Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > •Deixe-me Ir•
•Deixe-me Ir•

•Deixe-me Ir•

Autor:: M.BRITO
Gênero: Romance
Amber é uma jovem mulher que acabou de perder o pai para uma terrível doença. Pelos muitos gastos com remédios, sendo seu pai o único a trabalhar, eles faliram, tendo uma mãe e irmã ambiciosas, sem aceitar viver na pobreza, planejaram dar o golpe em um homem de 32 anos, chamado Demétrio Patterson um CEO rico, charmoso, intimidador e nada misericordioso com quem ousa enganá-lo.

Capítulo 1 Deixe-me Ir

Amber Lopez

A manhã parecia chorar comigo, o clima chuvoso inundava o gramado, pingava sobre minha cabeça, rolando por meu rosto se misturando com minhas lágrimas. Não tive forças para ir ao enterro do meu pai.

Foram dias tão difíceis, passei parte da minha vida cuidando dele. Sua doença era rara, tinha consciência que a morte chegaria. Não quis desistir da vida dele, logo quando diagnosticado, sugeriram que houvesse a morte espontânea, sendo decidido por ele.

Mas, não aceitei aquilo. Larguei minha faculdade somente para me dedicar a vida dele, não me arrependo de nada. Talvez somente de não o ter abraçado mais, dito que o amava a cada segundo.

- Amber, sua tola. Saia dessa chuva - viro para a pessoa que me tirou das lembranças com meu pai. - Você quer morrer?

- Mãe! - digo surpresa por vê-la aqui. - O que faz aqui?

- Mds! Você está encharcada - se aproxima com sombrinhão. - Esses anos com seu pai, somente lhe fizeram mal. Olha para você, é horrível!!

Ela deixou meu pai logo no começo do tratamento dele. Nunca houve amor, da parte dela, já meu pai a adorava.

- Devia estar no enterro, mãe - ignoro como sempre, suas palavras. - Aconteceu alguma coisa?

- Faz três horas que aquele homem foi enterrado, Amber - odiava a maneira que ela se referia ao meu pai. - Se o amava tanto, porque não compareceu?

- Não consegui, não suportaria ver ele dentro de um caixão, terra sendo jogada em cima dele - ela revira os olhos, sem se importar com minha dor.

- Devia ter ido, tive que responder milhares de perguntas para aqueles fofoqueiros. Vamos, venha comigo. Temos problemas para resolver!

Obediente a seguir. Uma coisa estava mais que certa para nossa família, era que com a morte de Pedro López, a ruína tomaria conta. Tentei ao máximo, trabalhar para ter dinheiro para os medicamentos, tratamento, mas meu pai quando descobriu que o dinheiro era eu quem estava dando, se recusou a me deixar continuar trabalhando.

Deu ordem para que usasse sua fortuna, o que gerou grande briga. Pela primeira vez briguei com minha mãe, e depois dessa vieram muitas outras, sou uma pessoa calma. Mas, era necessário ser braba e lutar pela vida do meu pai.

- Anália, onde está? Não veio com a senhora? - pergunto enquanto enxugo meu cabelo.

- Estar vindo, o voo atrasou - responde, pegando os porta-retratos da sala. Essa casa é a do campo, meu pai comprou porque eu amei ela. - Fazia anos que não vinha aqui.

- Anália ao menos fez questão de vir para o enterro do nosso pai?! - digo magoada.

- Você sempre foi a preferida dele, Anália via isso.

- Papai nunca teve preferência, mãe. Ele era somente recíproco em tudo que fazia por ele. Enquanto Anália não fazia questão ao menos de ligar para saber se ele ainda respirava.

- Não vou discutir com você, Amber - diz, ela sempre procura defender minha irmã mais velha, não tenho ciúmes disso.

Peguei minha mala que ainda estava na sala, e subi. Troquei minha roupa, e comecei a guardar minhas coisas, para me distrair de tudo. Não sabia no momento o que fazer com minha vida, não tinha mais condições para continuar com a faculdade, a solução seria trabalhar, coisa que me agradava.

×× ××

HORAS MAIS TARDE .. abro meus olhos ao ouvir alguém batendo na porta do quarto. Com voz preguiçosa perguntei quem era, tive como resposta que era minha mãe. Disse para que entrasse.

- Não suporto esse quarto, Amber - abri a porta, mas não entra.

- Era seu e do meu pai - fiz questão de me acomodar nesse, somente para sentir o cheiro dele. - Devia ficar nele.

- Desce, sua irmã chegou. Vamos conversar! - saiu, sem comentar ou questionar meu último comentário.

- Droga!! - me levanto da cama, sem coragem, e vontade alguma de ver minha irmã.

Desço as escadas, cambaleando um pouco, ainda estou com sono. Vejo a silhueta da minha irmã que está de costas para mim. Ela está abraçada com minha mãe, quando coloco os pés sobre o último degrau, ouço seu choro alto.

- Como você pode ter sido tão burra, Anália - minha diz, segurando os braços dela.

Não era o que pensava, seu choro não era por nosso pai.

- Amber, me proteja, não deixe ela me bater - corre para trás de mim, quando me ver.

Fico perdida, minha mãe tem a expressão furiosa, e agora tem a vassoura velha nas mãos.

- Mãe, o que acontece? - pergunto, antes que ela arremesse essa vassoura e pegue em mim.

