Um ano e sete meses após a partida de Lorenzo Almonte...
ZAFIRA - NARRANDO
Sempre me disseram sobre o peso que era casar sem amor. No entanto, não tive escolha quanto a essa decisão, casar é o sonho de vago número de mulheres. Com o passar dos anos, muitas perderam o interesse, e aparentemente quando se casa, é o mesmo que sentenciar o fim de um relacionamento.
Não me ponho nessa lista, mas, posso afirmar que um casamento sem amor, a base somente de interesses, é um completo inferno, termo forte, eu sei. Mas, que outra palavra usar? Quando seu esposo na lua de mel, abusa de você, lhe submete a coisas desagradáveis?
Vivi essa terrível experiência, de ser tratada feito lixo, um objeto. Isso que ele diz que sou, fui comprada por ele. Em sua comparação, tem tudo haver, esse é o preço a se pagar. Quando se é ingênua, e tem uma mãe feito a minha, caprichosa, ambiciosa, sem amor pelos seus filhos.
Antes do meu pai falecer, passamos por um momento difícil. O dinheiro findou, de forma inexplicável. Na verdade tem uma explicação, mas caberia a minha mãe contar. Com essa situação, mas, a doença do meu pai, tudo foi desmoronando.
Primeiro a morte dele. Segundo meu caminho traçado com o Almonte. Terceiro, casamento.
Entre tantos homens na cidade de Águazul, Tânia fora se interessar por Lorenzo Almonte. O homem estava de passagem na cidade, para minha infelicidade. Numa das minhas corridas pela tarde, esbarrei nele.
Fiquei boba por minutos, admirada por sua beleza, sua estrutura alta, ombros largos, parecia um homem perfeito.
Durou pouco minha admiração, sem se importar em ser simpático. Numa única coisa restou minha "admiração" no Almonte, somente sua sinceridade em tudo. Não escondeu desde o princípio que era péssimo, um completo ordinario.
Sua faceta de bom moço, não me foi apresentada. O quê não acho ruim, não sofrer a ilusão de conseguir ter o amor desse homem, pelo contrário, me apego na ilusão somente dele nunca voltar para "nossa" casa.
Acalento meu bebê em meu colo, acaricio seu cabelo enquanto ele suga forte meu seio esquerdo que está cheio, bem por enquanto. No começo foi difícil de amamenta-lo.
Sorri emocionada quando por um momento largou meu seio para abrir um lindo sorriso para mim, boquinha só gengiva. O coloquei para arrotar e voltar a dormir. Todas as noite ele acorda, estou tão acostumada que desperto antes dele.
O coloquei no berço que ficava no meu quarto, não quis deixá-lo separado de mim. Dei um beijo em sua bochecha e me afastei antes que ficasse por mais tempo fazendo carinho.
O sono havia perdido, desci para fazer a contabilidade da minha doçaria, a cada dia ela estava ficando mais conhecida na cidade. Me preocupo de Lorenzo saber desse meu negócio, o maior número de clientes é homem, Tânia não se agrada disso, e penso que pode a qualquer momento contar para Lorenzo, assim como sobre Lael.
Fecho o notebook. Passo a mão no meu peito inquieta, todas as noite não tenho sossego pensando que a qualquer momento Lorenzo pode entrar aqui.
- O que estava pensando quando saiu sem me avisar no dia mais importante para nós dois?
Meu corpo estremeceu com seu tom de voz alto, a raiva faltava transbordar por seus olhos arregalados para mim. Corri desesperada, pelo menos tentei, o vestido branco comprimido junto dos saltos me deixaram mais lenta.
Com um puxão somente fui ao chão, sentindo suas mãos rasgarem o vestido caro, escolhido por Tânia. Quando conseguiu estragar o vestido, se afastou me olhando somente de lingerie que ganhei dele, exclusivamente para a noite de núpcias.
- Responda! Zafira!
Agarrou-me pelos cabelos, deixando seu rosto próximo ao meu.
- Onde estava? O que pretendia?
Aperta meu rosto, não consegui mais segurar as lágrimas.
- Nada, Lorenzo, não pretendia fazer nada.
Lutei tentando o impedir de tocar em mim, por ele ser mais forte não tinha sucesso.
- Juro que não ia fugir de você, eu juro.
Disse em desespero, ele se afastou de mim tirando sua roupa. Balancei a cabeça e, ao ver sua nudez, quis mais uma vez correr daquele quarto para me proteger de ser tomada por ele.
- Jura? - voltou a se aproximar.
- Sim - quis me levantar, mas ele impediu.
- Você me assustou - disse ele, ajeitando meu cabelo em seus dedos, fazendo um rabo de cavalo.
Fechei os olhos para não ver sua região íntima que estava próximo ao meu rosto.
- Quer tocar em mim? - sussurrou ele.
Balancei a cabeça, apertando meus olhos.
- Responda!
- Não, eu não quero - disse rápido.
- Abra os olhos! - engoli em seco. - Agora!
Contra minha vontade abrir, logo levantando minha cabeça para não olhar para onde ele queria. Seus olhos mostravam somente maldades, estas que faria comigo.
- Me chupe!
Forçou minha cabeça, fazendo-me encarar seu pênis ereto.
- Não, não quero por favor!
Ele se abaixou, olhou-me secamente, pegou-me pelo pescoço e me levantou, acabou de tirar a lingerie dando um sorriso satisfatório quando viu-me completamente nua, logo me jogou na cama. Vindo para cima de mim, olhava apavorada para ele, com esperança dele ter pena e me deixar.
