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A Ex do CEO: Um Recomeço Inevitável

A Ex do CEO: Um Recomeço Inevitável

Autor:: Yana _ Shadow
Gênero: Jovem Adulto
"Estou grávida!" Justine mostrou o envelope que segurava. A raiva era tanta que ele se recusou a acreditar e então respondeu: "Esse filho não é meu." Dando-lhe as costas, ele entrou no Audi, deixando-a para trás. Equilibrando-se no salto, ela correu com intenção de alcançá-lo, mas acabou tropeçando nos próprios pés e caindo no chão. "Kevin, por favor, vamos conversar," a voz chorosa de Justine pediu. Por um momento, o instinto protetor o compeliu a olhar sobre o ombro direito. Ele suspirou fundo, resistindo à vontade de retroceder. "Você me traiu com o meu pior inimigo, Justine. " Ele apertou os olhos ao fitá-la pela última vez. " Não há mais nada para conversar. Sete anos depois, o filho de Justine estava em estado grave após ser baleado. O garoto tinha um sangue raro e o pai de Bryan era a única pessoa que poderia ajudá-lo. Como Kevin reagirá quando descobrir que o menino é realmente o seu filho e que o pequeno Bryan está entre a vida e a morte?

Capítulo 1 Uma severa punição

- Saia do automóvel, signora Delacroix... - o grandalhão disse ao bater no vidro.

- Não, vocês é que deveriam sair do meu caminho. - A jovem francesa ergueu a cabeça, exibindo o belo rosto com traços delicados.

Justine abaixou quando o homem apontou a pistola para a porta e, ao mesmo tempo, a mão direita segurou o resultado do teste de gravidez.

Com apenas um disparo na maçaneta, o homem conseguiu abrir a porta do veículo. Ele puxou a jovem francesa por um braço, mas quando ela começou a lutar, foi contida por outro capanga que a agarrou pelas pernas e a arrancou da Ferrari.

- Solte-me ou vou contar tudo para o meu marido - ela disse num tom ameaçador.

- Foi ele quem pediu para te buscar, signora. - Um dos brutamontes avisou num tom zombeteiro.

Os olhos dourados cintilavam de raiva enquanto ela era arrastada pelos dois homens que a colocaram numa vã branca sem marcas distintas. Ela sentia como se a lataria daquele veículo se fechasse à sua volta. Estava ficando cada vez mais sufocada e com medo de saber o que o marido faria com ela quando a encontrasse.

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Na noite anterior ao sequestro, Justine Delacroix mal conseguiu pregar os olhos após satisfazer o italiano vigoroso.

Assim que Kevin adormeceu após mais um orgasmo, ela ficou olhando para o teto. Tinha um ano que ela casou com aquele homem para obter informações dos negócios escusos que envolviam o Grupo Harrison Giordano, mas as coisas estavam tomando um rumo inesperado e ela não podia continuar naquela situação.

Quando o celular vibrou na cabeceira ao lado da cama durante a noite, Justine apanhou o aparelho e foi direto ao banheiro, onde se trancou para falar com Andrew Turner.

- O que foi? - Ela sussurrou com receio de que o marido a ouvisse. - Já te falei para não me ligar nesse horário.

- Conseguiu a grana que te pedi? Perdi uma boa carga por causa do seu marido e preciso recuperar o meu dinheiro. - Andrew falava sem dar uma pausa.

- Vou levar amanhã... - Justine sussurrou.

- Ótimo, lembre-se de que a vida da sua avó depende disso.

Ao voltar para o quarto, ela fitou as costas largas do homem estirado de bruços sobre a cama. O lençol cobria parcialmente a cintura reta, deixando parte de suas coxas musculosas e o traseiro de fora.

Na manhã seguinte, Justine acordou cedo, mas, como sempre, o marido já tinha saído para alguma reunião.

Após sair de casa, ela entrou em sua Ferrari e foi direto para a clínica médica, onde recebeu o temido resultado:

- A senhora está grávida!

- Não pode ser. - Justine custou a acreditar.

- A senhora está com três meses de gestação.

