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Uma noite inesquecível: o dilema de Camila

Uma noite inesquecível: o dilema de Camila

Autor:: PAGE CANTRELL
Gênero: Moderno
Foi um grande dia para Camila. Ela estava ansiosa para se casar com seu belo marido. Infelizmente, ele não compareceu à cerimônia. Assim, ela se tornou motivo de chacota aos olhos dos convidados. Num acesso de raiva, ela saiu com um estranho naquela noite. Ela pensava que era só um caso de uma noite. Mas para sua surpresa, o homem se recusou a deixá-la ir. Ele tentou conquistar seu coração, como se a amasse profundamente. Camila não sabia o que fazer. Ela deveria dar uma chance a ele? Ou apenas ignorá-lo?

Capítulo 1 Aventura de uma noite

Camila Haynes havia acabado de se casar. No entanto, não havia sinais de seu noivo em lugar nenhum. Enquanto olhava para o quarto vazio, seu rosto ficou pálido como papel. Era difícil para ela não se sentir humilhada. A mulher sabia que não merecia isso. Infelizmente, não havia nada que ela pudesse fazer.

Desde o momento em que ela nasceu, todos os aspectos de sua vida foram controlados por terceiros. Logo, um casamento arranjado também fazia parte do pacote.

Camila foi obrigada a se casar por causa de seu pai, um homem governado pela ganância. Seu avô havia trabalhado como motorista de Robin Johnston, o patriarca da poderosa família Johnston. Há algum tempo atrás, eles sofreram um terrível acidente, onde o avô de Camila morreu para salvar Robin.

Nos últimos meses, a pequena empresa que a família de Camila dirigia contraíra enormes dívidas. Em outras palavras: eles estavam à beira da falência. Mesmo assim, o astuto pai de Camila se recusou a pedir ajuda à família Johnston, pois sabia que isso cancelaria a dívida que eles tinham com a família Haynes. Sendo assim, ele elaborou um plano para que o neto de Robin, Isaac Johnston, se casasse com sua filha.

Dada a riqueza da família Johnston, eles certamente iriam desembolsar uma boa quantia em dinheiro em troca da mão de Camila. Além disso, como bônus adicional, eles finalmente estabeleceriam uma conexão mais sólida com a família Johnston, vinculada por lei. Claro, a família Johnston não podia recusar a proposta, ou correria o risco de arruinar sua reputação.

Isaac optou por expressar sua insatisfação com todo o arranjo não aparecendo na festa, embora ninguém além das famílias dos noivos estivesse presente. Ele também não autorizou que Camila usasse o sobrenome Johnston em público, e a proibiu de contar para os outros que ela era sua esposa. Considerando tudo isso, ninguém se preocupou em pedir a opinião de Camila.

Mesmo vendo-se à beira de um colapso, a mulher não perdeu a compostura. Mesmo que seus cílios estivessem tremendo ligeiramente, havia um traço de determinação que não deixava seus olhos. Ela se recusava a ceder à humilhação. Entretanto, ela ainda não sabia como proceder.

Ela ainda se perguntava como seria sua noite de núpcias quando recebeu uma mensagem de uma colega, que estava pedindo que Camila a substituísse no turno da noite.

Camila não hesitou, ela saiu do quarto e chamou um táxi para levá-la até o hospital. Momentos depois, ela estava na sala dos funcionários do hospital verificando os registros dos pacientes. Seu vestido de festa havia sido substituído por um jaleco branco.

Com um estrondo alto, a porta foi repentinamente aberta pelo lado de fora, fazendo-a bater com força contra a parede. Antes que Camila pudesse assimilar o que estava acontecendo, a porta foi fechada novamente. Ouviu-se o clique do interruptor e, em seguida, a sala ficou escura.

Um arrepio percorreu a espinha da mulher. "Quem..." Camila não conseguiu terminar a frase, pois foi empurrada para cima da mesa. Os papéis que ali estavam se espalharam pelo chão, e ela sentiu a ponta fria e afiada de uma faca pressionada contra seu pescoço. "Quieta!", seu agressor sussurrou com uma voz fria.

