Durante sete anos, investi a fortuna da minha família na empresa do meu marido, Cris, a Dinâmica Belmonte. Então, a amante dele, a Dra. Kimberly Luna, arruinou de propósito a cirurgia de rotina do meu pai, deixando-o vivo apenas por aparelhos.
Eles me trancaram no quarto do hospital, uma jaula dourada, enquanto Cris ignorava minhas ligações desesperadas. Kimberly apareceu, com um sorriso cruel nos lábios, revelando uma verdade aterrorizante: cada crise da minha vida - a morte da minha mãe, um acidente de carro quase fatal, até o aborto espontâneo do que eu pensava ser nosso bebê - foi orquestrada por eles.
"Ele estava comigo todas as vezes", ela zombou. "Você era só um incômodo."
Eles assassinaram meu pai desligando os aparelhos bem na minha frente, tudo porque me recusei a assinar um termo de isenção de responsabilidade que livraria Kimberly de seu crime. Cris então me internou à força, drenou meu sangue para seus futuros planos de barriga de aluguel e anulou nosso casamento para se casar com ela.
Ele achou que tinha me apagado, me quebrado completamente.
Mas ele se esqueceu do acordo pré-nupcial que meu pai insistiu que fizéssemos. Um acordo que me deixou com 25% da Dinâmica Belmonte. Agora, armada com o último presente do meu pai, eu não vou lamentar. Eu vou me vingar.
Capítulo 1
Ponto de Vista de Alana:
Eles me trancaram neste quarto de hospital, o ar estéril pesado com o cheiro de traição, enquanto meu pai agonizava, uma vítima inocente do jogo doentio deles. Sete anos de casamento com Cris Belmonte, sete anos construindo a Dinâmica Belmonte do zero com o dinheiro e as conexões da minha família, e tudo se resumia a isso. Meu pai, forte e saudável há poucos dias, agora era uma sombra de si mesmo, ligado a um labirinto de tubos e fios. A Dra. Kimberly Luna, amante de Cris, arruinou sua cirurgia. Deveria ser rotina. Era uma mentira.
A porta pesada se fechou atrás de mim. Girei a maçaneta. Não se moveu. Minha respiração falhou. O pânico sufocava minha garganta. Bati na porta. Nada. O quarto do hospital, que parecia um santuário momentos antes, agora me pressionava, uma jaula dourada.
Meu celular ainda estava na minha mão. Meus dedos tremiam enquanto eu procurava o contato de Cris. Ligação após ligação, a linha apenas chamava e depois caía na caixa postal. Deixei mensagens, minha voz cada vez mais rouca a cada súplica. "Cris, por favor, meu pai precisa de você. Eu preciso de você. O que está acontecendo?" O silêncio foi a única resposta. Era um padrão familiar, um eco cruel de cada crise que eu já enfrentei. Ele nunca estava lá.
A porta se abriu, não para mim, mas para admitir Kimberly. Ela entrou, uma visão de beleza frágil em seu jaleco branco impecável, um contraste gritante com o veneno que estava prestes a liberar. Seus olhos, geralmente tão afiados, estavam arregalados e aparentemente inocentes. Uma performance.
"Ele não vai atender, vai?" Sua voz era suave, quase um sussurro, mas cortou o silêncio do quarto. Um sorriso, fino e frio, tocou seus lábios. "Ele nunca atende, quando você realmente precisa dele."
Meu sangue gelou. "Do que você está falando?"
Ela se aproximou, seu cheiro de antisséptico e perfume caro invadindo meu espaço pessoal. "Ah, Alana, querida. Você é tão ingênua." Ela estendeu a mão, que pairou perto do meu braço, depois recuou, como se eu estivesse contaminada. "Ele estava comigo. Todas as vezes. Quando sua mãe morreu, quando você teve aquele acidente de carro, até quando você perdeu... o nosso bebê."
As palavras me atingiram como um soco. Meus joelhos cederam. "Não. Isso é mentira. Ele estava fora da cidade. Trabalhando."
