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Vivendo com o Jogador

Vivendo com o Jogador

Autor:: PageProfit Studio
Gênero: Romance
Camilla sempre foi uma moça direitinha – o pior que ela fez na vida foi incendiar a própria casa. Sua outra complicação chama-se Dylan Emerton, e um segredo os mantém ligados. Agora, ironia do destino, sem um lugar para morar, ela vai ter que se mudar para a casa de ninguém menos que Dylan Emerton. Para Camilla, essa convivência é um tormento. Cada momento ao lado dele traz de volta o passado. O toque. A dor que veio depois. Mas Dylan não pensa assim. Nem um pouco. Quanto tempo até o passado cobrar seu preço? E de que serve essa atração incontrolável que ainda os consome?

Capítulo 1 Capítulo 1 Cinzas e Segredos

Camilla

O policial gentil colocou um cobertor sobre meus ombros enquanto eu, tremendo, assistia à nossa casa ser consumida pelas chamas até o chão. Mamãe e papai estavam a alguns passos de distância, mal conseguindo se manter em pé, mas ainda tentando ser fortes por minha causa. Eu me sentia entorpecida - bem, não totalmente, já que tinha pequenas queimaduras por ter corrido para fora.

Eles tentaram me confortar, mas não adiantou: minhas fotos, meus documentos. tudo virou cinzas num piscar de olhos. E nós, sem teto.

Papai começou a fazer ligações, tentando arranjar um lugar para passarmos a noite. Provavelmente, vamos ficar num hotel, mas não consigo parar de pensar no quanto isso vai custar. Não é como se pudéssemos todos caber num quarto só. Não posso fazer nada para ajudá-los, e saber que a culpa é minha só piora tudo. Foi por minha causa que a casa pegou fogo. Como pude ser tão tola e descuidada?

Como qualquer adolescente, eu estava feliz trocando mensagens no celular. Me empolguei tanto que esqueci uma panela no fogão. Se fosse só isso, ainda estaria tudo bem; eu levaria uma bronca e vida que segue. O que eu não daria por uma simples bronca agora. Mas, além de distraída, estava tão envolvida na conversa que joguei um guardanapo de qualquer jeito perto do fogão e fui ao meu quarto buscar uma caneta. Era só um guardanapo, mas as coisas fugiram do controle rapidamente.

Minha irresponsabilidade fez com que eu não percebesse nada até o detector de fumaça disparar. Corri para a cozinha com o celular numa mão e um papel na outra, e lá estava o fogo. Em pânico, tentei jogar água, mas já era tarde demais. É um milagre eu ter escapado apenas com queimaduras nas costas e nas mãos - o que significa que, por um bom tempo, nada de regatas. Tudo foi culpa minha. Tudo pelo que meus pais trabalharam se foi. Os vizinhos só conseguiam dizer "Sinto muito por vocês" antes de voltarem para suas casas. Pelo menos eles ainda tinham casas.

"Oi, querida", papai me chamou com carinho. Dessa vez, não. Suas mãos suaves não podiam me confortar. Eu estava tão perdida em meus pensamentos que nem conseguia imaginar como superar essa culpa.

"Desculpe, papai", me desculpei, desabando em lágrimas. Como pude fazer isso com meus pais? Como vou encará-los depois disso? Eles vão me odiar se eu contar a verdade, mas, se não contar, a culpa vai me corroer viva. Estou tão confusa. Papai não percebeu o que se passava em meu rosto, ou talvez tenha interpretado mal como apenas tristeza. Não que estivesse completamente errado: eu estava triste, mas não apenas pelo motivo que ele imaginava. Mesmo assim, ele sorriu e acariciou minhas bochechas. Eu cerrei os lábios e me enrijeci.

"Não precisa pedir desculpas, querida. Não foi sua culpa, foi um acidente. Acontece o tempo todo, você não tem culpa alguma."

