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A DONA DO MORRO DA ROCINHA

A DONA DO MORRO DA ROCINHA

Autor: MahCampos
Gênero: Jovem Adulto
Yasmin depois que perdeu a mãe teve que ir embora do morro da Rocinha, e morar com sua tia e ficar longe do pai e do irmão, em um país diferente ela conheceu pessoas maravilhosas e fez amizade verdadeira, se apaixonei e acabou tendo uma desilusão e com isso ela era voltar para o Brasil junto com seus melhores amigos Jp e Gaby, e junto vem o amor deles Gabryel, e assumir o que é seu por direito o Morro da Rocinha.Matheus mais conhecido como Mt sub do morro Alemão, passou por uma perca grande que foi a perca de sua mulher Lais e sua filha,e até hoje ainda não superou, quando ele vê Yasmin irmã do seu melhor amigo e dono do morro do Alemão, ele começa a reparar que ela é igual a pessoa que ele perdeu, e com isso ele começa a sentir uma atração forte por ela, e quando ele pensa em ser feliz com Yasmin, alguém do seu passado voltará trazendo várias coisas a tona.Será que Yasmin e Mt vão conseguir seguir a vida, com o trauma que cada um tem, será que a mentira irá vencer e amor que sentem um pelo outro será mais forte, o que será que o passado vai trazer pra eles, e quais serão as consequências nisso venha acompanhar essa história
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Capítulo 1 PROLOGO

Esta obra contém alguns erros ortográficos e também precisa de ajustes na escrita. Ela faz parte dos primeiros livros que escrevi, quando ainda estava aprendendo a desenvolver minhas histórias e não sabia exatamente como começar. Espero que gostem da leitura! Em breve, a obra será atualizada, assim como meus outros livros. Obrigada pelo carinho e pela compreensão!

Me chamo Yasmin, tenho 20 anos e sou a herdeira do morro da Rocinha. Estou voltando para assumir o meu lugar. Muitos ainda não sabem que sou a dona de lá, porque só conhecem os meus irmãos. Algumas pessoas sabem da minha existência, mas também sabem que fui embora do morro do Alemão. Agora, porém, estou voltando porque meu pai conquistou esse morro e, como o Alemão já pertence ao meu irmão Dg, pedi ao meu pai que me deixasse assumir a Rocinha desde o começo. Ele não queria, mas consegui convencê-lo a permitir.

Bom, estou voltando para o Brasil junto com a minha subdona, minha melhor amiga Gabrielly, meu amigo João Pedro e o amor da minha vida, meu filho Gabriel. Mas vou contar primeiro como engravidei dele.

Fui morar na Itália quando tinha 15 anos e deixei para trás meu amigo de infância, Thiago, vulgo Th, que hoje tem 21 anos. Ele sempre cuidou de mim aqui no morro e nunca deixou nenhuma menina ou menino fazer graça comigo. Mesmo todos sabendo que eu era, e ainda sou, a princesinha do Alemão, ele sempre me protegeu.

Tenho o Thiago como mais um irmão, porque ele fazia por mim tudo aquilo que meu irmão mais velho fazia: cuidava de mim, me protegia e estava sempre atento para que nada de ruim acontecesse comigo. Além disso, fazia todas as minhas vontades, assim como meus pais sempre fizeram.

Conheci a Gaby e o nosso melhor amigo, João Pedro (JP), ainda no Alemão. Vim morar com a irmã da minha mãe, minha tia, porque ficar no morro poderia ser perigoso para mim naquela época. Eu ainda era adolescente e o lugar estava sofrendo várias ameaças de invasões.

Por isso, vim para cá com a minha tia Lua, de 35 anos, que trabalha para o meu pai. No começo, morávamos apenas nós duas. Papai sempre vinha me visitar quando podia, e depois também apareciam meu irmão Douglas (Dg) e o Thiago (Th), sempre que tinham disponibilidade.

Aqui, acabamos nos tornando vizinhos da Gaby e do JP, e foi assim que comecei a estudar. Enquanto eu estava na Itália, meu pai conquistou o morro da Rocinha. Na última vez que veio me visitar, comecei a pedir que me deixasse assumir aquele lugar. Depois de muitos nãos, ele finalmente aceitou, mas colocou uma condição: eu precisaria passar por um treinamento antes de assumir o comando. Aceitei sem pensar duas vezes.

Foi então que chamei a Lud e o JP para fazerem parte desse projeto comigo. A Lud ficaria como minha subdona, enquanto o JP seria meu braço direito. Já o meu braço esquerdo seria o meu melhor amigo, Thiago.