- Grazie, Doutor! - Sem saber o que fazer, ficou em pé e saiu do consultório.

Segurando o resultado positivo do teste de gravidez, ela voltou ao carro de luxo. Sem perder tempo, ela foi direto para o banco e, após sacar setenta mil euros da conta conjunta que tinha com o marido, voltou para o automóvel. Antes de dar a partida, recebeu uma ligação do Hospital San Michele.

- Senhorita Delacroix, infelizmente a sua avó morreu.

Justine ainda segurava o teste de gravidez enquanto chorava copiosamente no momento em que ouviu a notícia. Tinha feito de tudo para salvar a vida da idosa que cuidou dela durante toda a infância. Atordoada, ela deixou o resultado de gravidez no banco ao lado e então dirigiu até o bairro Quarto Oggiaro.

Assim que saiu do carro e entrou no hospital, ela encontrou Andrew Turner e sua mãe Sophia.

- Conseguiu o dinheiro? - Andrew indagou. - Aliás, espero que tenha convencido o seu esposo a fazer aliança comigo.

Justine olhou para a mãe, mas Sophia se mantinha impassível. Aquela era a mulher que a abandonou na França aos cuidados da avó e se aventurou com o amante mafioso na Itália.

- O acordo acabou, Andrew. Não te devo mais nada. Aqui está o que você pediu. - Justine entregou a maleta com o dinheiro. - Por favor, esqueça que eu existo.

Revoltado, o homem robusto segurou o braço magro de Justine e então, os olhos apertados voltaram-se para Sophia, que se mantinha distante.

- Converse com a sua filha ou pode procurar outro lugar para morar, Sophia. - Esbravejou Andrew.

- Vai mesmo fazer isso, chérie? - As pupilas negras de Sophia miraram na garota com lágrimas no rosto.

Devastada, Justine sentiu um nó na garganta enquanto sentia a dor pela perda da avó. Ela passou o dorso das mãos no rosto para secar as lágrimas e fungou antes de dizer:

- Não quero mais espionar o meu marido... só fiz isso pela minha avó. Agora, o acordo acabou.

- Você sabe que o Kevin nunca perdoou uma traição! - Erguendo o queixo, Sophia rebateu. - Eu já ouvi falar de mafiosos que torturam esposas traidoras. - Tentou intimidar Justine.

- Se o Kevin me ama de verdade, então ele vai me perdoar, mãe.

- Pense bem, ma chérie! Kevin vai te matar assim que descobrir tudo. - Falou isso com intuito de ludibriar a garota com o rosto pálido.

Sem dar ouvidos à mãe, Justine se virou e saiu para resolver tudo sobre os trâmites da liberação do corpo e do enterro da avó.

- Espere! - O homem de barriga proeminente foi atrás de Justine.

- Já chega, Andrew! Não farei mais parte disso. - Justine segurou a alça da bolsa e continuou andando enquanto o padrasto a seguia pelos corredores do hospital. Temendo as ameaças de Andrew, ela foi direto para a saída.

Ao passar pelas portas, não percebeu que, a certa distância, um homem desconhecido tirava fotos de dentro de um carro.

- Se não terminar o seu serviço, farei questão de que seu marido saiba que está dormindo com a inimiga. - O padrasto ameaçou.

- O meu marido não é como você! - Ultrajada, Justine respondeu enquanto entrava no carro. - Adeus, Andrew! - Pisou no acelerador e então se foi.

Os dedos esguios batiam no volante. Assim que resolvesse tudo sobre o enterro da avó, ela pretendia voltar para casa e contar ao marido que estava grávida.

Nuvens cinza tomavam conta do céu, quando no meio do caminho a Ferrari foi fechada, obrigando Justine a frear bruscamente. Ele tentou dar ré, mas outro veículo parou logo atrás.

Homens armados a abordaram com truculência e tiraram Justine de seu carro antes de jogá-la num furgão branco.

Subitamente, o coração da jovem francesa bateu com ferocidade. "Oh, mon Dieu, o meu marido descobriu tudo", desesperada, Justine pensou. "O que vou fazer agora?" Alisou o ventre.