"Trabalhando em nós", ela corrigiu, sua voz agora escorrendo uma doçura enjoativa. "Ele sempre me escolheu. Sempre." Seus olhos, geralmente frios, agora tinham um brilho de algo sombrio e triunfante. Era o olhar de um predador observando sua presa encurralada.
"Por quê?" A única palavra rasgou minha garganta, crua e quebrada.
Kimberly riu, um som arrepiante. "Porque você não o deixava. Você se agarrava a ele, mesmo depois de tudo. Tornou-se... um incômodo." Seu olhar se desviou para meu pai, imóvel na cama. "Isso, Alana, é a sua punição. A condição do seu pai? É a nossa pequena mensagem. Um lembrete do que acontece quando você não joga de acordo com as nossas regras."
Minha mente girava. Todos aqueles anos, todos aqueles momentos de dor e solidão. Ele não estava trabalhando. Ele não estava distante. Ele estava com ela. O homem que eu amava, o homem a quem eu dei tudo, havia orquestrado cada desgosto, cada abandono, com essa mulher. Uma náusea horrível me invadiu. Meu estômago se revirou.
Lembrei-me do acidente de carro, três anos atrás. Meu carro derrapou no asfalto molhado. Liguei para Cris, histérica. Ele disse que estava em uma reunião crucial, não podia sair. Fiquei no carro destruído, o cheiro de gasolina enchendo o ar, esperando pelo resgate, sozinha. Duas costelas quebradas, uma concussão. Ele me visitou por uma hora no dia seguinte, distraído, seu telefone vibrando constantemente. "Negócios", ele disse, se desculpando. "São sempre os negócios."
Depois, houve a noite em que perdi o bebê. Uma dor súbita e aguda. Liguei para ele, minha voz mal um sussurro. Ele estava com clientes, alegou. O telefone morreu na minha mão enquanto a dor se intensificava. Arrastei-me para o hospital, sangrando, aterrorizada. Abracei minha barriga lisa, já sentindo o vazio. Ele não apareceu até de manhã, com os olhos vermelhos, cheirando a perfume velho. Ele ofereceu um consolo fraco, depois desapareceu em ligações. Não era 'nosso' bebê, ela disse. Era deles. Uma gravidez de aluguel para eles, usando o embrião deles. Eu perdi por causa do estresse que eles me causaram.
Cada fio da minha vida, cada momento de vulnerabilidade, cada lágrima que derramei, tinha sido uma performance para eles. Uma peça grandiosa e cruel orquestrada por Cris e Kimberly, apenas para me punir por não deixá-lo. Porque eu o amava. Porque eu acreditava nele. Porque eu era cega demais para ver o monstro escondido atrás do sorriso encantador e da ambição.
"Seus conspiradores", cuspi, o gosto de bile na boca. "Seus assassinos. Tudo isso. Tudo que vocês me fizeram passar. Foi tudo por isso." Minha voz tremia, mas uma determinação fria e de aço começava a se formar dentro de mim. Isso não era mais dor. Era fúria.
O sorriso de Kimberly se alargou. "Agora, sobre aquele termo de isenção de responsabilidade para mim. Cris está esperando que você assine. Ou a condição do seu pai pode... piorar." Ela olhou para o equipamento médico, uma promessa silenciosa e arrepiante.
Não. Eu não os deixaria vencer. Não assim. Um grito feroz e primitivo explodiu em meu coração. Eles queriam me quebrar? Eles se arrependeriam. Eu não iria lamentar. Eu iria me vingar. Eu os faria pagar. Eles haviam despertado uma fera que não sabiam que existia.
Encarei Kimberly, meus olhos ardendo. "Ele vai se arrepender disso", sussurrei, não apenas uma ameaça, mas um voto. "Vocês dois vão."
Kimberly apenas riu, um som agudo e tilintante que me irritou os nervos. Ela se virou e saiu, deixando-me no silêncio sufocante. Ouvi a fechadura clicar novamente.
