Yassira
Tim Dom...
A campainha toca e eu corro pra atender, deve ser a Yumna, ela disse que vinha pra cá, ficar com a mamãe, porque eu tenho de ir procurar emprego.
Abro a porta e ela me dá um abraço que é de matar, ela é a minha melhor amiga, vive com os pais, pois bem, não estão sempre com ela porque estão sempre viajando por causa do trabalho e alguém devia fazer isso prós gastos todos. Eu conheci yumna quando nos mudados pra cá, ela foi a única que mostrou interesse em fazer amizade comigo.
Minha mãe costumava trabalhar como empregada doméstica na casa dos Einstein, eles a despediram, a filha deles fez com que eles a despedissem, não pude fazer nada quanto a isso, eu sempre economizava quando minha mãe me dava algum dinheiro.
Meu pai morreu quando eu tinha meus quinze anos, ele era um guarda-costas. Desde que ele se foi, fomos nós virando sozinhas, não aceitavam minha mãe nas empresas pela sua idade e aparência, ela optou por ser uma doméstica.
Se dedicou totalmente ao trabalho e a mim, eu não fiquei parada, ficava vendendo no açougue do Sr. Lucas, um senhor muito amável, que sempre ajudava quando podia. Com o que eu recebia dava prós gastos dos meus estudos, minha mãe só pagava a mensalidade.
Bom, eu nunca aceitei levar desaforo de ninguém, hoje minha mãe está doente, cansada e desempregada. Os médicos disseram que ela tem câncer e tem muito pouco tempo de vida. Procuramos saber com outros especialistas sobre o assunto e o que nos disseram foi a mesma coisa.
Minha mãe, finge estar feliz quando está comigo, mas eu sei que lá no fundo, ela está tanto quanto eu com medo dessa doença acabar com ela. Ela parou de sair e de falar com os vizinhos, excepto os pais da yumna, parece que isso a fez se afastar do mundo e se isolar em casa e na maior parte das vezes no seu quarto.
- Olá Yumna, que bom que você veio, eu vou ficar te devendo uma. - já começo agradecendo por toda força que ela me dá. -Eu já fiz tudo, só quero que fique pra quando ela precisar de alguma coisa. - Yumna estava sorrindo como sempre.
- Vai sem nenhuma preocupação amiga, foque naquilo que quer. - Me abraça e em seguida vejo sua cara se fechando. - O que foi amiga?- Me sento para escutar o que ela tem a dizer. - Meus pais vão viajar amanhã cedo, e eu vou ficar aqui com vocês, não gosto nada de ficar sozinha..- falou meio tristonha.
- Não tem nenhum problema Yumn, você sabe que é muito bem vinda aqui, sempre que precisar estarei aqui, pra te apoiar e te ajudar.. - falei pra ela, não se senti só pois tinha com quem contar sempre.
- Obrigada amiga, agora pentea um pouco esse cabelo, tá parecendo que saiu da boca de um leão.- Nos olhamos e rimos quando me viro para me olhar no espelho.
- Claro, acho que não iam me aceitar assim né? Além do mais eu preciso de montão desse emprego. Li no jornal hoje, acho que vou ganhar um emprego hoje, então orem por mim. - Minha mãe olhava para mim com ternura. Mas havia algo de diferente no seu olhar.
-Vai correndo porque alguém pode pegar teu lugar viu..- ela estava torcendo pra que eu encontrasse um emprego logo, só ela sabia o quanto eu estava querendo algo melhor e que seja da minha área de formação.
-Claro que não, e aí? Como estou? Acha que estou bem assim? - eu queria estar apresentável, então optei por uma calça jeans, uma blusa com as mangas longas e um tênis.
- Claro sua boba, vai despedir a minha tia sua mãe.- Fala como se eu não fosse me despedir dela.
-Tá bom. - Mamãe, eu vou procurar um emprego, e volto daqui a umas 3 ou 4horas no máximo ou um pouco mais cedo se eu conseguir um antes, me dê a sua benção mãe. - peço.
- Que Deus te abençoe minha filha. Vai dar tudo certo meu amor. - me dá um beijo na bochecha e logo em seguida eu me levanto.
- Obrigada mãe, dei um beijo na testa dela, abraço minha amiga e sai voando de casa.
