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Vingança do Ceo

Vingança do Ceo

Autor:: Wilma G Silva
Gênero: Bilionários
Decidida a salvar o pai que se afogou em divididas por conta de um empréstimo que pedira ao maior CEO da cidade, Lyanna Flaming decide casar-se com Vincet Stewart perante um contrato de um ano. Em seu quarto Lya se olhava no espelho bela e deslumbrante usando um longo vestido branco de seda com uma fenda que deixava a mostra suas belas pernas bem feita e mostrava visivelmente seu corpo esguio e torneado. Se perguntara ali como conseguiu esconder de sua mãe que aquele casamento não passava de uma fraude. E como explicar a si mesma que sentia uma atração avassaladora por aquele homem sem excrupulos e incensivel. Que faria de tudo para destruir a ela e a sua família?

Capítulo 1 Um

Havia acabado de chegar em casa quando ouvi vozes vindo do escritório do meu pai. "Quem será a esta hora?", pensei comigo, consultando o relógio que estava, sobre a lareira, marcavam exatamente vinte e duas e trinta. Era um absurdo alguém procurar o meu pai para tratar de negócios àquela hora da noite. Insatisfeita com aquilo, fui até à cozinha, mas paro de repente ao perceber que se tratava de uma séria discussão.

O tom aflito da voz de meu pai, Leoncio Flaming, me levou a acreditar que ele estava em uma situação complicada por causa dos negócios e talvez precisasse de ajuda. Entretanto, eu sentia-me impotente, pois a vida toda papai não permitia a minha participação, ou de minha mãe, nos negócios dele. Bem, o jeito era escutar a discussão escondida atrás da porta.

- Um ano! É o prazo que lhe peço - disse meu pai angustiado. - Por favor.

Mas a outra voz foi firme ao responder:

- Lamento muito, Leoncio. Conforme nosso trato, o prazo termina no final desta semana. Se não me pagar até sábado, tomarei providências.

Do outro lado da porta, eu estremeci de nervosismo. "Meu Deus! O que estaria acontecendo?" Um desespero me invade.

- Mas isso não é justo! - revidou papai, desanimado.

- Engano seu, meu caro! Estou perfeitamente dentro da lei - contestou o outro homem, impaciente. - Até ontem era você quem dava as cartas por aqui. Agora que a situação se inverteu, eu acho melhor você aceitar as minhas condições, caso contrário estará perdido!

- Oh, meu Deus! - Sentindo que perdeu a luta verbal, papai não sabia mais o que fazer.

Sem conseguir me controlar mais, eu abri a porta do escritório, subitamente decidida a socorrer o meu pai. Meu velho Leoncio, sentado em sua poltrona, estava com ar cansado.

- Papai - chamo, docemente, e o estranho, que estava de costas, virou para olhar-me.

Ao me deparar com aqueles olhos negros, tive um choque, reconhecendo imediatamente aquele homem moreno, bronzeado pelo sol, alto e autoritário. Há meses que ele me deixava desconcertada com olhares gulosos cada vez que nos encontravamos por acaso numa festa ou em algum evento cultural.

Me esforço para ignorá-lo, e procuro me concentrar no rosto do meu pai.

- Está bem, papai?

Papai, já era um homem de idade, com seus sessenta e poucos anos, com um tempo começou a adquirir alguns problemas de saúde inclusive de coração também. Mamãe e eu sempre falávamos para ele ir com calma no trabalho e não se exaaperar pra evitar sérios problemas.

Papai esboçou um sorriso tentando de tranqüilizar-me, poi eu estava muito preocupada e nervosa. Ele disse, fazendo um gesto para mim para que eu saísse da sala:

- Está tudo bem, querida. Estou tratando de negócios. Mesmo contra minha vontade, eu fui até à porta na intenção de sair daquela sala.

- Espere! - o estranho me chamou. Nervosamente eu voltei para encará-lo.

- Meu nome é Vincente Stewart - ele se apresentou, amigavelmente estendendo-se sua mão direita.

O nome daquele homem não era nenhuma novidade para mim. A cidade inteira conhecia o "gigante negro", como era chamado. Ele era o cabeça da Companhia Stewart de Engenharia e Construção, que crescia tão rapidamente que já possuía filiais em quase todas as principais metrópoles do país. O que ninguém podia compreender era Vincent Stewart ter escolhido justamente Murrayville na Austrália para fixar residência. Murrayville não passava de um lugarejo sem grandes atrativos, pelo menos para um homem como ele, belo, musculoso, rico e sedutor. Era admirado pelas mais belas mulheres, ansiosas por uma chance de conquistá-lo nem que fosse por uma noite.

Sem dúvida, a escolhida era uma mulher de sorte. Tratava-se de *Charlotte McNeil*, uma garota de Joanesburgo com quem Stewart vinha sendo visto constantemente.

Todos aqueles pensamentos passava pela minha cabeça numa fração de segundos.

De repente, percebi que a mão de Vincent continuava estendida, esperando a minha. Displicentemente, eu correspondi ao seu gesto, mas ao invés de um simples aperto, ele levou minhas mãos até os lábios e beijou-me o dorso. E no momento que senti seu toque, foi como se eu estivesse levado um choque elétrico.

