Lorena apertou os dedos contra o tecido do vestido enquanto o avião pousava.
O coração batia rápido demais.
Desde que o tio aparecera desesperado em seu pequeno apartamento nos Estados Unidos, dizendo que precisava da ajuda dela para resolver "um problema", tudo parecia estranho. Confuso.
E agora ali estava ela.
Em outro país.
No meio do deserto.
Sem entender por que o tio parecia tão nervoso desde que desembarcaram.
Assim que saíram do aeroporto, homens vestidos de preto os aguardavam do lado de fora. Nenhum deles sorriu. Nenhum falou mais do que o necessário.
Lorena sentiu o desconforto crescer dentro do peito ao entrar no carro escuro ao lado do tio.
- Tio... o que está acontecendo? - perguntou baixo.
Ele demorou a responder.
- Só faz o que mandarem, Lorena.
Ela franziu o cenho imediatamente.
- O quê?
Mas ele desviou o olhar para a janela.
E aquilo fez o estômago dela gelar.
O restante do trajeto aconteceu em silêncio.
Do lado de fora, o deserto parecia infinito. Quente. Vazio. A paisagem dourada contrastava violentamente com o nó de ansiedade crescendo dentro dela.
Então o carro desacelerou.
Lorena ergueu os olhos.
E prendeu a respiração.
A mansão diante deles era gigantesca.
Luxuosa.
Imponente.
Parecia pertencer a outro mundo.
Homens armados permaneciam espalhados pela entrada, atentos a cada movimento.
O carro parou completamente.
Antes que Lorena pudesse perguntar qualquer coisa, a porta foi aberta por um dos homens.
- Desça.
A voz firme fez seu coração acelerar.
Ela saiu devagar, sentindo o calor sufocante atingir seu corpo imediatamente.
Então viu ele.
Parado no alto da escadaria da mansão.
Rashid Al-Hassan.
Mesmo distante, sua presença parecia esmagar tudo ao redor. Alto. Imóvel. Dominante.
Os olhos castanho-escuros estavam fixos nela desde o instante em que saiu do carro.
Lorena sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Instinto.
Perigo.
O tio desceu logo em seguida, limpando discretamente o suor da testa antes de forçar um sorriso nervoso.
- Sheik Rashid... como prometido.
Prometido?
Lorena virou-se rapidamente para ele.
- Tio...?
Mas ele não conseguiu encará-la.
E naquele instante, o medo começou a crescer de verdade.
- Sua dívida... - Lorena murmurou devagar, sentindo o coração acelerar ainda mais. - O que você fez?
O homem respirou fundo.
- Eu não tive escolha.
Ela deu um passo para trás.
- Não...
- Ela pagará o que devo - ele disse rapidamente, quase atropelando as próprias palavras.
Lorena ficou imóvel.
O som do vento pareceu desaparecer.
- O quê...?
A garganta queimou.
- Você... está me vendendo?
A pergunta saiu fraca. Quebrada.
O tio fechou os olhos por um instante.
Covarde.
- É a única maneira.
Lorena sentiu os olhos arderem imediatamente.
- Não... por favor...
Rashid começou a descer os degraus lentamente.
Sem pressa.
Sem demonstrar emoção alguma.
Cada passo fazia o desespero dela aumentar.
Quando ele finalmente parou diante dela, Lorena percebeu o quanto sua presença era intimidadora de perto.
Ele era lindo.
Mas havia algo assustadoramente frio em seu olhar.
Algo que fazia seu corpo inteiro querer recuar.
Os olhos dele deslizaram lentamente sobre seu rosto.
Depois pelo corpo.
Observando.
Analisando.
Como se ela já fosse dele.
Lorena abaixou o olhar imediatamente, incapaz de sustentar aquele contato por muito tempo.
- Você entende o acordo feito pelo seu tio? - Rashid perguntou.
A voz baixa e controlada causou mais medo do que um grito causaria.
Lorena apertou as mãos trêmulas.
- Eu... eu não fiz nada...
Ela odiou a fragilidade na própria voz.
Rashid inclinou levemente a cabeça.
Então ergueu a mão.
Lorena congelou.
Os dedos dele tocaram seu queixo com firmeza, fazendo-a levantar o rosto novamente.
O toque não era agressivo.
Mas possessivo.
Dominador.
Como se ele já tivesse decidido exatamente o que ela seria dali em diante.
- A dívida será paga - Rashid disse calmamente.
As lágrimas encheram os olhos de Lorena.
- Por favor... eu posso trabalhar... posso fazer qualquer coisa...
Dois guardas seguraram seus braços antes que ela pudesse continuar.
O pânico finalmente a atingiu por completo.
- Não! - ela tentou se soltar, a respiração falhando. - Me solta, por favor!
Rashid apenas a observava.
Frio.
Impassível.
Aquilo a aterrorizava mais do que gritos ou ameaças.
- Levem-na para dentro.
Lorena virou-se desesperadamente para o tio.
Esperando qualquer coisa.
Um arrependimento.
Um pedido de desculpas.
Mas ele já estava entrando novamente no carro.
Indo embora.
Deixando-a ali.
Sozinha.
As lágrimas escorreram pelo rosto de Lorena enquanto era conduzida até a entrada da mansão.
Tudo parecia distante.
Irreal.
As enormes portas se abriram lentamente diante dela.
Como se aquele lugar já a estivesse esperando.
Lorena respirou fundo, tentando conter o choro.
Mas, no fundo, uma verdade cruel começava a se formar dentro dela.
Sua vida nunca mais seria a mesma.