- Fique quietinha!
Pegou uma corda fina que estava ao meu lado na cama, não havia percebido aquilo ali.
- O que vai fazer?
- Isso é para não machucar - disse ele.
- Você já está - disse. - Por favor!
- Não machucar ainda mais. Não implore para que eu pare, não farei isso.
Ele levou um lado do meu braço para a cabeceira da cama, amarrando apertado ali, depois fez o mesmo com outro, deixando-me impossibilitada de me mexer.
- Vamos fazer amor agora, estou louco para rasgá-la ao meio meu amor!
Beijou meus lábios.
- Lorenzo, por favor! Não quero que seja desse jeito, não estou confortável.
Roguei como se pedisse por um milagre numa oração. Estava apavorada, nunca fiz isso. Sem morosidade sentir aquela coisa quente passar por minha parte íntima, logo entrando de uma vez, abrindo-me, dilatando o pequeno lugar, brami desesperada pela dor que me atingiu a cada estocada que ele começou a dar, tomando-me sem delicadeza. Suas mãos se atentaram em manter minhas pernas abertas, a todo instante seus olhos avaliavam-me com os lábios entreabertos.
Fechei meus olhos desejando que aquela tortura terminasse rápido, tentei me concentrar em qualquer coisa que não fosse naquele momento, o que foi impossível pois ouvia sua voz me xingando, apertando meu corpo, acelerando mais suas invertidas, maxucando-me ainda mais.
Quando senti meus braços serem soltos, pensei que teria acabado, mas estava enganada, ele se deitou ao meu lado e me virou, puxou meu corpo e mais uma vez se alojou dentro de mim.
- Não gastei meu dinheiro em vão, você é perfeita. Gostosa, minha esposa!
Sussurrou tresloucado, beijando minhas costas, puxando meu cabelo, forçando-me a olhá-lo. Tomou meus lábios, e os mordeu por eu não correspondê-lo, juntei o pouco de dignidade que me restava para me manter firme.
- Tem lindas nádegas.
Bateu nelas, e abriu com apenas uma mão, levando seu dedo para meu ânus, e começou a menear com seus dedos. Afundei meu rosto na cama, chorando por imaginar o que ele faria.
- Lorenzo, por favor, não! Por favor!
Sobressalto no lugar, olho atordoada para os lados, acho que cochilei. Arrumo meu cabelo, meu coração está acelerado, olho no relógio do celular e se passam das quatro da manhã.
Sempre recordo de momentos como esse com Lorenzo, agradeço por não ter ido até o final daquela noite, o pior pesadelo. Geralmente não consigo acordar e acabo revivendo os abusos.
Sofria castigos injustos e horrendos. Nunca consegui esquecer o dia em que me fez ajoelhar diante dele em público, não havia ninguém perto de nós, estávamos perto da praia, ele me fez chupa-lo até gozar, tive que engolir tudo. Ele esperou até o casamento para consumar tudo, mas em compensação todos os dias tinha que o satisfazer de formas diferentes e em todas elas me sentia um lixo.
Volto para meu quarto, me aproximo do berço de Lael e o pego no colo, ele dorme profundamente, o quero pertinho de mim. Sinto-me segura. Deito na cama com ele, duvido que conseguirei dormir, sempre é o mesmo pesadelo.
Mamãe tá aqui, meu amor. Não vou deixar seu pai machucá-lo, nunca!
Fecho meus, oro para que Lorenzo nunca volte.
ZAFIRA - NARRANDO
- Ligue para seu marido, Zafira!
Mamãe em seu impecável coque, vestida de Elie Saab um vestido curto, têm seus lábios chamativos demais nessa cor vermelha. Veio me fazer uma visita em minha confeitaria, como sempre cobrando, exigindo que eu faça coisas.
- Mãe, não vou ligar para ele!
Termino de arrumar as trufas e pães de mel em cima da bancada de aço inoxidável.
- Faz mais de um ano que Lorenzo partiu.
- Por esse motivo tem que ligar para ele.
- Não tenho vontade de ouvir a voz desse homem.
Continuo organizando as coisas, daqui a pouco abrirei, hoje estaria sozinha aqui, dei folga para Mariana ficar com seus filhos, ela desde o começo foi minha parceira é conhecedora sobre o que passei, confio nela.
- As pessoas estão comentando muito a seu respeito, Zafira, isso não me agrada, e Lorenzo quando souber vai ficar furioso. Ele é um homem que exige respeito.
Rapidamente fico aborrecida, mamãe consegue ser tão desagravel, nunca aparece para me dizer coisas boas.
- Não faço absolutamente nada que desrespeite o Lorenzo.
Defendo-me, a maneira que mamãe se expressa é como se eu estivesse fazendo uma coisa errada, o que não faço. Minha vida se resume em Lael e meu trabalho.
- Tem uma doçaria, fala com homens, veste roupas justas.. E não usa sua aliança.
Levo meus olhos no meu dedo anelar, não há nada nele, ao menos lembro onde coloquei aquele anel.
- Isso é besteira!
- Zafira, você gosta de apanhar de seu marido, o conhece perfeitamente.
As feridas abertas ardem por todo meu corpo que somente eu consigo ver, sentir.
- Como pode ser tão fria comigo?
- Estou falando a verdade, você insiste em fazer coisas que sabe que vão te causar sofrimento, é tão burra minha filha, já não apanhou o suficiente para aprender!?
