OLIVER THOMPSON
Estou no último andar, encarando as ruas movimentadas pela vidraça, do imponente prédio do Grupo Thompson Oil Company, uma das maiores empresas do ramo do petróleo do mundo.
Sou o Rei do petróleo, é assim que as pessoas me chamam, além de me enxergarem como um CEO impiedoso, rigoroso e frio. Por ter tudo, alguns questionam o motivo de eu ser desse jeito.
Mas digo que a vida me moldou assim, ela me ensinou da pior maneira possível como me tornar esse homem e não pretendo nunca esquecer essa lição.
Eu aprendi a gostar desse novo Oliver.
Gosto de ter as pessoas abaixando a cabeça para mim, do respeito que demostram ter por quem eu sou e de ser temido por onde eu passo...
- Ollie, o que foi que deu na sua cabeça para ter saído ontem daquele jeito?
Eu me viro para a porta do escritório e encaro a única pessoa dessa terra que não me teme, não me obedece e acima de tudo não demostra ter o mínimo de respeito por mim. Logo atrás dela está minha secretária mortificada de medo.
- Desculpa, senhor Thompson, mas ela foi logo entrando e nem deu...
- Pode se retirar, querida, tenho privilégios que ninguém tem. Então sai, sai, sai.
Sorrio com a cena a minha frente.
- Amanda Lewis, a senhora não tem um marido e um filho para cuidar não? Ou o Colin ainda está te dando motivos para invadir minha sala?
Ela se aproxima, me abraça e como sempre beijo o topo da sua cabeça.
Amanda é uma amiga muito querida, um alento que a vida me deu. Como costumo dizer, ela é a redenção dos meus pecados e nunca vou permitir que conheça meu lado ruim e obscuro.
Ela é a única que tem a minha bondade.
- Ryan está na mansão com a babá, Lara e papai. Já meu amado marido está trabalhando nesse exato momento - diz tranquilamente se sentando na minha cadeira e me apoio na mesa, encarando a folgada.
- E não era para a senhora estar fazendo a mesma coisa?
Ela me olha com os olhos semicerrados.
Amanda não gosta quando a chamam de senhora e faço isso apenas para irritá-la.
- O que está acontecendo com você, Ollie? Estou começando a ficar preocupada. Ontem saiu da minha casa e nem se despediu. Depois que me casei me tornei insignificante para você? Pensei que fossemos amigos de verdade - diz com uma nítida tristeza em seu olhar.
Confesso que ver Amanda feliz com a família que construiu me deixa com um sentimento de perda, porque sei que nunca vou poder ter a minha família.
Não sou mais um homem capaz de criar laços de amor e sentimentos tão fortes por uma mulher.
Sou muito feliz por ver minha amiga querida, finalmente tendo a vida que merece.
- Você nunca será insignificante na minha vida e nunca mais repita uma besteira dessa. Sabe muito bem o grau de importância que você e Ryan tem na minha vida.
- Então o que aconteceu? Na verdade, o que está acontecendo com você? Prefere falar por bem ou por mal? - Levanta as mangas da blusa que veste.
Até parece que essa pequena mulher vai conseguir me derrubar.
- Amanda, tive uma emergência só isso. Saí com pressa e não me despedi de você.
- MENTIROSO!
Deus que mulher difícil.
- Amanda...
- Fala comigo, Ollie. Até a Emily está começando a ficar preocupada com você. Quer que eu a traga na próxima vez para invadir a sua sala?
Respiro fundo e decido abrir o jogo com ela, pois, sei que ela não vai desistir fácil.
- Meus pais estão me enchendo o saco para que me case e tenha um filho. Segundo eles, estou ficando velho. A esperança de mãe era você, mas com o seu casamento, os planos dela e os meus foram por água a baixo.
- Seus planos?
- Sim, meus planos e sabe muito bem quais eram.
- De novo essa história, Oliver? Nem começa. Você queria me usar para carregar seu bebê de ouro e até estaria disposta a te ajudar, mas agora tenho minha família. Seus pais têm razão já está passando da hora de você construir a sua.
- Sabe que não quero isso, eu não...
- Você nem mesmo se dá uma chance de tentar, Ollie...
- EU JÁ TENTEI E NÃO DEU CERTO, PORRA! VOCE NÃO SABE DE NADA, NÃO CONHECE MINHA HISTÓRIA, ENTÃO NÃO ABRA A BOCA PARA FALAR MERDA. - Pela primeira vez desde que nós conhecemos grito com Amanda.
