ESTELA
O clima estava muito tempestuoso lá fora, parecendo o fim do mundo. Eu estava nervosa vendo o céu pela janela da carruagem, com meus dedos entrelaçados com os de Sarah que dormia levemente ao meu lado.
Prometi protege-la, como ela sempre fez comigo, desde que me encontrou em uma cesta em frente à porta da casa de seus pais. Saber que ela insistiu em ficar comigo, como uma irmãzinha que ela precisa para ser feliz, quebra o meu coração só de lembrar de tudo o que ela passou, para no fim precisarmos fugir o mais longe possível da aldeia. Me proteger nunca foi uma tarefa fácil para Sarah, independentemente da minha idade - mas agora fugir do mundo está sendo arriscado tanto para mim, quanto para ela. Arriscar sua vida por mim, foi uma de demonstrar seu amor por mim. Também irei protege-la até a minha morte - se for possível eu morrer.
- Chegamos, - disse o cocheiro me tirando de meus pensamentos. Sarah e eu insistimos a ele para que nos levasse para o castelo, mesmo que todos presentes na multidão querem minha cabeça em uma bandega de ouro - e não de prata. - Vinte xelins. - esclareceu o cocheiro depois que saímos da carruagem.
- Mas você disse cinco xelins! - eu exclamei indignada com sua mudança de valor pela viagem.
- Mudei de idéia, quero vinte xelins. Olha para o céu, garota, preciso de uma garantia se chegarei em casa vivo. - ele deu de ombros.
Revirando os olhos para ele, entreguei minha bolsa de moedas que tinha juntado por um tempo, sabia que aquele xelim seria útil para alguma coisa, mas não para pagar absurdo para um cocheiro por nós trazer até o castelo. Contando cada xelim até tem vinte em minha mão, entreguei ao cocheiro com uma expressão exasperada.
- Bom show as damas, espero que gostem de ver a cabeça daquela bruxa em uma bandeja de ouro antes do sol nascer. - ele disse e depois virou de volta em direção a floresta.
- Não ligue para ele. - disse Sarah tocando no meu ombro.
Ela percebeu que aquele comentário me ofendeu, ela sempre sabia quando eu estava incomodada com algo. Anos um ao lado da outra, sabíamos de tudo sobre a outra, até mesmo as nossas fraquezas.
- Vamos, não podemos nos atrasar, senão as pessoas ficaram desconfiadas. - ela disse pegando minha mão e me puxando para o portão do castelo que estava lotado com a multidão.
Adentrando no castelo, ouvindo os gritos agudos de todos os soldados e guardas, minha barriga revirou com a crueldade visível em cada rosto desses seres humanos. Homens que sobreviveram guerras, ataques, humilhações e várias outras coisas. Senti vários olhares quando estavámos passando pela multidão, olhares que me deram medo e despertado meu interior protetor. Chegando em uma das altas fileiras estendidas nas arquibancadas do estádio de guerra, conseguimos ver todos presentes querendo a cabeça da última bruxa viva na terra, - que no caso era eu. A garota que todos queriam morta.
O olhar do rei era de raiva, pela morte de seus soldados que a penúltima bruxa os matou. Eu não consegui saber nada sobre ela, tentei perguntar para os moradores da aldeia, mas todos eles disseram a mesma coisa: "quem se importa, ela era uma abominação!". Tentei não parecer afetada com os comentários maldosos sobre nós bruxas, mas eles nunca poderiam saber a verdade sobre mim. A única pessoa que me aceitou por quem eu sou foi Sarah.
Olhei para ela que estava em choque ao meu lado, olhando para as catapultas soltando bolas de fogo sobre o ar, dizendo que queria a última bruxa morta. Será que eles me matariam? Será que eles saberiam que eu era uma bruxa?
As bruxas em nosso mundo eram consideradas uma espécie de humano demoníaco, que matam pessoas, inocentes ou não, e as levam para o inferno consigo. Bruxas querem disser perigo que não eram estampados em nossos rostos, mas que a nossa bondade era chantagens para os humanos. Bruxas não tinham sentimentos e nem coração, às vezes eu queria perguntar a eles o que é isso que bate no meu peito.
Eu congelei quando vi uma bússola na mão do rei. Todos sabiam que as bússolas ficavam girando e girando sem parar quando tinha bruxas nas proximidades, se aquela bússola girasse seria meu fim. Senti a mão de Sarah na minha quando ela percebeu meu choque, ela me deu um sorriso que expressava que tudo iria ficar bem - mas eu sabia que não vai.