- Sua irmã é uma idiota - diz raivosa.

- Foi um pequeno acidente - diz Anália aos prantos.

- Que acidente, Anália? - viro para ela.

- Na barriga dela, diga para sua irmã que está grávida de um vagabundo - mamãe responde.

Olho espantada para ela, que chora sem controle.

- Você arruinou tudo, sua burra - se aproxima e começa a dar com a vassoura em minha irmã.

- Mãe, não pode fazer isso. O bebê - me coloco na frente impedindo que continue. - Lembre de quando engravidou, tinha a idade de Anália, vai ser seu neto mãe, um neto é uma benção.

- O início da minha história foi espetacular, engravidei , mas foi de um homem que podia me bancar. Não fui burra, igual a essa besta que não soube escolher um mísero homem.

- Mamãe, posso abortar. Demétrio nem desconfiaria - diz minha irmã.

- Isso é ridículo, Anália - digo horrorizada. - Tem uma vida dentro de você.

- Não se mete, Amber. Isso vai servir para você também.

Olho incrédula para ela.

- Ou você pode dizer que esse filho é de Demétrio - diz minha mãe pensativa, mostrando um sorriso.

- Tudo que precisa é seduzir ele.

- Ele é esperto mãe. Nunca transou comigo sem preservativo.

- Use a cabeça Anália - bate com o dedo na cabeça dela. - Dê seu jeito, fure, o deixei louco ao ponto de não lembrar disso.

- Quem é Demétrio? - pergunto, perdida nas palavras das duas.

- O homem que vai salvar nossa pele da ruína - responde minha mãe.

- Seu futuro cunhado, maninha - as lágrimas já sumiram do rosto de Anália.

- Papai não se agradaria disso - entendi qual a intenção delas.

- Pedro está morto, se acostume com esse fato, Amber.

- Não ficarei para fazer parte disso. Irão enganar um homem.

- Vai ficar, e fazer parte disso, sim - me olha medonha. - Demétrio não é qualquer homem, Amber. O que não falta é dinheiro para ele, e é o que precisamos, dinheiro.

- Em troca ele faz sexo com sua filha, Elle? - são raras as vezes que me refiro a ela pelo seu nome.

- Anália gosta disso, Demétrio é um homem fabuloso.

- Grande, muito grande maninha - Anália diz, revirando os olhos, de maneira delirante.

- Isso é vergonhoso - digo.

- É isso, ou vamos ter que nos desfazer das coisas que seu pai comprou. Como essa casa que ele fez questão de gastar milhões, somente para agradar sua filha caçulinha.

Fico em silêncio, pensando.

- Maninha, não é sacrifício nenhum para mim, me tornar mulher de Demétrio. Estou fazendo isso por nós, mas principalmente por mim mesma.

- Façam o que quiserem, então. Somente não me envolva nisso - digo, me retirando.

- Amanhã ele virá aqui, Amber. Trate de ensaiar, e não passe a noite chorando por seu pai - grita, enquanto subo as escadas.

Tranco a porta do quarto, pego a foto de meu pai que coloquei ao lado da cama, em cima da pequena madeira.

- Pai, me ajude a ser forte, para lidar com com minha mãe e irmã - digo chorando, abraçando a foto dele.

××××××××××××××××××××××××××××××××

Demétrio Patterson

Acaricio os cabelos da mulher ajoelhada na minha frente, enquanto sua cabeça se move, engolindo meu pau.

- Mais fundo - digo, exigindo mais dela. Nada melhor que a boca de uma mulher para desestressar.

- Não consigo, senhor - diz baixo, sem deixar de ter a voz manhosa.

- Vou ajudar você, meu bem!

Enrolo seus cabelos em meus dedos, sua expressão de safada vai diminuindo. Faço ela colocar meu membro novamente em sua boca, e dessa vez todinho em sua garganta.

Sinto suas unhas cravarem em minha coxa por cima da calça.

- Não devia fazer isso, minha flor - começo a fazer movimentos rápidos em sua garganta num curto intervalo o que faz ela agoniar mais.

A liberto somente quando gozo, quanto tudo é liberado, cada gota, solto sua cabeça, ela torce começando a vomitar, se engasgando com o mesmo.

- Disperdicio - me refiro a minha porra vomitada. - Me disseram que era a melhor da casa.

Abotou minha calça, caminho para fora do quarto, sem ajudar a pobre mulher que ainda parece mal.

- Termine o serviço, Beto - digo para meu segurança.

- Sim, senhor - sorrir.

- Seja carinhoso com a moça, ela é forte, mas não tanto - faço careta insatisfeito.

×× ××

NO ELEVADOR .. Pego meu celular para ver as mensagens, e há uma específica que me interessa. Ellie e sua tentativa em usurfluir de meu dinheiro.

Sua filha Anália, apesar de não ser muito do meu agrado,não deixa de ser gostosa. É qualificada para ser minha esposa, por um pequeno período, até a frescura da mídia, e o contrato da empresa estiver de acordo com a vontade do meu avô.

- Vai ser com ela mesmo, Demétrio? - pergunta Liz fazendo cara de nojo.

Me encontro dentro do carro. Ela é a única mulher que permito que trabalhe comigo, temos certa intimidade.

