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Irmãos Jones
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Capítulo 4 Doutor Gostoso - Oliver Jones

Oliver Jones:

Ela ainda estava encostada na mureta quando eu recuei um passo. Os lábios dela... ainda quentes contra os meus. O sabor doce misturado ao álcool. O olhar meio perdido, as bochechas coradas pelo frio ou pelo que acabamos de fazer.

Eu não deveria ter feito aquilo. Mas no momento em que meus dedos tocaram a pele macia da nuca dela, eu já não tinha mais escolha.

Pulei de volta para minha varanda, o coração batendo rápido demais para um homem que vive com as mãos dentro de um corpo aberto, na sala de cirurgia. Apoiei as costas na parede, tentando recuperar o controle.

O cheiro dela ainda estava em mim. E isso me irritava.

Irritava porque eu sabia que aquela garota, aquela residente que nem sei o nome, está a vinte anos de distância da minha vida, do meu mundo, do meu passado. Irritava porque, mesmo assim, meu corpo reagia a ela como se fosse inevitável.

Passei a mão no cabelo molhado, sentindo a frustração crescer. Peguei o copo de uísque e virei o restante de um gole só. O líquido queimou a garganta, mas não levou embora a sensação dela nos meus braços.

Voltei para dentro e fechei as cortinas, como se isso fosse suficiente para colocar uma barreira entre nós. Mas minha mente já tinha guardado cada detalhe - a forma como ela me olhou quando atravessei a mureta, o jeito como seu corpo colou no meu durante o beijo, a respiração acelerada.

E, pior de tudo... eu queria mais.

Joguei a calça de moletom sobre a poltrona e fui para o chuveiro novamente, deixando a água quente bater nos ombros. Eu precisava de clareza. Precisava lembrar quem sou e o que está em jogo.

Mas cada vez que fechava os olhos, era o rosto dela que surgia. Os lábios entreabertos. Os olhos grandes, cheios de algo entre medo e desejo.

Terminei o banho sem pressa, sequei o cabelo com as mãos e fui para a cama. Liguei o abajur, encarei o teto por alguns minutos... e entendi que não haveria sono naquela noite.

Porque eu tinha cruzado uma linha, e agora... não tinha mais volta.

***

Cheguei ao Memorial mais cedo do que o habitual. Não dormi. Passei a madrugada virando na cama, revivendo aquele beijo como uma maldita obsessão.

O corredor principal estava silencioso, iluminado pelas luzes brancas e frias que eu conhecia bem. Cumprimentei alguns médicos de forma automática e segui direto para minha sala. Precisava revisar o caso do transplante de coração que poderia chegar a qualquer momento.

Mas não importava o quanto eu tentasse focar nos exames e relatórios... minha mente me traía. Voltava sempre para o toque dela. Para a forma como sua respiração acelerou quando segurei seu rosto. Para a maciez dos lábios contra os meus.

- Oliver! - A voz do meu irmão soou na porta, quebrando minha concentração. Ele entrou com aquele ar relaxado de quem nunca leva nada muito a sério. - Vi que você sumiu da balada ontem.

- Tinha coisas mais importantes pra fazer - respondi seco, sem tirar os olhos do computador.

- Mais importante do que se divertir? É a sua cara - ele riu.

Não respondi.

Minutos depois, já no centro cirúrgico, revisei a agenda do dia. Foi então que ela entrou.

A primeira vez que a vi no hospital à luz da manhã. Jaleco branco impecável, crachá pendurado no bolso, cabelos presos num coque frouxo. Emma Carter. Finalmente li o nome dela no distintivo, e ele ficou gravado como se tivesse sido marcado na pele.

Ela conversava com outro residente, mas seus olhos me encontraram por cima da máscara pendurada no queixo. Não foi um olhar casual. Havia reconhecimento. Memória.

E algo mais, ela desviou rápido, mas eu percebi. Percebi o leve rubor nas bochechas, o jeito como suas mãos mexeram no caderno de anotações como quem busca distração.

- Doutor Jones, tudo pronto para a cirurgia das dez - anunciou minha instrumentadora, trazendo-me de volta para a realidade.

Assenti e caminhei até a pia para a antissepsia. Mas, ao lavar as mãos, vi meu reflexo no vidro e entendi que aquela manhã não era como as outras.

Porque, agora, eu conhecia o gosto da minha residente, e isso mudava tudo.

A cirurgia foi um sucesso. Um transplante limpo, sem complicações. Ainda assim, o peso da responsabilidade pulsava nos meus ombros. Lavei as mãos, retirei o jaleco cirúrgico e segui para a sala dos médicos, levando comigo o prontuário de um paciente grave na UTI.

