

- Não me lembro de tê-la visto antes, em eventos como esse. - comentou André, sorvendo um gole do vinho em sua taça.

- Eu não saio muito. - respondeu ela, desviando o olhar.

Era a verdade. Ela não pertencia àquele mundo de luxo, roupas elegantes e doações milionárias. Aquela noite só estava acontecendo porque Ella insistira em ter sua companhia.

- E você? Também está envolvido no mundo artístico? - perguntou, curiosa.

André olhou rapidamente ao redor.

Erick parecia procurá-lo e ele respondeu de forma enigmática:

- Faço negócios aqui, outros ali.

Nada além disso. Na verdade, ele estava ali apenas para fazer doações para a reforma da galeria. E por estar entediado.

Darla franziu o cenho, surpresa com a resposta vaga. Ele era um verdadeiro enigma.

Depois de mais um gole, ela pegou a bolsa.

- Obrigada pela bebida... mas preciso ir agora.

A música mudou para algo mais suave. Casais começaram a ir para a pista de dança localizada no centro do salão.

André se levantou junto com ela.

Ele já não se sentia entediado como antes e tinha outros planos para aquela noite.

Planos que terminavam com a bela dama em sua cama e com seus longos cabelos negros espalhados em seu travesseiro.

Capítulo 2 O encontro

Darla retocou a maquilagem, olhando-se no espelho antes de fechar sua bolsa de mão.

Ajeitou os cabelos negros e longos que lhe caiam até o quadril. Preferira usá-los soltos já que o vestido que usava era aberto nas costas e fazia com que se sentisse nua.

Os saltos começavam a machucar seus pés, deixando-a desconfortável. Já perdera o costume de se arrumar daquele jeito.

Não valia a pena...

Pelo menos fora isso que Samuel dera a entender naquela última noite, quando pretendera entregar seu corpo e alma para aquele imbecil.

Balançou a cabeça para tentar afastar as péssimas lembranças, grata por não ter cometido esse erro enorme.

Pegou sua bolsa e saiu novamente do banheiro, olhando em volta a procura de Ella.

Avistando a amiga, Darla deu um passo a frente em sua direção, quando alguém esbarrou nela, fazendo com que deixasse sua bolsa cair.

_ Acho que já nos esbarramos mais cedo. _ disse o homem a sua frente enquanto se abaixava ao mesmo tempo que ela, para pegar a bolsa do chão.

Sua voz provocou outra onda de calafrios por seu corpo, deixando-a confusa enquanto o observava atentamente.

Realmente, ela esbarrara nele instantes atrás quando estava indo ao banheiro.

Coincidência? Ela pensou, incomodada.

_ Me desculpe, novamente. _ desculpou-se enquanto se erguia e estendia a mão para receber a bolsa que ele apanhara do chão.

Sentiu sua face corando enquanto ele a observava dos pés a cabeça, novamente, mantendo-se inexpressivo.

Isso era tão rude! Ela pensou, irritando-se.

Um pequeno sorriso se formou no canto dos lábios dele enquanto devolvia sua bolsa.

_ Já nos conhecemos?_ ele quis saber, observando-a com curiosidade.

Darla o olhou dos pés a cabeça, da mesma maneira arrogante que ele fizera instantes atrás e negou.

_Tenho certeza que não._ Disse firmemente.

Ele não acreditou nela.

Seu nome era conhecido em todo o país e no exterior.

Sua fama e sucesso o precediam aonde quer que fosse, então era impossível que ela não soubesse que ele era.

Seu rosto estava estampado em todo lugar, em várias revistas de prestígio, graças às várias concessionárias de carros importados que ele espalhara pelo país e no mundo todo.

Ele não era apenas mais um multimilionário.

Era considerado o multimilionário mais novo em seu ramo, e estava acostumado com suspiros e olhares femininos por toda parte.

Era atraente, corpo atlético e uma conta bancária recheada.

As duas coisas, juntas, faziam dele um ótimo partido e um dos solteiros mais cobiçados naquele ano, de acordo com os tabloides.

Seu olhar firme e sua postura rígida não permitia que qualquer um ousasse contradizê-lo, E isso era bom para os negócios.

O tornavam implacável.

Então era impossível que ela não soubesse quem ele era, mas estava se divertindo com aquele seu jogo.

_Se me der licença, preciso encontrar minha amiga..._ Darla disse tentando passar por ele.

André segurou seu braço em um aperto firme, fazendo Darla parar onde estava e se voltar para ele com um olhar receoso.

Ela parecia uma Corça assustada e isso atiçou ainda mais o seu interesse.

