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VIDA DE ESCRITORA

VIDA DE ESCRITORA

Autor:: AutoraAngelinna
Gênero: Aventura
Sinopse: Jason Thorn... O amigo de infância do meu irmão. Ah, como eu era perdidamente apaixonada por aquele garoto. Ele foi o primeiro menino que me fez corar, meu primeiro crush oficial. Parece lindo até agora, certo? Aquela empolgação que borbulha dentro de você, o famoso frio na barriga que você sente pela primeira vez ─ ele era o motivo de tudo isso. Mas você só consegue viver nesse mundo de conto de fadas até eles destruírem suas esperanças e sonhos e, depois, pisarem bastante em seu coração. E, cara, ele partiu meu coraçãozinho em pedaços. Depois da destruição, ele se tornou o garoto que eu tentava ao máximo ficar longe ─ e deixe-me te dizer que era bem difícil fazer isso, já que ele dormia no quarto ao lado do meu. Quando a tragédia atingiu sua família, eles se mudaram para longe, e eu estava pronta para esquecer que ele um dia existiu. Agora, ele é um astro de cinema, aquele que faz mulheres de todas as idades gritarem histericamente e todo mundo desmaiar com o sorrisinho de covinha. Acha que isso é um sonho? Com certeza eu não acho que seja. E se eu ficar cara a cara com ele? Não, continua não sendo um sonho. Não quando não consigo nem olhar em seus olhos. E quanto a mim? Eu sou Olive, uma nova escritora. Na verdade, eu sou a autora do livro que inspirou o filme que ele está prestes a estrelar. Como se não bastasse, também sou conhecida como a sortuda que está prestes a se tornar esposa de Jason Thorn. Talvez você ainda esteja pensando que isso tudo é um sonho, certo? Não, não tem nada de sonhador nisso. Nem de perto. Geralmente, quando um livro tem os direitos de filme comprados, pode demorar anos para chegar ao processo de produção ― então, há muita burocracia nesse meio-tempo. No entanto, neste livro, não quis fazer vocês esperarem um ano ― ou provavelmente mais ― para a filmagem começar, e é por isso que verão que foi um processo bem mais rápido. Ou talvez... só talvez, o livro de Olive tenha sido maravilhoso mesmo...

Capítulo 1 1

Sinopse:

Jason Thorn... O amigo de infância do meu irmão. Ah, como eu era perdidamente apaixonada por aquele garoto. Ele foi o primeiro menino que me fez corar, meu primeiro crush oficial. Parece lindo até agora, certo? Aquela empolgação que borbulha dentro de você, o famoso frio na barriga que você sente pela primeira vez ─ ele era o motivo de tudo isso. Mas você só consegue viver nesse mundo de conto de fadas até eles destruírem suas esperanças e sonhos e, depois, pisarem bastante em seu coração. E, cara, ele partiu meu coraçãozinho em pedaços.

Depois da destruição, ele se tornou o garoto que eu tentava ao máximo ficar longe ─ e deixe-me te dizer que era bem difícil fazer isso, já que ele dormia no quarto ao lado do meu.

Quando a tragédia atingiu sua família, eles se mudaram para longe, e eu estava pronta para esquecer que ele um dia existiu. Agora, ele é um astro de cinema, aquele que faz mulheres de todas as idades gritarem histericamente e todo mundo desmaiar com o sorrisinho de covinha. Acha que isso é um sonho? Com certeza eu não acho que seja. E se eu ficar cara a cara com ele? Não, continua não sendo um sonho. Não quando não consigo nem olhar em seus olhos.

E quanto a mim? Eu sou Olive, uma nova escritora. Na verdade, eu sou a autora do livro que inspirou o filme que ele está prestes a estrelar. Como se não bastasse, também sou conhecida como a sortuda que está prestes a se tornar esposa de Jason Thorn.

Talvez você ainda esteja pensando que isso tudo é um sonho, certo? Não, não tem nada de sonhador nisso. Nem de perto.

Geralmente, quando um livro tem os direitos de filme comprados, pode demorar anos para chegar ao processo de produção ― então, há muita burocracia nesse meio-tempo. No entanto, neste livro, não quis fazer vocês esperarem um ano ― ou provavelmente mais ― para a filmagem começar, e é por isso que verão que foi um processo bem mais rápido. Ou talvez... só talvez, o livro de Olive tenha sido maravilhoso mesmo...

Capítulo 2 2

DEDICATÓRIA:

ESTE ROMANCE É PARA TODO MUNDO QUE UM DIA AMOU UM GAROTO E SENTIU AQUELE FRIO NA BARRIGA DA MELHOR FORMA POSSÍVEL. E BOM, SE O RAPAZ NÃO AMOU VOCÊ TAMBÉM, QUEM PERDEU FOI ELE! OTÁRIO.

