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A Companheira Muda Que O Alfa Deixou Para Morrer

A Companheira Muda Que O Alfa Deixou Para Morrer

Autor:: Hannah
Gênero: Jovem Adulto
Minha mãe estava no hospital depois de uma mordida de cachorro horrível, então liguei para meu noivo, Caio. Ele deveria ser meu porto seguro. Em vez disso, recebi irritação. Ele estava em Campos do Jordão, numa viagem de esqui com minha melhor amiga, Helena. "O que você quer que eu faça? Volte voando agora mesmo?", ele rosnou, antes de desligar para voltar para a "neve perfeita". O cachorro, descobri depois, era da Helena. A mordida na perna da minha mãe diabética rapidamente se transformou em uma infecção violenta. Mandei uma mensagem para o Caio, atualizando-o, dizendo que ela estava piorando, que estavam falando em cirurgia. Ele não retornou a ligação. Em vez disso, o story do Instagram da Helena foi atualizado: uma foto dela e do Caio, com as bochechas coradas pelo frio, sorrindo em frente a uma lareira. A legenda era um único emoji de coração. Enquanto eles tomavam chocolate quente, minha mãe entrou em choque séptico. Sentada sozinha na sombria sala de espera do hospital, encarando meu celular silencioso, eu soube que ele já tinha feito sua escolha. Ele tinha escolhido as férias. Ele tinha escolhido minha melhor amiga. Ele tinha deixado minha mãe para morrer completamente sozinha. Ela faleceu às 3:17 da manhã. Segurei sua mão até ela esfriar, depois saí para a madrugada cinzenta. Eu não estava apenas de luto. Eu tinha chegado ao meu limite. Eu ia me apagar do mundo dele e queimar tudo até o chão.

Capítulo 1

Minha mãe estava no hospital depois de uma mordida de cachorro horrível, então liguei para meu noivo, Caio. Ele deveria ser meu porto seguro.

Em vez disso, recebi irritação. Ele estava em Campos do Jordão, numa viagem de esqui com minha melhor amiga, Helena.

"O que você quer que eu faça? Volte voando agora mesmo?", ele rosnou, antes de desligar para voltar para a "neve perfeita".

O cachorro, descobri depois, era da Helena. A mordida na perna da minha mãe diabética rapidamente se transformou em uma infecção violenta. Mandei uma mensagem para o Caio, atualizando-o, dizendo que ela estava piorando, que estavam falando em cirurgia.

Ele não retornou a ligação. Em vez disso, o story do Instagram da Helena foi atualizado: uma foto dela e do Caio, com as bochechas coradas pelo frio, sorrindo em frente a uma lareira. A legenda era um único emoji de coração.

Enquanto eles tomavam chocolate quente, minha mãe entrou em choque séptico. Sentada sozinha na sombria sala de espera do hospital, encarando meu celular silencioso, eu soube que ele já tinha feito sua escolha. Ele tinha escolhido as férias. Ele tinha escolhido minha melhor amiga. Ele tinha deixado minha mãe para morrer completamente sozinha.

Ela faleceu às 3:17 da manhã. Segurei sua mão até ela esfriar, depois saí para a madrugada cinzenta. Eu não estava apenas de luto. Eu tinha chegado ao meu limite. Eu ia me apagar do mundo dele e queimar tudo até o chão.

Capítulo 1

PONTO DE VISTA DA JÚLIA:

O cheiro de lustra-móveis de limão e madeira antiga enchia a pequena cozinha da minha mãe. Era o cheiro da minha infância, de segurança. Eu estava esfregando as bancadas, tentando apagar os últimos dias de sujeira de hospital da minha memória, quando o celular vibrou contra o granito.

O número do hospital brilhou na tela. Meu coração martelou contra minhas costelas.

"Aqui é Júlia Ferraz", atendi, minha voz tensa.

"Sra. Ferraz", disse uma voz cansada do outro lado. "O estado da sua mãe piorou. Ela foi atacada por um cão de grande porte..."

O mundo girou. Cambaleei para trás, minha mão batendo na parede em busca de apoio. Antes que a enfermeira pudesse terminar, eu já estava discando outro número. O número dele.

Tocou duas vezes antes de ele atender. "Júlia? Estou numa reunião."

A voz de Caio era um som grave e profundo que geralmente acalmava a agitação frenética no meu peito. Mas hoje, estava tensa, como se ele estivesse preso entre dois mundos. Ao fundo, ouvi uma risada aguda e estridente que eu conhecia muito bem. A risada de Helena, como um caco de vidro.

"Caio, é a mamãe", engasguei, as palavras se atropelando. "O hospital ligou. Ela foi atacada por um cachorro, um grande. Ela não está bem."

