Minha Atrevida
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Capítulo 4 Nathifa

Me tranquei no quarto assim que cheguei em casa. Precisava estar sozinha.

Precisava tirar aquilo de dentro de mim.

Meu corpo estava inquieto desde que Armed encostou em mim mais cedo.

Um toque simples. Rápido. Mas suficiente para me deixar pulsando de desejo o resto do dia.

Era vergonhoso o quanto ele me afetava.

Era insano o quanto eu o queria.

E o pior de tudo: eu não conseguia parar.

Abri a gaveta da escrivaninha, peguei meu caderno de capa preta e uma caneta azul. Meu diário. O único lugar onde eu podia ser verdadeira. Onde eu podia ser suja, impura, ousada... sem julgamento.

Abri na página em branco e comecei a escrever, sem pensar.

As palavras escorriam como um desabafo urgente.

Querido diário,

Eu tô ficando louca.

Louca por ele. Por Armed.

Por esse homem que tenta se esconder atrás de uma muralha de autocontrole, como se isso fosse suficiente pra me afastar.

Hoje, ele me tocou. Só os dedos. Só um segundo.

Mas, Deus...

Aquele toque me queimou.

Foi como se meu corpo todo respondesse. Como se ele soubesse exatamente onde me atingir.

E eu me odeio por isso. Por estar aqui, trancada, deitada nessa cama... desejando que ele tivesse me agarrado ali mesmo, entre os rolos de tecido. Que tivesse me pressionado contra o balcão e calado minha boca com um beijo urgente, faminto, sem freio.

Sou virgem.

Nunca estive com homem nenhum.

Mas meu corpo quer ele de um jeito que assusta.

Eu sonho com o que ele pode fazer comigo.

Com a forma como ele me olharia ao tirar minha roupa...

Com suas mãos explorando minha pele, seus dedos me marcando como dele, sua voz rouca dizendo o quanto me quer.

Quero que ele me pegue com força. Que rasgue esse vestido idiota que uso pra provocá-lo.

Quero ouvir meu nome sair da boca dele enquanto ele perde o controle.

E o pior?

É que eu o quero assim: bruto.

Quero que ele me leve pra cama como se tivesse esperado por isso a vida inteira.

Como se a fome dele fosse maior que a razão.

Como se nada mais importasse além de me fazer dele.

E eu seria.

Seria inteira dele.

**

Parei por um instante, sentindo meu rosto quente. Meu peito subia e descia acelerado. Aquilo era errado? Talvez. Mas era real. Era meu.

E mais que tudo...

Era o que eu queria.

Continuei escrevendo, sem filtro, sem medo.

**

Quero ouvir ele sussurrando no meu ouvido enquanto me prende com o peso do seu corpo.

Quero sentir sua barba roçar no meu pescoço, seu cheiro me embriagar, sua boca percorrer cada parte de mim.

Quero que ele me tire o fôlego.

Quero gritar o nome dele.

Quero que ele me faça mulher.

E quero que ele saiba que, mesmo sem nunca ter estado com ninguém, eu sou dele. Já sou dele. Desde sempre.

Sei que ele tenta resistir. Que se esconde atrás de desculpas e olhares cortados.

Mas eu vejo.

Eu sinto.

Ele me deseja. Talvez mais do que eu o desejo.

E isso me enlouquece.

**

Fechei o caderno com força e o abracei contra o peito. Meu corpo tremia. Não de medo. Mas de excitação.

Ninguém sabia o que eu escrevia ali.

Ninguém, exceto Rebeca.

Peguei o celular e, mais uma vez, fui até ela.

Falei tudo o que queria com minha cunhada. Se meu irmão souber de tudo o que falei para a Rebeca, ele vai surtar. Sei que ele desconfia que eu amo o amigo dele - ou melhor, o amigo da família há longos anos. E meu pai? Quando descobrir, vai querer me matar. Minha mãe sabe. Contei para ela, e o incrível é que ela não me julgou.

Fechei o chat com um sorriso nos lábios, mordi o dedo e fiquei olhando o teto do quarto.

Talvez eu estivesse mesmo sonhando alto demais.

Mas o que era a vida sem desejos? Sem paixões que tiram o fôlego?

E se Armed era meu pecado...

Que ele me levasse direto pro inferno.

Eu iria sorrindo.

Fechei o caderno e me deitei na cama, deixando o diário ao meu lado como se ele pudesse me abraçar. As palavras ainda queimavam dentro de mim. Tudo o que escrevi parecia pouco perto do que realmente sentia. O desejo não cabia no papel, não cabia em mim.