Esse é um assunto que me tira dos eixos e a cara de decepção com que ela me olha agora me faz perceber o que estou fazendo, descontando nela uma frustração, a qual ela não tem culpa.
- Não grite comigo que não sou uma das suas putas. Para falar a verdade, nem mesmo uma puta merece ser tratada desse jeito. Tem razão, senhor Thompson, realmente estou vendo que não conheço o senhor. Achei que conhecesse, mas estava enganada. - Levanta da cadeira, pega sua bolsa passando por mim, e anda em direção à porta.
- Amanda, por favor...
- Não, Oliver, se tem uma coisa que aprendi com você esse tempo que nos conhecemos é que você nunca fala o que não quer. Não se preocupe, não vou mais invadir a sua sala. Quando quiser ver o Ryan ligue para o Colin ou para Lara.
Amanda não permite que me desculpe e sai da minha sala batendo a porta com força.
Só a Amanda mesmo para ter coragem de fazer isso.
- Mas que porra! Desde quando essa mulher se tornou tão sensível?
Amanhã com ela mais calma, a procurarei na galeria e me desculparei.
Quer conhecer mais dos nossos personagens me siga no I N T A @autora.linda.ev
BRUNA HARPER
Abro os olhos meio sonolenta, escutando alguém me chamar ao longe...
- Vai chegar atrasada no trabalho, Bruna.
Com essa afirmação consigo despertar de vez e dou um pulo da cama.
- Mamãe, por que a senhora não me acordou mais cedo? Por que o celular não despertou?
- Eu já estou te chamando tem um bom tempo e não sei o motivo pelo qual seu celular não ter despertado. Levanta rápido e se arrume que vou te dar dinheiro para que vá trabalhar de táxi. Acredito que se for de ônibus não irá conseguir chegar lá hoje.
Mas que droga!
Isso não deveria ter acontecido, não posso chegar atrasada hoje. Tive dois atrasos semana passada e mesmo que Amanda e Emily não chamem minha atenção por isso, me sinto muito mal.
Entro no banheiro, tomo banho em tempo recorde, me arrumo mais rápido ainda, pego a bolsa e quando estou passando pela sala minha mãe me para e entregar o dinheiro do táxi.
Quando estou prestes a sair, papai chama meu nome e volto a minha atenção para ele.
- Quando é a sua formatura? - pergunta de forma bem séria.
Sinto um sentimento de nervosismo me consumir por dentro.
Não quero nem pensar que ele possa ter feito alguma besteira.
- No final do mês. Mas, por que está me fazendo essa pergunta, papai?
Minha mãe me olha com pena e já sei que meu pai mais uma vez fez merda.
- Se não conseguir pagar a sua faculdade até lá, não poderá se formar.
Eu até esqueço que estou atrasada quando escuto isso.
Meu pai costumava dar aulas na mesma faculdade que estudo, mas quando ele teve a genial ideia de começar a jogar e como consequência beber, acabou perdendo o emprego.
Agora vive de fazer pequenos serviços por aí para sustentar a família.
- Papai, tínhamos um acordo. Entrego todo o dinheiro do estágio que não é pouco para ajudar nas despesas de casa e com isso o senhor conseguiria manter o pagamento da minha faculdade. O que fez com o dinheiro? - pergunto mesmo já sabendo da resposta.
- Estava em uma mesa muito boa e tinha certeza de que ganharia, mas no final acabei perdendo de novo.
Olho para ele sem acreditar no que escuto e minha mãe começa a chorar atrás de mim, sei disso devido seu fungado.
- E alguma vez o senhor já ganhou, papai? Gastou o dinheiro da mensalidade da faculdade em uma mesa de jogo e agora depois de tanto esforço corro um sério risco de não me formar.
- Deveria ter escolhido outro curso, administração talvez. Assim suas chances de conseguir um bom emprego eram mais altas.
- Não venha colocar a culpa da sua irresponsabilidade na minha escolha de curso. Até um tempo atrás o senhor pintava excelentes telas e ganhava muito bem dando aulas de arte. Porém, perdeu tudo porque ficou viciado em jogo.
Meu pai me encara e não fala nada porque sabe que tenho razão.
- Vá para seu estágio que já está atrasada, mas não se anime muito com a formatura. Não sei se vou conseguir pagar as mensalidades atrasadas até o final do mês.
Sinto uma dor aguda no coração ao escutar isso.
Estudei tanto para nada!
O que adianta finalizar o curso e não receber o diploma?
Minhas colegas de classe tem razão, sou uma fracassada com um pai viciado em jogo.