O rei levantou de seu trono e levantou a mão, chamando a atenção de todos e eles se calaram em um só, o silêncio reinava entre nós agora. O rei olhava para todos nós com os olhos semicerrados, como se nossos rostos transmitissem um sinal se éramos bruxas ou não. Eu sabia que o rei tinha um herdeiro, que deveria ficar ao lado de seu pai, independentemente do que se tratava o assunto, mas não o vi em lugar nenhum. Para falar a verdade, eu nem sabia como ele era.
- Todas as bruxas foram mortas, - o rei exclamou, em alto e bom som. - Mas só resta uma, que provavelmente está entre nós, se passando por um humano para nós enganar e depois matar!
Cochichos estavam em todas as partes do estádio de guerra, olhando uns para os outros desconfiados de seus próprios familiares e entes queridos. Mas eu estava lá, sozinha neste mundo cheio de humanos que mentem sobre como nós bruxas somos.
- Senhorita, você poderia vir comigo? - perguntou um homem jovem de cabelos pretos com um sorriso sincero no rosto.
- Por que? – exclamou Sarah, praticamente gritando para que o jovem rapaz pudesse ouvir, já que todos presentes na arquibancada voltaram a falar em uníssono.
- Porque preciso levá-la em um lugar seguro, uma garota com uma aparência angelical não precisa ver a brutalidade do meu p... do rei. Vai ser sangrento, nojento e apavorante. - disse o garoto na qual parecia mesmo querer me ajudar, como se uma donzela delicada que não podia ver sangue na minha frente e já desmaiaria. Mas nem foi isso que me deixou mais chocada, foi como ele descreveu minha aparência: uma garota com uma aparência angelical. Eu usava um vestido branco com alguns rubis no decote e no fim das mangas do vestido, o habitual de sempre. Meus cabelos eram loiros bem claros e meus olhos azuis me fazem parecer verdadeiramente um anjo, é o que todos diziam. Mas será que eles iriam dizer o mesmo se soubessem quem eu verdadeiramente era?
- Muito obrigada, mas ela não precisa da sua ajuda, estamos aqui pelo mesmo motivo, a cabeça da última bruxa, - ela disse e depois deu uma piscada para mim, eu sabia que era uma mentira, Sarah nunca me quis morta.
- Confie em mim, ela precisa, antes que seja tarde. - disse ele fortemente, ele simplesmente agarrou o meu braço e me puxou escada abaixo.
- Ei, o que você está fazendo? - exclamou Sarah, descendo as escadas correndo para nós alcançar. O jovem rapaz era forte de mais para mim.
- O que você deveria estar fazendo protegendo-a. - ele disse, sem ao menos olhar para trás. O único jeito de me desvencilhar de seu aperto no meu braço era usando magia, mas isso estava fora de questão, da vez em que ele descobrir que sou a última bruxa na terra ela me matará e será exaltado pelo rei.
- Me de um motivo para você me proteger. - eu disse depois de conseguir me livrar de seu aperto balançando o meu braço repetidas vezes.
- Porque eu sou a única chance que você terá antes de a sua cabeça estar na bandeja do rei. - disse ele enfurecido, apontando para o rei de pé andando de um lado para o outro sem tirar os olhos da bússola. Vi pelo canto do olho o rapaz fazer um movimento e tirar uma bússola de seu bolso de trás da calça. - Eu não quero que te matem, pois sei que vocês bruxas não são uma ameaça. - ele disse baixinho para que ninguém pudesse escutar, exceto eu e Sarah.
Olhando para Sarah pedindo sua ajuda, ela me olhou com um olhar de quem não sabia o que fazer, ela sabia que uma hora ou outra o rei saberia que eu era a última bruxa.
NOAH, três meses atrás
Meu pai havia me chamado para conversar em seu escritório, depois de ele ter voltado à três dias atrás com a bruxa de Plimude, localizada no sudoeste da Inglaterra, ele tem agido de uma forma completamente estranha. Mesmo que ele seja estranho por suas caças e perseguições.
