"Mabel Baldwin! Você não tem vergonha. Como pode ficar grávida antes do casamento? Diga, quem é o pai?"
"Ela deu à luz! Meu Deus. O bebê não sobreviveu!"
No hospital psiquiátrico, uma jovem jazia na cama, seus delicados traços destacando-se contra sua pele pálida. Ela franzia a testa, parecendo preocupada, como se tivesse caído em um pesadelo interminável.
"Garota..."
A voz de seus sonhos, assombrando-a por anos, ecoou em sua mente mais uma vez.
"Boa garota, entregue-se a mim. Eu vou me casar com você..."
"Whoosh!"
Mabel subitamente despertou, seus pensamentos em desordem.
Era apenas mais um pesadelo.
Mas talvez não fosse apenas um pesadelo. O que acontecia em seu sonho parecia terrivelmente real. Ela havia sido atormentada pelo mesmo sonho por cinco longos anos.
Mabel saiu da cama e caminhou até a janela, olhando para o céu azul claro. Havia um resquício de ressentimento em seus olhos.
Cinco anos atrás, sua própria irmã, Camila Baldwin, havia a incriminado e roubado sua inocência por um estranho.
Um mês depois, ela descobriu que estava grávida. Oito meses depois, deu à luz a um bebê natimorto.
Na época, o pai de Mabel estava no auge de sua carreira e não pôde tolerar suas ações.
Como resultado, a mãe de Mabel e Camila se aproveitaram de seu estado enfraquecido após o parto. Elas manipularam a situação e enviaram Mabel para um hospital psiquiátrico.
Eles também retiraram todas as ações de Mabel no negócio da família.
Mabel apertou os olhos enquanto observava o carro de luxo estacionado no portão do hospital. Um brilho de determinação reluziu em seu olhar.
O carro havia vindo buscá-la.
"Senhorita Baldwin."
Alguém bateu na porta. "Estamos aqui para levá-la para casa."
Mabel deu uma risada de desdém, seus olhos cheios de uma resolução gelada. A família Baldwin havia mandado alguém buscá-la porque queriam que ela tomasse o lugar de Camila como a noiva.
A família Baldwin havia orquestrado uma aliança matrimonial para expandir seus negócios. Mabel estava prestes a casar-se com Jayden Griffiths, o segundo filho da prestigiosa família Griffiths.
No entanto, circulavam rumores de que Jayden sempre fora frágil e adoentado. Ele também era deficiente. Dizia-se que ele tinha, no máximo, 28 anos de vida desde o dia que nasceu.
Camila era a menina dos olhos da família Baldwin, então eles hesitaram em casá-la apenas para vê-la se tornar uma viúva. Foi então que eles se lembraram da filha que haviam abandonado no hospital psiquiátrico.
Mabel virou-se e saiu do quarto com indiferença.
Ela sabia que finalmente era hora de se vingar da família Baldwin.
Ela jurou fazer aqueles que a tinham traído, ferido e lhe deviam pagar por suas ações.
Cinco anos se passaram, e a cidade havia prosperado ainda mais.
A mansão da família Baldwin parecia mais desgastada do que há cinco anos atrás.
Os sentimentos de Mabel em relação à família Baldwin haviam se reduzido a pouco mais do que um sobrenome compartilhado.
Assim que Mabel adentrou a mansão, ela avistou Victoria Fletcher e Camila sentadas no sofá à distância. Victoria gentilmente descascava uvas para Camila.
"Camila, você é realmente astuta."
Victoria sorriu e disse, "Se você não tivesse sugerido casar Mabel, eu teria sentido tanta pena de você."
"Mãe!" Camila abraçou o braço de Victoria, agindo como uma criança mimada. "Não fale assim sobre Mabel. Eu só propus a ideia. Ela pode não concordar!"
"Ela não tem permissão para recusar!" Victoria, furiosa, jogou as uvas sobre a mesa. Só de pensar em Mabel a deixava furiosa.
"Essa mulher sem vergonha é uma desgraça para a família Baldwin. Não só ela ficou grávida de um homem desconhecido, mas também teve um bebê natimorto! É um milagre que alguém esteja disposto a se casar com ela, ainda mais seus futuros sogros sendo uma família tão estimada na cidade. Ela não tem voz nesse assunto."
Sam Baldwin largou seu jornal e disse, "Sua mãe está certa. Essa ingrata filha trouxe vergonha suficiente para mim! É um privilégio que ela ainda possa se casar. Como ela ousa ser exigente!"
"Pai, mas..."
"Camila!" Victoria franziu a testa e olhou para a filha. "Você é bondosa demais. Você esqueceu como ela te caluniou cinco anos atrás?"