_Ainda não me disse seu nome. _ ele falou ainda com a mão firme em seu braço.

" Que insistente!" Darla pensou, ficando ainda mais irritada.

Como se não bastasse o modo como ele a encarava mais cedo, agora a impedia de ir embora.

_ Creio que não seja necessário...

_ Claro que é necessário. _ ele a interrompeu.__Conhecimento é poder.

Darla observou aquele homem, sentindo novamente aquele sensação de calafrio na espinha.

Ele parecia ser o tipo de homem que estava a costumado a ter o que queria.

Suspirou, decidindo que era melhor responder e sair logo dali.

_ Darla... _ disse, notando a sombra de um sorriso no canto de seus lábios enquanto ele soltava seu braço lentamente.

Algumas pessoas passavam ao redor, observando-os com curiosidade. Já estavam chamando atenção parados ali, no meio do salão.

_Posso te oferecer uma bebida?_ Ele ofereceu.

Darla olhou em volta.

Sua amiga permanecia no bar rodeada por pessoas.

Ela sabia o quanto aquele evento era importante para ela.

A vontade de voltar para casa aumentou conforme a presença daquele estranho a deixava ainda mais tensa.

Sua experiência com o sexo masculino se resumia apenas a Samuel, mas ele não contava, pois havia sido seu amigo antes de se tornarem namorados.

_Não é necessário..._ ela tentou se desvencilhar dele, desejando encerrar aquela conversa e voltar para casa, para um ambiente com o qual estivesse acostumada.

Ella entenderia...

André começava a ficar impaciente, imaginando se não seria melhor se afastar e sair logo dali.

Qualquer outra mulher que soubesse quem ele era não perderia a oportunidade de que lhe pagasse uma bebida.

Ele nunca tivera que insistir com mulher alguma.

Isso fazia parte das recompensas por todo o trabalho árduo a que se dedicara por todo aquele tempo.

Seu receio só serviu para aumentar ainda mais o seu interesse naquela belezura de cabelos negros e olhar selvagem.

_ Sua amiga está ocupada e você está sozinha. _ disse ele, deixando-a surpresa por saber com quem ela estava. _Como pode ver, meu grupo também está afastado. Podemos ser companhia um do outro por alguns minutos.

Darla tornou a olhar para Ella e então seu olhar se voltou para as pessoas com quem ele falava quando ela se esbarrara nele pela primeira vez.

Suspirou desanimada, enquanto voltava seu olhar para ele.

_ Tudo bem, mas apenas uma bebida. _decidiu.

Estava ali, afinal de contas.

E enquanto conversava com ele, não se sentia mais deslocada.

Talvez a noite não fosse um completo fracasso, afinal, pensou com um suspiro resignado.

A expressão de André se fechou.

Ela agia como se fosse um sacrifício acompanhá-lo em uma bebida, agindo de maneira completamente oposta a que estava acostumado quando se tratava de mulheres.

Isso nunca acontecera com ele antes, e agradeceu por Erick não estar por perto para presenciar isso.

Em silêncio, ela se voltou para o bar, indo para o lado oposto onde sua amiga estava.

Sentiu o olhar daquele homem em suas costas durante todo o caminho, deixando-a tensa.

André a alcançou rapidamente, surpreso por ter que seguir uma mulher pela primeira vez em sua vida.

Ela realmente lhe dera as costas!

Alcançando-a, ele pousou a palma da mão no centro de suas costas.

Sentiu a pele fina e sedosa sob suas palmas.

A proximidade fez com que sentisse o perfume que exalava daqueles cabelos negros feito ébano e uma onda avassaladora de desejo o pegou de surpresa.

Darla enrijeceu ao sentir o toque quente da mão dele em suas costas.

Seu coração acelerou dentro do peito e por um momento ela foi tomada por sensações que não sentia fazia algum tempo...

Quando chegaram ao bar, ela se sentou assim que ele puxou o banquinho almofadado para ela, tentando se afastar do toque dele e daquela sensação que ele acendera em seu corpo.

Observou-o pelo canto do olho enquanto ele se acomodava a seu lado e pedia duas taças de um vinho caro, sem se dar ao trabalho de perguntar o que ela queria beber.

Mas ao dar um gole da bebida em sua taça, ela decidiu deixar isso de lado.

Era saboroso, mesmo para ela, que não entendia muito de vinhos.

_Obrigado, é delicioso.

André assentiu, satisfeito.

_Ainda não me disse o seu nome..._ Darla lembrou, fitando-o por cima do copo e encontrou o olhar dele.