O castelo estava quieto de mais depois da morte de Giovanna, ao que parecia ser, a penúltima bruxa existente na face da terra. Agora só havia uma. O Reino inteiro estava uma rebelião quando as bruxas voltaram a atacar e serem uma ameaça para a sociedade humana. Uma guerra entre os humanos e as bruxas sempre foi meu maior medo - todos sabem quem iria ganhar esta guerra. Meu pai tentou me proteger e a minha mãe, mesmo estando fora caçando esta bruxa. Sua obsessão a caças as bruxas parecia uma tradição de Halloween, - só que agora as bruxas realmente existem.
Todos estavam comentando de como impiedoso meu pai tinha agido ao queimar aquela pobre bruxa que nem tinha culpa da guerra que sua família bruxa tinha feito com os humanos. Meu pai e seus melhores soldados haviam torturado ela para extrair informações sobre sua linhagem, mas a garota não sabia literalmente de nada. Foi muito dolorosa assistir ela sendo torturada, convencer meu pai a deixar-me estar presente foi mais complicado do que pensei, mas arrependo um pouco do olhar em que Giovanna me deu quando seus dedos estavam sendo quebrados um por um, e eu não pude fazer nada.
Virando a última esquina do corredor antes de chegar a porta do escritório de meu pai, um de seus guardas mais leal e confortável - de acordo com meu pai, estava saindo de seu escritório com um sorriso largo, mas assim que me vê ela dá um pequeno aceno de cabeça com uma expressão fria. Provavelmente estava discutindo com meu pai para lhe recompensar com uma boa coisa.
Adentrando o escritório de papai vejo ele fitando atentamente a uma folha de papel que segurava em uma de suas mãos. Sua mesa estava uma zona com vários papéis, livros e artigos das quais não me lembrava do que se tratava, meu pai me fez ler todos os livros e artigos que haviam em todo o castelo.
Ele não tira seus olhar do papel nem mesmo quando eu pigarreei para chamar sua atenção. Desistindo de chamar sua atenção através de sons, digo: - Pai, eu estou aqui! O senhor não queria falar comigo? - exclamo com raiva, já perdendo a paciência.
Ao contrário de minha mãe, puxei com o temperamento de meu pai: pouca paciência, um pouco rude, destemido, insistente e frio com as pessoas ao qual não conheço. Minha mãe sempre foi meiga, simpática, coração enorme, alegre, paciente e amiga de todos. Eu queria ter herdado suas qualidades.
- Ah, filho, eu não tinha visto você ai, - ele nunca presta atenção para me vê em lugar algum, sempre foi um pai ausente que se preocupa mais com a sua reputação é trino do que seu único filho e esposa.
- Então, o que você queria falar? - pergunto sem nenhum interesse de saber o que ele queria falar para mim.
- Acabei de ter uma conversa com o pai de Rosali, - ele exclama com um pouco de felicidade. - Ele e eu chegamos a um acordo, você vai se casar com Rosali no começo de agosto! - ele termina a frase com orgulho.
Por um tempo não dissemos nada, só encaramos um ao outro, ele alegre e eu em choque. Eu vinha tentando ter um relacionamento saudável com Rosali a quase dois anos, mas sempre acabávamos brigando ou traindo um ao outro. Nunca chegamos a um acordo desde que a peguei com meu pai. Eu queria confiar nela, porém ela nunca me deu motivo para isso.
- Vocês dois têm tempo, é só daqui a cinco meses. Há tempo de preparar tudo. Eu e sua mãe ficaremos orgulhosos de você se casar o quanto antes. - me tirando do transe, meu pai diz quando eu não digo nada.
Eu pisco atordoado. - Em agosto, - eu repito as palavras tidas pelo meu pai, ainda não acreditando que ele já tinha marcado a data do meu casamento.
- Sim, ela virá aqui amanhã. Iremos fazer uma festa de noivado. - ela solta outra notícia desagradável para mim.
- Amanhã será minha festa de noivado? - eu pergunto em choque, minhas sobrancelhas levantadas expressando meu terror.
- Sim, meu filho. Eu queria marcar a data do seu casamento antes, mas antes de você se casar preciso matar aquela maldita última bruxa. - eu balanço a cabeça em concordância, eu preferia concordar com meu pai do que discutir seriamente com ele. - Você e Rosali precisam de um casamento seguro. - ele completa.
- Claro, - é só o que eu tinha para dizer. - Você sabe que irei fazer tudo para agradar ao senhor.
- Eu sei, e por isso, tem mais uma coisa que irei te pedir. - ele dá a volta em sua mesa e se aproxima de mim. - Quero que me ajude a encontrar a última bruxa, e você sabe que é tão útil para mim do que todos os meus homens.
