Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Vínculo Vital Rompido
Vínculo Vital Rompido

Vínculo Vital Rompido

Autor:: Jessica
Gênero: Romance
Heitor olhou para mim, sua xícara de café intocada. Meus cinco anos de casamento terminaram com uma frase: "Clara, eu quero que você tenha um filho para mim." Não era nosso filho. Era para Vanessa, a amante dele, a mulher com quem ele passava a maior parte das noites. Ele queria que eu fosse uma barriga de aluguel para o herdeiro de seu amor com outra. A humilhação era um abismo, mas a indiferença dele era ainda pior, um vazio gelado. Ele me entregou os papéis do divórcio. Disse que era apenas uma formalidade, para o bebê ter o sobrenome dele quando ele se casasse com Vanessa. Minha mão tremeu ao pegar a caneta. Neste exato momento, um aviso fatal brilhou no ar, visível apenas para mim: [AVISO DO SISTEMA: O VÍNCULO VITAL ESTÁ LIGADO AO AMOR DO ANFITRIÃO. O DIVÓRCIO CORTARÁ O VÍNCULO.] [CONSEQUÊNCIA: MORTE DA USUÁRIA EM 30 DIAS.] Eu estava presa. Há anos, salvei Heitor de um acidente, e um "sistema" ligou minha vida ao amor dele por mim. Sua indiferença já me esgotava, o divórcio selaria meu destino. Eu não assinei. Dois dias depois, ele postou uma foto de Vanessa com um anel de noivado, a legenda era uma facada: "Para o meu verdadeiro amor, Vanessa. Nosso futuro começa agora." A raiva me consumiu, uma fúria rara. Eu o amei, cuidei dele. Ele me jogou fora por Vanessa, que me humilhava publicamente enquanto eu morria lentamente. Dez dias. A contagem regressiva era incessante, me preparando para o fim. Eu estava cansada da traição, da dor, do jogo de aparências. Vinte e quatro horas. Heitor ligou, impaciente. Ele ainda queria que eu assinasse os papéis do divórcio, para Vanessa não ficar "impaciente" . "Tudo bem, Heitor" , eu disse, minha voz um sussurro. "Me encontre na cafeteria." Enquanto caminhava para o que seria meu fim, um carro em alta velocidade surgiu. O impacto foi brutal. A escuridão engoliu tudo. Mas então, uma nova interface surgiu: [FALHA NO SISTEMA. VÍNCULO VITAL ROMPIDO PREMATURAMENTE. INICIANDO PROTOCOLO DE COMPENSAÇÃO.] [NOVA MISSÃO: COLETA DE ARREPENDIMENTO.] [OBJETIVO: ACUMULAR 1.000.000 PONTOS DE ARREPENDIMENTO DE HEITOR MENDES.] [RECOMPENSA: RESSURREIÇÃO E LIBERDADE DO SISTEMA.] Minha dor, meu sacrifício, seriam a chave para minha liberdade.

Introdução

Heitor olhou para mim, sua xícara de café intocada.

Meus cinco anos de casamento terminaram com uma frase: "Clara, eu quero que você tenha um filho para mim."

Não era nosso filho.

Era para Vanessa, a amante dele, a mulher com quem ele passava a maior parte das noites.

Ele queria que eu fosse uma barriga de aluguel para o herdeiro de seu amor com outra.

A humilhação era um abismo, mas a indiferença dele era ainda pior, um vazio gelado.

Ele me entregou os papéis do divórcio.

Disse que era apenas uma formalidade, para o bebê ter o sobrenome dele quando ele se casasse com Vanessa.

Minha mão tremeu ao pegar a caneta.

Neste exato momento, um aviso fatal brilhou no ar, visível apenas para mim: [AVISO DO SISTEMA: O VÍNCULO VITAL ESTÁ LIGADO AO AMOR DO ANFITRIÃO. O DIVÓRCIO CORTARÁ O VÍNCULO.]

[CONSEQUÊNCIA: MORTE DA USUÁRIA EM 30 DIAS.]

Eu estava presa.

Há anos, salvei Heitor de um acidente, e um "sistema" ligou minha vida ao amor dele por mim.

Sua indiferença já me esgotava, o divórcio selaria meu destino.

Eu não assinei.

Dois dias depois, ele postou uma foto de Vanessa com um anel de noivado, a legenda era uma facada: "Para o meu verdadeiro amor, Vanessa. Nosso futuro começa agora."

A raiva me consumiu, uma fúria rara.

Eu o amei, cuidei dele.

Ele me jogou fora por Vanessa, que me humilhava publicamente enquanto eu morria lentamente.

Dez dias.

A contagem regressiva era incessante, me preparando para o fim.