Incomodada pela maneira como ele a fitava, ela ajeitou o cabelo e olhou em volta, nervosa.

_André. _ ele respondeu, observando-a com curiosidade.

Ele havia sido abordado várias vezes desde que chegara aquele evento, mas ela parecia realmente não saber quem ele era.

Isso era uma novidade! Pensou ele, ainda mais curioso a seu respeito.

O tom rouco em sua voz fez com que Darla se ajeitasse na cadeira, incomodada.

Tudo nele exalava sensualidade, poder... perigo.

Tudo o que ela não precisava naquele momento, mas que a atraía inesperadamente.

Principalmente porque não se conheciam e não tornariam a se encontrar no futuro.

Não, quando viviam em mundos completamente diferentes.

Quando deu por si, ela havia terminado a primeira taça de vinho, ainda sentindo a boca seca. André tornou a enchê-la, enquanto a observava atentamente.

O vinho espalhava calor gostoso pelo corpo de Darla, deixando-a mais a vontade.

Sorriu, levemente, ao pensar que logo ficaria bêbada se tomasse mais um copo daquele vinho.

Não costumava beber muito, mesmo quando saia com Ella uma vez ou outra.

Ella era a garota descolada entre as duas, não ela.

André encarou os lábios da moça enquanto eles se arqueavam levemente em um sorriso. O que ela estaria achando engraçado? Pensou.

_ Não me lembro de já tê-la visto em outros eventos como esse... _ele disse bebendo da própria bebida.

_Não saio muito de casa..._ Ela respondeu simplesmente, olhando para qualquer lugar, menos para ele.

Na verdade, ela não era convidada para eventos daquele tipo porque não fazia parte daquele mundo sofisticado.

Não vivia rodeada por gente rica e muito menos tinha condições de fazer doações de caridade.

Aquela era a primeira vez que acompanhava Ella em um evento. Depois de muito insistir, a amiga tinha conseguido tirá-la de casa.

_E você?_ Ela perguntou, mudando o foco da conversa para ele enquanto o observava atentamente.

_O que quer saber?_ Ele tomou mais um pouco da bebida, sempre observando-a.

Darla deu de ombros.

_Com o quê trabalha? _ perguntou, curiosa.

André olhou em volta antes de seu olhar se ficar em um ponto distante.

Erick parecia estar procurando por ele.

Isso atrapalharia seus planos se ele viesse interrompê-lo.

_Carros._ Respondeu rapidamente e voltou a olhar para ela, incomodado.

Ele nunca tivera que falar tanto com uma mulher para conseguir o que queria.

Toda aquela noite era um desperdício de seu tempo.

Pelo menos era o que achava, antes dela esbarrar nele momentos atrás e provocar seu interesse.

Se era de propósito, ele não sabia, mas estava curioso e pretendia matar aquela curiosidade.

Darla se surpreendeu pela resposta simples.

Normalmente homens gostavam de falar do próprio trabalho.

Mas esse homem em questão, era muito enigmático.

Ela suspirou, decidindo que era melhor voltar para casa.

_Humm... _deu mais um gole no vinho e pegou sua bolsa de cima da bancada. _ Obrigado pela bebida, mas eu preciso ir agora.

O vinho começava a fazer efeito, deixando-a um pouco letárgica.

Sempre fora muito fraca para bebidas e isso era a desculpa perfeita para ir embora encerrar aquela noite que estava fadada ao desastre desde o início.

Ela só não quisera decepcionar Ella.

Uma música suave começou a tocar e alguns casais seguiram para a pista de dança.

André também se ergueu.

"Ela não iria embora. Não agora, pelo menos..." pensou, decidido.

Seus planos para aquela noite eram outros, e terminavam com ela nua na sua cama e seus cabelos de ébano espalhados em seus travesseiros.

Capítulo 3 A entrega

_Dança comigo. _ ele pediu, tomando sua mão na dele e guiando-a para a pista de dança improvisada, sem esperar por sua resposta.

Darla abriu a boca para protestar, mas no instante seguinte se via arrastada para perto dos casais que dançavam, seus braços envolvendo sua cintura enquanto a puxava para junto dele.

Ela não sabia como reagir.

Pousou as mãos em seu peito largo, sem jeito.

Ele era alto. Muito alto, ela observou agora que estavam mais perto.

O cheiro amadeirado do perfume dele penetrava em suas narinas, fazendo-a fechar os olhos por alguns segundos, inebriada pelo perfume e pelo calor do corpo dele junto ao seu.

