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Vingança Servida Fria

Vingança Servida Fria

Autor:: Poppy
Gênero: Moderno
Minha vida era um conto de fadas, ou assim eu pensava, casada com Miguel, um arquiteto renomado que prometeu me dar tudo, inclusive uma família. Mas o destino parecia nos roubar a felicidade, com dois partos de alto risco resultando em berços vazios e corações partidos. Exausta e quebrada, descobri que estava grávida pela terceira vez - um "milagre" , segundo Miguel, mas para mim, o início de um pesadelo ainda maior. Naquela noite, uma conversa que ouvi me jogou no abismo: Miguel, com a frieza de um estranho, falava sobre um "plano" com sua amiga Clara e meu médico, Dr. Pedro. Meus filhos não morreram; eles foram roubados para serem entregues a Clara, e eu era apenas uma "incubadora perfeita" , ingênua demais para não acreditar em suas mentiras. A dor dessa traição era mil vezes pior que qualquer parto, transformando a Sofia ingênua que eu era em uma mulher furiosa e determinada. Eles me subestimaram, pensando que eu continuaria sendo sua marionete. Mas ali, na escuridão do meu quarto, nasceu uma nova Sofia, que prometeu incendiar o mundo deles. Agora, eu precisava jogar o jogo deles, e quando a hora chegasse, a vítima não seria eu. Seria a vingança.

Introdução

Minha vida era um conto de fadas, ou assim eu pensava, casada com Miguel, um arquiteto renomado que prometeu me dar tudo, inclusive uma família.

Mas o destino parecia nos roubar a felicidade, com dois partos de alto risco resultando em berços vazios e corações partidos.

Exausta e quebrada, descobri que estava grávida pela terceira vez - um "milagre" , segundo Miguel, mas para mim, o início de um pesadelo ainda maior.

Naquela noite, uma conversa que ouvi me jogou no abismo: Miguel, com a frieza de um estranho, falava sobre um "plano" com sua amiga Clara e meu médico, Dr. Pedro.

Meus filhos não morreram; eles foram roubados para serem entregues a Clara, e eu era apenas uma "incubadora perfeita" , ingênua demais para não acreditar em suas mentiras.

A dor dessa traição era mil vezes pior que qualquer parto, transformando a Sofia ingênua que eu era em uma mulher furiosa e determinada.

Eles me subestimaram, pensando que eu continuaria sendo sua marionete.

Mas ali, na escuridão do meu quarto, nasceu uma nova Sofia, que prometeu incendiar o mundo deles.

Agora, eu precisava jogar o jogo deles, e quando a hora chegasse, a vítima não seria eu.

Seria a vingança.

Capítulo 1

A dor rasgava meu corpo, uma agonia familiar que me lembrava das duas vezes anteriores. O quarto do hospital era branco, frio e impessoal, um cenário cruel para a perda que eu estava sendo forçada a reviver. Pela janela, via as luzes da cidade brilhando, indiferentes ao meu sofrimento. Cada contração era um lembrete brutal do que eu já tinha passado, da dor de um parto de alto risco seguido pelo silêncio devastador de um berço vazio.

Os médicos e enfermeiras entravam e saíam, seus rostos uma mistura de pena profissional e pressa. Eles falavam em termos técnicos sobre minha condição, sobre os riscos, sobre a necessidade de monitoramento constante. Eu apenas assentia, exausta demais para formular perguntas, para lutar.

Miguel, meu marido, estava ao meu lado, segurando minha mão. Seus olhos, que eu um dia considerei o refúgio mais seguro do mundo, estavam cheios de uma tristeza profunda e convincente.

"Eu estou aqui, meu amor. Vai ficar tudo bem, você vai ver."

Sua voz era suave, um bálsamo que, por um momento, quase me fez acreditar em suas palavras. Ele enxugava o suor da minha testa com um lenço, seus gestos eram de um marido devotado e desesperado. Ele falava sobre nosso futuro, sobre como superaríamos mais essa tragédia juntos, mais fortes do que nunca.

"Nós vamos tentar de novo, Sofia. Teremos nossa família."

A ironia daquelas palavras me atingiria mais tarde com a força de um maremoto. Naquele momento, no entanto, eu me agarrei a elas como uma pessoa se afogando se agarra a um pedaço de madeira. Eu o amava. Eu acreditava nele. Ele era Miguel, o renomado arquiteto, carismático e brilhante, o homem que me prometeu um conto de fadas. E eu, Sofia, uma designer de joias que via beleza em tudo, era ingênua o suficiente para acreditar que nosso amor poderia conquistar qualquer obstáculo, até mesmo a crueldade do destino que nos roubava os filhos no momento do nascimento.