"Acalme-se", ele disse, e senti a ponta afiada de um *Comando de Alfa* em seu tom, um apelo desesperado por controle disfarçado de autoridade. "Respire. Estou no meio da cúpula em Campos do Jordão. Isso é importante."

"A Helena está aí com você", afirmei, o nome deixando um gosto amargo na minha boca. "Eu a ouvi."

Houve uma pausa. "A Helena está aqui como representante da Alcateia do Pico da Neblina. Essa fusão é crucial para o futuro da Mata Negra, Júlia. Você sabe disso."

"Minha mãe está morrendo, Caio!" As palavras rasgaram minha garganta, cruas e ásperas.

Seu suspiro foi pesado de frustração. "Você quer que eu abandone o futuro de duas alcateias por uma humana?"

A pergunta me atingiu como um golpe físico, roubando o ar dos meus pulmões. Uma humana. Minha mãe.

"Preciso ir", ele disse, sua voz já voltando ao tom suave e comandante de um Alfa. "A Helena está prestes a começar a apresentação dela. Vou pedir ao meu Beta para entrar em contato com você."

A linha ficou muda.

Fiquei paralisada na cozinha, o silêncio gritando ao meu redor. Ele os tinha escolhido. Ele a tinha escolhido.

No hospital, um médico com o rosto sombrio me levou a um pequeno e estéril consultório.

"As marcas da mordida são... extensas", ele disse, evitando meus olhos. "Analisamos as amostras de saliva. O animal está registrado. É um Lobo de Guerra, de propriedade de uma Sra. Helena Peterson."

Meu sangue gelou.

"Lobos de Guerra têm uma toxina específica na saliva", o médico continuou, sua voz baixa. "Ela impede a coagulação e causa infecção rápida em humanos. Precisamos saber se os inibidores de agressão do animal estavam em dia."

Eu só consegui assentir, minha mente um turbilhão de estática.

Na UTI, minha mãe parecia pequena e frágil contra os lençóis brancos e rígidos. Uma teia de tubos e fios a conectava a máquinas que apitavam. Seus olhos se abriram quando peguei sua mão.

"Culpa minha", ela sussurrou, sua voz um ruído seco. "Devo tê-lo assustado... um lobo tão lindo..."

Ela ainda estava tentando me proteger. Ainda tentando amenizar as coisas para que eu não tivesse problemas com meu poderoso companheiro.

Meu celular vibrou no meu bolso. Uma mensagem de Caio. Abri, uma parte desesperada e tola de mim esperando por um pedido de desculpas, por conforto.

Em vez disso, li um comando.

*Não chegue perto da Helena. Eu vou resolver isso.*

Ele não estava me protegendo. Ele estava protegendo ela. E naquele momento, eu soube que minha mãe não era apenas vítima de um acidente. Ela era um dano colateral.

Capítulo 2

PONTO DE VISTA DA JÚLIA:

De volta à casa da minha mãe, o silêncio era um cobertor pesado, me sufocando. Fiquei em frente ao espelho do banheiro, meu próprio reflexo era o de uma estranha. Meus olhos estavam fundos, minha pele pálida.

Ao redor do meu pescoço, o colar de pedra da lua que Caio me dera parecia uma corrente fria e pesada. Era para simbolizar meu futuro lugar como sua Luna, a mãe de seus herdeiros. Agora, parecia uma coleira.

Meus dedos se atrapalharam com o fecho. Era intricado, projetado para ser difícil de remover. Cada puxão nos elos de prata enviava uma dor fantasma pelo meu peito, um eco fraco do laço de Companheiros que ligava minha alma à dele. Parecia que eu estava tentando arrancar um pedaço da minha própria pele.

Finalmente, o fecho cedeu. O colar caiu na minha palma, seu peso uma coisa morta. Eu não o joguei. Eu não o quebrei.

Entrei na sala de estar e o coloquei cuidadosamente sobre a lareira de pedra, acima do fogo apagado. Ficaria ali como um lembrete. Um marco para uma dívida que teria que ser paga com sangue.

Passei o resto do dia organizando os pertences da minha mãe. Embalei suas roupas em caixas para doação, o cheiro de seu perfume agarrado ao tecido, um fantasma no ar. A única coisa que guardei para mim foi uma pequena caixa de madeira gasta. Gravado na tampa estava um único nome que eu não usava desde criança: Ferraz.

Em uma gaveta, encontrei uma foto emoldurada de nós três do verão passado. Eu, minha mãe e Caio. Ele tinha o braço em volta da minha cintura, um sorriso possessivo e confiante no rosto. Minha mãe sorria radiante ao nosso lado. Olhar para o sorriso dele agora me revirava o estômago.