Eu estava cansada da traição, da dor, do jogo de aparências.

Vinte e quatro horas.

Heitor ligou, impaciente.

Ele ainda queria que eu assinasse os papéis do divórcio, para Vanessa não ficar "impaciente" .

"Tudo bem, Heitor" , eu disse, minha voz um sussurro. "Me encontre na cafeteria."

Enquanto caminhava para o que seria meu fim, um carro em alta velocidade surgiu.

O impacto foi brutal.

A escuridão engoliu tudo.

Mas então, uma nova interface surgiu: [FALHA NO SISTEMA. VÍNCULO VITAL ROMPIDO PREMATURAMENTE. INICIANDO PROTOCOLO DE COMPENSAÇÃO.]

[NOVA MISSÃO: COLETA DE ARREPENDIMENTO.]

[OBJETIVO: ACUMULAR 1.000.000 PONTOS DE ARREPENDIMENTO DE HEITOR MENDES.]

[RECOMPENSA: RESSURREIÇÃO E LIBERDADE DO SISTEMA.]

Minha dor, meu sacrifício, seriam a chave para minha liberdade.

Capítulo 1

Heitor sentou-se no sofá em frente a mim, a xícara de café intocada sobre a mesa de centro. Ele parecia ter dificuldades para encontrar as palavras, o que era raro.

Finalmente, ele olhou para mim.

"Clara, eu quero que você tenha um filho para mim."

Eu fiquei em silêncio, sentindo o ar da sala ficar pesado. Nós éramos casados há cinco anos, mas não tínhamos filhos. Não porque não pudéssemos, mas porque ele não queria.

Ele continuou, sua voz baixa, mas firme.

"Vanessa não pode ter filhos. O médico confirmou. Ela ficou arrasada."

Vanessa. A amante dele. A mulher com quem ele passava a maior parte das noites.

Ele me pedia para gerar um filho para sua amante.

A exigência era tão absurda que eu não senti raiva, apenas um vazio gelado se espalhando pelo meu peito. A rachadura em nosso casamento não era mais uma rachadura, era um abismo.

"Então você quer que eu seja uma barriga de aluguel," eu disse, com a voz sem emoção.

"Não fale assim," ele franziu a testa, como se eu tivesse dito algo ofensivo. "É para nós. Para salvar nossa família. Vanessa e eu... nós já somos uma família. Este bebê nos unirá para sempre. E você, você fará parte disso."

Minha mente estava uma bagunça. Eu me senti presa, como sempre me sentia com ele. Havia um segredo profundo que me amarrava a Heitor, uma corrente invisível que sugava minha força vital dia após dia. Eu não podia simplesmente ir embora. Não era tão simples. Aceitar essa humilhação parecia, de alguma forma, o único caminho a seguir.

"Tudo bem," eu sussurrei. A palavra saiu da minha boca antes que eu pudesse detê-la.

O alívio no rosto de Heitor foi imediato e nauseante. Ele se levantou, veio até mim e me abraçou com uma ternura que não sentia há anos.

"Eu sabia que você entenderia, meu amor. Você sempre foi a mais compreensiva."

Seu abraço era quente, suas palavras eram doces, mas suas ações gritavam traição. Ele me soltou e começou a andar pela sala, já planejando o futuro.

"Vamos precisar de um contrato, claro. Advogados. Tudo certinho. E vamos precisar de mais espaço. Um quarto para o bebê."

Ele parou e olhou para o nosso antigo álbum de fotos, aquele com as fotos do nosso casamento, em uma prateleira.

"Podemos jogar fora essas coisas velhas. Abrir espaço para novas memórias."

Ouvir aquilo doeu, mas era uma dor familiar. Eu já estava anestesiada para a maioria das suas crueldades. Eu me levantei e caminhei em direção ao escritório, o lugar onde guardávamos nossos documentos importantes. Eu sabia o que ele queria que eu fizesse a seguir.

"Antes de tudo, precisamos assinar os papéis do divórcio," ele disse atrás de mim, confirmando minhas suspeitas. "É só uma formalidade. Para que eu possa me casar com a Vanessa e o bebê ter nosso sobrenome. Mas nós três seremos uma família."

Ele colocou os papéis na mesa. Minha mão tremia enquanto eu pegava a caneta. Tudo dentro de mim gritava para eu parar, para fugir. Mas eu não podia.

Quando a ponta da caneta tocou o papel, uma luz azul fraca brilhou na minha frente. Letras flutuantes apareceram no ar, visíveis apenas para mim.

[AVISO DO SISTEMA: O VÍNCULO VITAL ESTÁ LIGADO AO AMOR DO ANFITRIÃO. O DIVÓRCIO CORTARÁ O VÍNCULO.]