Ele pousou as palmas das mãos em sua cintura fina, e ela pôde sentir o calor de suas palmas através do tecido fino do vestido.

O cheiro dos cabelos dela penetrava-lhe as narinas, fazendo seu desejo acender imediatamente.

André apertou seu corpo ao dela um pouco mais, fazendo com que ela sentisse o que sua proximidade provocava em seu corpo.

Seu sexo pressionava o zíper das calças, completamente ansioso por experimentar o calor do corpo dela, de seu interior.

Darla sentiu como se uma onda de eletricidade a atravessasse por inteiro, concentrando em um único ponto do seu corpo.

Jamais sentira nada parecido por ninguém, nem mesmo por aquele que era seu noivo.

Por isso ele a chamara de rainha de gelo, como se ela não fosse capaz de sentir desejo...

Mas naquela noite era diferente.

Ela não sabia se era pelo efeito do vinho que corria em suas veias ou pela aura de sensualidade que emanava daquele homem.

Ela sentiu algo que jamais sentira nos braços de Samuel.

A constatação veio em seguida, de que ele estivera errado esse tempo todo.

Ela não era frígida.

Era capaz de sentir, como qualquer outra pessoa...

Só que ele não fora capaz de provocar essa reação em seu corpo, como aquele estranho fazia.

De repente ela se sentiu confiante.

Uma confiança que Samuel quebrara naquela tarde antes que ela tomasse a decisão de partir e não olhar para trás.

O que acha de continuarmos nossa bebida em outro lugar, mais tranquilo? _ ela ouviu ele murmurar em seu ouvido, causando-lhe arrepios por todo o seu corpo.

Sua voz soava rouca e pelo visto ele sentia exatamente o mesmo que ela estava sentindo naquele momento.

Excluindo o fato de que estava completamente nervosa e insegura com o que se seguiria.

Aquela era uma situação completamente nova para ela e não sabia ao certo como agir.

Talvez aquela noite fosse única ela pensou.

Quando que um homem daqueles se sentiria atraído por alguém como ela?

Era sua única oportunidade de provar a si mesma que não era frígida como Samuel insinuara, usando aquilo como desculpa par justificar sua traição.

Sua mente ordenava que corresse para bem longe daquele homem, enquanto seu corpo pedia o contrário.

Sentindo sua indecisão, André deslizou a mão em sua cintura, acariciando a pele exposta em suas costas, sentindo o suspiro trêmulo saindo de seus lábios entreabertos.

_ Você escolhe para aonde ir. _ ele disse, imaginando que aquilo seria o suficiente para deixá-la mais relaxada.

Darla encarou aquele homem nos olhos.

Não conseguia pensar em nada para dizer naquele momento, então ela apenas assentiu, adrenalina tomando conta de seus sentidos enquanto observava o brilho faminto e satisfeito no olhar dele.

Sempre fora muita controlada com tudo que fazia.

Isso fez com que chegasse até onde estava, antes de ser demitida de seu emprego atual porque seu chefe não conseguira segurara as pontas e manter as portas abertas.

Mas hoje seria diferente.

Ela precisava se sentir livre, mesmo que para isso fosse preciso se livrar de seus próprios princípios.

E quando assentiu, ela sentiu como se estivesse sendo liberta de qualquer coisa que a prendia.

Aquela noite seria sua libertação.

Um pequeno sorriso satisfeito se formou nos lábios de André, que tomou suas mãos na dele e a guiou para a entrada que levava ao saguão do hotel em que estavam.

O recepcionista o cumprimentou com um aceno respeitoso, olhando rapidamente para a bela moça ao lado dele antes de lhe entregar as chaves do quarto.

Nenhuma palavra foi necessária e no instante seguinte estavam dentro do elevador, um silêncio tenso tomando conta do ambiente antes da luz do painel se acender e as portas se abrirem.

Quando adentraram o quarto luxuoso, André pegou o telefone e pediu que uma garrafa de vinho e duas taças fossem enviadas para o quarto.

Então seu olhar se voltou para a bela mulher a sua frente, que olhava tudo ao seu redor com curiosidade, como se jamais tivesse frequentado um lugar requintado como aquele.

Darla julgou que ele deveria receber muito bem no trabalho para se hospedar naquele hotel e ainda por cima pedir uma garrafa de vinho tão cara.

Por um momento temeu que estivessem invadindo o quarto de alguém e ficou ainda mais insegura.

Ela olhou em volta, surpresa.

O lugar era magnífico.

Um quarto daquele deveria custar muito mais do que o seu salário anterior poderia pagar, pensou, admirada.

