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O Preço Que Paguei Por Você

O Preço Que Paguei Por Você

img Romance
img 18 Capítulo
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Sinopse

Ele construiu um império acreditando em uma única regra: todo mundo tem um preço e nunca esteve errado. Até Carolina. Yan não acredita em amor, acredita em controle, em contratos, em pessoas que sempre acabam cedendo. Para ele, desejo é só mais uma variável que pode ser organizada. Então, quando ela surge com um olhar que não baixa e uma presença que não pede permissão, ele faz o que sempre fez: transforma tudo em um acordo. Sem sentimentos. Sem promessas. Sem espaço para erro. E ela aceita. Mas não pelo motivo que ele imagina. Carolina sabe exatamente o que o dinheiro pode destruir, porque já perdeu tudo por causa dele. Ela não quer o poder de Yan, nem o controle, nem o conforto. Ela quer ele. E isso muda completamente o jogo. Porque enquanto ele acredita que está comprando mais uma mulher, ela entra na vida dele com a única coisa que ele não sabe controlar: intenção. Entre provocações afiadas, silêncios que queimam e uma atração que cresce onde nenhum dos dois admite, eles começam um jogo onde ninguém está dizendo a verdade completa. Ele a mantém perto... mas nunca o suficiente. Ela fica... mas nunca da forma que ele espera. Até que o contrato deixa de ser um acordo e vira uma ameaça. Porque quando o sentimento atravessa o controle de Yan, não existe negociação, só ruptura. E amar um homem que não acredita no amor pode custar mais do que qualquer preço. Ele sempre acreditou que podia comprar qualquer pessoa... mas Carolina não está à venda. E quando ele perceber isso, talvez já seja tarde demais para sair.

Capítulo 1 O olhar que não esquece

Carolina

Eu reconheci antes de ver.

Não o rosto.

Não o corpo.

O efeito.

Como se alguém tivesse puxado algo dentro de mim; rápido, bruto e sem aviso.

E de repente...

eu não estava mais no controle.

Droga.

Eu não devia sentir isso.

A música pulsa baixa, grave, preenchendo o espaço com um ritmo que parece bater direto no peito. Luz âmbar escorre pelas mesas, refletindo em copos caros, em olhares que fingem não ver, em intenções que ninguém admite.

O cheiro é de madeira polida, perfume caro... e desejo mal escondido.

Eu conheço esse ambiente.

Eu domino esse tipo de lugar.

Ou pelo menos... sempre dominei.

Eu observo.

Não por curiosidade.

Por estratégia.

O homem no centro ri alto demais. Precisa ser visto. Precisa ser validado. À esquerda, um casal que já desistiu um do outro, mas ainda não teve coragem de admitir. À direita, investidores tentando parecer maiores do que realmente são.

Eu poderia escolher qualquer um.

Mas não escolho.

Porque já senti.

Antes mesmo de ver.

Um silêncio diferente dentro do barulho.

Um tipo de presença que não disputa espaço... ocupa.

E quando eu levanto os olhos.

O mundo inteiro erra o ritmo.

Ele.

Encostado perto da parede de vidro, onde a cidade se derrama em luzes líquidas. Escuro. Imóvel. Alinhado demais para ser casual.

Não segura um copo.

Não fala.

Não ri.

Ele observa.

E o pior?

Por um segundo - só um - eu tenho certeza de que ele já estava me olhando antes mesmo de eu chegar.

Meu estômago contrai.

- Não pode ser...

Eu não devia sentir isso.

Não de novo.

Não depois de tudo.

Sustento o olhar.

Não desvio.

Nunca desvio.

Mas algo ali muda.

O tempo desacelera, como se o ar entre nós tivesse ficado mais denso. A música perde definição. As vozes viram ruído distante.

Fica só o olhar.

Direto.

Fixo.

Sem pressa.

Perigoso.

E familiar demais.

Meu corpo reage antes da minha cabeça.

Calor.

Tensão.

Memória.

- Ele ainda me afeta.

Não.

Não pode ser ele.

Mas o jeito que ele olha-

Como se já me conhecesse.

Como se já tivesse me visto quebrar.

Como se soubesse exatamente onde tocar... mesmo sem tocar.

Eu deveria ignorar.

Virar.

Escolher alguém fácil.

Cumprir o papel.

Mas eu não me mexo.

Porque tem algo ali...

Algo errado.

Algo que não pede.

Não chama.

Mas prende.

Inclino o queixo, leve.

Um convite.

Um teste.

Venha.

Ele não vem.

Claro que não.

Homens como ele não atravessam espaços.

Eles fazem o espaço vir até eles.

Um sorriso toca o canto da minha boca.

- Arrogante...

Ou talvez...

Seguro demais.

Eu desvio primeiro.

Não como rendição.

Como estratégia.

Pego uma taça, giro o líquido devagar. Não bebo. Só sinto o frio do vidro contra os dedos, tentando ancorar o que começou a escapar dentro de mim.

