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V- Cinco

V- Cinco

Autor:: Aly Butterfly
Gênero: Sci-fi
Uma garota que foi criada em um laboratório consegue fugir e os cientistas que a criaram tentam capturá-la, mas ela não quer voltar para a prisão em que vivia. Sua vida então se torna apenas uma questão de sobreviver e se esconder até conhecer William, que a convence a se arriscar numa aventura perigosa em busca de vingança e revolução.

Capítulo 1 Prólogo

Abri os meus olhos.

A sede e a fome queimavam minha garganta e faziam doer o meu estômago enquanto eu tentava me distrair.

Minha cela estava mais fria e vazia do que nunca e eu não conseguia pensar em mais nada a não ser a fome.

Olhei para o outro lado do vidro tentando encontrar alguém, mas eu estava sozinha.

Aquela cela era tudo o que eu conhecia do mundo. Era uma cela pequena e branca com uma parede de vidro e apenas um colchão e alguns livros amontoados no canto.

Quando eu era mais nova os livros eram infantis e havia alguns brinquedos, mas agora eu não tinha mais nada para fazer além de ler os livros que eles me deixavam, e nenhum deles era muito interessante, apenas me faziam ter mais vontade de sair dali; ou ficar jogando uma bolinha de plástico contra a parede.

Uma vez por semana eles me faziam desmaiar e me tiravam da cela, e quando eu acordava já estava de volta ali, mas não estava mais com tanta fome.

Eu não sabia o que eles faziam comigo, nem como me alimentavam enquanto eu estava inconsciente, mas eu já estava fraca e precisava me alimentar de novo, mesmo só fazendo quatro dias que eles haviam feito isso.

Comecei a bater no vidro com raiva, tentando chamar a atenção de alguém, e consegui.

- Calma mocinha. - ouvi a voz de Sheldon entrando na sala branca e cheia de equipamentos que ficava do outro lado do vidro.

Ele era um dos homens que me observava, e era o único que falava comigo, pois os outros costumavam apenas me ignorar, e às vezes até pareciam ter medo de mim.

- Eu estou com fome! - reclamei.

- E o que você acha que isso aqui é? Um restaurante? Você sabe que só vamos alimentar você daqui três dias.

- Por favor... - implorei.

Eu não sabia mais o que fazer. Normalmente eu só me desesperava assim depois de seis dias, mas na semana passada eu senti que estava prestes a morrer quando finalmente chegou o sétimo dia. É lógico que eu sempre sentia fome, mas normalmente era uma fome suportável, que eu conseguia disfarçar fazendo outras coisas.

Alguma coisa estava diferente em mim, pois eu estava faminta, cada vez mais. Minha garganta e estômago doíam e eu me sentia como se fosse desmaiar a qualquer momento.

- Querida, você sabe que o seu "por favor" não vai me comover. - disse ele.

Urrei de raiva e soquei o vidro mais uma vez, mas isso não o assustou.

Minhas pernas estavam fracas e era difícil me manter de pé.

Me apoiei no vidro e respirei fundo, enquanto uma ideia se formava em minha mente. Eu precisava convencê-lo a me tirar dali de uma forma ou de outra.

Decidi usar um dos truques que quase haviam me libertado outra vez, quando um rapaz mais jovem estava ali.

Comecei a desabotoar bem devagar a camiseta que estava usando e percebi que Sheldon ficou um pouco tenso com isso. Tirei a camiseta e mordi o lábio enquanto olhava diretamente para ele.

- Por favor... - eu repeti, mas dessa vez com uma voz mais doce e sensual.

Ele olhou para mim com as sobrancelhas erguidas. Eu precisava ir mais longe se quisesse convencê-lo.

Tirei o sutiã bem devagar e passei a mão pelo meu corpo da forma mais sensual que consegui.

Sheldon parecia estar prendendo a respiração enquanto olhava para mim.

- Entra aqui. - chamei - A gente pode se divertir um pouco.

Ele respirou fundo e pigarreou.

- Eu não posso entrar aí fofura. Você é muito perigosa.

- Sou perigosa por quê? Eu só quero me divertir.

Comecei a desabotoar a calça, abaixando ela bem devagar, mas dessa vez ele virou as costas para mim e saiu.

