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Véu de Vingança

Véu de Vingança

Autor:: sofabarrios17
Gênero: Romance
O que você faria se descobrisse que a pessoa em quem mais confia te traiu da maneira mais cruel? Ana descobriu quando viu seu namorado, Javier, na cama com sua melhor amiga. O amor que ela acreditava ser perfeito desmoronou em segundos e, com ele, todas as ilusões que havia construído ao lado de quem amava. Dilacerada, confusa e devastada, Ana decide enfrentar uma verdade que nunca imaginou: a mentira foi sua companheira todo esse tempo. Mas, em meio ao caos, algo dentro dela se acende: o desejo de curar-se, de voltar a ser ela mesma. À medida que revive as memórias de um amor que agora parece irreal, Ana embarca em uma jornada repleta de dor, mas também de autodescoberta. Cada passo à frente revela novas facetas de si mesma e do que realmente deseja para sua vida. E embora Javier continue buscando uma segunda chance, Ana se pergunta: será possível deixar o passado para trás e encontrar um amor que a valorize por quem ela realmente é? Véu de Vingança é uma história intensa de traição, crescimento e segundas oportunidades. Descubra, junto com Ana, que a verdadeira força não está em esquecer, mas em aprender a amar a si mesma primeiro. Uma jornada emocional que vai te prender desde o início e não te deixará ir até a última palavra.

Capítulo 1 A Descoberta

Ana havia começado o dia como sempre. Uma xícara de café preto, forte, com o sabor exato que a despertava todas as manhãs. Tinha revisado os e-mails, sem nada urgente que a tirasse de sua zona de conforto, e depois arrumou o quarto em um ato automático. Suas rotinas eram previsíveis, seguras, e em seu mundo, tudo se alinhava com a tranquilidade que desejava. Era um dia como qualquer outro, e como sempre, sentia que estava no controle de sua vida.

Mas a tarde chegou, e com ela, uma ruptura que mudaria tudo. Nada, nem o menor sinal, poderia tê-la preparado para o que estava prestes a descobrir.

Naquela noite, depois de um longo dia de trabalho, Ana se dirigiu ao seu apartamento. O cansaço era perceptível em seus passos, e seus pensamentos já começavam a divagar para as pequenas rotinas que a aguardavam em casa: o jantar, um banho relaxante, talvez ler um pouco antes de dormir.

Ao chegar à porta, algo a deteve. Estava entreaberta. A porta sempre tinha sido trancada por Javier, seu companheiro. Durante anos, essa rotina foi inquebrável, um hábito que os dois compartilhavam para se sentirem seguros. Mas naquele dia, essa rotina foi quebrada sem aviso, e algo dentro dela a alertou de que aquilo não era uma simples coincidência.

Com uma mistura de incerteza e uma ponta de ansiedade, empurrou a porta. À primeira vista, o apartamento parecia tranquilo. As luzes suaves, as sombras longas do entardecer e o som abafado do vento passando pelas frestas das janelas. No entanto, enquanto avançava pelo corredor, um som chamou sua atenção. Risadas suaves, sussurros abafados. Aquilo não era comum.

Seu pressentimento cresceu, denso como uma neblina espessa, invadindo cada canto de sua consciência. Aproximou-se do quarto com cautela, sem saber o que esperar, mas temendo o pior.

Ao abrir a porta, foi como se o mundo desabasse ao seu redor, deixando-a suspensa no ar, incapaz de mover um único músculo. Lá estavam eles: Javier e Clara, sua melhor amiga, nus, entrelaçados na cama. A cena parecia tirada de um pesadelo, um que Ana jamais imaginou viver.

O silêncio que se seguiu foi imediato, denso, insuportável. As risadas cessaram, os sussurros desapareceram. Javier a olhou com os olhos arregalados, cheios de surpresa e, inexplicavelmente, de culpa. Clara empalideceu, e uma mistura de pânico e vergonha tomou conta de seu rosto.

Ana ficou ali, paralisada, enquanto a dor a invadia como uma onda incontrolável. Não havia espaço para explicações. O sofrimento físico e emocional, tudo o que ela nunca imaginou sentir, a atingiu com uma força devastadora.

Javier pulou da cama, tentando se cobrir, mas a culpa estampada em seu rosto era impossível de esconder.