- Claro pai, irei ajudar a matá-la. - eu afirmei, da boca para fora, mas eu não ia ajudar. - Mais alguma coisa? - acrescentei, já cansado de suas escolhas por mim.
- Sim filho. Tenha uma boa noite. - ele disse com um sorriso de lado.
- Para o senhor também. - me virei sem mais nenhuma palavra.
Saindo do escritório de papai, vejo minha mãe encostada na parede com o pingente de seu colar de diamantes em seus dedos, ela para de encará-lo quando me vê. Ela estava ansiosa para saber o que papai havia falado para mim, sempre foi assim, mamãe não podia perguntar ao meu pai sobre os negócios pois ele não a respondia, mas eu sempre disse a verdade para ela. Ela era a única pessoa em que eu confiava.
- Então, o que seu pai disse? - ela perguntou curiosa enquanto seguia atrás de mim.
Eu não estava a fim de conversar com ninguém no momento, nem mesmo minha mãe. Mas não podia esconder isto dela. - Papai marcou a data do meu casamento para agosto e amanhã será minha minha festa de noivado. - disso sem emoção.
Mamãe me olha com os olhos arregalados e depois diz: - Ele não pode fazer isso com você. Rosali não será nunca uma boa esposa. - ela diz os fatos.
- Ele já fez isso mãe, não tem mais como voltar atrás. - eu digo com a cabeça baixa olhando para o chão.
- Não tem nada que eu possa fazer? - interroga minha mãe, querendo muito me livrar desse casamento arranjado. Eu balanço a cabeça levemente negando. - Você merece alguém que te ame, assim como você a ama.
- Mãe, todos nós sabemos que quem merece isso aqui, é você. - eu lhe digo perplexo. Suspirando acrescentei: - Eu sei que não sou a pessoa mais perfeita do mundo, mas por você, eu tento ser melhor.
- Oh meu filho, - ela diz e em seguida me puxa para um abraço, ela coloca seus braços em volta da minha cintura e funga. - Eu te amo tanto. - Ela diz e sinto minha camisa agarrando meu corpo com suas lágrimas. Ela sempre foi muito emotiva.
- Mãe, não chore. - eu pedi e ergui sua cabeça com meus dedos em seu queixo. - Não gosto de te ver chorar.
- Eu sei meu amor, mas são lágrimas de felicidade. Não se preocupe. - ela diz e depois dá um beijo em minha bochecha.
NOAH, três meses atrás
Acordo com os primeiros indícios de raios de sol atingido o meu rosto. Os pássaros cantando sem um ritmo harmônico enquanto voam ao redor da janela do meu quarto. As borboletas batendo com suas asas maravilhosas enquanto pousavam na quina que havia do lado de fora da janela. Esta noite foi uma daquelas em que eu bebia para esquecer dos meus problemas que meu pai me dava.
Eu ouvi seus passos as uma da manhã procurando sua amante pelo castelo, mas o que eu ouvi um dos guardas dizer a ele que ela não estava em lugar nenhum. Porque ela estava na minha cama. Meu pai a procurava de vez em quando em algumas noites para saciar seus desejos que minha mãe não podia dar a ele, porquê desde que eu nasci minha mãe foi descartada pelo meu pai. Ele dizia que só se casou com ela para ser o rei da Inglaterra, nada mais.
- Noah, você está bem? - diz Evelyn se aconchegando no meu peito. Seus olhos verdes-oliva encontram os meus e vejo suas pupilas dilatarem.
- Sim, só estou pensando em um jeito de você sair e meu pai ver nos dois juntos. - digo desviando o olhar e olhando para o teto.
- Você acha que é uma boa idéia fazer ciúmes no seu pai, - ela faz uma pausa e depois continua. - E bem no dia da sua festa de noivado?
- Eu não me importo com os sentimentos dele assim como ele não se importa com os meus. - Eu digo olhando para seus olhos com raiva. - Você não é a mulher mais importante para o meu pai, ele deve ter outra amante que se importe mais do que com você. - eu digo e tiro seu peso do meu peito, me levanto e procuro minhas roupas que havia em todas as partes do chão junto com as de Evelyn. - Pegue suas roupas, se vista e saia do meu quarto. Provavelmente a insignificante da minha futura esposa entrará neste quarto em breve. - falo sem olhar para Evelyn que já havia se sentado na cama e cobria sua nudez com o lençol da cama.