Apesar de já termos nos encontrado uma infinidade de vezes e cruzado os olhares nas festas da cidade, durante os últimos meses, eu nunca tinha ouvido nem sequer sua voz. Meu sexto sentido avisava que aquele homem representava um grande perigo. Era por esta razão que eu sempre evitava qualquer aproximação, criando entre nós uma barreira invisível naquele momento.

Calmamente retirei a mão, esforçando-me para não deixar transparecer o quanto aquele contato físico me deixou perturbada. Em seguida, volto a falar com meu pai.

- Poderia me explicar o que está acontecendo? - Antes que ele pudesse responder, Vicent se adiantou.

- Não prefere que eu conte tudo a para ela, Leoncio? - Vincet se ofereceu, irônico.

Eu vi o meu pai entrar em pânico, ao mesmo tempo que murmurava entre dentes:

- Por favor, deixe minha esposa e minha filha fora disso, Stewart!

- Não vejo por quê! Mais cedo ou mais tarde elas acabarão sabendo - acrescentou Vincent, com um sorriso triunfante, como se o desespero do meu velho lhe desse prazer.

- E então, papai, não vai me contar? - insisto, embora com medo do que poderia ouvir.

Segurando firmemente o braço da poltrona, papai permaneceu ainda algum tempo em silêncio, como se buscasse forças para enfrentar aquele momento difícil.

Finalmente, respirando fundo, começou a falar:

- Houve uma queda no mercado de construção, de uns três anos para cá, e me vi obrigado a procurar o Sr. Stewart a fim de lhe oferecer meus serviços em suas obras, já que ele mantém o monopólio das construções siderúrgicas de toda a região, mas minha proposta foi rejeitada.

Indignada, Eu olhei para Vicent, que ouvia tudo sem sentimento algum. Aquele homem deveria ser sádico, porque parecia divertir-se com a desgraça alheia. Os olhos negros, no rosto impenetrável, pareciam frios e duros como aço, quando se dirigiu a meu pai, irritado:

- Vamos, Leoncio, continue! - Não obtendo resposta, Vincent prosseguiu com firmeza: - Quando seu pai me procurou novamente, há mais de um ano, pedindo dinheiro emprestado, eu não lhe neguei!

- Isso é verdade, papai? - pergunto, incrédula.

- Sim - confirmou ele, enxugando com o lenço o suor que escorria pela testa. - Eu não tinha outra saída, minha filha. Havia vendido metade das ações da companhia e, juntamente com o empréstimo do banco, esperava evitar a nossa falência. Mas os banqueiros alegaram que eu não tinha com que garantir o pagamento da dívida.

- E então pediu dinheiro ao Sr. Stewart? - deduzi, decepcionada.

- Compreenda, minha filha, era minha única saída. - justificou-se meu pai, amargurado.

- Agora não tem como pagar o empréstimo, não é verdade?

- Para isso preciso vender a casa com todos os pertences que existe nela desde uma agulha até um talher de aço - acrescentou ele, abatido.

- Não pode fazer uma coisa dessas! - explodi, horrorizada com o que eu tinha ouvido. - Mamãe jamais seria feliz em outro lugar!

Muito pálido, papai enxugava nervosamente o suor do rosto via a hora dele ter um infarto ali mesmo.

- Sei disso mais do que ninguém, mas não me resta outra alternativa.

- Oh, Não. . . Mas quanto drama! - exclamou Vincent entre divertido e irritado.

Eu o encarei, furiosa. Como era possível tanta insensibilidade?

- Não percebe que está nos destruindo? Ou será que não tem sentimentos? - eu perguntei a ele, com raiva.

Os olhos atrevido de Vincent me olhava dá cabeça aos pés, parecendo querer tirar minhas roupas. Desconcertada, eu abaixei a cabeça, para esconder o quanto eu estava corada. Era evidente que Vincent me desejava! Agora, mais do que nunca, tive essa certeza e aquilo me fez estremecer dos pés à cabeça. Surpresa, percebi que aquela idéia me agradava e me deixava orgulhosa, e que meu corpo esbelto correspondia ao seu olhar de lobo. Completamente tonta, sentia raiva de mi mesma por sentir tais sentimentos libidinosos pelo homem que era, nada mais nada menos, um inimigo de meu pai, Leoncio Flaming...

Inesperadamente, Vincent aproximou-se de mim, tocando de leve os meus cabelos. Num tom arrogante, ele falou:

- Engana-se ao me julgar insensível, minha cara...

- Não toque em mim! - eu reagi, no mesmo instante, detestando aquele sorriso cínico daquele homem insensível, que parecia devorá-me com os olhos.

- Pensando bem, Leoncio, acho que a solução para seu problema está bem aqui à minha frente! - disse Vincent, voltando-se para papai, que até aquele instante permanecia calado.

- Não! Deixe minha filha em paz! - gritou, pondo-se de pé abruptamente indignado.