Coloca suas mãos em meu rosto, expressando pena, sem querer lágrimas escorrem pelo meu rosto.
- Você me vendeu para ele.
- De um jeito ou de outro, ele a teria princesa. Um Almonte sempre consegue o que quer, aproveitei disso, estava nas ruínas.
Ela sempre usa esse argumento, estou enjoada de ouvi-la, cansada de toda essa pressão.
- Mãe, já vou abrir, vá embora!
- Me dê pelo menos um cookie.
Pego um saquinho e coloco três cookies, ela sorri falsamente, sua expressão sempre é séria, olha para os outros com desdém, até mesmo para mim quando não estou do jeito que ela quer.
- Ligue ainda hoje para seu marido - diz, vai andando para a porta de vidro. - Conte tudo que você anda fazendo na ausência dele, principalmente sobre Lael, ele tem o direito de saber sobre o filho.
- Não tenho o número dele.
Ela pega em sua bolsa um cartão, e o coloca em cima da prateleira que está próxima dela.
- Ligue, se não eu serei obrigada a contar tudo detalhadamente, na próxima vez que ele me ligar. Não posso ficar mal vista por meu genro.
Ajeita seu cabelo, abre a porta e sai. Vou até a prateleira pegar o cartão que reconheço ser do seus negócios, vejo o número dele com seu nome escrito embaixo.
Desconfio que desde a partida de Lorenzo minha mãe vem se comunicando com ele, agora porque nunca contou sobre a gravidez? Se está tão interessada em manter esse casamento. Procuro não concentrar meus pensamentos nesse homem, muito menos se ligarei para ele, minha mãe sabe o quanto é perigoso contar sobre Lael, sei o quanto ela o adora, Lorenzo pode acabar com tudo.
E não acredito que ele vá voltar, com certeza está curtindo a vida.
Passado ..
A princípio. •LEMBRANÇAS•
Como todos os dias rotineiros, obedecia uma das muitas ordens da minha mãe Tânia, primeiro: manter o corpo exercitado, jamais engordar, ter qualquer área do corpo flácida. Isso era um pecado para Tânia. Distrair-me na calçada a qual antes corria, para admirar o sol que suavemente cobria meu rosto, a sensação magnífica me fez imaginar por uns segundos ter outra vida, um sorriso formou meus lábios.
Retornando à minha realidade, não bonita, quanto em meus pensamentos, voltei minha atenção para frente, continuaria caminhando, porém, um homem altíssimo, de ombros largos e carranca na cara, vinha na minha direção, sendo eu desastrada, até tentei desviar quando ficou mais próximo, mas propositalmente ele se arredou junto comigo, causando um forte baque do meu corpo magro no dele teve consequência o desastre de cair no chão.
- Presta atenção porra!
Assustei-me ao ouvir a voz do homem num tom grosseiro se referindo a mim.
- O senhor teve culpa.... - levantei sozinha, ele ao menos ofereceu-se para me ajudar. - Mas perdão. ..
Decidi usar a cabeça e não iniciar uma confusão, sobre quem foi o culpado.
- Essa é agora a maneira que estão usando para chamar minha atenção?
Continuou num tom de voz que não me agradava e causava arrepios de pavor. O homem que o acompanhava riu de um jeito malvado, encarando meu corpo. Usava uma legue e um top simples como de costume.
- Não sei ao que se refere.
Limpo-me da maneira que consigo, o cara ao lado dele não tem pudor algum, tem sua mão apertando a parte avantajada de sua calça.
- Preste atenção enquanto caminha, na próxima posso não está de bom humor.
Avaliou-me dos pés ao alto da minha cabeça, olhei nervosa para ele, diretamente para seu rosto, a cor de seus olhos eram azuis, cabelos castanhos claro, uma beleza rara nessa cidade, nunca havia visto esse homem, e esperava que aquela fosse a última vez.
Os seus olhos de repente aplicaram-se firmes em meus seios, como se os medisse. Começava a me sentir mal.
- Precisa se divertir, patrão.
O sorriso amarelado daquele homem estava me dando náuseas. Apertei minhas mãos em meus braços, ao sentir um toque áspero em meu rosto o levantando para cima, pois havia abaixado a cabeça.
- Por sua inovação em chamar minha atenção, e sua beleza estonteante, lhe oferecerei dez mil para passar uma noite sob meu domínio na cama, valendo tudo.
A voz dele era carregada de malícia e desejo, encarava minha boca. Não gostei nada disso.
- Eu preciso ir...
Não deveria ter dito nada, apenas saído de perto daquele homem abusado e assustador, a rua era pública, não seria como se esse homem tivesse direito de me manter ali parada ouvindo sua medonha voz, ele não teve a decência de me ajudar depois propositalmente ter me derrubado.
- Tão cedo?
Seu tom é tomado de cinismo. Balancei a cabeça afirmando, ele sorriu.
- Diga-me seu nome!
Exigiu, mas me mantive em silêncio, estava perdida sem entender claramente o motivo dessa situação.
- Seu nome!
Pegou no meu braço, fechou a mão em volta, aquilo estava passando dos limites.
- Você não tem o direito de fazer isso!
Encontrei minha voz finalmente, somente a minha mãe devia ouvir e obedecer calada, não um desconhecido qualquer.
- Tem conhecimento sobre com quem está falando?