Assim que saio de casa, vejo alguns garotos jogando bola no parque que por sua vez estava lotado de crianças e pais. Algumas deslizando nos brinquedos, algumas correndo sem nenhuma preocupação e outras sentadas com seus pais tomando sorvete. Olha para minha esquerda, meu olhar para em um casal velho sentados na bancada se beijando. Penso em minha mãe que estaria com meu pai se não tivesse ido embora. Saio caminhando, pois não tinha dinheiro pra pegar ônibus, eu estava com um jornal recortado na minha pequena e velha carteira castanha, tiro para logo começar com a procura, eu já havia marcado os lugares que estavam precisando de gente pra trabalhar. Alguns lugares próximos e outros longe do meu bairro. Caminho um tanto que apressada, a estrada parecia nunca ter fim, carros estavam lotados uns indo e outros voltando. Depois de uma hora rodando eu parei em uma casa que precisavam de alguém para cuidar das crianças.
-Assim que olho para aquela casa grande com jardim lindo e com aquelas carinhas inocentes brincando nela, eu me encanto. Toco a campainha, mas logo depois ouço uma voz saindo sei lá de onde, perguntando o que eu queria. -Boa tarde senhora, eu vim me candidatar para o emprego aqui exposto.- Respondo. Porém logo em seguida vejo uma senhora, posso assim dizer. Sua aparência era linda, parecia ter uns trinta e sete anos de idade. Olho para ela enquanto caminhava, sua expressão facial não era tão boa.
-Quantos anos você tem? - Pergunta como se eu não soubesse fazer nada, porém não achei muito estranha a sua questão.
- Eu tenho vinte e três anos Senhora. Respondo séria, me posicionando a altura. Ela estende a mão para verificar minha papelada ainda paradas com a diferença dela estar dentro e eu fora do seu quintal.
- Já trabalhou em um outro como babysitter?- Sua questão me fez engolir em seco, pois eu não podia mentir e muito menos dizer que sou profissional, mas eu amo crianças.
- Não senhora, mas eu amo crianças.- Olho para o garotinho que engatinhava até ela sorrindo.- Eu sempre gostei de cuidar de crianças, não tenho muita experiência mas me considero apta para o trabalho. - Falo com firmeza e com certeza.
-Então não tem nada pra fazer aqui, além do mais você é muito jovem e linda, meu marido é um rabo de saias, todos usam essa desculpa de que gostam das crianças e depois as maltratam, então não. Muito obrigada. - Ela se vira e eu fico sem entender a sua atitude.
- Se precisar de mim, aqui está o meu cartão, me ligue. - Tento entregar o cartão mas ela nem ao menos olha para trás.
Sem muito desânimo, ergo a cabeça e saio daí com mais forças para essa luta que era difícil para todos, até para aqueles que já tem emprego.
Yassira
- Boa tarde senhor, eu vi no anúncio que aqui estava se contratando. - Após sair daquela casa, eu fui rejeitada por mais duas senhoras alegando que seus maridos não conseguem controlar o que está dentro das suas calças. Depois disso, decidi procurar outro tipo de coisa. Por alguns minutos eu tive que parar para descansar os pés, pois a caminhada toda estava né deixando exausta, eu não era muito de fazer exercícios, mas eu não tinha problemas em andar a pé, apesar de Yumna sempre me convidar para correr ou mesmo caminhar por algumas horas eu sempre recusava. Sentada na bancada de uma pequena praça, eu fiquei observando as pessoas, em como suas expressões corporais e faciais diziam muito sobre si, em meio a tudo observação, meus olhos encontraram aquele Jovem moço de cabelos negros pagando por um café, em uma cafeteria perto daí. Ele era o moço mais lindo que eu vi naquele dia. Por alguns segundos ele se vira e eu me levanto, eu estava com vergonha. - E se ele tiver notado que eu o estava observando? - olhei novamente para trás para ter a certeza, porém o jovem não estava mais ali. Então o ponto a seguir estava a duas quadras de onde eu estava, sem muito a fazer, levanto meus pés em passos longos até o local. Assim que chego, observo que o lugar parecia um pouco estranho, porém não me importei muito, procuro por alguém para me atender ali e em seguida noto que um senhor estava me observado, assim que olho para ele, sorri de leve e vem até mim e eu o saúdo já indo logo no assunto.