Olive:

Até o dia em que conheci Jason Thorn, meus sonhos eram feitos de nuvens brancas fofinhas, vestidos lindos cor-de-rosa, tortas de maçã deliciosas e, claro, o irmão mais velho da nossa vizinha, Kara.

- Não quero ouvir mais nenhuma palavra sobre isso, Jason. Você é sempre bem-vindo para ficar aqui, querido.

Eu estava prestes a descer para ajudar minha mãe a arrumar a mesa quando a voz deles subiu até mim, e eu parei.

- Viu? Eu te disse que não teria problema. Venha, vamos subir para o meu quarto.

- Espere aí, Dylan. Não tão rápido.

Ouvi a xícara de café da minha mãe tilintar suavemente no balcão da cozinha alguns segundos antes de ela falar de novo:

- Jason, tem certeza de que não quer que chamemos alguém? Talvez devesse ver como sua mãe está para ter certeza de que está tudo bem, ou podemos ligar para seu pai e avisá-lo que você passará a noite aqui conosco. Aposto que ele ficaria preocupado se ligasse para sua casa e não conseguisse falar com nenhum de vocês dois.

Minha mãe era uma mulher mole e compassiva ― mole porque tinha um coração que era feito puramente de ouro líquido brilhante. Tinha escutado meu avô dizer isso a ela inúmeras vezes por aguentar meu pai, então, sendo criança, eu sabia que deveria ser verdade. Também havia um lado dela que poderia ser visto como perverso às vezes, já que ela protegia ferozmente aqueles que considerava sua família.

Com exceção disso, ela era um amor, como meu pai gostava de chamála. Ela tinha um jeito secreto de fazer qualquer um sorrir, mesmo quando estava triste por alguma coisa. Eu sabia disso porque ela sempre me fazia rir quando estávamos no dentista, que era um lugar bem assustador para uma menina de sete (quase oito!) anos. Se ela estivesse por perto, as chances de ela te fazer rir eram grandes.

Não era só comigo e com meu irmão; ela causava o mesmo efeito nas minhas amigas também. Quando era a vez dela de nos pegar na escola, todas a olhavam com sorrisos enormes e tolos. Na verdade, agora que estou pensando nisso, elas me lembravam de Buzz, o cachorrinho que Kara pegou há algumas semanas. Ah, como eu adorava ver o irmão de Kara, Noah, brincar com o cachorrinho; eu sempre pensava que nós poderíamos resgatar alguns cachorrinhos depois que ele me pedisse em casamento.

Suspiro...

Enfim, eu não tinha permissão para trazer o cachorro para casa e, claro, nunca o traria escondido quando minha mãe estivesse fora ― shh, não conte a ninguém ―, mas eu via as caras que o rapazinho fazia quando queria algo de Kara.

Considerando tudo isso, na época, eu acreditava que era difícil ser criança, porém, ter uma mãe como a minha facilitava tudo. É por isso que eu sempre quis ser como ela. Queria fazer as pessoas felizes, fazê-las se esquecerem de suas preocupações por um tempo, ser a luz delas, como ela era a nossa.

Só havia um detalhezinho... o fato claro de que eu não tinha um coração de ouro porque nunca fui boa em ser tranquila ou graciosa, enquanto minha mãe, por outro lado, era a personificação dessas características.

Mas não era minha culpa; era sempre Dylan que me deixava brava. Se fosse para culpar alguém, sempre cairia nos ombros de Dylan, não nos meus.

Dylan era meu irmão mais velho, aquele que sempre arruinava tudo para mim, provavelmente desde o dia em que nasci. Infelizmente, não me lembrava desses anos da minha existência, mas tinha quase certeza de que ele me zoava naquela época também. De acordo com minha mãe e meu pai, alguns dias depois de me levarem para casa do hospital, ele disse que deveriam me levar de volta para onde me encontraram: perto das latas de lixo.

Pode acreditar nessa audácia? Esse é o meu irmão mais velho adorável.

Também não terminou com uma ameaça habilmente velada. Eu lembrava a mim mesma que ele roubaria meu carrinho e correria em volta do parque comigo. Ora, ele provavelmente estava tentando me matar de pura emoção!

Bem nova, eu tinha chegado à conclusão de que teria meu próprio coração de ouro quando Dylan não estivesse por perto para me irritar. Quando ele estava, fazia alguma coisa e eu perdia a calma, o que nos levava a uma batalha de gritos.

