Ela estava em frente à biblioteca principal, admirando a arquitetura gótica, quando sentiu um toque leve em seu ombro.
- Eu disse que nos encontraríamos de novo - Jhon apareceu, com aquele sorriso fácil e os olhos brilhando de entusiasmo.
Cecília riu, sentindo o nervosismo desaparecer por um instante.
- Você já está me stalkeando, Jhon?
- Talvez, ou talvez só tenha um radar natural para encontrar pessoas interessantes - ele respondeu, piscando.
Os dois começaram a caminhar juntos, conversando sobre a vida na universidade. Jhon falava com paixão sobre sua pesquisa em história medieval, enquanto Cecília compartilhava seus sonhos de estudar literatura. Cada palavra trocada parecia aprofundar a conexão entre eles, como se fossem amigos há anos.
Mas, no meio da conversa, o telefone de Cecília tocou, interrompendo o momento. Ao olhar o visor, seu coração gelou. Era Peter.
Ela hesitou antes de atender, mas sabia que ignorar não resolveria nada.
- Alô? - sua voz saiu baixa, quase trêmula.
- Então é verdade? Você fugiu para a França? - A voz de Peter era dura, quase acusatória. - Como pôde fazer isso comigo, Cecília?
Ela respirou fundo, tentando manter a calma.
- Eu não fiz isso com você, Peter. Fiz isso por mim. Nós nunca tivemos um futuro juntos, e você sabe disso.
- Seu pai vai ouvir sobre isso. E eu também não vou desistir tão fácil.
Cecília desligou antes que ele pudesse continuar, sentindo um nó apertar em sua garganta. Jhon percebeu a mudança em sua expressão e parou.
- Está tudo bem?
Ela balançou a cabeça, forçando um sorriso que não alcançou seus olhos.
- Só alguém que não sabe a hora de desistir.
Jhon não pressionou, mas seus olhos mostravam preocupação.
- Se precisar conversar, estou por aqui.
Mais tarde, enquanto caminhava sozinha pelas ruas próximas ao campus, Cecília sentiu uma tempestade se formar dentro dela. A ligação de Peter trouxe à tona o peso do que havia deixado para trás. Por mais que tivesse se libertado fisicamente, o controle de seu pai e a obsessão de Peter ainda pairavam sobre sua vida como sombras.
De repente, o som de música vindo de um café próximo chamou sua atenção. A melodia era suave, quase hipnotizante, e a convidou a entrar. Sentada ao piano estava uma mulher de cabelos grisalhos, tocando com paixão e habilidade. Cecília encontrou uma mesa perto da janela e pediu um café.
Enquanto a música preenchia o ambiente, Cecília fechou os olhos e respirou fundo. Aquele momento de paz era exatamente o que ela precisava. Mas sua tranquilidade foi interrompida quando a porta do café se abriu com força, e um homem com um envelope nas mãos entrou.
- Senhorita Harrison? - Ele olhou ao redor até seus olhos pousarem nela.
Cecília franziu a testa, sentindo o estômago revirar.
- Sim, sou eu.
Ele se aproximou e entregou o envelope.
- Isso veio dos Estados Unidos. Me pediram para garantir que você o recebesse pessoalmente.
Antes que pudesse questionar, o homem saiu, deixando Cecília sozinha com o envelope nas mãos. Ao abri-lo, encontrou uma carta com a caligrafia familiar de seu pai. As palavras eram duras, repletas de ameaças e promessas de trazê-la de volta à força.
Seu coração disparou, mas ao mesmo tempo, algo dentro dela se fortaleceu. Cecília sabia que não seria fácil escapar das amarras de sua antiga vida, mas naquele momento, prometeu a si mesma que lutaria até o fim.
Ao sair do café, sentiu o ar frio tocar seu rosto e olhou para o céu. Era como se a tempestade que pairava sobre ela fosse apenas o começo de algo maior. Algo que ela precisava enfrentar para, finalmente, ser livre.
E, no fundo, sabia que Jhon Lapierri seria uma parte importante dessa jornada. Mesmo sem saber como ou por quê, ele já havia se tornado uma âncora em sua nova vida.