- Penso que sim - faço pouco caso. - Não vou viver com ela para sempre, e ela está acostumada com meu ritmo.

- Hum, seu ritmo - mostra seus dentes brancos, um sorriso debochado. - Soube que ela tem uma irmã mais nova.

- Soube?

- Tá, andei investigando - não mente. - Tenho que cuidar do meu chefe, se não, não ganho dinheiro.

Concordo.

- Nunca soube sobre uma quarta pessoa na família Lopez.

- Ela cuidava do pai, comentam que ela não se dá bem com a mãe - diz. - Quer ver uma foto dela?

- Você gostou dessa menina? - pergunto estranhando.

- Sim, ela me parece perfeita para seus planos - diz. - Quer ver?

- Não, amanhã conhecerei a mocinha. Hoje foi o enterro de Pedro, ela deve estar junto com a mãe e a irmã.

- Vai escolher ela?

- Não, se for uma menina, não terei interesse para ter na minha cama, e claro do meu lado diante a sociedade.

- Garanto que vai ficar louco, pela boneca por nome Amber - diz convicta, a boca dessa mulher é como uma praga.

- Amber - aprovo o nome. - Verei se ela realmente me deixará, Liz.

Capítulo 2 Deixe-me ir

Amber Lopez

PRECISEI fazer um chá para poder adormecer, isso foi quase pela manhã. Já se podia ver os fracos raios do sol. Vivia despertando, costumava dar os remédios do meu pai. A noite sempre é a pior, quando se trata de nos lembrar da dor no peito, de uma perda.

Quase me arrependo de ter escolhido ficar no quarto do meu pai, as lembranças boas se tornam tristes.

Desci somente para beber um copo com água, o que meu estômago reclamou. Minha mãe e irmã ainda estavam dormindo, se passavam das dez horas. O que me fez pensar que o homem por nome Demétrio, não viria mais.

×× ××

A melhor parte de morar no campo, é ver a beleza do verde em volta. Era tarde da manhã, mas estava um pouco nublado, sinal que choveria novamente, parte da noite foi assim. O que fazia parecer que ainda era cedo, ou parecer uma tarde fria.

Sem me importar em sujar minha roupa, sair correndo, pisando algumas poças de água, o gramado fazia um tempo que não era cuidado, o que formou alguns buracos de "enfeite". E acredite estava feliz por tê-los ali.

Cansada de correr, me joguei no chão, apreciando a frieza, a água molhando minhas costas, terminando de ensopar meu vestido.

××××××××××××××××××××××××××××××××

Alguns minutos depois.

Por Elle Lopez

Olho para o grande retrato, a foto de Pedro, meu querido esposo. Éramos mais jovens quando essa foto foi tirada, nesse tempo ainda o amava perdidamente.

- Mamãe - limpo as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.

- O que foi, Anália? - viro para ela, que me olha estranha.

- Estava chorando?

- Não seja intrometida, vá vestir uma roupa bonita - a repriendo, ela ainda estar de pijama. - Tome um banho de verdade, Anália. Não me teste hoje, ainda tenho raiva da sua burrice.

Quando ela sai, trato de fechar a porta, e poder sofrer um pouco em paz.

- Você não merece minhas lágrimas, seu desgraçado - falo, como se ele pudesse me ouvir.

Como de costume em nossas brigas, que sempre terminavam em sexo. Nunca resisti a ele, era louca, cheia de desejo por ele. Sua intenção comigo, era somente de ter filhas bonitas.

- Agora vou usar suas filhas bonitas, Pedro, como fez comigo. A primeira é a sua primogênita, depois sua queridinha Amber.

××××××××××××××××××××××××××××××××

Demétrio Patterson

Sair pela madrugada, somente para chegar depois do almoço em Porto Alegre. Honro meus compromissos, admiro a pontualidade.

- Ainda bem que não calcei um salto - diz Liz ao pisar no gramado encharcado.

- Chuva, boa chuva. Faz tempo que não a vejo cair - sou tão ocupado que não aprecio pequenas coisas como essa. Quando não estou no escritório, me encontro algum canto fodendo alguma mulher. Meu hobby favorito.

- Parece que vai ver hoje, Demétrio - diz ela, olhando para o céu, que está parcialmente nublado.

- Demétrio? Isso é sério? - pergunta Beto com expressão condenatória para Liz. - Ela pode chefe, e eu não?

Sempre tive uma forte ligação com eles dois, os levo para qualquer lugar.

- Só ela, Beto - digo, e começo a caminhada até a casa que está um pouco longe.

- Idiota - ouvir Liz dizer, esses dois vivem se implicando.

Tem partes nesse gramado, que falta engolir meus pés. Puta que pariu!

- Aqui precisa de uma roçagem - diz Beto.

- Talvez você faça isso, Beto. Depois que Demétrio casar com a songa monga da Anália - rir Liz.

Não estou olhando, mas tenho certeza que Beto mostrou o dedo para ela. Eles são ótimos profissionais, mas fora isso, parecem duas crianças, que me irritam.

- Quando vão transar? Para acabar com essa frescura? - pergunto puto.

- Ele não tem pau para isso, não para mim - diz Liz.

- A mulher de ontem, faltou berrar para todos, enquanto sentia meu alazão - se gabou Beto.

Liz por um momento ficou em silêncio, mas logo reagiu.