Me apertou contra seu corpo quase tirando meus pés do chão. Dessa vez, vou tocar na minha cintura.
- Não, não tenho!
Meus olhos ardiam, queria chorar, nunca havia passado por algo assim.
- Desculpe ter esbarrado no senhor, por favor me solte!
Implorei, a caixa toraxia dentro do meu peito batia apressadamente, estava tomada pelo medo de ser sequestrada, abusada, ou quem mais o que.
- Zafira!
Vir meu irmão por trás dos dois homens que me perturbavam. Isso não os intimidou, principalmente o homem que tinha suas mãos em mim.
- Senhor Almonte! Algum problema com a minha irmã?
Meu irmão perguntou. Almonte? Esse sobrenome não me é desconhecido, mamãe já o mencionou.
- Ela é filha do Mauro Mendonça?
Indagou, e soltou-me, corri para os braços do meu irmão.
- Sim, Almonte!
- Pensei que fosse filho único, Bruno.
Virou-se para encarar meu irmão, a maneira que ele lançava seu olhar era intimidante, meu irmão aparentemente estava calmo, mas o conhecia, sua mão que segurava a minha estava suando, apesar de estar gelada.
- Somos nós dois, Almonte!
- Cuide bem da sua irmã, ela é belíssima, não pode ficar caminhando sozinha nessa cidade onde há pessoas cruéis, loucos por uma carne corada.
Aconselhou, meu irmão balançou a cabeça e agradeceu. As respostas dele foram curtas, meu irmão costumava ser muito falando, mas nesse momento ele poupou muitas palavras.
- Mande lembranças para Mauro, soube que está muito doente.
Paramos de andar quando ele voltou a falar conosco. Somente meu irmão virou para lhe responder.
- Direi que nos encontramos com o senhor.
- Não esqueça de Tânia, tenho que parabenizá-la.
Essa parte não entendi, mas deixei de lado. Queria sair do mesmo lugar que esse Almonte.
Um tempo depois ...
Uma semana após o encontro com o Almonte que descobri por minha mãe que seu nome era Lorenzo, meu pai infelizmente veio a falecer, não conseguiu mais lutar contra a doença. Parte de mim morreu, diferente das atitudes e decisões da minha mãe, ele sempre deu-me carinho dizia que o importante era que eu fosse feliz.
- Irmanzinha, tem que fazer isso por todos nós, não seja ingrata, sabe que não posso trabalhar.
Bruno finge ser doente da coluna, o que na verdade ele tem se chama preguiça de trabalhar é um folgado.
- Ela vai fazer Bruno, eu a preparei para isso, a fortuna do pai de vocês não era tão grande, por isso fui inteligente, não ficaremos na miséria.
Desceu as escadas, estava sentada no sofá lembrando do meu pai. Tônia jogou em meu colo um vestido.
- O Almonte está a esperando na rua da praça, vá e deixe o resto com ele.
Levantei assustada do sofá.
- Não vou até esse homem, ele me assusta, é uma pessoa ruim.
- Besteira princesa, esse homem vai evitar que fiquemos na miséria, isso sim é assustador e ruim.
Argumentei diversas coisas para me livrar de ter que encontrar com o Almonte, mas Tânia estava decidida a me obrigar a fazer isso. Depois de esbarrar com o Almonte pela primeira vez na rua, aconteceram outras vezes o encontrava nos lugares que frequentava, ele somente me olhava em todo tempo que ficava, para meu alívio ele nunca se aproximava.
Alguns minutos depois ...
- Perfeita maninha!
Entrou Bruno no meu quarto, estava terminando de me arrumar.
- Mamãe, venha ver! - a chamou.
- Esse vestido devia ficar mais acima das coxas.
Se aproximou analisando o vestido no meu corpo.
- Sem choro, Zafira!
Inspirei fundo, controlando as lágrimas.
- Seja a mulher perfeita, sorria, deixe o Almonte mais louco por você.
Pegou o batom da minha mão, e passou em meus lábios. Por dentro estava gritando, frustrada por não conseguir enfrentá-la.
No lugar combinado...
Bruno me deixou um pouco longe do local de encontro, andei por uns minutos, não cumprimentei ninguém que falou comigo, parecia que havia sido programada para somente fazer uma coisa que era agradar o Almonte.
- Aproxime-se, Zafira!
Ele estava parado próximo às escadas que levavam para a orla que ficava lá embaixo.
- Boa noite, Almonte!
Andei até ele, mostrando firmeza e segurança. Quando perto fiquei surpresa quando me deu uma rosa.
- Essa rosa representa você.
Segurou minha mão a qual segurava a rosa, olhou-me firmemente. Tirou uma pétala.
- Se me agradar, vou rega-lá, para que fique sempre linda sem nenhum machucado.
Tirou a rosa da minha mão, fiquei atenta às suas próximas palavras.
- Se não me agradar, vou fazer isso!
Esmagou a rosa na mão, a deixando feia, sem vida, restando apenas os pedaços que ele ainda foi destruindo cada pedacinho, depois as jogou no chão e pisou em cima.
Perturbada por seu horrível espetáculo em mostrar como fará comigo, rodei meus calcanhares para sair de perto, claro que ele não permitiu, me encostou contra o concreto apertando-me.
- O que vai ser, Zafira?
Encostou seus lábios em meu pescoço, inspirou profundamente sentindo meu cheiro, minha garganta se fechou impedindo de engolir a saliva amarga em minha boca. Fechei meus olhos em completa agonia sentindo sua mão tocar em meu corpo.
