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Capítulo 5

Quando finalmente saí do prédio da faculdade, o ar da tarde parecia mais leve.

O sol estava começando a baixar no céu, deixando tudo com aquela luz dourada que sempre tornava o campus mais bonito. As árvores projetavam sombras longas pelo chão e vários estudantes estavam espalhados pela grama, conversando, rindo ou tentando terminar algum trabalho de última hora.

Respirei fundo.

Alguns dias na faculdade pareciam intermináveis, mas aquele tinha sido... agradável.

Ajustei a alça da bolsa no ombro e comecei a caminhar em direção ao estacionamento.

- Elisa!

Virei-me ao ouvir meu nome.

Era Marina correndo na minha direção, segurando o próprio caderno contra o peito.

- Ei - falei, sorrindo.

Ela parou ao meu lado, ligeiramente sem fôlego.

- Você sai da sala tão rápido que parece que está fugindo.

- Eu só estava indo embora.

- Mesma coisa.

Começamos a caminhar juntas.

- Você já viu a mensagem do grupo da turma? - ela perguntou.

- Ainda não.

- O professor vai anunciar um novo projeto amanhã.

Suspirei.

- Mais um?

- Pelo menos esse parece ser em grupo.

- Isso pode ser bom... ou um desastre.

Marina riu.

- Verdade.

Passamos por um grupo de estudantes sentados perto da fonte do campus. O som da água misturava-se às conversas e ao barulho distante de carros passando na rua principal.

- Você vai fazer alguma coisa hoje? - perguntou Marina.

- Provavelmente desenhar um pouco.

- Claro que vai.

- O que isso quer dizer?

- Quer dizer que você sempre desenha.

Sorri.

- Porque eu gosto.

- Eu sei. E você é boa nisso.

Chegamos perto do estacionamento.

- Bom, eu vou para aquele lado - disse ela, apontando para a outra direção.

- Nos vemos amanhã.

- Não se esqueça de olhar o grupo da turma.

- Vou olhar.

Nos despedimos com um abraço rápido.

Continuei caminhando até o carro.

Quando entrei, coloquei a bolsa no banco do passageiro e liguei o motor. O rádio começou a tocar uma música suave, e deixei que ela preenchesse o silêncio enquanto dirigia.

O caminho até casa não era longo, mas sempre me ajudava a relaxar depois das aulas.

Quando finalmente cheguei, o portão já estava aberto.

Estacionei e saí do carro.

Assim que entrei em casa, o cheiro de comida vindo da cozinha denunciou que minha mãe já estava preparando o jantar.

- Elisa? - ouvi sua voz.

- Sou eu.

Ela apareceu na porta da cozinha, segurando uma colher de madeira.

- Chegou cedo hoje.

- As aulas terminaram mais rápido.

Ela sorriu.

- Como foi o dia?

- Bom. Cansativo, mas bom.

Passei pela cozinha e dei um beijo no rosto dela.

- Seu pai ainda não chegou - ela comentou.

- Trabalho?

- Sim.

Peguei um copo de água e me encostei na bancada.

- O que tem para o jantar?

- Arroz, frango e salada.

- Perfeito.

Minha mãe sempre cozinhava bem, então qualquer coisa que ela fizesse já era motivo de felicidade.

- Vou subir um pouco - falei.

- Tudo bem. Quando seu pai chegar eu te chamo.

Subi as escadas e caminhei pelo corredor até o meu quarto.

Assim que entrei, deixei a bolsa sobre a cadeira e me joguei na cama por alguns segundos.

O teto branco parecia estranhamente interessante quando se estava cansada.

Depois de alguns minutos, levantei-me.

Fui até o espelho.

Minha maquiagem ainda estava ali, embora um pouco mais suave depois de um dia inteiro.

O delineado continuava destacando meus olhos, e o brilho leve nos lábios ainda dava um toque elegante.

Soltei o cabelo e passei os dedos pelos fios.

Depois troquei de roupa, vestindo algo mais confortável: um short de algodão e uma camiseta larga.

Sentei-me na cadeira da minha mesa de desenho.

O caderno ainda estava aberto na última página em que eu havia trabalhado.

Observei o desenho por alguns segundos.

Peguei um lápis.

Comecei a acrescentar novas linhas, ajustando algumas sombras.

Desenhar sempre foi uma forma de relaxar para mim.

Era como se o mundo desacelerasse enquanto eu estava concentrada no papel.

Algum tempo depois ouvi a porta da frente abrir lá embaixo.

Meu pai.

- Elisa chegou? - ouvi a voz dele.

- Está no quarto! - respondeu minha mãe.

Sorri.

Levantei-me e desci as escadas.

Meu pai estava tirando o casaco.

- Oi, filha.

- Oi, pai.

Ele me abraçou rapidamente.

- Como foi a faculdade?

- Normal. Muitos trabalhos.

- Isso é bom.

- Depende do ponto de vista.

Ele riu.

- Sempre gostei de ver você ocupada com o que gosta.

Minha mãe apareceu na cozinha.

- O jantar está pronto.

Sentamos os três à mesa.

As conversas durante o jantar eram sempre simples, mas agradáveis.

Falamos sobre trabalho, faculdade e até algumas histórias antigas que meu pai gostava de contar.

Depois que terminamos de comer, ajudei minha mãe a recolher os pratos.

- Obrigada - disse ela.

- Não custa nada ajudar.

Quando tudo estava organizado, voltei para o meu quarto.

Peguei o celular.

A notificação do grupo da turma ainda estava ali.

Abri a conversa.

Várias mensagens tinham sido enviadas.