Mas eu tenho. Não tive coragem de contar que estava cozinhando. Ele achou que tinha sido um vazamento de gás, supôs, e eu não me esforcei para corrigi-lo. Agora, me sinto infinitamente pior.

Acenei com a cabeça enquanto ele me abraçava mais forte. Continuei sussurrando "desculpe" baixinho, por um motivo que ele desconhecia.

Conseguimos salvar o carro do papai, então entramos nele. Aquele carro era tudo o que nos restava no mundo.

"A casa tinha seguro, mas vai demorar até a indenização sair", mamãe anunciou enquanto eu fungava. Ela não estava nada bem depois que todos foram embora; seu rosto desabou, e eu sabia que ela estava à beira de um colapso.

"Vamos para um hotel ou algo assim?" perguntei, confirmando minha suspeita. Pelo menos o seguro existe. Não resolve tudo, mas é melhor que nada.

"Vai demorar. Não podemos viver num hotel, e o dinheiro que usaríamos para alugar um apartamento agora vai ter que ser para roupas e coisas novas para vocês duas", papai anunciou com um suspiro cansado. Ele tinha acabado de perder tudo e ainda assim só pensava em mim. E eu o recompenso assim? Que idiota.

Mal conseguia me conter; queria tanto contar a verdade para ele. Que se dane as consequências! Eu precisava confessar.

"Temos outra opção. Um velho amigo meu ficou sabendo do acontecido, ligou para dar apoio e gentilmente ofereceu um lugar para ficarmos por um tempo, até nos reerguermos. Ele é casado, tem dois filhos, mas tem espaço de sobra, e um deles está na faculdade."

Eu suspirei. Normalmente, a ideia não me agradaria nem um pouco. Não gostaria de morar com estranhos, mas agora.? Não tínhamos escolha. Era isso ou a rua.

"E o outro filho.?" Deixei escapar, curiosa.

"Você deve conhecê-lo. Afinal, estudam na mesma escola."

Estudamos? Mal falo com ninguém na escola; tenho certeza de que ele será um completo estranho. Todos nós demos um suspiro coletivo.

"Sim. O Sr. Emerton é um grande amigo e uma pessoa maravilhosa", ele anunciou. Fiquei em alerta. Congelei no lugar. Geralmente, há milhares de pessoas com esse sobrenome, mas, com a pista que ele deu. eu sabia quem era. Na nossa escola, atualmente, só há uma pessoa com esse nome. Ah, droga. Dois desastres numa única noite. Enterrei o rosto nas mãos e tentei parecer normal.

"Vou morar com o Dylan Emerton", murmurei para mim mesma, enquanto ele sorria e apertava a mão da minha mãe de forma reconfortante.

"Oh, não", sussurrei, quase inaudível.

"Por favor, não o Dylan. Não posso encará-lo de novo." Pensei, enquanto meu pai dava partida no carro. Rezei a todos os anjos no céu - mesmo tendo cometido o pior dos pecados -, fechei os olhos e implorei para que Dylan não se lembrasse de mim. Já se passaram dois anos, então espero que ele tenha me esquecido, mesmo que eu não possa dizer o mesmo. ainda me lembro dele todas as noites. Parece que foi ontem, mas não foi. Já faz mais de dois anos.

MINUTOS DEPOIS

O carro do meu pai parou em frente a uma mansão enorme. Saímos todos. Em momentos assim, agradeci por ser filha única - nem quero imaginar como seria se meus pais tivessem mais filhos para cuidar. É uma coisa horrível de se pensar, mas é a verdade. Balancei a cabeça, percebendo que estava colocando a culpa no Dylan. Ele nem estava aqui e já estava me afetando. Com certeza, a culpa era dele.

Meu pai discou um número no interfone e, segundos depois, o portão se abriu automaticamente para que entrássemos. Uau.

Papai estacionou na garagem. Saí lentamente, carregando as únicas duas coisas que consegui pegar ao fugir: meu celular (o cúmplice do crime) e um moletom que agarrei ao subir as escadas - nem lembro por quê, mas estava grata por tê-lo. Não sobreviveria sem ele. Ficaria perdida se tivesse virado cinzas. Na verdade, nem é meu; é um empréstimo que talvez nunca seja devolvido.

