Eu vivia horas de dor e tristeza, enquanto velava o corpo da minha mãe e sepultava-o ao lado de seus irmãos. Encarei a lapide recem posta e deixei o desespero tomando conta de mim. Um resmungo de protesto rasgava minha garganta, enquanto eu voltava para casa, sozinha. Eu teria que enfrentar meu inferno, sem ninguém que pudesse me defender do meu padrasto.
- Ao menos a senhora está livre daquele monstro, mãe – murmurei enquanto enxugava as lágrimas insistirem em cair do meu rosto – eu vou ter que aprender a viver sozinha e enfrentar o castigo que a senhora deixou para mim.
Passos apressados vieram em minha direção, assim que me aproximei da casa. Girei o pescoço rapidamente e meu coração disparou quando eu avistei alguns homens caminhando em minha direção. Eu conhecia bem um daqueles rostos e não gostei de vê-lo ali.
- Mason – minha voz escapou em um sussurro no mesmo momento em que eu me erguia lentamente para olhar em seus olhos. Ele se aproximando cada vez mais – o que diabos esse maldito está fazendo aqui a essa hora?
Meus olhos correram pelo lugar vazio procurando um lugar para me refugiar, mas não o medo não deixou que eu me movesse para muito longe. Dei alguns passos cautelosos para trás, assustada. Eu sabia e conhecia a crueldade de Mason e tinha conhecimento de que ele não estava ali para fazer uma visita no meio do expediente.
- Está querendo fugir, Emma? – Meus movimentos não passaram despercebidos, diante dos olhos atentos dele – achou que eu não viria cobrar a dívida que a sua mãe deixou para mim?
- Do que você está falando? – Disse entre os dentes enquanto sentia minha voz tremular de medo. Não consegui dizer mais nada.
- A vadia da sua mãe morreu e deixou uma conta hospitalar gigantesca para que pagasse – ele cuspiu as palavras e uma onda de dor avassalou meu coração – estou aqui para acertar nossas contas.
Olhei para o rosto dos homens que pararam ao lado de Mason e não gostei do que vi. Como assim, acertar a dívida que minha mãe havia deixado? O que Mason pretendia com aquilo? Os homens se aproximaram, formando quase um círculo ao meu redor, seus olhares fixos em mim como se fossem me devorar a qualquer momento.
- Peguem-na – Mason ordenou – serei bondoso o suficiente para avisar que vendi você a um homem muito rico, por uma quantia que não só pagará as dívidas que a sua mãe deixou, como também me deixará confortável por alguns anos.
- Merda! – meus olhos arderam com a raiva intensa, mas eu não teria tempo de questioná-lo. Eu precisava fugir.
- Eu não serei vendida como uma mercadoria – ofegante, gritei com ele, quando sem hesitar, os homens avançaram contra mim.
Agi por sobrevivência, desviando do ataque de um deles e desferir um golpe entre as pernas do segundo. Como eu havia feito aquilo, não fazia a menor ideia. Eu sabia que precisava escapar se quisesse me ver livre de Mason para sempre.
Um grunhido de dor escapou dos lábios de um deles, enquanto eu girava os calcanhares e começava a correr. Masson gritava logo atrás de mim para que eles me pegassem.
Vestindo uma saia, precisei erguê-la até o meio da canela e isso me custou segundos preciosos. No entanto, minha velocidade não foi suficiente, quando olhei para trás, um dos homens estava a poucos centímetros de mim. Senti suas mãos me agarrarem antes de o meu corpo ser projetado contra o chão duro e molhado.
Um grito de desespero ecoou pelo lugar vazio e uma dor insuportável percorreu todo o meu corpo. O homem colocou todo o seu peso sobre mim enquanto, com lágrimas nos olhos, me debatia para tentar escapar uma segunda vez. Meus esforços foram em vão, em um único gesto, o homem me ergue e me colocou novamente em frente ao meu padrasto.
Encarei firmemente seus olhos frios e vazios antes de sentir um tapa no meu rosto. Estremeci, enquanto sentia minha bochecha arder e um frio percorrer minha espinha.
- Esqueceu das surras que eu te dei quando sua mãe não estava em casa? – Seu rosto se aproximou do meu e eu senti náuseas com o cheiro que exalava dele, – ela não serviu nem mesmo para defendê-la. Como pode chorar pela morte da mulher que nem sequer acreditava nas suas histórias?
