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Você é minha redenção

Você é minha redenção

Autor:: MAINUMBY
Gênero: Moderno
O dia que deveria ser o mais feliz da vida de Alicia Morgan se transformou num pesadelo. Pouco antes do casamento, verdades sufocantes vieram à superfície e surgiu na sua vida Dante Moretti - o homem cujo nome fazia o país inteiro tremer. Dante carregava cicatrizes profundas e nunca permitia que ninguém chegasse perto. Até que Alicia, sem querer, invadiu seus muros com uma arma que ele não conhecia - doçura. O que nasceu entre eles era um pacto baseado em vingança e culpa, mas havia algo mais crescendo ali, algo que nenhum dos dois controlava. Enquanto inimigos apareciam para destruir qualquer chance de paz e sentimentos confusos surgiam como feras dentro da noite, Alicia e Dante foram forçados a atravessar um terreno minado - entre lágrimas, perigo real e um amor que insistia em florescer mesmo em meio ao caos. Aos poucos, eles descobriram uma verdade: amor não se pede, mas simplesmente acontece. Quando a vida lhes roubou todo chão, sobrava apenas um fio invisível que os unia - feito de redenção, família, segundas chances e algo que o destino jamais conseguia destruir.

Capítulo 1 Traição antes do casamento

Em meio a vinhedos dourados e uma brisa fresca anunciando um dia especial, a Mansão Morgan se erguia majestosamente no coração da Toscana. No seu interior, o luxo e a elegância se fundiam com o calor da família, criando o cenário perfeito para o que deveria ser o casamento do ano.

Alicia Michelle estava sentada em frente a um espelho ornamentado, envolta em um roupão de cetim branco, enquanto um grupo de estilistas cuidava do seu cabelo e maquiagem. Enquanto isso, sua mãe, Alicia Morgan, supervisionava cada detalhe com uma mistura de emoção e orgulho nos olhos.

"Hoje é o dia, meu amor. Você será a noiva mais linda que o mundo já viu", sussurrou sua mãe, acariciando seu rosto com ternura.

Suas irmãs, Sofia e Alexandra, e sua cunhada Katerina, riam baixinho enquanto ajudavam a preparar os últimos detalhes do vestido. Com isso, um clima de celebração pairava no quarto, como uma melodia invisível.

Alicia sorria, mas seu estômago se revirava de nervosismo, não por medo, mas por emoção. Ela amava Marcus com todo o seu ser. Desde que o conheceu, sentiu que seu destino estava ligado ao dele e, naquele dia, eles finalmente selariam esse amor perante o mundo.

Enquanto uma das estilistas retocava seu batom, ela pegou seu celular distraidamente. Ela queria enviar uma mensagem para Marcus, dizendo o quanto o amava e o quanto ansiava vê-lo no altar. Mas, assim que desbloqueou a tela, uma nova mensagem entrou na sua caixa de entrada.

Era de Viviana.

Sua melhor amiga, sua irmã de alma.

Alicia franziu a testa, já que não esperava nenhuma mensagem dela naquele momento. Talvez fosse algo sobre a decoração? Ou uma piada para aliviar o nervosismo?

Mas, assim que ela abriu a conversa, seu mundo parou.

De repente, o ar lhe faltou nos pulmões.

Era um vídeo.

E, na miniatura, a imagem era inconfundível.

Marcus.

Viviana.

Juntos.

O coração de Alicia batia desenfreadamente enquanto, com os dedos trêmulos, ela pressionava o play.

A tela ganhou vida e a cena se desenrolou diante dos seus olhos com uma crueza que destruiu cada fibra do seu ser.

Marcus segurava Viviana com uma intensidade incomum, a beijando com a mesma devoção com que havia lhe prometido amor eterno. As roupas desarrumadas, os gemidos ofegantes... Não havia espaço para dúvidas, Marcus estava transando com Viviana.

Era uma traição, uma facada na alma.