Respiro.

Um.

Dois segundos.

Mas não adianta.

Porque eu sinto.

A atenção dele não vacila.

Não acompanha o resto.

Fica em mim.

Como se estivesse medindo cada gesto. Cada pausa. Cada erro.

Avaliação silenciosa.

Perigo real.

Eu caminho.

Não direto até ele.

Nunca direto.

Passo por mesas, sorrio no momento certo, deixo o corpo falar onde palavras seriam demais.

Mas nada disso é para eles.

É para ele.

E ele sabe.

Droga... ele sabe.

Quando paro no bar, sinto antes de olhar.

Ele ainda está lá.

Imóvel.

Mas não é ausência.

É controle.

Homens ausentes se escondem.

Homens como ele... esperam.

Inclino a cabeça de novo.

Mais claro.

Venha.

Ele não vem.

O ar muda.

Não é rejeição.

É escolha.

E isso-

isso mexe comigo de um jeito que eu não gosto.

Um calor sobe pela minha pele.

Lento.

Inconveniente.

Perigoso.

- Curiosidade...

Eu odeio curiosidade.

Curiosidade tira o controle.

Viro o corpo inteiro na direção dele.

Sem jogo lateral.

Sem distração.

Se ele quer assim...

Então tudo bem.

Dou um passo.

Outro.

O som do salto marca o chão.

Firme.

Ritmo constante.

Controle.

Quando estou perto-

perto demais-

eu percebo.

Os olhos dele não percorrem meu corpo.

Eles ficam.

No meu rosto.

Como se o resto não importasse.

Como se ele estivesse procurando...

alguma coisa.

E meu peito aperta.

Porque eu sinto-

ele já encontrou.

Paro.

Sem tocar.

Ainda não.

O silêncio entre nós pesa.

Cheio demais.

Vivo demais.

Inclino o rosto.

- Você costuma ignorar convites... ou só os que te interessam?

Minha voz sai estável.

Mas por dentro-

não está.

Ele não responde de imediato.

Claro que não.

Os olhos descem um segundo.

Voltam.

Precisos.

- Eu não ignoro.

Pausa.

- Eu decido quando responder.

A resposta entra devagar.

Mas o impacto-

não.

Meu coração muda o ritmo.

Droga.

Isso não estava no plano.

- E já decidiu?

Agora eu espero.

Ele inclina a cabeça.

Quase nada.

Mas cheio de intenção.

- Ainda estou avaliando.

Eu solto uma pequena risada.

Baixa.

- Então avalie rápido. Eu não costumo repetir convites.

O canto da boca dele se move.

Quase.

Não é sorriso.

Mas também não é indiferença.

- Eu percebi.

Silêncio.

Mais um.

Mais longo.

E então-

- Carolina?

A voz vem de trás.

Carina.

Claro.

Sempre no pior momento.

Sempre onde não deve.

Eu fecho os olhos por um segundo.

- Não agora...

Mas já é tarde.

Ela se aproxima, a presença carregada de perfume doce demais e intenção mal disfarçada.

O olhar dela vai direto para ele.

E muda.

Ciúme.

Reconhecimento.

- Você não faz ideia... - ela murmura, quase para mim - de com quem está falando.

Meu corpo enrijece.

- Carina, não-

Mas ela já está dentro.

- Yan não é alguém que você simplesmente... escolhe.

O nome bate.

Forte.

Yan.

Droga.

Meu peito aperta.

Porque agora faz sentido.

Agora tudo faz sentido.

E pior-

eu lembro.

Fragmentos.

Um passado que eu não queria tocar.

Um nome ligado a outro.

Ernesto.

Perigo.

Real.

Meu estômago vira.

Ele percebe.

Claro que percebe.

- Por que você voltou? - a pergunta escapa antes que eu consiga segurar.

Silêncio.

Yan não responde.

Mas o olhar-

o olhar dele muda.

Mais fundo.

Mais pesado.

Mais... consciente.

- Se você soubesse...

Ele não termina.

Mas não precisa.

Porque eu sinto.

Tudo o que ficou enterrado-

não está mais.

E o pior?

Eu ainda quero.

Droga... eu ainda quero.

Carina segura meu braço.

Forte.

- Fica longe dele.

Eu puxo.

Solto.

- Não me diz o que fazer.

Mas minha voz não sai tão firme quanto deveria.

Yan dá um passo.

Só um.

Mas o ar muda completamente.

- Tarde demais.

Ele diz baixo.

E aquilo-

aquilo não é só resposta.

É aviso.

Meu coração dispara.

Minha cabeça grita.

- Não posso me aproximar...

Mas meu corpo-

não escuta.

Porque algo já começou.

Algo que eu não controlo.

Algo que eu não deveria querer.

Mas eu quero.

E isso-

isso vai dar errado.

Muito errado.

E mesmo assim...

Eu não recuo.

Não agora.

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