Mason abriu a ferida no meu coração. Me fez recordar das vezes em que contava a minha mãe dos abusos que eu sofria constantemente de Mason. Talvez ela acreditasse, mas não tivesse coragem de se livrar dele. Lagrimas encheram os meus olhos, mas eu não ousaria chorar na frente dele.
Dou de ombros, antes de sentir os dedos imundos dele me tocar, erguendo meu rosto para olhá-lo.
- Pensa pelo lado positivo, Emma, você vai se livrar de mim – um sorriso desprezível atravessou seus lábios revelando seus dentes podres, – o homem é muito rico e fará de você a esposa dele. Vai viver bem a partir de agora e futuramente me agradecerá.
- Não – minha resposta foi firme, mas não surpreendeu Mason.
- Não estou dando a você uma escolha – ele gritou – o negócio já está feito. Esses homens estão aqui para levá-la até o seu futuro marido.
Ouvindo sua declaração, eu tentei escapar pela terceira vez. Meus movimentos rápidos fizeram Mason tomar uma atitude dramática e eu lembrar apenas dos punhos dele fechados indo em minha direção.
Despertei assustada. Percebendo estar em um quarto luxuoso e iluminado. Me questionei como eu havia parado ali e quem eram aquelas pessoas ao meu redor. Uma mulher se aproximou e tentou tocar meu rosto. Eu me encolhi, observando o ambiente e procurando uma maneira de sair dali.
- Calma, querida, não vou machucar você – ela disse e então percebi que ela estava vestida com roupas de empregada.
- Não toque em mim – gritei quando ela tentou me tocar mais uma vez – quem é você e onde eu estou?
- Eu sou Samanta, a governanta do senhor Gregory – ela disse com simpatia – e foi dado ordens para que eu cuidasse dos seus ferimentos."
- Quem é Gregory? – Samanta arqueou as sobrancelhas como se estivesse em dúvida com minhas palavras – onde está o maldito do Mason?
Foi quando a porta do quarto se abriu e uma figura masculina entrou. Era um homem alto, de pele clara, com um olhar frio cor de gelo. Ele tinha os braços fortes e seus cabelos escuros e lisos. A barba grande não escondia seu rosto esculpido. Sua postura confiante parou bem em frente a mim e seu olhar arrogante pairou no meu rosto.
- Eu sou o Gregory – a um tom de orgulho e frieza em seu timbre – o homem que comprou você e a fez minha esposa.
- Esposa? – Me levantei em um sobressalto, quando senti uma pontada aguda e intensa invadir minha cabeça – eu não me lembro de ter me casado com você.
- Claro que não lembra – a rispidez em suas palavras deixou claro o quanto ele estava irritado com meus questionamentos – Se quiser, pode ler o contrato. A partir de agora, você é minha esposa e fará tudo o que eu ordenar.
Sem cerimônia alguma, Gregory girou os calcanhares e foi embora. Segurei o papel que ele jogou no meu rosto e li o escrito ali. Uma neblina pairou sobre o meu olhar quando vi meu nome naquela certidão de casamento.
De repente, eu estava sozinha naquele quarto com mais perguntas do que respostas. Deixei uma lagrima escorrer pelos meus olhos e logo me vi desesperada para fugir dali.
Como eu poderia estar casada com um homem que eu não conhecia? Eu jamais aceitaria essa situação em minha vida. Decidi que não podia permitir que a consumação acontecesse, afinal eu não suportaria que nenhum homem me tocasse outra vez.
Enxuguei o rosto e, quando me levantei, percebi vestir roupas novas e limpas. Me assustei ao me deparar com o reflexo do meu rosto no espelho. Meu nariz estava vermelho e todo inchaço sobressaia até em um dos meus olhos. Eu mal me lembrava do que havia acontecido, certamente Mason me bateu com tanta força que desmaiei.
Com cuidado, caminhei até a porta, torcendo para que ela não estivesse trancada. A brisa noturna acariciou meu rosto quando eu a abrir. Saí silenciosamente do quarto, me deslizando pelo corredor largo e pouco iluminado. Eu não fazia ideia para onde eu estava indo, aquele lugar era simplesmente enorme.