Tinha apenas vinte anos quando chegou na Itália e tomou decisões das quais se arrependia amargamente. Ela mal teve a chance de dar um enterro digno para a avó e, naquele instante, só pensava no bebê que crescia em seu ventre. Precisava falar sobre a gravidez e explicar tudo ao marido antes de sofrer uma severa punição por trair o homem mais frio e vingativo que já conheceu na vida.

❛ ━━━━・❪ ❁ ❫ ・━━━❜

- Onde ela está? - Havia uma leve amargura na voz rouca.

O CEO andava pela ampla sala da diretoria do Grupo Harrison Giordano, enquanto ansiava pela resposta do detetive que seguia a sua esposa.

- Acabei de vê-la com Andrew Turner em Quarto Oggiaro.

Quarto Oggiaro era um bairro mais afastado do Centro de Milão e os negócios escusos de lá estavam sob o controle de seu inimigo.

- Fique de olho na minha mulher. - Kevin deu a ordem antes de desligar.

"O que a Justine está fazendo com aquele maledetto?" Ele murmurou a pergunta para si enquanto tocava as veias saltadas nas têmporas.

Kevin Harrison Giordano mantinha a postura ereta e um semblante austero, que transmitia frieza e arrogância. Apesar da tensão, ele estava impecavelmente vestido em seu terno preto feito sob medida quando retornou à sua cadeira.

Sentando atrás da ampla mesa, ele comprimiu o olhar para a tela do laptop enquanto verificava o vídeo. A imagem das câmeras comprovou o que o gerente de seu banco tinha contado por mensagem: "Sua esposa retirou uma exorbitante quantia da conta bancária".

Segundo informações que recebeu, Justine não foi para o ateliê Maison Delacroix, onde trabalhava como designer de moda. Tomado pela desconfiança, o italiano passou as mãos pelas mechas castanhos e então respirou profundamente.

- Traidora! - As palavras amargas saem entre os dentes apertados. - Desta vez, ela não escapa.

Capítulo 2 Eu nunca te traí

Kevin Harrison Giordano possuía a postura ameaçadora de um homem que nasceu para comandar. Aos vinte e cinco anos, ele passou a administrar os negócios de sua família com mãos de ferro.

O poderoso CEO, que secretamente comandava o submundo do crime, era casado com uma jovem francesa por quem se apaixonou perdidamente.

A primeira vez em que viu Justine Delacroix foi num evento de moda, onde acompanhou a sua amiga Beatrice no desfile de prêt-à-porter, alta costura e Cruise da Dior.

Ao invés de prestigiar a amiga, que desfilava na passarela, a atenção de Kevin se voltou para o par de olhos dourados. O nariz arrebitado e o belo sorriso alinhado compunham os traços delicados da estagiária de design de moda que, na época, auxiliava na criação e comercialização de peças de vestuário e acessórios da grife.

Naquela noite, Justine usava um vestido de seda vermelho que se ajustava perfeitamente ao seu corpo. O decote em "V" exibia o colo de seus seios firmes e a fenda no lado direito da perna estava revelando parte de sua coxa.

Semanas depois daquele evento, ela já estava namorando o italiano, que media cerca de 1,90 m de altura.

Certo dia, Justine fingiu surpresa quando Kevin lhe deu um reluzente anel com diamante durante o jantar romântico no iate. Não demorou muito até que ela pediu em casamento.

Apesar da paixão arrebatadora que os envolvia, Justine já estava dando sinais de que tinha um amante após alguns meses de casada.

Desconfiado, Kevin deu um celular novo para a esposa, mas antes de entregar o presente, ele instalou um spyware no aparelho telefônico. Desde então, ele passou a monitorar todos os seus passos.

Naquele dia, Kevin estava carregado de raiva porque descobriu que a esposa pegou cerca de setenta mil euros da conta bancária e, após analisar as imagens das câmeras do quarto, onde dormiam, ele viu a esposa pegando boa parte das joias que estavam no cofre.