Ouço ela engolir em seco e vejo ela piscar repetidas vezes para suas lágrimas não saírem de seus olhos. - Quando posso vir de novo? - Ela perguntou baixinho e com uma tristeza em sua voz.
- Quando eu te chamar, ao contrário não quero ver você aqui no meu quarto. - digo friamente.
Seus olhos se enchem de lágrimas e eu me apresso para vestir minha roupa. Nem esperando ela se vestir saio do quarto em busca de minha mãe, provavelmente ela já estava no salão orientando os empregados a fazer tudo perfeito para este dia. Encontro ela em seu acento de cabeça baixa torcendo sua aliança no dedo anelar.
- Mãe, você está bem? - pergunto quando ele não ergue sua cabeça quando apareço em seu campo de visão.
Ela ergue a cabeça depois de uma respiração exasperada. Seus olhos e bochechas estavam banhados de lágrimas e um hematoma estava nascendo em uma de suas bochechas. - Mãe, por favor, fale comigo. - imploro que ela desabafe comigo.
- Seu pai. - ela diz com uma voz de choro.
- O que ele fez? E por quê? - pergunto tocando em seu ombro.
Ela respirava fundo e diz: - Ele me bateu depois que tentei fazer ele cancelar o casamento. Eu não quero que você se case com a Rosali, ela não merece um homem como você. - ela diz pausadamente, sua voz cheia de soluços.
- Mãe, - digo chamando sua atenção para mim novamente. - Eu não quero que você interfira, sei que irá sofrer se pedir isso para o pai. Eu quero que você fique bem, então me prometa que nunca mais vai falar para ele cancelar o casamento. - digo firmemente.
- Eu não posso. - ela diz e abaixa a cabeça novamente, não conseguindo me olhar. - Tudo que eu quero é que você se case com uma mulher que você ame.
Negando com a cabeça, pego seu queixo e ergo novamente sua cabeça depositando um beijo em sua testa logo em seguida. - Mãe, eu ficarei bem com este casamento mesmo não querendo. Prometa esquecer disso, ninguém aqui casa por amor ou algo do tipo, tudo se trata de questões políticas.
Ela suspira fundo e seca suas lágrimas com as costas de sua mão.
- Ok, meu filho. Tentarei fazer isso por você. Mas saiba que nunca ficarei feliz com esse casamento. - ela diz com uma voz rouca depois do choro.
- Ainda há cinco meses até lá, tudo pode acontecer. E se o pai não conseguir matar a última bruxa antes, ele vai querer prolongar a data do casamento mais ainda. - digo ajudando-a levantar.
- Eu espero que ela não morra. Seu pai é um idiota por achar que todas as bruxas são culpadas pelas suas ancestrais. - ela disse quando seguimos juntos até o salão onde a festa seria feita hoje a noite.
O salão já estava quase pronto quando eu e mamãe entramos. A mesa de aperitivos estava deslumbrante com dois vasos de flores de variáveis tipos e cores diferentes, três bolos médico de sabores diferente no meio, trifle em duas plataformas dos dois lados da mesa, eton mess em algumas bandejas espalhadas. Cranachas, scones, summer pudding e várias outras guloseimas enchiam a mesa.
Eu conheço Rosali desde meus cinco anos de idade e sei muito bem do que ela gosta ou não gosta, e com certeza ela não irá gosta nada disso. Rosali sempre foi uma garota mimada que gosta de chamar atenção por onde passa.
☾︎
Quando o ponteiro do relógio já marcava as seis da noite, desço as escadas do castelo até a ala onde seria a festa de noivado. Nem um pouco animado, cumprimento os convidados e alguns guardas que fiz questão de convidá-los com um simples aceno de cabeça, não estava com um bom humor para conversar com eles sobre como a presença deles era importante para mim, - mas não era.
Encontro minha futura noiva com sua irmã mais velha conversando enquanto me fitava. Mesmo a odiando, confesso que ela estava linda com aquele vestido muito chamativo que havia detalhes com flores douradas por todo o top e a saia do vestido tinha algumas grandes e pequenas ao redor, suas mangas caindo pelos ombros com um leve babado. Sempre chamando a atenção de todos.