Segundos depois, a porta da frente se abriu e um homem de meia-idade, a própria imagem do Dylan, apareceu. Então era daí que ele herdou tudo. Atrás dele, uma mulher linda, que não aparentava mais que trinta anos, mas que devia ser a mãe dele.

"Emerton!", meu pai cumprimentou com afeto, enquanto os dois se cumprimentavam. Lá vem o constrangimento.

"Sinto muito pelas circunstâncias, mas vocês três são muito bem-vindos para ficar o tempo que precisarem", a mãe de Dylan anunciou.

Minha mãe cutucou meu cotovelo, um sinal para eu falar.

"Boa noite, senhor, senhora. Eu sou a Camilla. Muito prazer em conhecê-los", cumprimentei, forçando um sorriso, apesar de tudo.

"Nossa, me sinto tão velho assim?", o Sr. Emerton brincou, e eu sorri de volta. Eles pareciam ser bem acolhedores.

"Vocês devem estar exaustos. Vamos entrar, precisam descansar." A Sra. Emerton nos guiou, e eu entrei, segurando minhas coisas.

Não havia nenhum sinal do Dylan. Talvez minhas preces tinham sido atendidas. Quem sabe? Talvez ele tivesse sido abduzido por aliens.

"Vamos conversar com seu pai, Camilla. Você pode escolher qualquer quarto a partir do segundo andar. O primeiro andar é do Dylan", o Sr. Emerton instruiu. Acenei lentamente e entrei. A casa era enorme; observei a decoração enquanto subia as escadas.

Passei pelo primeiro quarto no segundo andar - quase tentada a espiar. Quase.

Decidi ficar o mais longe possível dele, então escolhi o quarto no final do corredor.

O quarto era espaçoso, com uma cama king size no centro. Não tive tempo de admirar os detalhes. Tirei minhas roupas com cuidado, coloquei o celular na mesa de cabeceira e fui direto para o banho. As queimaduras não doíam tanto; os analgésicos que os paramédicos me deram tinham feito efeito.

Não sei quanto tempo passei no chuveiro, mas era o que eu precisava. Lá, agachei-me e refleti sobre minha situação, enquanto a água escorria pelo meu cabelo.

Quando saí, enrolei a toalha frouxamente ao redor do torso. Virei-me para tentar prender o cabelo molhado num coque.

De braços no ar, o nó da toalha se soltou e caiu no chão.

"Oi, gata."

Ouvi aquela voz que assombrava meus sonhos - e meus pesadelos. Engoli em seco e me virei.

"Dylan", murmurei. Agachei-me, peguei a toalha e a prendei novamente ao corpo, segurando com força.

"Eu estava apreciando a vista. mas a frente seria ainda melhor." Ele disse com audácia.

Freezei diante de sua ousadia.

"Você deve ser a garota de quem meus pais estão falando", ele continuou, com um tom de desdém.

"Por que você me parece familiar?" Ele perguntou. Engoli em seco de novo, tentando bolar uma mentira convincente.

Minhas preces definitivamente não foram atendidas.

Capítulo 2 Capítulo 2 Jogos de Poder

Camilla

O imbecil nem sequer desviou o olhar depois que me cobri com a toalha. Continuou me encarando, percorrendo meu corpo com os olhos como se estivesse me despindo mentalmente, imaginando arrancar a toalha de mim com as próprias mãos. Aff!

Levantei a cabeça, constrangida, e o encontrei sorrindo como se nada tivesse acontecido.

"Ah, espera, acho que me lembro de você agora." Ele disse, e eu congelei. Meu constrangimento se transformou instantaneamente em medo. Ele me pegou tão facilmente.

"Ah, não..." pensei, enquanto ele inclinava a cabeça para o meu lado, chegando a dar um passo à frente.