Graças ao meu pai, o Th conseguiu vir me visitar algumas vezes, tanto com ele quanto com meu irmão. Só que já faz três anos que não vejo nenhum dos dois pessoalmente. Nosso contato acontece apenas pelo WhatsApp, porque muitas coisas aconteceram nesse período e eu não quis contar nada a eles.

Somente meus amigos e minha tia sabem de tudo.

Bom, aqui na Itália ficará apenas minha tia, porque ela acabou se envolvendo com um homem que é dono de uma máfia poderosa daqui. Ela o ajuda em tudo de que ele precisa, e fico muito feliz por ela, porque merece ser feliz. Os dois têm um filho de quatro anos chamado Brendo, que é a coisa mais linda deste mundo.

Também tenho meu tio, que se chama Lucas, mas somente os parentes sabem seu verdadeiro nome. Aqui, todos o conhecem como LC. Todos temem ele e seus soldados, mas, com a gente, ele é tranquilo. Se não soubéssemos quem ele realmente é, jamais imaginaríamos que é dono de uma máfia.

Eu, Gaby e JP já fizemos muitas coisas durante esses três anos, principalmente eu. Meu vulgo aqui é Dama da Morte. Todos sempre querem saber quem sou, mas ninguém conhece minha verdadeira identidade nem sabe praticamente nada sobre mim ou meus amigos.

Eu e a Gaby sabemos elaborar as melhores estratégias para qualquer situação que apareça. Já o JP consegue hackear praticamente qualquer coisa. Por causa disso, eu e a Gaby temos brincos com pequenos rastreadores escondidos. Ninguém sabe disso, somente nós três. O JP também tem uma pulseira com um rastreador.

Fizemos isso para que, caso alguma coisa aconteça com um de nós, os outros possam encontrar a pessoa e saber onde ela está. É uma maneira de nos protegermos, porque sabemos muito bem que a vida que levamos não é simples e que qualquer descuido pode custar caro.

Durante esses anos, fizemos muitas coisas por aqui e também aproveitamos bastante a vida. A Gaby tem 19 anos, e sempre cuidei dela como a irmã que nunca tive. O JP tem 20 anos e é como um irmão para mim. Por eles, pelo Th e pela minha família, sou capaz de fazer qualquer coisa.

Tenho um irmão de 25 anos, que é o dono do morro do Alemão. Enquanto não chego à Rocinha, ele está tomando conta de tudo por lá para mim. Seu nome é Douglas, mas todos o conhecem pelo vulgo Dg.

Já nosso pai, Gustavo, vulgo Sombra, toma conta do Alemão para o meu irmão até eu chegar e assumir a Rocinha. Segundo ele, agora está aposentado. Não vai mais deixar nós dois sozinhos, mas também não pretende continuar tomando conta de tudo como fazia antigamente.

Todos que moram no morro respeitam meu pai, porque ele sabe ser bom quando precisa e também sabe ser ruim quando a situação exige. Ele tem 50 anos e se tornou pai muito cedo.

Ele e minha mãe sempre foram amorosos e companheiros. Mamãe teve meu irmão ainda muito jovem e, depois de um tempo, teve a mim. Hoje, infelizmente, ela não está mais entre nós. Ela teve câncer e lutou com todas as suas forças para continuar vivendo, mas, quando eu tinha cinco anos e meu irmão dez, acabou falecendo.

Depois disso, meu pai assumiu sozinho a responsabilidade de cuidar de nós dois. Nunca deixou faltar nada, principalmente amor. Com a ajuda da nossa babá, conseguiu nos criar e fazer o possível para que tivéssemos uma vida boa, mesmo com a ausência da nossa mãe. Sou eternamente grata por tudo que eles fizeram por nós.

Já meu irmão é alguém de quem muitas pessoas têm medo, mas mal sabem que existe uma mulher igual ou até pior do que ele. A vida me fez ser assim. Fez com que eu me tornasse forte para conseguir proteger aqueles que amo.

Porque, dessa vida, já sofri demais.

Eu já fui uma pessoa meiga e boa com todos, mas não sou mais aquela menina. Hoje, só consigo ser boa de verdade com minha família e com aqueles que conquistaram minha confiança. Aprendi que nem todo mundo merece conhecer o meu lado bom e que, muitas vezes, demonstrar fraqueza pode ser perigoso.

Meu irmão tem a ajuda do seu melhor amigo, Matheus, vulgo MT, que também tem 25 anos e é seu subdono. Já fiquei sabendo que ele é ruim quando precisa ser, mas também tem um bom coração. Foi meu pai quem me contou um pouco sobre ele.

Também me falou que Thiago é um mulherengo de primeira, que vive rodeado de mulheres, assim como meu irmão. E, pelo que parece, o mesmo acontece com meu pai e com esse MT. Porém, nenhum deles é de se envolver com qualquer uma.