- Coitada dessa mulher, é com certeza a profissão dela, fingir se agradar de salsichas finas - retrucou. - Homem de verdade não te faz berrar, te faz delirar, não são gritos que definem o quanto é bom, ainda mas sendo de uma mulher da vida, que quer dinheiro.

- Não precisa me humilhar dessa forma, Liz - virei somente para ver a expressão de Beto que fora cômico.

- Você é uma mal amada, com certeza.

- Minha mão mal amada vai socar sua cara, quer experimentar? - diz ameaçadora.

- Acabou a briguinha de vocês - dou um basta.

××× ×××

- Sr Peterson! - diz Elle ao me ver. - Sempre tão elegante!

- Você também, Elle - digo sendo gentil, o que não costumo.

- Peço desculpas pela lama, essa chuva é inevitável - diz sem jeito. - Pedro não tinha tempo para mandar que arrumasse esse lugar - diz com desagrado, nada digo. - Vamos deixar esse assunto bobo, e tratar de negócios importantes!

- Concordo, tenho pressa para sair da cidade - digo.

- Imagino, vamos entrar, tomaremos um café - diz, me conduzindo para dentro, a parte avarandada. - Vocês, podem ficar aqui!

Se refere a Liz e Beto, olho para Liz no aviso silencioso para que não diga nada. Discutir com Elle é um saco, ninguém aguenta, e Liz é turbinada demais. Eles então, somente concordaram, ficando do lado de fora.

×× ××

Diante de uma mesa decorada, parecia que era a prova das comidas para o casamento. Sentei na cadeira, olhei para meu lado direito tendo a vista da natureza. Não era admirador por essas coisas, mas devia dizer que aqui, apesar de abandonado, era um lugar bonito.

Pensei em reclamar, não almocei, porém estava com mais pressa de resolver essa questão de casamento, que perder tempo com detalhes relevantes.

- Demétrio, meu nego, você chegou - ouvir a voz de Anália, somente a olhei arqueando a sobrancelha. - Digo, sr Peterson. É bom ver você, faz quanto tempo?

- Não o bastante - digo, não levanto para cumprimentar ela, sabe como sou, e por esse motivo continua com seu sorriso exagerado no rosto.

- A bainha da sua calça está encharcada, não quer subir comigo, colocar elas para secar - diz subjetiva.

Olhei de esguelha para ela, analisando sua roupa, parte de sua perna estava nua. Uma roupa própria para seduzir um homem, não de uma mulher que somente conversaria.

- Espero que você não tenha almoçado, Demétrio - Elle chega, atrasando minha resposta. - Não estamos com empregada aqui, temos somente o básico de um café da manhã, com variedades.

- Se não tem empregada, quem fez isso?

- Eu - Anália responde. - Me dediquei à culinária, para agradar meu futuro marido.

- Não tem nada decidido, Anália - digo, porém seu sorriso continuou.

- Mas, resolveremos isso hoje mesmo- diz Elle confiante. - Sente filha!

- São só vocês duas aqui? - perguntei, não esqueci da menina Amber que Liz comentou.

Elle olha para Anália, como se decidisse o que responder. O que era desnecessário, era uma simples pergunta.

- É somente eu e Anália - ela responde. - Quisemos vim para cá,para ter total sigilo. Não é bom que ninguém saiba do nosso acordo.

- É claro - bebo meu café, para ver se ajuda a engolir as mentiras que saem da boca de Elle.

××××××××××××××××××××××××××××××××

Amber Lopez

Depois de me deliciar no rio, que há no meio desse mato, entre as árvores, a fome bateu, não comi nada. Passei a manhã toda na água, apreciava o silêncio.

Resolvo voltar para casa, um carro chama minha atenção. Está muito longe de casa, o que fizerem bem o deixar aqui, correria o risco de atolar.

Faço meu caminho, e a chuva começa a cair, aumentando meu frio. Decido correr, sorrindo sozinha.

- Boa tarde! - digo sorridente, vejo um homem e uma mulher no pátio.

Ouvindo minha voz, o homem de porte bonito se assustou pois estava sentado no chão húmido. A mulher já tinha uma postura de guarda.

- Bom dia, ainda não almocei - diz o homem.

A mulher bateu em seu ombro, o homem ainda se levantava.

- Boa tarde, senhora - ela diz, com meio sorriso no rosto.

- Amber, esse é meu nome - digo para que não seja formal.

- Ela é a garota ....

O homem começou a falar, mas foi cortado pela mulher. Decido não ligar.

- Porque estão aqui fora? - pergunto, saindo da chuva. - Está muito frio.

- Não fomos convidados a entrar - ela responde.

- Típico da mamãe - resmungo. - Bem, eu deixo vocês entrarem.

- Não, nosso chefe nos disse para ficar aqui - o homem diz.

- Que chefe mal esse de vocês - digo. - Sou dona dessa casa, e tenho certeza que Demétrio vai demorar.

- Você o conhece? - ela pergunta.

- Não, mamãe comentou que ele viria- respondo.

- Porque não está com elas?

- É ... digamos que não sou a favor de certas coisas que elas gostam - digo fazendo careta.

A mulher somente balança a cabeça, e olha para o homem que me olha com a testa franzida.

- Vocês não almoçaram, e eu também não comi nada. Que tal me acompanharem?

Dando de ombros, os dois entraram comigo.

