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O Príncipe Adormecido
img img O Príncipe Adormecido img Capítulo 4 Conto de fadas moderno
4 Capítulo
Capítulo 10 De todo coração, sim img
Capítulo 11 Um presságio img
Capítulo 12 Algo errado img
Capítulo 13 O príncipe Adormecido voltou a vida img
Capítulo 14 Voltei para te proteger img
Capítulo 15 Seu destino era ela img
Capítulo 16 No momento certo img
Capítulo 17 Possível Caminho img
Capítulo 18 Aliança de poder img
Capítulo 19 O plano img
Capítulo 20 O jantar img
Capítulo 21 Eu fui boba img
Capítulo 22 O escândalo img
Capítulo 23 São intocáveis img
Capítulo 24 Seria sua única mulher img
Capítulo 25 Tempo recorde img
Capítulo 26 Mais um instante img
Capítulo 27 Todas as noites serão nossas img
Capítulo 28 O casamento img
Capítulo 29 No Oásis inicia a lua de mel img
Capítulo 30 A primeira vez img
Capítulo 31 Serei só seu img
Capítulo 32 Um ritual especial img
Capítulo 33 O amor profundo img
Capítulo 34 O chá de boas vindas img
Capítulo 35 O jantar exclusivo img
Capítulo 36 Não me toque img
Capítulo 37 Resolvendo a crise img
Capítulo 38 Eu não quero você img
Capítulo 39 Cada decisão img
Capítulo 40 O sucesso da reunião img
Capítulo 41 Seja doce, nunca amarga img
Capítulo 42 As fotos img
Capítulo 43 Tinha ousado img
Capítulo 44 Meu príncipe img
Capítulo 45 Você não tem limites img
Capítulo 46 Doce vício img
Capítulo 47 O centro das atenções img
Capítulo 48 Sua sina img
Capítulo 49 Você não merece isso img
Capítulo 50 A festa img
Capítulo 51 Homenagem img
Capítulo 52 Primeiro minha esposa img
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Capítulo 4 Conto de fadas moderno

Capítulo 4

O Príncipe Adormecido

Isadora assentiu com um aceno quase mecânico.

Foram recebidas por uma empregada vestida de forma tradicional, com um véu bordado em fios prateados. A mulher as guiou por corredores longos, revestidos de tapeçarias finas e quadros com detalhes dourados. Ao passarem por uma grande porta de madeira entalhada com arabescos, o som abafado de vozes femininas pôde ser ouvido.

- A princesa está com algumas convidadas, mas vai querer ver você, Isa. - murmurou Simone. - Fica calma. É só uma formalidade.

Isadora não respondeu. Seus olhos percorriam as paredes, os espelhos e os enormes vasos com flores vivas, como se tudo fosse parte de um sonho distante.

Dentro da sala de recepção, a princesa Annia observava atentamente oito moças sentadas em bancos de madeira escura. As candidatas eram bonitas, bem arrumadas, vindas de várias partes do mundo: Síria, Rússia, Itália, China, África, EUA, Inglaterra e Suécia. Ela escolheu moças como se fosse o gosto pessoal do próprio Rafique, e não teve nenhum imprevisto para conseguir isso, usando muito dinheiro.

Mas havia algo forçado na maneira como as moças sorriam, como falavam. Algumas delas usavam muita maquiagem. A princesa, vestida com um vestido azul-claro que se arrastava pelo chão como uma nuvem de seda, ergueu a mão quando a empregada entrou.

- Alteza, a garota brasileira chegou.

Annia ergueu uma sobrancelha, dispensou as outras com um gesto e todas se retiraram pela lateral. As jovens se entreolharam com desconfiança, murmuraram algo em seus idiomas nativos e saíram lentamente da sala.

Simone segurou firme o pulso de Isadora, que já sentia o suor escorrer pelas costas, nervosa por ver uma princesa. Foram levadas a uma sala menor, mais íntima, com janelas fechadas por cortinas rendadas e almofadas por todos os lados.

A princesa entrou. Era linda, porém não tão jovem, de pele alva como porcelana e olhos delineados com precisão milimétrica. Tinha um ar distante, quase etéreo, como se tudo ao redor fosse indigno de sua atenção.

Isadora fez o que Simone pediu. Inclinou o corpo em uma reverência delicada, colocou a mão no peito e agradeceu em inglês:

- Thank you, Your Highness, for receiving me.

(Obrigada, Vossa Alteza, por me receber em seu palácio.)

A princesa sorriu. Um sorriso discreto, mas genuíno. Observou Isadora de cima a baixo e caminhou em volta dela como quem avalia uma peça rara.

- Sim, ela é natural... - murmurou Annia, com um inglês arrastado pelo sotaque árabe. - She's beautiful. Very pure...

(Ela é linda e muito pura.)

Virou-se para Simone e falou em árabe:

- Você não mentiu. Estou satisfeita. Daqui a três dias, darei o veredito da minha escolha.

Simone apenas assentiu. Não ousou dizer nada. Pegou na mão de Isadora e agradeceu em inglês, formalmente:

- Thank you, Princess. We'll go now.

(Obrigada, princesa. Nós vamos agora.)

A princesa fez um gesto vago com a mão, permitindo que saíssem.