[CONSEQUÊNCIA: MORTE DA USUÁRIA EM 30 DIAS.]

Minha mão congelou. O ar fugiu dos meus pulmões. O zumbido no meu ouvido ficou mais alto que a voz de Heitor, que me apressava para assinar.

"Vamos, Clara, assine logo. Temos muito o que fazer."

Eu olhei para ele, o homem que um dia amei, e depois para o aviso mortal flutuando no ar.

Eu estava em uma armadilha sem saída.

Capítulo 2

O sistema era a minha maldição. Anos atrás, eu salvei Heitor de um acidente de carro quase fatal. Eu não sei como, mas naquele momento, um "sistema" se ativou, ligando minha força vital ao amor dele por mim. A interface me explicou tudo em um instante aterrorizante: enquanto ele me amasse, eu viveria. Se o amor dele acabasse, minha vida também acabaria. Nos primeiros anos, eu era saudável e feliz. Mas à medida que o amor dele se desvanecia, minha saúde se deteriorava. Eu vivia com uma fadiga constante, uma palidez que nenhuma maquiagem conseguia esconder.

O divórcio seria o golpe final, a prova definitiva de que o amor dele não existia mais.

Eu não assinei os papéis naquele dia. Disse a Heitor que precisava de um tempo para pensar, uma desculpa fraca que ele aceitou com impaciência.

Dois dias depois, a prova da pressa dele apareceu no meu feed de notícias. Heitor havia postado uma foto com Vanessa em um restaurante caro. Ela exibia um anel de noivado. A legenda era uma facada.

"Para o meu verdadeiro amor, Vanessa. Nosso futuro começa agora. Mal posso esperar para construir nossa família."

O post estava cheio de comentários de parabéns de amigos em comum que claramente já sabiam de tudo. A humilhação foi pública e avassaladora. Ele nem sequer esperou o divórcio para anunciar seu novo noivado. A raiva borbulhou dentro de mim, uma emoção rara nos últimos anos de apatia.

Minha mente voltou no tempo, para quando nos conhecemos. Ele era diferente. Ele me trazia sopa quando eu ficava doente, segurava minha mão durante filmes de terror e me ligava só para dizer que estava com saudades. Naquela época, seu amor era tão forte que eu me sentia invencível. Onde estava aquele homem? Ele se perdeu em algum lugar ao longo do caminho, substituído por esse estranho egoísta e cruel. A lembrança daquele amor perdido era mais dolorosa do que a traição atual.

Apesar de tudo, eu tinha responsabilidades. No dia seguinte, fui visitar os pais de Heitor. Eles não sabiam sobre Vanessa ou o divórcio. Para eles, eu ainda era a nora perfeita. Levei seus doces favoritos da padaria do bairro.

"Clara, querida! Que bom ver você," disse a mãe de Heitor, Sônia, me abraçando na porta. "Você está tão pálida. Heitor não está cuidando de você direito?"

"Estou bem, Sônia. Só um pouco cansada do trabalho," menti.

Nós nos sentamos na sala de estar, e o pai de Heitor, Roberto, se juntou a nós. Eles sempre foram gentis comigo, mais pais para mim do que meus próprios pais, que faleceram há muito tempo.

"Heitor nos disse que vocês estão pensando em se mudar para uma casa maior," disse Roberto. "Já era hora. Este apartamento está ficando pequeno para um futuro neto."

Meu coração apertou.

Sônia percebeu meu silêncio. "Falando em Heitor, ele mencionou uma colega de trabalho nova... Vanessa, eu acho? Ele parece passar muito tempo com ela."

Havia um tom de desaprovação em sua voz.

"Ela não me parece o tipo certo para ele," Sônia continuou, tomando um gole de seu chá. "Uma vez a vi no escritório dele. Muita maquiagem, roupas chamativas. Você, Clara, você é família. Você é a nossa única nora."

Naquele exato momento, Heitor entrou pela porta. Ele parou abruptamente ao me ver sentada no sofá com seus pais. O pânico brilhou em seus olhos por um segundo antes de ele compor uma máscara de normalidade.

"Clara! Querida, o que você está fazendo aqui? Achei que estivesse descansando."

"Sua esposa veio nos visitar, filho. Coisa que você raramente faz," disse Roberto, com um tom severo.

Heitor ficou visivelmente desconfortável. Ele se sentou na beirada da poltrona, evitando meu olhar. Ele tentou puxar conversa, falar sobre trabalho, sobre o tempo, mas a tensão na sala era palpável. Ele estava mentindo, fingindo, e todos, exceto seus pais, sabiam disso. Sua hipocrisia era tão clara quanto o dia, um espetáculo patético de um homem tentando manter mundos separados que estavam prestes a colidir.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022