Alana estava sentada em sua poltrona no quarto, olhando a janela. Seus olhos estavam cheios de lágrimas pela falta que seu ex-namorado fazia. Os dois terminaram por uma exigência de seu pai, porque Harry era pobre demais para a sua "princesa", segundo ele. Ela limpou os olhos e respirou fundo, levantando da poltrona e descendo as escadas de sua casa de classe média em Berlim. Seu pai estava usando o celular na frente da televisão, ela o olha e balança a cabeça de forma negativa.
- Por que você fez isso comigo, pai? Você não se importa com meus sentimentos? - Disse, chorosa. Ela cruzou os braços como se estivesse com frio. - Eu achei que era sua princesa, mas pelo visto, sou sua refém.
- Me poupe, Alana. Me poupe. - Reclamou e girou os olhos. - Você saiu duas vezes com esse rapaz e já acha que é o amor da sua vida? Ele só estava interessado em entrar no meio das suas pernas, e você sabe disso.
- Por que é tão difícil acreditar que alguém gosta de mim, pai?
A moça triste subiu as escadas de novo, se trancou no quarto e olhou o grande espelho preso na parede. Ela passou as mãos em seus longos cabelos castanhos e observou os olhos esverdeados, tocou no próprio rosto branco e balançou a cabeça. Pensou que talvez o pai tivesse razão ao achar que Harry só estava interessado em levá-la para a cama, por ser chata, ou mimada. E então, sentou no chão, abraçou as pernas e chorou. Era o que lhe restava. Em seus dezoito anos de vida, sempre foi presa em casa pelo pai, podendo apenas ir à escola.
Do outro lado de Berlim, Hanner está tentando tirar informações de um homem, que seu chefe solicitou. No final das contas, o homem não entregou nada.
- Se ele não entregou a informação, ele não sabe. - Hanner afirmou. E tem razão em dizer isso, pois é o melhor em fazer com que falem.
- Teremos que pegar o outro, então. - Sebastian disse e Hanner concordou com a cabeça.
Os dois saíram do galpão, deixando o homem morto para trás.
Hanner dirigiu até a casa de seu chefe, uma mansão imensa, e entrou sem aviso prévio. Ele era tão conhecido nessa casa que era considerado morador.
- Boa noite, Alexander. - Hanner ergueu a sobrancelha. O homem lhe ofereceu a mão e os dois se cumprimentaram.
- Boa noite, Hanner. Conseguiu o que pedi? - Ele negou com a cabeça.
- Ele não tinha as informações. Você sabe o que tive que fazer. - O outro homem cruzou os dedos das mãos.
- Tudo bem. Você sabe de quem ir atrás para conseguir a informação, não sabe? - Hanner concordou. - Mas antes, eu tenho um trabalho pra você.
- Pode falar.
- Preciso que cobre uma dívida de trinta milhões de dólares. - Hanner não esboçou reação. Pouca coisa o surpreende.
- Me passe o endereço. - Pediu. O homem tirou um papel do bolso e entregou a Hanner.
- Olha, nós temos uma informação privilegiada sobre a família deste homem. Podemos conseguir um acordo de casamento com um bom dote, sabia? - Hanner riu.
- Ah, quanto? Uns trinta milhões em dote? Parece interessante. - O sorriso malicioso de Alexander deu a deixa. - Se ele não pagar...
- Aquele cretino do Seth faria um acordo de casamento para sanar a dívida, com certeza. Ele não ama a filha, e pelo que sei, é uma filha bastarda.
- Bom, farei o que ele achar melhor. - Hanner concluiu e Alexander assentiu. - Se quiser um contrato de casamento com a máfia, é melhor pra gente.
- Eu concordo.
Os dois terminaram a conversa e Hanner saiu com o endereço na mão. Restava a ele encontrar a casa e cobrar a dívida.
Não demorou muito até conseguir chegar ao endereço. Ele se olhou no retrovisor, viu seu próprio rosto no espelho. Hanner é um homem bonito, forte, e o único local sem tatuagens é seu rosto. Seus olhos demonstram a raiva reprimida por seu passado triste. Com um pouco mais de um e oitenta e cinco, ele aparenta ser bem maior por causa dos músculos. Ele precisa ser forte. Hanner não carrega nem ao menos sobrenome, ele é um homem invisível. Tem milhares de documentos falsos, vezes sendo Hanner Smith, outras sendo Hanner O'Connel, entre outros nomes que o fizeram esquecer até mesmo seu nome de batismo. Colocou suas luvas pretas de couro, pois sabia que se tudo saísse do controle, teria que matar.
Ele pulou o muro da casa, o que não foi difícil. A casa azul tem muro baixo como se o dono não tivesse medo do que está do lado de fora. Hanner foi até a porta dos fundos e fez com que o alarme parasse de funcionar, e ele entrou de forma fácil por aquela porta.