Peguei meu telefone. Disquei o número de Cris uma última vez. Foi direto para a caixa postal. Desliguei. Chega de súplicas. Chega de implorar. A garota que o amava estava morta. Meu pai estava com o tempo contado, e tudo por causa deles. O jogo havia mudado. E agora, seria eu quem ditaria as regras.
Meu corpo parecia chumbo, pesado de luto e um novo e aterrorizante propósito. Caí no chão frio, minha cabeça contra a parede estéril. Meu pai. Meu pobre e inocente pai. Eu tinha que salvá-lo. Mas primeiro, eu tinha que sobreviver. E então, eu os destruiria.
A porta rangeu ao se abrir novamente. Minha cabeça se ergueu bruscamente. Não era Kimberly. Era Cris. Seus olhos, geralmente calorosos para mim, agora estavam distantes, como gelo. Ele segurava uma prancheta na mão. O termo de isenção de responsabilidade. Meu coração martelava contra minhas costelas.
"Alana", ele disse, sua voz sem expressão. "Você vai ser razoável agora?" Ele se aproximou, sua sombra caindo sobre mim. Eu me encolhi. O homem com quem me casei havia desaparecido. Este era um estranho. Um monstro.
Ele se ajoelhou, aproximando o rosto do meu. Seus olhos, geralmente tão expressivos, agora estavam desprovidos de qualquer emoção. Ele estendeu a prancheta, uma caneta presa no topo. "Assine. É pela Kimberly."
Afastei sua mão, minha voz um suspiro rouco. "Seu monstro! Como você pôde?"
Sua mandíbula se contraiu. Ele agarrou meu braço, seus dedos cravando em minha carne. "Não torne isso mais difícil do que precisa ser, Alana. A vida do seu pai está por um fio." Seu olhar se voltou para a cama, uma ameaça cruel e calculada.
Meu estômago se revirou. "Você mataria meu próprio pai?"
"Não se trata de matar, Alana. Trata-se de escolhas." Ele pressionou a prancheta contra meu peito. "Assine o termo, e Kimberly estará segura. Seu pai recebe o melhor tratamento... fornecido por outro médico, é claro."
Meus olhos correram para o termo. O nome de Kimberly Luna estava impresso claramente no topo. Isso era imunidade. Imunidade para ela, por quase matar meu pai. "Eu não vou. Eu não posso."
Ele suspirou, um som de total impaciência. "Alana, você sempre foi tão teimosa. Por que você sempre escolhe o caminho mais difícil?" Ele se levantou, me puxando com ele, seu aperto como ferro. Ele me arrastou em direção à janela. Sétimo andar. O chão se tornou um borrão lá embaixo.
"O que você está fazendo?" Minha voz era um grito desesperado.
Ele enfiou a prancheta na minha mão, depois agarrou a mesa de cabeceira do meu pai, inclinando-a perigosamente perto da janela. "Assine a porcaria do papel, Alana. Ou ele vai." Seus olhos estavam frios, mortos. Não havia nenhum brilho do homem que eu conheci. Meu pai, meu gentil pai, preso em um coma, era seu peão.
"Você não faria isso!" gritei, minha voz falhando.
Ele me olhou, um sorriso de escárnio torcendo seus lábios. "Tente me impedir." Ele pegou o celular, um brilho sinistro em seus olhos. "Você se recusa a assinar? Tudo bem. Posso fazer outros arranjos para o 'tratamento' dele." Ele clicou em um botão no telefone. Um som arrepiante ecoou da máquina de suporte à vida. Um bipe longo e contínuo. Os níveis de oxigênio começaram a cair.
Não. Ele não faria isso. Não com meu pai. Minha visão embaçou com lágrimas e raiva. "Você não vai se safar dessa, Cris! Eu juro, vou fazer você pagar!"
"Ameaças vazias, Alana. Assim como tudo o mais que você diz." Ele me observava, seu rosto impassível enquanto a máquina apitava mais rápido, mais urgentemente. O peito do meu pai mal se movia. Sua pele estava ficando acinzentada.