"Estudamos na mesma escola, né?" Ele perguntou. Soltei o ar aliviada antes de acenar com a cabeça.

"Sabia. Bom, então te vejo amanhã. Por favor, não saia contando pra escola toda que moramos juntos. Prefiro que isso fique entre a gente. Entendeu?" Não era uma pergunta, era uma ordem. Ele se achava demais, e claramente me via como insignificante. Imagina o escândalo quando as ficantes dele descobrissem que ele divide o teto comigo. Ele teria que dar um monte de explicações - estaria poupando ele de muito estresse se só ficasse quieta. Uma partezinha de mim queria muito espalhar, só para provocá-lo, e quem sabe me divertir um pouco, talvez ganhar alguma atenção. Sei lá.

Só revirei os olhos em resposta, levantando o dedo do meio para ele.

"Pode acreditar, eu adoraria. É mais fácil agora que moramos juntos - estou a poucos quartos de distância, sempre que você estiver a fim." Ele respondeu antes de se virar.

"Ah, quase esqueci - belo rabo, por sinal." Ele estalou a língua. Eu suspirei irritada, peguei um travesseiro e joguei na direção dele, mas ele fechou a porta na hora, fazendo com que o travesseiro batesse na madeira em vez de nele. Resmunguei, cruzei os braços e deixei meu corpo cair na cama. Fiquei brincando com o cabelo enquanto refletia sobre minhas escolhas de vida. São só algumas semanas, depois caio fora desse buraco, deixo ele pra trás.

"Tanto esforço para evitá-lo..." murmurei. Levantei, dei alguns passos até a porta para trancá-la, e então me livrei da toalha.

Verifiquei o armário - gente rica sempre tem robes por aqui - e havia algumas roupas, mas pareciam masculinas; esse quarto devia ter sido ocupado antes. Sem opção, peguei algumas, jogando-as na cama para escolher. Terria que me virar com elas por essa noite. Vesti uma camiseta básica que chegava até meus joelhos. Como cobria metade do meu corpo, nem precisava de shorts.

Deitada na cama, os pensamentos sobre o incêndio invadiram minha mente. Virei de um lado para o outro, incapaz de me livrar da culpa ou pelo menos pegar no sono.

"Desculpe, pai..." sussurrei, quase derramando lágrimas. Já não tinha mais nenhuma para chorar.

"Além do incêndio, havia outro fator na minha cabeça. Dylan Emerton. Ele pode não lembrar, mas eu lembro. Vividamente. Isso só complica tudo. Não posso brincar com fogo, nem literalmente e nem figurativamente. Vou ter que evitá-lo a todo custo, não importa o que aconteça. Se ele descobrir a verdade, estou perdida." Pensei, soltando um suspiro profundo.

Espero que as coisas não mudem. Só quero continuar minha vida entediante como a garota invisível da escola. "Você é ingênua." Minha consciência zombou de mim, e eu sabia que ela estava certa. Minha vida tinha mudado e talvez nunca mais fosse a mesma. Só me restava tentar salvar o que sobrava e torcer pelo melhor.

NA MANHÃ SEGUINTE

Os raios de sol foram meu despertador natural, e assim que tocaram minha pele, comecei a acordar aos poucos com um longo bocejo. Não me entenda mal, eu adoro dormir, mas não consegui muito na noite passada. Dormi feito uma pedra e agora estava cheia de energia para o dia. Normalmente, eu já teria separado as roupas para lavar, mas as coisas mudaram. Saí da cama apressada, peguei minhas roupas sujas e as deixei no banheiro para depois.

Ouvi uma batida suave na porta. Dylan nunca bateria, bateria? Esquece o Dylan. Devia ser minha mãe ou meu pai. Fui até a porta, destrancando e girando a maçaneta, só para encontrar Dylan com um sorriso maroto. Eu estava errada, ele estava sendo educado...? E até batendo na porta. Será que acordei num universo paralelo?