Algumas semanas depois, já em casa e tentando me recuperar física e emocionalmente, a notícia veio como um choque. O médico, durante uma consulta de rotina, confirmou o que eu temia.

"Parabéns, Sofia. Você está grávida de novo."

Meu coração gelou. Outra vez? Passar por todo aquele inferno de novo? O medo me paralisou. Olhei para Miguel, esperando ver o mesmo pavor em seu rosto. Mas, para minha surpresa, um sorriso largo se abriu em seus lábios. Ele me abraçou com força, uma alegria quase febril em sua expressão.

"Isso é um milagre! Uma bênção! Eu sabia, meu amor! Desta vez vai dar tudo certo!"

Sua reação me pareceu estranha, excessiva. Mas eu afastei a dúvida. Era o desespero dele, pensei. Era a esperança se recusando a morrer. Eu me forcei a sorrir, a compartilhar de seu otimismo, mesmo que por dentro eu estivesse tremendo.

Naquela noite, eu não conseguia dormir. A casa estava silenciosa, mas minha mente era um turbilhão de medos. Levantei-me para beber um copo de água e, ao passar pelo escritório de Miguel, ouvi vozes. A porta estava entreaberta. Era ele, falando ao telefone com sua mãe. A curiosidade me fez parar.

"Sim, mãe, ela está grávida de novo. O plano está funcionando perfeitamente."

Meu corpo inteiro se imobilizou. Plano? Que plano?

"Não se preocupe, desta vez tomaremos ainda mais cuidado. Pedro está monitorando tudo. Assim que o bebê nascer, ele será entregue diretamente a Clara. Ninguém vai desconfiar de nada."

Clara. O nome ecoou em minha cabeça como um trovão. Clara, sua amiga de infância, sua "amada", como a família dele sempre se referia a ela. A mulher com quem ele mantinha uma amizade que sempre me incomodou, mas que ele jurava ser puramente platônica.

"A Sofia? Ela vai acreditar na mesma história de sempre. Que o bebê nasceu fraco e não resistiu. Ela é fraca, mãe. Ingênua. Ela acredita em tudo que eu digo."

A voz de Miguel era fria, calculista. Não havia traço do marido amoroso que me consolava há poucas horas. Era a voz de um estranho, de um monstro.

"Clara precisa desse filho para consolidar sua posição, e eu vou dar isso a ela. Sofia é apenas o meio para o fim. Uma incubadora perfeita."

Incubadora.

A palavra me atingiu com violência física. Eu me apoiei na parede para não cair, o ar faltando em meus pulmões. O copo de água escorregou da minha mão e se estilhaçou no chão, mas o barulho foi abafado pelo som do meu mundo se desintegrando.

Meus filhos.

Meus bebês.

Eles não estavam mortos.

Eles foram roubados.

Roubados por ele. Pelo homem que eu amava mais que a própria vida. A dor da traição foi mil vezes pior que a dor de qualquer parto. Era uma dor na alma, uma ferida que eu sabia que nunca cicatrizaria. O amor que eu sentia por Miguel se transformou em cinzas, e no lugar dele, nasceu uma fúria gelada. A mulher ingênua e apaixonada morreu naquele corredor escuro. Em seu lugar, uma outra Sofia começava a despertar.

Capítulo 2

No dia seguinte, a realidade doentia da minha situação começou a se assentar. Eu me sentia presa em um pesadelo do qual não conseguia acordar. Miguel continuava com sua farsa, me tratando com um carinho que agora me causava náuseas. Cada toque, cada palavra de amor, era um veneno. Eu precisava de ajuda, de alguém em quem pudesse confiar. E só havia uma pessoa: Dr. Pedro.

Pedro era meu amigo antes de ser meu médico. Nos conhecemos na faculdade e sempre tivemos uma ligação forte. Foi ele quem me apresentou a Miguel. Agora, a lembrança disso me trazia um gosto amargo à boca. Marquei uma consulta com ele, sob o pretexto de um check-up de rotina.

Em seu consultório, a atmosfera era tensa. Pedro parecia incapaz de me olhar nos olhos. Seu nervosismo era palpável.

