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A Coragem de Uma Irmã

A Coragem de Uma Irmã

Autor:: Shao Yuan
Gênero: Jovem Adulto
O meu irmão, Miguel, morreu no seu 18º aniversário. A polícia disse que foi um acidente, mas o meu mundo desabou de vez no funeral. Enquanto a minha mãe chorava e o meu pai envelhecia, vi o meu noivo, Pedro. Ele não estava a consolar-me, mas sim à sua irmã, Sofia, que se lamentava pelo Miguel. Perguntei a Pedro onde ele estava na noite do acidente, e a hesitação dele confirmou as minhas suspeitas. Ele sabia. E não só isso, eu descobri a terrível verdade: o condutor bêbado, Tiago, era primo dele! A sua família, os influentes Almeida, tentaram encobrir tudo, subornar-me. Os meus próprios pais, esmagados pelo poder deles, pediram-me para desistir. Como podiam fazer-me isto? Todos sabiam e me deixaram na ignorância e na dor. Como se atreviam a falar de "acidente" quando era uma vida brutalmente roubada? A raiva consumiu-me e o noivado acabou. Mas não importa o que eles digam ou façam. Eu não aceitaria o dinheiro do silêncio. Miguel não merecia ser esquecido. Eles não só mataram o meu irmão, como tentaram enterrar a verdade comigo. Vingança. Justiça será feita para o meu irmão. A qualquer custo.

Introdução

O meu irmão, Miguel, morreu no seu 18º aniversário.

A polícia disse que foi um acidente, mas o meu mundo desabou de vez no funeral.

Enquanto a minha mãe chorava e o meu pai envelhecia, vi o meu noivo, Pedro.

Ele não estava a consolar-me, mas sim à sua irmã, Sofia, que se lamentava pelo Miguel.

Perguntei a Pedro onde ele estava na noite do acidente, e a hesitação dele confirmou as minhas suspeitas.

Ele sabia.

E não só isso, eu descobri a terrível verdade: o condutor bêbado, Tiago, era primo dele!

A sua família, os influentes Almeida, tentaram encobrir tudo, subornar-me.

Os meus próprios pais, esmagados pelo poder deles, pediram-me para desistir.

Como podiam fazer-me isto? Todos sabiam e me deixaram na ignorância e na dor.

Como se atreviam a falar de "acidente" quando era uma vida brutalmente roubada?

A raiva consumiu-me e o noivado acabou.

Mas não importa o que eles digam ou façam.

Eu não aceitaria o dinheiro do silêncio.

Miguel não merecia ser esquecido.

Eles não só mataram o meu irmão, como tentaram enterrar a verdade comigo.

Vingança.

Justiça será feita para o meu irmão.

A qualquer custo.

Capítulo 1

O meu irmão, Miguel, morreu.

Morreu na noite do seu aniversário de 18 anos, na mesma noite em que recebeu a sua carta de aceitação da universidade.

A polícia disse que foi um acidente de viação.

O condutor, um homem chamado Tiago, estava bêbado.

O carro dele atingiu o Miguel com tanta força que o meu irmão voou mais de dez metros.

Morreu no local.

Naquela noite, a minha mãe desmaiou de tanto chorar, e o meu pai envelheceu dez anos de um momento para o outro.

Eu fiquei ali parada, sem derramar uma única lágrima.

Apenas senti um frio que me gelou até aos ossos.

Três dias depois, no funeral, vi o meu noivo, Pedro.

Ele não estava a consolar-me.

Estava ao lado da sua irmã mais nova, Sofia, a ampará-la gentilmente.

Sofia chorava tanto que mal se aguentava em pé.

"Pedro, a culpa é toda minha... Se eu não tivesse insistido para que o Miguel me fosse buscar, ele não teria..."

A sua voz estava embargada, cheia de culpa.

Pedro abraçou-a com força, a sua voz era suave e cheia de pena.

"Não digas isso, Sofia. Foi um acidente. Ninguém queria que isto acontecesse."

Um acidente.

Que palavra leve.

Caminhei até eles, passo a passo.

O meu olhar fixou-se em Pedro.

"Onde estavas tu naquela noite?"

A minha voz era rouca, quase irreconhecível para mim mesma.

Pedro franziu a testa, uma ponta de impaciência no seu olhar.

"Eva, agora não é altura para isto. A Sofia já está a sentir-se mal o suficiente."

"Responde-me."

Insisti, olhando diretamente para ele.

A sua hesitação confirmou a minha suspeita.

A Sofia soluçou ainda mais alto, agarrando-se ao braço do Pedro.

"Irmão, não culpes a Eva... Ela perdeu o irmão, é normal que esteja de mau humor."

Depois, virou-se para mim, com os olhos vermelhos e inchados.

"Eva, desculpa. Eu sei que o que quer que eu diga não serve de nada, mas eu realmente não queria que o Miguel..."

"Tu não querias?"

Interrompi-a, uma risada fria escapou-me dos lábios.

"Sofia, o Miguel era o meu irmão. Ele tinha acabado de fazer 18 anos. A vida dele mal tinha começado."

A minha calma pareceu assustá-los.

Pedro deu um passo em frente, tentando segurar o meu braço.

"Eva, acalma-te. Vamos falar disto depois do funeral, ok?"

Afastei a sua mão.