Camila respirou fundo. "Mãe, não se preocupe. Lewis e eu não seremos como Mabel. Faremos tudo o que pudermos para que vocês se orgulhem."
Somente então Sam e Victoria sorriram satisfeitos.
Camila e Lewis Baldwin eram seu orgulho e alegria. Especialmente Lewis, o jovem e promissor herdeiro. Dois anos atrás, o Grupo Baldwin enfrentou uma crise financeira. Foi Lewis quem os guiou através das dificuldades com suas brilhantes ideias de negócios.
Sob a liderança de Lewis, o Grupo Baldwin prosperou nos últimos dois anos.
Ter um filho tão excepcional era a eterna fonte de orgulho da família Baldwin.
Mabel ficou parada na entrada, seus olhos repletos de determinação fria enquanto observava a cena se desenrolar. Com um sorriso, ela interrompeu, "O que faz vocês pensarem que eu não tenho o direito de recusar?"
Todos os três indivíduos na sala ficaram pasmos em silêncio.
Victoria foi a primeira a reagir. Ela olhou para Mabel com raiva e disse, "Você não deveria estar indo para a família Griffiths? O que está fazendo aqui?"
Mabel passeou casualmente para a frente e sentou-se no sofá diante deles.
"Estou aqui para recuperar o que é meu por direito."
Um barulho alto ecoou quando Lewis bateu com a palma na mesa. "Você ainda tem a audácia de falar sobre suas ações! Suas ações vergonhosas fizeram as ações do Grupo Baldwin despencarem. Estávamos à beira da falência, e ainda assim você tem a audácia de tocar nesse assunto!"
Mabel cruzou casualmente as pernas, um sorriso frio em seus lábios. "Você não está disposto a devolvê-las? Bem, então não há necessidade de discutir o casamento também."
"Você--" Sam estava fervendo de raiva, seu corpo tremendo violentamente. Ele levantou a mão, pronto para atingir Mabel.
"Vá em frente, me bata." Mabel zombou. "E prepare-se para casar sua querida Camila!"
A mão de Sam parou no ar, seus olhos arregalados de surpresa. Ele não acreditava o quanto Mabel tinha mudado em apenas cinco anos. A menina antes obediente e tímida agora estava diante dele, ousando ameaçá-lo. Sua ferocidade e arrogância eram completamente desconhecidas para ele.
Sam não pôde deixar de se perguntar o que havia acontecido com Mabel durante esses cinco anos. Sua raiva fluiu, e ele baixou a mão zangado. "Você está realmente me ameaçando?" Ele perguntou, sua voz cheia de frustração.
As palavras de Mabel transbordavam de arrogância e presunção. "Isso mesmo", ela respondeu, seu tom inflexível.
A paciência de Sam estava se esgotando. Ele não suportava mais. "Você, criança ingrata! Vou te dar uma lição que você não vai esquecer!" ele gritou, sua raiva consumindo-o.
"Pai!" Camila correu, segurando a mão de Sam. "Por favor, não machuque ela!"
Camila sabia que se pressionassem Mabel ao extremo, não haveria ninguém para defendê-la no casamento. Ela não queria ficar presa a um homem debilitado que não tinha muitos anos de vida pela frente.
O coração de Sam suavizou quando olhou nos olhos suplicantes de Camila. Ele abaixou a mão lentamente, suprimindo sua raiva. Ele franzia a testa e olhava para Mabel. "O que você quer, sua filha ingrata?"
Mabel ergueu uma sobrancelha, um traço de arrogância no olhar. "Eu já te disse. Eu quero meus 10% de participação de volta."
O tom frio e intimidador de Mabel, junto com sua nova confiança, deixou os três atônitos. Eles não conseguiam compreender como Mabel se tornou uma pessoa tão diferente após seu tempo no hospital psiquiátrico. Sua presença comandava a atenção, e eles não conseguiam deixar de se perguntar de onde vinha sua nova confiança.
Perdidos em pensamentos, os três trocaram olhares inseguros. Camila, cheia de ódio, mordeu o lábio mas fingiu estar de coração partido. "Mabel, me desculpe. Tudo é culpa minha..."
O coração de Victoria doía, e ela rapidamente interveio. "Camila, não é sua culpa."
Victoria olhou para Mabel com nojo. "Quatro anos atrás, quando a empresa abriu capital, eu transferi todas as suas ações para Camila. Você deve isso a ela!"
Ela continuou, seus olhos cheios de decepção. "E pensar que você sairia do hospital e imediatamente tentaria pegar o que pertence à sua irmã. Como você pode ser tão descarada?"