Não havia nada mais gracioso do que gritar ao máximo com alguém porque não queria brincar de Meu Pequeno Pônei com você.

As palavras cuidadosamente escolhidas de Jason me levaram de volta ao presente, onde eu estava grudada na parede à esquerda das escadas, escutando a conversa deles.

- Obrigado, sra. Taylor, mas não acho que meu pai se importe com onde vou passar a noite. E... hum... minha mãe provavelmente estará bem de manhã. Tenho certeza de que ela apenas caiu no sono. Na verdade, foi minha culpa; eu deveria ter visto a hora e garantido que chegasse em casa antes das seis.

- Estávamos jogando na rua, Jason. Tipo, na frente da sua casa. Acho que você não tem culpa. E quem vai dormir às seis, mãe? Até Olive fica acordada mais tarde do que isso.

- Dylan - minha mãe disse com uma voz baixa antes de suspirar.

Sorri, me sentindo orgulhosa. Eu conseguia ficar acordada até bem tarde. Às vezes, conseguia ficar até as nove.

Houve um silêncio total por alguns instantes e, então, os pés da cadeira arranharam o chão conforme alguém se levantou da mesa.

- Ok, Jason. - Escutei a voz tensa da minha mãe quebrando o silêncio denso.

Quem era esse menino que eles ficavam chamando de Jason? Talvez fosse parte da família que tinha se mudado para o outro lado do rua, a algumas casas dali, uns dias antes.

Por que Dylan não me apresentou ao seu novo amigo?

- Você é sempre bem-vindo nesta casa. Quero que se lembre disso, ok?

- Obrigado, sra. Taylor. Eu agradeço.

- Por que não vai se lavar enquanto eu apronto o jantar? Depois de comermos, vamos ligar para seu pai e garantir que ele saiba que você está seguro.

- Não precisa mes...

- Digamos que é para a minha paz de espírito.

- Vamos, Jason. - Ouvi meu irmão murmurar. - Vou te mostrar o videogame novo que meu pai comprou pra mim.

Ah, sobre isso... Sempre achei que era bem grosseiro ele esconder todos os brinquedos. Nunca me deixava jogar com ele.

Virei e estava prestes a voltar correndo para o meu quarto para ver o

novo menino pela fresta da porta quando minha mãe disse:

- Dylan, pode ficar e me ajudar a arrumar a mesa primeiro? Depois pode subir e ficar com Jason até eu chamar vocês para o jantar.

- Claro, mãe - meu irmão respondeu prontamente. - O banheiro é a segunda porta à esquerda, Jason. Meu quarto é ao lado dele. Eu já vou.

- Posso ajudar em alguma coisa, sra. Taylor? Não me importo.

- Ah, você é muito gentil, Jason. Que tal ser nosso convidado esta noite e, depois de hoje, você me dá uma mão também, ok? E pode me chamar de Emily a partir de agora.

- Ok, sra. Tay... humm... Emily. Muito obrigado por me deixar ficar aqui esta noite. Estarei no seu quarto, então, Dylan. - Os passos dele começaram a subir as escadas.

Fiquei parada e pacientemente aguardei o dono dos passos me alcançar. Já que Dylan não estava com ele, eu poderia dizer oi e recebê-lo em nossa casa sem me meter em encrenca.

Argh... Dylan... Só porque ele era quatro anos mais velho não significava que mandava em mim.

Será que ele era loiro? Talvez tivesse olhos e cabelos escuros e fosse um sonho, exatamente como o irmão mais velho de Kara, Noah, que tinha feito dezoito anos há algumas semanas. Minha mãe o achava meio velho demais para mim, mas também disse, uma vez, que uma garota deveria sempre sonhar grande. Mesmo eu amando muito minha mãe, claramente ela não tinha razão o tempo todo.

Enfim, já que esse Jason parecia ser amigo de Dylan, eu duvidava muito que ele seria algo com que sonhar.

De repente, senti frio na barriga por algum motivo. Franzi o cenho e alisei meu vestido. Amigo de Dylan ou não, ele seria um hóspede em nossa casa, e pensei que deveria ser receptiva, já que ele parecia muito estressado sobre ficar conosco.

Tommy, um dos meus melhores amigos da escola, acreditava que iríamos nos casar um dia, mas eu nunca tinha dito sim para ele. Nem ficava empolgada quando brincávamos disso.

Primeiro, vi os tênis de Jason. Eram brancos e bem limpos para um menino da sua idade. Pensei que, talvez, ele não fosse tão mau e não me zoasse como outros amigos de Dylan.

