Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Vingança Que Floresce na Dor
Vingança Que Floresce na Dor

Vingança Que Floresce na Dor

Autor:: Mila
Gênero: Romance
Grávida de sete meses, abri mão do meu filho e do meu rim para salvar Lucas, o homem que me tirou de um beco sombrio e me consolou de três abortos espontâneos. Ele era o meu mundo, e eu faria qualquer coisa por ele: "Tenho, Lucas. É a única maneira. O médico disse que seus rins estão falhando. Você precisa de um transplante urgente." Acordei da cirurgia sentindo meu corpo mutilado em dois lugares, mas a dor física era nada comparada ao que ouvi da porta entreaberta: Lucas e seu amigo Pedro revelando que tudo era um plano. Meus abortos não foram acidentes, minha mão foi destruída para me impedir de pintar, e meu útero seria removido numa cirurgia forjada para que ele pudesse me humilhar em seu noivado e me internar. A farsa era um monstro, mas a verdade era mais cruel: eu não era o objeto de uma vingança, mas um mero obstáculo para ele se casar com outra mulher. Eu, que estava disposta a morrer por ele, era apenas um peão em seu jogo sujo. Eu não era uma vítima. Eu era um alvo. E ele não queria só meu rim, ele queria minha reputação, minha vida. Eu não entendia por que tanto ódio, por que me destruir por algo que eu nunca fiz. Como pude amar um monstro? Deitada naquela cama de hospital, com o corpo em pedaços e o coração feito cinzas, uma nova emoção nasceu em mim: um ódio frio e calculista. Eu não ia morrer. Eu ia fugir. E ele não veria a promessa de morte em meus olhos, mas eu ia me vingar. Assim que saísse dali, meu plano de fuga se transformaria em um roteiro de destruição.

Introdução

Grávida de sete meses, abri mão do meu filho e do meu rim para salvar Lucas, o homem que me tirou de um beco sombrio e me consolou de três abortos espontâneos. Ele era o meu mundo, e eu faria qualquer coisa por ele: "Tenho, Lucas. É a única maneira. O médico disse que seus rins estão falhando. Você precisa de um transplante urgente."

Acordei da cirurgia sentindo meu corpo mutilado em dois lugares, mas a dor física era nada comparada ao que ouvi da porta entreaberta: Lucas e seu amigo Pedro revelando que tudo era um plano. Meus abortos não foram acidentes, minha mão foi destruída para me impedir de pintar, e meu útero seria removido numa cirurgia forjada para que ele pudesse me humilhar em seu noivado e me internar.

A farsa era um monstro, mas a verdade era mais cruel: eu não era o objeto de uma vingança, mas um mero obstáculo para ele se casar com outra mulher. Eu, que estava disposta a morrer por ele, era apenas um peão em seu jogo sujo.

Eu não era uma vítima. Eu era um alvo. E ele não queria só meu rim, ele queria minha reputação, minha vida. Eu não entendia por que tanto ódio, por que me destruir por algo que eu nunca fiz. Como pude amar um monstro?

Deitada naquela cama de hospital, com o corpo em pedaços e o coração feito cinzas, uma nova emoção nasceu em mim: um ódio frio e calculista. Eu não ia morrer. Eu ia fugir. E ele não veria a promessa de morte em meus olhos, mas eu ia me vingar. Assim que saísse dali, meu plano de fuga se transformaria em um roteiro de destruição.

Capítulo 1

"Grávida de sete meses, Duda, você tem certeza?"

A voz de Lucas soava preocupada do outro lado da linha, mas eu sabia que era puro teatro.

"Tenho, Lucas. É a única maneira. O médico disse que seus rins estão falhando. Você precisa de um transplante urgente."

Eu estava no hospital, sentada em uma cadeira de plástico fria, com a mão protetoramente sobre minha barriga enorme. Meu bebê, nosso filho, se mexia dentro de mim, alheio à decisão que eu estava prestes a tomar por seu pai.

"Induzir o parto agora... é perigoso para você e para o bebê."