- Tânia disse que é tímida...
Pegou meu queixo, analisou meu rosto, abri meus olhos encontrando os deles frios como o vento que batia contra nós. Seus traços fortes, lábios repuxados numa linha fina, o observei por uns segundos. Quando seus olhos caíram em meus lábios, soube o que viria a seguir, beijar ele não era o que queria naquele momento.
- Agradarei você, Almonte!
- Lorenzo, quero que me chame assim.
- Lorenzo!
Concordei, infelizmente não consegui fingir um sorriso, estava um pouco tonta com toda essa situação, fui forçada a vim aqui encontrar com esse homem, que somente me assusta.
Quando ele se afastou de mim, finalmente consegui respirar melhor.
- Para onde vai?
Por ter ficado de costas para mim, quis sair de mansinho para não chamar mais a atenção.
- Minha casa - gaguejei.
Fiquei parada olhando-o para ver o que faria, ele andou até mim, enrolou sua mão com a minha apertou forte elas unidas.
- Vamos para minha casa! - declarou, andando.
- Não posso! - não o acompanhei.
- Tânia me deu carta livre.
- Mas...
Fui puxada por ele em direção a uma picape branca, ninguém presente interviu, eles viram que minha expressão era de espanto mas não fizeram nada. Lorenzo abriu a porta para mim, sem escolha tive que entrar, em seguida ele fez o mesmo.
O percurso durou cerca de vinte minutos, estávamos na casa dele próxima a praia. Em silêncio absoluto me tirou do carro e me levou para dentro da grande casa.
- Está suando?
- Não me sinto bem!
Puxava o ar que me faltava, o nervosismo fazia todo meu corpo ficar agitado principalmente minha respiração.
- Vamos pra beira da praia!
Guiou-me, sempre segurando minha mão, até o momento depois de sua comparação com a rosa, não foi um ordinário, mas sempre é bom manter a boca fechada assim como os pensamentos, porque sempre quando pensa que está melhorando na verdade piora mais.
- Agora está com frio, Zafira.
O vento estava forte, as ondas agitadas. Abracei meu corpo, estava um pouco distante dele, mas ele tratou de mudar isso, me puxou para seus braços quentes, e foi tirando proveito, começou a apalpar meu corpo, escondi meu rosto em seu peito, o sentido pegar-me mais ousadamente, chegando a minhas nádegas, sua respiração foi mudando a cada segundo, e foi acelerando mais. Até que puxou meu rosto para ele tomou meus lábios velozmente, os sugando, introduzindo sua língua, não tive como o acompanhar..
- Lorenzo....
- Diga! - sussurrou, mordiscando meu lábio.
Não consegui me desprender de seu aperto, queria tanto um espaço naquele momento.
- Não quero isso.. .. Eu não consigo!
Ele não expressou nada ao me ouvir, parecia que esperava que eu falasse isso.
- Agora é tarde Zafira!
Segurou meu rosto sem delicadeza.
- Quero você! Por dias a observei, desejei, segurei a vontade de tomá-la imediatamente para mim. Se Tânia não a oferecesse para mim, a teria sequestrado e levado para longe...
Suas palavras não faziam sentido algum para mim, esse homem é louco.
- Não sei o que minha mãe lhe disse, mas eu não participei, não quis nada disso...
- Veio me encontrar, Zafira, você é tão ambiciosa quanto sua mãe. Não se faça de sonsa agora, não suporto mulher fingida.
- Não estou fingindo nada, Lorenzo. Fui obrigada a vim até você...
Ele balançou a cabeça, começando a se irritar com a minha voz, aquela conversa.
- Você é uma puta, Zafira! Uma diferente, tem esse belo rosto inocente, mas é igual a sua mãe, uma puta rica em busca de mais riquezas.
Ao ouvi-lo dizer essas palavras, o acertei com um tapa no rosto, meus dedos arderam pela força usada, seu rosto ao menos virou para o lado. Ele no súbito ódio, apertou meu queixo com força.
- Nunca mais ouse levantar a mão para mim, Zafira, isso é para o bem do seu lindo rosto. Posso revidar.
Naquele instante mesmo que pareceu um maníaco, por somente ter a luz da lua, tornava tudo mais sombrio. As lágrimas barraram a maquiagem trabalhada em meu rosto. Ele me afastou, usando a mão no meu queixo para fazer a distância, eu por está com as pernas bambas, cair no chão. Lorenzo por um momento desconhecido naquele instante para mjm, tirou o cinto e desabotoou a calça. Me pegou de chão, agarrando-me.
- Faça o que eu mandar - chupou meu lábio, colocou uma mão no meu pescoço, e a outra pegou minha mão para tocar em seu membro dentro da cueca. - Aperte, faça movimentos.
Ele sussurrou de olhos fechados, beijando minha boca, como um faminto por comida. Eu me recusei a fazer o que foi imposto, só de sentir a espessura grossa e quente nos dedos, minha pressão baixou.
- Não vai fazer? - indagou, desta vez enrolou meu cabelo em seus dedos. - Vai ter que usar a boca.
Me fez ajoelhar, me desesperei, por ver ao longe algumas pessoas em volta de uma fogueira. Ele me obrigou a chupá-lo até gozar.
•Momentos atuais•
As pessoas sorriem satisfeitas, elogiando o pão de mel, os cookies e outros que estão comendo. Por mais que esteja sendo um dia trabalhoso sinto-me perfeitamente bem, lidando com cada cliente seja homem ou mulher.