Nesse momento, Alicia sentiu sua garganta se fechar e sua pele ficar gelada.

Não...

não...

isso não podia ser real.

Mas era.

Antes que ela pudesse reagir, a mensagem desapareceu. Viviana a excluiu, mas já era tarde demais.

Alicia havia gravado a tela, então a evidência ainda estava lá.

Um soluço dilacerante surgiu do seu peito antes que ela pudesse contê-lo. O som era tão cru, tão cheio de dor, que o quarto inteiro mergulhou num silêncio tenso.

"Alicia?", a voz de Sofia soou preocupada.

Os dedos de Alicia se fecharam com tanta força no celular que seus nós ficaram brancos. Seu olhar, perdido e trêmulo, se desviou do aparelho e encontrou os olhos expectantes da sua mãe e irmãs.

O mundo que ela havia construído com tanto amor e esperança desmoronou num único instante.

As paredes da mansão pareciam se estreitar ao seu redor, e o ar ficou irrespirável. De repente, ela sentiu uma pontada no peito, uma dor tão profunda que a fez se curvar.

"Não... isso não pode ser", murmurou ela com a voz embargada.

Sofia se aproximou rapidamente, se ajoelhando ao lado dela e segurando suas mãos.

"O que aconteceu? Alicia? O que você viu?"

Alicia não conseguia falar.

As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto sem controle, manchando sua pele maquiada. Um segundo atrás, ela era a mulher mais feliz do mundo. Agora, estava destruída.

"Ele... eles...", ela tentou falar, mas sua garganta estava num nó de puro sofrimento.

Katerina pegou o celular da mão dela cuidadosamente e, junto com Alexandra e Sofia, verificou a gravação que havia ficado. Seus rostos se transformaram em máscaras de horror.

"Aquele bastardo! Vou matá-lo!", exclamou Alexandra com fúria.

Alicia não conseguia ouvir mais nada.

Tudo o que ela conseguia ver era a imagem de Marcus prometendo amor eterno, enquanto nas sombras se entregava à sua melhor amiga.

Aquela jovem que ela tanto prezava a havia destruído.

A traição parecia um incêndio no seu peito, a devorando por dentro e reduzindo a cinzas cada lembrança e promessa.

As lágrimas ardiam na sua pele, mas não eram suficientes para apagar a dor que a consumia.

O dia do seu casamento, que deveria ser o mais feliz da sua vida, se tornou seu pior pesadelo.

Em questão de segundos, a opulenta Mansão Morgan se transformou num caos. Alicia Michelle não conseguia respirar, nem pensar com clareza. A dor no seu peito era um incêndio que a devorava, e a única maneira de apagá-lo era com respostas.

De repente, ela se levantou, com as lágrimas ainda caindo, mas seus olhos refletiam algo além do sofrimento: uma ira ardente e devastadora.

"Alicia, espere!", gritou Sofia, tentando segurá-la.

"Você não pode ir a lugar nenhum assim", insistiu Katerina, segurando o outro braço dela.

Alicia as afastou bruscamente, suas forças impulsionadas pela traição.

"Não me impeçam!"

Seus olhos castanhos, antes cheios de amor e esperança, agora ardiam com o fogo da decepção. Sua mãe, Eleanor, se aproximou desesperada, querendo acalmá-la.

"Filha, por favor, pense bem no que vai fazer..."

Alicia balançou a cabeça, ciente de que não havia tempo para pensar, não quando seu mundo havia se despedaçado em questão de segundos.

Ela saiu correndo, seus pés descalços ecoando contra o mármore da mansão. Na sua pressa, ela não viu as figuras que entravam pela grande escadaria.

"O que está acontecendo aqui?", a voz profunda de Alessandro Morgan, seu pai, ecoou na sala.

Aaron, seu irmão mais velho, franziu a testa com preocupação enquanto ajeitava a gravatinha do seu filho.