Meu pai, eu até me importo com essas histórias, mas o amigo do meu irmão não tem nada a ver comigo. Mesmo assim, é bom já ir sabendo quem é quem para não ter surpresas quando chegar.

Meu irmão é mulherengo e nunca assumiu nenhuma mulher como sua fiel. Já o MT teve uma mulher e fazia de tudo por ela, assim como ela fazia tudo por ele. Pelo que consegui entender, os dois eram o melhor casal que poderia existir ali dentro. Eles se amavam muito e viveram uma história bonita.

Mas, por causa de uma invasão no morro, acabaram matando a mulher dele. Pelo que entendi, desde então ele nunca mais assumiu ninguém, até porque, pelo jeito, continua amando aquela mulher e nunca conseguiu esquecê-la. Confesso que senti dó dele quando soube de toda essa história.

Aqui, na Itália, também tive um relacionamento. Namorei por mais de dois anos e amava aquele homem demais. Também acreditava que ele me amava, mas, pelo jeito, só eu amei de verdade.

Sofri muito e, às vezes, ainda me pego pensando em tudo o que aconteceu comigo. Algumas lembranças são difíceis de esquecer, principalmente quando envolvem algo que mudou completamente a nossa maneira de enxergar a vida e as pessoas.

No dia do meu aniversário de 17 anos, achei que teria o melhor aniversário de todos. Afinal, eu estava completando mais um ano de vida e também fazia dois anos de namoro. Meu namorado havia preparado uma surpresa: uma viagem para um lugar que eu sempre quis conhecer ao lado dele.

Imaginei que seria tudo maravilhoso. Pensei que viveríamos momentos inesquecíveis, que aproveitaríamos cada segundo juntos e que aquela viagem ficaria guardada na minha memória como uma das melhores experiências da minha vida.

Mas não foi isso que aconteceu.

Foi durante aquela viagem que tudo mudou e que vivi os piores dias da minha vida. Foi também naquele momento que jurei que nunca mais seria a mesma menina de antes.

Assim que chegamos à casa onde ficaríamos hospedados, fui tomar banho, enquanto ele utilizava outro banheiro. Quando terminei de me arrumar, desci e o encontrei na cozinha, preparando alguma coisa para comermos.

Depois de algum tempo, comecei a me sentir tonta e com muito sono. Não demorou para que eu apagasse.

Quando acordei, percebi que já era dia. Tentei me levantar da cama, mas senti uma dor muito forte. Foi então que olhei para mim e percebi que estava sem roupa. Ao olhar para a cama, vi algumas manchas de sangue.

Naquele instante, entendi o que tinha acontecido.

Eu havia sido estuprada pelo homem em quem confiava e que dizia me amar.

Entrei em desespero, mas aquilo não terminou naquele dia. A situação continuou por vários dias seguidos. Ele me mantinha dopada durante todo o tempo e também me agredia. Vivi um verdadeiro inferno, sem saber quando aquilo terminaria ou se conseguiria sair daquela situação com vida.

Foram os piores dias que já enfrentei.

Foi assim que prometi a mim mesma que nunca mais me entregaria a outro homem. Hoje, tenho algumas cicatrizes que nunca me deixam esquecer o que aconteceu. E o mais difícil de tudo é lembrar que eu era virgem e que ele simplesmente não se importou com isso.

Tudo aquilo aconteceu por causa de uma vingança. Até hoje não sei exatamente qual foi o motivo, mas só escutava que estava pagando pelo que meu pai havia feito.

E só.

As únicas pessoas que sabem de tudo são a Gaby, o JP, minha tia e meu tio. Eles me ajudaram em tudo, estiveram ao meu lado e fizeram o possível para que eu conseguisse sair daquela situação.

Não posso dizer que superei, porque não superei. Mas aprendi a viver com essa dor, mesmo que, às vezes, ainda tenha pesadelos horríveis com aquele homem e com tudo o que ele fez comigo.

Graças ao rastreador que eu usava, consegui fazer com que eles me encontrassem e me salvassem. O melhor de tudo foi que também pegaram aquele desgraçado. Ele foi torturado e morto, pagando pelo que havia feito comigo.

Só que, depois da morte dele, seus aliados juraram vingança, porque ele fazia parte de uma facção inimiga do meu pai.

Não tive coragem de avisar meu pai e também não permiti que ninguém contasse o que havia acontecido. Preciso descobrir por que fizeram aquilo comigo e qual era a minha culpa naquela história. Será que era simplesmente por eu ser filha de um traficante?

