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Voltei Para Não Ser Sua

Voltei Para Não Ser Sua

Autor:: Critter
Gênero: Romance
Meu maior arrependimento nesta vida foi amar Ricardo Almeida, meu padrinho e o melhor amigo dos meus pais. Ele me acolheu quando fiquei órfã aos dez anos e prometeu me proteger, ser como uma filha. Eu o amava secretamente, o via como meu porto seguro. Cheguei a doar parte do meu fígado para salvá-lo de um acidente terrível. Mas um beijo meu, dado em um impulso adolescente enquanto me recuperava da cirurgia, mudou tudo. Seus olhos, antes quentes, tornaram-se frios como gelo, e suas palavras raras e cortantes. Então, Laura Bastos, sua noiva, surgiu, uma "dama de porcelana", mas seus rins falharam e eu era a única compatível. Ele, novamente, me pressionou para doar. Eu recusei, meu corpo ainda exausto da doação anterior. Laura morreu. E a vingança de Ricardo foi um pesadelo indizível. Ele expôs meu diário íntimo, me drogou, permitiu que outros homens me violassem, chamando-me de "suja" com nojo. Por fim, em um acesso de fúria cega, ele me esfaqueou, e eu morri em seus braços. Meu último suspiro foi um lamento silencioso. A dor lancinante da facada, a humilhação pública e a traição... tudo tão vívido. Como pude ser tão tola? Como o homem que jurei amar pôde ser tão cruel? Abri os olhos. O cheiro de antisséptico invadiu minhas narinas. A luz fluorescente do hospital feria minha vista. E lá estava ele, Ricardo, ao lado da minha cama, repetindo o mesmo pedido com a voz que me amaldiçoou: "Laura precisa de você. Por favor, salve a vida dela." Eu renasci. Voltei ao momento crucial. Desta vez, aquele amor idiota estava morto e enterrado. Minha liberdade seria minha única moeda de troca.

Introdução

Meu maior arrependimento nesta vida foi amar Ricardo Almeida, meu padrinho e o melhor amigo dos meus pais.

Ele me acolheu quando fiquei órfã aos dez anos e prometeu me proteger, ser como uma filha.

Eu o amava secretamente, o via como meu porto seguro. Cheguei a doar parte do meu fígado para salvá-lo de um acidente terrível.

Mas um beijo meu, dado em um impulso adolescente enquanto me recuperava da cirurgia, mudou tudo.

Seus olhos, antes quentes, tornaram-se frios como gelo, e suas palavras raras e cortantes.

Então, Laura Bastos, sua noiva, surgiu, uma "dama de porcelana", mas seus rins falharam e eu era a única compatível. Ele, novamente, me pressionou para doar.

Eu recusei, meu corpo ainda exausto da doação anterior. Laura morreu. E a vingança de Ricardo foi um pesadelo indizível.

Ele expôs meu diário íntimo, me drogou, permitiu que outros homens me violassem, chamando-me de "suja" com nojo.

Por fim, em um acesso de fúria cega, ele me esfaqueou, e eu morri em seus braços.

Meu último suspiro foi um lamento silencioso. A dor lancinante da facada, a humilhação pública e a traição... tudo tão vívido.

Como pude ser tão tola? Como o homem que jurei amar pôde ser tão cruel?

Abri os olhos. O cheiro de antisséptico invadiu minhas narinas. A luz fluorescente do hospital feria minha vista.

E lá estava ele, Ricardo, ao lado da minha cama, repetindo o mesmo pedido com a voz que me amaldiçoou: "Laura precisa de você. Por favor, salve a vida dela."

Eu renasci. Voltei ao momento crucial. Desta vez, aquele amor idiota estava morto e enterrado. Minha liberdade seria minha única moeda de troca.

Capítulo 1

Meu maior arrependimento nesta vida foi amar Ricardo Almeida.

Se não fosse por esse amor, eu não teria morrido de forma tão trágica.

Desde os dez anos, quando meus pais faleceram em um acidente de carro, fui acolhida por Ricardo, meu padrinho e o melhor amigo deles. Ele era um empresário influente no setor cafeeiro, um homem que todos admiravam.

Ele me prometeu proteção, cuidado, disse que eu seria como uma filha.

Aos quinze anos, ele me defendeu de valentões na escola, sua figura alta e imponente era meu porto seguro.

Aos dezoito, ele sofreu um grave acidente de carro, quase morreu. Eu, sem hesitar, doei parte do meu fígado para salvá-lo.