Avistei uma enorme escada, meus passos leves me levaram até ali, me cerificando que ninguém me veria escapando. Minha mente inquieta buscava soluções. O que eu faria assim que saísse daquela casa? Para onde iria? Como eu sobreviveria naquele mundo cruel, completamente sozinha? Eu não tinha uma família, ninguém para quem pudesse voltar, minha mãe estava morta. Mas eu sabia que não era aquele destino que eu queria para mim.
Eu estava determinada a escapar de um marido que eu não conhecia e evitar um destino que me aguardava, esse que poderia ser pior vivendo ao lado de Mason.
Desci o último degrau e estava pronta para escapar.
-Vai a algum lugar? – A voz de Gregory surgiu de repente, fazendo-me congelar no tempo enquanto um arrepio percorria minha espinha.
Virei-me para olhá-lo e o vi parado no meio da grande sala, com os braços envolvendo o corpo e o olhar afiado, como se já esperasse por aquele momento.
- Você levou mais tempo do que eu esperava para tentar escapar – senti sarcasmo em sua voz.
- Como sabia que eu iria escapar?
- Mason me avisou – ele deu de ombros – ele estava certo quando afirmou que você era fraca e covarde.
Apertei os dedos sobre a camisola que vestia enquanto encarava o rosto frio e indiferente de Gregory que preenchia minha mente. Eu mal conhecia aquele homem, mas o odiava com todas as minhas forças.
- Que tipo de homem você é, capaz de comprar uma mulher para tornar sua esposa? – Sentindo-me como se tivesse sido atingida por um raio, eu o indaguei com ousadia – acha que eu sou uma mercadoria?"
- Foi isso que o maldito do Mason disse para você? Que eu a comprei?
O olhar dele continuou frio e cheio de aversão, só que dessa vez um sorriso discreto surgiu dos seus lábios. O que de certa forma me deixou atordoada.
- Mason devia muito dinheiro a minha empresa, ele precisava pagar – eu arregalei os olhos para ele surpresa – eu precisava de uma esposa jovem e bonita. Isso não foi uma venda, mas uma troca de favores.
As palavras geladas de Gregory ecoaram em minha mente.
- Então é pior do que eu imaginava – terminando de falar, ergui os olhos e o observei se aproximando – Saiba que eu não aceito essas condições e que não vou ficar casada com você.
Gregory agarrou meus punhos com tanta força que gemi de dor. Me puxou para mais perto e com a outra mão apertou com os seus dedos gelados meu rosto machucado e dolorido.
- Não estou negociando com você, Emma, estou te informando. Se você não concordar, posso garantir que você não verá a luz do dia outra vez.
Eu soube naquele momento que Gregory não estava de brincadeira, quando me soltando ele me empurrou, fazendo-me perder o equilíbrio e cair de joelhos no chão frio e escuro da casa.
- Não está aqui para questionar os meus motivos – ele prosseguiu com o seu discurso infame e sem piedade – está aqui para ser minha esposa e fazer tudo o que eu mandar. Deveria ser um pouco grata e perceber que agora está livre do seu padrasto cruel.
Não consegui erguer o rosto para olhá-lo, as palavras dele me machucariam bem mais do que qualquer hematoma deixado no meu frágil corpo. Gregory parecia saber muito sobre mim, enquanto eu não fazia ideia de quem era ele. A única certeza que eu tinha era que havia saído de uma prisão e entrado em outra, uma vez que já era suficiente para meu coração destroçado.
Pela terceira vez a voz de Gregory ecoou pela enorme casa, dessa vez ordenando que Samantha me levasse de volta ao quarto. Ela auxiliou a me por de pé enquanto eu sentia minhas pernas estremecem. Respirei fundo, escondendo toda a minha frustração e engoli o choro. Eu não daria aquele homem o prazer de me ver sofrer.
Quando finalmente ergui o rosto para olhá-lo, ele não estava mais lá. Samantha me arrastou para o quarto, porque eu não tinha forças para me mover. Senti confortável de chorar na frente dela e quando finalmente fui posta na cama, ela entrou me consolar.
- Não se desespere, menina – ela colocou o cobertor em cima de mim – o senhor Gregory será um bom marido. Enquanto estiver nessa casa estará segura.
Me ergui de repente, como se tivesse acabado de ter uma grande ideia. Como os olha bem abertos, agarrei a mão de Samantha antes que ela pudesse escapar e lhe questionei.
- Você trabalha para ele – Samantha se assustou e tentou escapar, mas eu não a deixei fugir – diga-me quem é ele e porque escolheu a mim como esposa.