Seth estava sentado à mesa, na sala de jantar, comendo um sanduíche de forma tranquila. Hanner caminhou vagarosamente até o homem e parou de modo que o homem pudesse vê-lo. Os dois se olharam e Hanner percebeu a jugular de Seth saltada, sabia que ele causava medo no outro homem.
- Boa noite, senhor Beckett. - Disse, com a seriedade de sempre, que fez Seth tremer.
- Boa noite... Enviado da máfia? - Perguntou, com a voz trêmula.
- Que bom que sabe. Vamos encerrar isso logo para que eu possa dormir cedo, estou meio cansado, sabe? - Ele sorriu de forma irônica.
- Eu não tenho os trinta milhões. - Hanner girou os olhos ao ouvir. O homem engoliu seco.
- Não vou sair daqui sem o pagamento. Mas acho que você já sabe disso.
- Estou morto, então? - Questionou. Ele se levantou e caminhou vagarosamente até Hanner.
- Oi? - Hanner soltou uma gargalhada exagerada, maligna e muito irônica. - Você acha que isso quitaria os trinta milhões que você deve? - Hanner negou com a cabeça. - Você não vale nada nem vivo e nem morto pra máfia. Nós queremos o pagamento.
- Eu não tenho como pagar! Eu não sei o que fazer! Eu usei o dinheiro, eu investi, mas vocês sabem, o Alexander sabe que eu levei vários golpes e o dinheiro se foi! - Disse, em tom quase choroso, como se pudesse causar piedade em Hanner. Doce engano.
- Quer um papel em alguma novela com essas lágrimas de crocodilo? Não estou aqui para essa perda de tempo. Pelo que vejo... - Hanner olhava ao redor, com uma expressão de nojo. - Essa casa não vale nem metade do valor do meu relógio de pulso. Mas pelo que sei, sua filha é uma linda moça, pura, que seria uma esposa perfeita para um acordo de casamento.
- Não, minha filha não.
- Nós sabemos do seu amor doente por ela. Mas você tem uma dívida enorme para ser sanada, Seth. A máfia a aceita fazer um acordo de casamento, contanto que o dote fique para a máfia. - Ele arregalou os olhos.
- Eu não posso... - Agora, seus olhos estavam com lágrimas reais. - Minha filha se casaria com um homem que nem ao menos conhece? Acordos de casamento são ultrapassados, ela irá ficar com muita raiva de mim.
- Deveria ter pensado nisso antes de fazer uma dívida desse tamanho. Você tem uma escolha, agora: Assino o contrato ou morra. Ou... Não assine, eu te mato e vou leva-la para que ela mesma assine o contrato. A escolha é sua. - O sorriso irônico de Hanner fez o homem ponderar a ideia.
O pai mudaria a história de Alana Beckett, a entregando-a para fazer um acordo com a máfia.
- Ela está no quarto. Mas por favor... Não deixe que a machuquem.
Hanner ficou em silêncio e foi caminhando até o quarto da moça, que dormia enrolada nos cobertores. Ele acendeu a luz, o que a fez acordar em um pulo.
- O que... O que é isso? Meu Deus, quem é você? - Ela se encolheu na cama, cobrindo o corpo com a coberta.
- Seu pai acabou de entregar você para um contrato de casamento com a máfia, moça. Você é nossa.
Hanner se aproximou da moça, a pegou pelo braço e puxou, fazendo com que a coberta caísse de seu corpo.
- Me solta! - Gritou.
- Não.
Ele a pegou no colo, colocando seu corpo por cima de seu ombro e ela se debatia, dando socos em suas costas e chutando seu peitoral. Nada do que ela fazia parecia atingir o homem. Alana é pequena, com um pouco mais de um metro e cinquenta, pesa talvez cinquenta quilos bem distribuídos, é uma moça muito bonita.
Hanner não falou uma palavra sequer. O pai de Alana também não, e enquanto ela era carregada até o carro, o pai a olhava com pesar.
- Me desculpa. - Sussurrou o pai.
- Você morreu pra mim! - Alana afirmou. - Um contrato de casamento, pai? Isso é ridículo!
Hanner a colocou dentro do carro, e fechou a porta. Ela cruzou os braços, mas já sabia que era melhor ficar quieta. Sabia que o pai era um ladrão, e que uma hora suas dívidas seriam cobradas, mas não esperava que isso recairia sobre ela. Quando Hanner entrou, ela, que estava no banco de trás, o atacou tentando apertar seus olhos. Hanner se desvencilhou rápido quanto o ataque, tirando as mãos da moça dali.
- Você não entendeu ainda, pequena? Você precisa se casar. Foi um acordo. Seu pai foi inteligente em aceitar, e você... É melhor parar com a rebeldia. - Ela ouviu aquilo e ficou estarrecida.
- Eu não sou um objeto para ser entregue a vocês! Eu não quero esse acordo! - Hanner, apesar de concordar, negou com a cabeça.
