Vivian estava de pé diante das enormes janelas que iam do chão ao teto do escritório executivo da Mercer Capital. Seus dedos seguravam duas confirmações impressas de um jato particular para Martha's Vineyard com tanta força que as bordas do papel cortavam sua pele.
Seu coração martelava um ritmo frenético contra suas costelas.
As pesadas portas duplas de mogno se abriram. Landon Mercer entrou na sala a passos largos. Ele usava um terno Tom Ford feito sob medida, e sua presença instantaneamente sugou o oxigênio do enorme espaço.
Vivian deu um passo à frente. Ela estendeu as confirmações de voo.
Landon nem sequer olhou para ela. Ele passou direto por sua mão estendida e se dirigiu aos decantadores de cristal no bar.
O gelo tilintou contra o vidro pesado. Ele serviu uma dose generosa de bourbon. O som agudo ecoou no silêncio sufocante da sala.
Vivian puxou uma respiração curta e trêmula.
"Landon", disse ela, com a voz trêmula. "Sobre o itinerário para este fim de semana..."
Landon se virou. Ele tomou um gole de sua bebida. Seus olhos frios e escuros a examinaram da cabeça aos pés, avaliando-a como um móvel de escritório em depreciação.
"Eu vou para a ilha com a Whitney neste fim de semana", ele declarou. Seu tom era seco, não deixando espaço para discussão.
O estômago de Vivian revirou. Uma onda de náusea a atingiu com tanta força que ela teve que travar os joelhos para se manter de pé. Ela mordeu o lábio inferior, sentindo o gosto metálico de sangue, lutando contra a ardência das lágrimas em seus olhos.
Ela caminhou até a enorme mesa de mogno. Colocou o tablet sobre ela.
"Então, precisamos terminar com isso", disse ela. Sua voz era quase um sussurro. "Eu quero terminar."
O dedo de Landon parou na borda de seu copo de cristal. Uma risada baixa e zombeteira retumbou em seu peito.
Ele pousou o copo e diminuiu a distância entre eles. Sua alta estatura bloqueou a luz do sol que entrava pelas janelas, lançando uma sombra escura sobre o rosto dela.
Ele estendeu a mão. Seus dedos se fecharam em torno da mandíbula dela como um torno de aço, forçando sua cabeça para cima. Ela não teve escolha a não ser olhar em seus olhos gélidos.
"Deixe-me lembrá-la de uma coisa, Vivian", ele disse suavemente. "Você é uma ninguém do Orfanato St. Agnes."
Vivian agarrou o pulso dele. Ela tentou afastar a mão dele, mas seu aperto era irremovível. A dominância física fez seu peito se apertar com um desamparo absoluto.
"Você nunca cruzará o limiar da sociedade de Boston", Landon continuou, seu polegar cravando na bochecha dela. "Você é uma namorada conveniente. Nada mais."
Uma única lágrima escapou. Rolou por sua bochecha e caiu na ponta polida de seu sapato de couro italiano feito à mão.
Landon olhou para a mancha úmida. Seu lábio superior se curvou em nojo.
Ele soltou a mandíbula dela abruptamente. Enfiou a mão no bolso do peito, tirou um lenço de seda e limpou os dedos. Ele os limpou meticulosamente, como se a pele dela tivesse deixado uma camada de sujeira nele.
Ele virou as costas para ela e se sentou em sua cadeira executiva de couro. Ele abriu uma gaveta, pegou um talão de cheques e assinou seu nome. Ele destacou o cheque e o jogou no centro da mesa. A linha do valor estava completamente em branco.
"Cuide de buscar a Whitney no aeroporto", Landon ordenou, seus olhos já se voltando para os dados do fundo de cobertura em seus monitores. "E pare com esses joguinhos patéticos de se fazer de difícil. Isso me entedia."
Vivian encarou o cheque em branco. O papel branco brilhava sob a luminária da mesa. A pura humilhação daquilo subiu por sua garganta, sufocando-a.
Ela não pegou o cheque. Em vez disso, deu um passo para trás, colocando distância entre si e a mesa de mogno.
Landon percebeu o movimento. Ele franziu a testa, ajeitando seus punhos caros.
"Não teste a minha paciência, Vivian", ele avisou.
Vivian abaixou a cabeça. Seu longo cabelo escuro caiu para a frente, escondendo a repentina e absoluta falta de vida em seus olhos.
"Eu entendo", ela sussurrou.
Ela se virou e caminhou em direção à porta. Suas pernas pareciam feitas de chumbo. Cada passo enviava uma dor surda por sua espinha.
Atrás dela, Landon soltou um bufo desdenhoso. O som do teclado dele recomeçou.
Vivian envolveu a mão na maçaneta fria de latão. Seus nós dos dedos ficaram completamente brancos.
Ela empurrou a porta para abri-la. O ar fortemente condicionado do corredor atingiu seu rosto, trazendo seu cérebro caótico para um foco nítido.
A pesada porta de mogno se fechou com um clique atrás dela. O som a separou completamente da gaiola dourada da velha elite de Boston.
Vivian encostou as costas na parede fria do corredor. Ela enfiou a mão no bolso e pegou seu celular.
Seu polegar rolou por seus contatos até um número salvo sem nome.
Ela pairou o polegar sobre a tela por três segundos. Seu peito subia e descia rapidamente.
Ela apertou enviar.
A mensagem continha apenas quatro palavras: Eu aceito me casar.
O brilho fraco da tela iluminou seu rosto pálido e rígido. O som suave do envio da mensagem ecoou claramente no corredor vazio e silencioso.