Hoje ficaria aberto somente pela manhã, tinha que pegar Lael na casa de Josefina, uma querida prima minha.
- Quer que eu leve você?
Estava fechando a confeitaria. Damião é um homem que vem todos os dias aqui, é muito atencioso e gentil comigo.
- Não, preciso caminhar um pouco, estou muito sedentária.
Nunca me prolonguei em conversa com homens, ao conviver com Lorenzo aprendi a ler os olhares, saber o significado de cada ação.
- A acompanharei então!
Não quis argumentar, e o deixei que me acompanhasse, mas me mantive em silêncio e numa distância considerável dele, não me sentia confortável perto de qualquer homem, Lorenzo me marcou para sempre.
Me despedi rapidamente dele, praticamente o deixei falando sozinho quando chegamos na casa de Josefina. Não devia dar confiança a ninguém, isso não é só para meu bem como para os deles também. Lorenzo é considerado o chefe dessa cidade, mas pelo tempo que ele não vem aqui, o povo deve ter esquecido.
- Lael está lá em cima, brincando com a Júlia.
Diz Josefina.
- Ele deu trabalho?
- Não, ele é bonzinho.
- Obrigada, por ficar hoje com ele.
- Sempre que precisar, Zafira!
Daria um tempo aqui, até que Lael enjoasse.
- Lorenzo ligou para você?
Perguntou, por mais que não estivesse olhando para ela, por seu tom percebi insegurança ao tocar no assunto.
- Não, porque?
- Tia Tânia esteve mais cedo aqui, e atendeu uma ligação dele, e acho que ele perguntava sobre você.
- Posso usar seu telefone?
- Claro!
Peguei em minha bolsa o cartão com o número de Lorenzo, Josefina fez o favor de sair da sala, observou minha feição e percebeu que eu estava nervosa. Ao discar o número ainda desliguei umas cinco vezes antes que chamasse, deixando o medo para trás, deixei que completasse a ligação.
"Alô!"
Meu corpo tremeu, ao ouvir a voz dele, um flashback passou na minha frente, lembrando de alguns momentos.
"Zafira"
Ele esperava por minha ligação.
"Oi"
Conseguir dizer somente isso.
" Bom ouvir sua voz, amor! Estou chegando em casa, quero você completamente nua em nossa cama! Estou louco de saudade"
Lentamente as lágrimas rolaram por meu rosto, soluços foram escapando de minha garganta.
" Sente minha falta, amor?" perguntou.
Neguei balançando a cabeça, como se ele pudesse me ver fazendo isso. Sem aguentar ouvir mais sua voz, desliguei o telefone.
ZAFIRA - NARRANDO
Num ato impensável, desesperada para não me encontrar novamente com meu marido, corri para as escadas seguindo onde Lael estava e peguei do colo da menina Júlia que brincava feliz com ele, não disse nada somente sair deixando a menina confusa por minha atitude.
- O que aconteceu, Zafira? - interviu ao me ver e bloqueou meu caminho. - Está pálida, sente-se aqui!
- Não, eu preciso ir embora daqui!
- Fiz alguma coisa que não gostou?
- Lorenzo está vindo para Águazul, desconfio que ele já até esteja aqui.
Josefina olhou-me com compaixão.
- Fugir não é o melhor a se fazer.
- Não vou ficar para vê-lo machucar meu filho, Lorenzo não tem amor por ninguém.
Perdia meu tempo nessa conversa, por mais que ela saiba o que passei, não consegue entender minha decisão, pois não sentiu as dores e a humilhação. Não a julgo por optar pela decisão mais fácil e aparentemente sábia, que é ficar e recebê-lo.
- Zafira..
- Josefina, não ficarei aqui!
- Tá, deixe-me ajudá-la, sei de um lugar que você pode ir, vai ficar segura lá.
➹ ➹ ➹
LORENZO ALMONTE - NARRANDO
Inspiro o ar de Águazul que me faz lembrar da minha deliciosa esposa, esse tempo longe dela foram uma tortura diária para meu pau que só deseja ela, mas meu tormento logo terminará, estou de volta na minha cidade, vim para ficar definitivamente ao lado da minha esposa.
- Qualquer que me ligar passe para Márcio, ele vai me substituir por uns dias, vou estar com minha esposa, não quero ser interrompido - dou ordens.
Os negócios estão a cada dia crescendo e se expandindo, minha fortuna só aumenta, quero usufruir toda ela com Zafira e no futuro próximo com nossos filhos.
Estou dentro do carro preto blindado, tomo cuidado com meus inimigos de negócio, a cidade de Águazul não é exatamente uma calmaria sem "vilões" sentados em suas cadeiras confortáveis. Pelo fato de ter cortado laços com a maioria que tinham parceria com meu falecido pai, me tornei o alvo deles.
- Olhe ao redor! - mando.
Desço do carro, as pessoas curiosas ficam olhando e quando me reconhecem rapidamente mudam seu foco. Nunca me esforcei em ser simpático com nenhuma pessoa que mora aqui, faço e gosto de tudo do meu jeito, se quiser mudar o nome da porra do nome dessa cidade eu mudo, porque ela e minha e o poder me exalta.
As luzes da casa estão apagadas, talvez queira me fazer uma surpresa, sorriu malicioso com essa expectativa. Uso minha chave e entro, tudo está um completo silêncio, não ouço som de ruído algum. Subo as escadas e vejo nos quartos e não há sinal da minha Zafira. Mandei que estivesse na nossa cama.
