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Vingança Fria: O Preço da Traição

Vingança Fria: O Preço da Traição

Autor:: Xia Qingnuan
Gênero: Moderno
Minha vida desmoronava, fracasso após fracasso, e meu projeto de número noventa e nove era mais um prego no caixão dos meus sonhos. Cinco anos após perder meus pais e a empresa da família em um acidente trágico, apenas Mariana, minha esposa, parecia ser a âncora que me mantinha à tona. Sua voz, um veludo macio, sempre me acalmava após cada decepção de trabalho. Até que, voltando para casa, ouvi um sussurro de seu escritório que congelou meu sangue. "Sim, Lucas, o projeto afundou, como planejamos." Lucas Martins, o "amor de infância" dela, um nome que nunca deveria estar ligado à minha esposa daquela forma. Ela riu, uma risada que nunca imaginei ouvir dela: "Ele ainda acha que eu sou a santinha que o salvou." Minha traição não era apenas com outro homem; era uma manipulação que transformava meu amor em piada e minha dor em sua ferramenta. A mulher que eu amava, a quem eu devia minha sobrevivência, estava, na verdade, me afogando lentamente. Eu não era seu salvo, mas sim sua escada, seu degrau, uma fonte inesgotável de ideias para o sucesso dele. O sorriso, a rosa vermelha em meu prato, tudo não passava de uma farsa para me manter produzindo material para eles. Naquela noite, no escuro do nosso quarto, enquanto ela sussurrava promessas para outro homem, João Carlos, o ingênuo, morreu. E um novo João Carlos, consumido por uma raiva fria e cortante, renasceu. A vingança não era uma opção, mas a única saída. Eu ia expor cada mentira, cada fraude. O jogo tinha mudado. E agora, era eu quem daria as cartas.

Introdução

Minha vida desmoronava, fracasso após fracasso, e meu projeto de número noventa e nove era mais um prego no caixão dos meus sonhos.

Cinco anos após perder meus pais e a empresa da família em um acidente trágico, apenas Mariana, minha esposa, parecia ser a âncora que me mantinha à tona.

Sua voz, um veludo macio, sempre me acalmava após cada decepção de trabalho.

Até que, voltando para casa, ouvi um sussurro de seu escritório que congelou meu sangue.

"Sim, Lucas, o projeto afundou, como planejamos."

Lucas Martins, o "amor de infância" dela, um nome que nunca deveria estar ligado à minha esposa daquela forma.

Ela riu, uma risada que nunca imaginei ouvir dela: "Ele ainda acha que eu sou a santinha que o salvou."

Minha traição não era apenas com outro homem; era uma manipulação que transformava meu amor em piada e minha dor em sua ferramenta.

A mulher que eu amava, a quem eu devia minha sobrevivência, estava, na verdade, me afogando lentamente.

Eu não era seu salvo, mas sim sua escada, seu degrau, uma fonte inesgotável de ideias para o sucesso dele.

O sorriso, a rosa vermelha em meu prato, tudo não passava de uma farsa para me manter produzindo material para eles.

Naquela noite, no escuro do nosso quarto, enquanto ela sussurrava promessas para outro homem, João Carlos, o ingênuo, morreu.

E um novo João Carlos, consumido por uma raiva fria e cortante, renasceu.

A vingança não era uma opção, mas a única saída.

Eu ia expor cada mentira, cada fraude.

O jogo tinha mudado.

E agora, era eu quem daria as cartas.

Capítulo 1

A fumaça do cigarro subia em espirais lentas, misturando-se com o ar pesado do pequeno escritório alugado, um dos muitos que eu já tinha ocupado nos últimos cinco anos, cada um marcando o túmulo de mais um sonho fracassado.

Era o meu projeto de número noventa e nove.

Uma plataforma de logística para pequenos produtores rurais, algo que meu pai, se estivesse vivo, teria adorado. Mas, assim como os outros noventa e oito, este também estava morto antes de nascer, o investidor tinha acabado de ligar, cancelando a reunião final.