Deixei a prancheta cair, minhas mãos voando para a máquina, tentando desesperadamente reverter o que quer que ele tivesse feito. Mas era inútil. A linha reta perfurou o ar, um grito final e agonizante.
Meu pai estava morto.
Eu desabei, um lamento primitivo rasgando minha garganta. Era um grito de angústia pura e absoluta, um som que rasgou o próprio tecido do meu ser. Cris ficou ali, me observando, sua expressão indecifrável. Nenhuma lágrima. Nenhum tremor. Ele era um monstro.
"Você o matou", sussurrei, as palavras cobertas de veneno.
Ele se abaixou, pegou a prancheta e me ofereceu a caneta novamente. "Agora você vai assinar?"
Meus olhos, vermelhos e inchados, se fixaram nele. Meu pai se fora. Não havia mais nada a perder. Nada a proteger. Apenas vingança. "Não", eu disse, minha voz se elevando, clara e firme apesar da devastação. "Eu nunca vou assinar. E vou fazer você se arrepender do dia em que nasceu." Meu olhar endureceu, uma fúria fria e inabalável substituindo o luto. "Isso não acabou, Cris. Está apenas começando." Ele me olhou, um brilho de algo indecifrável em seus olhos, talvez surpresa, talvez um indício do medo que estava por vir. O homem que eu amei estava morto para mim. E agora, eu garantiria que ele pagasse pela morte do meu pai.
Ponto de Vista de Alana:
Os olhos de Cris se estreitaram, um músculo se contraindo em sua mandíbula. A máscara fria e ensaiada que ele usava escorregou por uma fração de segundo, revelando um lampejo de irritação genuína. Foi a única rachadura em sua compostura desde que meu pai parou de respirar. Meu pai. Morto. Por causa deles.
Ele agarrou meu braço novamente, seus dedos cravando em minha carne, me puxando bruscamente do chão. Meu corpo parecia uma marionete. Sem vida. Mas minha mente estava viva, afiada, queimando com uma clareza nova e aterrorizante.
"Você acha que isso é um jogo, Alana?" Sua voz era baixa, perigosa. "Você acha que pode me desafiar?" Ele enfiou o termo de volta na minha mão, a caneta agora pendurada inutilmente em seu clipe. "Assine. Agora. Ou a Kimberly ficará muito descontente, e você sabe o que isso significa."
Minha respiração falhou. Kimberly. Sua amante. Sua verdadeira prioridade. Meu pai, seu sogro por sete anos, era uma mera casualidade em sua história de amor distorcida. "O que isso significa, Cris?" Minha voz era um sussurro, cheia de uma calma aterrorizante. "O que mais você pode tirar de mim? Meu pai está morto por sua causa. Por causa dela. Que poder distorcido ela tem sobre você para que você sacrifique tudo por ela?"
Ele me soltou, suas mãos caindo ao lado do corpo. Ele desviou o olhar, depois voltou para mim, uma estranha mistura de defensiva e fria determinação em seu olhar. "Kimberly... ela me salvou uma vez. Ela estava lá quando ninguém mais estava." Ele fez uma pausa, seus olhos endurecendo. "Ela é tudo para mim, Alana. Você foi... um meio para um fim. Um arranjo conveniente."
Meu mundo se despedaçou novamente, os fragmentos do meu passado desabando ao meu redor. Um meio para um fim. Todos aqueles anos, todo o meu amor, meus sacrifícios, a riqueza da minha família despejada em sua empresa em dificuldades. Não significava nada. Eu era uma transação. Um degrau. Meu pai, sua morte, era um dano colateral. Eu estive tão completa e irremediavelmente apaixonada por um fantasma, uma miragem. A verdade fria era uma lâmina afiada se torcendo em minhas entranhas.