Saio de casa triste e resolvo ir de ônibus para a galeria. Já estou atrasada mesmo e caso Emily e Amanda queiram me demitir por isso não vou questioná-las.
Uma hora e meia depois chego à galeria de arte de cabeça baixa e triste.
Ao passar pela recepção, uma das meninas diz:
- Se continuar assim vai acabar sendo demitida. Não sei como a Emily ainda não fez isso.
Sei que a debochada diz isso para me deixar mais desestabilizada do que estou.
- Vá se lascar. - Dou a resposta que ela não esperava receber.
Estou cansada de todos pisarem em mim.
Ela só me olha e não fala mais nada, com isso vou para minha mesa que fica em frente à sala das minhas chefes.
Eu me sento e pegos alguns desenhos que estava fazendo no dia anterior. Eram ideias para minha tela que serviria como minha nota final, mas acho que nem vale mais a pena executar a ideia.
Seria um desperdiço de material e tinta.
Tenho sorte da Emily sempre fornecer todo o material que preciso para meus trabalhos de pintura. Ela sempre fala que assim que me formar vai colocar uma das minhas telas em exposição, mas acho que isso não vai acontecer.
- Você chegou. Aconteceu alguma coisa para que tenha chegado tão tarde hoje?
Levanto as vistas e vejo Emily parada na porta da sua sala, expondo toda a sua beleza. Ela parece uma obra de arte, quem olha nem diz que já tem dois filhos.
- Desculpa, senhora Jones, pelo atraso...
- Que negócio é esse de senhora Jones? - Me interrompe e quando vou abrir a boca para responder, completa: - Amanda, corre aqui que algo muito sério aconteceu. Cuidado que é capaz de você ser chamada de senhora Lewis.
Não demora nem cinco segundos, Amanda aparece ao lado dela saindo da sala.
- Quem está querendo perder os dentes hoje me chamando de senhora?
Emily sorri e responde me deixando sem graça:
- A Bruna. Olha para a cara dela, parece que acordou do lado errado da cama hoje.
Amanda se aproxima e olha bem na minha cara.
- Você vai ficar velha antes da hora se continuar com a cara franzida desse jeito. O que aconteceu com você?
Quando vou responder, Emily diz antes:
- Ela chegou agora com essa cara e me chamou de senhora Jones.
- Jesus é grave! Vem, Bruna, vamos para a nossa sala conversar. Eu só tenho vinte e seis anos, não ouse me chamar de senhora. Pode chamar a Emily de senhora se quiser, ela gosta.
- Eu não gosto nada, mas não adianta reclamar, todos me chamam de senhora Jones. Isso é ridículo.
Acabo sorrindo das duas e as acompanho até a sala delas.
- Senta aí, Bruna, e fala que cara é essa. Você é sempre tão feliz.
- Me desculpem pelo atraso de hoje e pelos da semana passada, não estou querendo abusar da bondade de vocês duas.
Vejo que Amanda e Emily me olham como se não entendessem do que estou falando.
- Bruna atraso é meu sobrenome. Não importa o quão cedo eu acorde, sempre vou chegar atrasada, a Emily que é a certinha.
- Certinha? Vocês perceberam que horas estou chegando ultimamente? Eu não sei quem dá mais trabalho, meus filhos ou o meu marido. Bruna, eu nem percebi que você chegou atrasada. Com tanto que faça seu serviço direito, não me importo nem um pouco com seu horário.
- Eu também não, até porque não tenho moral nenhuma para reclamar disso. Eu já desisti de tentar chegar na hora. E, por favor, Bruna, para de nos tratar como se fossemos superiores a você. Queremos que faça parte da nossa equipe definitivamente depois da sua formatura, tanto que vamos incluir alguns dos seus trabalhos na próxima exposição. Aproveite essa oportunidade, Emily e eu não tivemos uma oportunidade tão boa como essa. Queremos que seja nossa amiga, nossa colega de trabalho e a diferença de idade não é tão grande assim, então, por favor, não nos chame mais de senhora ou chuto você.
Fico tão feliz em escutar o que elas me propõem, o carinho que elas demostram ter por mim, tanto que começo a chorar de tristeza porque não sei se vou conseguir me formar.
- Jesus, ela está chorando, será que é de emoção? - Emily diz se levantado e vindo até mim.
- Eu não sei se vou conseguir me formar na faculdade, meu pai não pagou as mensalidades - digo soluçando.
- Mas que cretino.
- Amanda!
