Porque me chamavam assim?
Eu era praticamente virgem. Não entendia muito de relações com homens .na verdade quase nada.
- Linda, Kim. Obrigado. - Então o homem me pegou pela cintura, me tirando do tumulto. Não sabia exatamente para onde ele estava me levando, mas eu sei que ele me levava para o estacionamento, porque pegamos o elevador.
Durante todo o trajeto ele não disse nada.
Até de fato chegarmos numa BMW que estava estacionada.
Achei que ele dirigiria, mas havia um motorista no banco da frente.
Senhor Windergard abriu a porta pra mim. Entrei sem entender nada, esperando que ele me explicasse alguma coisa, porém passamos o percurso em silencio, enquanto ele admirava a paisagem local eu surtava por dentro.
Claramente eu havia assisitido Verdades Secretas e sabia do que se tratava, mas na novela eles explicavam pra Angel o que estava acontecendo, no meu caso parecia mais tráfico humano.
Não vou negar que ele era um belo de um homem, e jovem ainda por cima.
Esperava que ele fosse o cliente, não mais um aliciador.
Eu ficaria realmente frustrada em transar com um velho.
Naquele momento eu percebi que havia me entregue a ideia, afinal o que eu ia fazer? Me jogar do carro em movimento? Sem chance.
Nunca havia feito isso e pela velocidade parecia ser perigoso.
Poucos km dali, num hotel ainda mais de luxo onde ocorreu a festa, nós saímos do carro. Ele novamente abriu a porta do carro pra mim. Fomos andando pelo saguão até o elevador, tudo num silencio que acabava comigo. Subimos para o décimo terceiro andar, lá ele me pegou pelo braço, como se fossemos um casal. Ali já me aliviei um pouco, sabia que amanha amanheceria com o rim.
Parecia um programa mesmo.
Foi quando me lembrei, num lapso quase que desastroso, eu ainda era virgem.
E com certeza essa era a pior forma de perder a virgindade, por mais bonito que Senhor Windergard fosse.
Olhando bem para ele, devia ter uns 25 anos, provavelmente herdeiro, cabelos loiros, lisos, que caiam sobre o rosto dando um ar jovial, ele tinha lábios bonitos, me perguntei por um mero segundo se poderia beijá-lo.
Já que naquele momento eu era claramente uma prostituta, virgem! Me perguntava tantas coisas.
Ele passou o cartão na porta do apartamento, entrou, tirou o casco, pôs num cabide e sentou-se numa poltrona grande, mas não como aquelas de vó, algo mais chique.
Tudo ali era muito fino.
- Prazer, meu nome é Constatino Windergad. - Eu ainda estava parada igual um poste na porta. - Entra, fica com medo não.
Minhas mãos estavam unidas na frente do corpo. Dei dois passos a frente e fechei a porta atrás de mim.
- Assim tá bom?
Ele riu.
- Achei que fosse mais solta pelo nome que escolheu.
- Na verdade, não tenho a mínima ideia do que está acontecendo. - Sua expressão foi de dúvida sincera.
- Bom, pra começar eu sou estudante da USP, moro em cima de uma sex shop, minha locatária me apresentou um tal de Emerson e era pra eu ser só hostess. Até me apresentarem você e agora estamos aqui.
Ele fez uma expressão de choque.
- Talvez seja porque eu tenha pedido uma menina de 18 anos, não deviam ter.
- Provavelmente.
- Mas você não sabe porque tá aqui? - Ele questionou com a sobrancelha arqueada.
- Tenho uma mínima ideia. - Ele acenou positivamente com a cabeça e se ajeitou na cadeira.
- Vamos lá, eu sou herdeiro de um grande império metalúrgico. - Essa foi minha vez de acenar com a cabeça enquanto ia em direção a cama e sentava. Prestes a ouvir uma história. - Bom, eu invisto na startup do Emerson, mas ele não começou como um mago da tecnologia, ele começou como dono de uma "agência" - Ao dizer isso ele fez aspas com a mão - de modelos.
- Ah então eu faço parte de um cabaré de luxo?
- Isso.
- Por que não me avisaram? - Ah Lourdes ia ouvir MUITO amanhã.
- Medo de você não topar e acreditarem que quando me vissem por eu ser jovem, mudasse de ideia. - Fazia sentido. Mas era loucura.
- Constantino, eu sou virgem. - A expressão dele foi de surpresa.
- Nunca pagou nem um sexo oral? - Neguei com a cabeça.
- Passei para Medicina na USP, de primeira, você acha mesmo que eu era do tipo saidinha?
Ele fez uma expressão mexendo a cabeça para os lados, como se tivesse concordando.
- Ok, faz sentido. Nunca nem namorou então?
Neguei novamente com a cabeça.
- Caramba... - Ele passou um tempo pensando, eu ainda estava em posição tímida, contida. Pensando em mil e uma consequências do que eu havia acabado de dizer. Ele passava o dedo sobre o queixo, pensando e me olhando fixamente a ponto de me deixar ainda mais sem graça.
Depois de mais ou menos dois minutos falou:
- Tá, vamos fazer o seguinte, está com fome? - Acenei positivamente com a com a cabeça, ainda totalmente sem graça. - Vou pedir uma pizza no restaurante do hotel, a gente come, se conhece, e no final te faço uma proposta.
- Fechado. - Confesso que aqui meu estômago falou mais alto