Então, esse inimigo deve ser antigo, porque quase ninguém sabe da minha existência por aqui. Somente aqueles que são da antiga conhecem minha história e sabem quem eu realmente sou.

Mas aquele homem acabou me deixando um presente.

E, para mim, esse presente nunca será algo ruim. Pelo contrário, é a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Trata-se do meu pequeno príncipe, Gabriel.

Foi a dona Gaby e o JP que escolheram seu nome. Eles são a madrinha e o padrinho dele, e eu amo meu filho mais do que tudo nesta vida. Ele é o nosso anjinho, tem três aninhos e é a razão de muitos dos meus sorrisos.

Com ele, aprendo todos os dias a ser uma pessoa melhor, a ter paciência e a enxergar a vida de outra maneira. Mesmo sabendo que uma boa parte da bondade que existia em mim já não está mais aqui, meu filho consegue despertar o melhor que ainda existe dentro do meu coração.

Agora estou voltando para o Brasil e, quando chegar, vou procurar os culpados por tudo o que fizeram comigo. Não vou deixar ninguém sair impune pelo que aconteceu.

Já estou indo preparada, porque sei que a reação do meu pai e do meu irmão não será nada boa quando descobrirem que passei por tudo isso sem contar nada a eles. Sei que vão ficar magoados por eu ter escondido uma situação tão grave e por não ter permitido que estivessem ao meu lado naquele momento.

Espero que consigam me entender e que não me julguem. Naquele momento, pensei que estava fazendo a coisa certa. Acreditava que esconder tudo seria a melhor maneira de protegê-los e também de conseguir lidar com aquilo sem envolver minha família.

Mas sei que eles vão amar o Biel demais. Meu pai, principalmente, vai ficar completamente apaixonado pelo netinho. Também sei que, assim que descobrir tudo o que aconteceu comigo, vai atrás dos responsáveis e não deixará ninguém sem receber sua vingança.

Sei que, ao chegar naquele morro, estarei sujeita a passar por muitas coisas. Mas agora sou diferente. Estou mais forte, mais preparada e não sou mais aquela menina que foi embora anos atrás.

Vou tomar conta de tudo ali, firme e forte, e mostrar a todos que posso ser uma boa dona para aquele morro, mas que não vou aceitar nada de errado dentro dele.

Quero ajudar os moradores e até mesmo aqueles que serão meus vapores. Sei que essa não era a vida que minha mãe sonhava para mim, mas é isso que eu quero. Escolhi esse caminho e pretendo fazer o meu melhor.

Sei que não existem muitas mulheres comandando morros ou máfias, mas aquelas que já assumiram esse tipo de responsabilidade mostraram que são capazes de fazer um excelente trabalho.

E eu quero ser uma delas.

Quero mostrar que uma mulher pode comandar, impor respeito, proteger os seus e fazer a diferença. Não preciso ser igual aos homens para provar minha capacidade. Vou conquistar meu espaço do meu jeito, sem permitir que ninguém me diminua ou tente tirar aquilo que é meu por direito.

Afinal, sou Yasmin, a herdeira do morro da Rocinha.

E estou voltando para ocupar o meu lugar.

Capítulo 2 P.O.V YASMIN

Estamos aqui os quatro, esperando nosso voo para finalmente irmos embora da Itália e voltarmos para o Brasil. Lá, vou assumir o meu morro, do qual sou herdeira. Comigo estão minha melhor amiga, Gabrielly, nosso melhor amigo, João Pedro, e meu pequeno Gabriel.

Enquanto espero, acabo me pegando pensando que fui feliz aqui durante um bom tempo. Mas também foi neste lugar que vivi o meu pior pesadelo. Fui abusada pelo meu namorado quando estava prestes a completar 17 anos. Passei por aquilo durante alguns dias, até ser salva pelo JP, pela Gaby e pelos soldados do meu tio. Eles conseguiram me socorrer e mataram aquele desgraçado.

Mas, depois de um mês, comecei a passar mal e precisei ser levada ao hospital. Foi lá que descobrimos que eu estava grávida. Meu mundo desabou naquele momento, mas, graças a Deus, tive o apoio da Gaby, do JP e dos meus tios.

Depois de pensar muito, decidi esconder tudo do meu pai e do meu irmão. E hoje, finalmente, os dois vão descobrir a verdade.

Saio dos meus pensamentos quando escuto a Gaby me chamar.

- Gaby: Yasmin, no que você tanto pensa? Está tão longe... Está preocupada com alguma coisa ou ansiosa pela sua volta?

- Yasmin: Estou aqui pensando em tudo o que já vivi neste lugar, em tudo o que aconteceu comigo e também em como meu pai e meu irmão vão reagir quando conhecerem o Gabriel.