Camila mal conseguia enxergar o rosto do homem, embora seus olhos se destacassem. O olhar misterioso do mesmo brilhava sob a penumbra. Um cheiro inconfundível de sangue invadiu as narinas da médica, fazendo-a perceber que o homem estava ferido.

Graças aos anos de treinamento e experiência de Camila como médica, ela conseguiu se manter calma. Silenciosamente, ela ergueu uma das pernas, prestes a chutar as partes sensíveis do homem. No entanto, ele era esperto o suficiente para prever o que estava por vir. Assim que ele sentiu seu movimento, ele apertou as pernas dela com força e a prendeu contra a mesa usando o peso do próprio corpo.

De repente, ouviu-se uma enxurrada de passos vindos do corredor. Considerando o som que parecia estar cada vez mais perto, as pessoas estavam indo para a sala dos funcionários.

"Rápido, eu o vi andando por aqui!"

Bastaria um único grito de socorro e as pessoas invadiriam a sala. Desesperado, o homem se inclinou para frente e beijou Camila. A mulher não hesitou em lutar e, para sua surpresa, ela conseguiu afastá-lo com bastante facilidade. O homem já não estava mais a ameaçando com a faca. Um turbilhão de pensamentos ecoava na mente de Camila.

Nesse momento, alguém que estava do outro lado da porta agarrou a maçaneta. Após decidir o que fazer, Camila puxou o homem para mais perto de si e passou os braços em volta do pescoço dele. Desta vez, foi ela quem o beijou.

"Eu posso te ajudar", ela murmurou baixinho, esperando que o medo não transparecesse em sua voz.

O homem engoliu em seco. Alguns segundos se passaram enquanto ele parecia estar pensando e, em meio ao caos, Camila sentia seu hálito fresco pairando contra o ouvido dela. "Eu vou assumir a responsabilidade por isso", seu tom de voz era baixo, mas não deixava de ser magnético.

Na verdade, ele parecia ter entendido tudo errado. Camila pretendia atuar para que a interação entre eles parecesse consensual. Logo, ele não teria que assumir a responsabilidade por nada.

No segundo seguinte, a porta foi aberta com brutalidade. Camila e o homem misterioso imediatamente colidiram em outro beijo. Ela até soltou um gemido longo e sensual, tornando o momento íntimo mais realista. Apesar de sua situação delicada, o homem não pôde deixar de reagir ao som. Se não fosse pelas pessoas na porta, ele poderia ter perdido a cabeça.

"Porra! É só um casal se beijando. Cara, não tinha um lugar mais apropriado para fazer isso?! Quanta falta de vergonha na cara!"

A luz do corredor infiltrou-se na sala, expondo o casal emaranhado. O homem estava de costas para a porta enquanto beijava Camila, efetivamente escondendo seu rosto dos olhos curiosos dos intrusos.

"Bem, definitivamente esse não é o Isaac. Aquele filho da puta está gravemente ferido. Mesmo que fosse a mulher mais gostosa do mundo ali, duvido que ele teria forças para fazer qualquer coisa com ela."

"Mas mano, essa mulher está fazendo uns sons bem legais, não acha?!"

"Cale essa boca e mexa-se! Precisamos encontrar o Isaac o mais rápido possível, ou perderemos nossas cabeças!"

Houve um farfalhar e um bater de pés enquanto os homens se afastavam correndo, deixando a porta fechada novamente. O homem sabia que seus inimigos haviam partido, mas ao se dar conta de que agora ele estava sozinho com aquela mulher, perdeu o controle. Uma onda de luxúria o invadiu, fazendo-o perder a racionalidade.

A corrente de desejo também não poupou Camila. Talvez fosse a proximidade deles, ou a maneira íntima como eles estavam posicionados, ou talvez fosse a súbita onda de adrenalina; não havia como saber ao certo, mas a onda de rebeldia que ela nem sabia que possuía veio à tona.

Até então, a jovem havia vivido uma vida de monotonia, sempre cedendo às vontades de seus familiares. Desta vez, pela primeira vez, ela iria se entregar aos seus próprios desejos.