Seus olhos percorreram meu corpo quando percebi que estava só de camiseta. "Deixei umas roupas aqui, mas ficam bem melhores em você. Duvido que precise delas." Ele levantou uma sacola e eu estendi a mão para pegá-la, fazendo com que a camiseta subisse, enquanto Dylan olhava descaradamente para minhas pernas. Arranquei a sacola da mão dele, fechando a porta na cara dele enquanto pressionava a mão contra meu coração acelerado, tentando me acalmar. "Ficar perto dele não me faz bem, preciso manter distância," murmurei, abrindo a sacola para escolher as roupas do dia.

Depois do banho, vesti um vestido floral e desci para a sala de jantar. Todos estavam na mesa, menos meus pais. Será que saíram? Ou ainda estavam descansando depois do dia exaustivo de ontem. A Sra. Emerton percebeu minha confusão e suspirou.

"Seus pais tiveram uma emergência, precisaram sair do país, mas voltam logo." Ela finalizou com um sorriso tranquilizador.

"Eles foram embora sem me avisar?" Fiquei um pouco magoada. Na verdade, muito magoada. Nem um bilhetinho?

"Sinto muito, querida. Eles deixaram uma bolsa e um dinheiro. Prometeram ligar mais tarde, mas tiveram que sair correndo." Disse o Sr. Emerton enquanto eu pegava o que precisava. Isso era horrível. Horrível mesmo.

Deixei a maioria dos meus livros no armário, o que foi um alívio.

"Não tô com fome, vou comer alguma coisa no recreio." Ofereci um sorriso triste, para não parecer mal-educada.

"Dylan, querido, seja gentil e leve a Camilla para a escola." Ordenou a mãe dele.

Ele resmungou algo ao se levantar, mas não teve escolha enquanto saíamos de casa.

Para completar a imagem de 'bad boy', ele recusava ter carro e só tinha uma moto. Ele me entregou um capacete enquanto eu subia, abraçando-o com força e sentindo o cheiro dele antes de partirmos. E aquele papo de não sermos vistos juntos? Mas não tô reclamando.

Minha alegria durou pouco. Gostei de abraçá-lo e sentir o cheiro dele o caminho todo, mas o Dylan tinha outra cartada na manga.

Ele parou a moto a alguns metros da escola. Desci. Claro, ele me deixa longe de olhares curiosos.

"Eu sei, ninguém pode saber que moramos juntos," repeti, revirando os olhos.

"Ótimo." Ele sorriu enquanto eu começava a me afastar.

Assim que cheguei à escola, fui direto ao meu armário pegar os livros para as aulas. Senti duas mãos quentes envolverem minha cintura e uma voz perto do meu ouvido.

"Oi, amor." Ele sussurrou. Conhecia bem aquela voz. A presença dele me fez lembrar do incidente mais uma vez.

"Oi, querido." Respondi, me virando e colocando as mãos em seu pescoço.

Esse é o Kyle. Talvez você já tenha suspeitado, mas vou confirmar: ele é meu namorado. Dois anos juntos e ainda firmes, ou algo assim.

"Desculpe por ontem." Ele se desculpou, e eu suspirei. Ele não precisava tocar no assunto, eu estava tentando esquecer.

"Não foi sua culpa."

Estávamos trocando mensagens quando a casa pegou fogo, você sabe o resto...

"Você arrumou algum lugar pra ficar?" Ele perguntou carinhosamente. Engoli em seco, encarando seu olhar intenso. O que eu faço? Não posso falar sobre o Dylan, não por medo, mas porque o Kyle não entenderia.

"Sim, na casa de um amigo do meu pai." Bom, isso não era totalmente mentira, mais uma meia-verdade.

"Mas sinto muito, vamos pra aula." Fechei meu armário e seguimos de mãos dadas para a sala. Fiquei aliviada que ele deixou o assunto pra lá - crise evitada, por enquanto. Conhecendo o Kyle, ele vai querer saber mais em breve. Muito em breve.

"Camilla..." O Dylan chamou atrás de mim. Como assim?

