Eu estava muito nervosa para conhecer meus sogros. Theo falou sobre eles a viagem inteira. Fiquei pensando que eles eram tão legais que eu não ia ter chance de me apresentar para eles, porque eles não iam gostar de mim.
– Meu amor, não fica assim. Eles vão amar você, assim como eu amo. – Segurei a mão de Theo bem forte. O avião já estava pousando; logo estaríamos frente a frente com eles. Será que a família dele iria gostar de mim? Essa era a única coisa que eu conseguia pensar naquele momento.
– Emma, tudo bem? – Theo perguntou olhando nos meus olhos. Eu estava tensa, muito nervosa e com um friozinho na barriga. Theo sempre tentava me acalmar.
– Olha, Emma, já chegamos! – Disse Theo todo entusiasmado com a chegada ao país dele. Só que ele estava feliz, e quando sorria, meu coração se preenchia de força e coragem.
No instante que desci do avião, avistei um homem loiro acenando para nós. Theo ergueu a mão e acenou de volta. Certamente era o irmão de Theo, que veio nos buscar no aeroporto.
– Oh, meu irmão querido! - Theo o abraça forte, e eu fico parada esperando ele me apresentar.
– Thales, essa é minha noiva, Emma!
– Oi, prazer em conhecê-la! – Ele retira os óculos escuros, e então vejo que seus olhos são azuis e lindos. Eu meio que me perdi na imensidão daqueles olhos azuis. Ele se parecia com Theo, exceto por algumas diferenças como o cabelo, Theo tinha cabelo castanho e os olhos eram azuis em um tom um pouco mais claro. Os dois eram muito bonitos.
– Então Emma... Foi você quem roubou o meu irmão de mim, né? – Ele sorriu.
– É isso que pensa? A verdade é que ele foi quem roubou meu coração, né amor?
– Sim, é verdade! – Theo me abraça.
– Minha cunhadinha linda!
– Será que posso dar um abraço na minha cunhada, irmão? - Pergunta Thales enquanto caminha em minha direção com os braços abertos. O perfume dele era tão forte que senti o cheiro mesmo à distância.
– Bem-vinda à nossa família, Emma!
– Obrigada, Thales! – Sorri para ele.
– Vamos, mano! Emma precisa descansar. A viagem foi muito cansativa.
– Claro, vamos. A mamãe está nos esperando. Ela fez um jantar incrível para vocês.- Thales e Theo carregam as malas até o carro e guardam no porta-malas, então seguimos para casa.
– E então Emma... o que você viu no meu irmão? – Pergunta Thales dirigindo o carro e olhando para frente.
– Que pergunta estranha. - Respondo meio sem graça. – Acho que foi por ele ser tão lindo assim.
– Lindo? Sério mesmo, Emma? – Thales sorri olhando para o irmão, os dois estão sorrindo agora.
– Você perguntou! – Digo séria para os dois, logo o sorriso dela se fecha.
– Chegamos, pessoal! – O carro para na entrada de uma casa chique, grande e belíssima, desço do carro, e vejo que os pais do Thales estão esperando na porta para nos receber.
– Amor, você nunca disse que seus pais eram ricos. – Digo deslumbrada, Theo sorri observando minha reação.
– Querida, eu não sou o único rico, meu irmão também é.
– O quê? Você disse seu irmão? Mas... como? Ele ganhou na loteria?
– Não, Emma, ele é ator.
– Ah, é um ator famoso, é isso?
– Sim – Theo segura meu braço e sai me puxando até seus pais para me apresentar a eles, enquanto isso, Thales vai levando as malas para a entrada da casa.
– Meu filho querido! – Exclama a mãe de Theo quando nos vê, abraçando-o forte. Seu pai também o cumprimenta. Logo ela olha para mim e sorri.
– E essa moça tão linda, meu filho? – a mãe dele pergunta toda feliz.
– Essa é a Emma, mãe, minha noiva!
– Olá! Muito prazer em conhecê-la!
– Theo falou muito sobre vocês.
– Ele falou bem ou mal, em?
– Sempre bem, não se preocupe. – Todos sorriem.
– Bom, vamos entrar. Tenho certeza de que estão muito cansados da viagem.
– Nem imagina, mãe! – responde Theo, já sentando no sofá. Ele me agarra pela cintura e me aperta contra seu peito.
– Vamos subir, tomar um banho e descansar um pouco, mãe. Depois conversamos.
– Claro, meu filho! Fiquem à vontade, você e sua noiva.
– Emma, sinta-se à vontade na nossa casa, querida!
– Obrigada, minha sogra.
– Do que me chamou, querida?
– Me desculpe, prometo que não vou voltar a lhe chamar assim.
– Não se preocupe, querida. Tudo bem, você pode me chamar de sogra.
– Obrigada, mesmo assim... eu deveria ter perguntado ao Theo se vocês iriam gostar de ser chamados de sogros. É um jeito carinhoso de chamar vocês."
– Claro, querida, eu entendo. Pode nos chamar do que quiser, está bem?
– Sim, obrigada.
– Bom, amor, vamos descansar um pouco no meu quarto. – Subimos para o quarto do Theo. – Nossa, agora sim, Não conseguia mais ficar em pé. –Finalmente, uma cama macia para dormir. Me jogo na cama. Estou tão cansada que poderia dormir sem comer e sem tomar banho, mas Theo me ajudou a tomar um bom banho, e depois deitamos juntos, bem agarradinhos.