"Mais perigoso é você morrer" , respondi, com a voz firme. "Eu sou compatível. Meu rim pode salvar sua vida. Não existe outra opção."

Houve um silêncio calculado do outro lado. Eu podia imaginá-lo, com seu rosto perfeitamente esculpido, fingindo uma angústia que não sentia.

"Eu te amo, Duda."

"Eu também te amo, Luca" , murmurei, e desliguei.

Naquele momento, eu realmente o amava. Amava o homem que, três anos antes, me salvou de um ataque em um beco escuro. O homem que me consolou após três abortos espontâneos devastadores. O homem por quem eu estava disposta a arriscar minha vida e a do nosso filho.

A indução foi rápida e dolorosa. A cirurgia de remoção do meu rim veio logo em seguida.

Acordei grogue, com o corpo gritando de dor em dois lugares distintos. A sala estava escura, mas a porta estava entreaberta, deixando entrar um feixe de luz e vozes.

Eram Lucas e seu melhor amigo, Pedro.

"Ela é uma idiota mesmo" , a voz de Pedro era um sussurro sádico. "Entregou o rim de bandeja, e o pirralho também."

"Cale a boca, ela pode acordar." A voz de Lucas era baixa, mas carregava uma satisfação cruel.

"E daí? Ela precisa saber o quão estúpida foi. Achar que você a amava... depois do que ela fez com a Sofia."

Meu coração parou. Sofia. A ex-namorada de Lucas, que supostamente havia se matado de depressão depois que eu ganhei um concurso de arte do qual nós duas participamos.

"Aquele rim era o mínimo que ela me devia" , continuou Lucas. "Depois de me fazer acreditar por três anos que a mulher da minha vida estava morta por culpa dela."

A anestesia parecia se dissipar, substituída por um gelo que se espalhava pelas minhas veias.

"E os outros três pirralhos que ela perdeu? Obra sua também, né? Aqueles chazinhos que você dava pra ela... gênio do mal" , riu Pedro.

As perdas. Meus filhos. Não foram acidentes. Foram assassinatos.

"Tudo foi planejado, Pedro. Desde o resgate no beco. Três anos. Três anos para destruir tudo o que ela tinha. Agora, falta só o golpe final. Vou tirar o útero dela na próxima cirurgia, culpando uma 'complicação' . E no nosso noivado, vou revelar a todos quem ela realmente é. A mulher que matou minha Sofia."

Um soluço engasgado subiu pela minha garganta, mas eu o sufoquei.

O mundo que eu conhecia se desintegrou. O amor, a dor, os sacrifícios... tudo uma farsa. Uma vingança doentia por algo que eu nunca fiz.

Eu não era uma vítima. Eu era um alvo. E ele não ia parar com um rim. Ele queria meus órgãos, minha reputação, minha vida.

Naquele leito de hospital, com o corpo mutilado e o coração em pedaços, uma nova sensação nasceu em meio ao desespero. Não era tristeza. Era ódio.

Um ódio frio e calculista.

Eu não ia morrer. Eu ia fugir. E eu ia me vingar.

Quando Lucas entrou no quarto alguns minutos depois, com um sorriso preocupado e um buquê de flores, eu forcei um sorriso fraco.

"Meu amor... como você está se sentindo?"

Eu olhei para o rosto do monstro que eu amava e sussurrei, com a voz rouca de dor e mentiras:

"Cansada. Mas feliz por você estar bem."

Ele não viu a promessa de morte em meus olhos.

Capítulo 2

Os dias no hospital se arrastaram em uma névoa de dor física e uma clareza mental aterrorizante. Eu continuei a minha atuação, a esposa devotada e enfraquecida, sorrindo docilmente para Lucas e para as enfermeiras.

Ninguém desconfiava da tempestade que se formava dentro de mim.

Lucas era atencioso. Trazia minhas comidas favoritas, lia para mim, falava sobre o futuro que teríamos com nosso filho, a quem ele já chamava de Lucas Júnior. Cada palavra era uma facada. Cada gesto de carinho, um insulto.