"Alicia, para onde está indo? Faltam poucos minutos para o casamento", disse Alessandro.

Ela não conseguia falar, nem parar.

Quando ela olhou para eles, eles viram algo que os deixou perplexos. Algo dentro de Alicia havia morrido.

Sem responder, ela passou por eles, sentindo seu coração bater no peito como um tambor de guerra.

Ao chegar na garagem da mansão, suas mãos trêmulas procuraram as chaves do carro. Sem pensar duas vezes, ela entrou no seu Aston Martin preto e deu partida com um rugido ensurdecedor.

O caminho até a cidade foi um borrão. Sua visão estava obscurecida pela fúria, e suas mãos apertavam o volante com tanta força que seus nós ficaram brancos.

Cada imagem do vídeo se repetia na sua mente como um tormento sem fim.

Marcus beijando Viviana.

Marcus tocando e transando com a mulher que ela considerava uma irmã.

Marcus, o homem com quem ela deveria compartilhar sua vida, seu futuro... e que agora a havia destruído.

'Case-se com Viviana e me esqueça', a frase se formou na sua mente como um veneno letal.

Quando chegou ao luxuoso apartamento de Marcus Aponte, ela estacionou bruscamente, saiu do carro e subiu as escadas com fúria.

Batendo na porta com força, ela não se importou com quem pudesse ouvir.

"Marcus! Abra a maldita porta!"

Alguns segundos se passaram antes que a porta se abrisse e lá estava ele, o homem que até alguns minutos atrás era o amor da sua vida.

Vestido com um elegante terno preto, com o cabelo perfeitamente penteado, pronto para ir ao altar.

Sua expressão era de confusão, como se ele não entendesse por que sua noiva estava ali, com lágrimas nos olhos e a respiração ofegante.

"Alicia, o que está fazendo aqui? Você já deveria estar pronta", ele perguntou com a testa franzida.

Sua voz, que antes parecia calorosa e reconfortante, agora soava vazia e repulsiva.

Alicia sentiu uma pontada de náusea.

"Não se atreva a se fazer de desentendido. Sei que você estava me traindo com Viviana", sussurrou ela, sua voz embargada pela raiva.

Marcus deu um passo em direção a ela, mas ela recuou.

"Não sei do que está falando...", ele tentou dizer, mas antes que pudesse terminar, Alicia pegou seu celular e mostrou a tela para ele.

O vídeo.

O maldito vídeo que o denunciava.

Marcus ficou paralisado.

Alicia viu seu rosto se transformar, a cor desaparecendo da sua pele.

Pela primeira vez, ela o viu hesitar.

Pela primeira vez, ela o viu sem palavras.

"Que desculpa você tem agora?", ela perguntou, sentindo sua voz se quebrar.

O silêncio entre eles era sufocante.

Marcus entreabriu os lábios, procurando alguma mentira, alguma justificativa, mas nada saiu.

"Alicia..."

"Não se atreva a dizer meu nome!", ela gritou, sentindo as lágrimas arderem nos seus olhos.

Então, ela enfiou a mão no bolso, pegou o anel de noivado e, sem hesitar, o arrancou do seu dedo.

"Aqui está."

Marcus a olhou, mas ela não era mais a mesma mulher que ele amava.

Alicia sentiu tudo dentro de si se quebrar enquanto jogava o anel contra o peito dele.

"Case-se com Viviana e me esqueça."

A declaração foi incisiva e definitiva.

Marcus pegou o anel por reflexo, sua expressão era uma mistura de descrença e desespero.

"Alicia, me escute..."

"Não há nada para ouvir! Tudo o que tínhamos, tudo o que eu era para você...você destruiu!", ela exclamou, sua voz embargada.

O peito de Alicia subia e descia com força, sua respiração ofegante.

Marcus estendeu a mão, mas ela recuou como se o toque dele fosse veneno.

"Não quero te ver nunca mais. Nunca", disse ela com firmeza.