Camila deixou de lado suas inibições e deu ao homem abertura para fazer o que quisesse com ela. E foi assim que ela entregou sua virgindade em uma rodada de sexo selvagem e doloroso.

Após satisfazer seus desejos, o homem beijou-a carinhosamente na bochecha. "Irei te achar depois", ele murmurou, sua voz ainda estava um pouco ofegante. Em seguida ele saiu, tão abruptamente quanto havia chegado.

Longos minutos se passaram, até que Camila finalmente conseguiu se pôr de pé. Sua cintura e costas estavam doloridas, assim como sua virilha.

Alguns segundos depois, o silêncio da sala foi quebrado pelo toque de seu celular. O aparelho vibrava na borda da mesa, prestes a cair.

Camila o agarrou antes que caísse, então deslizou a tela para atender à chamada. "Doutora!", uma voz frenética soou do outro lado da linha. "Um paciente acaba de ser levado para a emergência. Ele sofreu um acidente de carro e teve ferimentos graves. Precisamos que você vá vê-lo imediatamente!"

Camila limpou a garganta antes de responder: "Entendi, chego aí em um minuto."

Assim que encerrou ligação, ela caminhou em direção à porta, mas parou no meio do caminho. A mulher abaixou a cabeça, dando uma olhada em si mesma.

Suas roupas estavam bagunçadas e amassadas, e havia algo pegajoso entre suas pernas. Os joelhos de Camila fraquejaram quando ela se deu conta do que havia acontecido. Ela realmente fez sexo com um estranho em sua noite de núpcias. De longe, aquela havia sido a coisa mais indecente que ela fizera.

Entretanto, aquele não era o momento ou local apropriado para comemorar suas ações ou ponderar suas consequências. Camila se recompôs e seguiu seu caminho até a emergência. O resto de sua noite seria ocupado com muito trabalho.

Quando finalmente teve um tempo livre, já era quase madrugada. Ao voltar para a sala dos funcionários, ela descobriu que a sala ainda estava tão bagunçada quanto ela havia deixado.

Quando as memórias de algumas horas atrás invadiram a mente de Camila, suas mãos se fecharam em punhos.

"Obrigada por assumir o meu turno, doutora Haynes", a colega de Camila, Debora Griffith, agradeceu enquanto sorria com sinceridade.

Camila forçou um sorriso tenso. "Imagina."

"Deixa que eu continuo daqui. Você deveria ir para casa descansar um pouco." Reparando os papéis espalhados pelo chão, Debora arqueou as sobrancelhas. "O que aconteceu aqui? Por que esses documentos estão no chão?"

Apavorada, Camila desviou o olhar e tentou se explicar: "Ah, deixei cair sem querer. Por favor, arrume isso para mim. Estou exausta, então é melhor eu ir."

Mesmo diante da clara reação estranha de Camila, Debora assentiu. Depois de se despediram, ela começou a recolher as coisas espalhadas pelo chão.

A mulher mal havia terminado quando o diretor do hospital apareceu na porta, acompanhado pelo assistente de Isaac.

Capítulo 2 Culpa

"Esta é a médica que estava de plantão ontem à noite", disse o diretor do hospital. "Doutora Debora Griffith."

O assistente de Isaac, Willie Calderon, entrou na sala calmamente e olhou para o crachá da médica, onde pôde ler o nome de Debora preso no jaleco da médica. "Venha comigo", disse ele laconicamente.

Compreensivelmente, a médica estava com uma expressão, ao mesmo tempo, perplexa e confusa. "E para onde vamos?"

No entanto, o diretor do hospital não parecia nem um pouco disposto a dar uma resposta ou quaisquer esclarecimentos para aquela pergunta. Muito pelo contrário, com uma expressão fechada e puxando-a com força pelo braço, ele simplesmente disse: "Apenas nos acompanhe. Não devemos fazer o senhor Johnston ficar esperando por nós."

Os três se puseram a caminho a passos rápidos e não demorou muito para que se vissem dentro da sala do diretor do hospital.