-Em que você é formada? Perguntou desconfiado. - Você não é nenhuma espiã e muito menos da polícia certo? - riu e depois diz: - Brincadeira. - Forço um sorriso e o respondo.
- Eu sou formada em administração, gestão de recursos humanos, secretariado. Também tem alguns cursos que fiz durante um período que estão aí. - entrego o envelope com o curriculum e alguns certificados.
- Tem recomendações? - arqueia a sombrancelha.
- Não senhor, mas eu te garanto que faço tudo com maior prazer. Eu aprendo rápido e meu trabalho é satisfatório. - Sua expressão parecia gostar da resposta que lhe dei.
- Eu quero uma secretária. Acho que você pode conseguir esse emprego, se concordar com as políticas daqui. - Pisca para mim. - Me siga.
- Claro, podemos discutir sobre isso. - Respondo o seguindo.
- Vamos ver se gostará disso. - ele segura em um caderninho cor azul, por cima da capa está escrito algumas palavras, porém não consigo ver direito.
" O trabalho exige muito tempo e dedicação, tenho muitos negócios e as vezes, preciso de ajuda quanto a isso.."
"Sempre começamos as 8 AM até às 7 PM"
"O salário nunca é discutido, se não quiser podes ir pastar ovelhas, dependendo do que fizer, fará com que receba mais oi menos"
"Atendimento aos meus clientes, eu quero sempre com um sorriso"
"É necessário se trocar sempre que chegar aqui para trabalhar. Aqui estão as mudas, se não te servirem, segue essa reta, gira a esquerda e depois a direita para reajustar."
"Você nunca pode me questionar sobre os meus negócios"- Algumas coisas que ainda faltam, vamos falar quando der, agora só falta dizer se aceita e o emprego é será teu.
- Sim eu aceito. Quando começo?- Dou um pulo de alegria empolgada.
- Amanhã. - disse ele.
-Estarei aqui pontualmente as 08h. - Ainda empolgada, com as mãos quase suando de tanta alegria que nem mesmo eu estava conseguindo manter escondida por conta da felicidade. - Obrigada senhor... - Percebo que não sabia seu nome. - como te chamas? - olho para sua camisa desesperada procurando por alguma coisa, bem, o crachá não estava ali no seu lugar, ou talvez nem tenha, ou mesmo, nem goste de usar.
- Me chame de senhor Turco. - Tira um lencinho da sua camisa e limpa seu rosto que estava todo suado por conta das escadas e do calor imenso que fazia hoje.
- Está bem, senhor Turco, até amanhã. - Me despeço dele e saio com sorriso de orelha-orelha, o emprego é bom, o salário da prós gastos todos e ainda sobra uma graninha extra pro tratamento pra minha mãe.. - pensei enquanto olhava aquele contrato em minhas mãos já assinado por mim, enquanto caminhava.
- Hey sai da frente oh coisa sem noção.-uma voz conhecida saiu de trás de mim, olhei e era a Nicole Einstein, a filha dos ex patrões da minha mãe.
Me afastei logo em seguida, eu estava atravessando sem ao menos olhar o sinal de trânsito, Nicole olha pra mim com desdém no exato momento que eu ia abrir a boca para pedir desculpas, porém nem ao menos isso ela deixou passar, passou com uma velocidade daquelas que acabou me sujando com aquela água parada que ali estava. - Que raiva.- gritei.
Deixei passar, mas um dia ela vai saber quem eu sou.- pensei. Depois desse incidente que não é foi nada agradável, saio correndo pra dar uma olhadinha no mercado e uma hora depois volto pra casa, já estava um pouco tarde, cogitei que minha mãe já estava preocupada. Assim que avistei a minha casa, dou um suspiro de alívio.
- Finalmente casa. - Tiro o tênis e me jogo no sofá depois que adentro a casa.- Yum estava na cozinha, e minha mãe sentada na sala vendo TV. - Oi Yum, Como você passou?- Eu estava com aquele sorriso de orelha orelha.
- Eu passei bem, fiquei vendo aquele filme que a gente gosta. - ela lança aquele sorriso malvado. - Oh eu não podia esperar por você. - dá uma guardalhada.