Abrindo meu melhor sorriso, lentamente levantei a cabeça e encontrei seus olhos. Seus passos pararam quando ele me viu escondida atrás da parede. Dei uma boa olhada nele e meu sorriso desapareceu devagar conforme minha boca se abriu.

Jason? Jason o quê?

Frio? Aquilo era frio na minha barriga? O que minha mãe tinha me falado? Eu com certeza senti. Muito frio. Era o mesmo frio que minha mãe sentiu quando conheceu meu pai?

Qual era o sobrenome dele?

Eu queria ― não, esqueça isso, eu precisava que o sobrenome dele fosse meu.

Não no dia seguinte, nem dez ou vinte anos depois. Precisava que acontecesse naquele dia ― bem naquele exato instante.

Ele pareceu surpreso, por um segundo, ao me ver, mas se recuperou mais rápido do que eu. Ele me deu um sorriso estupidamente fofo com uma covinha na bochecha esquerda.

- Você tem uma covinha - suspirei, completamente perdida naquela pequena fenda. Era quase mágica.

Fechei a boca e senti o calor subir por meu rosto. Consegui retornar seu sorriso com um hesitante.

- Ei, pequena. Você deve ser a irmãzinha do Dylan. Eu sou Jason.

- Oi - cumprimentei timidamente e lhe dei um pequeno aceno.

Seu sorriso aumentou, e senti meu rosto ruborizar de novo. Colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, sorri mais.

Ah, não.

Ele era muito fofo.

Pigarreei e estendi a mão, igual via meu pai fazer quando estava cumprimentando alguém novo.

- Eu sou Olive. Meus amigos me chamam de Liv ou Oil porque acham que tenho um nome estranho.

Franzindo a testa, ele olhou para minha mão, depois subiu para meus olhos enquanto me cumprimentava.

- Eles acham? - ele perguntou, e eu assenti entusiasmada, escondendo a mão nas costas de novo. - Acho que tem um nome legal, pequena Olive. Seria difícil alguém esquecer um nome como Olive. Você tem olhos verdes lindos; diria que o nome combina com você.

Lindos?

Lindos?!

Eu nunca mais ia lavar a mão.

Meu sorriso se ampliou, e acredito que foi o primeiro instante em que me apaixonei pelo garoto misterioso que tinha uma covinha adorável e ia passar a noite no quarto ao lado do meu.

- Você é nosso novo vizinho? - perguntei.

Ele tinha que ser nosso novo vizinho. Eu precisava vê-lo de novo.

- Sou, nos mudamos na semana passada.

Assenti. Essa era uma boa notícia ― mais tempo para ficarmos juntos.

- Já que você gostou do meu nome, gostaria de se casar comigo? - O rosto dele ficou vermelho e ele abriu e fechou a boca algumas vezes. Finalmente, deu risada e disse:

- O quê?

Dei de ombros.

- Meu pai não quer que eu me case nos próximos trinta anos, no mínimo, mas não acho que deveríamos esperar tanto. Então, podemos nos casar antes?

Ele coçou a cabeça e fez até isso parecer fofo.

- Acho que somos muito jovens para casar, pequena.

Destruída, olhei para meus pés.

- Meu pai também fala isso. Sempre pensei que me casaria com Noah, nosso vizinho, mas meu pai é bem contra. Até minha mãe acha que ele é velho demais para mim. Mas acho que posso esperar você ficar mais velho. - Assenti para mim mesma. - Me espere também. Ok. Vou descer e ajudar minha mãe com o jantar. Dylan sempre estraga tudo. Sabe... - comecei, apertando as mãos às costas conforme meus olhos pararam em seus sapatos. - Ajudei minha mãe a fazer a torta de maçã e a cobertura de baunilha. Vou me certificar de que você ganhe o pedaço maior. Vai amar, e eu vou te dar a primeira fatia.

Sei que homens gostam de comida porque meu pai sempre apreciou uma boa comida caseira. Meu coraçãozinho tinha se apaixonado pela primeira vez, e eu esperava que Jason se apaixonasse por mim também, depois de provar a torta.

Ele deu risada e encostou o dedo no meu queixo. Surpresa com o contato, ergui a cabeça, com os olhos arregalados. Quando vi seu sorriso, precisei morder o lábio para não sorrir como uma menininha, o que, com certeza, seria uma denúncia fatal de que eu estava apaixonada por ele.

- Obrigado, pequena. Tenho certeza de que está deliciosa se tem a sua mão. É melhor eu deixar você ir, então. Mal posso esperar para te ver no jantar.