André afrouxou a gravata e o terno, ficando mais a vontade.

_Fique a vontade. _ ele disse logo atrás dela, assustando-a e tirando-a do transe em que se encontrava.

Isso o deixou ainda mais curioso a seu respeito.

_ Ah! ... _ Ela murmurou, colocando a bolsa em cima da mesinha de centro no meio da sala._ Obrigado.

Um suave som da campainha os fez olhar para a porta.

Atendimento rápido! Ele pensou, satisfeito, enquanto se afastava para atender.

_ É o nosso vinho. _ ele disse.

O funcionário do hotel entrou com o carrinho de bebidas. Abriu o vinho e serviu em ambas as taças antes de se retirar levando o carrinho deixando a garrafa.

Quando estavam a sós novamente, André se voltou para Darla, que permanecia em silêncio.

_ Venha. _ ele chamou e seguiu até ele como se no piloto automático.

Pegou a taça que ele lhe oferecia e bebeu um pouco do vinho, fitando-o sobre a borda do copo.

Ele era tão sério! Ela pensou, desviando o olhar e caminhando até a enorme janela que ia do chão ao teto.

Ela precisava de um espaço para se acalmar...

Lá fora, a escuridão era quase total, quebrada apenas pelas luzes dos prédios em volta.

Dava para ver boa parte da cidade ali de cima, pensou ela enquanto admirava a vista e conseguia relaxar um pouco.

_ Gostou da vista? _ ele murmurou, muito perto do seu ouvido, fazendo o coração de Darla falhar uma batida.

Ele estava tão perto...

André parou atrás dela.

Tomou a taça de suas mãos e a colocou ao lado bancada próximo à janela.

Pousou as mãos suavemente em seus ombros, deslizando-as pelos braços de dela lentamente.

Ouviu o suspiro trêmulo que escapou de seus lábios e pelo reflexo da janela viu que ela cerrava os olhos.

Ela estava nervosa, pensou ele com surpresa.

Estava acostumado com mulheres sedutoras e experientes, que sabiam exatamente o que fazer.

Era sempre elas a dar o primeiro passo para tentar seduzi-lo.

Mas com Darla era diferente...

Ela parecia não saber o que fazer e isso só fazia aumentar sua curiosidade a seu respeito e seu desejo por ela.

Aspirou o perfume dos cabelos negros que o enfeitiçavam, agora mais próximos dele do que quando estavam na pista de dança.

Enquanto deslizava as mãos por seus braços, ele percebeu o quanto era pequena se comparado a ele, mesmo usando saltos.

Delicada e frágil...

Mas ele ainda a queria, em sua cama, gemendo seu nome enquanto a fazia gozar em volta dele...

_ André... _ Darla murmurou baixinho, tentando se afastar dele, mas ele não permitiu, mantendo-a exatamente onde estava.

_ Xiii. _ ele murmurou perto do seu ouvido, puxando-a para junto do seu corpo novamente.

Darla se sentia encurralada enquanto as batidas de seu coração se aceleravam dentro do peito.

Devia se afastar agora e ir embora.

Aquilo fora um erro, pensou ela, sentindo o medo tentando oprimir o desejo que sentia.

Mas seu corpo, ao invés de se mover para longe dele, ansiava por colar-se ao dele e sentir o peito forte contra suas costas; o seu volume pressionando suas nádegas...

André mordiscou o lóbulo de sua orelha, arrancando um gemido profundo de sua garganta e provocando arrepios por todo o corpo de Darla, deixando-a com as pernas trêmulas.

Ele sorriu, satisfeito, enquanto a sustentava contra seu corpo.

Pegou-a nos braços e levou-a para o quarto, pousando-a delicadamente no centro da cama e observou fascinado o que tanto fantasiara mais cedo assim que a vira.

Os fios longos e negros de seus cabelos estavam espalhados em seus travesseiros, os olhos cor de amêndoas semi abertos olhando para ele om luxúria.

Seus lábios se abriram ligeiramente, formavam um O quando sentiu o tecido frio do lençol da cama contra suas costas nuas. Sua respiração estava ofegante e entrecortada e o observou com um misto de desejo e insegurança.

A onda de eletricidade atravessou seu corpo novamente, aumentando sua ansiedade.

André precisava penetrar em seu corpo curvilíneo e sensual.

Precisava sentir sua umidade e seu calor em volta dele enquanto a penetrasse fundo, antes até que ela pulsasse ao seu redor e saciasse o seu desejo.

Pensando nisso, ele desabotoou a blusa social, sem desviar os olhos dos dela nem por um segundo.

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