O ambiente estava ocupado por alguns residentes, espalhados em cadeiras, folheando prontuários e digitando anotações apressadas. Alguns levantaram os olhos quando entrei e logo se remexeram nos assentos, desconfortáveis. Era sempre assim. A minha presença silenciava conversas.

Foi então que ela apareceu. Emma Carter entrou na sala como se não carregasse a marca do que tinha acontecido na noite anterior. Jaleco aberto, uniforme azul-claro debaixo, cabelo preso de forma prática. Ela cruzou o espaço sem sequer olhar para mim e pegou algo na bancada como um fichário, talvez, ou algum material médico, o suficiente para me obrigar a notar cada movimento dela.

Quando alguns residentes perceberam que eu estava ali, começaram a sair. Primeiro dois, depois mais um. Em poucos segundos, éramos só nós dois.

E foi quando ela virou para ir embora que minha voz saiu, mais grave do que eu queria.

- Carter! - Ela parou, mas não se virou de imediato. Depois, lentamente, me olhou por sobre o ombro.

- Sim, doutor? - fechei o prontuário nas mãos, tentando organizar as palavras.

- O que aconteceu ontem à noite... foi um erro - mantive o tom frio, controlado -, eu sou seu professor. Apesar de não estar ministrando as aulas agora, por causa das cirurgias e transplantes, ainda assim sou seu instrutor.

Ela arqueou uma sobrancelha, e o canto da boca se curvou num quase sorriso.

- Não faço ideia do que o senhor está falando. - Sua voz veio carregada de ironia. - Somos apenas vizinhos. E, pelo que sei, isso não é crime.

O ar no ambiente pareceu mais denso.

Ela me tratava como se nada tivesse acontecido. Como se aquele beijo não tivesse roubado o fôlego dos dois. Eu deveria agradecer. Afinal, era exatamente isso que eu queria: distância. Limites.

Mas, por algum motivo, aquilo me irritou profundamente.

- Mais alguma coisa, doutor? - Ela deu um passo em direção à porta, mordendo o lábio inferior como se fosse um gesto inocente. Mas não era. Ela sabia.

O calor subiu pelo meu corpo. Minha paciência se rompeu.

Cruzei o espaço entre nós em dois passos e, antes que ela pudesse sair, minha mão segurou sua nuca e minha boca encontrou a dela.

O beijo foi bruto, carregado de tudo o que eu estava tentando negar. Ela respondeu na mesma intensidade, como se tivesse esperado por aquilo desde que nossas bocas se tocaram pela primeira vez.

Minhas mãos deslizaram para a sua cintura, apertando-a contra mim. Uma delas subiu por baixo do uniforme azul que ela usava, encontrando a pele quente da sua lombar.

O gosto dela invadiu todos os meus sentidos. O mundo sumiu. Só restava aquele contato proibido, aquele calor que não deveria existir.

Quando finalmente nos afastamos, nossas respirações estavam pesadas. Ela manteve os olhos fixos nos meus, sem um pingo de medo.

E eu sabia que estava perdido.

***

Emma foi a primeira a quebrar o contato, não se afastou bruscamente, não me empurrou. Apenas recuou um passo, como se o ar entre nós tivesse se tornado denso demais para respirar.

- Então é isso que o senhor chama de erro? - murmurou, a voz baixa, carregada de ironia, os lábios curvados num sorriso quase imperceptível.

Virou-se em direção à porta e caminhou com passos lentos, como se tivesse total consciência de que cada movimento seu me mantinha preso. Ao chegar ao vão, olhou por cima do ombro.

- Boa tarde, doutor Jones - disse, como se estivesse selando o momento.

A porta se fechou atrás dela e o silêncio voltou a dominar a sala. Apoiei as mãos na mesa, inclinando o corpo para frente, tentando recuperar o fôlego que ela tinha arrancado de mim.

No centro cirúrgico, minhas mãos nunca tremem. Sempre mantenho o controle absoluto. Mas com ela... tudo é diferente. O controle se desfaz, e no lugar dele surge algo bruto, urgente, impossível de conter.

Passei os dedos pelo cabelo, tentando reorganizar meus pensamentos. O cheiro dela ainda estava ali, impregnado na minha pele, na minha respiração. Quanto mais eu tentava afastá-lo, mais ele me invadia.

O beijo não era apenas lembrança, era vívido, pulsante, como se ainda estivesse acontecendo.

E, pior, a necessidade de senti-lo de novo já me consumia.