Passando por mim, ele puxou uma mecha do meu cabelo, seu sorriso ainda amplo nos lábios conforme seguia para o banheiro.

Agitei as mãos para não acenar um tchau para ele e suspirar como minha amiga Amanda quando via Dylan.

Por dentro, eu estava nas nuvens.

Ele tinha encostado no meu cabelo.

Ele tinha encostado no meu queixo e olhado nos meus olhos.

Jason.

Nosso novo vizinho com uma covinha na bochecha. Tinha. Encostado. Em. Mim.

Ah...

Eu tinha quase certeza de que ele se apaixonara por mim também. Quero dizer, por que mais ele sorriria, olharia nos meus olhos e encostaria em mim se não estivesse?

Certo?

Certo?!

Capítulo 3 3

Olive

Sete anos depois...

- Obrigada por me deixar usar seu telefone, Amanda - sussurrei escondida no meu armário.

- Por que estamos sussurrando?

- Para que Dylan e Jason não consigam me ouvir.

- Tem certeza de que quer fazer isso? Tipo, vamos, Olive, e se ele perceber que é você mandando mensagem?

- Mas quero que ele perceba que sou eu. - Pensei nisso por um segundo e, então, mudei de ideia. - Bom, ok, talvez não de primeira, mas em algum momento.

Amanda suspirou do outro lado da linha.

- Não tenho tanta certeza se é uma boa ideia, Liv. E se ele contar para Dylan? - Ela arfou. - E se eles reconhecerem o número e pensarem que sou eu?

- Ah, pare com isso. Como poderiam reconhecer o número do seu primo? Se você não abrir a boca, ninguém vai saber. E é só esta noite. Não vou mandar mensagem de novo. Meus pais estão fora, ele vai dormir aqui, é a hora perfeita.

- Olive! - Meu irmão bateu na porta. - A pizza chegou, desça se não quiser encontrar uma caixa vazia.

- Por que não derruba a porta? - murmurei para mim mesma.

Abrindo a porta do armário, gritei de volta:

- Estou indo!

- Ok, vou descer. Que horas são? - perguntei à Amanda, levantando do chão.

- Nove. Quando vai mandar a mensagem? Tem que me contar o que ele vai dizer.

- Não posso enviar mensagem para você enquanto envio a ele. Estarei muito empolgada. Vou te ligar amanhã para te contar como foi.

- Não, vou aí para tomar café da manhã, então. Quem sabe quando você vai me ligar? Além disso, preciso devolver o celular para o meu primo. Eles vão embora amanhã à tarde.

- Tá bom, então te vejo amanhã. Me deseje sorte.

Jogando o celular na cama, respirei fundo e me olhei no espelho. Meu cabelo loiro avermelhado caía em meus ombros em ondas suaves, meus olhos estavam brilhando, e meu rosto estava ruborizado com empolgação pela possibilidade do que poderia acontecer mais tarde naquela noite.

Olhei para minhas mãos trêmulas e ri de mim mesma.

Tudo que eu queria naquela noite era enviar mensagens para Jason e conversar com ele como se fosse outra pessoa, como uma admiradora. Sabe, eu tinha planejado tudo por dias. Iria mandar mensagem, claro que mantendo minha identidade em segredo, de preferência quando Dylan não estivesse ao seu lado, e, então, simplesmente conversar com ele. Talvez pudesse perguntar quem ele queria que fosse sua admiradora... Seria diferente se ele falasse de mim?

Até então, o plano estava correndo bem. Dependendo de como fosse o resto da noite, eu reagiria de acordo.

- Olive! - meu irmão gritou lá de baixo.

Fechando os olhos, respirei fundo para me acalmar, escondi o celular debaixo do travesseiro e saí do quarto.

- Por que está gritando? Eu disse que estava indo - reclamei quando vi Dylan sentado sozinho diante da TV.

- Sirva as bebidas e traga a pizza - ele respondeu, sem nem olhar para mim.

- Por que não pode levantar e fazer isso você mesmo? - gritei.

- Só faça logo isso. Já vai começar o filme.

Abri a boca para...

- Oi, pequena Olive - alguém sussurrou perto da minha orelha, me fazendo pular.

- Jason - sussurrei de volta, colocando as mãos no peito para manter meu coração no lugar. - Você me assustou.

Ele deu risada, mostrando a covinha.

- Eu sei.

Dei risada também, meus olhos brilhando com amor pelo menino que eu conhecia há sete anos.

Puxando uma mecha do meu cabelo, ele deu uma piscadinha e passou por mim com uma garrafa de água gelada. Ele empurrou Dylan para o lado e se sentou ao lado dele.