××× ×××

Arrumei a mesa para nós três, era costume servir os outros, gostava disso. Ver as pessoas satisfeitas, felizes, era como ganhar um grande prêmio.

- Você quem fez? - pergunta a mulher.

- Sim, foi eu - respondo orgulhosa, dos pães de queijo.

- Está gostoso demais - o homem elogiou.

- Qual é o nome de vocês ? - pergunto, nenhum ao menos disse.

- Liz

- Beto

- Liz,Beto. É um prazer servir vocês - eles sorriem. - Vocês são seguranças?

Suas roupas são pretas sociais.

- Sim - Beto responde. Liz me olha estranha.

- Uau, isso é demais. Você, Liz é grande exemplo de mulher - elogio, seu semblante suavisou talvez esperasse uma crítica.

- Você acha? - pergunta ela.

- Sim - balançou a cabeça. - Sabe lutar, atirar?

- Sei, sempre massacro essa espécie que se considera homem - se refere à Beto.

Começo a rir, ele custa mas rir também.

- Queria saber fazer essas coisas, você deve ser muito boa.

Liz fica em silêncio.

- Vou pegar mais pão de queijo, daqui a pouco não vai ter mais nada no prato, sei que não enche muito a barriga, mas é o que temos - digo me levantando.

- Estou satisfeito com isso - Beto diz.

Esse fogão não está nas melhores condições. Entro no quartinho da dispensa, procuro por uma caixa de fósforos, quero que eles provem minha lasanha portuguesa.

Quando ainda estou à procura do fósforo, ouço a voz da minha mãe.

- Isso é um abuso, o que fazem na minha cozinha?

Sair da dispensa, a dona Elle está na sua pose de patroa. Me aproximo para que não haja confusão.

- Eu os chamei - digo sua atenção vem para mim.

Um ar cheiroso vem ao encontro de minhas narinas, me desligando momentâneamente de Elle. Arredo para o lado, vejo minha irmã e ao seu lado, um homem alto, vestido de preto, com expressão neutra. Ele percebe minha presença, antes a tinha seus olhos escuro em Liz e Beto, agora estavam em mim.

Sinto um frio na barriga, algo se agita dentro de mim, causando desconforto, e vergonha por estar ainda com vestido agora húmido.

- Estava chovendo, fazendo muito frio. É arriscado pegar uma virose, os convidei para entrar - explico para Elle, e o homem que presta atenção em mim.

Elle me olha dizendo " Isso não é problema meu" Anália, não saberia decifrar ela, sua atenção estava no homem, que imagino que seja Demétrio.

- Quem é ela? - o homem por nome Demétrio perguntou para Elle.

- Ela ... - mamãe ficou parada me olhando. - É a emprega! Anália, você não me disse nada que ela chegaria hoje.

Se isso cortou meu coração? Sim! Cortou, mas apenas um fiozinho. Não fiz cara feia ou retruquei, não era de discutir.

- Sou a empregada por nome Amber, senhor - me apresentei, sem desmentir Elle.

O homem retirou o braço de Anália que agarrava o seu. Se aproximou me analisando, não me senti intimidada. Tá bem! Comecei a me sentir, quando ficou bem próximo.

- Bonito o nome - fiquei surpresa com seu elogio.

Não parei para prestar atenção nas expressões ao nosso redor.

- Agradeço, senhor - sorrir. - Você parece estar com fome, aceita um pão de queijo, eu mesma fiz, quer?

Peguei o prato com intenção de servi-lo, ainda sobrava três pães de queijo. Quando o fiz, sua mão segurou o prato também, por debaixo dele sua mão encostou em meus dedos. Olhei diretamente em seus olhos.

- Aceito, Amber! - disse, reparei em seus olhos negros.

Demétrio levou um até sua boca fina e atraente, fechou os olhos ao mastigar, se deliciando. Ao tornar abri-los disse.

- São melhores que os de Anália - comentou. - Sua irmã, não?

Olhei para Elle, vi quando repuxou sua garganta, fazendo sua veio do pescoço aparecer. Nervosa.

- Ela não é tão minha irmã, entende? - Anália quem disse, me pergunto o que adiantou ela estudar nas melhores universidades, seria tão preguiçosa?

Poderia rir disso, mas não tinha graça, as coisas estavam em jogo. Mas mentir não era a solução, conseguiríamos enganar esse homem, quero dizer, minha mãe e irmã?

- Começou com mentiras Elle, qual a necessidade disso, quer experimentar o pior dessa vida? - seu tom foi ácido, deixando minha pele arrepiada de medo.

Capítulo 3 Deixe-me ir

Amber Lopez

ASSIM QUE DEMÉTRIO desviou seus olhos dos meus, pude respirar regularmente. A expressão de Elle era assustada, como se tivesse sido pega na mentira, o que de fato estava acontecendo.

Não há necessidade de mentir, todos sabemos que a verdade sempre aparece. Se elas queriam me esconder dele, porque não me contaram? Seria fácil, ficaria trancada em meu quarto sem problema algum.

- Não é isso, sr Peterson - gaguejou Elle, queria ver de que forma reverteria essa situação, não me meteria nisso, não sou boa em atuar.

