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Vendida Ao Don Da Máfia
img img Vendida Ao Don Da Máfia img Capítulo 2 Ninguém Vem
2 Capítulo
Capítulo 6 Cicatrizes Invisíveis img
Capítulo 7 As Regras da Guerra img
Capítulo 8 Onde arde, eu nego img
Capítulo 9 E eu... img
Capítulo 10 Enlouquecendo img
Capítulo 11 Febre img
Capítulo 12 Caminho de Volta img
Capítulo 13 Mostro do que sou capaz img
Capítulo 14 O Veneno e a Caça img
Capítulo 15 Linha Tênue img
Capítulo 16 O preço img
Capítulo 17 Promessa de Fogo img
Capítulo 18 Vigília img
Capítulo 19 Nem mesmo eu img
Capítulo 20 O que foi que você disse img
Capítulo 21 Segurando o que importa img
Capítulo 22 Selando nossa manhã img
Capítulo 23 Tiro ao alvo img
Capítulo 24 Para que vou descer img
Capítulo 25 Escolhi de volta img
Capítulo 26 Perguntar por perguntar img
Capítulo 27 Território e provador img
Capítulo 28 O preço do olhar img
Capítulo 29 Bola de demolição img
Capítulo 30 A legenda do nosso depois img
Capítulo 31 O mapa do merecer img
Capítulo 32 Amor e sempre img
Capítulo 33 Entre o homem e o Don img
Capítulo 34 A voz da traição img
Capítulo 35 Sete dias img
Capítulo 36 A tela e a promessa img
Capítulo 37 De volta para ela img
Capítulo 38 Mulher do homem, amor do Don. img
Capítulo 39 A mamãe espera. img
Capítulo 40 O preço do breve img
Capítulo 41 O silêncio do coração img
Capítulo 42 O dia que escolheu ser agora img
Capítulo 43 O passado voltou img
Capítulo 44 Sombras no salão (pt I) img
Capítulo 45 Sombras no salão (Part II) img
Capítulo 46 A casa que amanheceu vazia img
Capítulo 47 Fuga img
Capítulo 48 Quando o amor volta para a casa img
Capítulo 49 A primeira noite no nosso quarto img
Capítulo 50 Entre portas que se abrem e promessas que não fecham img
Capítulo 51 Entre o Sena e o abismo img
Capítulo 52 Entre ameaças e juramentos img
Capítulo 53 Entre o medo e Paris img
Capítulo 54 Torre Eiffel img
Capítulo 55 O silêncio antes do som img
Capítulo 56 Entre dois corações img
Capítulo 57 Segredos que respiram img
Capítulo 58 O eco das coisas não ditas img
Capítulo 59 Entre aeroportos e armadilhas img
Capítulo 60 Sementes da suspeita img
Capítulo 61 O que o amor não permite img
Capítulo 62 Apresentar a Londres img
Capítulo 63 A noite em que Londres me viu img
Capítulo 64 Quando a tempestade encontra o coração img
Capítulo 65 A tempestade não leva o que é meu img
Capítulo 66 A mentira tem cúmplice img
Capítulo 67 O nome da tempestade img
Capítulo 68 Dois corações no escuro img
Capítulo 69 Ganhou nome img
Capítulo 70 A calmaria que não confio img
Capítulo 71 O que ela não sabe eu sei img
Capítulo 72 Loucura pensar img
Capítulo 73 O peso do talvez img
Capítulo 74 A última peça do tabuleiro img
Capítulo 75 A única guerra que importa img
Capítulo 76 A certeza de um homem de pedra img
Capítulo 77 De volta ao tabuleiro img
Capítulo 78 A queda de um homem público img
Capítulo 79 Sangue por sangue img
Capítulo 80 O fantasma e o tempo img
Capítulo 81 Dois corações, três batalhas img
Capítulo 82 O vidro que nos separa img
Capítulo 83 Um juramento de pedra img
Capítulo 84 Sabe queimar img
Capítulo 85 Tão completa, tão barulhenta e tão real. img
Capítulo 86 A última purificação img
Capítulo 87 O último dia de sol img
Capítulo 88 O espelho da loucura img
Capítulo 89 O preço do amor img
Capítulo 90 O silêncio img
Capítulo 91 Minha primavera img
Capítulo 92 O retorno da primavera img
Capítulo 93 A fera e a fome img
Capítulo 94 O melhor negócio de todos img
Capítulo 95 O contrato vitalício img
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Capítulo 2 Ninguém Vem