Meus pais. Fazia cinco anos que o carro deles derrapou naquela estrada chuvosa perto de Petrópolis, levando-os para sempre e jogando a empresa da família, e a minha vida, num abismo.

O telefone tocou, era Mariana, minha esposa.

"Querido, como foi a reunião?"

Sua voz era sempre um veludo, macia e preocupada, o porto seguro que me restou depois da tempestade.

"Ele cancelou, Mari."

"Ah, meu amor, não fica assim", ela disse, com um tom de consolo que eu conhecia tão bem, "Você sabe que essas coisas acontecem, o mercado é difícil, mas você é brilhante, João, uma hora vai dar certo."

"Eu sei", murmurei, apagando o cigarro no cinzeiro transbordando.

"Olha, não pense mais nisso, fiz seu prato preferido para o jantar, vem pra casa, estou te esperando com uma surpresa."

"Ok, estou a caminho."

Desliguei e fitei a parede descascada, as memórias daquele período sombrio voltaram com força.

Depois do acidente, o mundo virou as costas para mim. Parentes que antes me adulavam, agora desviavam o olhar, amigos de longa data pararam de atender minhas ligações, todos com medo de que eu pedisse dinheiro, de que a minha desgraça fosse contagiosa.

Eu estava completamente sozinho, um jovem de vinte e poucos anos organizando o funeral dos pais e encarando a falência.

Foi quando Mariana apareceu.

Ela, vinda de uma família tradicional e influente do Rio, tomou a frente de tudo, cuidou do funeral com uma eficiência fria, me abraçou quando eu desabei no cemitério e, no meio daquele caos, insistiu que mantivéssemos a data do nosso casamento.

"É agora que você mais precisa de mim, João", ela disse, segurando meu rosto entre as mãos, "Vamos passar por isso juntos."

Ela foi minha salvação, a âncora que me impediu de afundar.

Casei-me com ela sentindo uma gratidão imensa, um amor que se misturava com a dívida de tê-la ao meu lado quando todos me abandonaram.

Dirigi de volta para nosso apartamento luxuoso na Zona Sul, um presente do pai dela, sentindo o peso do fracasso número noventa e nove nas costas.

Ao chegar, a mesa estava posta, o cheiro de moqueca no ar, e sobre o meu prato, uma única rosa vermelha, um ritual que ela repetia a cada novo projeto meu, um símbolo de seu apoio inabalável.

"Gostou?", ela perguntou, me abraçando por trás.

"Sempre", respondi, forçando um sorriso.

Comemos, ela falou sobre seu dia na galeria de arte da família, sobre os planos para o fim de semana, sempre me tratando com um carinho que me fazia sentir culpado pela minha própria incompetência.

Depois do jantar, ela disse que precisava fazer uma ligação importante de trabalho e foi para o escritório dela, fechando a porta. Eu fui para o nosso quarto, o cansaço do dia me esmagando.

Deitei na cama e fechei os olhos, mas o sono não vinha.

Lembrei da surpresa que ela mencionou no telefone, ela não tinha falado nada durante o jantar, talvez tivesse esquecido.

Levantei-me, pensando em pegar um copo d'água. Ao passar pela porta do escritório dela, ouvi sua voz, um pouco mais alta que o normal.

"Sim, Lucas, o projeto afundou, como planejamos."

Parei, meu corpo inteiro gelou, a mão a meio caminho da maçaneta da cozinha.

Lucas? Lucas Martins? O "amor de infância" dela, um cara que se tornou um gênio da tecnologia em São Paulo?

"Não, ele não desconfia de nada, coitadinho", a voz de Mariana tinha um tom que eu nunca tinha ouvido antes, uma mistura de desprezo e diversão, "Ele ainda acha que eu sou a santinha que o salvou."

Meu coração começou a bater descontroladamente, um tambor surdo no meu peito.