Após dizer isso, ela se virou e saiu sem olhar para trás, deixando Marcus com o anel na mão e o peso da sua traição sobre os ombros.

O homem que havia sido tudo para ela agora não passava de um estranho.

E ela...

ela era uma mulher destruída, mas não derrotada.

Capítulo 2 Ele nunca te quis

Mesmo que o encontro com Marcus tivesse a deixado arrasada, a raiva ainda não havia passado, e havia outra pessoa que ela precisava confrontar:

Viviana.

Sua melhor amiga.

A mulher em que ela confiava cegamente.

A mesma que havia lhe roubado tudo em questão de segundos.

Alicia Michelle sentia seu corpo estremecer enquanto dirigia. Ela não chorava, pois não conseguia. Após ter ultrapassado o limite da dor, só lhe restava o vazio.

Ela sabia exatamente onde encontrar Viviana.

Como o apartamento da sua amiga não ficava longe, quando ela chegou, não hesitou em sair do carro e subir até a porta. Ela bateu com força, sem se importar se os vizinhos ouviriam.

"Viviana, abra a porta!"

Um silêncio tenso se instalou.

Alicia bateu novamente, com mais força.

"Sei que está aí! Não tente se esconder, Viviana!"

Após alguns segundos, a porta se abriu lentamente, revelando a mulher que foi sua amiga por anos.

Viviana estava impecável.

Ela usava um conjunto de seda cor champanhe, seu cabelo estava preso num rabo de cavalo alto e seus lábios vermelhos desenhavam um sorriso de canto.

Como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse acabado de destruir a vida de Alicia há menos de uma hora.

"Ora, ora... Que surpresa te ver aqui, querida", murmurou Viviana, se apoiando no batente da porta.

Alicia sentiu um nó na garganta.

Sua amiga nem sequer parecia envergonhada, nem sequer tentava esconder.

"Como pôde? Como pôde fazer isso comigo, Viviana? " Sua voz embargada, mas cheia de fúria.

Viviana cruzou os braços, a observando com um olhar divertido.

"Sabia que você viria, mas não pensei que seria tão previsível. Veio atrás de respostas?", respondeu num tom indiferente.

Embora sentisse suas pernas tremerem, Alicia não recuou.

"Há quanto tempo?", sussurrou.

Viviana inclinou a cabeça.

"Há quanto tempo o quê?"

"Não se faça de estúpida! Há quanto tempo você está transando com Marcus?", gritou Alicia, com a respiração ofegante.

O silêncio de Viviana foi a pior resposta.

Por fim, a mulher suspirou e colocou a mão na cintura.

"Desde a noite do seu noivado, embora a primeira vez não tenha sido possível por causa do nascimento do seu sobrinho. Naquela noite, eu já havia roubado um beijo dele e, na noite seguinte, transamos como nunca, e em todos os outros dias que se seguiram."

Alicia sentiu o ar abandonar seus pulmões.

"Não...", sussurrou, negando com a cabeça.

Mas Viviana ainda não havia terminado.

"Naquela noite, quando todos estavam comemorando sua felicidade, Marcus e eu nos encontramos no quarto do hotel. Foi uma noite inesquecível."Seu tom se tornou mais cruel, como se estivesse gostando de cada palavra.

Alicia sentiu uma onda de náusea subir pela sua garganta.

"Você é uma mentirosa..."

Viviana riu com escárnio.

"Sou uma mentirosa? Ainda duvida depois do vídeo?", inclinou a cabeça com uma expressão vitoriosa. "Pobrezinha, Alicia. Sempre vivendo na sua bolha, acreditando que Marcus realmente te amava."

Com os olhos cheios de lágrimas, Alicia não as deixou cair.

"Ele... me escolheu."

Viviana soltou uma gargalhada.

"Não, querida. Ele foi obrigado a te escolher, sua família o obrigou a agir como um garoto apaixonado."