Eu deveria encerrar isso agora, antes que se tornasse perigoso.

Mas, no fundo, eu sabia: o perigo começou no instante em que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez.

Emma

Saí da sala sem olhar para trás, mesmo sabendo que ele continuava ali, parado, me observando.

Minhas pernas seguiam firmes, mas por dentro... o corpo inteiro ainda vibrava pelo que tinha acabado de acontecer.

O corredor parecia mais longo do que o normal. Cada passo ecoava alto demais. A respiração, descompassada, me denunciava, e eu precisava recuperar o controle antes que alguém percebesse.

Apoiei a mão no balcão de recepção por alguns segundos, fingindo folhear uma ficha qualquer. Mas, na verdade, eu só queria me recompor. O gosto dele ainda estava na minha boca, quente, quase viciante.

O problema não era só o beijo.

Era a forma como ele me tocou, como se me conhecesse há muito mais tempo do que conhecia. Como se pudesse atravessar qualquer barreira que eu tentasse erguer.

E eu deixei.

Apertei os lábios, como se isso pudesse apagar a sensação. Não funcionou.

Sabia que deveria tratá-lo apenas como meu professor - ainda que ele mal tenha dado aulas até agora, por causa das cirurgias e transplantes. Mas, na minha cabeça, Oliver Jones nunca foi só "o doutor Jones".

Era o homem que mora no apartamento ao lado.

O homem que me olha como se enxergasse coisas que eu mesma tento esconder.

O homem que não deveria ter cruzado aquela linha... mas cruzou.

Peguei o fichário que precisava na enfermaria e segui para a próxima ala, mantendo o rosto neutro. Por dentro, eu queimava.

Talvez ele quisesse acreditar que foi um erro. Talvez até quisesse que eu esquecesse. Mas não havia como.

E, se ele acha que pode simplesmente se afastar... está muito enganado.

***

O corredor estava quase vazio, mergulhado naquele silêncio pesado que só acontece tarde da noite no hospital. O som dos meus passos ecoava baixo, acompanhado pelo farfalhar suave das folhas do prontuário que eu segurava. Eu tentava manter a atenção nele e nas anotações, nos números, em qualquer coisa que me mantivesse longe dos pensamentos que insistiam em voltar para ele.

Mas bastou um instante para que tudo caísse por terra, eu senti antes de ver.

O ar pareceu mudar, ganhar peso. Levantei os olhos e encontrei o que vinha tentando evitar: Oliver Jones.

Ele caminhava na minha direção com a mesma segurança com que cruza a sala de cirurgia. Jaleco aberto sobre a camisa escura, postura imponente, olhar fixo, um olhar que não era só profissional, não comigo. E mesmo que ele tentasse esconder, eu sabia que havia algo ali. Algo perigoso.

Meu coração acelerou. Minhas mãos apertaram o prontuário com força, como se aquele pedaço de papel fosse capaz de me ancorar.

Quando finalmente nos encontramos, minha voz saiu baixa demais.

- Doutor Jones. - Ele manteve o olhar cravado em mim, e aquela troca silenciosa foi mais intensa do que qualquer toque.

- Temos um transplante. Vou precisar de foco máximo - disse, com a voz grave, quase um comando.

Assenti devagar, tentando controlar a respiração. Eu queria responder algo simples, formal... mas a verdade é que a proximidade dele me deixava vulnerável demais. Olhei para o chão por um instante, tentando me recompor.

Mas, mesmo sem tocar, ele me atingia, era como se estivesse sob minha pele.

Ele se afastou, caminhando até a porta do centro cirúrgico. Eu deveria simplesmente deixá-lo passar, mas, antes de entrar, ele se virou para mim. O olhar era frio e, ao mesmo tempo, incendiário.

- Isso não acabou - falou, com a voz baixa, quase um sussurro que só eu poderia ouvir.

Por um segundo, esqueci onde estava. Meu corpo respondeu antes que minha mente processasse: um arrepio subiu pela minha espinha, e minha respiração travou.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele desapareceu para dentro da sala.

Fiquei ali, parada, sozinha no corredor, sentindo o impacto daquelas três palavras.

E ele estava certo, não tinha acabado.

Mas o pior ou o melhor, é que eu não sabia se queria que acabasse.

Emma Carter

Os dias foram se arrastando desde aquela noite, o hospital parecia o mesmo para todo mundo... menos para mim.

Oliver continuava afastado das aulas. A justificativa oficial eram os transplantes urgentes e a agenda sobrecarregada, e de fato eu sabia que ele passava horas no centro cirúrgico. Mas, para mim, a ausência dele tinha outro peso.