- Amor! - gritou ele, desesperado, estendendo as mãos em sua direção. Ana recuou, como se a simples proximidade dele pudesse contaminá-la.

- Por favor, posso explicar, meu amor - continuou, a voz trêmula e vazia de justificativas plausíveis.

Mas Ana não o escutava. Estava presa em uma bolha de incredulidade e dor. As lágrimas começaram a cair em seu rosto, embora ela não pudesse dizer se era por raiva, dor ou confusão.

- O que você quer me explicar? - conseguiu articular. Sua voz era um sussurro quebrado. A raiva começava a substituir a dor, e seus olhos brilhavam com uma fúria contida. - Como você pode me explicar que disse que tinha uma reunião de trabalho enquanto estava na cama com minha melhor amiga? Isso é o que você tem a me dizer?

Cada palavra era como uma faca, e Ana sentia cada golpe na alma. Ainda assim, algo dentro dela a mantinha ali. Talvez, em algum lugar profundo, ainda esperasse ouvir algo que pudesse amenizar o impacto.

Clara, incapaz de encarar Ana, levantou-se da cama com movimentos torpes, a vergonha estampada em cada gesto. Ana sentia a traição em cada fibra do corpo. O ar parecia envenenado, queimando-a por dentro.

Javier tentou se aproximar novamente, mas Ana ergueu a mão, firme. Não iria ouvir mais mentiras. A verdade estava ali, nua e crua. E ela sabia que não precisava de mais nada.

O som de sua respiração se tornou o único ruído no quarto. Lentamente, virou-se e saiu. Não precisava de respostas. O mundo havia mudado para sempre.

E enquanto caminhava pelo corredor, as lágrimas continuavam a cair. Mas, desta vez, já não eram de confusão. Eram lágrimas de perda.

Capítulo 2 A Confusão

O ar no quarto parecia denso, pesado, como se as próprias paredes contivessem a tensão que transbordava. Ana estava de pé, paralisada, observando os dois na cama, que, agora completamente conscientes de sua presença, tentavam se vestir com uma desajeitação que refletia mais a vergonha de seus atos do que a lógica da situação. Javier, com a camisa amassada nas mãos e o rosto pálido, se movia apressado, como se tentasse evitar olhar nos seus olhos, como se tudo o que havia feito até aquele momento desabasse com o olhar penetrante de Ana.

Clara, por sua vez, não conseguia levantar a cabeça, incapaz de enfrentar a fúria e a dor que havia causado.

Ana não sabia o que fazer, como reagir. Seu corpo tremia, sua mente não parava de girar. Não entendia como havia chegado até ali, como as peças de sua vida, tão cuidadosamente montadas ao longo dos anos, poderiam ter desmoronado em tão pouco tempo. As lembranças de momentos felizes compartilhados, de promessas, de amor, de risos e cumplicidades, tudo isso parecia tão distante agora. A imagem dos dois na cama, nus e entrelaçados, se repetia uma e outra vez em sua mente, como um filme em loop que não podia ser interrompido. Não sabia se queria gritar, fugir ou simplesmente desaparecer, se desvanecer como se nada disso tivesse acontecido.

O silêncio que preenchia o quarto era insuportável, quase insuportável. Cada segundo que passava sem que nenhum deles falasse mais era como um peso sobre seus ombros, um lembrete do quão irreversível era o que estava acontecendo. Javier, ao ver a reação de Ana, tentou dar um passo em direção a ela, mas o gesto apenas fez com que Ana levantasse uma mão, instintivamente, para impedi-lo. Era como se ela já não o conhecesse, como se estivesse diante de um estranho, não do homem com quem havia compartilhado tantas coisas, o homem que lhe prometeu amor eterno. A dor a invadia, mas não era o tipo de dor que se sente no coração, era mais uma sensação de traição tão profunda que parecia penetrar até os ossos. Javier estava ali, mas Ana já não podia vê-lo da mesma forma.

- Ana, por favor... - murmurou Javier, com a voz trêmula, cheia de desespero. Aproximou-se dela, como se esperasse que suas palavras pudessem, de alguma forma, consertar tudo. Mas Ana não conseguia ouvir. Ela não queria ouvir mais promessas vazias nem explicações. Não importava o que ele dissesse, nada poderia devolver-lhe a confiança que agora se sentia quebrada, destruída. Não importava o que ele tentasse, ele já havia cruzado uma linha que não podia ser desfeita.