Ela ficou petrificada na minha frente, como se não soubesse o que dizer, mas eu não a deixaria escapar antes de responder a todas as minhas perguntas.
- Eu não sei por que ele a escolheu como esposa – sua voz saiu tremula e arrastada – mas o senhor Gregory é herdeiro de um império multibilionário, ele precisa ter uma esposa para assumir os negócios da família.
- Bilionário? – Sussurrei e foi como se minhas forças se esvaíssem como um balão – eu me casei com um bilionário?
- Você saberá de tudo em breve – Samantha alargou um sorriso como se quisesse me reconfortar – precisa sarar esses ferimentos. Os avós de Gregory chegarão para conhecê-la.
Outro tremor invadiu meu corpo. As coisas eram piores do que presumi.
Os dias se arrastavam enquanto eu passava a maioria do tempo trancada no quarto. O único rosto familiar que eu via era o de Samantha, que aparecia às vezes ao dia para trazer meu alimento. Outras vezes, uma empregada mais nova vinha em seu lugar, mas ela não dizia nada e nem sequer olhava em meus olhos. Entrava, deixava a comida posta sobre a mesa e saía em seguida.
Os hematomas em meu rosto estavam quase sarados, o que me deixava bastante apreensiva. Eu presumia que, assim que eu melhorasse, Gregory entraria por aquela porta e exigiria que eu cumprisse meu papel de esposa.
Eu ainda considerava a atitude dele em não me procurar mais bastante estranha. Desde aquela noite em que ele me pegou em fuga, nunca mais o encontrei.
Em algumas noites, eu ouvia sua voz e seus passos descendo as escadas. Depois, eu ia para a janela e o via entrar em um carro e sair às pressas. Às vezes, Gregory voltava de madrugada ou apenas no dia seguinte. A vida daquele homem era um mistério para mim. Porém, de nada eu deveria me queixar, ele permanecia longe, como se eu não existisse naquela casa.
Mas parecia que minha paz estava perto do seu fim.
Ouvi passos vindo em minha direção quando a porta se abriu e Gregory apareceu no meu quarto. Fiquei na defensiva, fui incapaz de olhar nos olhos dele novamente. Não suportaria vê-lo me olhar com desprezo e desdém.
- Arrume-se e desça para almoçar – Ergui o rosto imediatamente ou ouvi-lo dizer essas palavras.
O que ele pretendia com aquele pedido? Havia passado dias sem trocar nenhuma palavra comigo e, de repente, aparece exigindo que eu almoçasse com ele?
- Não estou me sentindo bem – eu disse, dessa vez olhando em seus olhos. Me arrependi quase que imediatamente – eu prefiro almoçar no quarto, como tenho feito por todos esses dias.
- Não deve questionar minhas ordens, Emma – a voz arrogante e o olhar gélido me alcançaram – vista-se com uma roupa apresentável, meus avós estão vindo para conhecê-la.
E congelei e não consegui reagir àquela revelação. Na mesma velocidade em que Gregory entrou no meu quarto, ele saiu. Fiquei apenas com o aroma do perfume dele impregnado em minhas narinas, enquanto Samantha me segurava pelo braço, me arrastando para que eu me vestisse imediatamente.
Eu estava apavorada. Não fazia ideia do tipo de pessoas que eu enfrentaria naquele dia. Se os avós de Gregory fossem tão arrogantes e cruéis como ele, eu estaria perdida. Bufei baixinho enquanto Samantha colocava diante de mim um vestido casual, branco, para que eu pudesse vestir. Não questionei sua escolha, embora depois me considerasse um pouco mais velha vestindo aquela roupa.
- Você está ótima, Emma – ela alargou o sorriso. Parecia a única animada ali.
- Como pode dizer isso? – eu me sentei sobre a cama, sentindo como se meu corpo desmoronasse – não sabe como estou me sentindo por dentro. Estou com medo, Samantha. Me jogaram dentro dessa casa, selaram o meu destino sem que eu pudesse ao menos conhecer as pessoas com quem estou lidando."
- Você vai gostar de conhecê-los, Emma – Samantha colocou ambas as mãos sobre os meus ombros e os sacudiu como se quisesse injetar em mim um pouco de ânimo, – eles não são cruéis como você julga ser o senhor Gregory.
Olhei para ela com um enorme desespero e coloquei minhas duas mãos sobre o rosto, me lamentando.