- Diga-me o que é então, estou curioso! - ele mal cabia na pequena cadeira que pegou para se sentar e ouvir a explicação de Elle, suas pernas longas foram cruzadas. Meu pai tinha o costume de fazer isso, e achava estranho, parecia afeminado demais aquilo para um homem. Mas, sinceramente vendo o sr Peterson nessa posição mostrava-se misterioso e ameaçador.

- Passei a desconsiderar Amber como filha, após Pedro adoecer - era a primeira vez que ouvia diretamente dela, o motivo de me desprezar.

- Isso é infantil, Elle - disse o sr Peterson.

- Esse é o motivo, brigamos muito e somente agora estamos tentando voltar a ser o que éramos antes - será que ela não conseguia se ouvir? É tão ridículo sua desculpa.

- Também não considera sua irmã por esse motivo, Anália? - perguntou para ela que olhou para Elle em busca de palavras.

- Papai sempre teve preferência por Amber, isso me deixava com ciúmes, nunca nos demos bem - respondeu ela.

Abaixei minha cabeça, um suspiro alto escapou da minha garganta. O tanto que papai queria que Anália mostrasse pelo menos um pouco de afeto por ele.

- Não teve um dia sequer, que papai não perguntou por vocês - encaro cada uma com mágoa, essas minhas e do meu pai que esperava incansavelmente. - Não me importo que não tenham consideração por mim como filha e irmã. Mas deveriam ter com Pedro, ele precisou de todos nós. Fui a favorita por sempre ter ficado com ele, Anália.

Sorri em meio às lágrimas que desceram pelo meu rosto, mas logo as limpei.

- Isso não importa mas, papai agora está descansando - olhei para todos, com um sorriso contínuo nos lábios, eles não precisavam de mais dramas, são nossas primeiras visitas.

- A vida é feita de recomeços - disse Elle me olhando por poucos segundos, ela sentiu o impacto de minhas palavras. - E é isso que faremos.

Demétrio ficou em silêncio me olhando, não quis corresponder, não sabia o que ele, Liz e Beto pensavam naquele momento.

- De volta aos negócios? - perguntou Anália, a única que parecia não ter ouvido absolutamente nada.

- Antes preciso conversar uma coisa com Anália, essa conversa sobre Pedro.. .. precisamos nos recompor - disse Elle.

Quando as duas saíram, sentia a necessidade de me desculpar. Por mais que fosse grande a vontade de chorar, tinha que me conformar com a ausência dele.

- Lamento pelo seu pai - disse Liz, andou até mim e tocou em meu ombro.

Beto somente acenou para mim como se desse suas condolências.

- Pedro López foi um grande homem - Demétrio se levantou ao dizer.

Elle e Anália retornaram. Espontânea a futura sra Peterson foi até Demétrio e agarrou seu braço.

- A chuva ainda não passou, acho que terão que passar a noite aqui - Elle falou animada, vendo que seus planos darão certo.

- Posso fazer uma sopa, verei o que há na despensa - me ofereci, o melhor lugar para mim é a cozinha, ter que ficar tendo conversas chatas com mamãe, prefiro me ocupar.

- Fiquem e a ajudem - em tom de comando Demétrio fez meu corpo dilacerar.

Pude respirar com tranquilidade quando os três saíram da cozinha, ultimei meus olhos segurando toda dor na minha alma, pela perda, elas realmente não se importavam com papai.

- A presença dele deixa qualquer um desvairado - disse Beto, inclinei minha cabeça para seu lado, e subitamente rir, ele estreitou os olhos, confuso com meu riso.

- Ele é muito gay - disse Lize, acabando com a confusão dele.

- Eu não sou gay - ele disse indignado. - Amber, eu não sou ...

- Não se preocupe, eu entendi, Beto - o tranquilizei. - O sr Peterson..a presença dele consegue sufocar ...

Fixei meus olhos no chão, tencionando meus pensamentos alguns minutos atrás. Consinto que meu interior abalou ao conhecê-lo, e vê-lo tão perto. Já vi vários homens, que iam visitar meu pai, e alguns tentaram flertar comigo, esses bonitos e perfeitos para agradar Elle, mas nenhum me deu nervosismo, não me causou sensação alguma.

××× ×××

Uma deliciosa sopa de legumes agradou a todos presentes, Demétrio surpreendentemente elogiou mais de uma vez. Observei o quanto seus comentários foram condenados por Elle, sua expressão refletia seu desagrado.

- Porque não se senta e janta, Amber?

Demétrio perguntou. Fiquei em pé no canto da sala de jantar, costume de apreciar meu pai se deliciando na comida.

- Vou fazer isso com Lize e Beto na cozinha.

Fazia tempos que não me sentava à mesa com Elle e Amber, o que não sentia falta. Pedi licença e caminhei para longe deles, sentindo o peso dos olhos negros de Demétrio em meu corpo.

Mesmo sentindo dor em minha alma aquela noite na cozinha na companhia de possíveis novos amigos, me diverti como em anos não acontecia. O humor aperfeiçoado de Beto era incrível, e a falta de Liz tornava tudo ainda mais engraçado, a implicância dos dois, fazia-me indagar que nutriam sentimentos pelo outro.

- Onde vocês vão dormir?

Perguntei. Elle é de longe uma boa anfitriã.

- Provavelmente no gramado.

Respondeu Beto, Lizie o esmurrou no ombro, o repreendendo pelo comentário. Sem conseguir controlar comecei a rir, a louça já estava lavada, estávamos conversando sobre nada específico.