"O projeto de logística era bom, admito, as ideias dele são sempre interessantes, mas a sua plataforma já está quase pronta para ser lançada, né? Com as melhorias que eu sugeri, baseadas no que o João me mostrou, vai ser um sucesso."

Um silêncio.

Eu me encostei na parede, o ar me faltando, o mundo girando.

"Claro que eu o amo, Lucas, do meu jeito", ela continuou, a voz agora mais suave, quase um sussurro. "Ele é minha escada, meu degrau. Com ele, consigo acesso a ideias que valem ouro, e com você, eu tenho o futuro que sempre sonhei. Só mais um pouco de paciência, meu amor."

Escada. Degrau.

As palavras ecoaram na minha cabeça, quebrando cinco anos de casamento, noventa e nove fracassos, e uma vida inteira de confiança em pedaços.

"A rosa? Ah, isso", ela riu, uma risada curta e cruel, "É para ele se sentir amado, para continuar tentando, para continuar me dando material. O bobo fica todo feliz."

A rosa vermelha na mesa da sala de jantar. Não era um símbolo de amor. Era a marca do meu matadouro.

Afastei-me da porta, caminhando de volta para o quarto como um autômato.

Sentei-me na beira da cama, no escuro, o som do meu sangue pulsando nos ouvidos.

A mulher que me salvou, na verdade, estava me afogando lentamente.

A mulher que eu amava, me usava.

A traição não era apenas com outro homem. Era uma traição de alma, de vida, uma manipulação que transformava meu amor em uma piada e minha dor em sua ferramenta.

A tristeza inicial deu lugar a uma raiva fria, cortante.

Eu não era um degrau. Eu não era um bobo.

Naquela noite, no escuro do nosso quarto, enquanto ela sussurrava promessas para outro homem, eu decidi.

A vingança não era uma opção, era a única saída.

Eu ia expor cada mentira, cada fraude.

Eu ia pegar de volta a minha dignidade, nem que fosse a última coisa que eu fizesse.

O jogo tinha mudado. E agora, era eu quem daria as cartas.

Capítulo 2

A voz de Lucas soava do outro lado da linha, metálica e arrogante, vinda do viva-voz do celular de Mariana.

"Você tem certeza que ele não percebeu nada? Noventa e nove vezes, Mariana. Uma hora o idiota pode acordar."

Eu estava do lado de fora da porta do escritório, parado, ouvindo a conspiração que definia minha vida.

"Relaxa, Lucas", respondeu Mariana, com uma calma que me revirava o estômago, "João Carlos confia em mim de olhos fechados, ele me vê como uma heroína, a mulher que o tirou do fundo do poço, ele nunca duvidaria de mim."

"E o projeto dele? Aquele de logística, você pegou tudo que precisava?"

"Tudo e mais um pouco, as planilhas, o plano de negócios, a apresentação para investidores, já te mandei tudo por e-mail, como sempre."

"Ótimo", disse Lucas, satisfeito, "Minha equipe vai 'se inspirar' bastante nisso. O lançamento da nossa plataforma vai ser em breve e vai esmagar qualquer concorrência."

"Nossa plataforma", Mariana repetiu, a voz carregada de um anseio patético.

"É, nossa", ele concedeu, sem muita convicção.

Depois que ela desligou, ouvi o barulho de outra chamada sendo iniciada.

"Isa? Oi, amiga."

Era Isabela, sua melhor amiga, a única do círculo dela que sempre me tratou com um respeito genuíno.

"Mari, você não acha que está indo longe demais?" A voz de Isabela era cautelosa, cheia de preocupação. "Cinco anos. Você está destruindo o João."

"Eu não estou destruindo ninguém, estou construindo meu futuro", Mariana retrucou, a voz endurecendo.

"Às custas dele? Mariana, isso é cruel, ele te ama, ele te venera."