Se minha amada mãe não tivesse partido tão nova, certamente eu não estaria vivendo essa situação. Eu chorava todas as noites com saudades dela, triste pela maneira trágica como ela morreu. Por outro lado, sentia um alívio, a morte da minha mãe trouxe sobre mim a liberdade de viver longe de Masson.
Havia coisa pior do que viver com o Masson?
Eu esperava que a resposta fosse não.
Vi Samantha sair do quarto e voltar em seguida, com os olhos arregalados. Segurou pela minha mão, me erguendo.
- Vamos, Emma, os avós de Gregory já chegaram.
Ela virou o meu rosto, certificando-se de que a maquiagem havia coberto todos os hematomas e, quando finalmente percebeu que eu estava pronta, me arrastou para fora. Só assim para que eu pudesse sair daquele quarto, arrastada.
Samantha me fez apressar o passo, que quase tropecei naqueles saltos enquanto descia as escadas. Forcei um sorriso educado quando parei em frente aos dois senhores. A mulher tinha os cabelos brancos e um sorriso simpático no rosto, mas o homem ao seu lado olhou para o seu relógio caro e bufou.
- Tenho uma teleconferência com o escritório de Londres em uma hora – eu olhava para o bigode que se mexia junto aos seus lábios e mal o percebi erguer o olhar e me analisar minunciosamente.
- Não sei porque o senhor ainda insiste em trabalhar – disse Gregory, mas a carranca perpétua do homem parado à minha frente permanecia. Era como se ele fosse desnudar minha alma, – já posso assumir os negócios, fiz o que o senhor tanto almejou. Consegui uma esposa.
Quando desviei o olhar, vi um sorriso radiante nos lábios de Gregory. Ele se aproximou e, em um impulso inesperado, agarrou minha mão entrelaçando nossos dedos, fingindo como era feliz ao meu lado.
Foi o calor do toque dele que me deixou atordoada.
- Onde você encontrou essa mulher? – Fui obrigada a tirar meus olhos de Gregory e olhar para o velho parado à minha frente. Ele me desdenhava com o seu olhar subjugador – ela não é uma prostituta que você alugou para fingir ser sua esposa, não é Gregory.
Meus lábios se entreabriram em uma surpresa infernal. Aquele velho estava me chamando de prostituta.
- Ela parece uma prostituta que está doente – eu nunca havia sido tão ofendida em toda minha vida, – ela está magra, pálida e tem hematomas no rosto. Diga-me Gregory, você não está me enganando só para assumir os negócios da família.
Eu podia deixar o Gregory se resolver com o avô maldito dele, mas quando o olhei e o vi desesperado, consegui até mesmo sentir compaixão dele. Eu não deveria, mas eu quis ajudá-lo.
- O meu nome é Emma Scott, filha de um velho fazendeiro da região norte. Infelizmente, sou órfã. Meu pai morreu há muitos anos e minha mãe faleceu há quatro dias.
Senti o olhar quente de Gregory sobre mim, como se não acreditasse no que eu estava prestes a fazer.
- Não sou nenhuma prostituta, senhor – forcei um sorriso, embora sentisse uma imensa vontade de ofender aquele velho maldito, – e estou magra e fraca porque Gregory me salvou dos maltrato do meu padrasto. Ele é um verdadeiro herói, casando-se comigo e me dando uma vida digna.
- Então não há amor nesse casamento? – insistiu em suas provocações, – o que prova que estou correto, que meu neto só se casou com você para herdar minha fortuna.
- Está enganado novamente, senhor – alarguei o sorriso e agarrei corajosamente o braço de Gregory com afeto.– Nunca encontrei amor verdadeiro como encontrei em Gregory. Nos amamos.
Gregory pigarreou e eu senti seu corpo tornar-se rígido. Depois que tudo aquilo acabasse, e ele me questionaria e até me castigaria por tamanha ousadia, eu assumi o controle do jogo e decidi tirar vantagem da situação. Gregory não sabia, mas eu o ajudando, ajudaria também a mim.
Mal percebi que o velho ficara alguns minutos analisando a situação, o que havia deixado Gregory impaciente.
- Veremos então se o que diz é verdade, senhorita Scott – ele disse, ajeitando o paletó caro que vestia. – A herança só será dada a Gregory quando vocês me derem um bisneto. É hora de provar todo esse amor.
Um bisneto? Agora, sim, eu estava perdida.