"Então é isso?" perguntei, minha voz desprovida de emoção. "Minha vida inteira, meu amor, minha família... tudo isso foi apenas um tabuleiro de xadrez para seus jogos distorcidos com sua preciosa Kimberly?" A ironia era um gosto amargo na minha boca. Eu tinha interpretado a esposa devotada, a parceira solidária, a filha amorosa. Eles eram os mestres das marionetes, e eu, a tola, dançava conforme a música deles.
Ele não respondeu. Apenas me encarou, seus olhos contendo um aviso arrepiante. "Chega. Assine." Sua paciência estava se esgotando.
Mas não havia mais nada a temer. Meu pai se fora. Meu amor por Cris era uma ruína carbonizada. A única coisa que restava era o gosto amargo da traição e o desejo ardente por justiça. "Não."
Seus olhos brilharam de raiva. "Tudo bem." Ele se virou, pegou o celular novamente e fez uma ligação. Suas palavras foram curtas, carregadas de um comando aterrorizante. "Inicie a retirada total. Termine todos os sistemas de suporte à vida. Agora."
Meu sangue gelou. Ele não tinha apenas cortado o tratamento do meu pai. Ele estava ordenando a remoção completa de tudo. As máquinas parariam. O zumbido cessaria. A pretensão de cuidado desapareceria.
"Não!" gritei, um som gutural de puro terror e agonia. Avancei sobre ele, arranhando seu braço, tentando arrancar o telefone. Mas ele me empurrou facilmente.
Ele encerrou a chamada, seu rosto uma máscara de indiferença arrepiante. "Você fez sua escolha, Alana." Ele caminhou de volta para a porta.
"Cris, por favor!" solucei, tropeçando em sua direção. "Não faça isso! Ele ainda está... ele era meu pai!"
Ele parou, depois se virou, um brilho de algo quase como pena em seus olhos, rapidamente substituído por um cálculo frio. "Ele se foi, Alana. Você garantiu isso quando se recusou a cooperar."
Meu corpo tremia incontrolavelmente, um tremor violento que começou em meu âmago e sacudiu cada membro. Senti-me fraca, tonta, completamente exausta. Mas um novo som perfurou o silêncio estéril. Uma linha reta. Esta, mais profunda, mais final. O último suspiro do meu pai, exalado no ar frio e indiferente deste quarto de hospital.
Então, a porta se abriu novamente. Kimberly. Ela entrou como se o quarto pertencesse a ela, seu rosto uma imagem de preocupação. "Cris, querido, o que aconteceu? Ouvi um grito. A Alana está... bem?" Seus olhos se voltaram para mim, depois para o monitor com a linha reta, um sorriso minúsculo, quase imperceptível, brincando em seus lábios.
Cris correu para o lado dela, seu braço envolvendo sua cintura. "Não é nada, querida. A Alana está apenas sendo difícil." Ele me lançou um olhar venenoso.
Minha visão embaçou. Isso era demais. A maldade pura e absoluta de tudo aquilo. Eu rosnei, um som que não reconheci. "Você! Sua demônia!" Avancei sobre Kimberly, um animal selvagem e enlutado. Minha mão atingiu sua bochecha, um estalo agudo ecoando no quarto.
Sua cabeça virou para trás. Seus olhos se arregalaram, não de dor, mas de choque fingido. Ela gritou, um gemido pequeno e teatral, e levou a mão ao rosto. "Oh! Minha bochecha! Ela me bateu, Cris! Ela me atacou!"
Cris imediatamente rugiu, seu rosto contorcido de raiva. Ele me empurrou, me fazendo tropeçar para trás, batendo na parede com um baque surdo. "Alana! Que diabos há de errado com você?" Ele se virou para Kimberly, sua voz carregada de terna preocupação. "Você está bem, meu amor? Dói?"
Kimberly se aninhou nele, seu olhar encontrando o meu por cima do ombro dele, um sorriso triunfante substituindo sua fachada chorosa. "Ela está instável, Cris. Perigosa. Precisamos fazer alguma coisa."