- Gaby: Bom, amiga, de uma coisa você pode ter certeza: eles vão amar o Bielzinho! Ele é uma graça e faz qualquer um babar por ele. Olha ali os dois brincando! Tem horas que me pergunto quem é mais criança: o JP ou o Gabriel.

- Yasmin: Verdade! Aqueles dois são pura bagunça mesmo. Espero que, lá no Brasil, continue sendo assim.

- Gaby: Falando em Brasil, o que você pretende mudar no seu morro?

- Yasmin: No nosso morro, amiga! Meu, seu e do JP. Bom, primeiro quero ver como as coisas funcionam por lá e como vão reagir quando descobrirem que o dono não é meu irmão, como todos pensam, mas sim uma herdeira. Uma mulher! Vou ficar alguns dias por lá sem ninguém saber quem realmente sou. Vai ser assim que vou descobrir quem é quem, em quem posso confiar e quem merece uma oportunidade. Depois que eu já tiver assumido oficialmente, vou colocar aquele meu amigo, o Th, como meu braço direito. Assim como o JP, ele será bastante útil, já que, com certeza, conhece muita coisa daquele lugar.

Enquanto conversávamos, uma mulher anunciou pelo sistema de som que deveríamos nos dirigir ao avião. E assim fizemos. Eu e a Gaby fomos na frente, enquanto o JP e o Gabriel vinham atrás, brincando.

Assim que entramos, nos acomodamos nos nossos lugares. Fiquei com o Gabriel, enquanto a Gaby e o JP se sentaram ao meu lado, já que os assentos eram para três pessoas e um bebê.

Fomos conversando durante boa parte do voo, enquanto o Biel assistia aos seus desenhos. Passamos mais algum tempo juntos, mas logo o Biel, o JP e a Gaby acabaram dormindo, porque ainda demoraria um bom tempo até chegarmos ao Rio de Janeiro.

Acabei me perdendo novamente nos meus pensamentos, lembrando de tudo o que aconteceu comigo e imaginando tudo o que ainda teria que enfrentar no morro.

A única coisa que me deixava mais feliz e tranquila era saber que, a partir daquele momento, estaria novamente perto do meu pai e do meu irmão. Finalmente poderia conviver com eles e com a minha família, que deixei para trás tantos anos atrás.

Mesmo que eles sempre tenham ido me visitar quando podiam, nunca foi a mesma coisa. Sempre senti falta de estar perto deles, de compartilhar os momentos simples do dia a dia e de poder abraçá-los quando sentisse vontade.

Quando minha mãe ainda era viva, éramos felizes dentro de casa. Meu pai era apenas o nosso pai. Ele ainda não era o dono do morro, e sempre foi completamente apaixonado pela mamãe.

Eu e meu irmão vivíamos pedindo para ela ter mais um filho, mas ela sempre explicava que, como minha gestação havia sido muito complicada e o parto também tinha sido difícil, não poderia engravidar novamente.

Mesmo assim, ela sempre dizia que, se pudesse, teria tido mais um filho ou uma filha. Às vezes, fico imaginando como seria nossa família se ela ainda estivesse aqui. Tenho certeza de que tudo seria diferente.

(...)

Depois de algum tempo, finalmente chegamos.

Havia um carro e um rapaz esperando por nós. Assim que olhei direito, reconheci quem era.

Thiago!

Deixei minhas malas de lado e gritei seu nome. Ele olhou na minha direção com um sorriso enorme, e eu corri para abraçá-lo. Estava morrendo de saudades daquele garoto!

Apertei-o com força, tentando matar um pouquinho da saudade que havia acumulado durante aqueles três anos sem vê-lo pessoalmente.

Depois, ele cumprimentou a Gaby e o JP. Em seguida, seus olhos foram parar no Gabriel, que estava no colo da Gaby.

- Thiago: Esse pequeno é seu, Gaby?

- Yasmin: Não, Th! Ele é meu. É uma longa história, mas ele será a surpresa da noite.

Thiago ficou surpreso, mas logo abriu um sorriso enorme. Pelo jeito, já tinha gostado do pequeno, porque começou a querer que ele o chamasse de tio imediatamente.

- Thiago: Então quer dizer que agora sou tio? Gostei disso! Já pode começar a me chamar de tio, Bielzinho!

Fiquei sorrindo ao ver a reação dele. Sabia que o Th iria amar o Gabriel, mas ver aquilo pessoalmente deixou meu coração quentinho.

Entramos no carro, e o JP e o Th guardaram nossas malas, já que o veículo era grande e tinha espaço suficiente para acomodar tudo.

Depois, seguimos rumo ao morro do Alemão, onde meu pai morava.