Entre elas, uma dizia:

"Amanhã o professor vai formar os grupos do novo projeto."

Franzi ligeiramente a testa.

Trabalhos em grupo podiam ser interessantes... ou extremamente caóticos.

Deixei o celular sobre a mesa.

Fechei o caderno de desenhos e apaguei a luz do quarto.

Deitei-me na cama, puxando o cobertor.

O silêncio da casa era tranquilo.

Enquanto o cansaço do dia finalmente tomava conta, meus pensamentos começaram a ficar cada vez mais distantes.

E, pouco a pouco, o sono chegou.

***

O despertador ainda não tinha tocado, mas acordei assim mesmo.

Abri os olhos lentamente, olhando para o teto do meu quarto enquanto tentava entender por que tinha despertado tão cedo. A casa ainda estava silenciosa, o que significava que meus pais provavelmente ainda estavam dormindo.

Virei-me para o lado e olhei para o relógio na mesa de cabeceira.

Ainda faltava quase uma hora para o despertador tocar.

Suspirei.

Quando percebia que não ia conseguir voltar a dormir, geralmente era melhor simplesmente levantar.

Afastei o cobertor e me sentei na cama, esticando os braços para espantar o resto do sono.

O ar da manhã estava fresco, entrando pela fresta da janela.

Levantei-me e caminhei até ela, abrindo um pouco mais as cortinas.

O céu ainda estava em tons suaves de azul e rosa, anunciando o começo de um novo dia.

Fiquei ali alguns segundos apenas observando.

Sempre gostei dessas primeiras horas da manhã. Havia algo calmo nelas, como se o mundo ainda não tivesse começado a correr.

Depois fui até o banheiro.

Lavei o rosto com água fria, o que ajudou a me despertar completamente. Quando voltei ao quarto, comecei a escolher a roupa para a faculdade.

Depois de alguns minutos analisando o guarda-roupa, escolhi algo simples, mas elegante.

Uma calça jeans de cintura alta, um pouco mais clara que a do dia anterior, e uma blusa branca de tecido leve, com mangas delicadas.

Peguei também uma jaqueta bege, caso o clima esfriasse mais tarde.

Coloquei a roupa sobre a cama e sentei-me diante do espelho da penteadeira.

Comecei a arrumar o cabelo.

Escovei-o com calma, deixando-o solto e levemente ondulado sobre os ombros.

Depois passei para a maquiagem.

Nada exagerado, mas o suficiente para realçar meus traços.

Um pouco de base para uniformizar a pele, blush suave nas maçãs do rosto, máscara de cílios e um delineado fino que destacava meus olhos. Finalizei com um batom rosado discreto.

Observei o resultado no espelho.

Simples.

Mas bonito.

Levantei-me e terminei de me vestir.

Quando desci as escadas, o cheiro de café já estava espalhado pela casa.

Minha mãe estava na cozinha.

- Bom dia - disse ela ao me ver entrar.

- Bom dia.

Peguei uma caneca e me servi de café.

- Você acordou cedo hoje - comentou ela.

- Acho que dormi demais ontem.

Ela riu.

- Duvido.

Sentei-me à mesa enquanto ela terminava de preparar o café da manhã.

Logo meu pai apareceu também, ainda ajustando o relógio no pulso.

- Bom dia - disse ele.

- Bom dia - respondi.

Sentamos os três à mesa.

Enquanto comíamos, conversamos sobre coisas simples do dia.

Meu pai comentou sobre algumas reuniões que teria no trabalho e minha mãe falava sobre as tarefas que precisava resolver.

- E você? - perguntou ela. - O que tem hoje na faculdade?

- Acredito que o professor vai anunciar um novo projeto.

Meu pai ergueu as sobrancelhas.

- Outro?

- Sim.

- Bom sinal. Significa que você está aprendendo bastante.

- Ou que vou dormir menos.

Ele riu.

Terminamos o café da manhã alguns minutos depois.

Subi rapidamente para pegar minha bolsa e conferir se não estava esquecendo nada.

Caderno.

Estojo.

Celular.

Tudo certo.

Desci novamente e peguei as chaves do carro.

- Tenha um bom dia - disse minha mãe.

- Você também.

Meu pai levantou a mão em um pequeno aceno.

Saí de casa e caminhei até o carro.

O ar da manhã estava fresco, e a rua ainda estava relativamente tranquila.

Dirigir naquele horário era muito mais fácil.

Coloquei uma música baixa no rádio enquanto seguia em direção à faculdade.

O trânsito começou a aumentar conforme me aproximava do campus, mas nada muito fora do normal.

Quando finalmente estacionei, observei o movimento ao redor.

Estudantes chegando, alguns ainda sonolentos, outros conversando animadamente.

Peguei minha bolsa e saí do carro.

Enquanto caminhava em direção ao prédio principal, percebi Marina sentada em um dos bancos próximos à entrada.

Ela estava olhando o celular, provavelmente lendo as mensagens do grupo da turma.

- Bom dia - falei ao me aproximar.

Ela levantou o olhar.

- Finalmente! Achei que você ia se atrasar hoje.

- Eu nunca me atraso.

- Sempre há uma primeira vez.

Sentei-me ao lado dela.

- Já viu as mensagens do grupo?

- Algumas.

- Todo mundo está tentando adivinhar como vão ser os grupos.

Suspirei levemente.

- Isso pode ser interessante.

- Ou um caos.

- Também.

Marina guardou o celular.

- Bom... vamos descobrir logo.

Levantei-me.

- Vamos.

Entramos no prédio juntas, acompanhando o fluxo de estudantes pelos corredores.

O dia na faculdade estava apenas começando.

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