Soltei um grunhido de raiva e voltei a me vestir, e foi quando eu tive outra ideia.

Me deitei no chão, simulando um desmaio, e fiquei deitada lá até que Sheldon voltou para me ver.

Ele não me deu muita atenção no começo, apenas me observou enquanto eu permaneci parada.

- Cinco, pare de fingimento e levante.

Continuei deitada com os olhos fechados e controlei minha respiração para que ficasse mais lenta e quase imperceptível.

Sheldon chamou Cristian pelo comunicador.

Cristian era outro homem que me observava também, mas era um pouco mais velho e mais maldoso que Sheldon.

- O que está acontecendo? - perguntou ele assim que entrou na sala.

- Ela está assim há horas. Não sei se ela está fingindo, ou se está desmaiada ou dormindo.

Os dois ficaram em silêncio por um tempo.

- Entre lá. - disse Cristian.

- Eu não vou entrar lá!

- Não seja um covarde! É só você levar isso e se ela estiver fingindo você pode fazer ela desmaiar de verdade.

Tentei ficar parada apesar da ansiedade.

Ouvi a porta de vidro se abrindo e os passos de Sheldon se aproximando de mim.

Quando ele tocou em meu ombro para me virar, algo aconteceu dentro de mim.

O cheiro que vinha dele despertou um instinto adormecido.

Rapidamente eu me virei, jogando-o no chão e ficando por cima dele. Segurei seus pulsos, impedindo-o de me acertar com a arma de choque que estava em sua mão.

A fome e a sede mais uma vez fez minha garganta arder e eu senti um impulso enorme de mordê-lo.

Vi uma veia em seu pulso, onde eu estava segurando e cravei os meus dentes nela com toda a força que eu tinha, rasgando sua pele e fazendo o sangue jorrar.

O líquido quente e com sabor metálico escorreu para dentro da minha boca e eu o engoli com vontade, sentindo um grande alívio.

Eu nunca havia feito aquilo antes, mas a sensação era extremamente prazerosa.

Eu queria mais, mas os sons agitados que vinham de fora da cela chamaram a minha atenção.

Me levantei sem olhar para trás e corri pela porta que ainda estava aberta.

Cristian ainda estava lá, gritando para o comunicador enquanto outros homens vinham para tentar me capturar.

Corri o quanto minhas pernas puderam suportar, me esquivando deles, e não olhei mais para trás.

Foi assim que eu finalmente consegui a minha liberdade.

Capítulo 2 Quem é esse

Eu estava caçando mais uma vez. Fazia isso quase todas as noites e estava cada vez mais difícil manter a fome sob controle.

Ouvi risos em algum lugar próximo e fui bem devagar até lá.

Três pessoas estavam andando no meio da rua, com latas de cerveja nas mãos e rindo como loucos.

Bêbados! - bufei. Eu simplesmente odiava esses bêbados. O sabor deles não era muito bom e fazia minha mente ficar um pouco enevoada, mas era melhor do que nada.

Puxei o ar com força e senti um cheiro estranho que me lembrava de terra molhada e... madeira, como cheiro de árvore, misturado com um leve aroma que me lembrava o cheiro de um cachorro, ou de um lobo.

Na verdade o cheiro em si não era tão estranho, afinal aquele lugar era cercado por árvores e tinha alguns cachorros na rua, mas o estranho era que o cheiro parecia vir de um lugar específico, ou no caso, de uma pessoa específica.

Fiquei em posição de ataque e foi quando eu fui surpreendida por um homem que pulou de cima de uma árvore, caindo bem na minha frente.

O homem era alto e musculoso, seu rosto tinha um formato quadrado e queixo forte, seus olhos e cabelos eram castanhos, sua barba era espessa, apesar de curta, e sua pele bronzeada. Entretanto o que mais me chamou a atenção foram seus dentes, que eram pontiagudos e um pouco grandes demais para a sua boca, e suas unhas, que eram encurvadas, quase parecendo garras.

- Oi gracinha. - ele falou.

Algo em sua voz me pareceu ameaçador, mas eu não me assustava fácil, por isso mantive uma pose firme, tentando mostrar que eu não tinha medo dele.

- Quem é você? - perguntei.