- Boa sorte, eu não posso fazer nada por você.
- Não... Não! - Ela apareceu na janela. Socou a janela enquanto Hanner partia com o carro. - Você me paga! - Gritou, se referindo ao pai.
Hanner, apesar de sempre frio, ficou com pena. Isso porque Alana é uma mulher inocente pagando a dívida do pai.
Depois de duas horas dirigindo pela estrada vazia, finalmente Hanner quebrou o silêncio.
- Eu sinto muito, menina. - Foi a única coisa que falou.
- Sente muito? - Alana pulou para o banco da frente. - Você é outro cretino!
Ela começou a estapeá-lo. Ele parou o carro no acostamento e desceu, foi até o outro lado e a tirou do carro.
- Presta atenção, mocinha. - Com uma mão, ele segurava seu braço. Com a outra, segurava seu rosto bem próximo ao dele. A olhava nos olhos, e ela não desviava o olhar. - A culpa não é minha se você tem um pai caloteiro e te entregou para esse contrato de casamento com a máfia, eu só cumpro ordens. Quer estapear alguém? Estapei seu próprio pai. O acordo foi com ele.
- Você quem está me levando!- Hanner girou os olhos.
- Só cumpro ordens. - Ele a soltou e foi andando para o outro lado do carro.
Alana saiu correndo para frente, como se tentasse fugir pela estrada, e Hanner acabou rindo consigo mesmo. A seguiu com o carro e nem precisou acelerar muito, abriu o vidro do banco do passageiro e olhou para fora.
- Vai embora! - Ela gritou.
- Bonequinha, é melhor você entrar no carro. Não tem uma alma nessa rodovia, você acha que vai conseguir andar oitenta quilômetros até a cidade vizinha?
Ela fez uma cara de choro ao ouvir. Levantou os olhos e viu exatamente o que ele dizia: Uma placa com o nome da próxima cidade, e o aviso de que estava a oitenta quilômetros de distância.
Alana se deu por vencida e entrou no carro, cruzando os braços com raiva. Hanner alcançou o cinto do passageiro e colocou nela, a fazendo girar os olhos.
- Ah, agora ele se importa com minha segurança.
- Não, eu me importo com os possíveis policiais que podem passar por nós. Não quero ser parado.
ALANA NARRANDO
Mantenho meus braços cruzados, mostrando minha insatisfação. Estou triste e decepcionada com tudo, mas ao mesmo tempo, não consigo raciocinar. Estou estarrecida de dor. É um sentimento intenso, coisa que nunca tive antes.
Hanner vez ou outra me olha como se estivesse me avaliando. Está dando um preço pra mim?
- Olha... - Hanner rompeu o silêncio mais uma vez. - Não quero seu mal, menina.
Meus olhos pousaram sobre a mão dele, tatuada. Parecia um tigre. A verdade é que ele tem tantas tatuagens que não posso contar. Seus braços são fortes, e a regata evidencia todas elas. Ele é um homem branco, alto, ombros largos e pernas bem fortes. Por algum motivo pensei que devia ter um tanquinho tatuado embaixo da camiseta. Acho que o sol está tão forte que estou delirando.
- Estou com muito calor. Muito calor mesmo. - Avisei.
- Está se sentindo mal? - Concordei com a cabeça. - Tenho água no porta-malas. Vou estacionar no acostamento.
Ele logo entrou no acostamento e parou o carro. Eu tirei o cinto e desci também, fui até a grama após o acostamento e vomitei. Quando está muito quente, eu passo muito mal e acabo vomitando.
- Droga. - Resmunguei.
- Está aqui. - Ele trouxe uma garrafa térmica com água gelada, serviu em um copo de plástico e me entregou. - Beba.
Eu tomei a água. Depois, caminhei até a sombra da árvore mais próxima e me sentei. Ele veio até mim, se sentou ao meu lado e me olhou como se me analisasse.
- Não me olhe assim. - Pedi.
- Quer descansar um pouco? Podemos ficar aqui por uma meia hora até você se sentir melhor. - Eu abracei minhas pernas e escondi o rosto.
- Sim. Eu estou passando muito mal.
Hanner se levantou e removeu a camiseta. Eu tinha razão, ele tem um tanquinho. Quantos anos será que ele tem? Trinta? Trinta e cinco, talvez? Eu estou delirando mesmo, é a única explicação para esse tipo de pensamento.
- Quer comer algo? - Perguntou.
- Não... Estou enjoada, mas obrigada.
- Está calor mesmo. Estou exausto também, menina. - Ele colocou a camiseta no ombro e foi voltando até o carro. Abriu o porta-malas e tirou um sanduíche de um saco plástico e começou a comer.
- Ei! O que você está comendo? - Questionei e ele me olhou prontamente de perto do porta-malas.
- Sanduíche de pasta de amendoim e geleia.
