Jonathan olhou para o relógio na parede da sala e suspirou. Eram quase dez da noite e Cátia ainda não tinha chegado em casa. Ele sabia que ela estava trabalhando em um projeto importante, mas isso não diminuía a sua frustração. Ele se sentia abandonado, ignorado e indesejado. E se perguntava se ela ainda o amava, ou se ele era apenas um peso na sua vida.
Em um momento de raiva ele se levantou do sofá e foi até a cozinha. Abriu a geladeira e pegou uma cerveja. Não tinha vontade de comer nada, apenas queria afogar as suas mágoas. Ele voltou para a sala e ligou a televisão. Zapeou por um tempo pelos canais, mas nada lhe interessava. Na verdade, só queria um pouco de companhia, de carinho...
Ele pensou em ligar para ela, mas desistiu. Ela provavelmente não atenderia, ou diria que estava ocupada e que ligaria mais tarde. Já tinha ouvido essa desculpa tantas vezes que tinha perdido a conta. Jonathan estava em uma fase que se sentia como um estranho em seu próprio casamento e com isso vinham as diversas duvidas. Ele se perguntava se Cátia tinha alguém, se ela o estava traindo, mas não tinha provas, nem tinha confiança mais. Aquilo havia se perdido em algum lugar do caminho em seus vinte e dois anos de casado.
Enquanto bebia ele se lembrou de como eles eram felizes no início.
Se conheceram na faculdade, se apaixonaram rápido e se casaram. Eles tinham planos, sonhos e projetos. No começo, queriam viajar pelo mundo, ter filhos. Sonhavam em envelhecer juntos, mas algo mudou ao longo dos anos.
Cátia se tornou uma advogada bem-sucedida, ele um médico importante. Ambos se dedicavam cada vez mais aos seus trabalhos, porém, ele sempre tentou não perder a chama da paixão que nasceu na faculdade. Até que percebeu que era o único a fazer isso e ele se sentiu cada vez mais sozinho.
Eles se distanciaram.
O som foi ligado na casa da piscina e Jonathan olhou pela janela vendo que os amigos de Fernando estavam chegando para sua festa. Seu filho estava comemorando seus dezenove anos e tinha optado por aproveitar a noite enchendo a cara de gin de melancia com os amigos enquanto fumavam narguilé. Jonathan, relutou contra aquilo, mas acabou por ceder aos pedidos do filho.
Jonathan sentiu uma pontada de culpa por não estar presente na festa do seu filho. Sabia que Fernando queria que ele fosse, mas ele não tinha ânimo para isso. Não se sentia parte daquela vida do filho.
Ele olhou para o seu celular e viu que Cátia ainda não tinha ligado. Pensou se ela se lembrava que era o aniversário do seu filho e se ela se importava com isso.
Jonathan sentiu uma onda de raiva e de tristeza invadir o seu peito. Ele jogou o seu celular no sofá e pegou outra cerveja. Ele bebeu de um gole só e sentiu o álcool queimar a sua garganta. Ele queria esquecer o descaso de Cátia.
Ele não aguentava mais ficar sozinho na sala. Caminhou até o banheiro e se olhou no espelho. Seus cabelos estavam encharcados de gel e penteados para trás. Ele ainda usava o terno que tinha vestido para o trabalho, mas resolveu tirar o paletó e a gravata. Tentou dar um ar mais casual ao seu visual, apesar dos seus 43 anos, e soltou um suspiro.
Ele se animou e caminhou em direção à casa da piscina. Seus passos eram firmes e confiantes, e ele logo se misturou à multidão de jovens que lotavam a casa. Uma música agitada ecoava pelo ambiente, com uma letra que falava de subir pelas paredes do quarto.
Algumas garotas dançavam como a mulher loira do telão e Jonathan riu ao lembrar das festas que ia na sua época de faculdade.
- Pai! - Ele ouviu o grito de Beatriz e virou-se para ver a sua filha. Ela segurava um copo enorme de gin na mão e sorria para ele. Ele sentiu uma mistura de orgulho e preocupação ao olhar para ela.