- Poderia se explicar melhor, Sr. Vincent Stewart? - pergunto, preferindo não acreditar na maliciosa insinuação daquele homem arrogante, que pensava certamente poder comprar tudo e a todos com seu dinheiro.

- Esqueça, querida! O assunto está encerrado! - o meu pai cortou autoritário. - Agora, volte para a sala, sim?

Eu não ousava desobedecer as ordens do velho Flaming quando ele resolvia alguma coisa. Por isso, eu dirigi-me até a porta, embora relutante. A voz firme de Vincent, me fez parar.

- Um momento, Lyanna!

O bom senso dizia para que eu não o respondesse e sair dali o mais rápido possível, mas uma força maior me fez voltar e enfrentá-lo, de cabeça erguida.

- Estaria disposta a ajudar seu pai? - perguntou ele, sério.

- Não se atreva a envolver minha filha nisso, Stewart! - o meu pai explodiu, antes que ela pudesse responder.

Vincet, porém, parecia ignorar por completo aquele apelo.

- Eu lhe fiz uma pergunta, Srta. Lyanna Flaming, e estou esperando que me responda - ele insistiu, calmamente.

- Não lhe diga uma só palavra, minha filha! Pelo amor de Deus, deixe-nos a sós!

O suor cobria o rosto do meu velho pai enquanto Vicent, controlado, demonstrava ser o dono da situação.

- Entenda, papai, amo você e me preocupo com a sua felicidade. - falo, carinhosa. Em seguida, olho decidida para Vincet: - Sim, Sr. Stewart, faria tudo para ajudar meu pai.

- Ótimo! Nesse caso, tenho uma proposta a lhe fazer - falou ele, tranqüilo, e por um instante um silêncio pesado caiu sobre o escritório.

Eu estava a ponto de entrar em pânico. O que ele iria propor? Entretanto, não era hora de bancar a covarde. Engoli em seco, e me preparei para o que ouviria a seguir.

- Seu pai me pediu um novo prazo para pagar a dívida - começou ele, acendendo tranqüilamente um charuto. - Estou pensando seriamente em concordar, desde que tenha algo em troca como garantia.

Meus olhos ferviam de raiva ao vê-lo tão seguro de si, inabalável. No mínimo, ele proporia me fazer dele sua amante. Fingindo inocência, perguntei:

- E o que sugere, Sr. Stewart?

- Case-se comigo - falou Vincent, como se estivesse pedindo um prato de comida em um restaurante.

Arregalei os olhos, assustada, sem poder acreditar no que eu acabava de ouvir. Não era possível! Um homem como Vicent Stewart, rico, bonito e sedutor, falando em casamento! Não, ele só podia estar brincando!

- O senhor enlouqueceu? - pergunto, atordoada.

- Quero que pense no assunto e me dê uma resposta - disse Vincent com a maior naturalidade, como se tratasse de um negócio. - Amanhã ligarei para saber o que decidiu. Bem, boa-noite, Flaming, Lyanna... Ele se despede formalmente gentil

Em seguida ele sumiu pela porta que dava para o jardim, evitando passar pela saída da frente.

- Isso só pode ser uma piada! - Digo, entre risos, agora a sós com o meu pai.

- Não quero desapontá-la, filha, mas algo me diz que Vincet falava a sério. - disse ele, guardando o lenço no bolso.

Não! Não podia ser verdade! Eu precisava encontrar outra solução para o problema. Não poderia submeter-me ao capricho de um homem inescrupuloso como Vincent Stewart. Não importa como, eu acharia uma saída.

- Oh, meu pai, por que foi se meter numa encrenca dessas? - pergunto, amargurada.

Meu velho pai parecia esgotado e repentinamente envelhecido.

- Já lhe contei, filha. Houve uma depressão violenta no mercado de construções. Perdi diversas concorrências para a companhia de Stewart, e então parti para a construção dos alojamentos dos empregados que viriam montar as siderúrgicas. Stewart, porém, novamente passou à minha frente, ficando com tudo...

Eu não me conformava. Não queria ouvir mais nada. Inúmeras empresas construtoras de pequeno porte haviam sucumbido nos últimos dois anos, em conseqüência da ambição desenfreada de Vincent Stewart. Agora, só restava a companhia de Leoncio Flaming, também prestes a desaparecer. Era incrível como alguém podia viver tranqüilamente dos fracassos dos outros. Quanto egoísmo!

- Por que pediu dinheiro emprestado a ele, papai? - perguntei, desanimada. - Que fim deu ao dinheiro que economizou durante todos esses anos?

- Há um bom tempo que não entra um tostão na companhia, por falta de contratos. Mas não queria privar você e sua mãe do conforto a que estavam acostumadas. Quando o dinheiro acabou, utilizei nossas economias - contou ele, envergonhado.

Entretanto, algo me dizia que papai estava escondendo alguma coisa.

- Em outras palavras, estamos à beira da miséria, não é, papai? Por que não contou tudo para mamãe?

- Nunca! Sua mãe não pode saber de nada... Eu tinha tanta esperança de que as coisas melhorassem... Agora, está tudo perdido!