- Me dá um, vai... - Eu estava com fome, talvez o enjoo venha disso.
Ele trouxe um sanduíche para mim e também trouxe o garrafão de água mais uma vez. Se sentou do meu lado e comemos juntos.
- Tenho mais uns cinco no carro.
- Por que você tem tantos sanduíches no seu porta-malas? - Ele riu da minha cara.
- Acha que tenho tempo para ficar parando e comendo por aí? Não tenho.
- Não sente falta de comida de verdade? Frango grelhado, arroz com batatas... - Ele suspirou de forma pesada.
- É claro que eu sinto. Mas minhas obrigações vêm em primeiro lugar. - Girei meus olhos.
- Quantos anos você tem? Trinta? Sempre foi um cara cruel ou virou por necessidade? - Ele caiu na gargalhada.
- Você tá achando que eu sou o lobo-mau? - Ele ria da minha cara. Uma gargalhada masculina com deboche, mas ele tem um sorriso bonito. É a primeira vez que o vejo. - Eu não fico sendo táxi de mocinhas como você, Alana. Teu pai é um idiota e te entregou para a máfia como um favor. É a primeira vez que um homem aceita entregar a filha. Isso nunca aconteceu antes.
- E meu pai foi o diferentão. - Ele concordou com a cabeça. - Eu preferia ter morrido.. Mas agora que você me disse exatamente o que ele fez, acho que só ele merece morrer.
- É, ele foi meio sem escrúpulos. Como disse, eu não tenho culpa, apenas faço o trabalho sujo de pegar do ponto A e levar ao ponto B. Por mim, teria resolvido de outra forma. Mas trinta milhões é muito dinheiro. - Arregalei os olhos.
- Trinta milhões? Onde ele enfiou todo esse dinheiro? - Ele respirou fundo.
- Não faço ideia. Ele diz que investiu em empresas e levou golpes... Mas ninguém some com trinta milhões assim. Na minha opinião, ele torrou tudo. - Eu continuava abraçada em minhas pernas. Minha cabeça melhorou, e eu já não estava tão enjoada.
- Olha... Me fala uma coisa. O que exatamente vai acontecer comigo? Eu estou aqui, me fazendo de forte, mas eu estou assustada. Não sei se você entende, mas eu nunca estive com nenhum homem, entende? - Senti meus olhos lacrimejarem.
Durante toda minha vida, ouvi que eu devia me guardar para o homem que eu amasse, e eu estava cumprindo isso. Meu pai dizia que sexo era apenas depois do casamento, e que se eu descumprisse isso, estaria indo contra a vontade dele e de Deus. No final das contas, eu acho que o único deus na vida dele é ele mesmo. E eu espero que o verdadeiro Deus me proteja de todo mal que vier a me acontecer.
- Você quer mesmo saber? - Ele olhou para o carro. Suspirou de forma pesada.
- Quero. - Acho que ele está receoso de falar.
- Irão te tratar como uma verdadeira princesa, você receberá tratamentos estéticos e médicos... E então, você irá ser escolhida por algum deles, para ser esposa. Se tiver sorte, um homem bom irá te escolher e bom, se você obedecer e tratar o homem bem e o deixá-lo feliz, será uma mulher feliz também. É como um casamento arranjado, entende? Só que o homem que te escolher, terá poder sobre você. E eu espero que alguém legal te escolha.
- Por que você não me ajuda a fugir? Você não me parece um homem malvado. - Ele riu da minha cara e se levantou. Ofereceu a mão para que eu levantasse e eu a peguei.
- Eu já matei muita gente. Tem certeza que não sou um homem malvado só porque te dei um sanduíche? - Ele sorriu de forma maliciosa. Eu engoli seco.
- Eu acho melhor eu ficar quieta. - Ele concordou com a cabeça.
- Também acho.
Fomos até o carro. Ele fechou o porta-malas e colocou a camiseta de novo, sentou no banco do motorista e eu cruzei os braços. Ele bufou. De novo, ele colocou o cinto em mim, com certa brutalidade. E agora, eu girei os olhos e resmunguei.
Eu queria mais informações. Não consigo controlar minha ansiedade. Talvez eu queira me preparar psicologicamente para tudo isso, não sei.
- Você sabe quem serão os possíveis maridos para mim? Tipo... Se eles são pessoas ruins? - Ele ficou quieto por alguns instantes. - Eu meio que conheço um pouco da máfia, meu pai estava no meio deles, então não estou muito surpresa com esse casamento arranjado por dinheiro. É como se estivessem pagando um dote por mim, não é?
- Tipo isso, só que esse dote não irá mais para o seu pai, e sim para a máfia, para cobrir a dívida que ele tem com eles. É meio complicado e antigo, eu sei, mas é assim que a máfia funciona. Tem uns cinco homens que querem se casar e que talvez se interessem por você. Vão lutar entre eles, e quem der o melhor dote em dinheiro, irá conseguir você. Nenhum deles presta, se quer saber. Pra mim, homens que precisam pagar dotes para conseguir se casar são homens maus. Não há um que se salve no meu meio, entenda isso. - Abaixei meu rosto. Senti as lágrimas vindo.