Furioso, ele saiu de trás da mesa e perambulou pelo escritório feito um animal enjaulado. Passou os dedos longos pela testa conforme a mente ponderava sobre os últimos acontecimentos.

Na noite anterior, ele comemorou um ano de casado com a esposa num restaurante de luxo na capital da moda e a presenteou com um belo colar de diamantes. Quando voltaram para a mansão, ele a levou até a garagem para mostrar a Ferrari 250 GTO vermelha com um grande laço de fita branco.

- De quem é esse carro, querido? - Justine questionou.

- É seu, mio amore - a voz rouca e sensual respondeu.

- É linda! - Com olhos arregalados, ela exclamou.

Os braços musculosos de Kevin envolveram a esposa num abraço caloroso ao capturar os seus lábios e beijá-la com sofreguidão.

Instintivamente, a mente o levou de volta para o momento em que ambos chegaram ao segundo piso da mansão. Pelo amplo corredor, ele carregou a esposa nos braços fortes até chegar à suíte principal.

Logo, as roupas estavam espalhadas pelo chão. Ele tomou um seio após o outro entre os lábios enquanto o membro robusto mergulhava, exigindo mais espaço à medida que a abria.

- Oh, mon Dieu! - A voz feminina gemeu ao sentir a ereção avantajada escorregando em seu molhamento e batendo mais fundo.

Absorto em suas recordações eróticas, ele ainda escutava os gemidos de Justine ecoando em sua mente. Kevin continuou sentado na cadeira do escritório quando um leve grunhido escapou de seus lábios. Ele segurou a ereção que medrava na calça de linho preta, mas logo depois, balançou a cabeça para se livrar das lembranças que o excitaram.

Os olhos azuis do CEO voltaram a focar no porta-retratos com a foto da mulher de mechas loiras e longas.

De repente, o toque do celular o trouxe de volta para o escritório. Ele apertou o botão, aceitando a chamada.

- Caspita, o que foi? - Kevin perguntou.

- Pegamos a sua esposa. - Do outro lado da ligação, Alessandro avisou. - Um informante disse que ela estava com Andrew Turner em Quarto Oggiaro.

- O detetive já me contou, porra. - Desta vez, Kevin falou mais alto e bateu com o punho cerrado na mesa.

Andrew Turner tinha feito de tudo para destruir os negócios de seu clã após a morte de seu pai. A queda do império da família Harrison Giordano logo aconteceria se Kevin não tivesse tino para os negócios.

- Levem a Justine para o apartamento abandonado em Giambellino-Lorenteggio. - Enfezado, Kevin deu a ordem e desligou o telefone abruptamente.

Os dedos longos ainda alisavam a testa vincada, quando ele endireitou a postura no encosto em capitonê de sua poltrona.

- Cazzo, aquela puttana é uma traidora! - Socou a mesa outra vez e, então, pegou o porta-retratos com a foto da esposa.

Deu uma última olhada na fotografia de Justine antes de tacar no chão com força.

Repentinamente, a porta se abriu. A mulher alta e esguia jogou as mechas pretas para trás dos ombros assim que adentrou. Beatrice desfilou graciosamente até a enorme mesa.

- Precisa de companhia, querido? - A voz manhosa indagou.

- Não quero conversar, agora, Bia. - Ele grunhiu para a amiga.

Embora a modelo fosse bonita, Beatrice não o atraía da forma como ela o desejava.

- Calma, querido. - disse Beatrice ao se posicionar atrás da poltrona e pousou suas mãos sobre os ombros largos do senhor Harrison. - Relaxe!

Os dedos magros de Beatrice começaram a massagear os músculos tensos. Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios no segundo em que os olhos dela cravaram no vidro rachado do porta-retratos caído no chão.

- Sempre te falei que a sua esposa era infiel - a voz feminina afirmou.

- Já chega, Bea! - Vociferou no mesmo instante em que afastou as mãos dela e se pôs de pé bruscamente.

Kevin pegou o sobretudo preto e vestiu-o. Mais que depressa, saiu do escritório.