Valentina

A mão que me agarrou não era de Giovanni.

Esse foi o primeiro pensamento que atravessou minha mente enquanto meu corpo era puxado para trás com força suficiente para arrancar o ar dos meus pulmões. Não havia cheiro conhecido, não havia voz doce sussurrando desculpas. Só um aperto firme no meu braço e o peso de alguém que sabia exatamente o que estava fazendo.

- Solta! - tentei gritar, mas a voz saiu quebrada, engolida pela noite.

O homem não respondeu. Não precisou. Ele me virou com um movimento seco, rápido, e por um segundo eu vi apenas sombras e o brilho frio de olhos atentos demais para alguém que estivesse improvisando.

- Quietinha, garota. - disse, baixo. Controlado. - Se gritar, piora.

Eu congelei.

Não por obediência. Por cálculo.

O jardim dos Moretti era grande, escuro, cheio de caminhos que se cruzavam como um labirinto bonito demais para alguém pedir socorro. As luzes da casa principal estavam acesas. Havia carros chegando. Homens circulando.

E ninguém... ninguém estava olhando para mim.

- Por favor... - escapou, sem que eu tivesse planejado. O orgulho vacila quando a sobrevivência bate na porta. - Eu não fiz nada. Eu só quero ir embora.

O homem me observou por um segundo a mais. Um segundo perigoso, silencioso. Ele parecia avaliar algo além do meu rosto como se estivesse medindo não o meu medo, mas o quanto eu valia.

- Não depende de mim. - respondeu, por fim.

A frase caiu como uma sentença.

Ele me soltou de repente, e por um instante meu corpo reagiu antes da mente. Dei dois passos para trás. Me virei. Corri.

Corri sem direção, sem fôlego, sem saber se havia saída ou só mais muros. Meus pés escorregaram na grama úmida. O coração batia tão alto que parecia querer saltar do peito. O mundo se reduziu a duas coisas: fugir e respirar.

Passei por uma lateral da casa, por uma área mal iluminada onde havia uma pequena porta de serviço. Forcei a maçaneta.

Trancada.

- Merda... - murmurei, sentindo o pânico começar a subir como maré.

Continuei correndo. Pulei um pequeno canteiro, arranhei a perna num arbusto, senti a dor arder, mas não parei. Dor ainda era vida.

Alcancei o portão lateral do terreno. Alto. Fechado. Câmeras girando lentamente, como olhos mecânicos que nunca piscam.

Eu estava cercada.

Encostei as costas no ferro frio e deslizei até o chão, ofegante. Minhas mãos tremiam. Minha cabeça girava.

Foi ali, sentada na terra de uma família que eu achei que fosse minha, que a verdade se instalou de vez:

Eu estava sozinha.

Não havia número para ligar. Nenhum nome para gritar. Nenhuma porta amiga para bater no meio da noite. Meus pais morreram quando eu tinha três anos. Não havia memórias suficientes para doer só fotos antigas e histórias contadas por outros.

Meu tio... ele tentou. Deus sabe que tentou. Me deu teto, carinho, limites. Me ensinou a não baixar a cabeça fácil. Mas o câncer levou ele rápido demais, como se o mundo tivesse pressa em me lembrar que nada dura.

Depois disso, eu virei boa em sobreviver.

Boa em não depender. Boa em não criar raízes.

Até Giovanni.

Até eu acreditar que amor também podia ser abrigo.