- Me chamo William, muito prazer.

Ele estendeu a mão para mim e eu fiz questão de ignorar.

- E você é?.... - ele perguntou.

- Não te interessa.

Ele sorriu de forma maliciosa.

Seu movimento foi tão rápido que não tive tempo para reagir. Quando percebi ele havia me dado uma rasteira e estava sentado em cima de mim.

Me debati tentando me soltar, mas não consegui. Ele era forte e com certeza não era um humano comum.

Ele segurou firme as minhas mãos e olhou para o meu pulso, onde havia a marca de um "V", como uma tatuagem. Algo que eu tinha desde que me lembrava.

- Muito bem, vou te chamar de "V". - anunciou ele.

Rosnei.

- Calma "V", eu não sou seu inimigo.

Ele se levantou e estendeu a mão para mim, mas eu o ignorei de novo e me levantei sozinha.

- Meu nome é Cinco! - o corrigi com raiva e ele riu.

- Cinco? Como o número? - debochou.

Era um número, mas era o único nome que eu conhecia, e seria estranho escolher outro depois de tanto tempo.

- Se você não é meu inimigo, então o que você é? - questionei, ignorando seu comentário desnecessário.

- Isso vai depender de você. - foi a resposta que ele me deu - Posso ser seu amigo, se você quiser.

Revirei os olhos e cruzei os braços.

Ao fundo eu ouvi os três bêbados se aproximando de nós. Estavam andando devagar, mas logo chegariam à esquina onde eu pretendia encurrala-los.

William também percebeu e olhou atrás de mim, para verificar o quão longe eles estavam.

- É melhor irmos para um lugar mais reservado. - ele disse, caminhando em direção às árvores.

O lugar onde estávamos era praticamente uma pequena floresta, com um mato alto e várias árvores, principalmente pinheiros.

William foi caminhando e eu acabei por segui-lo apenas pela curiosidade.

Estávamos já bem longe da estrada onde estavam os bêbados e ninguém mais nos ouviria dali.

William parou e se virou para mim.

- Agora sim. - ele disse com um sorriso. - Aqui nós podemos conversar em paz.

Cruzei os braços sobre o peito e o encarei, esperando que começasse a falar.

- Eu sei quem você é. - anunciou ele - Sei de onde veio e também sei o que pode fazer.

- E como você sabe?

Ele então levantou o pulso e eu pude ver a marca "VII" escrita na cor preta, como uma tatuagem. Olhei para o meu próprio pulso, percebendo a similaridade.

- Você é como eu?

- Não. - ele respondeu - Não exatamente como você.

Franzi a testa sem entender.

- Eu sou a experiência número sete. - ele explicou - Minha mutação é diferente da sua.

Continuei confusa.

- O lugar de onde você fugiu era um laboratório. - ele continuou - Nós dois fomos criados lá, mas você é uma experiência diferente e mais antiga também.

- Mas... Se você é o número sete... Há outros como nós?

- Há sim. - ele respondeu.

Encarei o chão e fiquei pensativa, tentando entender o que aquilo podia significar.

- Como você fugiu? - perguntei curiosa - Como me encontrou?

William riu.

- Eu fugi porque sou muito esperto. - respondeu vagamente - E você... Eu estava te observando há alguns dias e era óbvio que você não era uma humana comum, mas só agora que vi a marca em seu pulso, tive realmente certeza de quem você era.

Assenti, ainda tentando absorver todas as informações.

William se aproximou mais de mim e me encarou.

- Infelizmente... - falou em voz baixa - Durante esses dias em que te observei, percebi uma coisa...

- O quê? - perguntei, dando um passo para trás.

De repente meu instinto me alertou do perigo.

William me encarava sério e em um movimento rápido me agarrou pela garganta e me empurrou contra uma árvore.

- Não há espaço aqui para nós dois. - ele disse - Você está chamando muita atenção. Você mata pessoas!

Seu aperto em minha garganta aumentou e eu lutei para respirar, arranhando seus braços numa tentativa inútil de fazê-lo me soltar.

- Eu... Preciso... - tentei dizer.

Ele apertou mais o meu pescoço e eu pude ver a ira em seu olhar.

Me debati desesperadamente, tentando chuta-lo, arranha-lo, ou soca-lo. Eu só não queria morrer.