Levantei- me da cadeira, em um pulo, e começei a andar de um lado para outro, preocupada. Sentia-me fraca e impotente diante daquela situação inusitada. Ao mesmo tempo, não conseguia esquecer a figura imponente e arrogante daquele homem que se chamava Vicent Stewart. Jamais conheci um homem tão caprichoso e desumano, capaz de tudo para alcançar seus objetivos! Que custava ser mais condescendente? Por que tanto egoísmo?

De repente veio em minha mente o brilho de rancor que vi naqueles belos olhos negros. O que haveria, afinal, por trás daquela história toda?

- O que o faz pensar que conseguirá saldar a dívida em um ano? - pergunto ao meu pai, tentando descobrir alguma coisa.

- Foi aberta uma nova concorrência para a construção de uma enorme siderúrgica, perto de Murrayville, e tenho esperanças de vencê-la - contou Loyd, mais animado. - A resposta só sai dentro de dois meses. Se der tudo certo, estaremos salvos.

- E se perder?

- Bem... aí será o nosso fim. Teremos que vender a nossa casa. . . Sua mãe jamais me perdoará.

Papai passou a mão nervosamente pelos cabelos brancos desalinhados, na certa imaginando o desespero de Victorian Flaming, minha mãe, se perdesse a casa, além de seus objetos de estimação, como o belíssimo aparelho de café de porcelana inglesa, presente de sua bisavó materna.

- Acho melhor não contarmos nada a ela, por enquanto - concordei triste com toda aquela situação.

- Francamente, não sei o que fazer se Stewart se manteve irredutível.

Por um momento eu pensei em aceitar a proposta de Vincent para livrar os meus pais da humilhação e da falência. Mas aquele casamento seria um verdadeiro absurdo!

No dia seguinte, como de costume, fui trabalhar na Biblioteca Municipal. Eu me formei em biblioteconomia, eu gostava de catalogar autores famosos e resumir suas histórias fascinantes. Mas naquela manhã, eu não tinha disposição para nada. Meus pensamentos estavam voltados para a situação delicada do me pai e para o destino eu estaria dando à minha vida se me casasse com aquele homem.

Capítulo 2 Dois

Nana, minha assistente, percebeu o quanto eu estava exausta e abatida. Na verdade seu nome é Nancy Galles, sempre sabe do que preciso, alem de minha assistente é minha amiga e confidente. Mais no momento preferi não contar-lhe o ocorrido.

- Por que não descansa um pouco, Srta. Lya? - sugeriu gentilmente ela. - Vá para casa. Posso tomar conta do serviço sozinha. Se tiver alguma dúvida, eu lhe telefono.

- Obrigada, Nana. Estou mesmo precisando descansar. Só que não vou para casa. Ficarei aqui mesmo, em minha sala.

- Então lhe trarei um capuccino para que a senhora possa relaxar um pouco e se sentir a vontade. - fala ela.

Aqui no trabalho ela insiste em me tratar como sua chefe. Mais fora daqui somos mais que colegas de trabalho, por assim dizer.

Vagarosamente, eu caminhei em direção ao meu pequeno escritório, logo na entrada da biblioteca. Sentando-me à mesa, coloquei os olhos na enorme pilha de cartas que esperavam para ser respondidas. Talvez aquela tarefa me ajudasse a esquecer um pouco aquele problema. Tomei fôlego, e começei a ler, uma a uma.

- Entre, Nana - respondi, ao ouvir batidas na porta.

Quando levantei meus olhos para atender à minha amiga, me deparo com Vincent Stewart, parado de pé bem à minha frente.

- Sr. Stewart! - exclamei, surpresa, enquanto ele fechava a porta atrás de si.

- A Srta. Galle insistiu para que não a perturbasse, mas... - começou ele, divertido.

Perturbar? Perturbar era muito pouco para expressar o que eu estava sentindo naquele momento. As minhas pernas ficaram bambas, o coração batia descompassado e as minhas mãos trêmiam mal eu conseguia segurar a folha de papel.

- Sente-se, por favor - convidei, educadamente, quando na verdade minha vontade era colocar ele dali para fora.

Vincent sentou-se de frente para mim, me olhando intensamente.

- Em que posso ajudá-lo? - pergunto, tentando parecer natural, sem tirar os olhos daquele rosto impenetrável.

- Então não sabe por que vim até aqui? - perguntou ele, irônico. Eu fiquei sem ação.

- Pensei que teríamos combinado que eu lhe daria uma resposta por telefone.

- Achei melhor vir até aqui para esclarecer que não estava brincando quando lhe propus casamento - ele falou, sério, sem tirar os olhos de mim. - Case-se comigo e seu pai terá o prazo que tanto deseja.

- Não acha que está sendo... digamos, um pouco severo conosco? - pergunto, escolhendo as palavras certas.

- Tenho razões mais do que suficientes para agir assim! - rebateu, pegando um charuto que ele tinha em seu bolso. - E uma delas é que Leoncio Flaming assinou promissórias comprometendo-se a pagar a dívida até o próximo domingo.