- Chefe!

Os dois se colocaram de pés ao verem Demétrio entrar na cozinha. Permaneci de costas para ele, focando meus olhos nos dois à minha frente, que expressavam severidade, diferente das pessoas descontraídas segundos atrás.

- Avise a CIP que não comparecerei na reunião amanhã.

Passou Demétrio sua ordem. Me assustei ao senti-lo ao meu lado, inclinei minha cabeça para cima encarando-o, o mesmo já fazia isso. Mostrei um singelo sorriso nervoso.

- Houve mudanças de planos - disse ele.

- Muito sensato, senhor! - disse Liz.

Direcionei meus olhos para onde os de Demétrio agora estavam centrados, ele e Liz pareciam ter uma conexão forte, pois compreendiam a frases camufladas.

- Senhor, onde descansaremos?

Perguntou Beto, ele ficou incomodado com o código de Demétrio com Liz, restava-me saber se era ciúmes do chefe ou da mulher que sempre o ganha.

- No chão, Beto - respondeu Demétrio, arregalei os olhos. - Ou no gramado, ele parece macio para sua cabeça.

- Tem um quarto sobrando - disse, Demétrio olhou-me indecifrável. - Se importam de dormirem juntos?

Liz contrariu a boca a entornando, obviamente desconfortável com a ideia. Beto, diferente dela, mostrou-se alegre.

- Você pode dormir comigo, Liz.

Tenho certeza que ela concordaria se Demétrio não intervisse.

- Os dois vão dormir juntos - decretou.

Sem questionar os dois se mantiveram em silêncio.

- Não seria incômodo para mim - disse.

- Para mim sim, Amber - disse Demétrio.

Abri a boca mais qualquer palavra saiu.

- Boa noite!

Lançou um último olhar para seus seguranças, e depois para mim, e saiu. Ele parecia o chefe da casa, completamente prepotente e um pouco rude.

××× ×××

Cansada pelo dia exaustivo, principalmente por ter tomado banho de chuva, meu nariz coçava, atiçando os espirros a saírem em disparada sem qualquer sintonia.

Esperei que todos recolhessem-se para arrumar a sala de jantar. Tinha um sério problema com organização. Satisfeita, fui para meu quarto.

- Tem que bater, Amber!

Meu rosto certamente foi marcado pela vermelhidão, por ver Demétrio usando apenas uma calça, seu tronco estava nu.

- Desculpe!

Virei de costas rapidamente.

- Tudo bem, Amber - ele murmurou. - Vire-se para mim!

Meu corpo quis obedecer a sua ordem, seu tom de voz foi forte em comando, com certeza um ato costumeiro.

- Você não está adequado - disse.

- Nunca viu um homem assim? - perguntou.

- Não... - respondi baixinho.

Mordi meus lábios nervosos, em que momento entramos numa conversa tão intimamente constrangedora?

- Quero dizer, já vi... - fechei os olhos, sentindo-me uma boba por responder a uma pergunta como essa, e ainda mentir. - Isso não é pergunta que se faça sr Peterson.

Recuperei meu tom de voz natural.

- Depende, Amber - contradisse ele.

Confusa, virei para debater o assunto inesperado entre nós dois que a poucas horas nos conhecemos.

- Depende do que?

Desarmei novamente por pegá-lo tão perto de mim, olhando-me firmemente. Ele se aproximou mais de mim, inclinando sua face bonita da minha, seus olhos negros fixaram em minha boca, instintivamente olhei para sua também. O clima mudará drasticamente, tornando-se quente, muito quente.

- Esse é meu quarto.

Abaixei minha cabeça desfazendo sabe se lá o que, que acontecia nesse momento entre nós dois.

- Elle disse que poderia ficar nesse.

Demétrio não se afastou, parecia que o mesmo ainda estava no clima quente de segundos atrás.

- Ah... ela deve ter esquecido de me contar.

Sorri desculpando-me.

- Você pode dormir aqui - disse ele sendo gentil. - A cama é grande, cabe nós dois.

Dispensei sua gentileza, colocando no lugar a palavra "safado"

- Não estou interessada, sr Peterson - disse autoritária, extremamente ofendida com suas palavras. - Seja lá o que possa ter pensado a meu respeito, o senhor se enganou.

Demétrio permaneceu neutro, fitando-me como se fosse uma criatura estranha.

- Quanto nervosismo - disse ele em tom normal, soltou um suspiro. - Ainda não pensei nada referente a você, pelos menos nada que não vá gostar de saber.

Envergonhada e subitamente curiosa para saber o que pensou a meu respeito, quiz me enforcar pelo interesse sentido.

- Não estou nervosa, sr Peterson - disse, ele sorriu claramente sem acreditar.

- Me chame de Demétrio - ordenou.

Finalmente se afastando de mim, não me atrevi a dar nenhum só passo para dentro, fiquei na porta. Suas costas largas eram deslumbrantes e marcantes.

- Boa noite, Demétrio - disse. - Desculpe pelo mal entendido.

Ele arqueou as sobrancelhas com expressão surpresa por eu estar me despedindo? Mas logo encarnou a expressão neutra, permaneci parada no mesmo lugar, trocando olhares com ele.

- Precisa de algo, Amber? - ele perguntou.