Durante o caminho, comecei a pensar novamente em como seria o reencontro com minha família. O que será que meu pai e meu irmão vão achar? Como vão reagir quando eu contar tudo o que aconteceu? O que vão sentir ao descobrir que passei por tanta coisa e não quis contar nada a eles?

Ai, meu Deus! Me ajuda a encontrar forças para falar tudo!

Quando chegamos, vi vários vapores espalhados pelo morro. Fomos subindo e pude perceber que aquele lugar era uma verdadeira fortaleza. Tudo parecia muito bem organizado e protegido.

Isso era bom. Espero que meu morro também seja assim quando eu assumir o comando.

Saímos do carro e entramos todos na casa do meu pai.

Lá estavam meu pai, meu irmão e o amigo dele, MT.

Assim que vi meu pai, fui diretamente abraçá-lo. Estava morrendo de saudades daquele homem! Depois abracei meu irmão e, em seguida, cumprimentei o amigo dele.

Também aproveitei para apresentar meus amigos aos três.

Foi então que percebi que meu pai estava olhando atentamente para a criança que estava no meu colo.

- Sombra: E essa criança linda aí, de quem é, Yasmin?

Respirei fundo antes de responder. Sabia que aquela pergunta seria apenas o começo de uma conversa muito difícil.

- Yasmin: Bom, papai, é uma longa história. Será que podemos conversar no seu escritório? Vocês dois também podem vir.

Olhei para a Gaby e para o JP antes de continuar.

- Yasmin: Gaby e JP, cuidem do Gabriel enquanto converso com eles.

- Gaby: Vai lá, amiga! A gente fica aqui. Ou melhor, o Th vai levar a gente para tomar sorvete, né, Th?

- Thiago: Isso aí! Vamos conhecer a melhor sorveteria que existe por aqui! E sabem de quem é? Da minha rainha, minha mãe, dona Rosa! Vamos lá, Bielzinho!

Os quatro saíram juntos, e logo ficamos apenas eu, meu pai, Douglas e Matheus.

Respirei fundo e olhei para os três.

Que Deus me dê forças para contar tudo!

Capítulo 3 CONT YASMIN

Assim que entramos no escritório, fechei a porta. Não queria ninguém escutando nossa conversa. Eu sabia que, naquele cômodo, o som não saía para fora, assim como ninguém conseguia escutar o que era dito lá dentro. Porém, nós conseguíamos ouvir tudo o que acontecia do lado de fora, e os vapores não sabiam disso. Esse sistema já havia ajudado bastante quando aconteciam invasões.

Olhei para cima da mesa do meu pai e vi uma fotografia minha, do Dg, do papai e da mamãe. Aquela imagem me deu uma vontade enorme de chorar, mas me segurei, porque, se começasse, talvez não conseguisse continuar a conversa.

Pedi que todos se sentassem e comecei a falar.

- Yasmin: Bom, eu só quero que vocês me escutem primeiro. Depois, poderão falar o que quiserem, mas, por favor, deixem que eu termine de contar tudo antes de qualquer coisa.

Os três balançaram a cabeça, concordando com o que eu havia pedido.

Respirei fundo e comecei.

- Yasmin: Como o senhor e o Dg sabiam, eu namorava. No meu aniversário de 17 anos, nós planejamos uma viagem só para nós dois, para comemorar a data. Eu estava achando aquilo a coisa mais linda e romântica que alguém já tinha feito por mim. Não via a hora de podermos viajar juntos. Então, finalmente chegou o dia, e fomos para uma casa linda, em frente ao mar, não muito longe da Itália, mas a uns 300 quilômetros de onde morávamos.

- Yasmin: Quando chegamos, fiquei completamente apaixonada pelo lugar. Era lindo, e seria apenas nós dois aproveitando aquele momento. Apesar de já ser noite, havia poucas casas por perto. A nossa ficava mais afastada das outras, que eram praticamente construídas uma ao lado da outra.

- Yasmin: Assim que chegamos à casa onde ficaríamos hospedados por três dias ou até uma semana, guardamos o carro. Peguei a chave e abri a porta. Levamos nossas malas para o quarto em que ficaríamos, pois havíamos decidido dormir juntos, como já tinha acontecido em outras ocasiões. Depois de guardar nossas coisas no guarda-roupa, decidimos que cada um tomaria banho em um banheiro separado. Eu ainda era virgem e não achava que aquele fosse o momento certo para fazer alguma coisa. Ele sempre respeitou minha decisão e nunca me obrigou a nada.

- Yasmin: Então, fui para o banheiro, tomei meu banho e, depois de me enxugar e me trocar, desci até a cozinha para preparar alguma coisa para comermos. Só que, quando cheguei lá, ele já estava na cozinha.