Tirei a foto da moldura. Não a rasguei. Com uma tesoura da gaveta da cozinha, fiz um único corte preciso, separando-o de nós.

A parte comigo e minha mãe foi para a minha carteira. O rosto sorridente dele, joguei na lareira.

Naquela noite, não consegui dormir. Rolei a tela do celular sem rumo, e então eu vi. Helena havia postado uma nova foto em sua conta de mídia social privada.

Eram ela e Caio, na cerimônia de encerramento da cúpula. Ele estava deslizando um anel em seu dedo - o anel de sinete da família Bolton, um símbolo de aliança e promessa. Eles pareciam um rei e sua rainha, poderosos e intocáveis.

A imagem confirmou tudo. A vida da minha mãe, meus cinco anos de devoção... éramos apenas detalhes inconvenientes em uma transação comercial. Éramos pontas soltas a serem amarradas e descartadas.

A última centelha de esperança dentro de mim morreu.

Voltei para a lareira, meus movimentos rígidos e robóticos. Peguei o colar de pedra da lua. Sua superfície estava fria como uma lápide.

Caminhei até a porta dos fundos, abri-a e saí para o ar frio da noite. A mata atrás da casa era uma parede de escuridão impenetrável.

Sem um segundo de hesitação, puxei meu braço para trás e arremessei o colar com toda a minha força. Ele desapareceu no negrume, engolido pela floresta.

Capítulo 3

PONTO DE VISTA DA JÚLIA:

No dia seguinte ao funeral, Caio ligou. Sua voz estava carregada de um pedido de desculpas impaciente, quase ensaiado.

"Sinto muito pela sua mãe, Júlia. Foi um acidente trágico."

Eu não disse nada. O silêncio se estendeu entre nós, denso e desconfortável.

"Meu Beta me disse que você se mudou da casa que preparei para você nas terras da alcateia", ele disse, seu tom mudando. Não era mais de desculpas; era acusatório. "Por que você faria isso?"

"Eu queria ficar na casa da minha mãe", respondi, minha voz plana e vazia.

Ele suspirou, um som de pura exasperação. "Olha, toda essa situação tem sido muito estressante. A Helena está completamente arrasada. O Lobo de Guerra dela está agitado desde... o incidente."

Ele estava falando sobre os sentimentos do lobo. Não sobre a morte da minha mãe. Não sobre o meu luto.

"A Helena está com você agora?", perguntei, minha voz perigosamente calma.

"Sim, está", ele admitiu. "Ela tem sido um grande apoio."

"Passe o telefone para ela."

Houve uma troca abafada, e então a voz enjoativamente doce de Helena encheu meu ouvido. "Júlia, querida, eu sinto muito, muito mesmo. Me sinto péssima. Meu pobre Ares nunca machucaria uma mosca. Sua mãe deve ter entrado na área de treinamento dele por engano..."

Ela continuou falando, sua voz um zumbido meloso, mas uma frase ficou presa na minha mente.

"...Caio foi tão bom com isso. Ele fez o Curandeiro da alcateia assinar o relatório oficial. Um acidente completo, claro. Ninguém tem culpa."

Eles tinham encoberto. Eles tinham falsificado um relatório para protegê-la.

Senti uma onda de náusea. "Deixe-me falar com o Caio."

Sua voz voltou à linha, dura e defensiva. "O que ela te disse?"

"Ela me disse que você enterrou a verdade", eu disse.

"Ares estava defendendo seu território", Caio rosnou. "É um comportamento compreensível para um Lobo de Guerra."

Uma clareza estranha e fria me invadiu. "O médico disse que o lobo não tinha tomado as vacinas inibidoras. As que impedem que o veneno em sua saliva seja fatal para humanos."

Um rosnado baixo ecoou pelo telefone. "*Chega!*" A força de seu *Comando de Alfa* me atingiu, um peso familiar e esmagador, exigindo submissão. Mas desta vez, algo novo se ergueu para enfrentá-lo - um fragmento de fúria gelada.

"Você está transtornada pelo luto", ele continuou, sua voz pingando condescendência. "Fique na casa. Não vá a lugar nenhum. Eu vou resolver tudo quando voltar."

Ele estava falando comigo como uma criança, como um problema a ser gerenciado. Eu era uma mancha que eles precisavam limpar.

Eu não disse adeus. Simplesmente encerrei a chamada.

Então fechei os olhos e alcancei minha própria mente, procurando pelo fio cintilante que me conectava a ele. O Elo Mental. Era quente, familiar, uma parte de mim.

Com um grito silencioso e psíquico de vontade, encontrei aquele fio prateado e cintilante... e o puxei até que ele se partisse em dois.

A quilômetros de distância, eu sabia que ele teria sentido - uma dor súbita e aguda atrás dos olhos. Ótimo.

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