- É inacreditável que meu próprio pai tenha me entregue para casar com um desconhecido por causa de uma dívida. E mais inacreditável que alguém queira se casar comigo sem nem me conhecer. É muito, muito estranho!
Eu chorei. Chorei de verdade, sem me importar se ele me daria um tapa ou coisa parecida. Tanto faz pra mim.
Ele ficou em silêncio durante o restante do trajeto, ele até que é gentil, graças a Jesus. E então, chegamos em uma mansão enorme no interior da Alemanha, e sinceramente, nunca vi uma casa tão grande.
- Chegamos.
- Chegamos onde? - Questionei.
- No seu destino. - Eu me agarrei ao banco do carro. - Ah, qual é, facilita as coisas, você não tem escolha.
- Não quero descer ou me casar! - Ele girou os olhos.
Hanner saiu do carro, foi até o lado do passageiro enquanto eu me soltava do cinto e tentava ir para o banco do motorista. Eu não sei porque eu tentei fazer isso, Hanner não é burro de deixar a chave na ignição. Ele me puxou pelo pé, e eu comecei a gritar, agarrada ao volante.
- Eu não quero sair do carro! - Gritei.
- Ah, porra. - Ele me agarrou pelas coxas. Com um tranco, me puxou para perto dele, me fazendo soltar o volante por falta de força. - Você precisa ir, menina. Não se preocupe, seja legal com seu futuro marido e dará tudo certo..
- Não! - Gritei. Ele me agarrou pelo punho e me arrancou do carro.
- Que saco... Você não facilita! - Eu tentava me soltar, e ele me agarrou por trás, abraçando meu corpo com os braços e me deixando presa. - Fica quieta, porra!
- Me solta!
Ele me pegou como se eu fosse um saco de batatas.
Eu me debatia, chutava e batia nas costas dele, tentando me soltar.
- Que menina desobediente! Eu tô vendo que vão maltratar você, é sério! - Ele disse enquanto me levava para dentro da mansão.
Quando entramos, ele me colocou no chão e me empurrou em direção a um homem que estava vestindo um roupão de seda.
- Alexander. - Ele o cumprimentou com a cabeça.
- Hanner. - Disse de volta. - É, uma menina muito bonita, esposa de qualidade... - O homem se aproximou de mim e levantou meu rosto com a mão. Eu cuspi em seu rosto.
- Desgraçado! - Gritei.
- Nunca mais cuspa em mim ou em qualquer outro homem. Seja obediente. É uma ordem simples.
- Me mata! Anda! - Gritei. - Me mata!
Eu fui em direção a Alexander, que havia dado alguns passos para trás, mas antes que eu pudesse acertá-lo, Hanner me segurou pela blusa e me puxou como se eu fosse um cachorro na coleira.
- Para de ser burra, Alana. - Hanner disse. Eu rosnei feito cachorro, mesmo.
- Quero ir embora!
- Teu próprio pai não te quer, menina burra! - Alexander disse, e veio me agredir de novo. Antes que ele pudesse acertar um tapa em mim, Hanner levantou a mão.
- Não machuque a menina, os rapazes vão escolher uma esposa hoje, Alexander.
- Lexia! - Alexander gritou. Pouco tempo depois, uma mulher loira e bonita desceu as escadas, vestida como se fosse para uma festa chique.
- Sim, meu amor? - Ela falou.
- Futura esposa de um de nós. Cuide dela, ela é uma praga. - Alexander girou os olhos e eu vi Hanner dando passos em direção a porta. Eu corri em direção a ele e me agarrei em sua camiseta.
- Por favor! Por favor, me leva embora! - Implorei. - Por favor, me ajuda!
- Adeus, Alana. Boa sorte. - Ele disse e tirou as minhas mãos dele.
Vi Hanner saindo pela porta, e tive a certeza de que nunca mais o veria.
- Queria ir embora com um assassino, menina? Ele não pensaria duas vezes antes de te dar um tiro. - Alexander zombou.
- É o que eu quero. Me deixa ir com ele! - Gritei. Lexie se aproximou de mim e pegou meu pulso.
- Querida, você pode ter uma vida de luxos, pare de ser boba. Você só precisa... Obedecer. - Eu fiquei em silêncio. Chega uma hora em que você não quer mais lutar.
Ela me levou para o segundo andar da mansão e entramos em um quarto imenso. Ela me levou até um closet, o abriu e me colocou ali dentro.
- Nossa. - Era realmente muita coisa.
- Você está tendo uma oportunidade única, Alice. - Eu a olhei com estranheza.
- Meu nome é Alana. - Ela deu os ombros.