No seu lugar, estava o professor substituto. Ele dava as aulas com competência, mas sem aquela intensidade silenciosa que Oliver carregava. Eu fingia que não me importava, que era até melhor assim.

Mentira.

Porque todas as vezes que eu lembrava dele... meu corpo reagia de um jeito estranho, quase incontrolável. Era como se só a lembrança do seu olhar pudesse incendiar minha pele.

E, pior, algumas noites eu acordava ofegante, depois de sonhar que ele me empurrava contra a parede, me prendendo com o corpo, e nós estávamos prestes a...

Eu odiava admitir, mas esses sonhos estavam ficando cada vez mais vívidos.

E, quando a madrugada voltava ao silêncio, eu ficava ali, sozinha na cama, sentindo o coração disparar e o corpo implorar por algo que eu não deveria querer.

No hospital, eu tentava me proteger como podia.

Quando o via nos corredores, mudava de rota. Às vezes entrava em uma sala de prontuários, outras desviava por alas menos movimentadas. Era mais seguro do que encarar aquele olhar de novo.

Foi numa tarde comum que um rosto novo apareceu entre nós. Um residente recém-chegado, de sorriso fácil e olhar atento demais. Não demorou para ele começar a puxar conversa comigo. Primeiro sobre casos do hospital, depois sobre música, cinema... qualquer assunto que prolongasse o tempo que passávamos lado a lado.

E então veio o convite.

Estávamos no corredor do hospital, quase na hora da troca de plantão, quando ele se aproximou mais do que deveria.

- Emma, o que acha de sairmos depois do plantão? - disse ele, com um sorriso confiante.

Antes que eu pudesse responder, ele ergueu a mão e, num gesto íntimo demais para dois colegas, afastou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. O toque foi rápido, mas suficiente para me deixar desconfortável. Ele permaneceu perto, tão perto que eu pude sentir o calor da sua respiração.

E foi exatamente nesse momento que senti aquele arrepio familiar.

Olhei por cima do ombro do novo residente e vi Oliver Jones parado no fim do corredor. O olhar dele era... perigoso.

Ele começou a caminhar na nossa direção com passos firmes, o silêncio dele pesando mais do que qualquer palavra. Quando chegou perto, a voz grave cortou o ar:

- Senhorita Carter - disse, encarando primeiro o outro residente e depois voltando para mim. - Precisa me acompanhar até minha sala. Agora.

O novo residente pareceu engolir seco, recuando um passo. Eu fiquei imóvel por um instante, sentindo o coração martelar no peito, antes de finalmente assentir e seguir Oliver.

E, no fundo, eu sabia que aquela não seria uma conversa qualquer.

Oliver Jones:

Quando Emma fechou a porta atrás de si, o clique do trinco ecoou baixo. Eu girei a chave, trancando-a. Não era o tipo de conversa que eu queria que alguém interrompesse.

- O que você estava fazendo com o novo residente? - perguntei, sem rodeios.

- O nome dele é... - ela começou, mas eu a cortei.

- Não quero saber quem ele é. Quero saber o que vocês têm.

- Isso não é da sua conta. - O tom dela foi firme, quase desafiador. - Talvez o senhor devesse cuidar da sua vida.

Meu maxilar travou, e comecei a me mover: lento, um, dois passos. Ela recuou meio passo, instintivamente.

Os olhos dela me seguiam, atentos, calculando cada centímetro que nos separava - e que eu diminuía.

- Engraçado... - murmurei, parando a poucos centímetros do seu corpo. Meu olhar prendeu-se ao dela como um grilhão. - Porque não foi o que pareceu quando você estava com a minha boca na sua.

- Você mesmo disse que foi um erro. - Ela respirou fundo, mas não desviou.

- Cala a boca. - Inclinei meu rosto para mais perto, tão perto que senti o hálito quente dela.

A frase saiu quase como um rosnado, segurei seu rosto e a beijei. O primeiro toque de lábios foi uma explosão contida. A tensão que nos segurou por dias, agora queimava de dentro para fora. Minhas mãos deslizaram para sua cintura, puxando-a contra mim. Ela reagiu sem pensar e tomou impulso e cruzou as pernas na minha cintura, colando-se ao meu corpo como se não quisesse nunca mais se separar.

A mesa estava logo atrás. Dei dois passos e a sentei sobre ela, o impacto derrubando canetas, pastas e um copo. Nada importava além do gosto dela.

Minha boca explorava cada centímetro da sua, como se eu quisesse apagar qualquer lembrança de outro homem, as mãos dela subiram para minha nuca, puxando meus cabelos, e o movimento me arrancou um baixo gemido.

