Nos dois dias seguintes, a atenção de Breno foi sufocante. Ele desempenhou o papel do marido perfeito e atencioso, seguindo cada movimento meu, trazendo-me presentes, sussurrando promessas que não tinha intenção de cumprir. Era uma performance, e eu era sua plateia cativa.
Enquanto isso, as provocações de Késia aumentavam. Meu celular se tornou uma arma em suas mãos. Uma enxurrada de mensagens começou, cada uma um pequeno dardo envenenado.
*Ele me disse que ama o jeito que eu rio. Ele diz que sua risada é muito baixa.*
*Este é o vestido que ele me comprou na semana passada. Você gosta?*
Então veio a mensagem que confirmou que isso não era uma indiscrição nova e passageira.
*Quatro anos, Elara. Ele está comigo há quatro anos. Enquanto você construía o império dele, eu aquecia a cama dele.*
Meu mundo, que já havia virado cinzas, agora era moído em pó. Quatro anos de mentiras. Quatro anos da minha vida, uma fabricação meticulosamente elaborada.
O golpe final foi um vídeo. Eu o abri sem pensar. Eram eles, em uma suíte de hotel que eu reconheci, emaranhados nos lençóis. Késia segurava o celular, um olhar presunçoso e triunfante no rosto.
"Eu sou melhor que ela?", ela perguntou a Breno, sua voz um ronronar.
O rosto dele estava fora da câmera, mas sua voz era clara - e pior, entediada. "Sexo é sexo. Amor é negócio."
As palavras não doíam mais. Eram apenas... dados. Informações confirmando uma hipótese.
"Então me torne sua mulher oficial", Késia insistiu, sua voz se tornando chorosa.
"Esse título pertence a Elara", disse ele com desdém. "Mas posso te dar dinheiro. Carros. Uma casa."
Ela fez uma pausa, então sua voz baixou, tornando-se astuta. "Posso ter um bebê?"
Houve um longo silêncio. Eu assistia à tela, minha respiração presa na garganta. A expressão de Breno, quando ele finalmente se virou para a câmera, era pensativa, ponderada.
Ele não disse não.
Nesse exato momento, o verdadeiro Breno entrou no quarto, segurando duas tigelas do meu sorvete favorito. Ele viu meu rosto pálido, o celular apertado em minha mão.
Sem uma palavra, ele pegou o celular da minha mão. Ele olhou para a tela apenas o tempo suficiente para registrar a imagem, depois o colocou virado para baixo na mesa.
Ele não perguntou. Ele não explicou.
Ele apenas se sentou e empurrou uma tigela de sorvete em minha direção.
*Nunca mais terei que ver outro vídeo como esse*, pensei, uma estranha sensação de paz me invadindo.
A decisão estava tomada. O caminho estava claro.
A "viagem de negócios" de Breno e Késia para o Rio de Janeiro estava marcada para dali a dois dias. Ele achava que era um segredo. Eu tinha até lá para me apagar completamente.