Sim, eu precisava de uma coberta, trocar minha roupa, mas não falaria.

- Não, Demétrio - disse, virando-me para sair de uma vez da sua presença.

Suspirei exasperada, todos os quartos estavam ocupados, pensei que Demétrio dividiria o quarto com Anália. Os planos não estavam dando certo?

Não havia outra escolha senão dormir no sofá da sala, não poderia ser tão ruim quanto uma cadeira dura de hospital. Me ocorreu a ideia de tomar um banho no antigo quarto das empregadas, talvez lá encontrasse uma roupa para trocar essa.

Demorei mais que o necessário no banheiro danificado, o que serviu para meu uso. Chorei feito criança novamente, sentindo todo peso da mágoa e dor, pedindo para que tudo fosse embora pelo ralo, que tudo acabasse de uma vez.

Encontrei umas toalhas finas dentro de um dos armários, infelizmente as camas não davam para ser usadas, não havia mais colchão ali, somente as armações. Depois de me enxugar, enrolei meu cabelo e meu corpo deixando parte de minhas coxas amostra.

Minha pele estava arrepiada pelo frio iminente, seria uma noite longa. Em certo horário, sem aguentar, fui à cozinha fazer um chá para esquentar. Enquanto fazia, estudei o som de passos esses vindo em direção a cozinha, desliguei o fogo, me abaixei rapidamente encostando-me no balcão próximo a mesa.

Era Demétrio, caminhou até a geladeira e se serviu de água, não apareceria para ele, não bastou o momento estranho no quarto.

- Amor, não está conseguindo dormir?

Anália se aproximou dele, estava descalça, e usava somente uma calcinha. Ah que horror. Ela começou a beijar o tronco nu dele, o mesmo permaneceu concentrado em sua água.

Me assustei quando ele inclinou sua cabeça para o lado, em minha direção, passei para o outro lado do balcão, orando para que ele não tivesse me visto.

- Suba Anália, já estou indo - ouvir ele.

Ela obedeceu. Fiquei olhando esperando que ele fizesse o mesmo, ouvir seus passos, encostei minha cabeça na madeira, nervosa.

- É costume ficar bisbilhotando, Amber?

Fechei meus olhos, ele tinha que vim falar comigo.

- Não, sr Peterson!

Levantei, agradeci pela luz está apagada, assim não me veria usando apenas uma toalha.

- Eu estava fazendo um chá...

- Se escondeu quando viu que era eu?

- Sim, quer dizer não, não queria ser vista por ninguém.

Apoiei minhas mãos no balcão, segurando firme, quando virei para ele que estava um pouco distante. Seus olhos avaliaram-me, sua boca puxou-se em um pequeno sorriso de lado discreto.

- Está só de toalha...

Aquela não fora uma pergunta, o mesmo deu passos, chegando mais perto.

- Não se aproxime, estou só de toalha...

Disse, balançando a cabeça. Mesmo assim, Demétrio ficou próximo o suficiente para sentir sua respiração quente, ele tirou minhas mãos do balcão, virando-me completamente para ele.

- O q-ue va-i fa-z-er ?

Bato-me mentalmente por gaguejar. Ele levantou meu queixo, passeou com seus dedos por minha face, observando cada centímetro. Segurava a toalha em meu corpo ao ponto de meus dedos doer.

- Você quer que eu faça alguma coisa?

Perguntou ele.

- O que você poderia fazer?

Indaguei nervosa, sem conseguir ter qualquer pensamento limpo.

- Muitas coisas, Amber - sussurrou atento a minhas feições. - Poderia fazer agora.

Sua face estava ainda mais perto, sua mão segurava firme meu rosto para que eu não escapasse. Suas palavras tiveram efeito direto em minha vagina, dentro de mim as coisas começaram a se contorcer, clamando para que ele fizesse. Fizesse o que? Me beijasse.

Entretanto a lucidez bradou alto em minha mente, freando as vontades da minha carne, fazendo-me acordar do transe. Não conhecia Demétrio, suas intenções eram muito claras e avançadas, dando invertidas sem se importar com o fato de ser irmã de sua futura esposa.

Tomada pelo bom senso, tirei sua mão do meu rosto, dei dois passos para trás.

- Não sei o que pretende fazer com tudo isso, você está com minha irmã. Mal lhe conheço, sr Peterson - disse encarando o chão. - Se pensa que sou alvo fácil, está muito enganado. Tenho princípios.

- Percebo que tens, Amber. É uma linda mulher, doce, delicada, fiel a família, perfeita para ser esposa - disse ele pensativo.

- Não compreendo, sr Peterson - ele escorou no balcão relaxado.

- Não precisa compreender nada, Amber, pelo menos não agora - olhei intrigada para ele. - Vá dormir, não farei nada com você, não essa noite.

Minha pele arrepiou e não foi pelo frio, e sim pelas suas palavras. Não fará nada comigo essa noite?

Sem querer me prolongar em mais um assunto estranho com Demétrio, acenei com a cabeça, rodei meus calcanhares para longe dele.

Entrando no quarto dos empregados fechei a porta rapidamente, meu coração martelava forte dentro do peito, aturdida por Demétrio. Com medo de ficar no sofá da sala, forrei uma das armação da cama, e dormi lá pensando nesse homem misterioso, que abalou meu psicológico num só dia.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022