Cris a abraçou com mais força, seus olhos queimando de fúria. Ele me olhou, uma expressão de puro ódio contorcendo suas feições. "Tire-a daqui. Agora. E certifique-se de que ela não receba nada. Nem um centavo. Nem uma única lembrança." Sua voz era baixa, arrepiantemente calma. "Ela perdeu tudo."
Assim que ele terminou de falar, a linha reta final e agonizante do monitor cardíaco do meu pai ecoou pelo quarto. Meu pai. Se foi. Para sempre. Minhas pernas cederam. Caí no chão, minhas mãos estendidas em direção à forma sem vida do meu pai. "Não! Pai!" Meu grito rasgou o ar, desesperado e quebrado.
Ponto de Vista de Alana:
Meu corpo bateu no chão do hospital, cada osso doendo, cada músculo gritando em protesto. O último suspiro do meu pai, uma linha reta ecoando no quarto estéril, era um som que me assombraria por toda a eternidade. Rastejei de quatro, arranhando o caminho em direção à sua cama, em direção à forma fria e imóvel que um dia foi meu pai vibrante e amoroso.
"Pai!" Minha voz era um grito cru e gutural, um som de angústia pura e absoluta. Alcancei sua mão, sua pele fria sob meu toque. Ele realmente se fora. Por causa deles.
Uma raiva, fria e absoluta, se acendeu dentro de mim. Virei-me, rosnando, e avancei sobre Cris, minhas mãos formando punhos, golpeando-o onde quer que eu pudesse alcançar. "Você o matou! Você assassinou meu pai!" Meus golpes eram fracos, alimentados mais pelo luto do que pela força, mas carregavam o peso de sete anos de traição e uma vida inteira de amor pelo homem que ele acabara de destruir.
Cris agarrou meus pulsos, sua força superando facilmente a minha. Ele os torceu atrás das minhas costas, forçando-me a ficar de joelhos. "Chega, Alana! Você está fazendo uma cena." Sua voz era um rosnado baixo, totalmente desprovido da emoção que me dominava. Como ele podia estar tão calmo? Tão insensível?
"Me solta!" Debati-me contra seu aperto, mas era inútil. Ele me mantinha cativa, assim como manteve minha vida cativa por tanto tempo.
"Alana", ele disse, sua voz baixando para um sussurro perigoso, "podemos fazer isso do jeito fácil ou do jeito difícil. A escolha é sua." Ele fez uma pausa, deixando suas palavras pesarem no ar. "Assine o termo para a Kimberly, e eu permitirei que você veja o corpo do seu pai uma última vez. Você pode organizar um funeral. Se você se recusar..." Ele parou, mas a implicação era clara. Ele apagaria a existência do meu pai, assim como tentou apagar a minha.
Minha respiração ficou presa na garganta. O funeral do meu pai. Os últimos ritos para o homem que sempre foi minha âncora. Minha única família restante. Eu o odiava, odiava Kimberly, odiava a mim mesma por ter amado um monstro como aquele. Mas eu não podia negar a dignidade do meu pai. Não podia deixar que eles profanassem sua memória.
"Tudo bem", engasguei, a palavra com gosto de cinzas na minha boca. "Eu assino. Agora me solte."
Cris soltou meus pulsos, empurrando-me bruscamente em direção à pequena mesa no canto onde a prancheta estava. Minhas mãos ainda tremiam, mas uma fria determinação se instalou em meu coração. Isso não era rendição. Era uma retirada tática. Uma promessa de guerra futura.
Uma enfermeira, com o rosto pálido de choque, trouxe a prancheta e uma caneta. Minha mão estava instável enquanto eu rabiscava minha assinatura na parte inferior do documento, um pedaço de papel sem sentido diante de uma perda tão monumental. Estava feito. Kimberly Luna estava legalmente absolvida de qualquer irregularidade na cirurgia do meu pai. Uma paródia grotesca da justiça.
Olhei para Cris, meus olhos queimando com um ódio tão profundo que parecia uma entidade física. "Agora", eu disse, minha voz perigosamente suave, "quero ver meu pai. E então, quero ser deixada em paz para lamentá-lo. Você e sua... doutora podem ir."