Soltei uma risada curta, quase histérica.

- Que idiota... - sussurrei para mim mesma.

Acreditei em promessas. Em jantares de domingo. Em "futuro". Acreditei quando ele disse que eu era diferente. Quando disse que jamais permitiria que alguém me machucasse.

E foi ele quem me entregou.

Levantei com dificuldade. Não podia ficar ali. Mesmo sem plano, mesmo sem saber para onde ir, ficar parada era aceitar.

Passei pelo portão menor, que dava para a rua lateral. Não estava trancado. Saí.

O ar da cidade bateu no meu rosto como um tapa. O som distante de carros, uma sirene longe demais, um casal discutindo na calçada oposta. A vida seguia.

Menos a minha.

Caminhei rápido, tentando parecer normal. Uma mulher andando sozinha à noite não chama atenção se finge que sabe exatamente para onde vai. Meus passos doíam. Meu corpo inteiro doía.

Parei numa esquina iluminada. Vi uma pequena igreja aberta, luz acesa, porta entreaberta.

Entrei.

O cheiro de incenso e madeira antiga me envolveu. Havia uma senhora sentada nos primeiros bancos, rezando em silêncio. Um homem mais velho organizava papéis perto do altar.

Por um segundo, eu quase chorei.

- Com licença... - minha voz saiu baixa, quebrada. - Eu... eu preciso de ajuda.

O homem levantou os olhos. Me avaliou. Rápido demais. Como se já tivesse aprendido a reconhecer problemas.

- Está tudo bem, filha?

Eu abri a boca. E fechei.

Como explicar que eu tinha sido vendida? Que homens armados me procuravam? Que eu não tinha documento comigo, nem dinheiro, nem casa para voltar?

- Eu... preciso usar o telefone. - foi o que consegui dizer.

Ele hesitou. Olhou para a senhora. Olhou para a porta.

- Não é uma boa hora. - respondeu, gentil, mas firme. - Estamos fechando.

Fechando.

Tudo estava sempre fechando.

Assenti, engolindo o nó na garganta.

- Desculpa. - murmurei, antes de sair.

Do lado de fora, a noite parecia mais fria.

Caminhei mais algumas quadras. Tentei entrar num hospital. Segurança na porta. Perguntas demais. Olhares desconfiados. Eu parecia exatamente o que era: uma garota sem nada.

Passei por um ponto de táxi. O motorista me olhou de cima a baixo.

- Tem dinheiro?

Balancei a cabeça.

Ele virou o rosto.

Continuei andando até as pernas ameaçarem falhar. Parei perto de um pequeno parque vazio, sentei num banco de concreto e abracei os próprios joelhos.

Foi ali que a ficha caiu de vez.

Não importava o quanto eu fosse forte.

Não importava o quanto eu quisesse sobreviver.

Quando alguém decide que você é mercadoria... o mundo inteiro colabora.

Fechei os olhos por um segundo. Só um segundo. Para respirar. Para organizar a cabeça. Para pensar no próximo passo.

Quando abri, o carro preto estava estacionado do outro lado da rua.

Meu coração afundou.

A porta se abriu devagar. O mesmo homem do jardim desceu. Paletó escuro. Postura calma. Olhar atento.

Ele caminhou até mim sem pressa.

- Eu disse que não dependia de mim. - falou, parando a poucos passos. - Agora depende menos ainda.

Levantei devagar. Endireitei os ombros.

- Eu não vou gritar. - avisei. - Não adianta.

Um canto da boca dele se ergueu, quase imperceptível.

- Inteligente.

- Posso saber pra onde está me levando?

Ele abriu a porta traseira do carro.

- Pode.

Esperei.

- Mas não vai mudar nada.

Entrei sozinha.

A porta se fechou com um som pesado, definitivo.

E enquanto o carro arrancava, eu entendi, com uma clareza dolorosa:

Ninguém vinha me salvar.

E eu estava oficialmente fora do mundo que conhecia.

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