- Amanda tem razão, Emily, meu pai é um cretino. Perdeu o dinheiro da mensalidade em uma mesa de jogo.
- Meu Deus, Bruna, por que não conversou com a gente antes? Somos suas amigas, temos condições de ajudá-la com isso. Não se preocupe que pagaremos as mensalidades com o maior prazer, não é mesmo, Amanda?
- Claro que sim, dinheiro não é problema e nem adianta dizer que não. Hoje mesmo vou mandar Colin verificar a sua situação junto a faculdade. Você vai ter a sua formatura e vai estar linda fazendo seu discurso, nos agradecendo.
- Amanda! - Emily a repreende.
- Estava brincado. Você é chata, Emily.
Choro mais ainda, emocionada devido a maneira como elas se propõem em me ajudar.
- Não sei se posso aceitar.
- É claro que pode e já pode também parar de chorar que isso é motivo para alegria e não de tristeza.
- Muito obrigada, nem sei como agradecer.
- Nos agradeça arrasando na sua nota final, então termine o que tem que fazer e passe o restante do dia trabalhando na sua tela. Tenho que sair agora, vou até o grupo Jones para me encontrar com meu marido, então nos vemos mais tarde.
- Hummm, vai dar uma rapidinha no escritório da presidência, senhora Jones? - Amanda diz provocando e acabo sorrindo, limpando as lágrimas que agora são de alegria.
- Até parece que você não faz isso no escritório do diretor jurídico.
Amanda abre um sorriso grande.
- Tem razão, faço isso mesmo.
- Estão falando de mim, meninas? - O senhor Lewis diz entrando na sala e me levanto.
- Estávamos sim, mas já estou de saída e a Bruna também, então fiquem à vontade - Emily diz piscando para mim e entendo o recardo.
Saímos as duas juntas da sala.
OLIVER THOMPSON
Assim que termino uma reunião importante na empresa, resolvo ir até à galeria de arte para conversar com a Amanda já que ela não atende minhas ligações e ignora minhas mensagens. Acabei explodindo com ela ontem, coisa que nunca tinha acontecido e olha que Amanda é especialista em me causar problemas.
Dirijo até a galeria e assim que chego passo pelas recepcionistas que me cumprimentam sorridentes. É sempre assim, mas para não ser mal-educado apenas respondo com um sério bom dia, não dando espaço e nem brecha para intimidades.
Ando em passos largos pela galeria até chegar ao corredor que leva à sala de Amanda e Emily.
Quando estou me aproximando da porta alguém tomba em mim com tudo e a pessoa só não cai para trás porque a seguro forte em meus braços.
- Mas quem é o idiota que não olha por onde anda? Será que é cego? Pelo amor de Deus.
Ao escutar a forma de agradecimento que recebo, minha vontade é de soltá-la no chão.
Olho bem para a pessoa e vejo que se trata de Bruna, a estagiária, e ela ao perceber que sou eu quem está segurando-a, se afasta de uma vez como se desse choque nela.
Quando penso que ela vai se desculpar, vejo o quanto estou enganado.
- Senhor Thompson, será que pode olhar por onde anda? Olha o seu tamanho, é tão difícil assim prestar atenção? - diz petulante, me encarando como se a culpa fosse minha devido sua falta de atenção.
- Foi você que esbarrou em mim, garota. Tenha mais respeito quando for falar comigo.
Ela me olha de cima a baixo e esboça um sorrisinho debochado, daqueles que costumam me irritar muito e que não são muitas pessoas que tem coragem de dá-los a mim.
- Me perdoe, senhor, realmente sou muito desatenta. Como pude ousar esbarrar em um homem tão importante como o senhor? Me perdoe.
Nem me dou ao trabalho de respondê-la e passo por ela indo até à sala de Amanda.
Mas a garota grita atrás de mim:
- O senhor não pode entrar aí, Emily não está e Amanda tenho certeza de que está ocupadíssima.
Não dou ouvidos ao que ela fala e coloco a mão na maçaneta.
- Não ouse entrar nessa sala vai se arrepender disso.
Abro a porta de uma vez e me arrependo de ter feito isso, pois, Amanda está praticamente transando com o marido em cima da mesa e Colin me lança um olhar mortal.
- Não sabe bater na porta Thompson? - Colin diz e sai de perto da esposa que me olha com uma cara não muito boa.
- O quer, senhor Thompson?
Colin olha para mim depois para a esposa e começa a rir.
- Senhor Thompson!? - O idiota diz gargalhado. - Pensei que não fosse viver para ver isso. O que foi que você fez para deixar minha esposa com raiva, senhor Thompson?