Meu plano era não trocar nenhuma palavra com ela por toda a noite, mas quando ela caminhou em minha direção fiz questão de arrumar um pretendente para dançar comigo. Por sorte, encontro uma Lady desconhecida quando me viro, ela para de andar assim que percebe que eu estava olhando para ela. Estendendo minha mão para ela em um convite silêncio. A garota olha para os meus olhos que imploravam para ela dançar comigo. Colocando sua palma na minha com um pequeno sorriso, a conduzo para a pista de dança. Agora a atenção estava em mim, pois todos haviam visto que Rosali estava vindo em minha direção quando chamei outra garota para dançar.
Ninguém podia dizer nada, não era da conta deles com quem eu dançava ou não.
Meu plano estava dando muito certo, mas quando vi Evelyn com um vestido verde cortejando um de meus primos, a raiva subiu até minha cabeça e em alguns segundos já estava ao lado deles.
- Evelyn, não me lembro de ter convidado você para minha festa de casamento. - digo com raiva, ela percebeu que minha raiva não era pelo motivo de ela estar cortejado meu primo e sim por eu não a ter convidado.
- Seu pai disse que se eu viesse com esse vestido que ele me deu no meu aniversário ele ficaria feliz. - ela disse se virando em minha direção.
- Esta não é a festa de casamento do meu pai e sim a minha, portanto não quero te ver aqui. - digo com mais raiva dela ainda.
Evelyn não teve tempo de protestar porque meu pai estava do nosso lado com sua mão no meu ombro. - Noah, eu tinha perguntado para Evelyn depois de saber que ela passou a noite no seu quarto se você havia convidado ela para a sua festa de noivado, fiquei surpreso quando ela disse que não. - disse ele com uma pitada de diversão em sua voz.
- Eu não a convidei porque não queria vê-la hoje novamente. - digo tirando sua mão do meu ombro.
- Mas você não pensou nisso quando estava transando com ela ontem a noite? - ele perguntou com as sobrancelhas levantadas.
- Não é assim que você a usa? Aprendi com o senhor a usar sua amante quando tem seus desejos. - eu o provoco. Pelo canto do olho, vejo Evelyn com os olhos marejados, ela estava prestes a chorar, isso não era uma boa coisa.
- Ela é minha amante, não sua! - ele entra na minha cara com o seu dedo pressionando no meu peito. - Arrume uma para você quando se casar se suas esposa não satisfizer seus desejos.
- Não achei que você se importaria se eu a pegasse, você também não se preocupou com o que eu pensava quando dormiu com a minha noiva. - eu rebati com a mesma intensidade, alguns convidados já nos observavam com curiosidade.
Meu pai suspira fundo com os olhos fechados, se segurando para não me bater na multidão. Meus lábios se abriram em um pequeno sorriso de vitória. Sem mais nenhuma palavras eu os deixo no salão, incapaz de tolerar mais as palavra idiotas de meu pai sem querer enfiar minha espada em seu peito.
Seguindo o grande corredor até meu quarto, vejo Rosali encostada na parede com o colar que eu a dei de presente no seu aniversário de quinze anos em seu dedo polegar e indicador. Ela olha em minha direção e morde seu lábio inferior provocante me deixando alerta sobre seu comportamento sedutor.
- Seu plano era me ignorar a noite toda? - ela pergunta se virando de frente para mim com passos sensuais.
- Sim, - é a única coisa que digo.
- Suponho que agora seu plano foi por água abaixo. - ele diz e morde o lábio inferior novamente.
- Sim, porque você é um incômodo. - eu digo a verdade. Rosali é uma dor na bunda, e ela sabe muito bem disso.
- Eu sou um incômodo que você é obcecado. - ela diz, agora enrolando uma mecha de seu cabelo castanho em seu dedo.
- Não se iluda, Rosali, você sabe que não significa nada para mim. - digo com um sorriso provocador em meus lábios.
- Sei, - ela se aproxima ainda mais. - Mesmo quando você me viu com o seu pai? - ela perguntou com um sorriso largo em seus lábios. Eu encaro seus lábios por um tempo. - Você quer me beijar? - ela faz outra pergunta.
Sem responde-la, agarro seu pescoço em uma de minhas mãos e a conduzo com brutalidade até ela encostar suas costas na parede, deixo meus lábios a centímetros dos seus. Lambendo os meus lábios para provocá-la, digo: - Não, eu nunca gostei de te beijar.
- Nem mesmo meu corpo enquanto eu estava nua em sua cama? - ela pergunta aproximando seus lábios dos meus.
- Não. - digo e a deixo sem mais nenhuma palavra.