- Não, não quero ouvir você. - Ana falou com firmeza, sua voz tão fria que surpreendeu até ela mesma. Sua respiração estava ofegante, e embora sentisse como se seu coração estivesse em pedaços, algo dentro dela dizia que não deveria ceder à compaixão, que não deveria se deixar levar pelos lamentos de Javier. Não havia espaço para compreensão naquele momento. Não depois do que ela tinha visto.

Javier abriu os olhos, buscando desesperadamente uma saída, uma forma de que as palavras pudessem consertar o que o coração de Ana já considerava irremediável.

- Ana, eu te amo, mas... - tentou ele, sua voz quebrada pela tensão e culpa, mas a frase ficou no ar, como um eco que não atingia seu objetivo.

Ana o olhou, seus olhos escuros e cheios de tristeza, mas também de um fogo que se acendeu no fundo de seu ser. Ela estava lutando contra a dor, contra a angústia, contra a sensação de vazio que a devorava, mas naquele momento, o ódio pela traição sobrepunha-se a tudo o mais.

- Ama? - sua voz tremeu, mas a determinação era inconfundível. - Você realmente me ama? Ou só tem me mentido todo esse tempo?

As palavras atingiram Javier como um tiro. Seu rosto empalideceu ainda mais, e ele ficou em silêncio, incapaz de se defender, incapaz de encontrar uma resposta que fosse capaz de curar a ferida que acabara de ser aberta entre os dois. Nesse momento, Javier já não era o homem que Ana amara. Agora, ele representava tudo o que havia sido uma mentira. Seu amor, suas promessas, as horas compartilhadas, tudo desmoronava diante de seus olhos, e a verdade, por mais dolorosa que fosse, era que já não restava nada do que ela pensava que era verdadeiro.

Mas a confusão de Ana não vinha apenas de Javier. Ao seu lado, Clara, sua melhor amiga, permanecia em silêncio, com a cabeça baixa, olhando para o chão, como se as palavras não pudessem sair de sua boca. Ana a olhou então, e a dor se duplicou ao ver a culpa refletida nos olhos de Clara, que finalmente levantou o olhar, como se procurasse uma forma de se justificar. Ana mal podia acreditar no que via.

- Ana... por favor, entenda... - Começou Clara, sua voz trêmula, como se tentasse encontrar uma forma de suavizar o que não tinha como ser suavizado. - Não foi minha culpa. Javier me manipulou... ele me disse que...

As palavras de Clara se afogaram no ar antes que ela pudesse completá-las. Ana não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Manipulação? Era isso o que Javier havia feito? Era isso o que Clara estava dizendo? Não, não podia ser. Não podia ser que a pessoa em quem mais confiava, sua amiga, tivesse caído na mesma mentira. A raiva começou a invadi-la, um calor que crescia em seu peito e se espalhava pelas suas veias, apagando qualquer vestígio de compaixão.

- Manipulou? - Ana interrompeu Clara, seu tom sarcástico, mordaz, como um golpe de realidade que atravessava o quarto. - E você o quê? Também foi vítima? Me traiu por pena?

Clara não respondeu. Seus ombros se curvaram ainda mais, e a vergonha se refletiu claramente em seu rosto. Não havia palavras que pudessem justificar o que ela tinha feito. Não havia desculpa que pudesse diminuir a magnitude de sua traição. Ana sentiu uma dor no coração, mas não era só dor. Era algo muito mais profundo, algo que ela não podia descrever. Estava sendo observada de fora, como se tudo o que acontecesse não fosse real, como se sua vida não fosse mais do que uma representação distorcida do que ela acreditava ser verdade. Como havia chegado até aqui? Como havia chegado a esse ponto com as duas pessoas que mais amava no mundo?

Ana fechou os olhos, lutando contra as lágrimas que ameaçavam cair. Já não podia mais suportar estar ali, rodeada de mentiras e traições. Precisava se afastar de tudo, precisava escapar, mesmo que fosse por um momento, para poder respirar. Mas não podia se mover, seu corpo se sentia preso ao chão, como se cada passo que desse fosse uma tentativa de reconstruir algo que já não existia.