Puxei o uniforme azul por cima, revelando um sutiã vermelho com tule transparente. O tecido delicado contra minha pele só me deixou mais duro, pressionei meu pau entre as pernas dela por cima da calça, sentindo-a ofegar. Beijei o pescoço, os ombros, a curva dos seios, enquanto minhas mãos buscavam o fecho do sutiã.

E então três batidas secas na porta.

- Oliver! - A voz grave e autoritária do meu pai quebrou o ar denso.

Eu congelei. Ainda com as mãos no corpo dela, o peito arfando, ciente de que estávamos perigosamente perto de um ponto sem retorno.

A voz do meu pai ecoou como um balde de água fria, mas o calor entre nós continuava queimando.

Me afastei de Emma lentamente, respirando fundo para recuperar o controle. As mãos dela ainda seguravam minha camisa, e seu peito subia e descia rápido.

- Vista-se - murmurei, baixo, quase um comando.

Ela desceu da mesa, puxando o uniforme para cobrir o corpo, tentando ajeitar o cabelo, mas eu sabia... o vermelho das bochechas dela não era apenas vergonha. Peguei as coisas que estavam no chão e organizei na mesa o mais rápido possível.

Girei a chave e abri a porta, meu pai estava lá, impecável como sempre, o terno alinhado, o olhar crítico percorrendo meu rosto como se pudesse adivinhar no que eu estava metido segundos antes.

- Interrompo alguma coisa? - ele perguntou, seco.

- Trabalho - respondi sem hesitar, mas minha voz soou mais rouca do que deveria.

- Certo... - Ele desviou o olhar para Emma, que estava a um passo atrás de mim, tentando parecer neutra - Senhorita Carter.

Ela apenas assentiu, com um leve sorriso educado, antes de sair pela porta sem dizer nada. Não olhou para mim. Não parou.

E aquilo me irritou mais do que deveria, meu pai entrou, falando sobre um jantar com investidores e insistindo para que eu assumisse a presidência do hospital. Eu o ouvia pela metade. Minha mente ainda estava presa à sensação do corpo dela contra o meu, ao gosto da boca dela, ao toque quente da pele revelada por aquele sutiã vermelho.

O nome dela era uma faca que me cortava de dentro para fora.

Quando meu pai saiu, a sala voltou ao silêncio, eu olhei para a porta fechada e percebi que estava mais frustrado do que antes. E, no fundo, sabia que aquilo não ia acabar ali.

Nem de longe.

***

O plantão da noite já estava na metade quando o celular vibrou no bolso do meu jaleco.

Era a central de transplantes. Um coração havia chegado e a cirurgia precisaria começar imediatamente.

Peguei o prontuário, revisei os exames e caminhei em direção ao centro cirúrgico. Enquanto andava pelos corredores silenciosos, senti aquele arrepio conhecido na pele, antes mesmo de vê-la: Emma.

Ela estava parada perto da ala de emergência, conversando com uma enfermeira e anotando algo em seu caderno. O cabelo preso deixava o pescoço exposto, a curva delicada da clavícula aparecendo por baixo do jaleco.

Quando me viu, ela congelou por um instante, como se também sentisse o impacto.

Eu não diminuí o passo.

- Senhorita Carter - falei, baixo, quando parei diante dela.

- Doutor Jones - respondeu formal, mas os olhos... os olhos diziam outra coisa.

Ficamos alguns segundos apenas nos encarando. Nenhum dos dois cedia. O corredor parecia estreitar ao nosso redor.

Eu devia seguir para a cirurgia, mas o que fiz foi dar um passo a mais.

- Está de plantão até que horas? - perguntei.

- Até às seis - respondeu, e mordeu o lábio inferior.

Meu olhar desceu para aquela boca, e por um momento imaginei como seria beijá-la ali mesmo, contra a parede fria do hospital.

- Fique longe do novo residente - falei por fim, sem explicar, sem justificar.

- Não sabia que isso fazia parte do protocolo médico. - Ela ergueu as sobrancelhas, quase sorrindo.

- Não faz - inclinei-me o suficiente para que minha boca roçasse perto da orelha dela. - Mas eu não ligo.

Afastei-me antes que pudesse responder, e ela ficou me olhando enquanto eu caminhava até a porta dupla do centro cirúrgico. Eu podia sentir seus olhos queimando minhas costas. E, naquele momento, soube que estava me colocando num jogo perigoso demais...

E que eu não queria, nem por um segundo, sair dele.

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