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O vento cortava a floresta como um aviso. A noite estava densa, e a lua cheia mal conseguia atravessar o emaranhado de galhos retorcidos que se erguiam como dedos esqueléticos em direção ao céu. Aelynn apertou o cabo de sua adaga, os ouvidos atentos a qualquer som além do farfalhar das folhas.
Ela não deveria estar ali.
Os mais velhos sempre contaram histórias sobre o que acontecia com aqueles que ousavam ultrapassar as fronteiras de Eldorath, o reino dos elfos. Mas Aelynn nunca foi de se curvar a contos antigos. Existiam segredos escondidos entre as árvores, e ela estava decidida a descobri-los.
Um estalo ecoou na escuridão.
Aelynn girou sobre os calcanhares, a adaga pronta para atacar, os olhos dardejando na penumbra. Um vulto se moveu entre as árvores, rápido e silencioso. Seu coração martelou dentro do peito. Seria um guardião de Eldorath? Alguém a seguira?
Ela prendeu a respiração e esperou.
Os segundos se esticaram, carregados de tensão. Então, a figura emergiu da escuridão. Um homem.
Aelynn não teve tempo de reagir antes que ele erguesse uma mão em sinal de trégua. "Não grite. Não estou aqui para machucá-la."
Os olhos castanhos dele brilharam sob a luz difusa da lua. Humanos. Ela ouvira falar deles, mas nunca estivera tão perto de um.
"Quem é você?" ela sussurrou, mantendo a adaga firme.
"Meu nome é Dorian. E eu poderia perguntar o mesmo a você. Mas acho que já sei a resposta. Você não pertence a este lado da floresta, não é?"
Aelynn permaneceu calada. A presença dele era estranhamente diferente daquilo que sua gente descrevia. Ele não parecia uma criatura selvagem ou sem cultura. Seus traços eram fortes, mas não ameaçadores. Ainda assim, ela sabia que confiar em um humano era um erro.
"Eu deveria matá-lo," ela disse, sem muita convicção. "Nenhum de nós deve atravessar a fronteira."
"E, ainda assim, aqui estamos," ele respondeu, um meio sorriso surgindo em seus lábios.
Aelynn não respondeu. Seu olhar desceu até as mãos dele. Nenhuma arma. Nenhuma intenção hostil. Mas isso não significava que não fosse perigoso.
Antes que pudesse decidir se ficava ou fugia, um grito distante cortou o silêncio da noite.
Aelynn congelou. Aquela voz... ela reconhecia. Os guardiões estavam vindo.
Dorian pareceu entender a situação imediatamente. "Você está fugindo de algo?" Ele deu um passo para trás, o corpo tenso.
Ela olhou para ele, depois para a floresta. Se fosse pega ali, seria levada de volta para Eldorath e punida por sua ousadia. Mas se confiasse em Dorian...
Aelynn respirou fundo. "Eu não posso voltar."
Dorian estudou-a por um momento, então estendeu a mão. "Então venha comigo. Rápido."
Por um instante, ela hesitou. Mas não havia tempo para dúvidas.
Aelynn pegou a mão dele e juntos desapareceram na noite, deixando para trás a fronteira entre seus mundos e cruzando o limiar do desconhecido.