As palavras de Viviana foram como um estalo doloroso, quebrando algo dentro de Alicia.

"Do que está falando?"

Viviana abriu um sorriso malicioso.

"Marcus nunca teve escolha, Alicia. Ele nunca te quis. Só aceitou porque era o que sua família esperava. Ele foi obrigado, já que todos sabem o que significa ser a Herdeira e filha de Alessandro Morgan, além de ser filha de Alicia Montero e irmã de Aaron Morgan."

Alicia sentiu sua garganta se fechar.

"Isso... não é verdade. A família dele não poderia tê-lo obrigado."

Viviana continuou:

"Eu era a única que ele realmente desejava, a única que ele procurava quando te deixava em casa depois das suas viagens de negócios."

Alicia sentiu o ar lhe faltar.

"Não..."

"E tem mais uma coisa."

Viviana fez uma pausa dramática, aproveitando o momento.

"Fiquei grávida dele. Duas vezes."

Alicia sentiu seu coração parar.

"Você está mentindo..."

Viviana negou com a cabeça lentamente.

"Por que acha que desapareci por meses?", sussurrou com uma voz venenosa. "Perdi dois bebês de Marcus... bebês que eu queria ter comigo."

As pernas de Alicia fraquejaram por um momento.

Se agarrando à parede, ela sentiu seu mundo desmoronar.

Viviana a olhou com superioridade.

"Você é a Herdeira Morgan, sim, mas isso não significou nada para Marcus, embora para a família dele, sim. Eu fui a mulher que ele realmente amou, a que ele realmente desejava. Por isso ele nunca te tocou, nunca te fez sua."

Alicia sentiu tudo dentro dela se apagar.

Sua confiança, sua dignidade, seu amor-próprio...

Viviana a olhou com um sorriso satisfeito.

"Olhe para você. Está arrasada, Alicia", zombou."Que patético.Você não é ninguém e nunca será.Qualquer homem que se aproximar de você vai se cansar, porque você é uma santinha, daquelas que esperam a noite de núpcias para se entregar a um homem. Você está guardando sua castidade, mas isso não importa para nenhum homem. Na verdade, tirar sua virgindade será um desafio para eles, para depois te descartarem como lixo. Sabe de uma coisa? Eu adoraria que você tivesse se casado com Marcus, porque eu tinha a fantasia de transar com ele na sua cama, no seu banheiro, no seu sofá favorito, em todos os seus móveis..."

Alicia respirava com dificuldade, seu peito subindo e descendo violentamente.

Cada palavra de Viviana a destruía mais do que ela imaginava.

Ela queria responder, queria gritar na cara dela que tudo era mentira, mas...

o que ela poderia dizer?

Marcus a havia traído, e Viviana acabara de destruí-la com a verdade.

Sem dizer mais uma palavra, Alicia se virou e saiu do apartamento, sentindo seu corpo tremer incontrolavelmente.

Quando chegou ao seu carro, suas mãos mal conseguiam segurar o volante.

Seus lábios se entreabriram numa tentativa de respirar, mas o choro abafado a dominou.

Tudo não passava de uma mentira.

Marcus nunca a amou, e Viviana... Viviana o teve nas suas mãos o tempo todo.

Cerrou os dentes com força, sentindo o desespero a engolir por inteira.

A partir desse momento, Alicia Michelle Morgan nunca mais seria a mesma.

Capítulo 3 Ela precisa se curar

A estrada estava vazia naquela hora da noite. O vento gelado soprava com força, mas Alicia Michelle mal sentia o frio, como se seu corpo tivesse criado um escudo protetor após sofrer tanta dor em tão poucas horas.

Ela estava sentada na beira do asfalto, com os joelhos dobrados e os braços abraçando seu corpo.

As lágrimas continuavam caindo incontrolavelmente.

Tudo parecia tão irreal, como um pesadelo do qual ela não conseguia acordar, como se estivesse carregando uma cruz com todo o peso da dor causada pela traição.