- Ah não, eu vou te matar, porquê fez isso? Como está a minha mãe?- Ela já havia caído no sono e vê-la assim, me tranquiliza um pouco, porquê sei que ela está descansando da dor.
- Ela está bem, já dei a ela o jantar, melhor você ir falar com ela antes que durma, nos podemos conversar depois sobre o que aconteceu, até se sujar assim desse jeito. Me parece que a história é bem longa por sinal. - Ironiza.
- Mamãe, como você tá? Eu senti a tua falta.- a abraço e me deito do seu lado. Seu calor me fazia sentir-me protegida de todos males.
- Filha, eu estou bem.. - Ela pausa e suspira. - e como foi com você? - pergunta curiosa.
-Bem mamãe, eu consegui um emprego como secretária, de um senhor um pouco estranho, mas parece ser uma boa pessoa. - (...)(...)(...) - Olho pra minha mãe já dormindo, eu estava tão empolgada contando tudo, que nem notei ela fechando os olhos.
Levanto, puxo o lençol até seus ombros, e fico observando ela dormindo profundamente. Após ficar alguns minutos aí, saio de mansinho para não acorda-lá, mas antes apago a luz. Então, vou até Yumna que está esperando por mim na sala, ansiosa para ouvir as novidades do dia.
- Você não sabe o que me aconteceu.- Assim que chego, me sento e começo com um pequeno suspense. Yumna estava com um pote de sorvete de baunilha nas mãos, tomando sem nenhuma piedade, bom, ela estava meio que me castigando porque antes de ontem eu tomei um e não testei nem um pouco pra ela. - Primeiro eu fui a casa de uma senhora, que me tratou como se eu quisesse levar o marido dela, depois fui pro bar que precisavam de serventes, mas nem quiseram que eu mostrasse o que sei, logo depois, fui pro restaurante, me fizeram preparar uma lasanha e parece que não estava nada bom. - Yumna me olha e eu rio de mim mesma, após ver ela fazendo caretas. - E por último fui me candidatar como secretária, ele me aceitou bem rápido. - Dou uma pausa. - Ah, começo amanhã das 08 às 19h, então...- paro.
- Então..?- pergunta largando um pouco o sorvete, se concentrando em mim.
- Então, seria pedir muito para que venha ver minha mãe de vezes em quando, enquanto estou trabalhando?- Apesar de saber a resposta dela, preferi fazer aquele biquinho irresistível para ela aceitar.
- Sim miga, você sabe que eu amo ela e você sabe como meus pais são ausentes. - Suspira baixando a cabeça. - E como foi que se sujou?- Olha pra minha roupa e depois pra mim.
- Isso foi por causa daquela Nicole Einstein, ela me reconheceu e acelerou o carro dela, jogando aquela água suja em mim. Mas um dia ela vai me pagar. - Lembro de como ela tratava minha mãe e como ela fez para as coisas ficarem pior pra ela.
- Miga, eu já vou indo. Te vejo depois. Tá?
- Tudo bem. - Ela sai e eu me levanto, para tomar um banho, vou até o banheiro, tiro a roupa e vou até o choveiro. Sinto meu corpo relaxar assim que me molho, a água estava quentinha, sentir que as coisas estavam indo um pouco bem, me fazia pensar em um futuro melhor tanto para mim quanto para minha mãe. Termino o banho e vou pro meu quarto se trocar e assim que me deito na cama, me pego pensando em meu pai, logo depois sinto meus olhos pesarem e para minha felicidade, caio no sono.
Yassira
Assim que desperto, pego no celular e verifico as horas, ainda era um pouco cedo, então me sento na cama, encolhida. Eu ainda estava pensando em meu pai e não ter ele aqui comigo e nem com a mamãe, me fazia pensar que tudo ia dar errado, desde criança, eu o via e o vejo como meu herói, apesar dele já estar morto. Eu não gostava de pensar nisso o tempo todo, porém era inevitável. Então me levanto depois de 30min sentada na cama e vou até a casa de Yumna. Eu tinha uma cópia da chave de casa dela, seus pais e ela, insistiram muito pelo facto de sermos inseparáveis desde que nos conhecemos, por essa razão tenho a chave. Abro a porta e vou até o quarto da yumna, seus pais não estavam na sala, possivelmente estariam arrumando as coisas para a viajem.
