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Désirée

Désirée

img Romance
img 14 Capítulo
img Corine Guenièvre
5.0
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Sinopse

Após sucessivos ataques de ansiedade, os homens de confiança de Caio decidem que o maior criminoso do mundo precisa da ajuda de um especialista. O que ninguém poderia prever é que o temido mafioso se apaixonaria por sua psicóloga transformando cada sessão em uma obsessão. Enquanto as autoridades correm contra o tempo para desvendar a identidade do maior contrabandista de armas do planeta, Caio se vê prisioneiro de um sentimento que a mulher não compartilha. Determinado a conquistá-la, ele passa a persegui-la e exigir sua presença 24 horas por dia, acreditando que nada, nem mesmo a lei, poderá impedi-lo de tentar se casar com ela.

Capítulo 1 Um

Não deveria ser algo relevante, ainda mais para alguém como ele. Mas cada deslize se tornava uma catástrofe e quando os que estavam ao redor percebiam, já era tarde, pois as mãos de Caio tremiam, o peito arfava como se o ar fosse insuficiente e os olhos, antes frios e calculistas, vagavam em puro desespero.

No início, suas crises se limitavam a agitar as pernas, como se quisesse expulsar a raiva do corpo. Depois vieram os punhos cerrados, batendo contra mesas e paredes. Agora, porém, a fúria havia tomado proporções incontroláveis. Caio derrubava objetos, gritava ordens desconexas e lançava insultos, revelando que nem mesmo o homem mais temido do submundo conseguia dominar o próprio corpo.

Seu braço direito observava em silêncio, cada vez mais inquieto. Já havia visto o chefe perder o controle antes, mas nunca daquela forma. Os gritos ecoavam pelo salão, misturados ao som de objetos se espatifando contra o chão. Caio, o homem que fazia ministros tremerem e rivais desaparecerem, agora parecia um animal encurralado dentro da própria mente.

O subordinado respirou fundo. Sabia que não podia mais ignorar. Aquilo não era apenas raiva, mas algo que corroía Caio por dentro, algo que poderia destruir o império que haviam construído. Se o maior criminoso do mundo estava à beira de se despedaçar, alguém precisava intervir.

Enquanto Caio descarregava sua fúria contra a pobre cozinheira, o braço direito tomou uma decisão. Pegou a lista telefônica sobre a mesa do escritório e, com o celular em mãos, começou a digitar no Google os nomes que encontrava nas páginas, vasculhando referências e notas dos especialistas. Não havia mais tempo para argumentar. O chefe precisava de ajuda. Se ninguém agisse rápido, aquele homem poderoso acabaria sucumbindo a um infarto ou à própria loucura.

Depois de alguns minutos de busca, encontrou um nome que parecia promissor. Respirou fundo e discou. O toque do telefone pareceu durar uma eternidade até que a voz calma atendeu:

- Consultório Almeida, boa tarde.

O subordinado engoliu seco.

- Boa tarde... eu preciso marcar uma consulta urgente para uma terceira pessoa.

― Seria um membro da família? ― questionou a atendente do outro lado.

― Sou o secretário dele, não sei se posso marcar esse tipo de consulta, mas é um pouco urgente.

Do outro lado da linha, a atendente hesitou.

― Entendo..., mas para que a doutora possa avaliar, preciso de algumas informações básicas como... nome, idade, sintomas...

O subordinado fechou os olhos por um instante. Não podia revelar demais, mas também não podia perder aquela oportunidade.

― Ele tem quarenta anos. É... um homem de negócios. Ultimamente tem sofrido crises intensas: tremores, falta de ar, explosões de raiva. Está piorando a cada semana. Se não receber ajuda, temo pelo que pode acontecer.

― Ok e qual o nome e sobrenome dele?

― Caio... ― suspirou. Houve silêncio. O subordinado sentiu medo da decisão que estava tomando. Se Caio descobrisse que ele havia marcado uma consulta sem autorização, poderia ser o fim. Mas também se não fizesse nada, o chefe poderia morrer diante de todos. ― Caio Leone.

A voz da atendente voltou, calma demais:

― A doutora pode recebê-lo amanhã as 10 horas, em caráter emergencial. Será uma consulta reservada, sem registros públicos. Acredito que esse seja seu propósito, certo?

E ela realmente estava certa. O mundo não sabia que Caio Leone era um criminoso por baixo dos panos, mas sabia que ele era acionista majoritário em diversas empresas de grande nome espalhadas pelo mundo. Seu nome estava estampado em diversas revistas e obviamente seria motivo de burburinho por aí se soubesse de qualquer coisa, mesmo a mais aleatória sobre sua rotina. Então, ao menos a atendente havia captado que aquilo não era um trote e que o homem na linha realmente estava desesperado. O subordinado soltou o ar que nem percebia estar prendendo.

― Perfeito. Eu cuidarei para que ele esteja lá.

Ao desligar, suas mãos ainda tremiam. Sabia que o verdadeiro desafio começaria quando terminasse de contar sobre esse suposto passeio ao chefe, pois teria que convencer Caio a comparecer. E, no fundo, temia que o maior criminoso do mundo não aceitasse ajuda tão facilmente.

Enquanto o homem tentava conter o chefe em surto, do outro lado da cidade a recepcionista encerrava a ligação com um suspiro discreto. O telefonema havia sido tenso, pois um secretário em completo desespero pedia ajuda urgente para alguém. Ainda intrigada com o tom aflito da voz, ela registrou no computador as informações recebidas, digitando com rapidez.

Assim que lançou as informações no sistema, ouviu ao longe o arrastar da cadeira no escritório. A psicóloga surgiu rapidamente pela porta com a testa marcada por uma ruga de preocupação. Seu olhar atento denunciava que algo naquelas anotações havia chamado sua atenção mais do que o habitual.

― Leone? ― perguntou a psicóloga, franzindo a testa para a recepcionista. ― Está falando do cara do hambúrguer?

A recepcionista deu um meio sorriso nervoso.

― No começo eu também achei que fosse uma piada, um meme qualquer. Mas o homem que ligou não parecia estar brincando. E... posso jurar que ouvi alguém gritando ao fundo e a voz era idêntica à do Caio Leone dos comerciais, mas cheia de raiva.

― Acha mesmo que era o Caio Leone? ― A psicóloga estreitou os olhos, ainda incrédula e a recepcionista assentiu, nervosa.

― Não posso garantir, mas a voz era muito parecida. E como eu disse o secretário... parecia desesperado, quase implorando. Não parecia alguém inventando uma história.

A psicóloga recostou-se na porta, cruzando os braços. O nome Leone não lhe era estranho. Já ouvira falar dele em reportagens, comerciais, até em boatos que circulavam pela cidade. Mas nunca imaginou que um homem com aquela reputação não tivesse os maiores nome da psicologia cuidando dele.

― Bom... vamos ficar sabendo amanhã então.

A recepcionista fez positivos com os dedos, mantendo um sorriso nervoso no rosto. Não sabia bem se aquilo era verídico ou se era só uma brincadeira muito estúpida, mas se fosse seria só um fato que seria enterrado com as demais frustrações que ocorriam quase todos os dias em seu trabalho.

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