Uma noite, enquanto ele dormia na poltrona ao lado da minha cama, usei o celular que mantinha escondido sob o travesseiro. Eu precisava de respostas. Comecei a pesquisar sobre Sofia.

A história oficial era trágica: uma jovem artista talentosa que, devastada por perder o prêmio principal para mim, sucumbiu à depressão e tirou a própria vida.

Mas a internet guardava segredos. Encontrei antigos fóruns de arte, blogs esquecidos. E em um deles, um comentário anônimo de dois anos atrás me chamou a atenção.

"A Sofia não se matou. Ela fugiu. O casamento com o herdeiro dos Vasconcelos era arranjado. Ela sempre amou o fotógrafo que morava na Europa."

Meu sangue gelou. Vasconcelos. O sobrenome de Lucas.

O noivado era com ele.

Continuei cavando, noite após noite. Juntei as peças. Sofia não estava morta. Ela forjou o próprio suicídio para escapar de um casamento sem amor com Lucas e fugiu para o exterior com seu verdadeiro amor. E Lucas... ele sabia? Ou ele foi enganado como todos os outros?

A resposta veio de uma forma inesperada. Uma enfermeira, com pena do meu estado, comentou comigo:

"Seu marido é um santo, dona Maria Eduarda. Fica aqui o dia todo. E ainda cuidando dos negócios da família... especialmente agora que o noivado com a prima dele foi anunciado."

Eu pisquei, confusa. "Noivado?"

"Sim! Com a senhorita Helena. Ouvi ele comentando no corredor. Parece que vai ser uma festa enorme, para comemorar a recuperação dele e o noivado."

Helena. Não Sofia. O plano dele não era se vingar por Sofia. Era se livrar de mim. O golpe final no "nosso" noivado não era para expor a minha "culpa" , era para me descartar publicamente para que ele pudesse se casar com outra. A história da Sofia era apenas a desculpa perfeita, a ferramenta para me torturar e justificar suas atrocidades.

A verdade era mais suja e mais cruel do que eu imaginava. Eu não era nem mesmo o objeto de uma vingança distorcida. Eu era um obstáculo inconveniente. Meu rim, meus filhos, meu útero... eram apenas o preço que ele me fazia pagar para sair do caminho dele.

Senti uma vontade de rir. Um riso amargo, que rasgaria minha garganta. Eu chorei por um amor que nunca existiu, por uma vingança que era uma mentira.

Naquela noite, meu plano deixou de ser apenas sobre fuga. Transformou-se em um roteiro de destruição.

No dia seguinte, quando Lucas entrou no quarto, eu o olhei com meus olhos mais doces e cansados.

"Luca" , sussurrei. "Eu estava pensando... na Sofia."

Ele enrijeceu por uma fração de segundo, imperceptível para qualquer um que não o estivesse observando como um predador.

"O que tem ela, meu amor?"

"Eu sinto tanto... Se eu pudesse voltar no tempo..." , deixei a frase morrer, observando a satisfação brilhar em seus olhos.

Ele segurou minha mão. "Não pense nisso agora, Duda. O importante é que estamos juntos. Vamos superar isso. Eu, você e nosso filho."

Suas palavras eram veneno. Ele prometia um futuro que planejava me roubar, assim como roubou meu passado.

Eu estava presa. Sabia que, assim que recebesse alta, ele me levaria para a casa que se tornaria minha prisão final. Onde ele me tiraria a última coisa que me restava: a capacidade de ser mãe.

Naquela noite, ouvi novamente sua conversa com Pedro do lado de fora.

"A cirurgia para remover o útero está marcada para semana que vem. O Dr. Almeida já arrumou tudo. Vamos dizer que foi uma infecção pós-parto."

"E depois?" , perguntou Pedro.

"Depois, a festa de noivado. Vou anunciar que o bebê não é meu, que ela me traiu. Vou humilhá-la na frente de todos e depois interná-la em um hospício. Ninguém nunca mais vai acreditar em uma palavra dela."

Fechei os olhos. O desespero era uma onda escura, ameaçando me afogar. Não havia saída. Ele tinha pensado em tudo.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022