Isaac já se encontrava ali, sentado no sofá, com o corpo magro e musculoso apoiado sobre o encosto macio, com as longas pernas cruzadas à sua frente. Ele parecia estar confortável e somente um olhar mais atento poderia perceber que seus lábios estavam bem mais pálidos do que o normal. Felizmente, o forte cheiro de desinfetante característico do hospital mascarava o cheiro adocicado de sangue sobre sua pele e roupas.

Isaac vestia um terno preto elegante, cuja cor ajudava a esconder as marcas de sangue que, se seu terno fosse de outra cor, facilmente ficariam expostas e assustariam a qualquer pessoa. Sua expressão dura contrastava fortemente com a aparente maneira relaxada em que estava sentado, e era praticamente o único vestígio da provação pela qual tinha acabado de passar.

Assim que entraram, Willie se encaminhou rapidamente para o sofá e logo começou a sussurrar alguma coisa no ouvido de Isaac: "Os vídeos das câmeras de segurança da noite passada foram deliberadamente adulterados, provavelmente por um dos atacantes. Além disso, eles foram muito eficientes em limpar todos os rastros e não deixaram nenhuma evidência para trás." Então, aumentando o tom de voz para que seus acompanhantes o ouvissem, continuou. "Esta é a doutora Debora Griffith, a residente que estava de plantão ontem à noite. O próprio diretor do hospital me confirmou essa informação, além de eu mesmo ter verificado os registros. Ela é realmente a médica que estava de plantão."

Foi só após ouvir essa informação que Isaac levantou os olhos para examinar a médica que tinha entrado na sala da cabeça aos pés.

Ao perceber que aquele homem era o chefe da grande Corporação Pamo, a jovem doutora inspirou profundamente, tentando disfarçar a surpresa e a admiração.

"Foi você quem me ajudou ontem à noite?", perguntou Isaac, com o olhar focado na médica, atento a todas as suas reações.

Sem saber o que fazer, Debora abaixou o olhar sem ousar encarar aquele homem formidável.

"Sim, fui eu", respondeu ela com uma voz sumida, pois não sabia ao certo do que se tratava. No entanto, ela tinha certeza de uma coisa: para seu próprio bem, era importante que caísse nas graças de Isaac Johnston. As vantagens de conseguir uma coisa assim podiam ser bastante grandes.

Além disso, naquele momento, o Hospital Central Militar estava começando a selecionar candidatos para estágio em medicina. E todos sabiam que os estagiários acabavam por ser absorvidos no quadro de funcionários e, dessa forma, desenvolviam uma carreira de sucesso naquela instituição.

O mínimo que poderia esperar do Hospital Central Militar era um melhor acesso a recursos do que o que tinham no hospital em que trabalhava atualmente, pois o primeiro era muito mais bem-equipado. Assim, Debora pensou em se aproximar de Isaac na esperança de usar os relacionamentos que ele certamente possuía para entrar naquela renomada instituição.

"Estou grato pela sua ajuda e quero recompensá-la com o que quiser, até mesmo casamento." A voz fria e calculista de Isaac interrompeu os pensamentos da médica.

A expressão daquele homem poderoso demonstrava completa indiferença, mas a lembrança da noite anterior suavizou o contorno dos lábios dele.

"Bem... Eu...", começou Debora de maneira hesitante. Aquela generosa oferta era muito além do que tinha imaginado, e a médica buscava freneticamente pelas palavras corretas para responder.

"Bem, vejo que está indecisa. Venha me procurar quando tiver decidido como posso recompensá-la." Dizendo isso, Isaac se levantou enquanto gesticulava para Willie para que desse seu contato para a jovem médica.

Sem hesitar, o diretor do hospital correu para o lado de Isaac para ajudá-lo a sair do hospital.

"Não preciso de ajuda", recusou Isaac, assumindo, mais uma vez, uma atitude fria e distante. Então, de repente, ele parou como se tivesse se lembrado de alguma coisa importante. Virando-se para o diretor e encarando-o nos olhos, pediu: "Por favor, cuide bem dela."

"Claro", assegurou o diretor com um sorriso educado.

Assim que estava certo de que estavam fora do alcance dos ouvidos do diretor e da jovem médica, Willie disse para Isaac: "Você já é casado, chefe. Assim, não acho que casar-se com a senhorita Griffith seja uma opção viável. Você deveria retirar essa proposta."

