Elara, com sua intuição afiada, sentiu que algo estava terrivelmente errado. Ela havia tratado dos feridos em batalhas anteriores, mas dessa vez havia um peso diferente no ar, uma sensação de desespero que ela não conseguia ignorar. Decidida a ajudar, ela se dirigiu ao centro da cidade, onde os cidadãos se preparavam para defender suas casas.
Enquanto isso, fora das muralhas, Alden, agora completamente imerso em sua identidade como Sombra Negra, observava Eldoria. A cidade que ele uma vez protegeu estava prestes a sentir a sua fúria. Seus generais se aproximaram, esperando suas ordens. Ele levantou a mão, sinalizando para que se preparassem para o ataque. As catapultas foram posicionadas, e os arqueiros se prepararam para disparar suas flechas flamejantes.
Dentro das muralhas, o capitão da guarda, Sir Gareth, um homem forte e experiente, organizava suas tropas. Ele sabia que o inimigo era implacável e que a luta seria difícil. Ao avistar Elara, ele se aproximou. "Elara, sua ajuda será crucial. Temos muitos feridos e mais virão. Precisamos de você no hospital."
Elara assentiu, mas uma parte dela queria entender melhor quem estava por trás desse ataque. Quem era essa Sombra Negra que espalhava terror por onde passava? Enquanto se dirigia ao hospital, sua mente se enchia de perguntas e um pressentimento sombrio.
O primeiro ataque foi brutal. As catapultas lançaram pedras e fogo contra as muralhas, enquanto as flechas choviam sobre os defensores. As defesas de Eldoria eram fortes, mas o inimigo parecia infinito. Sir Gareth liderava seus homens com bravura, mas cada baixa enfraquecia suas linhas.
Dentro do hospital, Elara trabalhava incansavelmente, tratando dos feridos que chegavam. Sangue, suor e lágrimas se misturavam enquanto ela fazia o possível para salvar vidas. No meio da confusão, um jovem soldado entrou, gravemente ferido. "Eles são muitos... ele está vindo... a Sombra Negra... ele não vai parar..."
Elara sentiu um frio na espinha. Quem era esse líder que inspirava tanto medo? Ela olhou pela janela do hospital e viu a silhueta de Alden. Seu coração parou por um momento. Embora estivesse distante, havia algo familiar naquela figura. Poderia ser ele?
O dia se transformou em noite, e a batalha continuava feroz. As muralhas de Eldoria ainda resistiam, mas os defensores estavam exaustos. Alden, impassível, ordenou um segundo ataque. Desta vez, ele próprio lideraria a investida. Com uma espada em mãos e uma determinação fria, ele avançou.
Elara, do hospital, sentiu uma onda de desespero. Ela sabia que tinha que fazer algo. Pegou um manto e se cobriu, saindo furtivamente em direção às muralhas. Talvez, apenas talvez, ela pudesse deter Alden antes que ele destruísse tudo.
Ao se aproximar da linha de frente, viu o caos da batalha e os rostos dos soldados que lutavam por suas vidas. E então, ela o viu. Alden, agora completamente irreconhecível, liderava o ataque com uma ferocidade inumana. Elara reuniu toda a sua coragem e gritou seu nome.
"Alden!"
Por um breve momento, o tempo pareceu parar. Alden virou-se, seus olhos encontrando os de Elara. Houve um lampejo de reconhecimento, uma faísca do homem que ele costumava ser. Mas a sombra da raiva e do ódio rapidamente apagou aquela faísca.
"Saia daqui, Elara," ele gritou. "Você não entende. Tudo isso precisa acabar."
Elara deu um passo à frente, lágrimas nos olhos. "Não é tarde demais, Alden. Por favor, pare. Lembre-se de quem você era, de quem você é."
A batalha rugia ao redor deles, mas naquele momento, apenas os dois existiam. Alden hesitou, sua mão tremendo na espada. As palavras de Elara haviam atingido algo profundo dentro dele, algo que ele pensou ter perdido para sempre.
Mas antes que ele pudesse responder, um de seus generais avançou. "Senhor, temos que continuar. Não podemos nos deter agora."
Alden olhou para Elara uma última vez, seus olhos cheios de uma mistura de dor e determinação. "Vá embora, Elara. Não posso parar agora."
Elara sabia que não poderia fazer mais nada naquele momento. Com o coração pesado, ela recuou, voltando para o hospital. A batalha continuaria, mas uma pequena semente de esperança havia sido plantada. Talvez, apenas talvez, Alden ainda pudesse ser salvo.