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Vidas Trocadas: A Esposa Errada do CEO

Vidas Trocadas: A Esposa Errada do CEO

img Romance
img 44 Capítulo
img 102 Leituras
img Lanuza Santos
5.0
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Sinopse

Ana Clara nunca quis luxo. Nunca quis poder. Nunca pensou em viver uma mentira. Ela só queria ajudar seus avós e salvar o pai. Quando sua irmã gêmea aparece com uma proposta absurda - assumir seu lugar em um casamento por contrato - Ana Clara sabe que deveria recusar. Mas era a única saída. A única chance. Então ela faz o impensável. Seria apenas um contrato por alguns meses. Era o que ela dizia a si mesma. O noivo? Leonardo Montenegro. O CEO conhecido como Czar de Gelo. Frio. Poderoso. Intocável. Ele não quer amor. Ela não pode se apaixonar. Para Leonardo, o casamento é apenas uma jogada estratégica dentro de uma Sociedade secreta que controla fortunas e destinos. Para Ana Clara, é um sacrifício temporário. Mas o que deveria ser apenas um acordo começa a mudar quando Leonardo percebe que a mulher ao seu lado não é a herdeira superficial que ele conhecia. Ela é diferente. Forte de um jeito silencioso. Gentil onde ninguém mais é. Guarda uma dor que ele reconhece. E desperta algo que ele jurou nunca mais sentir. Só que Ana Clara carrega um segredo capaz de destruir tudo. E quando sentimentos reais ameaçam atravessar um casamento que nunca deveria ultrapassar limites, a pergunta deixa de ser "quem está mentindo?" E passa a ser: Quem vai sobreviver quando a verdade vier à tona? Em um jogo onde alianças valem mais que amor e tradição vale mais que liberdade, Ana Clara precisa decidir até onde está disposta a ir para manter essa identidade. Segredos, desejo proibido e um casamento construído sobre mentiras. Até quando Ana Clara conseguirá ser a esposa errada do CEO?

Capítulo 1 Raízes Que Sangram

O cheiro de terra molhada e de café fresco sempre foi o meu porto seguro, mas, naquela manhã, tinha gosto de despedida.

Olhando pela janela da cozinha, vi meu pai, Luiz Carlos, sentado na varanda. O sol da manhã batia em seu rosto, mas sem trazer cor. Ele tentava esconder o tremor nas mãos enquanto segurava a caneca, como se o mostrar fraqueza fosse uma traição a tudo o que ele sempre foi.

Eu conhecia cada detalhe daquele homem.

E o via enfraquecer, dia após dia, como uma árvore esquecida pela chuva.

- Ele não tomou o remédio novo, Ana - minha avó Maria sussurrou ao meu lado. A voz vinha cansada, carregada de noites mal dormidas. - Disse que é caro demais... que não vale a pena gastar com algo que não tem cura.

Engoli em seco e senti o nó apertar minha garganta.

Meu pai era meu alicerce. Quando minha mãe, Laura, partiu em busca do brilho da cidade grande, levando Ana Paula pela mão, eu escolhi ficar. Escolhi o barro, os bichos, o silêncio que conforta. Escolhi o amor simples e firme daquele sítio.

Mesmo assim, a partida dela sempre deixou um vazio que ecoa em cada canto da casa. O coração se dividia entre o ressentimento e a compreensão pela busca dela por algo maior, algo que talvez eu nunca pudesse oferecer, mas que me ensinou a valorizar o que eu tinha.

Eu também senti uma necessidade profunda de proteger o que restava, de garantir que as raízes que nos prendiam àquele lugar não se perdessem. Assim, cada decisão minha era uma promessa silenciosa de lealdade ao homem que sempre escolheu permanecer.

Recebi a melhor educação que o esforço do meu pai pôde pagar. Tive acesso a livros, bons professores e valores, mas meus diplomas não serviam de nada se eu não podia salvar a vida de quem me ensinou tudo.

O barulho de um carro importado cortou o silêncio, destoando daquele lugar.

Levantei o olhar a tempo de ver o veículo reluzente estacionar perto do celeiro, levantando poeira demais para algo tão delicado.

Era ela.

Ana Paula saiu do carro com a confiança de quem nunca precisou pedir licença. Cada gesto era preciso. O cabelo estava impecável, usava óculos escuros de marca, um vestido claro de tecido leve e acessórios que valiam mais do que toda a nossa colheita.

Tão parecida comigo.

E tão distante.

- Ela odeia esse lugar - murmurou meu avô Geraldo, surgindo atrás de mim. - Mas nunca deixa de vir.

Sorri, sem tirar os olhos dela.

- No fundo, ela precisa daqui. Mesmo que nunca admita.

Ana Paula entrou na casa segundos depois, retirando os óculos e observando tudo como se estivesse em um museu antigo.

- Isso aqui continua... igual - comentou, sem saber se reclamava ou constatava.

- Ainda bem - respondi, me aproximando.

Nos encaramos por um segundo a mais do que o normal. Tínhamos o mesmo rosto, os mesmos olhos, mas histórias completamente diferentes refletidas neles.

- Você está mais magra - disse ela, após um abraço apertado. - Interior não combina com dieta, sabia?

- E você está mais dramática - devolvi, sorrindo. - Cidade grande faz isso?

Ela revirou os olhos e sorriu.

- Bem-vinda, minha filha - minha avó abriu os braços. - Deixei o quarto preparado. Espero que esteja do seu agrado.

- Fiz questão de examinar cada canto daquele lugar - meu avô completou, rindo. - Não quero ser acordado de madrugada de novo com seus gritos por causa de algum visitante indesejado.

- Argh... - Ana Paula fez uma careta. - Diz isso porque não foi o senhor que acordou com um sapo na beira da cama! Aquele bicho estava me encarando!

Ela ainda abraçava o avô quando meu pai apareceu na porta.

Caminhava com dificuldade. O corpo denunciava o que ele insistia em esconder. Ainda assim, endireitou os ombros e brincou:

- Pare de drama, menina. O Godofredo não faz mal a ninguém.

Ana Paula ficou parada por um instante ao vê-lo daquele jeito. Seus olhos se arregalaram, mas ela logo disfarçou. Ela nunca gostou de mostrar sentimentos profundos na frente dos outros.

- Papai! - reclamou. - Sua opinião não conta. Seu gosto por animais de estimação é duvidoso.

Todos nós rimos.

- Venha aqui, minha filha - ele abriu os braços. - Estava com saudades.

Ela se aproximou devagar, como se ele fosse frágil. Mas meu pai a puxou para um abraço forte e deu um beijo barulhento em sua bochecha.

Ficamos reunidos em volta da mesa da cozinha. Café quente, pão fresco, risadas tímidas. Ana Paula falava da viagem, dos amigos, de lugares distantes.

Meu pai observava em silêncio, como se quisesse guardar cada detalhe na memória.

Duas filhas, duas vidas, e um futuro que talvez ele não pudesse ver.

Pude perceber, pelo seu olhar, quando um pensamento atravessou sua mente. Então me lembrei da conversa de dias antes: queria nos ver casar, formar família, ter filhos.

Mal sabia ele que, naquele ano, Ana Paula não viera apenas para uma visita.

Ela trouxe uma proposta e planos que poderiam mudar o destino de todos nós.

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