Beatriz era uma jovem de vinte anos que tinha herdado a beleza da mãe. Mas, ao contrário dela, gostava de se vestir com roupas ousadas e modernas, que sua mãe nunca aprovaria.
Naquele dia ela usava uma saia extremamente curta, que deixava as suas pernas bronzeadas à mostra. Ela combinou a saia com uma blusa branca de alcinhas, que realçava o seu busto. Ela completou o look com um par de sandálias de salto alto e uma bolsa de franjas. Como ela tinha costume de dizer: Estava pronta para arrasar na festa do seu irmão.
Jonathan caminhou até a filha, que sorria para a moça ali perto. A moça exibia longos e lisos cabelos negros, que faziam um belo contraste com a sua pele oliva. Os seus braços eram cobertos por tatuagens variadas, e uma delas se destacava no centro do seu peito. Os seus olhos verdes brilhavam com intensidade, atraindo todos os olhares.
Ela usava roupas pretas bem coladas, que realçavam as suas curvas e a sua atitude. Parecia não ter medo de mostrar o seu corpo, nem de expressar a sua personalidade. Ela era uma mulher independente, confiante e desafiadora.
A garota caminhou pela festa para se aproximar de Beatriz com um sorriso provocante nos lábios, chamando a atenção de todos por onde passava. Ela sabia que era bonita, que era desejada e que era admirada. Ela gostava de se sentir assim, de se sentir poderosa, de se sentir especial.
Jonathan parou perto da filha assim como a garota misteriosa e Beatriz abraçou seu pai com carinho.
- Fico feliz que você tenha vindo! Achei que ia ficar sozinho lá dentro. - Seu pai sorriu timidamente e a moça tomou o copo de gin da mão de Beatriz para experimentar a bebida. - Ah! Pai, essa é a Verônica. Ela é uma gênia.
- Que isso, imagina. Sou nada.
- É verdade! - Fernando passou o braço pelo pescoço de Verônica. - A nossa professora de matemática nos fez ler a tese dela esse ano. É uma coisa incrível.
- Pelo menos um dos jovens aqui tem algum talento. Já esses dois... - Jonathan disse em tom de brincadeira e seus dois filhos o encararam com espanto, mas Verônica captou a ironia e logo soltou uma gargalhada com o comentário do homem levando os demais a rirem também.
A festa durou até às três da manhã e Jonathan se esforçou para curtir com seus filhos, mas seus olhos não desviavam da garota tatuada. Seus filhos estavam certos, Verônica era uma jovem muito inteligente, pois muitas pessoas ali a reconheciam e elogiavam os trabalhos que ela já tinha feito para a faculdade. Isso despertou a curiosidade de Jonathan sobre ela e o fato das suas curvas se mexerem no ritmo das músicas, o deixavam um pouco atordoado.
Ele decidiu se aproximar dela e puxar assunto, mas não sabia bem o que dizer. Não queria ser inconveniente, mas queria saber mais sobre ela e nem ele mesmo entendi a razão de querer aquilo.
Verônica percebeu o seu olhar e sorriu, mostrando seus dentes brancos e seus piercings na boca. Ela dançava um funk proibidão com uma amiga e ambas estavam quase chegando até o chão, mas logo deixou-a na pista improvisada para se aproximar da única pessoa madura naquele lugar.
- Hey, paizão! - Ela disse abrindo seu melhor sorriso. Por mais que parecesse uma garota antipática, ela era muito diferente daquilo que seus olhos demonstravam. - Não está se dividindo muito. Algum problema?
- Acho que estou triste porque Cátia nem se deu ao trabalho de ficar em casa hoje para participar da festa. Era para ser um dia especial para Fernando.
- Mas ela está ocupada, certo? - Perguntou a garota e eu assenti. - Fê disse que ela está em uma viagem importante com um cliente, embora ele quisesse a presença dela, entende os imprevistos. Então fique tranquilo, ele está bem.