Minha vontade e de socá-lo por estar fazendo pouco da minha cara, mas se fizer isso aí é que Amanda vai ficar com mais raiva ainda.
- Tivemos uma conversa acalorada ontem e acabamos discutindo - digo e Amanda me encara.
- Ele gritou comigo e não aceito isso de ninguém mais.
- E é por isso que estou aqui para me desculpar com você.
Ela vai responder, mas se cala quando o celular do marido toca.
Colin olha para tela e diz:
- Vou ter que ir amor, nos vemos em casa. - Ele a beija e depois se vira para me olhar. - E não grite com minha esposa Thompson.
Apertamos a mão.
- Pode deixar.
Ele dá um tapinha no meu ombro e sai da sala.
- Desde quando viraram amiguinhos? - Amanda diz se sentando em sua cadeira e me sento na sua frente.
- Nunca fui inimigo do seu marido, nos conhecemos há anos. Ele só teve uma fase de idiotice, mas parece que já voltou ao normal.
Amanda me analisa enquanto me olha.
- O que você quer, Oliver? Por que veio aqui?
- Para me desculpar já disse. Sinto muito por ontem, mas aquele é um assunto que me incomoda muito e você não sabe a hora de parar, então acabei explodindo com você.
- Você e a Emily são meus melhores amigos. Você esteve ao meu lado quando mais precisei, Ollie. Só quero o seu bem nunca o seu mal.
- Eu sei disso e me desculpe mais uma vez.
- Na próxima vez que falar daquele jeito comigo chuto a sua bunda e sabe que tenho coragem o suficiente para fazer isso.
- Eu não duvido nada, de você, espero tudo. Mas me diga uma coisa, Amanda? Aquela estagiária faz muito tempo que ela está trabalhando aqui com vocês, não?
Amanda me olha desconfiada, ergue uma sobrancelha e isso não é nada bom.
- A Bruna é uma excelente estagiária e artista. Ela é muito responsável no trabalho e pode se tornar também um ótimo partido, Ollie. Como foi que nunca pensei nisso? - diz como se tivesse acabado de ter uma excelente ideia.
- Nem começa, Amanda. Ela esbarrou em mim e precisava só ver como ela falou comigo. A garota é debochada, mal-educada e desatenta. Como aquela garota poderia ser uma excelente artista? - digo me lembrando da petulância da menina.
- Meu Deus, Ollie, a Bruna é perfeita para você. Jovem, alegre, desinibida, deveria investir nela...
- Repito, nem começa, Amanda. Não tenho tempo e nem disposição para perder com uma garotinha que nem mesmo sabe o que quer da vida.
- Garotinha não, ela tem vinte anos, idade excelente para uma gravidez, você não acha?
Olho para a mulher na minha frente, incrédulo.
- São quatorze anos de diferença Amanda, será que você pensa antes de falar?
A risadinha que ela solta me deixa irritado, mas procuro me controlar.
- Está querendo dizer que é velho demais para ela? Será que você não dá conta, Ollie?
- Amanda, você mais do que ninguém sabe que dou conta, o problema é que não quero um romance com ninguém. Esse negócio de amor não funciona para mim, sou um homem prático, sabe disso.
- Pratico, sei.
Algo me diz que essa mulher não vai desistir dessa ideia fácil.
- Eu já vou embora antes que ligue para minha mãe e marque meu casamento. Conheço esse seu olhar e já vou logo dizendo que NÃO.
- Mas eu nem falei nada.
- E nem precisa, eu te conheço e estou falando sério, Amanda, nem comece com isso.
- Tudo bem, não vou fazer nada.
- Espero mesmo que não. Sabe muito bem que a minha bondade só se limita a você.
- Você precisa ter alguém, Ollie.
- Não preciso, estou muito bem sozinho - digo me aproximando dela.
Nos despedimos e assim que passo pela porta, vejo a tal estagiária passando com algumas tintas nas mãos caminhando rumo a sala de criação.
- Cuidado para não esbarrar em ninguém, essas tintas custam uma fortuna, sem falar na sujeira que você faria.
- Não se preocupe, senhor investidor, sei muito bem fazer meu trabalho. - Ela me encara e viro as costas saindo. - O que tem de gostoso tem de idiota. Nada é perfeito.
Escuto a garota resmungando e quando me viro para olhá-la mais uma vez, só vejo a porta se fechando.
Acabo sorrindo do que ela falou.
Até que essa garota seria um desafio interessante.