Observando o espaço pequeno ao lado de Jason, perguntei:

- Quer outra coisa além de água?

Virando a cabeça, ele sorriu para mim.

- Obrigado, linda. Estou bem.

Derreti em uma pequena e muito feliz poça de água no tapete preferido da minha mãe.

- Pare de xavecar minha irmã, seu bosta - Dylan murmurou, mas eu estava ocupada demais com meus sonhos para falar para Dylan ficar quieto... não que ele me fosse obedecer.

Pegando o refrigerante de Dylan e alguns pratos de papel, voltei para a sala.

- Sirva seu próprio refrigerante - eu disse, colocando a garrafa um pouco forte demais na mesa de centro diante dele. - Quantos pedaços você quer, Jason? - perguntei, ajoelhando no chão e não olhando muito para ele.

Dylan suspirou e murmurou:

- Lá vamos nós de novo.

Ele não gostava que eu sempre desse o primeiro pedaço de pizza ― bolo, torta ou qualquer tipo de comida, na verdade ― para Jason.

Soltando sua garrafa de água, Jason se esticou para me ajudar.

- Você não vai sentar no chão. - Ele me puxou para o sofá. - Eu cuido da pizza.

Sentando-me ao lado dele, eu o deixei dividir os pedaços para nós três.

- Dois pedaços está bom? - ele perguntou, dando para mim primeiro.

Assim eu não aguento.

- Está, obrigada.

Quando ele se inclinou para trás e me deu outra piscadinha rápida, esqueci da pizza e me lembrei do fato de que iria passar duas horas sentada ao lado de Jason assistindo a um filme. Era a noite perfeita para mandar mensagem para ele.

- O que vamos ver? - questionei, dando uma mordidinha no pedaço enorme.

- Nada que você goste. Já estamos passando nossa noite de sexta cuidando de você, então não tem opinião na escolha dos filmes.

- Não seja babaca, Dylan - Jason murmurou com a boca cheia.

- Então está dizendo que prefere ficar em casa esta noite em vez de sair com as meninas?

Quando meus olhos se encheram de lágrimas de vergonha e outra coisa que não consegui identificar, coloquei meu prato no colo e tentei me levantar, mas fui puxada de volta por Jason.

- Crianças - ele disse em um tom similar ao do meu pai. Sua mão quente ainda estava fechada no meu pulso, mantendo-me sentada... ou estava mais para paralisada. - Prometi a Emily que cuidaria de vocês dois no caso de decidirem que hoje era o dia de se matarem. Então, parem com isso e vamos ver o filme. As meninas não vão a lugar nenhum, Dylan.

Ainda envergonhada, pigarreei para chamar a atenção deles.

- Vocês não precisam ficar em casa por minha causa. Vou ficar bem, Dylan. Sabe que não ligo de ficar sozinha.

Olhando para minha expressão miserável, Dylan finalmente balançou a cabeça e pegou seu prato.

- Não, tudo bem. Jason tem razão; as meninas não vão a lugar nenhum e nós queremos assistir a esse filme há semanas; agora é uma hora boa como outra qualquer.

O filme começou e ambos se ajeitaram conforme toda a minha empolgação pela noite lentamente se esvaiu.

Eu ainda estava brincando com o prato de papel no colo quando Dylan pulou e disse:

- Vou apagar a luz.

Será que Jason tinha namorada?

Eu tinha certeza de que não. Nem Dylan, na verdade, não desde que ele terminou depois de idas e vindas com Vicky.

- Não se preocupe, pequena, não é filme de terror nem nada. É de ação, você vai gostar - Jason sussurrou no meu ouvido antes de Dylan voltar.

Ao escutá-lo dizer o apelido que ele sempre gostava de me chamar, consegui abrir um sorriso sincero ao olhar para ele.

- Obrigada. Vocês podem sair depois do filme, sabe. Não vou contar para mamãe e papai quando eles voltarem amanhã.

- Está brincando? Eu estava ansioso para uma noite calma em casa. Pizza e filme com uma garota linda de olho verde do meu lado? - Ele me deu um empurrãozinho com o ombro. - Seu irmão é o idiota, não eu.

Dylan apagou as luzes e pulou de volta no sofá. Felizmente, desta vez, eu estava me derretendo em outra poça no sofá não tão preferido da minha mãe. Fiquei daquele jeito até o fim do filme porque o ombro de Jason ficou grudado no meu o tempo todo.

Prestes a morrer de sobrecarga sensorial, eu ainda tinha um sorriso idiota no rosto quando fui para o meu quarto.

Que as mensagens comecem...