Victoria se arrependeu de ter dado à luz a uma filha tão ingrata.
A voz de Mabel permaneceu fria e firme. "Vocês nunca pediram minha permissão antes de pegar minhas coisas. Isso é roubo."
O rosto de Victoria ficou lívido. "Roubo? Camila é sua irmã!"
Mabel retrucou friamente. "Então por que você pediu para que eu me casasse no lugar dela?"
Victoria ficou sem palavras, seu peito se enchia de raiva.
A voz de Mabel se tornou ainda mais fria. "Vou perguntar pela última vez. Você vai devolver minhas ações ou não?"
Sam e Victoria estavam atordoados. Mesmo eles foram pegos de surpresa pela atitude gelada de Mabel. Eles não conseguiam acreditar que a mulher diante deles era a mesma Mabel de cinco anos atrás.
Camila, com a voz tremendo, gaguejou: "Mabel, como você pode falar assim com nossos pais? Somos uma família, e o que é meu é seu, certo?"
Mabel debochou. "Você está certa. Que tal me dar todas as suas ações então? Afinal, minhas ações também são suas."
Camila ficou surpresa. A Mabel que ela conhecia sempre consentia com todos os seus caprichos. Mas agora, ela se tornou afiada.
"Mabel, eu-" Camila começou, mas foi interrompida por um tapa forte em seu rosto.
Camila cobriu a bochecha, incredulidade em seus olhos. "Por que você me bateu? O que eu fiz de errado?"
Mabel passou os dedos sobre o ombro e falou com um tom preguiçoso. "Cale a boca. Sua falsidade é palpável."
Camila cerrava os dentes, desejando poder despedaçar Mabel. Mas ela abaixou a cabeça e fingiu chorar, simulando uma queixa.
O coração de Victoria se partiu ao ver as lágrimas de Camila. Ela segurou a filha em seus braços, oferecendo conforto e consolo.
A face de Sam escureceu. Ele sabia que teria que ceder as ações. Ele nunca permitiria que Camila se casasse com um homem incapacitado com uma expectativa de vida limitada.
Mabel falou despreocupada, "Tem certeza que quer adiar isso? A família Griffiths descobrirá se você continuar enrolando".
Sabendo que a felicidade de Camila estava em jogo, Sam e Victoria não tiveram escolha senão ceder. "Se transferirmos as ações para você, assumirá o lugar de Camila no casamento?"
Mabel arqueou uma sobrancelha. "Claro. Ao contrário de algumas pessoas, sempre cumpro a minha palavra."
Suprimindo a raiva, Sam pegou o telefone e iniciou o processo de transferência das ações. Logo, Mabel recebeu uma mensagem confirmando que a transferência seria concluída em 3 a 5 dias úteis.
Ela sorriu, um leve brilho de satisfação em seus olhos. "Não seria melhor fazermos isso mais cedo?"
Com isso, ela olhou friamente para Camila. "Camila, você ainda me deve algo."
Camila, com medo evidente em seu olhar, gaguejou, "O-Que você quer dizer?"
"Você conspirou contra mim há cinco anos, fazendo-me perder minha inocência," a voz de Mabel era fria e sem emoção. "Você realmente acha que eu não sei?"
Camila engoliu nervosa, o rosto ficando pálido. Ela acreditava que enquanto não houvesse evidências, Mabel não poderia fazer nada contra ela. E logo, ela teria sua vingança por aquele tapa.
Camila chorou, os olhos cheios de lágrimas. "Mabel, você me difamou cinco anos atrás. Por que você não me deixa em paz depois de todos esses anos?"
Mabel a encarou friamente. "Vou te dar uma última chance. Pense por si mesma."
Dizendo isso, ela voltou seu olhar para Sam e Victoria, lançou um olhar longo e saiu sem olhar para trás.
Enquanto Mabel saía da família Baldwin, ela entrou no carro da família Griffith, designado como o transporte do casamento. No entanto, era um simples veículo cinza, sem adornos, um claro sinal da falta de investimento da família Griffiths no casamento.
Sentada no carro frio, Mabel não sentia felicidade. Seu coração estava congelado, desprovido de qualquer calor. Ela se arrependeu de não ter desistido de sua família cinco anos atrás quando a rejeitaram cruelmente após o parto sem vida.
Pensamentos da pobre criança preenchiam sua mente e ela não podia deixar de sentir pena.
De repente, seu telefone tocou, interrompendo seus pensamentos. Mabel atendeu, a voz fria. "O que é?"
"Meu Deus! Você finalmente está dando o próximo passo!" uma voz animada exclamou do outro lado. "Isso merece uma comemoração!"