Cris hesitou, seus olhos se voltando para a porta como se esperasse que Kimberly aparecesse. Uma ruga vincou sua testa. Foi um momento de fraqueza, uma pequena rachadura em sua fachada cuidadosamente construída. Ele realmente parecia quase... confuso.
Mas Kimberly, sempre a mestra das marionetes, reapareceu convenientemente naquele momento, seu braço ainda aninhado no de Cris. Seus olhos, ainda arregalados e inocentes, se voltaram para mim, depois para o termo assinado na prancheta. Um pequeno sorriso vitorioso tocou seus lábios. "Cris, querido, você está bem? Parece preocupado."
Ele imediatamente se enrijeceu, seu olhar voltando para ela. O momento fugaz de confusão desapareceu, substituído por sua familiar máscara de controle frio. "Estou bem, meu amor. Apenas lidando com a Alana." Ele a puxou para mais perto, sua preocupação com ela dolorosamente óbvia.
Ignorei os dois. Meu foco estava unicamente em meu pai. Corri para sua cabeceira, desabando ao seu lado, embalando sua cabeça em meus braços. Sua pele já estava ficando mais fria. As máquinas estavam silenciosas. O quarto parecia imenso, cavernoso, cheio do eco dos meus gritos silenciosos.
"Precisamos levá-lo para o atendimento de emergência!" gritei, minha voz rouca. Ele não estava realmente morto, estava? Tinha que haver algo. Um milagre.
Mas então, um funcionário entrou, seguido por dois seguranças. "Sra. Vasconcelos, a Dra. Luna precisa do quarto."
"Não! Meu pai precisa de ajuda!" gritei, agarrando-me a ele.
O Dr. Henderson, o médico principal do meu pai, entrou correndo, parecendo angustiado. "O que está acontecendo? Por que estão removendo o equipamento? Ele precisa de monitoramento contínuo!"
Cris deu um passo à frente, sua voz arrepiantemente calma. "Dr. Henderson, a Kimberly precisa de você. Ela teve um incidente infeliz. Seu paciente aqui foi... encerrado." Ele usou a palavra com um distanciamento tão clínico que fez meu sangue gelar.
"Encerrado?" Os olhos do Dr. Henderson se arregalaram de horror. "Do que você está falando? E que incidente?"
Kimberly, sempre a atriz, tocou delicadamente sua bochecha, uma leve marca vermelha visível. "A Alana... ela me atacou, doutor. Seu estado mental é frágil. Preciso de atenção imediata."
"Sua vadia mentirosa!" gritei, fazendo outra investida desesperada em direção a Kimberly, mas os seguranças me agarraram, prendendo meus braços atrás das costas.
"Levem-na daqui!" Cris ordenou, sua voz ecoando no pequeno quarto. Ele olhou para o Dr. Henderson. "Você a ouviu. A Kimberly precisa de você. Ela é muito mais importante agora. Minha esposa está instável."
"Mas... o paciente..." Dr. Henderson protestou, olhando para meu pai.
"Não é mais uma preocupação", Cris finalizou, sua voz final. "Agora, vá. A Kimberly está esperando."
Os guardas me arrastaram em direção à porta. Eu os arranhei, desesperada para voltar para meu pai. "Não! Não toquem nele! Ele é meu pai! Vocês não podem simplesmente deixá-lo aqui!"
"Você deveria ter assinado o termo antes, Alana", disse Cris, sua voz desprovida de pena. "Suas escolhas têm consequências."
Minha cabeça bateu no batente da porta enquanto eles me puxavam. Uma dor aguda. Levei a mão à cabeça, meus dedos saindo pegajosos de sangue. Mas mal registrei. Tudo o que eu via era meu pai, sozinho naquele quarto frio, sua vida cruelmente extinta pelo homem que eu amei. Eu não deixaria isso assim. Eu lutaria por ele, mesmo que significasse minha própria destruição. Eles me roubaram tudo, mas não me roubariam minha vingança.