"Amor não paga as contas, Isabela, e a veneração dele é útil, ele é um gênio para ter ideias, mas um fracasso para executá-las, eu só estou... redirecionando o talento dele para quem sabe o que fazer: o Lucas."

"O Lucas não te ama, Mari, ele te usa, assim como você usa o João", disse Isabela, a voz firme. "Ele nunca deixou a noiva dele em São Paulo por você, e nunca vai deixar, você é só um peão nesse jogo dele."

"Você não entende o que a gente tem, é uma conexão de infância, é mais forte que tudo", Mariana disse, a voz quase fanática, "E ele vai deixar a noiva, ele me prometeu, assim que a empresa dele se tornar a maior do Brasil, com a minha ajuda."

"E se o João descobrir?"

"Ele não vai", Mariana afirmou com uma certeza assustadora, "Ele está quebrado demais, dependente demais de mim, ele não tem para onde ir, nem para quem correr, eu sou tudo que ele tem."

Aquelas palavras me atingiram como um soco.

Ela estava certa. Eu não tinha ninguém. Eles me tiraram tudo e depois me ofereceram uma gaiola dourada, e eu entrei de bom grado.

A lembrança do funeral dos meus pais veio à minha mente. Mariana, impecável em seu vestido preto, segurando minha mão, sussurrando palavras de conforto enquanto lidava com a funerária, os advogados, os credores.

Não foi um ato de amor. Foi o primeiro passo de um investimento. Ela não estava me salvando, estava adquirindo um ativo.

A porta do escritório se abriu e eu me endireitei, limpando qualquer traço de emoção do meu rosto.

Mariana saiu, sorrindo para mim.

"Ah, você está aí, meu amor", ela disse, vindo me abraçar.

Meu corpo enrijeceu por um instante antes que eu me forçasse a relaxar. Abracei-a de volta, o cheiro do perfume dela, que antes me confortava, agora me sufocava.

"Estava te esperando", menti, a voz saindo mais estável do que eu esperava.

"Não fica chateado pelo projeto, tá?", ela disse, olhando nos meus olhos, procurando qualquer sinal de desconfiança. "Eu tenho tanto orgulho de você, da sua resiliência."

Resiliência. Era assim que ela chamava minha estupidez.

"Eu sei", respondi, dando um beijo em sua testa, um gesto que me custou cada fibra do meu ser. "Obrigado por sempre acreditar em mim."

O sorriso dela se alargou, satisfeita com a minha resposta. Ela tinha me testado e, na sua mente, eu tinha passado.

"Vem pra cama", ela disse, pegando minha mão e me puxando em direção ao quarto, "Deixa eu te fazer esquecer esse dia ruim."

O toque dela na minha pele era repulsivo, cada carícia uma mentira.

Quando chegamos ao quarto, ela começou a desabotoar a camisa.

"Mari, espera", eu disse, me afastando suavemente.

Ela parou, confusa.

"O que foi?"

Eu precisava de uma desculpa, qualquer coisa para evitar o contato físico com ela.

"Minha cabeça está explodindo, acho que a frustração do dia bateu agora", menti, passando a mão na testa. "Eu só preciso de um banho e cama, desculpa."

A decepção passou rapidamente pelo rosto dela, mas ela a disfarçou com um sorriso compreensivo.

"Claro, meu amor, sem problemas", ela disse, "Vou pegar um analgésico pra você."

"Não precisa, um banho resolve."

Fui para o banheiro e tranquei a porta, me apoiei na pia, olhando meu reflexo no espelho. O rosto que me encarava era o de um tolo, de um homem enganado.

Mas havia algo novo ali, uma dureza no olhar, uma determinação fria.

O João Carlos ingênuo e grato tinha morrido esta noite, junto com seu projeto de número noventa e nove.

O que restou foi um homem com um único propósito.

Eles achavam que eu estava quebrado.

Mal sabiam eles que eu estava prestes a quebrar tudo ao redor deles.

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