O som de um motor se aproximando a tirou do seu transe.

Um carro preto de luxo parou a poucos metros dela.

Sem levantar a cabeça, Alicia soube quem era ao ver os sapatos de couro preto surgirem à sua frente.

"Alicia."

A voz de Alessandro Morgan era profunda, autoritária, mas repleta de preocupação.

Ao seu lado, Aaron saiu do carro apressadamente.

"O que diabos está fazendo aqui?! Por que está sozinha na estrada a essa hora?", perguntou seu irmão duramente, enquanto se aproximava rapidamente.

Alicia não respondeu, nem sequer levantou a cabeça.

Aaron cerrou os dentes, furioso por vê-la naquele estado.

"Me responda, Alicia! O que aconteceu?"

Nesse momento, seu pai se ajoelhou diante dela.

Alicia ergueu o olhar e viu os olhos de Alessandro.

Olhos que a protegeram por toda a sua vida, olhos que nunca a viram tão destruída.

Incapaz de suportar isso, ela soltou um soluço de partir o coração e se jogou nos braços do pai, como quando era pequena.

"Pai...", ela sussurrou com a voz trêmula.

Alessandro a segurou com força, a abraçando contra seu peito.

"Estou aqui, minha pequena. Estou aqui."

Alicia se agarrou a ele como se ele fosse sua única âncora no mundo.

"Pai, está doendo...", sua voz se quebrou. "Está doendo tanto..."

Alessandro acariciou seus cabelos com ternura.

"Eu sei, meu amor, mas não vou deixar que isso te destrua."

Alicia soluçou fortemente, afundando o rosto no casaco do pai.

"Eles me enganaram... Marcus... Viviana...", ela sussurrou com um fio de voz.

Ao ouvir isso, o corpo de Alessandro se enrijeceu.

Aaron deu um passo à frente, com os olhos cheios de fúria.

"O que disse?"

Alicia fechou os olhos com força, sentindo uma onda de dor a invadir novamente.

"Eles me enganaram, Aaron..."

Ao ouvir isso, Aaron sentiu a raiva o consumir por completo.

Alessandro fechou os olhos por um momento, contendo sua fúria.

Mas, quando os abriu novamente, seu olhar estava cheio de determinação.

Acariciando as bochechas de Alicia com delicadeza, ele a fez olhar para ele.

"Me ouça bem, Alicia Michelle Morgan."

Sua voz era grave, mas firme.

"Ninguém, absolutamente ninguém, tem o poder de definir seu valor. Nem um homem, nem uma traição."

Ao ouvir isso, Alicia sentiu as lágrimas voltarem a encher seus olhos.

"Mas, pai..."

"Não. Não vou deixar que você acredite nem por um segundo que é menos por causa do que fizeram com você. Você é uma Morgan, é minha filha, e o mundo inteiro vai saber disso", disse Alessandro, balançando a cabeça.

Alicia se estremeceu, sentindo o amor incondicional do pai envolvê-la.

Mas, no fundo do seu coração, as palavras de Viviana continuavam ecoando como um veneno, como se tivessem deixado uma rachadura na sua alma.

Aaron deu um passo à frente.

"Marcus Aponte e sua família acabaram de assinar a sentença de morte deles."

Sua voz era fria, sem qualquer traço da cordialidade que costumava ter com a irmã.

"Vou destruí-los. Morgan Enterprises vai esmagá-los. Eles ficarão sem nada."

Alicia o olhou com os olhos vermelhos.

"Aaron..."

Mas seu irmão não a deixou terminar.

"Isso não é negociável. Isso não vai ficar assim", ele disse num tom letal.

Alessandro assentiu lentamente, sem soltar a filha.

"Os Aponte cometeram um erro que lhes custará tudo."

Aaron pegou seu celular e discou um número sem desviar o olhar de Alicia.