Lá para 1h30 da manhã, me aconcheguei debaixo das cobertas e escutei a porta de Dylan abrir e fechar pela segunda vez. A TV em seu quarto estava ligada, mas a voz deles era baixa. Ou não queriam me acordar ou estavam indo dormir, mas eu duvidava muito que fosse esse o caso.

Pegando o celular debaixo do travesseiro, tentei controlar minha respiração e pulsação errática.

Por mais que eu estivesse morrendo de vontade de mandar mensagem para Jason, também estava apavorada.

Meus dedos estavam gelados quando rapidamente enviei a primeira mensagem da noite.

Eu: Oi, Jason.

Original, eu sei.

Esperei para ver se o celular dele iria tocar, mas não consegui ouvir nada. Com o coração na garganta, sentei na cama e apoiei a cabeça na cabeceira. Talvez Amanda estivesse certa. Talvez aquela não fosse a melhor ideia que eu tivera...

Jason: Quem é?

Posso ter soltado um gritinho quando o celular acendeu na minha mão e tocou. Na escuridão do meu quarto, uma agitação inexplicável percorreu meu corpo, e comecei a conversar com Jason como uma desconhecida.

Eu: Acho que você não saberia nem se eu dissesse meu nome.

Jason: Não podemos saber se você não tentar.

Eu: Meu nome é Michelle. Estudamos na mesma escola.

Jason: Humm... Tem razão. Acho que não conheço uma Michelle.

Eu: Não posso dizer exatamente que estou surpresa.

Jason: E por que isso, minha nova amiga Michelle?

Já perdida em um mundo diferente, meus dedos pararam de voar sobre os botões quando escutei a porta de Dylan abrir e fechar baixinho. Sem saber se era meu irmão ou Jason, escondi o celular debaixo das cobertas para que a luz não chamasse atenção.

Eu: Tem sempre tanta gente com você. Acho que não dá muita oportunidade para pessoas novas se apresentarem. Mas então, talvez você já me conheça.

Jason: Interessante. Nossa amizade é tão nova, Michelle que não é realmente Michelle, e você já está mentindo para mim?

Eu: Não diria que é mentira. Vamos dizer que sou uma das suas muitas admiradoras secretas e um pouco tímida com isso. Só queria conversar com você.

Jason: Vamos jogar seu jogo. Sobre o que gostaria de conversar?

Eu: Não faço ideia. Talvez você possa começar com onde está e o que está fazendo.

Jason: Essa é fácil. Como tenho certeza de que você não é Michelle, já deve conhecer meu amigo Dylan. Estou na casa dele.

Eu: Eu o conheço e sei que são amigos, só isso.

Jason: Gostaria que eu apresentasse vocês dois? Seria como uma segunda apresentação para nós dois também.

Eu: Não precisa.

Jason: Como quiser, nova amiga tímida. Sobre o que mais quer conversar?

Eu: Você tem algum palpite de quem eu possa ser?

Jason: Oh, outro jogo. Você está cheia de jogos esta noite, garota misteriosa.

Eu: Não é exatamente um jogo para mim.

Cinco minutos se passaram, mas não chegou nenhuma mensagem. No décimo minuto, fiquei ansiosa, preocupada que ele já soubesse quem eu era e precisou parar. Levantando da cama, comecei a andar de um lado para o outro no meu pequeno quarto. Quando o espaço não foi suficiente, saí em silêncio do quarto e desci as escadas para pegar uma garrafa de água e me distrair com outra coisa.

Entrando na cozinha com uma blusinha e calça de pijama, parei de repente quando vi Jason olhando para fora da janelinha acima da pia.

- Jason? - sussurrei.

Virando-se para mim, ele sussurrou de volta:

- Ei, pequena. - Seus olhos cor de chocolate estavam cansados para sua pouca idade. - O que está fazendo acordada tão tarde?

Observando o celular dele no balcão da cozinha, me obriguei a desviar o olhar.

- Pesadelo, acho. Não consegui voltar a dormir. - Agindo indiferente, abri a geladeira e peguei uma garrafa de água. - O que está olhando?

- Minha casa.

- Sua mãe está bem?

- Não sei, Olive. Não sei mesmo. - Suspirando, ele distraidamente pegou o celular e andou até mim.

- Você pode falar comigo se estiver precisando.

Ele parou bem diante de mim, seus olhos quase invisíveis no escuro.

- Posso?

- Claro. Sei que se preocupa com seus pais, às vezes. Posso ouvir, se precisar.

- Está certa, pequena Olive. Eu me preocupo com eles, mas eles são a última coisa sobre o que quero falar.

- Desculpe - murmurei, olhando para o chão.