"Não há nada para falar. Pedro, vamos cancelar o noivado."

Disse isto de forma clara, palavra por palavra.

O ar pareceu congelar.

A expressão de Pedro mudou de impaciência para choque, e depois para raiva.

"O que é que estás a dizer? Cancelar o noivado? Só porque eu estava a consolar a minha irmã?"

"A consolar a tua irmã?"

Repeti, o canto da minha boca curvou-se num sorriso de escárnio.

"Na noite em que o meu irmão morreu, liguei-te mais de vinte vezes. Onde estavas tu? Estavas com a tua irmã, a celebrar o aniversário dela, certo?"

O rosto de Pedro ficou pálido.

"Eva, não sejas irracional. A Sofia estava doente, eu tinha de cuidar dela."

"Doente?"

Olhei para a Sofia, que parecia frágil e lamentável.

"Que doença tão grave que te impediu de atender o telefone do teu noivo, cuja família estava a passar por uma tragédia?"

A minha voz não era alta, mas cada palavra era como uma pedra atirada para um lago calmo.

Os convidados ao nosso redor começaram a cochichar.

O rosto de Pedro ficou lívido.

"Já chega! Eva! Estás a fazer uma cena!"

"Estou a fazer uma cena?"

Dei uma risada.

"Pedro, tu sabias. Sabias que o Tiago, o condutor bêbado, é o teu primo. Sabias que ele ia buscar a Sofia à festa dela. Sabias de tudo, não sabias?"

O silêncio dele foi a resposta mais ruidosa.

Naquele momento, todo o meu mundo desabou.

O amor, as promessas, o futuro que tínhamos planeado.

Tudo se tornou uma piada.

Capítulo 2

O meu pai aproximou-se, com o rosto sombrio.

"Eva, para."

A sua voz era baixa e carregada de dor.

Olhei para ele, para o seu cabelo que tinha ficado visivelmente mais grisalho em apenas alguns dias.

Senti uma pontada no coração.

Mas não podia parar.

Se eu parasse agora, estaria a desrespeitar o meu irmão morto.

"Pai, tu também sabias, não sabias? Sabias que a família do Pedro está a tentar encobrir isto."

O meu pai não respondeu, apenas me olhou com um olhar complexo.

O pai do Pedro, o Sr. Almeida, um homem que sempre me tratara com gentileza, aproximou-se com uma expressão séria.

"Eva, eu compreendo a tua dor. Mas o Tiago vai assumir a responsabilidade legal. A nossa família não vai fugir à responsabilidade."

"Responsabilidade legal?"

Ri-me com desdém.

"Que responsabilidade? Pagar algum dinheiro? Pedir desculpa? Isso pode trazer o meu irmão de volta?"

"Eva, sê razoável!"

Pedro gritou, a sua paciência tinha chegado ao limite.

"O que mais queres que façamos? Queres que o Tiago pague com a vida dele? Isto é uma sociedade regida pela lei!"

"Lei?"

Virei-me para ele, os meus olhos estavam frios.

"Quando o teu primo estava a conduzir bêbado, pensou ele na lei? Quando vocês decidiram esconder a verdade de mim, pensaram na lei?"

"Nós não escondemos nada! A polícia está a investigar!"

Pedro defendeu-se, mas a sua voz denunciava a sua falta de confiança.

"A investigar?"

Tirei o meu telemóvel do bolso e mostrei-lhes uma fotografia.

Era uma captura de ecrã de uma publicação nas redes sociais da Sofia.

Foi publicada na noite do acidente.

Na foto, a Sofia, o Pedro e o Tiago estavam a sorrir para a câmara, com um bolo de aniversário à frente deles.

A legenda dizia: "A melhor festa de aniversário de sempre! Obrigada, irmão e primo!"

O ar ficou pesado.

Os rostos dos Almeida ficaram pálidos.

"Isto... isto foi antes do acidente."

Sofia gaguejou, tentando explicar.

"Antes?"

Aproximei-me dela, a minha voz era perigosamente calma.

"Então diz-me, Sofia, depois de o teu primo ter morto o meu irmão, o que é que vocês fizeram? Foram diretos para casa chorar? Ou continuaram a festa?"

O seu rosto perdeu toda a cor.

Ela recuou, tropeçando nos seus próprios pés.

Pedro apanhou-a, olhando para mim com um olhar de traição.

"Eva, como pudeste? Estás a investigar-nos?"

"Investigar?"

Senti vontade de rir.

"Pedro, isto não é uma investigação. Isto é a verdade. Uma verdade que vocês tentaram esconder de mim."

Virei-me para o Sr. Almeida.

"Sr. Almeida, sempre o respeitei como um ancião. Mas agora, só sinto nojo."

"A vossa família pode ter dinheiro e poder. Podem conseguir que o vosso primo receba uma sentença mais leve. Mas eu digo-vos uma coisa."

Fiz uma pausa, olhando para cada um deles.

"Eu não vou desistir. Vou fazer com que ele pague o preço que merece. Mesmo que tenha de arriscar tudo."

Depois de dizer isto, virei-me e saí.

Não olhei para trás.

Sabia que os meus pais estavam a chamar-me.

Sabia que o Pedro estava furioso.

Mas nada disso importava.

Naquele momento, só havia um pensamento na minha mente.

Vingança.

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