"Comecem a mover os pauzinhos. Quero que cada contrato, cada investimento e cada parceiro que os Aponte tenham caia em desgraça. Que não reste nada do império deles."

Alicia sentiu um arrepio percorrer suas costas.

Após encerrar a ligação, Aaron guardou o celular no bolso do casaco.

"Isso está só começando."

DIAS DEPOIS

Naquela manhã, o vento italiano soprava suavemente, enchendo a Mansão Morgan com o aroma dos vinhedos próximos. A imponente residência permanecia em silêncio, quase melancólica após os dias caóticos que abalaram a família.

Alicia Michelle estava na varanda do seu quarto. Ela não havia voltado para o seu apartamento, preferindo passar seu luto pelo desamor na Mansão Morgan. Com uma xícara de café nas mãos, ela observava o horizonte. Seus olhos, que antes refletiam alegria e confiança, agora tinham um tom sombrio, como se ainda houvesse resquícios do desastre emocional que ela havia vivido.

Já haviam se passado cinco dias desde a traição, cinco dias desde que seu mundo desabou.

Mas ela tomou uma decisão.

Ela já havia chorado o suficiente, já havia sentido a dor atravessá-la como mil punhais.

Era hora de seguir em frente, embora ela não soubesse como.

Enquanto isso, seus irmãos já haviam voltado para seus respectivos países, Inglaterra, Espanha e Estados Unidos. Sua cunhada Katerina ficou o tempo necessário para ajudar a organizar os assuntos da empresa antes de partir com Aaron, e seu pequeno sobrinho Alexander foi de grande ajuda emocional para ela.

Alicia Michelle havia deixado o controle das empresas nas mãos do seu irmão mais velho, embora a italiana não precisasse muito de Aaron, mas seu irmão deu uma olhada até que ela voltasse, e ela ainda não estava pronta.

Ela não podia fazer isso agora, não podia assumir o comando quando nem sabia quem era naquele momento.

"Tem certeza disso?"

A voz da sua mãe, Alicia Morgan, a tirou dos seus pensamentos.

Alicia Michelle se virou e a viu parada na porta do quarto, com os olhos cheios de preocupação.

Ela era a única que ainda não a havia deixado sozinha.

Embora sua mãe tivesse insistido em ficar com ela, Alicia Michelle sabia que precisava enfrentar essa fase sozinha.

"Sim, mãe. Preciso ficar aqui. Preciso ficar sozinha."

Sua mãe suspirou, se aproximando para segurar o rosto dela entre as mãos com ternura.

"Não quero te deixar, meu amor. Não depois de tudo o que aconteceu. Você sabe muito bem que pode ir com a gente para os Estados Unidos."

Alicia Michelle abriu um leve sorriso, que não conseguiu iluminar seus olhos.

"Eu sei, mas ir para os Estados Unidos não vai resolver nada, mãe."

Alicia Morgan cerrou os lábios com tristeza.

Ela não queria deixá-la, mas entendia que sua filha estava ferida.

Não fisicamente, mas de uma forma mais profunda, de uma forma que só o tempo poderia curar.

"Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa... me ligue. Não importa a hora ou o lugar", ela sussurrou.

Alicia Michelle assentiu.

"Vou ligar, mãe."

Sua mãe a abraçou com força, como se tentasse transmitir todo o seu amor num único gesto.

Quando ela a soltou, seus olhos estavam marejados.

"Eu te amo, Alicia Michelle. Nunca se esqueça disso."

Alicia Michelle engoliu o nó na garganta.

"Eu também te amo, mãe."

Com o coração apertado, ela a viu partir, observando seu carro desaparecer pela estrada de pedra até a rodovia principal.

Quando se viu completamente sozinha naquela imensa mansão, ela se deu conta de que, pela primeira vez na vida, só tinha a si mesma.

Suspirando, ela fechou os olhos.

Ela havia escolhido ficar sozinha, mas isso não significava que a solidão não doesse.

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