Finalmente, sem conseguir aguentar mais, ela disse em voz baixa, quase como um sussurro, com a alma em pedaços.

- Me deixe sozinha. Os dois.

Sua voz soou firme, mas o que ela sentia por dentro era um turbilhão de emoções incontroláveis. Não sabia se os odiava, se os amava, se sentia pena deles ou de si mesma. Só sabia que não podia mais suportar estar naquele quarto, presa entre a confusão e a raiva. Precisava estar sozinha, longe deles, das mentiras, da traição. Precisava encontrar uma forma de se reconstruir, mesmo sem saber como.

E enquanto os dois permaneciam ali, em silêncio, Ana virou-se e saiu do quarto, fechando a porta suavemente atrás de si. Mas em seu coração, o eco daquelas palavras ressoava como uma sentença que nunca poderia ser revogada.

Capítulo 3 A Reação de Clara

O silêncio que se seguiu à saída de Ana do quarto se esticou como um fio tenso, carregado de uma energia que Ana mal conseguia lidar. Quando Clara se levantou lentamente da cama, o quarto pareceu se tornar ainda menor, mais claustrofóbico. As palavras que ficaram suspensas no ar não foram suficientes para preencher o abismo que separava as duas mulheres. Ana permaneceu de pé, com o peito apertado pela dor e confusão, enquanto seus olhos se encontravam com os de Clara.

Clara, por sua vez, tinha o olhar vazio de quem sabe que cometeu um erro irreparável. Havia algo em seus olhos que parecia uma mistura de arrependimento e medo, como se seu próprio reflexo fosse o de uma estranha. Mas, por mais que Ana tentasse analisá-la, nada podia acalmar o turbilhão que ardia em seu interior. A dor da traição continuava sendo tão real, tão fresca, que qualquer tentativa de compreensão parecia completamente alheia a ela.

Clara abriu a boca para falar, mas as palavras nunca chegaram a se formar completamente. Sua voz tremia, como se estivesse procurando a forma certa de se expressar, de encontrar algo que pudesse reverter o irreversível. No entanto, Ana, envolta em sua fúria e dor, não precisava de explicações. Não queria ouvi-las.

- Não quero suas explicações. - As palavras saíram de Ana com rapidez e dureza, surpreendendo até ela mesma. Seu coração batia descompassado, e a raiva a impelia a manter distância, a evitar que Clara tivesse qualquer oportunidade de pedir desculpas, de justificar o injustificável.

Clara, no entanto, não parou. Seus olhos, turvados pelas lágrimas, pareciam implorar por compreensão, mas a dureza da situação não deixava espaço para nada além da fúria pela traição. Com um suspiro, Clara deu um passo em direção a Ana, mas, em vez de se aproximar, provocou a reação oposta. Ana recuou instintivamente, um passo, depois outro, até que seus calcanhares tocaram a borda da porta. Ela não queria ficar perto de Clara. Não agora. Não depois do que ela havia visto. Não depois do que ela tinha feito.

- O que você quer que eu te diga? - Ana perguntou com uma voz quebrada, mas cheia de desdém. - Que eu sinto muito? Que me arrependo? Eu sei, eu errei. Mas, por favor, entenda, não foi minha culpa. Javier me convenceu, me manipulou. Ele sabia que você o amava e...

As palavras de Clara flutuaram no ar, mas não conseguiram penetrar a couraça de raiva que envolvia o coração de Ana. A imagem de Javier e Clara entrelaçados na cama ainda estava viva em sua mente, e ouvir as justificativas de Clara só fazia a ira aumentar. A ideia de que sua melhor amiga estivesse culpando Javier por seus próprios atos era insuportável.

- Basta! - Ana gritou, sua voz carregada de raiva. Ela não aguentava mais. Já não queria ouvir nenhuma outra desculpa, nenhuma tentativa de redimir o que não tinha perdão. A raiva, a frustração, a dor, tudo transbordou nesse grito.

Clara pareceu se romper diante dessas palavras. Não com a força da traição que Ana sentia, mas com uma vulnerabilidade que Ana nunca tinha visto antes. Naquele momento, Clara já não era a mulher com quem ela compartilhava risos, confidências e memórias de toda uma vida. Agora, parecia pequena, quebrada, dominada pelo peso do que fizera. Como se sua própria consciência estivesse a devorando por dentro.