Fomos para a cama sem jantar, sei que a mãe do Theo tinha preparado, mas ela entenderia que estávamos cansados demais para isso.
Theo queria me fazer surpresa mas descobri que estávamos indo para um parque. Theo queria me apresentar tudo que seu país tinha para eu me acostumar, já que eu era brasileira e Theo era americano; estávamos planejando nos casar dentro de um mês.
Thales também foi ao parque conosco, e o momento mais marcante foi quando uma garota deu um fora nele, foi incrível ver o grandioso Thales receber o "não" de uma garota.
– Bom, acho que teremos que dividir a Emma, Theo. – Ele fala sorrindo e colocando o braço nos meus ombros.
– Nem pensar, meu chapa. A minha mulher não vou dividir com ninguém, tá doido? - diz Theo, me afastando do irmão.
– Calma, Theo, eu só estou falando para irmos juntos nos brinquedos, você, Emma e eu. O que acha, Emma? - Pergunta Thales, olhando para mim, e esperando minha resposta.
– Claro, por que não? Vamos, amor?
– Tá, mas se comporta, Thales. Ela é minha noiva. – Theo estava usando um tom de voz firme com ele.
– Pode deixar, ciumento. – respondeu Thales, sorrindo para mim.
– Vocês são tão estranhos, os irmãos maluquinhos!
Um tempo depois...
Fazia algumas horas que Thales havia se separado de nós dois, estava na companhia de Theo quando vi um carrinho de pipoca passar na nossa frente.
– Olha amor, compra para mim, por favor.
– Está bem, vou lá, e já volto. – responde Theo, indo comprar pipoca para mim.
Enquanto isso, Thales aparece e esbarra em mim com uma moça; ele aparentava ter bebido um pouco, e se afasta quando percebe que se chocou comigo.
– Opa! Emma, desculpa. Foi sem querer, não tinha te visto aqui.
– Tudo bem, sem problemas. Theo chega com a pipoca e me entrega.
– Obrigado, amor. – Theo olha ao redor como se estivesse procurando por alguém.
– Emma, você viu o Thales por aí?
– Sim, eu o vi. Ele até esbarrou em mim; a propósito ele estava um pouco bêbado.
– Ele sempre faz isso.
– Sério, ele sempre enche a cara quando vem para um parque? - Theo dá risada.
– Nem sempre, Emma!
– Ah, sim.
– Acho melhor irmos para casa, né? Já chega por hoje - responde Theo, já indo procurar Thales enquanto eu ficava esperando no carro.
Pouco tempo depois, eles chegam; Theo está arrastando Thales, abro a porta de trás para ele, colocar o irmão. Nesse momento meu broche engancha na camisa de Thales, e ficamos grudados por alguns segundos, até que Theo nos solta. Ele parecia mais sóbrio agora, finalmente fomos para casa.
Depois de passar a noite no parque, voltamos para casa e precisávamos descansar um pouco. Porém antes de ir dormir, algo muito estranho aconteceu, algo que mexeu um pouco comigo, e balançou meus sentimentos de várias formas.
Naquela noite, Thales tinha ido para cama ainda aparentando estar bêbado, até aqui tudo bem. O problema foi que ele entrou no quarto do Theo escondido. Eu estava quase dormindo, Theo já havia adormecido, quando vi ele entrar de fininho no quarto, andou na ponta dos pés. Senti virando para o outro lado da cama, e, para minha surpresa, Thales me deu um beijo. Ele não fazia idéia que eu estava acordada.
Senti os lábios de Thales tocarem os meus rapidamente e o vi sair correndo em seguida. Levantei assustada, ficando sentada na cama e me perguntando como isso aconteceu.
O que deu nele? Será que isso foi por conta da bebida? Então...Não, não, ele não estava tão bêbado assim.
Fiquei atormentada com isso a noite inteira, mal consegui dormir, não conseguia parar de pensar nesse beijo do Thales. Eu nunca imaginaria algo assim vindo da parte dele.
Afinal, eu era noiva do irmão dele. Não era possível que ele não tivesse pensado no irmão dele, o que ele fez na noite passada foi uma traição contra o irmão, me beijar enquanto dormia profundamente ao meu lado.
Aquilo foi um grande erro, não podia ter acontecido.
Estou me sentindo culpada por não ter reagido, eu devia tê-lo impedido, mas o que eu poderia ter feito? Ele me pegou totalmente desprevenida.
Thales foi longe demais com sua irresponsabilidade. Se o Theo souber disso, estamos lascados. Eu não pretendo perder o amor da minha vida por culpa desse bêbado, não mesmo!
Naquela manhã, decidi ignorar completamente a presença do Thales, Não falei com ele nem mesmo para desejar um bom dia.
Estava com ódio e enojada. Mas nada disso é problema meu, mesmo se ele estiver sentindo algo por mim, não deveria esquecer que sou a noiva do irmão dele.
Era realmente isso que me faltava, uma dor de cabeça com nome e sobrenome, o irmão do Theo não tem a mínima noção, que ódio.
Ele é bonito para caramba, o que não falta é mulher nessa terra, será que passei a impressão de que sentia algo por ele?
O maluco só pode ter confundido o que tem entre a gente, mesmo sendo mais velho que o Theo, demonstrou ser menos maduro. Não soube controlar os próprios impulsos e jogou um problema desse tamanho na minha consciência.
Cara, eu estou com raiva mesmo. Passei a evitá-lo sempre, e fazia todo o possível para ficar o mais distante possível dele.