Mabel recostou-se preguiçosamente e olhou pela janela. "Se não há nada de importante, eu vou desligar."
"Espere!" a pessoa no telefone implorou. "Eu tenho algo importante para te contar. Tudo está correndo conforme o planejado. As colheitas cultivadas com o solo do hospital psiquiátrico são de excelente qualidade. Já enviamos os pedidos, e nossos esforços ao longo dos anos renderam frutos."
Mabel arqueou a sobrancelha, como se tudo estivesse sob o seu controle. "Eu tenho algo num cofre bancário. Me ajude a recuperá-lo."
Cinco anos atrás, o homem daquela noite fatídica lhe deu um anel de jade como uma lembrança. Mabel esperou pacientemente, ocultando suas forças. Finalmente, ela tinha o poder de se proteger, e era hora de buscar vingança contra aquele homem.
Encerrando a chamada, Mabel fechou os olhos. De repente, o carro parou, fazendo seu corpo se inclinar para a frente. O motorista olhou à frente, com o rosto pálido. "Tem uma senhora deitada na estrada. Ela está tentando nos extorquir?"
Mabel olhou para cima e avistou uma mulher idosa de cabelos prateados caída no chão, tremendo incontrolavelmente. A preocupação inundou-a ao notar o rosto da mulher mudando para um tom azulado, e sua mão frágil erguendo-se como se estivesse em busca desesperada por ajuda. A vestimenta da mulher, embora simples, insinuava sua riqueza e sugeriu que ela não estava ali para enganar ninguém.
Percebendo que a velha senhora precisava de atendimento médico imediato, Mabel saiu rapidamente do carro. Transeuntes se aglomeraram ao redor, alguns até mesmo tirando seus telefones para capturar a cena, mas nenhum ousou ajudar a mulher. Ignorando os murmúrios céticos, Mabel mergulhou na multidão e se agachou ao lado da velha senhora.
Uma voz na multidão tentou dissuadi-la. "Senhora, é claro que ela está tentando te enganar. Seria melhor você não se envolver em negócios alheios."
"Isso mesmo, hoje em dia não dá pra confiar em ninguém. Cuidado, ela pode tentar te extorquir!"
Mabel não deu ouvidos aos avisos. Sua atenção estava voltada para um frasco branco de comprimidos perto da mão da mulher, provavelmente contendo o medicamento de que ela precisava. Pegando o frasco, ela inspecionou o conteúdo, retirou um comprimido, e gentilmente ajudou a mulher inconsciente a engoli-lo.
Após alguns minutos de consumo do medicamento, a cor voltou ao rosto da senhora, e seu corpo parou de tremer. Logo depois, chegou uma ambulância. Mabel confiou a senhora aos cuidados da enfermeira.
Quando Madame Griffiths estava sendo carregada para a ambulância, ela recuperou brevemente a consciência, seus olhos embaçados se fixaram em Mabel. Fraquejando, ela ergueu a mão, tentando chamar por Mabel, mas eventualmente sucumbiu à inconsciência mais uma vez.
...
O carro chegou à residência particular da família Griffiths, alojada na prestigiosa Villa Orquídea. A terra aqui possuía grande valor, e a opulência da villa era inegável. Cada planta no jardim parecia valer uma pequena fortuna.
Guiada pela governanta, Mabel entrou na villa. Sua arquitetura de estilo europeu exibia uma grandeza que a fazia se sentir minúscula dentro da espaçosa sala de estar. Era como se ela tivesse sido transformada em uma formiga.
A família Griffiths detinha imenso poder e influência na cidade. Ciente disso, Mabel permaneceu obediente e composta, não ousando desafiar sua autoridade. O mordomo conduziu-a a um quarto de hóspedes, instruindo-a a descansar e informando que estaria à disposição dela.
"Obrigada," respondeu Mabel, instalando-se no quarto. O sofá de couro italiano importado provou ser tão confortável quanto aparentava. Ela afundou preguiçosamente nele, descansando o queixo na mão, em uma pose ousada, porém atraente.
De repente, um som peculiar emanou de trás dela. Os sentidos de Mabel se aguçaram, e ela se sentou rapidamente, alerta e cautelosa. Sem aviso, um lobo branco como a neve irrompeu de trás das cortinas, avançando em sua direção.
Mabel estreitou os olhos, habilmente evitando o ataque do lobo. A criatura se exasperou, suas garras afiadas raspando no chão enquanto rosnava ameaçadoramente com os dentes à mostra.
Com desprezo, Mabel olhou para o lobo. Ele parecia ter esquecido que não estava mais na selva e agora residia dentro da villa como um animal de estimação.