Com os ombros caídos e os olhos cheios de lágrimas, Clara caiu na cama. Ela se abraçou como se tentasse se recompor, mas a dor da situação a transbordava. Ana a observava em silêncio, entre a raiva e a confusão. Cada parte de seu ser queria sentir compaixão pela mulher que havia sido sua amiga, mas o sofrimento que ela causou a impedia de ter piedade. Clara estava chorando, mas para Ana, aquelas lágrimas não podiam apagar o que ela tinha visto, o que tinha vivido em sua própria casa, em sua própria cama.

- Como você pôde? - Ana sussurrou, suas palavras saindo com um tremor que refletia o desespero. Uma única lágrima caiu pela sua bochecha, e com ela veio uma avalanche de dor. Era uma dor que ela não podia processar, uma sensação de rasgo que a impedia de respirar. Como ela chegou até esse ponto? Como pôde ser tão cega? Como Clara, sua melhor amiga, fez isso com ela?

Clara levantou o olhar, e nos seus olhos brilhava uma tristeza que cortou o ar entre elas. Era a tristeza de alguém que já não sabia como voltar atrás, de alguém que se encontrava preso em uma rede de mentiras e arrependimentos.

- Eu juro que nunca quis que isso acontecesse. - As palavras de Clara eram suaves, como se tentasse chegar até Ana com uma sinceridade que, naquele momento, parecia inútil. - Mas ele me manipulou, Ana. Ele me disse que te amava tanto, mas que não podia seguir com tudo...

Ana a olhou fixamente, seus olhos cheios de dor. Será que Clara realmente acreditava que isso poderia justificar o que ela havia feito? Acreditava que um simples "desculpe" poderia apagar a imagem dela, nua na cama de Javier, traindo a amizade que compartilharam por anos? Não, Ana já não podia acreditar em nada do que Clara dizia. As palavras se tornavam vazias, como se não tivessem peso nem valor diante da magnitude do que havia acontecido.

- Vá embora. - Ana disse com firmeza, sua voz se tornando fria e cortante. Ela não podia mais ficar ali, olhando para uma Clara que, por mais que estivesse quebrada naquele momento, já não tinha mais lugar em sua vida. A traição não vinha só de Javier; Clara havia cruzado uma linha que não podia ser desfeita.

Clara a olhou por mais um instante, seu rosto refletindo uma mistura de arrependimento e confusão, como se tentasse encontrar uma razão para ficar, para se explicar mais uma vez. Mas não havia nada que pudesse dizer que mudasse a realidade do que Ana havia vivido. As palavras não podiam reparar o dano, não podiam apagar a dor da traição. Depois de um longo silêncio, Clara se levantou da cama, seus passos vacilantes, e saiu do quarto sem dizer mais nada. A porta se fechou suavemente atrás dela, mas na sala ficou uma sombra pesada de desolação.

Ana ficou sozinha, em silêncio, enfrentando o eco das mentiras, das promessas quebradas, das ilusões destruídas. Seu coração continuava batendo forte no peito, mas agora havia uma clareza fria dentro dela. Ela já não era mais a mesma pessoa que havia entrado naquele quarto. A confiança, a amizade, o amor, tudo isso parecia ter se dissipado no ar, como fumaça, como algo que nunca foi real.

Com um suspiro, Ana se deixou cair na cama. Fechou os olhos, tentando apagar as imagens que a assaltavam, tentando bloquear a dor que ainda queimava por dentro. Mas, naquele silêncio, naquela solidão, ela começou a entender algo fundamental: ela não podia mais viver em um mundo de mentiras, não podia mais se apegar a algo que nunca foi. O processo de cura começaria no momento em que aceitasse que as pessoas em quem confiava não existiam mais, pelo menos não da forma que ela as conhecia.

O vento soprava suavemente pela janela aberta, trazendo consigo a promessa de um futuro incerto, mas também a oportunidade de recomeçar. Embora o caminho a percorrer fosse longo e doloroso, Ana sabia que precisaria percorrê-lo, por ela mesma. A traição havia roubado muito dela, mas ainda havia uma parte de si que lutava para sobreviver, para se curar. E com esse pensamento, Ana fechou os olhos, pronta para o que viesse.

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