Há somente um lugar que ela pode estar. A casa de Tânia, a desgraçada que me presenteou com seu anjinho.
Alguns minutos depois ..
- Lorenzo, você voltou finalmente - seu sorriso é imenso, não movi um músculo sequer para a abraçar, a deixo no vácuo com seus braços abertos. - Teve uma boa viagem?
- Quero saber de Zafira! - digo cortando sua conversa irritante. - Chame ela agora, Tânia!
Ela me olha confusa, parece não saber da minha esposa.
- AGORA! - elevo minha voz.
- Ela não está aqui, Lorenzo! - gagueja.
- Onde ela está? - indago.
Tânia me olha receosa, me aproximo dela e seu silêncio faz mil pensamentos em mente a respeito de Zafira.
- Responda!
- Não está na casa de vocês?
- Vim de lá, Tânia!
Com expressão pensativa ela me olha, rapidamente acerto seu rosto com um tapa alto e estalado.
- Não sabe onde Zafira está caralho? - pergunto, a pegando do chão onde foi parar pelo impacto.
- Solte minha mãe, Lorenzo - aparece a vergonha da família. - Sei onde Zafira está.
Ouvindo-o dizer o que me interessa soltei Tânia, e fui até ele, Bruno falta se borrar diante de mim.
- Onde? - pergunto seco.
- Na casa de Josefina - responde.
- Quem é ela?
- Nossa prima, elas se conhecem desde pequenas.
Não recordo desse nome, mas seja lá quem for vai ser interrogado por mim.
- Vou ligar para ela, Lorenzo. Zafira logo vai estar aqui para recebê-lo - diz Tânia.
Mesmo com um lado da face vermelha, ela não perde sua pose de dama riquinha que se humilha para ter dinheiro.
- Eu mesmo a buscarei - digo.
- Não Lorenzo, deixe que ela vai vim...
Se aproxima de mim, tem o telefone em seu ouvido. Seus olhos estão muito expressivos, algo incomum nela, ela sempre tem um ar superior e desdém com todos.
- Devia usar meu dinheiro no que você realmente precisa, Tânia, como uma cirurgia plástica, essa maquiagem não tá tendo muito efeito.
Ela pisca, pega em seu rosto, seu ponto fraco é receber críticas sobre sua aparência.
- Você vem comigo! - digo para Bruno.
- Também irei - diz Tânia.
Minutos depois..
Na casa da tal Josefina que parece ter saído pelo cú, Zafira não está. A mulher está muito nervosa e não me encara, isso é um dos sinais quando alguém está mentindo.
- Cadê ela? - a primeira vez que refiro a palavra a ela. - Onde está se escondendo?
- Não sei de nada, Almonte, ela só saiu, não disse para onde ia - diz com voz falha, suas mãos tremem. - Parecia assustada, depois que falou com você.
Ando até ela, e subitamente foi se afastando, Bruno a bloqueou por trás e isso a fez dar um pulo no lugar.
- Está mentindo, Josefina!
- Almonte..
Vejo a menina que estava no quarto de cima brincando, ela está muito assustada e tem seus olhos arregalados.
- Como é o nome da sua filha?
Agora ela me encara com pânico, ela não me responde, para a encorajar vou até a pequena menina.
- Qual seu nome pequena?
- Júlia, senhor! - diz e dá sua mão para que eu a aperte. Muito corajosa, apesar que mostrar estar com medo. - Veio pegar tia Zafira e o Lael?
- Quem é LAEL? - rosno.
A menina sai correndo para perto de Josefina. Tânia me olha pávida, todos tem expressão dessa forma, nenhum se atreve a responder.
- Tira a menina daqui! - digo para Bruno, que rapidamente faz.
Não queria no meu primeiro dia na minha a Águazul matar ninguém, mas vejo que não será possível que isso aconteça. Pego minha arma, a destravo e miro em Josefina.
- Você não quer contribuir comigo...
- Ela .. foi de carro para a rodovia..
- Rodovia? - questiono. - Não me passaram nem uma compra feita por Zafira, tudo que faz é monitorado por mim.
Ela abaixa a cabeça e começa a chorar.
- Você deu passagem para ela? - ela nega balançando a cabeça. - Responda!
- Sim eu dei, ela estava tão apavorada quando soube de você que ia voltar, fiquei com pena e ofereci ajuda.. ela sofre muito, e tem o Lael... - se explica, querendo justificar a bosta que fez.
E mais uma vez ouço esse nome, se for o que penso, os dois vão morrer queimados. Depôs acabo de vez com a família Mendonça.
- Obrigado, Josefina!
Por um segundo ela respirou aliviada, e depois caiu sobre o chão, sujando a mármore branca com sangue. Um tiro certeira em seu peito.
- Se eu não conseguir alcançar Zafira, vocês dois estão mortos! - aviso.
- Vou cuidar desse cadáver, Almonte - diz Bruno.
Hora de cobrar uns favores, ligo direto para a federal, ela não pode estar muito longe.
➹ ➹ ➹
ZAFIRA - NARRANDO
Olho a todo instante pelo espelho do carro, observando se estou sendo seguida, Lorenzo não pode me encontrar, ele pensa que já tentei fugir uma vez, o que não aconteceu, tudo foi um engano.