Em seguida ele tirou uma baforada no charuto, agora mais do que nunca eu estava convencida de que havia algum segredo entre aqueles dois homens.

- Quanto o meu pai lhe deve? - perguntei, corajosa tentando ainda arranjar uma saida.

- Meio milhão de dólares - respondeu Vincent calmamente. O escritório começou a rodar e eu precisei respirar fundo para não perder o ar. Meio milhão de dólares! Aquilo era uma fortuna! Não era à toa que aquele homem estava pressionando o meu pai.

- Sr. Stewart... não há outro modo de resolvermos o problema?

Ele deu de ombros.

- Claro! Vendam tudo o que têm e o assunto será dado por encerrado.

- Não pode imaginar o que aquela casa significa para meus pais - falei amargurada. - Ela faz parte das nossas vidas.

- Felizmente não sou do tipo sentimental, Srta. Lyanna - ele falou, seco. - Tenho os pés no chão, lido com os fatos! Aprendi, há algum tempo, que não se devem misturar sentimentos com negócios.

Eu levantei-me e fui até a janela que dava para a rua. De fato, aquele homem parecia mais um robô do que um ser de carne e osso. Lá fora, no parque, crianças brincavam sem preocupações às crueldades que as cercavam. Eu senti até um pouco de inveja delas!

- Bem, e... e se eu me casar com o senhor? - perguntei, de volta à realidade daquela sala.

- Nesse caso, darei o tempo que seu pai me pede. Se ele me pagar tudo dentro desse novo prazo, você estará livre.

- Caso contrário... - pergunto, contendo a respiração.

- Terá sua liberdade ao final de doze meses, em qualquer circunstância, se é isso que a apavora, Srta. Lya. Antes, porém, espero que me recompense devidamente.

Ele disse aquilo com malícia e cinismo, descendo o olhar atrevido até os meus seios enquanto eles arfavam incontrolavelmente por conta da minha respiração.

- É revoltante! - desabafei, com voz sufocada.

- Sou um homem de trinta e oito anos, Lyanna, e não um romântico adolescente! Não me diga que, por algum momento, lhe passou pela cabeça que nosso casamento seria apenas no papel?

fiquei olhando enquanto ele se levantava, impaciente. A virilidade que emanava daquele corpo másculo despertava em meu íntimo, como nenhum outro homem havia despertado antes. Nem minhas paixões mais antigas conseguiu me deixar tão excitada.

- E quanto aos meus sentimentos? - perguntei, indignada, com o orgulho ferido e o coração magoado.

- Tenho observado você há alguns meses, bela dama, e concluí que, se realmente possui algum sentimento, está muito bem escondido.

- Parece estar certo de que vou aceitar sua proposta. Por quê?

- Você não tem outra escolha, minha flor! Traçou seu próprio destino ontem à noite, ao entrar no escritório de seu pai. Agora, só me resta descobrir o que há por detrás desse coração de gelo.

- E que diferença faria se ontem eu não tivesse entrado na conversa?

Ele riu, divertido, naquele momento um misto de ódio e prazer invadiu meu ser

- Seria lamentável, mas a esta altura seu pai já teria colocado a casa à venda.

Eu admito que ele dizia a verdade e que não teria pena de meu pai.

- Como você é mesquinho! - acuso-o, revoltada. - Está mesmo decidido a explorar o ramo de construções de toda a região, não é? Não importa se está prejudicando outras famílias, destruindo seus lares, desde que você satisfaça à sua maldita ambição! Mas existe uma coisa que jamais poderá comprar: a felicidade. Nunca, ouviu bem?

Ele não se assustou com o que eu disse.

- E quem está se preocupando com isso? Não estou em busca da felicidade, mas sim de justiça, e pouco me importa se você aprova ou não os meus métodos.

Achei que aquilo que ele falou já era demais.

- O quê? Justiça? E o que meu pai tem a ver com isso? Que mal ele lhe fez para que você queira arruiná-lo? - Falo exaltada

- Será que já não é o bastante o fato de não ter cumprido a palavra, pagando.a dívida dentro do prazo estipulado? - argumentou ele.

- Pois não vejo crime algum em dever dinheiro para alguém - revidei.

- Não? Pois saiba que, se eu quiser, posso colocar seu pai na cadeia! É só recorrer aos meios legais para receber o que por direito me pertence - disse Vince, agora bastante irritado.

- Meu pai não está fugindo do compromisso. Será que não entende? Só precisa de mais algum tempo. Se recorrer à Justiça, terá que se conformar em receber um pouco por mês - lembrou ela, tentando amenizar a conversa.

Ele calou-se por um momento. Depois voltou a falar calmamente:

- Pelo visto, não sabe mesmo como está a situação do seu pai. Fique ciente de uma coisa: você e sua mãe estão vivendo exclusivamente da antiga reputação de Leoncio. Ele está devendo à cidade inteira e, se eu abrir a boca, será o fim...

Eu estremeci só de imaginar. Vincent reparou na minha reação e ergueu as duas mãos.