- Não precisa se desculpar. Venha e nos chame se precisar de alguma coisa, tudo bem? Acho que não vamos dormir por algumas horas ainda. - Um puxão gentil no meu cabelo e ele se foi.

Esperei alguns minutos até ele voltar pela escada.

Logo quando estava prestes a ir para o meu quarto e correr para pegar o celular, Dylan colocou a cabeça para fora do quarto dele.

- O que está fazendo, Olive?

Droga! Ele não tinha outra coisa para fazer além de tornar minha vida miserável?

- O que você está fazendo? - perguntei de volta, meio irritada e meio nervosa.

Ele inclinou a cabeça com as sobrancelhas unidas.

- Volte para a cama, Olive. Está tarde.

- Eu ia fazer exatamente isso quando você me fez parar. - Ergui a garrafa de água para ele poder ver. - Desci para pegar uma bebida.

- Deixe-a em paz, cara. - Escutei a voz de Jason atrás de Dylan.

- Boa noite, Dylan - eu disse finalmente, então entrei no quarto sem esperar resposta. Quem saberia o que ele iria dizer...

Pulando na cama, procurei o celular debaixo das cobertas e tive um pequeno ataque quando não consegui encontrá-lo. Relaxei quando percebi que estava debaixo do travesseiro.

Com a empolgação tola me inundando de novo, verifiquei as mensagens e vi que não havia nada novo de Jason.

Me deitando, disse a mim mesma que só iria enviar mais uma mensagem e, talvez, tentar a sorte pela manhã, antes de Amanda vir pegar o celular.

Eu: E aí? Nenhum palpite? Estou surpresa.

Jason: Desculpe, estava ocupado. Qual jogo estávamos jogando mesmo?

Enxergando minha primeira brecha, não consegui evitar e ataquei. Será que ele falaria de mim?

Eu: Ocupado? Ocupado com o quê? Já encontrou uma nova amiga, hein? Você é rápido mesmo.

Jason: Você é engraçada. Fui encurralado pela irmã de Dylan. Não estava exatamente nos braços de outra menina.

Sem saber que meu coração estava prestes a ser partido pela primeira vez, engoli a dor que a palavra "encurralado" tinha causado e me obriguei a responder.

Eu: São quase 2 da manhã, e você estava com a irmã de Dylan? Parece bom. Conte mais.

Jason: Ela é só uma criancinha. Uma grudenta, talvez, já que ela sempre me segue por aí, mas ainda uma criança. Às vezes, ela esquece disso. Estou muito mais interessado em quem você é. Estou pronto para jogar. Está preparada para ser descoberta por mim?

Li a mensagem mil vezes, ou talvez um milhão. Uma lágrima escapou do canto do meu olho, e me cobri e deitei de costas.

Gentilmente, soltei o celular e tirei as cobertas do rosto a fim de encarar o teto escuro. Em algum momento, ele tocou com duas novas mensagens, mas o ignorei. Não, não é verdade, lembro de pegar o celular e deletar tudo antes que palavras inesperadas pudessem me magoar de novo, mas, naquele instante, estava tudo embaçado para mim. Não conseguiria ler as mensagens mesmo se quisesse me torturar.

Grudenta?

Encurralado?

Meu coração se partiu em pedaços e, de repente, não conseguia suportar ver Jason pela manhã. Não conseguia suportar dormir no quarto perto do dele de novo.

Colocando as pernas para fora da cama, não percebi que havia chutado o celular para debaixo da porta do meu armário.

Segundos mais tarde, Dylan entrou no meu quarto.

- Você ouviu... Olive, o que aconteceu?

Secando minhas lágrimas, olhei para meu irmão e mais lágrimas frescas escorreram por meu rosto já molhado.

Quando ele se sentou na minha cama e gentilmente colocou a mão nas minhas costas, joguei os braços em volta dele e escondi o rosto em seu pescoço. Seus braços me envolveram.

Quentes e seguros.

Escutei passos na minha porta, mas estava assustada demais para erguer a cabeça e encarar Jason. Achava que não conseguiria olhar para ele no olho de novo.

Respirando rápido no pescoço de Dylan, falei:

- Desculpe, foi só um pesadelo.

- Tudo bem, irmãzinha - Dylan disse. Ele hesitou, depois adicionou: - Desculpe também.

Os dias seguintes foram puro inferno para mim, com Jason dormindo do outro lado da parede do meu quarto, sentando ao meu lado à mesa de jantar. O pior era quando eu olhava para ele e o via sorrindo para mim, mas sabia que não significava nada. Talvez nunca tivesse significado.

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