Lael dorme tranquilamente na cadeirinha, meu pequeno não faz ideia do que está acontecendo. Devia estar na rodoviária, mas me atrasei acalentando Lael que começou a chorar de repente, somente depois que dormiu que continuei. Não peguei roupas nem nada em casa, Lorenzo poderia estar lá me esperando, só me arrisquei a pegar o carro.
Piso bruscamente no freio ao ver várias viaturas no meio da pista, o que há com a polícia federal? Sou obrigada a descer do carro, quando faço meu corpo paralisa vendo Pedro o chefe da guarda vindo em minha direção. Ele é amigo de Lorenzo.
•Lembranças•
- Os declaro marido e mulher, pode beijá-la meu filho!
Declara o padre, selando a continuidade do meu inferno, a sentença dura que é agora ser esposa desse homem. Seus lábios exigentes atacam os meus, um beijo desnecessário por haver várias pessoas nos olhando, um selinho é o suficiente, mas como sempre Lorenzo mostrando sua possessividade.
- Parabéns Almonte, conseguiu conquistar a mulher mais linda de Águazul! - o homem fardado elogia.
- Obrigado Pedro! - agradeceu, deram um aperto de mão. - Só não fique encarando minha esposa, se não vou ter que arrancar seus olhos cor de bosta semelhantes a do cavalo que uso na minha fazendo.
•Momento atual•
- Senhora, Almonte! - diz e puxa minha mão e a beija, eu logo a puxo. - Sempre tão linda, continua a mesma, Zafira.
- Porque está bloqueando a rua? - pergunto.
- Recebi ordens para fazer isso - diz.
- Eu preciso passar, tenho um compromisso.
Ele sorrir, ajeita sua farda no corpo fingindo limpá-la e volta a me encarar, seus olhos azuis são chamativos, pele morena clara é um homem de poste bonito, entretanto é tão podre quanto Lorenzo quando abre a boca.
- Não posso fazer nada - diz.
- Vai recusar o pedido da mulher de Lorenzo Almonte? - digo tentando o persuadir.
- Não farei isso justamente para agradar ao Almonte - diz rindo cinicamente com certeza da minha expressão de desespero.
Sem trocar mais palavra alguma com Pedro, entro no carro sentindo terror, Lael ainda dorme, penso em alguma saída para nós dois, mas nada veem em minha mente além de coisas horríveis. Choro em silêncio.
Minutos se passaram, falhei na tentativa de voltar para Águazul e contornar a situação, mas ainda tinha Lael, o maior medo que sentia não era por mim e sim por meu filho, a reação de Lorenzo ao descobrir que basicamente escondi a existência do seu filho. Será que ele quer ser pai?
Me assusto ao ver Pedro batendo na janela do carro, descansava minha cabeça no volante. Hesitante sair do carro, antevendo Lael.
- O que quer Pedro?
- Não quero nada senhora, mas seu marido com certeza quer uma excelente explicação.
Apontou para trás de mim, virei imediatamente. Fechei meus olhos orando para que fosse só mais um maldito pesadelo, aversada pela figura a pouca distância de mim, sairia correndo se meu filho não estivesse dentro do carro.
- Justo hoje que planejava uma noite romântica, você resolve fugir, Zafira - seu tom de voz é horripilante.
- Por favor! Me deixe... - sussurrei.
Abrir meus olhos. Ele sempre com a expressão dura, fria no rosto, sem esboçar bondade alguma, ele parecia maior que antes, mais forte e cruel. Sua mandíbula trincou, ao vim se aproximando de mim, dando passos furiosos. Pedro e sua tropa se atentaram em dar caminho para os demais carros que residiam ainda aqui, eles foram passando pelos lados.
Apavorada abrir a porta do carro para tentar fugir, mas não consegui concluir o que minha mente planejou, meu braço foi puxado abruptamente por Lorenzo.
- Quer salvar a porra do teu amante, Zafira? - bradou, me empurrando para longe do carro, resultando em um desequilíbrio em minhas pernas trêmulas.
Cair na rua. Me encolhi apavorada que me batesse, mas ele somente me pegou pela parte da nuca, machucando meu couro. O som do choro de Lael tirou sua atenção de mim.
Levantei rapidamente para o impedir de abrir a porta do carro, mas Tânia veio me segurar.
- Não faça mal a ele, por favor! - pedir.
Debati-me para que minha mãe me soltasse, Lorenzo abriu a porta de trás,
onde meu bebê estava, meu coração parou por uns minutos vendo arma em sua mão.
- Que porra! - bravejou, saiu do carro segurando-o nos braços.
Meu coração martelava dentro do meu peito, Lorenzo guardou sua arma e ajeitou Lael, e me olhou com ódio, se conseguisse me mataria dessa forma.
- Esse é Lael, Lorenzo - diz minha mãe. - Não é o amante de Zafira, mas sim o filho lindo de vocês dois, meu neto.
- Cala a porra da boca! - pegou novamente seu arma e apontou para nós duas. - As duas vão sofrer, você, Tânia, por não fazer o que mandei que era para cuidar que Zafira ficasse na linha fazendo tudo direito. E você minha linda esposa por tentar novamente fugir de mim e principalmente por OUSAR ESCONDER MEU FILHO!
- Lorenzo, me dê Lael - pedi chorando, o que importava agora não eram suas ameaças e sim meu filho.
- Não vai tocar nele, vai ter que fazer por merecer Zafira. Voltei para casa e vou colocar ordem nessa porra!