- Mas fique tranqüila, porque não pretendo processá-lo. Posso dar-lhe mais uma chance. Adiarei a dívida, mas quero você como garantia. Embora saiba que ao final de um ano seu pai continuará sem condições de me restituir o dinheiro, e que tudo ficará como antes...

Eu tentei defender o meu pai daquela situação.

- Isso é o que você pensa! - protestei, irritada.

- Acha que estou errado? Então me responda como é que seu pai pretende me pagar? Não me diga que Leoncio está pensando em participar da concorrência para a construção da nova siderúrgica.

Ele parecia estar lendo os meus pensamentos. Meu segundo de silêncio fez ele responder.

- Se for isso, é bom desistir.

- Se meu pai pretende concorrer é porque tem condições de vencer: Ele sabe o que faz - murmurei, tentando convencer a mim mesma.

- Pare de dizer tolices - cortou ele, seco.

- Por quê?

- Por um motivo muito simples: a obra será minha! - disse, confiante.

Eu mordi o lábio inferior, com raiva, quase me ferindo. Jamais conheci um homem tão arrogante, mas ao mesmo tempo tão firme em suas decisões. Eu poderia até o admirar se a situação fosse outra.

- Você já ganhou tantas outras concorrências. Deixe essa oportunidade para o meu pai - humilhei-me mais uma vez, levada pelo desespero.

Mais ele não teve piedade.

- Vivemos num país democrático, portanto os direitos são iguais e vencerá o melhor.

- Como pode ser tão perverso! - exclamei, horrorizada, meus olhos cheios de lágrimas.

Vincent parecia nem reparar.

- Avise a seu pai que vou telefonar à noite, lá pelas oito horas, e quero uma resposta - concluiu ele, calmamente.

Depois, levantou-se decidido e saiu do escritório, fechando a porta.

Ainda sentada na cadeira, eu tremia incontrolavelmente. E agora? Precisava me decidir. Teria de se casar com Vincet para proteger o pai e salvar a família. Mas... e eu? O que seria do meu futuro, dos meus sonhos, dos meus sentimentos? Oh Deus! Era um preço alto demais a se pagar.

Capítulo 3 Três

Diante do espelho, minha mãe fecha gentilmente o zíper do meu vestido de noiva, um longo vestido de seda branco com uma fenda na lateral que deixava a mostra uma de minhas pernas, e me olha pelo eapelho com ar suspeito.

- Ainda não entendi a razão desse casamento tão precipitado minha filha.

Apenas lhe dei um sorriso, tentando demonstrar felicidade.

- Nem ao menos tiveram tempo para ficar noivos - prosseguiu ela, desapontada. - Sempre sonhei com seu casamento numa bela igreja, cheia de flores, com músicas e muitos convidados...

Juntando as forças que ainda possuía, eu procurei não fraquejar. Eu tinha vontade de gritar que aquele casamento não passava de uma farsa para salvar a eles.

- Desculpe, mamãe. Sinto muito por ter estragado seus planos, mas Vincent e eu preferiamos uma cerimônia simples, no cartório.

Falei aquilo esforçando-me para conter as lágrimas.

- Que bobagem! - exclamou ela, me olhando de frente. - Você... não está grávida, não é? - ela perguntou, assustada.

- Ora, mamãe, que idéia! - rebati, indignada. - Como pôde imaginar uma coisa dessas?

- Não precisa ficar zangada. Eu só estava brincando - falou ela, ajeitando o meu lindo vestido branco. - Será que a irmã de Vincent vem de Joanesburgo, para assistir ao casamento?

- Vincent garantiu que sim - afirmei com naturalidade, como se eu participasse da intimidade familiar do meu futuro marido. Quando na verdade não faço ideia de quem seja a irmã de Vincent.

- Se não me engano, ela é médica e solteira - mamãe continuou.

- Isso mesmo. Disso eu sabia, pois Vincent comentou por alto.

- Lyanna... - mamãe falou baixinho, me segurando pelos ombros e me olhando nos olhos. - Tem certeza de que é isso mesmo o que quer?

"Não! Oh, mamãe, se você soubesse!", pensei comigo mesma, angustiada, controlando-me para que aquelas palavras não saíssem de minha boca. Precisava guardar meus sentimentos comigo, em sacrifício de minha família. Papai havia implorado que eu não contasse nada para mamãe.

- É claro que sim, mamãe - respondi, admirada com a calma que eu conseguia manter. - Agora é melhor você descer e fazer companhia ao papai. Enquanto isso, vou me maquiar. E pare de se preocupar comigo.

- Você é minha única filha, querida, e quero muito que seja feliz. Oh, acho que vou precisar de um lenço, pois vou acabar chorando igual uma manteiga derretida. - concluiu ela com os olhos marejados de lágrimas, dirigindo-se para a porta.