- Eu sei, eu sei. Mas é que eu sinto falta dela, sabe? Nós estamos casados há vinte e dois anos, e eu ainda a amo como no primeiro dia. Mas ela parece tão distante ultimamente, tão fria. Eu não sei o que fazer para reconquistá-la. - Jonathan desabafou, sentindo um nó na garganta. Ele não costumava se abrir assim com estranhos, mas Verônica tinha algo que o fazia se sentir à vontade, como se fosse uma amiga de longa data.
- Ei, calma. Não fica assim. Você é um paizão incrível, e tenho certeza que ela te ama também. Talvez ela só esteja passando por uma fase difícil, ou estressada com o trabalho. Você já tentou conversar com ela, perguntar o que está acontecendo? - Verônica disse, colocando a mão nos ombros dele, tentando consolá-lo. Ela sentiu uma pontada de pena por ele, e também de admiração por estar querendo reconquistar a esposa. Homens assim não se acham por aí.
Ele era tão sincero e sensível. Bem diferente dos caras que ela costumava sair. Ela se perguntou como alguém como ele podia ser infeliz no amor.
- Eu já tentei, mas ela sempre diz que está tudo bem, que é só cansaço ou que não é nada. Mas eu sei que é mentira, eu sinto que ela está me escondendo algo e tenho medo de perdê-la. Acredita que já até pensei que talvez ela esteja me traindo? Se ela me pedir o divórcio, não sei se eu aguentaria muito. Ela é a minha vida. - Jonathan disse, com os olhos marejados. Talvez o álcool já tivesse subido para sua cabeça, mas desabafou o que realmente sentia. Um homem impotente, frustrado e angustiado.
- Olha, eu não sei o que está acontecendo entre vocês, mas eu sei que você não pode desistir assim. Você tem que lutar pelo seu casamento e pelo seu amor. Sei lá, mostre para ela o quanto você a ama ainda, o quanto você a valoriza e que deseja muito ela. Talvez se ela se sentir especial como sentia no começo, perceba que ainda ama muito você. Porque tenho certeza que ela ama. - Verônica o consolou, olhando nos seus olhos, com uma voz firme e doce.
Por um instante a garota sentiu uma onda de calor percorrer o seu corpo, e também de culpa. Ela realmente estava se sentindo atraída por um homem que se sentia largado pela mulher, e isso era errado. Ele era casado, ele era pai e pior que ele era o pai dos seus amigos. Ela não podia pensar em qualquer coisa com ele, nem com eles, nem com ela mesma. Tinha que se afastar, antes que fosse tarde demais.
- Você acha que isso é possível? Você acha que eu ainda tenho chance? - Jonathan perguntou, esperançoso, olhando nos seus olhos, com uma expressão de gratidão e devoção.
Assim como Verônica, ele sentiu uma faísca de esperança no seu peito, e também de desejo. Ela era tão linda, tão doce, tão sábia... Parecia que era a única que o entendia depois de tantos anos.
- Eu acho que sim, mas você tem que tentar. Seja sincero, honesto e principalmente gentil. Vai dar tudo certo.
- Não acredito que estou ouvindo conselhos de uma criança. - Ele disse, em tom de brincadeira, e Verônica gargalhou.
- Aí! Essa criança aqui já deve ter dormido com metade dessa festa. Tenho mais experiência do que você, paizão.
Os olhos de Jonathan se arregalaram de surpresa, ele não pôde evitar as inúmeras dúvidas que brotaram em sua mente naquele momento se perguntando de onde aquela garota tinha saido, mas para sua infelicidade uma turma de jovens arrastou Verônica para a pista quando a festa inteira vibrou com o nome de uma diva pop que ela adorava.
- Vai que é tua gata! - Beatriz gritou em alguma parte da festa e Jonathan julgou que Verônica era muito fã de Dua Lipa.