- Yasmin: Quando me aproximei, vi que ele estava arrumando algumas coisas para a gente comer. Também havia uma jarra de suco. Naquele momento, tudo parecia perfeito.

Fiz uma pequena pausa antes de continuar, tentando organizar minhas lembranças.

- Yasmin: Conversamos sobre o nosso futuro e fizemos algo que nunca tínhamos feito antes: falamos sobre a possibilidade de termos uma filha. Ele queria saber como eu havia vivido aqui no morro, como o senhor era e queria saber ainda mais sobre o lugar. Mas expliquei que não sabia exatamente como as coisas funcionavam por aqui, muito menos como estavam naquele momento, porque nunca fui de sair de casa e muito menos de prestar atenção no que acontecia dentro do morro. Afinal, eu ainda era uma criança naquela época. Ele entendeu meu lado e me deu razão.

- Yasmin: Terminamos de jantar e subimos, porque já estava tarde e queríamos descansar para aproveitar o dia seguinte. E foi exatamente isso que fizemos.

Respirei novamente e continuei contando.

- Yasmin: No dia seguinte, acordei com ele trazendo uma bandeja de café da manhã para tomarmos juntos. Depois, ele pediu que eu fosse me arrumar para passarmos o dia aproveitando a praia. Enquanto eu fui ao banheiro me arrumar, ele desceu para organizar as coisas que levaríamos.

- Yasmin: Quando terminei, desci e o encontrei me esperando no sofá. Então, saímos, trancamos a porta e fomos aproveitar nosso dia na praia. Curtimos bastante e só voltamos para casa quando já estava quase anoitecendo.

- Yasmin: Antes de voltarmos, passamos no mercado para comprar algumas coisas para o jantar. Ele queria preparar uma macarronada para nós dois e também comprou uma garrafa de vinho. Depois, pediu que eu fosse tomar banho enquanto organizava tudo para comemorarmos meu aniversário. E assim fiz.

- Yasmin: Quando terminei de me arrumar, desci e encontrei ele organizando a mesa. Pelo jeito, já havia tomado banho e estava terminando de preparar tudo. Assim que cheguei à cozinha, percebi que havia uma garrafa de vinho sobre a mesa e também uma jarra de suco, porque eu não gostava de beber. Então, ele ficou com o vinho e eu com o suco.

- Yasmin: Ele terminou de preparar a macarronada e colocou a travessa no meio da mesa. Já estávamos sentados quando ele pegou meu prato e me serviu. Comemos ali, brincando e conversando sobre nosso futuro.

Minha voz começou a ficar um pouco mais baixa, mas continuei.

- Yasmin: Conforme o tempo foi passando, comecei a sentir muito sono e também fiquei um pouco tonta. Então, lembro que ele disse que provavelmente era porque eu havia passado muito tempo na praia. Falou que me ajudaria a subir para descansar um pouco, ver se eu melhorava e que depois fecharia a casa para subir e ficar comigo. Concordei. Ele me ajudou a deitar na cama, saiu do quarto e, logo em seguida, acabei dormindo.

Dei uma longa respirada para conseguir continuar. Olhei para os três e percebi que estavam me observando em silêncio, esperando que eu prosseguisse.

Então, continuei.

- Yasmin: No dia seguinte, acordei sentindo muitas dores pelo corpo, principalmente nas minhas partes íntimas, que estavam muito doloridas.

Fiz outra pausa e olhei para eles. As expressões dos três já haviam mudado. Pelo jeito, estavam começando a imaginar o que eu estava prestes a contar.

As lágrimas já escorriam pelo meu rosto, mas continuei falando.

- Yasmin: Levantei com um pouco de dificuldade e, quando olhei para mim, não consegui acreditar no que estava vendo. Eu estava completamente nua. Quando olhei para o colchão, vi sangue. Entrei em desespero e precisei olhar novamente para ter certeza de que aquelas manchas eram mesmo de sangue.

Minha voz falhou por alguns segundos, mas consegui continuar.

- Yasmin: Quando finalmente consegui entender o que estava acontecendo, percebi que havia sido abusada. E o pior era que eu não tinha visto absolutamente nada. Até aquele momento, não sabia como aquilo tinha acontecido. Entrei em desespero, pensando que alguma coisa pudesse ter acontecido com o Lian. Comecei a chamá-lo, mas ninguém respondia. Então, coloquei meu vestido rapidamente e comecei a chorar.

Olhei novamente para os três.

Eles estavam com os olhos cheios de ódio. As expressões mudaram ainda mais quando me viram chorando e completamente desesperada.