No hospital, ainda me recuperando, a dor da cirurgia era um zumbido constante. Ele dormia, sereno. Movida por um impulso adolescente, um amor que me consumia em segredo, beijei seus lábios.

Ele acordou.

Seus olhos, antes quentes, tornaram-se frios como gelo.

A partir daquele dia, ele me tratou com uma distância cruel, suas palavras eram raras e cortantes.

Então Laura Bastos surgiu, sua noiva. Linda, delicada, uma "dama de porcelana". Ela adoeceu gravemente, seus rins falharam. Um transplante era sua única esperança.

Eu era a única compatível.

Ricardo me pressionou, seus olhos suplicantes, mas frios. Eu já estava debilitada pela doação anterior, meu corpo ainda se ressentia.

Eu recusei.

Laura morreu.

A vingança de Ricardo foi um pesadelo. Ele expôs meu diário íntimo, cada palavra de amor adolescente, cada segredo, transformado em humilhação pública.

Ele me drogou.

Permitiu que outros homens me tocassem, me violassem. Ele não encostou um dedo em mim, sua voz cheia de nojo:

"Suja."

Por fim, em um acesso de fúria cega, ele me esfaqueou. A dor era lancinante, o sangue quente escorrendo pelo meu corpo. Seus olhos eram vazios, consumidos pelo ódio.

Morri em seus braços, meu último suspiro um lamento silencioso.

Abri os olhos.

O cheiro de antisséptico invadiu minhas narinas. A luz fluorescente do teto do hospital feria minha vista.

Ricardo estava ao lado da minha cama. Seu rosto, uma máscara de preocupação fingida.

"Clara, querida," sua voz era suave, a mesma voz que me chamara de "suja" antes de me matar. "Laura precisa de você. Você é a única compatível para o transplante de rim. Por favor, salve a vida dela."

Era o mesmo pedido. O mesmo momento.

Eu renasci.

Voltei ao momento crucial.

A memória da dor, da humilhação, da morte, estava vívida em minha mente. Aquele amor idiota que senti por ele? Morto, enterrado junto com meu corpo esfaqueado.

Desta vez, eu não seria tola.

Olhei para ele, meus olhos encontrando os seus.

"Eu doo," minha voz saiu firme, surpreendendo a mim mesma.

Os olhos de Ricardo brilharam com um alívio culpado.

"Mas tenho uma condição."

Ele franziu a testa, desconfiado.

"Qualquer coisa, Clara. O que você quiser."

"Quero um documento," eu disse, minha voz fria como o aço. "Assinado por você. Desvinculando-me legalmente da família Almeida. Concedendo-me total independência financeira e pessoal. Quero sair desta família para sempre."

Ricardo me encarou, chocado. O médico ao seu lado pigarreou.

"Senhorita Vasconcelos, uma segunda doação de órgão é extremamente arriscada. Seu corpo já passou por um grande trauma com a doação do fígado."

Ignorei o médico. Meus olhos estavam fixos em Ricardo.

Ele ainda me olhava, a surpresa dando lugar à suspeita. Ele provavelmente achava que era mais uma artimanha minha para prendê-lo, para me casar com ele. Idiota.

"Você tem certeza, Clara?" ele perguntou, a voz carregada de uma desconfiança que me enojava. "É um risco enorme."

"Tenho absoluta certeza," respondi. A liberdade tinha um preço, e eu estava disposta a pagá-lo. Morrer na mesa de cirurgia era melhor do que viver o inferno que ele me preparara.

Ele assentiu lentamente, um brilho calculista em seus olhos.

"Se é isso que você quer... eu providenciarei os papéis imediatamente."

Ele deve ter pensado que eu estava blefando, que no último minuto eu exigiria casamento, dinheiro, atenção. Mal sabia ele que meu único desejo era nunca mais ver seu rosto.

Ele saiu para falar com os advogados. Laura, ao saber do "acordo", invadiu meu quarto como uma fúria.

Seu rosto doce estava contorcido pela raiva.

"Sua vadiazinha!" ela sibilou, e sua mão voou, acertando meu rosto com força. A ardência se espalhou pela minha bochecha. "Acha que pode usar isso para seduzir o Ricardo? Acha que ele vai te querer só porque você vai me dar um rim?"

Ricardo entrou no quarto naquele exato momento.

"Laura, o que está fazendo?" ele perguntou, mas correu para o lado dela, amparando-a como se ela fosse a vítima.

"Ricardo, ela está tentando te roubar de mim!" Laura choramingou, agarrando-se ao braço dele. "Ela concordou em doar o rim, mas quer algo em troca! Ela quer você!"