- Yumna aaaaah, estou entrando, seja lá o que estiver fazendo, deixe agora. - entro e assim que a avisto, rio e ela me acompanha.
- Você é louca. Eu só estava arrumando as minha coisas sua boba. - ela joga uma sua calça
Yumna saiu e, foi se despedir dos pais dela, tinham uma viajem de emergência.. a maior parte do tempo eles ficam no céu e ela aqui com mamãe e comigo. O que ela mais gostaria que eles fizessem é que passassem mais tempo com ela, conversando de tudo e de todos, como se não houvesse mais o amanhã. Enquanto ela fazia isso, eu fico olhando as fotos no seu quarto, dela e dos seus pais juntos, isso por algum momento me fez pensar e dizer a ela que pedisse e que falasse pra ela o que ela sente a respeito.
- Já está. - me assusto assim que Yumna pronúncia tais palavras. Eu estava tão fora de mim naquele momento, que acho que o que eu mais queria não poderia acontecer, acordar de um pesadelo que me atormenta a anos.
Me levanto e junto de Yumna, Caminho até a sala para me despedir dos seus pais.
- Tio, tia.. eu desejo que vocês façam uma boa viagem. - abraço-os e saio, deixando Yumna aproveitar um pouco mais o tempo com seus pais.
Já em casa, arrumo tudo essa noite para que amanhã minha mãe não se esforce em fazer nada. Assim que sai de casa da minha amiga, fui ao mercado só pra não deixar a nossa geladeira tão vazia. As nossas dívidas aumentavam a cada dia, a luz, a água, a casa, tudo isso, sim, moramos em uma casa de aluguel.
Bem quando o papai se foi, e descobrimos a doença da minha mãe, tínhamos que vender a casa, pra fazer os exames, alguns tratamentos e outras coisas, com o que tinha restado, nós pagamos um ano de renda da casa e agora já estamos devendo 3 meses, os donos são bons, mas estão cansados disso, eles pretendem vender a casa. Eu não os culpo, eles precisam do dinheiro p'ra comprar e pagar algumas coisas e com a gente aqui não estão tendo nenhum rendimento.
Depois de 1 hora preparando tudo pra amanhã, eu vou dormir porque precisarei de acordar cedo e ser pontual no trabalho. Caminho até eu quarto, exausta e feliz pelo emprego. Me ajoelho antes mesmo de subir na cama e oro agradecendo e para que as coisas melhorem cada dia. Após isso, me deito e fico pensando em como o dia de amanhã será.
(Nicole Einstein)
- O dia foi muito puxado pai, e eu não sei que azar tive, mas encontrei com a filha da domestica, que roubou o meu colar pra dar pra a filha no seu aniversário. -reviro os olhos. Pela sua cara já sabia ia falar de trabalho novamente.
Eu sabia deduzir o que meu pai ia falar só com suas expressões. Eu detestava ter que pensar em trabalho, pelo simples facto de saber que terei que dividir o meu precioso tempo para tudo que necessito fazer durante o dia.
- Filha, o que acha da gente fazer um trato? - Pela primeira vez, meu pai me olha pensativo e com uma proposta que pelos vistos não seria muito bom.
- Qual pai?- reviro os olhos. -Não me venha falar de trabalho, porque sabe que não gosto disso. - deixo bem claro ao dizer isso, mas o pai é teimoso como uma mula e como eu já o conheço o suficiente, ele não mudará de ideia tão fácil.
Para não me entediar tanto com o que ele possivelmente irá me falar, me sento no sofá, pousando os meus pés na mesinha no centro.
- Eu tenho um filho de um amigo que precisa de alguém que sabe como lidar com empresas, nesse caso se aceitar me ajudar, eu pago uma passagem aérea para Havaí e você pode ir com quem você quiser, desde que seja uma menina. - Esse senhor sabia perfeitamente como me aliciar, eu amo viajar e Havaí é óptimo demais. -Você não vai se arrepender de estar trabalhando, pois o filho dos Santacruz é muito inteligente e interessante, você pode gostar dele, e possivelmente, até podem vir a ser mais que isso. - pisca pra mim.