Ao ouvir o assistente mencionar seu casamento, Isaac franziu os lábios imediatamente e seu rosto assumiu uma expressão ainda mais contrariada ao pensar na mulher com quem tinha sido forçado a se casar. "Você está com vontade de morrer?", perguntou ele com uma entonação ameaçadora.

Willie notou imediatamente que tinha dito algo que não deveria e um calafrio logo percorreu todo o seu corpo. Àquela altura, era impossível para o assistente saber o que mais irritava seu chefe: o pensamento da noiva com quem tinha acabado de se casar ou da pessoa que estava por trás do ataque da noite anterior.

Enquanto isso, Camila voltou para a villa na qual passaria a dividir a vida com o marido.

Glenda Rivera, a governanta de meia idade, a recebeu no hall de entrada com uma expressão bastante preocupada. "Por que a senhora passou a noite toda fora?"

"Tive que assumir o turno de uma colega", respondeu Camila de maneira sucinta.

Os olhos dela estavam vermelhos e ardiam de exaustão pela noite que passou em claro. Ao notar isso, a governanta achou melhor não insistir no assunto e se calou.

Camila continuou seu caminho e subiu as escadas com passos pesados, dirigindo-se diretamente para o banheiro, onde pretendia se submergir em uma banheira transbordando de água quente. Assim que relaxou no banho, seus pensamentos se voltaram involuntariamente para a noite anterior e ela sentiu o rosto corar imediatamente. Inspirando profundamente e segurando a respiração, ela afundou a cabeça na água para tentar escapar daqueles pensamentos inquietantes. Os sentimentos que tinha sobre o assunto eram bastante complicados e ela não sabia por onde começar.

Na verdade, Camila não tinha ideia de que tipo de pessoa o homem da noite anterior era. No entanto, o mais importante de tudo era que ela era uma mulher casada. Esse pensamento fez com que ela sentisse uma forte pontada de culpa, que ela não conseguia ignorar. Mesmo sem levar em consideração as circunstâncias que fizeram com que ela se casasse, era fato inegável que Isaac e ela agora eram marido e mulher e ela deveria ter isso sempre em mente.

Com esse pensamento na cabeça, ela saiu do banho e logo se vestiu novamente, preparando-se para voltar a sair. Conforme esperava, Glenda logo veio a seu encontro assim que ela desceu as escadas, perguntando prontamente: "Você vai sair novamente? Mas está ainda muito cedo! Não acha melhor tomar o café da manhã primeiro?"

Olhando para o relógio com um ar preocupado, Camila logo respondeu: "Não, vou me atrasar para o trabalho se fizer isso."

Glenda sabia que Camila era médica e, portanto, era normal que passasse a maior parte do tempo no trabalho. Dessa forma, sem insistir demais, ofereceu um copo de leite para a jovem mulher, dizendo: "Pelo menos, beba isso. Cuidado que está quente."

"Obrigada", respondeu Camila com uma voz suave, sentindo-se bem de ter alguém que se preocupasse com ela.

"De nada", respondeu a governanta com um sorriso gentil. Embora o casamento tivesse sido forçado, a governanta sabia muito bem que não deveria menosprezar Camila de jeito nenhum. Mesmo que não tivesse o título de esposa de Isaac, Camila era uma médica profissional e reconhecida, o que a tornava uma pessoa merecedora do respeito de qualquer um.

Terminando de beber o leite rapidamente, Camila logo devolveu o copo para Glenda e saiu da casa em seguida. No entanto, ela não foi diretamente para a sala dos funcionários quando chegou no trabalho. Na verdade, ela quis sair mais cedo porque precisava passar no Departamento de Internações, uma vez que sua mãe se encontrava internada na Unidade de Terapia Intensiva.

Discreta e silenciosamente, Camila entrou no departamento e checou a condição de sua mãe, que ainda permanecia em um estado ruim, sem demonstrar melhora. Aquela constatação fez com que seu coração se apertasse dolorosamente.