Seu olhar de desprezo apenas enfureceu ainda mais o lobo, levando-o a rosnar, suas garras estendidas enquanto ele se lançava novamente a Mabel, mirando na garganta dela.
Mabel manteve sua posição, pronta para enfrentar o lobo de frente. No entanto, no último momento antes de seu ataque, ela levantou a mão rapidamente com uma agulha de prata brilhando entre os dedos. Ela habilidosamente fincou na região atrás da orelha do lobo.
Um uivo preencheu o ar quando o lobo se rigidificou, uivou e colapsou no chão. Mabel estreitou os olhos, com a mão pronta para administrar outro golpe incapacitante.
No entanto, uma voz clara e autoritária ressoou repentinamente da entrada. "Pare!"
A voz possuía uma qualidade atraente e sedutora, mas seu tom frio carregava uma aura intimidadora. O olhar de Mabel se desviou insatisfeito, encontrando os olhos frios e profundos de um homem extraordinariamente bonito.
Certamente, ele era um homem de grande estatura física. Vestido com uma camisa branca que acentuava seu corpo esguio, ele exalava um charme inegável. Seus traços faciais eram magistralmente esculpidos, parecidos com uma obra de arte feita por um artista divino. Infelizmente, sua pele pálida sugeriu uma enfermidade prolongada.
Entretanto, o olhar frio e dominante do homem emitia uma aura de autoridade que exigia atenção. Era um olhar que apenas aqueles que detêm poder por um longo tempo possuem.
Parado na entrada, ele olhou para baixo em direção a Mabel, fazendo-a se arrepiar de insatisfação. Ela não pôde evitar de se perguntar por quanto tempo ele tinha a observado. Se seu contra-ataque tivesse falhado, ele a teria visto ser atacada pelo lobo.
Mabel levantou-se, seus olhos estreitaram enquanto ela encarava o olhar frio e penetrante do homem. "Jayden Griffiths?"
Ela ponderou se ele era o infame segundo filho da família Griffiths, Jayden Griffiths, rumorejado por ser deformado, incapacitado e à beira da morte. Claramente, as pessoas tinham concepções equivocadas sobre a aparência de indivíduos incapacitados.
O homem diante dela se mantinha alto e robusto, possuindo uma beleza divina. Não havia nada nele que pudesse ser considerado feio.
O olhar agudo de Jayden varreu Mabel antes de se fixar no lobo atrás dela. "Venha aqui."
O lobo, parecendo uma criança ferida, obedientemente se levantou e trotou até Jayden. Ele esfregou a cabeça contra a coxa dele, buscando conforto.
Quando Jayden lançou um olhar indiferente ao lobo, este não mais se atreveu a agir mimado. Uivando baixinho, deixou o quarto, lançando um olhar reticente para Mabel.
Seus olhos pareciam transmitir uma mensagem: "Mulher, apenas espere. Eu vou te derrubar mais cedo ou mais tarde!"
Mabel não pôde evitar uma risada. O animal era vingativo, mas ela estava mais do que disposta a entrar no jogo.
Jayden avaliou Mabel silenciosamente, seus olhos claros se estreitando levemente. "Você não é Camila Baldwin."
Mabel ficou surpresa. Ela não esperava que Jayden discernisse sua verdadeira identidade de imediato. No entanto, ela não lhe deu importância.
"Sim, eu sou Mabel Baldwin, irmã da Camila."
Mabel possuía uma estrutura pequena e delicada, irradiando beleza. No entanto, sua teimosia, arrogância e crueldade eram inegáveis.
Jayden ponderou sobre a luta de Mabel contra o lobo, seu olhar orgulhoso e frio. Algo cintilava em seus olhos enquanto ele contemplava ela.
"A família Baldwin te enviou aqui no lugar da Camila? Ela certamente têm audácia."
Embora o tom de Jayden permanecesse distante e sem emoção, Mabel não pôde evitar um calafrio. Parecia que uma mão invisível apertava seu pescoço, dificultando sua respiração.
Franzindo a testa, ela ficou cada vez mais desconfortável. Havia algum tempo desde que encontrou um homem tão formidável, e ela não estava acostumada com isso.
No entanto, uma coisa era certa: Jayden era o responsável por orquestrar o ataque do lobo contra ela.
Naquele momento, Mabel não conseguia entender os motivos de Jayden para prejudicá-la. No entanto, seu olhar claramente revelava sua insatisfação com ela.
Enquanto Mabel pensava em seus próximos passos, Jayden mudou de posição e começou a caminhar em direção a ela.