- Tanto faz. - Arregalei os olhos.
- Fala sério, eu tenho um nome, tá?
- Para de ser boba. Você vai poder ter isso que está no meu closet e muito mais. Eu tenho uns doze milhões só em joias, e talvez o mesmo valor em roupas. Entende isso? Consegue ver o que você pode ter? Você vai ser tratada como uma princesa, só precisa ser uma boa garota. Seu pai nunca te falou sobre casar com um mafioso? Acha que te manteve pura por causa da religião? Não foi por isso, foi porque ele já tinha planejado te casar com alguém bem rico, entendeu? - Neguei com a cabeça.
- Eu não quero! Eu queria me casar por amor e me entregar a um homem que amo, não quero ser uma esposa troféu!
- Não quer viver uma vida de luxos ao lado de um homem cheiroso e charmoso como o meu? Você é burra? Todos eles são assim. Bem cuidados, bem arrumados... Gentis, educados se você for educada... - Ela girou os olhos. - Se você continuar sendo insolente, agressiva e desobediente, vai ser tratada mal, obviamente. Sabe, quando eu cheguei na casa do Alexander, eu tentei dar uma de boa igual você está tentando. Não funciona. Entenda, sua vida antiga acabou, agora você é uma futura mulher de mafioso. Se tiver sorte, alguém legal vai te escolher e ter paciência até você se acostumar com isso. Você sabe o que acontecem quando você é insolente?
- Não.
- Você vai ser descartada e abandonada, ficará sem marido, e seu pai é meio que um cretino que não te quer, então você vai pra rua. Vai virar mendiga. É o que quer?
- Pelo amor de Deus.
- É, pelo amor de Deus.
Essa conversa me amedrontou. Engoli seco, enquanto ela escolhia uma roupa. Tirou um vestido bonito e me mostrou, como se pedisse opinião.
- É bonito.
- Acho que serve em você. - Ela afirmou. - Vou pegar sapatos. Em breve a cabeleireira chega, a maquiadora... E a manicure. E, bom, o médico.
- Como assim? Por que tudo isso hoje? - Ela riu.
- Você acha que vamos ficar com você por muito tempo, querida? Você é virgem, o dote é muito maior. Temos alguns interessados já. É por isso que estou te avisando de tudo, para você ser educada com seu futuro marido, cuidar dele, cozinhar, cuidar da casa... Entenda, menina, você será feliz. É só entender que o amor vem depois do casamento por aqui, não antes. Eu amo o Alexander, ele é muito bom pra mim, mas se você não for legal, vão te tratar mal e você não vai gostar.
- Você quer me tratar mal? - Respondi indignada.
- Você é insuportável, Alana, dá vontade, viu. Seja mais educada, pelo amor de Deus.
Aquilo machucou minha alma. E foi por causa daquilo que eu não falei mais nada durante um bom tempo.
Os acontecimentos a seguir pareciam uma preparação para um casamento, para que meu futuro marido me visse e me escolhesse. Mas, mesmo sendo bem tratada, cuidada, mesmo me apresentando joias, vestidos caros, perfumes... Tudo isso não me agrada. Eu só queria fugir, mas entendi que eu não tinha escolha. E essa era a parte mais dolorida: Não ter escolha, e eu iria me casar com um completo desconhecido!
ALANA NARRANDO
Um vestido florido até o pé. Estou com uma lingerie minúscula por baixo, branca, porque segundo Lexie, eu sou "virgem". Eu ouvi tanto essa palavra que estou com vontade de enfiar essa garrafa dentro da minha vagina e acabar com isso.
- Lexie, terminei o exame. - O médico disse. Ele assinou o papel, entregou para Lexie, que sorriu. - Virgem e apertadinha. Aliás, você é bem bonita lá embaixo. Se eu não fosse casado... - Ele riu de forma maliciosa. Meu Deus, que nojo.
- Se controla, doutor Hope. - Ela riu de nervoso.
- Agora que está tudo pronto, é só aguardar o horário do leilão. - Uma assistente disse, e eu me sentei na cama. Estava me sentindo ridícula. Tudo bem, o vestido era lindo, me fizeram uma maquiagem linda, a lingerie era linda... Mas minha alma estava destruída. Como vão me vender como um objeto? Que grande merda!
Eu não consigo me imaginar na cama com um homem qualquer que mal conheço, mas duvido que ele não queira tirar minha maldita virgindade na primeira noite. Duvido. Então, hoje era o dia que aquele momento mágico que meu pai tanto pregou, viraria um grande pesadelo.
- Pronta? - Eu arregalei os olhos. Nem vi o tempo passar, estava perdida em meus pensamentos.
- É claro que não. - Falei. Ela suspirou.
- Você fará como combinamos: Primeiro, sorria e pose como se estivessem tirando fotos de você. Depois, desamarre o laço do vestido e o deixe cair. Quanto mais sexy você for, maior a chance de um bom comprador escolher você.