Juro que a voz dele me fez congelar, fiquei completamente paralisada, sem reação. Ele está falando comigo? Chamando meu nome, ainda por cima?

A gente estuda na mesma escola desde o fundamental, ele mal diz oi, mesmo a gente tendo três aulas juntos, e agora resolve gritar meu nome no corredor? Me enterrem. A ideia era não chamar atenção, não era? Mentalmente, me dei um tapa na cara antes de me virar para encarar o Kyle. Claro, ele estava com as sobrancelhas franzidas, com aquele olhar de " explica agora". Tô perdida.

"Quem é ele?" Kyle perguntou, me puxando para perto. Ele sabia muito bem quem era o Dylan. Todo mundo sabia. Ele queria dizer "Quem é esse cara pra te chamar assim?" A mesma pergunta que eu estava me fazendo. Devíamos perguntar ao Dylan.

"Eu não sou ninguém, mas sou o cara que a viu pelada ontem. Ainda assim, não sou ninguém." Ele respondeu com um sorriso malicioso. Meu queixo caiu. Ele não acabou de falar essa merda. Queria que o chão engolisse na hora. Kyle ficou com um olhar matador, sem contar o brilho de traição nos olhos. Como é que eu vou explicar isso?

Capítulo 3 Capítulo 3 Segredos e Ciúmes

CAMILLA

Fiquei completamente paralisada com o que ele disse, a boca mal conseguia formar uma resposta. Mesmo que conseguisse, para quem eu devia responder primeiro? O Dylan gritou meu nome descaradamente no corredor, chamando a atenção de todos que se importavam em olhar - e eram muitos, graças à popularidade dele. Ou devia responder ao meu namorado? Ele está claramente querendo saber por que o Dylan Emerton me viu completamente nua.

Só queria que o chão me engolisse. Estou tão perdida.

As mãos do Kyle se soltaram das minhas, me forçando a tomar uma decisão. Ele está magoado. Virei e vi a dor e a decepção estampadas no rosto dele. Então me virei de novo e lancei um olhar mortal para o Dylan, que respondeu com um sorriso sardônico antes de se afastar. Esse é o plano dele? Criar caos? Perturbar minha vida tranquila? Ele não quer nem precisa de nada - só me fazer parecer uma idosa completa na frente do meu namorado. Agora deixou essa bagunça toda, mas o Dylan não está nem aí. Para ele, é só diversão e jogos. Nada mais.

"Diz que ele está mentindo."

A voz dele me fez estremecer, tirando-me da minha fúria interna e dos pensamentos de vingança. Nunca quis magoar o Kyle. Foi um erro genuíno, mas ele não vai simplesmente esquecer isso. Ele não acreditaria em mim mesmo se eu contasse só a verdade, sem mencionar que está prestes a explodir.

Nunca o vi tão bravo. Em dois anos, essa foi a primeira vez que ele não conseguiu me olhar nos olhos. Doeu mais do que eu imaginava.

"Kyle, por favor, posso explicar," disse, soando incrivelmente clichê, mas não consegui pensar em nada além de tentar acalmá-lo. A estratégia saiu pela culatra - ele soltou uma risada amarga, e minhas palavras só pareceram irritá-lo mais.

"Diz. Que ele está. Mentindo."

Ele elevou o tom de voz e eu estremeci.

"Camilla." Ele chamou, os olhos brilhando de lágrimas contidas, as mãos tremendo ao lado do corpo. Soltou outro riso de descrença, passou os dedos pelo cabelo e saiu. Eu estava prestes a perdê-lo. Iria perdê-lo se não dissesse alguma coisa.

"Meu pai não teve escolha a não ser aceitar morar com os Emerton. A gente estava devastado, confuso, assustado e exausto depois do incêndio. Quando o Sr. Emerton ofereceu ajuda, aceitamos. Eu não sabia que era na casa deles até entrarmos no carro - não podia me opor ou colocar meus sentimentos ridículos em primeiro lugar. Tive que aceitar. Cheguei lá, a gente não se viu, eu fui direto pro andar de cima, tirei a roupa para tomar um banho e tirar o cheiro de fumaça. Quando saí, com a toalha amarrada no peito, ele apareceu do nada. Não sabia que ele estava atrás de mim, a toalha escorregou e ele viu... minha bunda. Por uns três segundos, eu juro."