Fechei os olhos e deixei que minha mente me levasse até ele.

Armed.

Seu nome ecoava como um sussurro proibido.

Aquela barba cerrada, os olhos intensos, o cheiro amadeirado e másculo que ele deixava por onde passava... Eu me lembrava de tudo. O jeito como ele me olhava e fingia não olhar. Como falava comigo tentando parecer firme, mas com a voz falhando só um pouquinho, só o suficiente para me fazer perceber que ele também estava travando uma guerra.

Na minha mente, ele me puxava pela cintura, me pressionava contra a parede da loja quando todos já tivessem ido embora. Suas mãos deslizando por minhas costas, sua boca quente no meu pescoço, e seu corpo me encurralando. Ele me olharia como se eu fosse dele, apenas dele, e naquele olhar não existiria mais dúvida. Nenhuma resistência.

"Você não faz ideia do quanto eu te quero, Nathifa", ele diria, com aquela voz grave que me deixava em chamas.

E eu sorriria. Porque eu sabia.

Eu sabia exatamente o que ele sentia.

Porque eu também sentia.

**

Voltei ao diário, incapaz de conter a necessidade de continuar. Peguei a caneta e escrevi de novo.

Querido diário,

Se um dia ele me tocar de verdade, não vai ter volta.

Eu sinto isso.

Ele vai me consumir, me virar do avesso, e eu vou deixar.

Eu quero ser dele. Inteira. De corpo, alma, pensamento, pele, gemidos e silêncios.

Quero que ele me explore como se tivesse todo o tempo do mundo.

Quero que me ensine. Que me domine. Que me faça esquecer qualquer medo.

Quero que a primeira vez não seja doce.

Quero que seja quente, intensa, suada, cheia de desejo guardado.

Quero sentir suas mãos grandes apertando minha cintura, guiando meus movimentos, me fazendo perder o fôlego.

E depois...

Depois, quero dormir no peito dele, sentindo seu coração batendo forte, como o meu bate agora só de imaginar.

**

Suspirei alto e fechei o diário pela segunda vez. Me levantei da cama e fui até o espelho. Olhei meu reflexo com atenção, analisando cada parte de mim.

Será que ele me via assim?

Mulher?

Ou ainda me via como a filha do melhor amigo?

Aquela dúvida era o que mais doía. Porque mesmo com todos os sinais, mesmo com os olhares que ele tentava disfarçar, a barreira ainda estava lá. E se ele nunca quebrasse? E se eu ficasse presa nesse limbo entre desejo e distância?

Mordi o lábio, inquieta, e me joguei de novo na cama.

Meu celular vibrou. Era uma nova mensagem de Rebeca.

[Rebeca]:

Tô pensando... você já falou pra ele que vai pro Brasil?

Demorei alguns segundos para responder.

[Nathifa]:

Ainda não. Mas vou.

Acho que isso vai mexer com ele.

[Rebeca]:

Vai mesmo. Você vai deixar saudade. E ausência faz homem pensar.

[Nathifa]:

Essa é a intenção.

Quero que ele me deseje até nos sonhos.

[Rebeca]:

Ele já deseja. Você só tá dando o empurrão que ele precisa.

**

Fechei o chat com um sorriso malicioso. Rebeca me conhecia bem demais.

Talvez a viagem fosse uma boa estratégia. Distância para fazer o coração dele sentir o vazio.

E quem sabe, ao voltar, ele não resistisse mais?

Me imaginei no aeroporto, com uma mala na mão e um vestido justo. Armed aparecendo de última hora, segurando meu braço, me puxando para um canto e dizendo:

"Não vai. Fica. Eu não aguento mais te ver indo embora."

Suspirei alto.

Esse era meu maior desejo.

Ser escolhida.

Ser querida.

Ser impossível de ignorar.

**

Mais tarde naquela noite, antes de dormir, escrevi uma última frase no rodapé do diário:

"Eu não sou mais uma menina. E ele já sabe disso. Só precisa ter coragem de me querer do jeito que eu quero ser dele."

Fechei os olhos.

E naquela noite, sonhei com ele.

Com sua voz no escuro.

Com seus dedos traçando meu corpo nu.

Com seu corpo sobre o meu, quente, forte, devoto.

Com nossa primeira vez - intensa, real, inesquecível.

E acordei com a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, esse sonho ia deixar de ser só fantasia.

Porque meu corpo já era dele.

Minha alma já o esperava.

E quando ele finalmente ceder...

Não haverá mais retorno.

            
            

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