A mãe de Camila sofria de insuficiência cardíaca e se encontrava em um estado crítico. Só havia uma maneira para mantê-la com vida no estágio avançado em que se encontrava: um transplante de coração. No entanto, aquele procedimento era proibitivamente caro. Dessa forma, conseguir a cirurgia para a sua mãe foi a principal razão para a jovem médica concordar com o casamento com Isaac. Afinal, seu pai tinha ameaçado não dar o dinheiro para a cirurgia caso Camila não concordasse em se casar. Agora que ela estava casada, atendendo ao desejo do pai, a única coisa que precisavam era de um doador compatível.

Camila lançou um olhar desesperançoso para a mãe, dizendo: "Mãe, vou conseguir com que melhore. Prometo."

Não existia nenhuma pessoa mais próxima de Camila do que sua mãe. A senhora ali deitada sempre foi sua maior apoiadora e confidente confiável de todos os seus segredos.

De repente, o som do celular interrompeu os pensamentos da jovem médica. Tirando rapidamente o aparelho do bolso, Camila atendeu a chamada com uma expressão séria.

"Mila", uma voz masculina a saudou do outro lado da linha. "Preciso de um favor seu."

Capítulo 3 Um paciente particular

O homem que falava do outro lado da linha era Forrest Walters. Camila e ele tinham frequentado a mesma faculdade de medicina, embora ele estivesse dois anos à frente dela. Ao terminar os estudos, ele acabou se mudando para fora do país para continuar o seu aperfeiçoamento e agora tinha se tornado um especialista renomado na sua área. Forrest sempre tinha tomado conta de Camila, protegendo-a sempre que necessário, e os dois eram bons e próximos amigos desde o tempo de faculdade.

"E posso saber que favor é esse que está precisando?", perguntou Camila de maneira direta, mas sem deixar de ser gentil.

"Tenho um paciente que está precisando de atenção e tratamento, mas surgiu uma coisa urgente com a qual tenho que lidar e que me tomará bastante tempo. Então, preciso que cuide desse paciente para mim."

Camila olhou imediatamente para o relógio em seu pulso. Como ela não tinha trabalho administrativo naquele dia, fora as duas cirurgias agendadas para aquela tarde, o restante do seu dia se encontrava praticamente livre. Então, sem titubear, ela respondeu: "Claro! Onde se encontra esse paciente?"

"Vou mandar uma mensagem com o endereço. Quando chegar ao local, avise aos guardas que o senhor Calderon a espera e eles cuidarão do restante."

"Perfeito."

"Mais uma coisa", acrescentou Forrest com um tom sério antes que ela tivesse tempo de desligar. "Você tem que manter tudo isso em segredo, não conte para ninguém. Ah, não faça perguntas desnecessárias. Apenas se concentre em cuidar do paciente da melhor maneira possível."

"Entendido. Não se preocupe, farei isso."

Assim que disse isso, Camila desligou a chamada e chamou imediatamente um táxi para levá-la para o local indicado por Forrest. O endereço ficava em um bairro bastante nobre, em um condomínio cheio de grandes villas com belos jardins, sendo que todas elas eram equipadas com sistemas de segurança de última geração.

Conforme Forrest a tinha alertado, assim que chegou, um segurança corpulento barrou a entrada da jovem médica, que seguiu fielmente as instruções do amigo, indicando que estava procurando pelo senhor Calderon. Após confirmar a informação da médica com um telefonema, o segurança a deixou entrar no condomínio luxuoso.

Camila encontrou a villa facilmente e logo se dirigiu para a porta de entrada, tocando a campainha após subir os dois degraus que a separavam da porta.

Sem precisar esperar muito, a porta se abriu como se a estivessem esperando ansiosamente, demonstrando claramente a urgência da situação.

Willie olhou para ela e franziu a testa, pois esperava ver Forrest ali e não a visitante do sexo feminino que se encontrava esperando à porta. "Desculpe-me, quem é você?"

Como Camila tinha deduzido pelas instruções de Forrest que aquele paciente prezava por sua privacidade acima de tudo, ela achou melhor usar uma máscara para evitar quaisquer problemas, apenas por precaução.

"Como o doutor Walters teve uma urgência, pediu que eu viesse até aqui em seu lugar."