- Espero que você dê uma boa lição naquela traidora. - Beatrice acrescentou enquanto seguia Kevin até o corredor. - Quer que eu vá com você, querido?

- Não. - O tom gutural do senhor Harrison retrucou com veemência.

No elevador, Kevin apertou o botão e as portas fecharam.

Ele passou as mãos nos fios lisos e curtos pouco antes de sair no estacionamento e ir direto para o Lamborghini prata, onde o motorista aguardava.

Enquanto o automóvel saía para as ruas de Milão, Kevin passava a mão no cavanhaque que emoldurava a mandíbula retesada. Não via a hora de confrontar a esposa e descobrir o que ela fazia no território de seu rival.

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Meia hora depois, um dos homens colocou um capuz sobre a cabeça de Justine, impedindo-a de enxergar para onde a levavam;

- Tire as mãos de mim! - Justine se sacudia para se livrar dos homens que a continham.

Ao chegar no local, ela foi colocada numa cadeira onde suas mãos e pernas foram amarradas com fita crepe.

- Estou sufocando! - A voz saiu abafada. - Tire isso de mim...

Num movimento abrupto, alguém puxou a toca. O local estava mal iluminado e os poucos móveis à volta eram desgastados.

De repente, o homem com o olhar intimidante abriu as portas duplas assim que escutou os gritos.

- Aqui está a traidora, senhor! - O assistente de Kevin apontou para a mulher amarrada na cadeira.

O rosto vermelho de Justine estava banhado pelas lágrimas.

- Amor, peça para esse idiota me soltar... - em meio aos prantos, ela pedia.

Com um simples olhar, Kevin fez com que os homens de terno preto saíssem de perto de Justine.

- Como pode me trair? - Os olhos inquisidores do senhor Harrison a avaliaram.

- Não! - Desesperada, ela começou a negar com a cabeça... - Eu nunca te traí, meu amor.

A mente e o coração estavam conturbados. Os olhos cor de âmbar se concentraram no semblante austero do marido impiedoso.

- Já basta! - Os dentes de Kevin estavam à mostra quando vociferou. - Chega de mentiras.

Capítulo 3 Minha perdição

O coração de Justine saltitava com força. Ao chegar mais perto, Kevin cerrou a mão direita.

- Tirem isso dela! - Apontou para a fita crepe em torno de seus punhos e calcanhares.

Depois que a livraram das amarras, Justine esfregou os pulsos vermelhos e, então, encarou o olhar sombrio do marido.

- Posso te explicar tudo, meu amor! - A voz dela titubeou.

- Comece a tagarelar. - As três palavras de ordem estavam carregadas de fúria.

Justine tentou se levantar para abraçá-lo, mas subitamente, o seu braço foi agarrado pela mão comprida de Kevin, que a colocou de volta na cadeira bruscamente.

- Não levante outra vez... - Ele mandou rudemente.

- Fui à Casa de Beatrice para mostrar os esboços de alguns vestidos.

A risada cruel reverberou pelo quarto mal iluminado do cativeiro para onde a levaram.

- Isso, continue... - A voz grossa estava cheia de sarcasmo. - Quero ver até onde você vai com suas mentiras.

- Estou falando a verdade...

- Já chega! - Movido pelo ódio, Kevin pegou o envelope que o conselheiro lhe deu e então retirou as fotografias, antes de tacar em cima de Justine. - Você estava em Quarto Oggiaro com o meu inimigo. - Não é mesmo, Alessandro? - Ele sibilou a pergunta entre os dentes.

- Sim, chefe. A sua esposa estava com Andrew Turner antes de pegarmos ela.

O olhar de Justine voou até encontrar o belo rosto do homem comprido e, então, mirou na mandíbula apertada do marido.

- Eu te amava... mas agora, só consigo te odiar com todas as minhas forças. - Franzido o cenho, Kevin esbravejou. - Você foi um lindo erro e a minha perdição, Justine Delacroix. - Pegou a Glock da mão de seu subordinado.

- Por favor, não me machuque, - ela se encolheu na cadeira, protegendo a barriga. - Estou grávida... - a voz tremida confessou.