Sozinha no quarto, eu peço a Deus para não fraquejar olho novamente para o espelho. Os meus cabelos negros estavam presos num delicado coque no alto da cabeça, enfeitado por pequeninas flores silvestres. Comecei a pintar as pálpebras de meus olhos num tom azul claro, passei em meu rosto um pouco de base tentando esconder as olheiras que denunciavam as noites mal dormidas. Nunca mais voltaria a ser aquela mulher de antes, alegre, despreocupada, cheia de vida. Eu seria, a partir daquele momento, uma pessoa marcada pelo destino. Estaria eu cometendo um grande erro ao concordar com aquela farsa? Quem poderia garantir que, ao fim do novo prazo, o pai dela conseguiria, enfim, liquidar a dívida?

Por outro lado, jamais conseguirei esquecer o sofrimento estampado no rosto de meu pai, naquela noite, quando Vincent Stewart apareceu pessoalmente em busca de uma resposta? Ao mesmo tempo que temia pelo meu destino, ele parecia se sentir intimamente aliviado de um enorme peso.

Mais agora, era tarde demais para ponderações. Faltavam poucas horas para mim estar casada com aquele homem cruel, e só Deus sabe a quais humilhações serei submetida para satisfazer os caprichos dele.

Instintivamente balançei a cabeça, como se com isso pudesse afastar aqueles pensamentos, que só serviam para aumentar ainda mais minha agonia. Ficar me lamentando não resolveria nada. O que eu precisava agora era me preparar para representar o papel de mulher apaixonada diante dos poucos convidados.

Esatava terminando de passar batom nos lábios quando alguém bateu à porta. Abri e dei de cara com meu pai que foi entando no quarto.

- Já está pronta, minha filha?

- Quase papai... - murmurei um pouco, tensa, colocando umaa luvas que combinavam com o vestido.

Estava sentindo a garganta seca e as mãos começaram a suar, tamanho era o meu medo.

- Esta talvez seja a nossa última oportunidade de conversarmos a sós - começou papai, pegando as minas mãos.

- Papai, por favor, é melhor não. . . Papai me interrompe, nervoso:

- Preciso falar, minha filha. Quero que saiba o quanto lamento tudo isso. Se por um lado estou aliviado por estarmos salvos da ruína, por outro jamais me perdoarei por ter permitido que você se sujeitasse a tamanho sacrifício.

Ele disse aquilo com amargura, e eu não quis dizer mais nenhuma palavra. Estava decidida a ir até o fim e não queria piorar ainda mais o sofrimento do meu pai. Naquele instante ouvi a voz de mamãe, chamando do andar de baixo.

- Ei, vocês dois! Vamos Jogo ou chegaremos atrasados ao cartório.

- Já estamos descendo - respondeu papai, dando o braço para que eu segurasse.

Era uma bonita e ensolarada tarde de outono, mas para mim o céu estava cinzento, triste, como se fosse acontecer uma desgraça. Sentia-me como uma prisioneira que, condenada, deixava-se levar, sem direito a protesto, submissa, ao carrasco implacável. As folhas secas das velhas castanheiras cobriam o chão ao longo das ruas de Murrayville, formando um tapete dourado. A cidade tinha crescido muito, desde a construção da primeira siderúrgica. Havia muitos edifícios, construídos da noite para o dia, sem contar o grande número de casas que surgiam rapidamente na periferia, para acomodar os trabalhadores e suas famílias. Conseqüentemente, o ar saudável e puro de antes aos poucos iam se tornando poluído devido à fumaça das chaminés das fábricas. Os mais velhos assistiam, impotentes, à transformação das calmas e ensolaradas tardes, que, davam lugar à agitação e ao barulho.

Sem dúvida, um dos grandes culpados por aquela situação caótica era ninguém menos que o seu futuro marido, o grande Stewart, homem ambicioso e obstinado, que estava determinado a vencer. Naturalmente ele se achava o "todo-poderoso", dono de tudo.

Silencisamente parecíamos que estávamos a caminho de um funeral, mãe, papai e eu. Pouco depois, quando meu pai estacionou o carro ao lado do cartório, eu tremia incontrolavelmente.

Imediatamente Vincent apareceu, acompanhado da irmã, para receber-nos assim que descemos do automóvel. Vanessa Stewart era uma mulher atraente, alta e esbelta, tinha negros cabelos curtos e com os mesmos traços marcantes do irmão. A Pele tambem era de cor morena e altamente hidratada pelos cremes mais caros, dava para perceber pelo brilho de sua pele. Quando Vincent apresentou a moça para meus pais, eu esforçei-me para parecer tranqüila. Após as apresentações, todos nos dirigimos à ante-sala do cartório, onde o casamento seria realizado.

O noivo, muito elegante, vestia um terno cinza-chumbo, gravata preta e camisa branca, contrastando com o bronzeado da pele. Ao observá-lo discretamente, eu não pude deixar de reconhecer que ele era muito bonito e atraente.

Por um instante, nossos olhos se encontraram então ele segurou forte minha mão, como se quisesse impedir que eu escapasse.

- Vamos, meu bem, sorria ou todos vão pensar que não está feliz - ele pediu, baixinho, então comecei a sorrir tímidamente, sufocando o impulso de sair correndo daquele lugar.