Meu pai foi o primeiro a se levantar. Correu até mim e me abraçou com força. Naquele instante, desabei ainda mais. Meu irmão também veio imediatamente e me abraçou.

Mesmo sem o Matheus me abraçar, consegui me sentir acolhida por ele através do seu olhar. Foi naquele momento que me senti segura como nunca havia me sentido desde que tudo aconteceu.

Ainda abraçada aos dois, continuei contando.

- Yasmin: Logo depois, a porta foi aberta e ele entrou. Era meu namorado, a pessoa que eu amava. Ele chegou com um sorriso no rosto e me perguntou se eu tinha gostado da nossa noite de amor.

Comecei a chorar ainda mais ao lembrar daquela cena.

- Yasmin: Perguntei por que ele havia feito aquilo comigo. Então, ele me contou que tudo tinha sido planejado havia muito tempo. Eles tinham decidido se aproximar de mim, fazer com que eu me apaixonasse por ele e, depois, executar tudo aquilo. E foi exatamente o que aconteceu.

- Yasmin: Tudo fazia parte de uma vingança. Até hoje não sei qual foi o motivo, mas ele me disse que aquilo era por causa do senhor, papai. Falou que quem havia mandado fazer tudo era um inimigo seu e que, na hora certa, ele apareceria para matá-lo. Ou então tiraria as coisas que o senhor mais ama, que somos eu e o Dg.

- Yasmin: Ele também disse que havia colocado um inimigo dentro do morro e que vocês nunca tinham percebido. Falou que, em pouco tempo, tudo seria dele. Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Então, ele disse que iria me mostrar que tudo aquilo era verdade.

Engoli em seco antes de continuar.

- Yasmin: Depois disso, ele começou a me bater muito. Os dias foram passando, e eu continuava apanhando e sendo abusada. Fiquei sem comer. A única coisa que ele fazia era me ajudar a tomar banho e cuidar da minha higiene. Fora isso, não fazia mais nada por mim.

- Yasmin: No dia em que fui resgatada, antes de tudo acontecer, ele me pediu perdão chorando. Disse que me amava e que, se não fosse ele, seriam outros homens. Falou que havia decidido fazer aquilo.

Meu pai apertou ainda mais o abraço, enquanto meu irmão parecia lutar para controlar a própria raiva.

Continuei contando, porque precisava terminar.

- Yasmin: Depois de um tempo, fui salva pelo tio LC, pelo JP e pela Gaby. Eles me ajudaram e levaram o Lian para tentar descobrir alguma coisa, mas ele acabou morrendo durante a tortura e não contou nada. Enquanto isso, fui levada ao hospital, onde fiquei internada durante uma semana. Depois, recebi alta e voltei para casa.

- Yasmin: Todos queriam contar ao senhor o que havia acontecido comigo, mas não deixei. Eu estava com medo e também sentia vergonha de tudo aquilo. Fiz todos prometerem que não contariam nada, e assim foi.

Respirei fundo, porque a parte seguinte também não era fácil de contar.

- Yasmin: Passou um mês e comecei a me sentir mal, mas deixei para lá. Depois, passaram-se mais dois meses e comecei a sentir muitas dores na barriga. Quando a Gaby olhou para baixo, ficou desesperada, porque eu estava sangrando.

- Yasmin: Logo depois, a porta foi aberta e o tio LC entrou. Assim que me viu, pegou-me no colo e fomos diretamente para o hospital. Depois de bastante tempo, recebi a notícia de que estava grávida.

Minha voz ficou embargada.

- Yasmin: Como o médico sabia que eu havia sido abusada, conversou comigo e explicou que, se eu quisesse, poderia interromper a gravidez. Mas, naquele mesmo instante, respondi que não. Eu não queria fazer aquilo. Todos disseram que me apoiariam em qualquer decisão que tomasse. Então, decidi ficar com meu filho.

- Yasmin: Os meses passaram e meu pequeno veio ao mundo. Ele é a melhor coisa que tenho na minha vida. Por ele, tento ser uma pessoa boa todos os dias.

Olhei para os três e limpei algumas lágrimas que ainda escorriam pelo meu rosto.

- Yasmin: Depois que ele nasceu, decidi treinar muito com a Gaby e o JP. Passei a me preparar, a aprender a me defender e a me tornar cada vez mais forte. Foi assim que me tornei quem sou hoje.

- Yasmin: Mas existe uma coisa que vocês precisam entender: sempre que chego em casa, deixo lá fora a assassina que sou e me torno apenas a mãe do Gabriel e a amiga daqueles que amo demais.

Terminei de falar e fiquei em silêncio, ainda sentindo o peso de tudo aquilo que havia acabado de revelar.

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