Dois garotos a levantaram até o balcão que eles montaram no centro da sala para simular um bar e Verônica começou a entoar a canção junto aos alto-falantes. Ela tinha uma voz potente e afinada, e cantava com emoção. Logo, a festa toda estava cantando com ela no ritmo de Break My Heart. Ela dançava e pulava no balcão, sem se importar com os olhares que recebia.
Estava se divertindo, e contagiava a todos com a sua alegria.
Jonathan teve que acordar cedo na manhã seguinte, mesmo tendo dormido pouco. Ele tinha que estar no hospital às 8:30, para iniciar seu trabalho. Mas ele também não conseguia tirar Verônica da cabeça. Ele lembrava da conversa que tiveram, do sorriso e da voz dela. Uma confusão o tomou durante muitas horas por pensar em tudo aquilo, além de fazê-lo se sentir culpado. Ele amava a sua esposa, mas também tinha curiosidade em conhecer mais da tatuada.
Ele tentou esquecer isso, fingiu que era só uma curiosidade normal por Verônica ser tão desinibida, pois pessoas assim atraíam olhares. Qualquer um naquela festa que não a conhecia devia ter sentido algo semelhante e era só isso.
Esse pensamento o aliviou um pouco e sua atenção se voltou para a ausência de Cátia. Ela tinha avisado aos filhos que tinha uma viagem urgente, mas não tinha dado satisfação ao marido. Jonathan suspirou, eles teriam uma discussão séria quando ela voltasse e ele sabia que isso acabaria em uma tempestade entre eles.
Ele já tinha acordado de mau humor, mas ele se esforçou para disfarçar isso diante dos seus clientes.
Jonathan chegou ao hospital às 8:15, e foi direto para o seu consultório. Seu trabalho era um dos mais importantes daquele prédio, pois ele era um renomado especialista em cardiologia. Tinha uma agenda cheia, e muitos pacientes para atender. Jonathan gostava do seu trabalho, e se sentia realizado em ajudar as pessoas, mas ele também se sentia cansado e sobrecarregado. Eram muitas responsabilidades estar onde ele estava e havia poucas diversões. Sua rotina se tornou monótona ao passar dos anos, com poucas surpresas. Assim como sua vida se tornara estável, mas pouco emocionante.
Naquele dia, ele atendeu o seu primeiro paciente, um senhor de 73 anos, que sofria de hipertensão. O examinou, e lhe receitou alguns medicamentos. O aconselhando a fazer exercícios, e a controlar o estresse. Logo o dispensou para chamar o próximo paciente.
Em sequência recebeu uma senhora de 65 anos, com problema cardíaco. Ele a examinou, e lhe indicou uma cirurgia, mas a tranquilizou dizendo que tudo ia dar certo. Deu-lhe o encaminhamento para o cirurgião, e chamou o próximo paciente.
Dessa vez, Jonathan recebeu um rapaz de 23 anos, que tinha um sopro no coração. Ele o examinou, e lhe acalmou dizendo que não era grave. Orientou o rapaz a seguir uma dieta balanceada e algumas atividades rotineiras, assim ele podia levar uma vida normal. Logo o liberou, e chamou o próximo paciente.
Jonathan continuou assim, atendendo um paciente atrás do outro, sem parar. Estava concentrado, e mantinha o profissionalismo constante. Sempre atento, e cuidadoso.
No intervalo do almoço, ele olhou as mensagens no seu celular e encontrou um texto longo da sua esposa dizendo que ele não tinha que ligar tanto, pois ela estava ocupada e logo falaria com ele. Jonathan suspirou, farto de ouvir as mesmas desculpas.
Ele viu a próxima mensagem do seu filho, que estava em pânico, pois tinha digitado em letras maiúsculas.
"PAI! PELO AMOR DE DEUS! PEGA O CELULAR DA VERÔNICA NO QUARTO DA BIA? A GENTE NÃO VAI TER TEMPO DE PASSAR EM CASA ANTES DA FACULDADE E ELA PRECISA DO CELULAR PARA TRABALHAR."
"Filho, não precisa escrever em caps lock. Eu pego, tá?"