Willie, a critério de confirmação, olhou rápida e avaliadoramente para a maleta médica que Camila carregava. "E você sabe como agir nessa situação?"

"Sim, recebi as instruções necessárias do doutor Walters. Não contarei a ninguém que estive aqui ou o que vi."

Como Willie conhecia Forrest e sabia que ele não transferiria a responsabilidade para alguém que não fosse capaz e confiável, ele logo assentiu com a cabeça e deu passagem para que Camila pudesse entrar.

Então, ele tomou a liderança e mostrou o caminho. Os dois passaram por uma sala enorme e, assim que alcançaram a escada, subiram para o segundo piso, onde entraram em um dos quartos que se encontrava em densa penumbra.

"Como posso administrar tratamento sem ter luz para enxergar direito?", perguntou Camila de bate-pronto.

Ao ouvir a voz de uma mulher em vez de um homem, como esperava, Isaac rapidamente pegou o paletó e cobriu o rosto completamente para esconder sua identidade.

"Acenda as luzes", ordenou ele, sem descobrir a face.

Willie apertou o interruptor imediatamente e uma luz forte e brilhante inundou o quarto. Naquele momento, o primeiro pensamento que ocorreu à Camila foi que a voz do paciente lhe parecia bastante familiar, mas achou melhor não especular e seguir à risca as orientações que tinha recebido. Então, seu olhar se desviou para a figura deitada na cama, com uma camisa branca bastante manchada de sangue, que tinha secado há muito tempo, dando um aspecto marrom avermelhado ao tecido.

Tomando a decisão de não se focar em detalhes, a médica se forçou a se concentrar nas muitas feridas do paciente. Estava muito claro que ele não queria que sua identidade fosse revelada, então, como uma boa médica, ela se sentia obrigada a acatar aquela decisão e a se comportar de acordo.

Então, colocando a maleta médica sobre a mesinha de cabeceira, ela começou a tirar os instrumentos que utilizaria no procedimento. Com um par de tesouras afiadas ela cortou a camisa de Isaac com destreza, expondo suas feridas para tratá-las. Então, dando seguimento ao tratamento, com suas mãos ágeis, ela rapidamente cobriu as feridas com uma camada de gaze após limpá-las cuidadosamente. Quando terminou essa primeira parte, ela viu duas feridas grandes e abertas do lado direito do torso do paciente e voltou sua atenção para elas. Então, sem desviar o foco, ela começou a trabalhar nas duas feridas com dedos rápidos.

Em nenhum momento a médica perdeu a calma controlada que exibia, e suas mão faziam movimentos eficientes e ágeis.

"Você tem alguma alergia a anestésicos?", perguntou ela depois de um curto espaço de tempo.

Para sorte do paciente, as feridas não eram profundas, mas apesar disso, ainda precisavam ser suturadas. Para minimizar o desconforto que ele poderia sentir durante o procedimento, Camila precisaria aplicar uma anestesia local.

Naquele momento, ela falou com uma voz contida e suave, em forte contraste à sua voz quase histérica da noite anterior. E assim, apesar da troca de palavras entre os dois, Isaac não conseguiu reconhecer a voz da médica que o estava tratando.

"Não, nenhuma alergia", respondeu ele na sua voz fria de sempre, enquanto pensava consigo mesmo o quanto aquela médica era hábil.

Após colocar o medicamento e dose adequada em uma seringa, ela injetou a substância em uma área próxima aos ferimentos. Depois de esperar alguns minutos para que a anestesia fizesse efeito, ela finalmente se pôs a suturar os cortes.

Após aproximadamente uma hora de trabalho rápido e eficiente, todos os ferimentos do paciente tinham sido tratados satisfatoriamente. Considerando o estado inicial daquele homem, o tratamento tinha sido ministrado de maneira rápida, eficiente e bem-sucedida.

Ao terminar, olhando para as mãos ensanguentadas, Camila declarou: "Preciso ir ao banheiro."

"O banheiro do andar de baixo está ao seu dispor", respondeu Willie.

Sem perder tempo, Camila rapidamente saiu do quarto em direção ao banheiro.