- Estou com medo. - Afirmei. Ela colocou a mão em meu ombro.
- Eu estou com medo por você. Fiquei sabendo que os compradores dessa noite não são muito legais. Eu sinto muito, querida. - Ela sorriu de forma amarela. Eu fechei meus olhos e neguei com a cabeça.
- Eu vou morrer, não vou? - Ela deu os ombros.
- Se for obediente, não.
- Que merda... - Neguei com a cabeça. Ela segurou meu punho e começou a me levar. - Onde acontece o leilão?
- Em um lugar especial. Venha, precisamos ir.
Entramos em uma limosine, muito bem equipada e com champagne dentro de um balde de gelo. Eu fiquei em silêncio, ansiosa, olhando para aquelas malditas unhas de gel que colocaram em mim. Minha vontade era arrancar tudo no dente.
Quando chegamos em uma linda mansão, tão bonita quanto a anterior, eu vi muitos carros e fui levada para a porta dos fundos por uma entrada num tanto peculiar: Uma porta no meio do nada, como se estivéssemos entrando em um bunker, mas fui mesmo assim. Eu não tinha escolha, afinal.
Estávamos atrás de um palco. Eu ouvia algumas palavras típicas de um leilão. Minhas pernas tremiam.
Duas horas se passaram, todas as meninas foram leiloadas. Eu não conheci ou vi nenhuma delas, todas estavam em lugares longe do meu.
- É sua vez, querida. - Lexie disse. Ela me puxou pelo braço e me levou até uma cortina.
Eu achei que veria os compradores, mas não... Eu estava exposta em uma espécie de sala de interrogatório, enquanto um narrador dizia meus atributos. E poucos segundos depois, os lances começaram. Eu não podia ouvir os valores, apenas o narrador. Tudo era muito incerto e meu medo só crescia.
Eu me exibi como Lexie mandou. Abri o vestido e o deixei cair por minhas pernas. Eu não tinha opção além de me oferecer para, ao menos, conseguir um comprador menos filho da puta.
De repente, eu ouvi "Vendida". E aquilo me deixou desesperada.
Estava na hora dos homens buscarem seus produtos. Um por um entrou naquele local e buscou seus produtos, meu corpo tremia e eu não conseguia sentir minhas mãos de tanto nervoso. E então... Eu vi Hanner entrar pela porta. Ele estava de terno, muito, muito bonito.
- Hanner? - Arregalei meus olhos e ele esticou a mão em minha direção.
- Sim? - Eu não sabia se estava feliz ou triste.
- Você me comprou? - Ele sorriu de forma maliciosa.
- Você gostaria que eu tivesse te comprado? - Eu engoli seco, mas não respondi. - Não, não te comprei. Eu vim a mando de um homem muito rico, um grande amigo. Escolhi você para ele. Ele pediu o melhor produto da noite.
- Eu não sei se fico puta ou lisonjeada. - Ele segurou minha mão e me guiou até uma sala. - O que vão fazer agora?
- Colocar um rastreador em você. - Eu me assustei.
- O que?
- Acha que vão pagar sessenta milhões por uma mulher e não fazer um seguro? Você vai ter GPS, mocinha.
Antes que eu pudesse protestar, uma mulher veio com um algodão e limpou a parte de trás do meu braço. Ela injetou uma coisa bem pequena ali, mas doeu.
- Porra! - Gritei.
- Sem palavrões. - Hanner pediu. Eu girei os olhos em resposta.
Mais uma vez, estou no carro com Hanner. Abaixei a cabeça, e durante vinte minutos, ficamos em silêncio.
Outra mansão. Dessa vez, muito mais moderna que as outras.
- Chegamos ao meu dono?
- Sim, chegamos. O nome dele é Ryan, ele é um bom homem. Só não sei por que ele quis você, ele não parece se interessar por mulheres... Sinceramente. - Aquilo me fez sorrir.
- Acha que ele me comprou para ser, tipo, uma esposa de fachada? - Ele deu os ombros.
- Seria muito bom pra você. Mas não se iluda, não sei quais são as intenções dele.
Entramos na grande casa. Eu estou me comportando, entendi que não tenho escolha, então vou fazer o que mandam até pensar em um plano para sair dessa. Hanner me guiou até a sala da grande mansão, e eu percebi que existem pessoas podres de rica, sinceramente. Havia um Van Gogh original na parede dele. Esse cara provavelmente limpa a bunda com o valor que pagou em mim.
- Hanner, meu grande amigo! - Ele abriu os braços. Ryan é loiro, magro, alto, e realmente... Não parece gostar de mulheres. Abraçou Hanner com entusiasmo e deu um beijo em seu rosto. - E essa é...? - Ele disse, sorrindo.
- Nome de batismo, Alana. Espero que goste. - Ele estendeu a mão para mim. Fui até Ryan e por incrível que pareça, eu fui com a cara dele.