Senti meus olhos se encherem de lágrimas enquanto eu me desesperava totalmente.

- P-por... Favor...

Ele ainda me encarava e eu começava a sentir que desmaiaria, e então ele me soltou.

Caí de joelhos no chão e comecei a tossir descontroladamente, enquanto tentava respirar.

Minha garganta doía demais e todo o ar do lugar parecia não ser o suficiente.

Meu rosto estava todo molhado pelas lágrimas e eu percebi que aquela havia sido a primeira vez que eu senti medo, medo de verdade.

William ainda estava ali, parado há poucos centímetros, de costas para mim.

Ele urrou e socou uma árvore com força, fazendo um buraco enorme no tronco.

Tentei me recuperar. Eu não podia deixar que ele me matasse. Eu não podia morrer, não mesmo.

Me levantei, ainda um pouco cambaleante e ele se virou para mim, me encarando mais uma vez.

- Posso te deixar viver. - ele disse - Mas você não pode continuar matando as pessoas. Está chamando atenção demais. Policiais já estão procurando por um assassino nas redondezas e vão acabar nos achando.

Balancei a cabeça.

- Quer que eu passe fome? Se eu fizer isso vou morrer do mesmo jeito.

- Posso arranjar outra forma de te alimentar. - ele garantiu.

- O quê? Como?

- Apenas espere. Me dê alguns dias.

- Alguns dias?!

- É. Ou prefere que eu te mate agora?

O encarei. Se eu não estivesse tão fraca poderia enfrenta-lo. Eu precisava me alimentar, pois não podia depender da boa vontade dele.

- Eu espero. - menti.

- Estou falando sério. - ele disse - Eu não vou arriscar a minha liberdade por você.

Encarei o chão, tentando decidir o que eu faria.

Era verdade que William podia ter me matado e decidiu não fazê-lo, mas eu não confiava nele. Meu instinto me dizia para não confiar.

Capítulo 3 Inesperado

Minha vida inteira eu passei em uma pequena cela, dentro de um laboratório, que ficava em uma ilha.

Se não fosse pelos livros que eu havia lido lá eu não teria a mínima ideia de como era o mundo do lado de fora.

Depois que fugi da ilha, eu corri por dias, me escondi em vários becos e ruas e caminhei por entre florestas, até estar longe o suficiente.

Eu me lembrava de estar com fome e com medo, quando avistei um homem regando umas flores que cresciam em volta de sua casa. Eu o matei, sem pensar duas vezes, para matar a fome que sentia.

Não havia mais ninguém na casa além daquele homem, então eu me considerei com sorte. Enterrei o corpo ali perto e passei a morar na casa desde então.

Não havia outras casas por perto. Havia apenas uma estrada de terra, um terreno gigantesco, um pasto, plantações e florestas. Se eu seguisse pela estrada poderia encontrar uma casa ou outra um pouco mais distantes e só depois de um bom tempo eu chegaria ao lugar onde normalmente caçava. Onde as casas eram mais próximas e onde sempre havia alguma festa acontecendo.

Aquelas casas eram chácaras grandes e bonitas, e eu sempre encontrava alguém andando por ali sozinho para ser o meu jantar.

Decidi caminhar, mas dessa vez eu fui para o outro lado, em direção à uma plantação de cana e dei a volta por ela para chegar num campo de areia. A areia era tão macia e fina que meus pés até afundavam nela.

Eu gostava de andar por ali. Era relaxante e normalmente não havia ninguém, então eu tinha toda a paz e silêncio de que precisava para poder pensar, e eu precisava pensar.

Meu encontro inesperado com William no dia anterior me deixou com algumas dúvidas.

Eu não confiava nele, nem tinha essa intenção, mas numa coisa ele podia estar certo.

Havia semanas que eu estava matando pessoas daquela região, e isso poderia chamar a atenção. Talvez até fosse por isso que a movimentação de pessoas ali durante a noite estava diminuindo.

Isso me fez pensar que talvez estivesse na hora de me mudar para outro lugar, mas antes eu precisava me alimentar, pois estava fraca e com fome demais para sair andando por aí.

O problema era que eu gostava daquele lugar e seria difícil achar outro que fosse tão... Perfeito.

