Seus olhos de cores diferentes se voltaram para mim imediatamente e como se eu tivesse ordenado colocando uma faca em seu pescoço, ele soltou o meu irmão e fixou seu olhar nos meus.
"Ele é nosso companheiro, está tentando nos proteger." Vênus disparou em minha mente.
"Não, ele matou o nosso companheiro e agora acredita que pertencemos a ele." Retruquei.
Isaac alisou o pulso agora vermelho pelo aperto do alfa Black, que ainda me encarava.
- Vou deixar que aproveitem a festa. - falei e me virei, não esperei que o macho dissesse algo ou tentasse falar comigo, corri em direção a cozinha e sai pela porta dos fundos.
Quando senti a lufada do ar noturno, respirei fundo pela primeira vez e meu coração disparou enquanto minhas pernas queriam retornar para aquele macho.
Queriam retornar para o maldito que matou Theo...
Ah pela deusa, porque isso estava acontecendo comigo? Por que? Eu estava sendo castigada?
Obriguei minhas pernas a caminharem para longe da mansão que um dia morei, seguindo pelas ruas escuras enquanto um trovão retumbou no céu.
Enquanto caminhava, a voz incessante de Vênus me implorava para retornar, chamando por seu companheiro e eu queria apenas que ela se calasse. Meu coração parecia estar em pedaços novamente, como se eu estivesse perdendo o Theo de novo.
Segui em direção à avenida e não esperei o sinal fechar, vendo uma brecha avancei e de repente o carro acelerou, meu coração bateu mais forte.
Vênus havia acabado de voltar, ela me curaria ou eu morreria assim? Atropelada.
Não consegui me mover, por um segundo fechei os olhos e aceitei, até que senti todo o meu corpo sendo envolvido por braços poderosos, meu corpo sendo erguido do chão com facilidade.
O calor me envolvendo como uma manta, quando abri os olhos, me deparei com aqueles olhos dispares me encarando surpresos, enquanto ele caminhava para a calçada comigo em seus braços, para a segurança.
Fiquei por alguns segundos paralisada em seus braços, Vênus estava completamente presa em seu olhar, eu estava envolvida no calor emanando de seu corpo e no modo possessivo e protetor que ele me segurava.
Quando finalmente chegamos na calçada, ele disse áspero:
- Quer se matar?
Foi então que acordei para a realidade, eu estava nos braços do macho que destruiu a minha vida e agora eu devia a minha vida a ele.
Cogitei por um momento voltar para a pista e me jogar na frente do primeiro carro.
- Me solte agora. - falei e minha voz era fria.
O macho franziu o cenho, mas me soltou. Não esperei que ele tentasse conversar, assim que meus pés tocaram o chão, me virei para fugir dele, mas o macho me segurou pelo braço e me puxou de volta para ele.
Para a minha surpresa e horror, ele mergulhou os dedos nos meus cabelos e me beijou com força, me encurralando contra a parede de um beco.
No instante que senti seus lábios nos meus, todo o meu corpo estremeceu, como se uma corrente elétrica estivesse sendo acionada e percorrendo todo o meu corpo.
Como se eu estivesse despertando, voltando a vida após um longo período de morte. Meu coração batia descompassado, minhas pernas tremiam de modo incontrolável e Vênus gritava em minha mente de êxtase.
Por Selene, o que eu estava fazendo? Estava deixando-o me tocar? Me beijar?
O rosto de Theo surgiu em minha mente e finalmente eu consegui empurrá-lo.
Quando fiz isso, seus olhos estavam mais escuros e sua expressão intensa, seus lábios vermelhos.
- Nunca mais me toque. Eu tenho nojo de você. - Cuspi as palavras e vi a surpresa em seus olhos.
Ele realmente não se lembrava de mim, não tinha ideia do que havia feito comigo naquela noite.
- Você nem me conhece e me despreza? É pelos boatos que sou cruel? Não se deixe enganar com isso.
- Então está me dizendo que não é cruel? Que não matou toda uma alcateia que não quis se curvar a você? Está dizendo isso? Então além de cruel, é mentiroso. - exclamei.
Seus olhos dispares me fitaram com tamanha intensidade que me senti nua, mesmo não estando.
- Vejo que você já tem uma opinião formada sobre mim. - Ele disse após uma longa pausa ao qual ficou me encarando minunciosamente e me deixando desconfortável.
- Sim. Tenho. E é a pior possível, agora me deixe passar. - falei, porque ele ainda estava bloqueando o meu caminho.
Quando ele não se moveu, tentei empurrá-lo para que saísse do meu caminho, mas seu corpo grande e musculoso não se moveu nem um centímetro. Eu suspeitava que Vênus estava lutando comigo e não liberando nossa força, porque ela o queria.
- Eu levo você, apenas me diga onde mora. - Ele disse e colocou os braços na parede, um de cada lado do meu rosto me encurralando novamente.
Seu rosto estava a centímetros do meu e eu podia sentir sua respiração quente e com gosto de vinho.
- Eu não preciso de carona, agora saia. - falei encarando-o.
O macho teve a audácia de sorrir de lado e não se afastou.
- Não quer que eu saiba onde você mora. - Aquilo não era uma pergunta, ele estava afirmando aquilo.
Se ele soubesse que meus sentimentos iam muito além daquilo, eu queria era que ele morresse.
- Não insista, apenas saia da minha frente e volte para a festa do meu irmão. Não temos nada. - falei do modo mais áspero possível.
- Salvei sua vida agora pouco, e a deusa decidiu que somos companheiros. Mas por enquanto, a única coisa que quero é levá-la para casa. - Ele disse e de modo repentino, agarrou a minha cintura e simplesmente me jogou sobre seus ombros enquanto eu gritava e me debatia.
- Maldito, me solte! Está me sequestrando!
Ele caminhou comigo em direção à rua e rebateu:
- Sequestrando-a tentando levá-la para casa? Que péssimo sequestrador eu sou. Se fosse sequestrá-la mesmo, a levaria para a minha cama, fêmea.