- Seja bem-vinda à minha família, querida. - Ele me fez dar uma voltinha. - Que beleza estupenda. Virgem, querida? - Questionou.
- Sim. - A porra da virgindade. Que grande saco.
- Excelente. Bom, obrigado por me trazer meu produto... - Ele tirou um lacinho do bolso, um lacinho de embrulho de presente, colou na minha testa e me empurrou em direção ao Hanner. - Feliz aniversário, bonitão.
Hanner arregalou os olhos.
- O que? - Ele parecia assustado.
- Ah, qual é, você realmente achou que eu ia comprar uma mulher pra mim? Por favor, Hanner. É seu presente de aniversário! - Ele riu. Parecia ter feito a melhor escolha do mundo, na cabeça dele.
- Meu Deus... Onde eu vou enfiar essa mulher com a vida que eu levo, Ryan?
Uma funcionária da casa entrou com taças de champagne. Ryan pegou uma, tomou um gole e se sentou no sofá, cruzando as pernas.
- Pense em se aposentar. Faça um filho, saia dessa vida de assassinatos. - Hanner estava constrangido.
- Eu não posso ficar com uma mulher que te custou sessenta milhões. - Ryan sorriu de forma maliciosa.
- Então devolva.
- Não! - Pedi. - Não, não, você sabe o que eles fazem quando nos devolvem, pelo amor de Deus! - Eu fui até Hanner e agarrei seu terno. - Por favor, eu prometo que vou me comportar! Eu prometo, Hanner!
Ryan fez um biquinho.
- Olha, que bonitinha... Pega seu presente e aproveita! - Eu acabei de pegar ranço de Ryan.
- Meu Deus, eu... Eu nem sei o que dizer. - Hanner falou e sorriu de forma amarela. - Obrigado.
- De nada. E considere o que eu disse, sobre a aposentadoria. Que bom que escolheu uma boa mulher, olha só, você ganhou um excelente presente. E você, bonitinha... Parabéns, você foi vendida para um assassino. - Ele soltou uma gargalhada. Parecia se divertir com isso.
O homem nos convidou para o jantar, e Hanner aceitou. Os dois pareciam bem amigos. Eu comia por obrigação, mesmo.
- Então, a novidade é que estou noivo... De um homem. - Hanner deu os ombros.
- Está feliz? - Questionou. Ryan concordou com a cabeça. - Então fico feliz por você.
- Estou muito feliz, Hanner. É o homem da minha vida. Você obviamente será nosso padrinho com a mocinha ali. Em breve te mando o convite. - Ele sorriu de forma sincera.
Depois que terminamos de comer, Hanner e Ryan se despediram e ele veio me dar um abraço. Eu o abracei, mas fiquei em silêncio.
Pela terceira vez, estou no carro com Hanner. Cruzei meus braços e ele olhou para mim. Girou os olhos, puxou o cinto e o colocou em mim.
- Você precisa aprender a colocar o cinto sozinha. - Permaneci em silêncio.
Hanner dirigiu durante duas horas, e chegamos na cidade. Ele mora em um apartamento, em uma cobertura muito bonita. Dezesseis andares, pra ser exata. Eu olhava tudo com atenção.
A casa dele é bem decorada, mas não há nada pessoal ali. Tem uma estante com livros, enfeites genéricos e quadros tão genéricos quanto.
- Uau. - Foi a única coisa que disse.
- Olha, tem um quarto no final do corredor e... Bom, vai dormir lá. Eu não sei o que fazer com você. Ryan tem cada ideia, puta que pariu... - Ele girou os olhos.
- Não gostou do presente? - Falei de forma debochada. - Me solta, você pode dizer que eu fugi.
- Eu não posso jogar sessenta milhões fora. Você vai ficar quietinha na minha casa até eu resolver o que vou fazer com você, entendeu? - Eu me sentei no sofá e cruzei os braços, como fiz no carro.
- Vocês todos são ridículos. - Ele veio até mim e eu me levantei, ao ver que ele parecia nervoso. Segurou meu rosto com força, mas sem me machucar, me fazendo olhar para ele.
- Escuta aqui, bonitinha. Eu não sou um cara muito paciente. Então... É melhor você se comportar comigo.
- Ou o que? Vai me matar ou arrancar a minha virgindade a força? - Eu sorri de forma irônica. Ele me soltou.
- Você vai continuar aqui. Vai fazer o que eu mandar, quieta, sem me encher o saco, até eu decidir o que fazer. E se você quer saber, eu não tomo nenhuma mulher a força... Eu acho muito mais fácil você implorar pra que eu tire sua virgindade. - Ele sorriu de forma maliciosa e se afastou. - Vai para o quarto que te falei e me deixe em paz.
Meu coração foi parar na boca. "Implorar para que eu tire sua virgindade"? Por que caralhos eu achei essa frase tão... Excitante?