...

Quando anoiteceu eu resolvi que sairia para caçar uma ultima vez antes de planejar a minha mudança.

Eu estava faminta e, não sabia o porquê, mas a cada semana que se passava eu precisava me alimentar com uma frequência ainda maior, porém sempre que me alimentava eu também me sentia cada vez mais forte.

Logo encontrei um rapaz andando sozinho na rua e o observei por um momento.

Ele estava segurando uma vara de pescar e uma mochila, o que era incomum de se ver tão tarde da noite.

O segui até o riacho, onde ele provavelmente pretendia pescar, e ajeitei a minha roupa antes de sair de trás da árvore onde estava escondida.

Eu estava usando um short jeans super curto e uma camisa social xadrez vermelha e de manga comprida, que estava totalmente aberta, deixando o meu sutiã preto à mostra.

Puxei o ar com força e logo percebi um cheiro já conhecido. Soltei um suspiro.

- Está me seguindo? - perguntei irritada.

William pulou de cima de uma árvore e sorriu para mim como se isso fosse super normal.

- Achei que tínhamos um acordo.

- Eu também achei que tínhamos. - retruquei - O que está fazendo aqui ao invés de estar cumprindo a sua parte do combinado.

- Eu estou cumprindo a minha parte. Mas parece que você não pretende colaborar.

Cruzei os braços e o encarei.

- Não precisa se preocupar comigo. - garanti - Eu vou embora depois disso.

- Mas... A sua refeição também já foi embora.

Olhei para trás e percebi que ele estava certo. O rapaz não estava mais ali, talvez tivesse apenas ido para o outro lado do riacho, mas de qualquer forma eu já havia perdido a vontade de caçar.

William se aproximou ameaçadoramente e eu fiquei com medo.

- Você não vai matar mais ninguém aqui. - disse ele, próximo ao meu rosto. - E não vai ir embora também.

Engoli em seco e dei um passo para trás, ficando encurralada entre ele e uma árvore mais uma vez.

William se aproximou ainda mais, até que seu rosto quase tocou o meu.

- Eu vou conseguir outra forma de te alimentar. - ele garantiu - Mas você precisa fazer sua parte ou eu não terei outra escolha. Eu não quero te matar.

Senti seu hálito quente em meu rosto e seu cheiro invadiu minhas narinas, fazendo minha boca salivar.

Naquele momento o medo deu lugar à outra coisa. Um instinto.

William me olhava profundamente nos olhos e eu senti que havia sinceridade em suas palavras. Ele não queria me matar. Mas naquele momento talvez eu quisesse mata-lo.

Pude sentir quando a respiração dele se tornou mais pesada e seu olhar mais profundo.

- Tudo bem. - concordei - Eu posso fazer a minha parte... Se você me der uma coisa primeiro.

Aproximei minha boca da dele, tendo completa ciência da minha habilidade de persuasão com a maioria dos homens.

Ele estremeceu.

Nesse momento eu usei toda a minha agilidade e agi antes que ele pudesse tentar me impedir.

Puxei ele pela camiseta e cravei meus dentes com toda a força em seu pescoço.

Seu sangue jorrou e tinha um sabor incrível.

Ele se debateu, tentando me afastar, mas eu o empurrei contra a árvore e consegui segura-lo.

Para a minha surpresa William aos poucos parou de lutar e me puxou para si, me incentivando a continuar.

Gemidos de prazer escaparam de sua boca e eu me perguntei se a sensação era tão boa para ele como era para mim.

Parei, com medo de que ele fosse desmaiar. Eu não queria mata-lo ainda. Eu queria outra coisa.

Nossos olhares se cruzaram e ele me puxou para si, num beijo desesperado e cheio de desejo.

Rapidamente retirei sua camiseta e voltei a beija-lo enquanto abria o zíper de sua calça.

Ali mesmo, em frente ao riacho, nós dois nos deixamos guiar pelo instinto animal que nos dominava. Sendo repentinamente tomados pelo ápice do prazer mais intenso que alguém poderia sentir.

Cheguei à conclusão de que deixá-lo vivo poderia valer a pena.

Era arriscado, mas naquele momento era um risco que eu estava disposta a correr.

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