No caminho para o carro, uma criada chegou com passos rápidos, a mando da princesa, e entregou um envelope para Simone. Ela ficou preocupada de início, mas quando o abriu discretamente e viu o cartão de crédito sem limites, com um bilhete escrito à mão que dizia: "Use e faça todas as vontades da garota", ficou animada.

Já no carro enorme, com compartimento isolado entre motorista e passageiras, Isadora finalmente perguntou:

- Madrinha... o que foi isso? Eu fui... avaliada?

Simone apertou os lábios. Respirou fundo.

- Não, amor. É que a princesa só queria te ver, porque não acreditava que você fosse tão linda, por ser minha sobrinha. Eu sou feia, baixa, gorda e quase negra... A princesa ficou curiosa sobre você, Isa. Lembra que falei da minha amiga que pediu fotos suas, naturais, sem excessos? Então, Miriã mostrou você para a princesa. E como eu trabalho para ela, foi isso. Ela te deu de presente essa viagem. Eu te trouxe só para você agradecer a ela, e depois ela talvez vai te querer para...

Simone hesitou por um segundo.

- Me querer pra quê, Dinda? - a voz da jovem começou a embargar.

Mesmo ingênua e inocente, Isadora começou a desconfiar da tia tão adorada.

- Isa, pra nada, amor. É só um favor, se for preciso. Agora fique tranquila. Tudo o que eu fiz... foi pra você realizar seu sonho. Pra te dar algo maior, que eu nunca poderia te dar, mesmo trabalhando aqui como uma escrava e que eu morra tentando. - mentiu, exagerando por medo.

- Sinto muito, tia... Eu não fazia ideia que era tão trabalhoso seu trabalho aqui. Mas do que a senhora tá falando? Sobre um favor?

- Não se preocupe, querida. Vamos passear primeiro. Sim, depois eu prometo te contar tudo.

- Tudo bem, Dinda. Eu confio na senhora. Afinal, a senhora não faria nada para me prejudicar. Do tipo igual vemos nos programas de TV no Brasil... Aqueles policiais que contam cada história. Esses dias mesmo, a senhora não acredita: eu vi uma reportagem louca. Uma moça foi vendida a um príncipe árabe! Mas é claro que isso é quase impossível, né? - sorriu, abraçada à tia.

- Não, amor. Eu não teria essa coragem.

- Obrigada, Dinda. Você é incrível. Eu te amo.

Morta de vergonha, porque foi exatamente o que ela fez, Simone, em seguida, levou a afilhada para um grande tour por Dubai.

Simone tinha três dias para passear com Isadora, e sim, ela parecia determinada a fazer da estadia da afilhada um verdadeiro conto de fadas moderno.

Era uma estratégia, claro, mas Isa ainda não sabia.

- Primeiro quero te mostrar Dubai, minha princesa. Depois conversamos sobre tudo, Simone piscou, dando um leve sorriso maroto, que escondia sua preocupação.

A jovem loira de olhos azuis, com um vestido floral leve e cabelos soltos, se encantava a cada novo passeio. Dubai era mais do que ela imaginava nas revistas, nos vídeos de turismo e nos sonhos da infância.

No primeiro dia, Simone a levou para o topo do Burj Khalifa. O elevador subia veloz, os ouvidos estalaram, e quando as portas se abriram no 148º andar, a vista de tirar o fôlego fez Isadora quase se ajoelhar.

- Oh, minha nossa, Dinda... Parece que o mundo inteiro cabe aqui! - disse ela, de olhos marejados.

À noite, jantaram no restaurante Atmosphere, o mais alto do planeta, onde garçons trajavam uniformes bordados a ouro e as janelas pareciam telas em movimento.

Provaram lagosta temperada com especiarias árabes, sobremesas com folhas de ouro comestível e beberam sucos exóticos, servidos em taças de cristal.

No segundo dia, um tour de helicóptero revelou o luxo arquitetônico da cidade. Sobrevoaram a Palm Jumeirah, o Burj Al Arab e os inúmeros arranha-céus iluminados que pareciam brilhar até mesmo durante o dia. Depois, mergulharam no mundo das compras: Chanel, Dior, Louis Vuitton, Gucci. Simone guiava Isadora pelas lojas como uma mentora experiente, ela também estava realizando seus sonhos de mulher através da afilhada.

- Leve o que quiser. Tenho um cartão que a princesa Annia me deu. Ele não tem limite. - disse, rindo. - Afinal, é seu aniversário, e você está em Dubai!

Vestidos, bolsas, perfumes, lingeries. Isadora provava cada peça com um misto de deslumbre e vergonha.

- Mas isso custa uma fortuna, madrinha!

- E quem disse que você merece menos? - Simone retrucou.

No terceiro dia, almoçaram no deserto. Um acampamento montado em tendas luxuosas, com almofadas de seda, tapetes persas e dançarinas do ventre que se moviam ao som do alaúde. Um falcão pousou em seu braço, e Isadora se emocionou.

- Ah, não, Dinda! Que animal lindo, meu Deus... Eu devo estar sonhando! Por favor, tia, me belisca, porque eu não tô acreditando! - disse, com olhos brilhantes.

Autora: Graciliane Guimarães

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