Mais uma vez, contei uma meia-verdade para tampar meu erro e não piorar a situação. Temos tido muitas dessas últimamente. Se o Kyle achar que foi só um mal-entendido, talvez não investigue mais. Espero que não. Sinceramente. Minha cabeça está girando e nem acabou o primeiro período ainda.

"Ele te viu nua." Ele afirmou num tom baixo e controlado. Era só isso que ele tinha ouvido? Não nua nua. Só minha bunda. Com certeza não tinha sido isso que eu disse.

"Eu sei, e isso nunca vai acontecer de novo, eu juro." Acariciei seu rosto e ele gemeu baixo. Por favor, deixa isso pra lá.

"Promete que vai ficar longe dele."

Ele implorou, pegando minha mão e se aproximando. Engoli em seco e hesitei.

"O Dylan e eu não temos nada a ver um com o outro. Assim que arrumarmos a casa, eu caio fora. Você não precisa se preocupar."

Engoli em seco de novo. "Ele pediu pra prometer..." minha consciência sussurrou. Balançei a cabeça, sabendo muito bem o que estava fazendo: evitando e desviando. Não faço promessas que sei que não posso cumprir. Mesmo que tentasse, a verdade é que não consigo ficar longe do Dylan. Só espero que o Kyle não se machuque no meio disso.

"Tá bom." Ele murmurou, encostando os lábios nos meus. O beijo foi rápido, durou só uns segundos, então ele se afastou e passou o braço pelo meu ombro. Talvez por causa da discussão, mas pareceu meio mecânico. Estou com uma dor de cabeça enorme. E nem é segunda-feira.

"Vamos pra aula," sussurrei, segurando a mão dele. Ele pareceu hesitante, mas apertou minha mão enquanto caminhávamos para a sala.

**

As aulas foram tranquilas, exceto pelo fato de que o Kyle exagerou na proteção o dia todo. Entendo que ele é meu namorado e tudo mais, mas depois do encontro com o Dylan, parece que um botão na cabeça dele foi acionado. Tipo, ele estava sendo superprotetor. Eu gosto quando eles marcam território, mas não nesse nível. Não sou um cachorro de estimação.

Ele se recusava a me deixar sair da vista dele por um segundo e estava me enlouquecendo, sem contar os olhares de morte que dava nos caras - a maioria, meus amigos que só queriam dar um oi. Isso estava começando a me irritar profundamente. Tentava entender as inseguranças dele, mas a qualquer momento eu poderia explodir. Simplesmente não dá.

Felizmente, era hora do almoço e fui em direção ao refeitório, com ele colado atrás de mim. Parei de repente, me virando para encará-lo com seriedade. O Kyle quase nunca almoça comigo - noventa por cento das vezes ele está ocupado com treinos ou atividades extracurriculares. Às vezes, ele pode ser sufocante, então o horário do almoço é meu momento de respiro. E agora ele quer tirar isso de mim também.

"Você está sendo impossível," disse, soltando uma risada de frustração. Sim, estou ficando louca.

"O que eu fiz?" Ele fingiu ignorância, e eu o encarei com mais intensidade.

"Você está me vigiando como um falcão, não me deixa nem respirar, está dando olhares mortais pros meus amigos, sem falar que está agindo como um possesso. É insuportável e você sabe disso!"

Resisti à vontade de cutucar o peito dele na frente de todo mundo.

"Quer dizer que estou sendo um bom namorado?"

Ele estava tentando ser fofo. Ótimo.

"Não, você está agindo como um ciumento doente."

Enfatizei as palavras com um suspiro. Estou tentando não magoá-lo.