Foi naquela pequena sala, diante do juiz que falava em tom solene o contrato nupcial, que eu senti algo morrer dentro de mim: meu próprio "eu". Daquele momento em diante, eu não seria mais simplesmente Lyanna, mas sim a Sra. Stewart, e o que o futuro me reservava ao lado daquele estranho só Deus poderia saber, ninguém mais.

- De acordo com as leis atribuídas a mim, eu vos declaro, marido e mulher. - Finaliza o juiz.

Vicent tenta pousar um beijo em minha boca, discretamente viro o rosto fazendo com que o beijo seja dado na bochecha.

A cerimônia acabou e, olhando para a minha mão esquerda, vi o anel de ouro todo trabalhado. Não havia mais remédio. . .

Naquele momento, enquanto eu admirava aquele anel senti os lábios gelados de Vincent sobre os meus, me pegou de surpresa me esforçei para não o empurrar. Vi ele sorrir vitorioso pois conseguiu me pegar desprevenida e beijar em meus lábios. Em seguida, sorrindo radiante, voltei-me para abraçar mamãe e papai. O rosto de meu pai estava marcado pelo sofrimento.

"Pobre papai...", pensei comigo, amargurada, enquanto me dirigia a Vanessa, que me cumprimentou com frieza.

Pouco depois eu estava assinando o livro do cartório. Finalmente, todos fomos para a mansão de Vincent, onde haveria uma recepção simples oferecida aos parentes e amigos mais chegados.

Perdida em meus pensamentos, não notei a chegada das empregadas que, adequadamente vestidas num uniforme de linho branco, serviam aos poucos convidados bolo e champanhe. Aceitei uma taça, mal sentindo o gosto daquela bebida, de tão nervosa que estava. Para tentar me acalmar, resolvi participar da conversa animada dos convidados, sempre me esforçando para parecer feliz e descontraída.

Vez por outra eu via o olhar de Vanessa, que estava a me observar. Será que minha cunhada desconfiava de alguma coisa? Estaria a par de tudo ou se tratava de uma simples curiosidade em razão do casamento do irmão?

- Façamos um brinde - propôs Vincent, aproximando-se e segurando-me pela cintura.

Imediatamente eu estremeci ao toque de suas mãos fortes. Senti o ar me faltar, mas, com muita classe, ergui o rosto corajosamente e sorri para o meu marido. Os olhos dele brilhavam como os de um guerreiro vitorioso diante do inimigo derrotado.

- Um brinde à minha jovem esposa! - sugeriu Vincent, sem despregar os olhos do meu rosto pálido e visivelmente amedrontado.

As taças tilintaram e eu absorvi um longo gole do champanhe, como se estivesse acostumada a beber.

- Acho que... vou chorar - murmurou mamãe, a poucos passos dali.

Aproveitando a oportunidade para se desvencilhar do meu marido, eu corri para o lado de minha mãe. Porém papai, chegou primeiro:

- Ora, pare com isso, mulher - ele a censurou, com brandura, olhando para o relógio de pulso. - Vamos, está na hora de irmos embora.

Mamãe bebeu o resto de champanhe que havia no copo e voltou a me olhar.

- Cuide-se, meu bem... - disse ela, abraçando-me, com os olhos cheios de lágrimas.

- Quem vê pensa que estou partindo para a guerra, por Deus mamãe- respondi, brincalhona, tentando tranqüilizar-la. - Tudo será como antes. Continuarei trabalhando na biblioteca e prometo visitá-la sempre que puder!

Em seguida me despeço do meu pai, cuja expressão sombria demonstrava claramente o quanto lhe custava deixá-me ali, naquela casa, à mercê do seu pior inimigo.

Vi o carro dos meus pais desaparecer pela alameda florida e fiquei ainda algum tempo ali, parada, contemplando os últimos raios de sol, que desaparecia no horizonte. Uma tristeza imensa invadiu meu coração e, levando a mão aos olhos, eu enxuguei as lágrimas que teimavam em escorrer borrando a maquiagem. Passados alguns instantes, decidi entrar, antes que Vincent fosse a minha procura.

O clima estava carregado quando eu voltei à sala, principal. Todos os convidados já haviam partido, mas felizmente Vanessa ainda se encontrava ali. Na presença da minha cunhada, seria fácil para enfrentar meu marido

- Acho que vou tomar um banho para me refrescar. Está fazendo um calor. - falei, no intuito de me afastar dali.

- Suba a escada, à direita - informou Vincent, indiferente. - Nosso quarto fica bem no meio do corredor. As empregadas já guardaram suas coisas no armário.

Dito isso, ele voltou a atenção para Vanessa.

Ao ouvi-lo dizer "nosso quarto", senti um arrepio percorrer meu corpo. Não podia acreditar que ele fosse tão ordinário, a ponto de exigir que nós fizéssemos amor.

- Obrigada - respondi, com naturalidade, e com o coração aos saltos subi as escadas apressada.

Várias portas davam para o enorme corredor. Indecisa, eu abri uma delas e me deparei com um pequeno e aconchegante aposento. Havia ali uma cama de solteiro encostada à parede e um armário laqueado de branco. As cortinas de babados iam até o chão, proporcionando ao ambiente um toque romântico.

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