Jonathan respondeu ao filho e pegou suas coisas para sair dali e ir para o seu carro.
Em quinze minutos ele chegou em casa e foi direto para o quarto da filha. Ao abrir a porta, se deparou com uma bagunça. Havia roupas espalhadas pelo chão, livros jogados na cama, maquiagens abertas na penteadeira. Jonathan revirou os olhos ao lembrar que era uma guerra constante fazer Bia limpar aquele lugar, seria difícil encontrar qualquer coisa ali, mas, mesmo assim, procurou pelo celular de Verônica.
Ele o encontrou em cima da mesa de cabeceira, ao lado de uma foto da tatuada com os seus filhos. Todos pareciam felizes no dia.
Jonathan desviou sua atenção, pegou o celular e o guardou no bolso. Ele saiu do quarto, e fechou a porta jurando que jamais entraria ali de novo.
Desceu as escadas, e foi para a cozinha. Ele abriu a geladeira, pegou uma garrafa de água. Por fim voltou para seu carro e ligou o motor.
Seus filhos tinham emprego na escola perto do hospital. Bia e Fernando atuavam como assistentes na secretaria e Jonathan acabara de saber que Verônica era colega de trabalho deles.
Ele parou o carro na entrada da secretaria e avistou a garota tatuada batendo papo com duas mulheres na escadaria. Ela vestia uma calça bailarina que realçava suas curvas e uma cropped rosa lisa, estava sem os piercings que usava na noite anterior, provavelmente por exigência da escola. Seus cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo volumoso que dava um ar descontraído ao seu visual. Mas ela contrastou toda a elegância do look com seus tênis all star.
As duas mulheres se despediram da garota com um abraço e seguiram em direção a Jonathan para irem embora, fazendo Verônica fixar o olhar no homem alto que estava no topo das escadas.
- E aí, paizão! - Ela o cumprimentou e Jonathan esboçou um sorriso tímido descendo as escadas para encontrar a garota.
- Fernando me pediu para te entregar o seu celular - ele disse, se aproximando e tirando o telefone do bolso para dar à garota.
- Muito obrigada! Você é um anjo! - Ela pegou o aparelho e o abraçou, depois deu um beijo no celular. Seu batom rosa deixou uma marca na tela. - Eu saí correndo da casa de vocês e esqueci esse tesouro aqui. O passeio das crianças ia ser um desastre sem ele. Porque só eu tenho os contatos dos ônibus e tudo mais.
- Você é a responsável pelos passeios esse ano? - Jonathan perguntou, lembrando que Bia tinha se estressado com essa tarefa no ano passado.
- Na verdade, eu faço de tudo um pouco até a biblioteca ficar pronta.
- Interessante - ele sorriu, mas Verônica estava distraída demais lendo as mensagens perdidas no seu celular para perceber. - E como vão os preparativos para o passeio?
Ele perguntou, tentando puxar assunto. Aquela vontade de saber mais sobre ela o consumiu novamente.
- Hã? Ah, tudo bem, nenhum cancelamento pelo menos- ela respondeu, sem tirar os olhos do celular.
Um nervosismo a tomou naquele instante quando seus olhos leram a mensagem do seu ex-namorado querendo conversar com ela.
Tinham terminado há dois meses, e aparentemente ele ainda não tinha superado. Embora Verônica ainda gostasse dele, não o queria mais em sua vida.
- Que bom - Jonathan entrou em sua cabeça tirando-a daquela tensão.
O médico percebeu que ela não estava ligada no assunto deles e que seus olhos tinham tomado um ar de angústia.
- Bom, eu tenho que ir - Verônica respirou fundo, guardando o celular na bolsa. - Muito trabalho para fazer. Obrigada mesmo paizão. Você é meu herói.
Ela se ergueu na ponta dos pés e selou um beijo na bochecha do homem que ficou totalmente extasiado. Verônica adentrou a escola e Jonathan disparou para o seu carro, só recuperando o fôlego quando se fechou lá dentro.