"Amor, eu sou sua." Completei, me esticando para dar um beijo nele, já que ele era bem mais alto.

"Sua e de mais ninguém. O que aconteceu com o Dylan foi um acidente e não vai se repetir. Por favor, acredita em mim."

Ele suspirou, derrotado.

"Tá bom." Ele cedeu, colando os lábios nos meus.

"Vamos comer." Sugeri com um pequeno sorriso. Já que estamos aqui.

O refeitório da escola Kingston era razoavelmente grande, com espaço suficiente para todo mundo, embora a galera sempre preferisse sentar em panelinhas. Nunca entendi muito bem isso, talvez porque eu não seja tão social.

Eu sentava com o Kyle de vez em quando. Nunca fiz amizade com muitas meninas porque a maioria só fala de moda e roupa - assuntos que não me interessam -, então o Kyle sempre me bastou.

Comemos em silêncio, até que aconteceu algo extremamente estranho. Um calouro veio até nossa mesa e me entregou um bilhete. Franzi a testa confusa, limpando a boca. O Kyle ficou me observando atentamente enquanto eu abria o papel. Por favor, que não seja o que estou pensando.

"Vem almoçar comigo. Você sabe quem é."

Eu sei quem é. Aquele desgraçado do Dylan. Qual o problema dele? Me ignorou por anos, mandou eu não mudar o comportamento agora que moramos juntos e, do nada, me enche de atenção. Bipolar, talvez?

Amassei o bilhete na mão. Que atrevido. Não me dirigiu a palavra em anos e, de repente, um acidente nos transforma em colegas de casa e ele decide me infernizar. O Kyle percebeu minha mudança de humor - seus olhos pousaram na minha mão, onde o bilhete estava. Guardei-o na bolsa e tentei me concentrar na comida.

"Você tá bem?" Kyle perguntou com carinho.

"Tô," respondi secamente. De repente, perdi a fome. Peguei minhas coisas e saí do refeitório.

Eu sabia que não devia deixá-lo me afetar, mas ele conseguia - e isso me assustava. Sabia que magoara o Kyle, mas simplesmente não conseguia encará-lo; a culpa estava me consumindo. Evitei todo mundo pelo resto do dia e, quando o sinal tocou, peguei meus livros, fechei o armário e me preparei para ir embora. Meu celular vibrou: era uma mensagem do Dylan. Nem tinha dado meu número para ele, e nem queria imaginar como conseguiu.

"Me encontra no mesmo lugar. Te levo de carona." dizia a mensagem. Soltei uma risada de desdém. Ignorei, pensando que preferia andar a pé a deixá-lo brincar comigo. Estava prestes a sair quando avistei o Kyle no fim do corredor - seu rosto estava corado, os olhos, cabisbaixos. Usei toda minha força de vontade para ignorá-lo e seguir em frente. Precisava de um tempo sozinha, senão iria magoá-lo ainda mais.

Meus pés estavam doendo de tanto andar. Fechei a porta atrás de mim e me joguei no sofá, quase pulando quando vi o Dylan sentado ali, me esperando.

"Fiquei te esperando," ele resmungou, irritado.

"Não preciso mais que você me dê carona, posso ir a pé," respondi, claramente indiferente.

"Te chamei para almoçar, você me deu cano, e agora não quer carona. Não sei que jogo você está jogando, mas não me teste," ele advertiu, e eu revirei os olhos.

Me testar? O que eu sou? Uma criança de cinco anos? Não sou uma criança, você não é meu pai. Você não é ninguém, Dylan. Não temos nada juntos nem nos conhecemos direito. Infelizmente somos obrigados a viver sob o mesmo teto, e a conexão termina aí.

Seus olhos se estreitaram. Por que não consigo ficar quieta?

"Por que sinto que tem mais coisa entre a gente do que você está admitindo?"

Ele perguntou, fazendo meu coração acelerar. Falo demais - agora ele vai me encher o saco. Ele não pode descobrir. Ele não pode saber.

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