Balançado com a revelação, o homem frio perscrutou a mulher que abraçava a barriga. Mesmo que a odiasse, ele ainda não tinha coragem de punir uma gestante.

Tocando o braço magro de Justine, ele a obrigou a se levantar.

- Suma da minha vista antes que eu faça algo do qual vou me arrepender. - Kevin voltou a assumir a sua habitual postura autoritária.

Era assim que ele agia com os subordinados, mas nunca a tratou daquela maneira.

- Mas, eu estou esperando um filho seu! - Ela mostrou o teste de gravidez que segurava.

- Procure o Andrew, tenho certeza de que o filho é dele - A raiva era tanta que ele se recusou a acreditar.

- Não. O bebê é seu! - Justine dizia enquanto ele daquele lugar com paredes emboloradas, deixando-a para trás. - Kevin, por favor, vamos conversar - suplicou.

Parando no corredor, ele cerrou o punho ao lado do corpo, sentindo uma raiva crescente tomar conta de cada fibra de seu ser.

- E quanto às regras, senhor? - O conselheiro ajeitou os óculos ao indagar. - Ela deveria ser castigada.

- Caspita, cale a boca! - A voz rouca berrou. - Tire-a da minha vista, mas não toque nela. Capisci? - O olhar inquisidor parou sobre o consiglieri.

- Sì, capisco - Resignado, o homem mais baixo deu um passo atrás.

Antes que o marido a abandonasse à própria sorte, ela levantou e passou a mão, puxando o tecido para ajustar o vestido vermelho.

- Kevin... - Justine chamou outra vez.

Era tarde demais. O senhor Harrison não estava disposto a lhe dar outra chance. A fisionomia inescrutável misturou-se ao clima mórbido daquele local com cheiro de mofo. A traição o deixou ainda mais frio e rancoroso.

Por meia hora, o choro angustiado de Justine ecoou pelo quarto.

- Puttana! - A voz de Alessandro estava cheia de desprezo quando xingou. - Some logo daqui antes que o chefe volte e mude de ideia.

Exausta, a jovem grávida se levantou diante das zombarias dos funcionários que antes obedeciam às suas ordens. Sem saber o que fazer, Justine passou a mão no rosto para secar as lágrimas enquanto cambaleava, procurando uma saída daquele lugar.

"A minha mãe tinha razão" Mentalmente, ela se lamentava enquanto dava passos lentos pelo corredor mal iluminado. "Ele nunca vai me perdoar"

❛ ━━━━・❪ ❁ ❫ ・━━━❜

Sem ter para onde ir, Justine foi até uma estação de metrô. Ela só usava a roupa do corpo e trazia a bolsa com os documentos quando chegou a uma suntuosa cobertura de luxo de dois andares a poucos minutos da Piazza Gae Aulenti.

- Mamãe, deixe-me ficar aqui essa noite! - Justine pediu à mulher.

Sophia tragou o cigarro e então soltou a fumaça. Andou pela sala de estar decorada com móveis clássicos enquanto a camisola de seda resvalava por entre suas canelas.

- Ah, ma chérie, sinto muito, mas não posso. - Deixou o restante do cigarro no cinzeiro.

- É só por essa noite. Vou tentar conversar com o Kevin no dia em que for assinar os papéis do divórcio. Tenho certeza de que ele mudará de ideia.

- Sério? - Havia um certo desdém na pergunta quando Sophia ergueu uma sobrancelha bem feita. - Acho que o seu marido escolheu ficar com a amante. - Virou a tela do celular para a filha ver a imagem de Kevin numa festa ao lado de sua jovem acompanhante.

Justine não queria acreditar no que viu. Aquela mulher fingiu ser sua amiga por meses e não perdeu tempo antes de dar o bote. Na foto, Beatrice Drummond estava de mãos dadas com Kevin num evento da empresa.

- Incompetente! - Andrew gritou no momento em que entrou na sala e desferiu um tapa em sua cara, deixando Justine atordoada. - Todos estão dizendo que o seu casamento com Kevin acabou. Você é uma puttana inútil.

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