Ricardo olhou para mim, seus olhos frios e acusadores.

"Laura está frágil, Clara. Não a perturbe."

Ele a abraçou, e eu ouvi suas palavras, cada uma delas uma faca em meu coração, mesmo que ele já estivesse morto para mim.

"Não se preocupe, meu amor. A vida dela não tem importância comparada à sua. Ela é só uma ferramenta."

Virei o rosto, a amargura subindo pela minha garganta. Era isso que eu era para ele. Uma ferramenta. Um corpo com órgãos sobressalentes.

Mas desta vez, a ferramenta tinha um plano. E esse plano era a minha liberdade.

Capítulo 2

Assim que Ricardo e Laura saíram, peguei meu celular. Disquei o número do Professor Matias, meu orientador na universidade.

"Professor? É a Clara Vasconcelos."

"Clara! Que surpresa agradável. Como você está?"

"Estou bem, professor. Liguei para confirmar minha participação no 'Projeto Raízes do Sertão'. Ainda há vaga?"

Houve uma pausa do outro lado da linha.

"Clara, fico muito feliz com sua decisão! Sua ajuda será inestimável para as comunidades na Bahia. Mas... seu padrinho, o Sr. Almeida, ele sabe? Ele aprova?"

Um sorriso frio brincou em meus lábios.

"Professor, sou maior de idade. Minhas decisões são apenas minhas."

"Entendo. Bem, sua vaga está garantida. Enviarei os detalhes por e-mail."

Desliguei, sentindo um pequeno peso sair dos meus ombros. O sertão da Bahia. Longe de Ricardo, longe desta cidade, longe desta vida de sofrimento.

Mal tive tempo de respirar aliviada quando a porta do quarto se abriu e Ricardo entrou. Sua expressão era dura.

"Com quem estava falando ao telefone?"

Meu coração deu um salto, mas mantive a calma.

"Um grupo de estudos da faculdade, padrinho. Estávamos discutindo um projeto."

Ele me encarou por um momento, seus olhos perscrutando meu rosto. Parecia aceitar a desculpa, mas sua expressão não suavizou.

"Laura receberá alta amanhã. Ela virá morar conosco na mansão. Quero que você seja discreta. E, Clara," ele fez uma pausa, seu tom ficando ainda mais gélido, "livre-se de quaisquer cartas ou diários que você possa ter. Não quero 'mal-entendidos' quando Laura estiver se adaptando à casa."

Senti uma pontada de dor. Meus diários, minhas cartas de amor nunca enviadas, eram testemunhas silenciosas da minha devoção tola. Ele sempre os rejeitou, chamando-os de "melodrama adolescente". Agora, queria que eu os destruísse para proteger os sentimentos de Laura.

"Como quiser, padrinho." Minha voz era um fio.

No dia seguinte, Ricardo levou Laura para a mansão em seu carro de luxo. Eu fiquei para trás no hospital. Tive que chamar um táxi. O motorista, um senhor gentil, notou meu rosto pálido e as marcas da bofetada de Laura, ainda visíveis.

"A senhorita está bem? Precisa de ajuda?"

"Não, obrigada. Estou bem."

Que ironia. Um estranho se preocupava mais comigo do que minha própria "família".

Ao chegar à mansão, a cena que encontrei me fez parar na porta. Laura estava no meu quarto, mexendo em minhas gavetas. Em suas mãos, ela segurava um antigo terço de filigrana de prata, a única lembrança que eu tinha da minha mãe.

"O que você está fazendo?" minha voz tremeu de raiva contida.

Laura sorriu, um sorriso venenoso.

"Apenas conhecendo melhor a casa, querida. E os pertences da... agregada."

Ela olhou para o terço em suas mãos com desdém.

"Que coisinha feia. Tão antiquada."

E então, com um movimento deliberado, ela o deixou cair no chão. O delicado trabalho de filigrana se partiu em vários lugares.

Um grito escapou dos meus lábios. Corri e me ajoelhei, pegando os pedaços do terço, meu coração se partindo junto com ele.

Ricardo entrou no quarto, atraído pelo barulho.

"O que está acontecendo aqui?"

Laura correu para ele, o rosto contorcido em uma falsa inocência.

"Ricardo, eu não queria! Escorregou da minha mão!"

Ele olhou para o terço quebrado em minhas mãos, depois para mim, ajoelhada e trêmula. Sua expressão era de impaciência.

"Não seja dramática, Clara. É só um objeto. Eu te compro outro, um muito melhor." Ele tirou a carteira, como se dinheiro pudesse consertar a única ligação que eu tinha com minha mãe.

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