"Sofia, eu... eu acho que você deveria reconsiderar essa gravidez", ele disse, com a voz baixa. "Seu corpo passou por muito estresse. Mais um parto de alto risco... pode ser perigoso para você."

Suas palavras eram de preocupação, mas eu senti algo mais nelas. Culpa. Ele sabia. Ele era cúmplice.

"Perigoso como, Pedro? Você acha que eu posso morrer?", perguntei, minha voz fria e direta.

Ele desviou o olhar. "É uma possibilidade. Eu não posso, como seu médico e seu amigo, ignorar os riscos."

"Então você está me aconselhando a interromper a gravidez?", insisti, observando cada reação sua.

"Estou aconselhando você a pensar na sua saúde em primeiro lugar. Talvez... talvez a maternidade não seja para você."

Aquelas palavras, ditas por um amigo, doeram profundamente. Ele estava tentando me dissuadir, me afastar do meu próprio filho. A raiva começou a borbulhar dentro de mim, mas eu a contive. Eu precisava jogar o jogo deles.

Mais tarde, naquele mesmo dia, o destino me deu mais uma peça do quebra-cabeça. Eu estava no quarto, fingindo dormir, quando ouvi Miguel entrar em casa. Ele não veio me ver. Foi direto para o escritório e fez uma ligação. Eu me arrastei para fora da cama, meu corpo dolorido, e colei meu ouvido na porta, como na noite anterior. Era Pedro do outro lado da linha.

"Ela suspeita de alguma coisa?", a voz de Miguel era dura, impaciente.

"Não, acho que não", respondeu Pedro, hesitante. "Mas eu me sinto péssimo com isso, Miguel. Sofia não merece isso. O que estamos fazendo é monstruoso."

"Poupe-me do seu sermão moral, Pedro. Você está nisso tanto quanto eu. Lembre-se do favor que eu te fiz, daquela sua dívida de jogo que eu paguei. Você me deve. Agora, faça o que eu mandei. Dobre a dose dos 'suplementos' dela. Precisamos mantê-la calma e controlada. Não podemos ter nenhuma surpresa."

"Dobrar a dose? Miguel, isso pode afetar o feto! E pode prejudicar a saúde dela a longo prazo!"

"A saúde dela não é a prioridade! A prioridade é o bebê. O filho de Clara. Sofia é apenas a incubadora, lembra? Ela precisa cumprir seu papel, e depois... depois ela não importa mais."

Eu me encolhi atrás da porta, o corpo tremendo de horror e raiva. "Incubadora". Ele repetiu a palavra. Não era um deslize. Era como ele realmente me via. Eu não era sua esposa, não era a mãe de seus filhos. Eu era um objeto, uma ferramenta para seus fins doentios.

Ele continuou, sua voz ainda mais fria. "Quando chegar a hora, você fará a cesárea. Assim que o bebê sair, a equipe de Clara estará esperando. O resto você já sabe. Preparamos o atestado de óbito falso, como das outras vezes. Para Sofia, será só mais uma tragédia. Ela é boa em sofrer em silêncio."

Eu tive que morder meu próprio punho para não gritar. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, silenciosas e quentes. A traição era completa, meticulosamente planejada. Pedro, meu amigo, estava me drogando sob as ordens do meu marido para que eu pudesse gerar um filho para outra mulher.

Quando a ligação terminou, ouvi os passos de Miguel se aproximando. Corri de volta para a cama e fechei os olhos, forçando minha respiração a se acalmar. Ele abriu a porta do quarto devagar. Senti seu peso na beirada da cama. Sua mão tocou meu cabelo.

"Minha pobre e guerreira Sofia", ele sussurrou, a voz carregada de uma falsa compaixão que me revirou o estômago. "Você é tão forte. Eu admiro tanto isso em você."

Ele me beijou na testa. O toque de seus lábios em minha pele parecia queimar. Eu mantive meus olhos fechados, meu corpo rígido. Ele achava que eu era fraca, que eu era sua marionete. Ele não sabia que, por trás daqueles olhos fechados, a mulher que ele estava enganando estava planejando como incendiar o mundo dele.

Ele se levantou e saiu, fechando a porta suavemente atrás de si. Abri os olhos no escuro. A dor ainda estava lá, mas agora ela tinha uma companheira: a determinação. Eles me subestimaram. Eles me usaram. Eles roubaram meus filhos. E eles iriam pagar. Cada um deles.

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