- E o que você vai ganhar com isso? - Sem entender muito aonde ele quer chegar, me questiono. Eu nunca que me envolvi com alguém que não fosse da minha classe social e quanto a esse filhinho do papai, que está dirigindo a empresa do pai, talvez não seja nada disso que meu pai acabara de falar. - Por que é que você quer tanto que eu vá trabalhar lá? É por falta de dinheiro? Porque eu sei que você tem de sobra.
- Você aceita?- ele ignora minha pergunta e me responde com outra.
- Claro papai, você nunca tinha deixado eu ir pro Havaí sabendo que era o que eu mais queria e você sabe que eu não sei negar nada pra você. - sorrio pra ele apesar de ainda estar intrigada com isso.
Meu pai me olha com orgulhoso por eu, pela primeira vez, aceitar pôr em prática o que eu estudei.
- Estamos combinado, só não esquece que a atitude é a chave.- ele põe suas mãos no bolso como o de costume, pisca para mim e vai em direção a cozinha.
Depois da conversa com meu papai, liguei pra Merlin, pra convidar ela a fazer uma viajem a Havaí, ela aceitou na hora, ela é minha cúmplice em quase tudo. Me joguei na cama e fiquei imaginando como será. - vai ser perfeito. - falo alto. Amanhã vou pra empresa dos Santacruz pra me apresentar so. vou fazer isso pelo meu pai e acho que a minha mãe não vai se interferir nisso. Muitas coisas passavam e voltavam para minha cabeça quanto a viagem, a ansiedade estava me matando desde já. Então pego no celular e entro no WhatsApp, para bater um papo com minhas amigas.
(Yumna)
Depois da Yassira ir para casa, eu pude sentir que ela sentia falta do seu pai constantemente, e ver os meus viajando quase sempre me deixando sozinha, a deixou pensativa e a mim também. Então, antes mesmo deles pegarem suas malas e saírem por aquela porta, eu os parei para pedir e mostrar a eles que sinto a falta deles demais.
- Mamy, no seria melhor vocês ficarem aqui e procurarem emprego noutro lugar? - com os braços cruzados no peito, olho para eles.
- Filha, nós não podemos, mas assim que voltarmos da viajem, eu e seu pai prometemos que vamos procurar algo normal com que trabalhar. - Pude notar que minha mãe estava segurando as lágrimas para não chorar. Eu sabia que de alguma forma, ela sabia que eu estava certa e que nunca que eles ficavam mais de 3 semanas comigo.
Meu pai, encolheu após ver, e me ouvir a falar sobre. Seus olhos azuis, e aquele cabelo escuro, faziam lembrar de mim, apesar de eu ser eu mesma. Quanto a minha mãe eu puxei o seu nariz, empinado e seu rosto angelical.
-Não precisa chorar mãe, eu vou esperar o tempo que for necessário, é só quero que saibam que eu me sinto sozinha cada vez que vocês sabem por aquela porta. - olho para a porta e sinto uma pontada no peito.- Porém assim que voltarem da viajem nós podemos sair pra fazer compras como antes? - Tento amenizar o clima de chorôrô que reinava aí. Eles sorriem.
- Está bem filha, nos já vamos, se cuida. Eu deixei tudo na geladeira e se precisar de dinheiro aí no meu quarto tem uma quantia, pode pegar o que quiser. Te amamos muito. Se cuida sempre. - Meu pai me abraça e eu retribuo com todo amor que sinto por ele, segundos depois, minha mãe se junta a nós e eu naquele momento, estava me sentindo segura de novo, como aquela menininha que sempre que caía, saia correndo pros braços dos pais para se sentir melhor.
- Está bem papy.
Abracei-os e ficamos uns 5min curtindo aquele momento, estava tão bom, mas precisavam de ir, se não se atrasavam.
- Tchau bebé. - Meus pais saem e ficam por alguns segundos parados na porta, trocando olhares.
No momento em que foram embora, me vi, indefesa, sem forças para mais nada. Eu sabia que eles voltariam mas eu não estava me sentindo bem, com tudo isso. Caminho até meu quarto, cansada, sem forças para nada, arrumo algumas coisas na mochila, e saio, fechando a porta para dormir no quarto dos meus pais.