Assim que se certificou de que a médica tinha alcançado o piso de baixo, Willie fechou a porta do quarto e se apressou para o lado de Isaac.

"Fiquei sabendo que os criminosos que o atacaram ontem à noite foram enviados pela sua tia Audrey. Ela deve estar desesperada para se livrar de você, principalmente depois que você retirou todos os espiões dela da empresa."

Com um grunhido de dor, Isaac se sentou da melhor maneira que pôde e, deixando que seus pés escorregassem pela lateral da cama, os apoiou cuidadosamente sobre o chão. Embora ainda estivesse com uma aparência péssima e debilitada, seus olhos se iluminaram com um brilho perigoso.

Em seguida, ele voltou o olhar penetrante para seu assistente. "A mulher com quem fui forçado a me casar tem alguma conexão com minha tia Audrey?"

Sustentando o olhar do chefe, Willie falou com uma voz ainda mais baixa. "Na verdade, Audrey fez contato com o pai de sua esposa, Marvin Haynes, seu sogro. Ele foi exageradamente insistente em querer casar a filha com um membro da família Johnston, mas em nenhum momento considerou ou mencionou o nome do seu primo, Travis, como um possível candidato. Devido a essa insistência exagerada, imagino que Audrey deva ter feito algum acordo com ele."

"Devo confessar que ela tem me lançado uma surpresa atrás da outra, não posso descansar nem um minuto. Dessa forma, acho que seria de bom tom que eu retribuísse esse tratamento de alguma maneira. Afinal, não quero ficar em dívida com ela", comentou Isaac ironicamente. Ele tinha passado um curto período no exterior, mas Audrey tinha conseguido fazer uma grande bagunça naquele breve momento da ausência dele.

"Ouvi dizer que Travis tem um pequeno e bastante modesto estabelecimento na Rua Cavern. Se não me engano, o nome do lugar é Charm", comentou Isaac com a voz arrastada.

Por conhecer seu chefe tão bem, não foi necessário que ele dissesse mais nada para que Willie entendesse o significado de suas palavras. "Isso mesmo. No momento, eles não têm poder na empresa e não têm um trabalho lá. Dessa forma, o clube é a única fonte de renda para eles e se for fechado... Bem, podemos dizer que, se perderem essa fonte de renda, ficarão em uma situação bem difícil."

"Então, faça com que isso aconteça o mais rápido possível", respondeu Isaac, sem hesitar, com uma voz mais grave.

Ao receber aquela ordem, Willie saiu do quarto e acabou se encontrando com Camila quando descia as escadas. Embora tivesse certeza de que Forrest a tinha avisado de antemão, não viu problema em lembrá-la de que deveria ser muito discreta. "Se você comentar o que fez aqui com alguém, sofrerá uma morte terrível. Então é melhor manter essa boca bem fechada."

Eles não podiam permitir que os ferimentos de Isaac viessem ao conhecimento de Audrey ou do filho dela, Travis Johnston, pois eles se aproveitariam de uma oportunidade assim para causar ainda mais problemas.

Camila olhou diretamente para ele e assentiu. "Não vou contar para ninguém. Só quero pegar minha maleta médica e sair daqui em seguida."

Ao voltar para o quarto, o homem que ela tinha acabado de tratar se encontrava de pé, com as costas voltadas para a porta, em frente à janela na parede oposta. Como ele estava de costas para ela e com o torso nu, Camila podia ver perfeitamente as costas largas e musculosas que se afunilavam elegantemente em uma cintura esbelta que, por sua vez, terminava em nádegas provavelmente muito bem tonificadas. O corpo dele era muito bem-proporcionado, lembrando o de um deus grego.

"Você ainda não foi embora?", perguntou ele com um tom irônico. Embora não tivesse se virado para ela, Isaac sabia que ela o estava observando. Talvez ele tivesse consciência disso por sentir o calor do olhar da médica sobre seu corpo.

Ao ouvir a pergunta, Camila imediatamente abaixou a cabeça, envergonhada. Por mais que negasse ou odiasse admitir, a visão daquele corpo perfeito a tinha deixado atordoada.

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