Bruninho
Depois da guerra contra o Naldinho, ganhamos para nós o morro dele, só que ninguém da tropa queria sair de vez da Rocinha, tivemos várias reuniões e mesmo assim geral sempre recusava.
Um dia, meu mano VT me chamou na sala dele, me disse o que iria acontecer com o morro se ninguém tivesse lá pra tomar conta. Eu fiquei meio bolado em ver meu mano preocupado daquele jeito e acabei resolvendo ir. Não era o que eu realmente queria, mas tudo na vida tem um propósito tá ligado? E acho que chegou o meu, eu decidi ver essa experiência como um novo recomeço. Não sei o que esperar de toda essa mudança na minha vida mas tô disposto a assumir esse b.o ai.
Com a Rayane, eu nem precisei chamar ela pra vim junto comigo, porquê a mina praticamente convidou. No começo, eu arrumei uma caxangá maneira pra ela e pra mãe dela morar, só que a coroa dela nunca gostou da mina junto comigo. Antes delas ir morar na Rocinha elas eram toda patricinha, e a mãe dela é metida a besta até hoje, ela acha que ainda tem grana sacó? A coroa disse que eu não merecia a filha dela e os caralho, me falou vários bagulho, que não aceitava a filha dela com traficante, e disse que não ia se mudar por causa de mim, e eu concordei com ela pô, a filha é dela, ela sabe o que é melhor pra mina. Eu deixei essa porra pra lá, dei o papo na Rayane e meti o pé, não ia arrumar k.o com a coroa dela atoa. Só que a Rayane teimosa do jeito que é, acabou fugindo e indo parar lá em casa. Ela chorou, pediu e quase implorou, disse que não ia voltar pra mãe dela e que também não ia me larga mesmo a mãe dela a obrigando.
Sujeito homem do jeito que eu sou, dei última forma pra mãe dela, a mina queria fica comigo parceiro, a mina já era de maior, não tinha como obrigar ela a fazer o que não queria, eu tentei terminar várias vezes pra não começar a ficar um bagulho chatão pra mim, e também entre elas tá ligado? Mas a mina sempre chorava e falava, e eu fico logo fudido quando ela começa a chorar.
Eu decidi assumir ela como minha fiel, fui até a mãe dela, deu o papo, disse que ela não ia precisa se mudar e que a Rayane ia ser minha mulher agora, a mãe dela acabou se conformando no final de tudo e aceito que ela ia vir de vez pra cá.
No começo, eu fiquei meio bolado de morar junto com ela assim logo de cara, nós não tinha nem muito tempo juntos ainda, nem conhecia a mina direito e eu também nem gostava tanto dela assim, mas depois decidi assumir de frente assim mermo. Arrumei uma casinha maneira pra nós, botei pra reformar e deixei ela braba. No início, o bagulho era até maneiro entre nós tá ligado? A mina me dava várias ideia, tinha vários papo visão, vários conselhos pra melhorar o morro e os caralho, nós tinha um bagulho bom, mesmo não rolando muito sentimento, nós se entendia namoral, ela me entendi, sempre tinha um conselho maneiro pra dá. Mas de uns meses pra cá, o bagulho começou a fica diferente, ela começou a se meter de mais onde não devia, queria se envolver nos bagulho nada haver com ela, começou sufocar de mais, parecia que queria ser mas dona que eu, insistia que queria ser avisada de tudo que eu fazia como se fosse mas uma traficante ao invés de minha mulher. O bagulho foi esfriando cada dia mais, e hoje, a convivência tá difícil agora.
Tive que colocar ela no lugar dela, e parei de dividir os bagulho que acontecia no morro com ela. Depois disso a mina surtou mermão, reclama da p0rra toda, fica enchendo minha cabeça, e até das irmã lá da Rocinha ela quer me afasta agora.
Já deixei bem claro que minha paciência já tá se esgotando parceiro, se fica me sufocando muito, vou tem que dar a última forma pra ela. As mina aqui do morro são tudo gostosa, fico me controlando pra não trair o bife, mas confesso que tá ficando foda demais pra mim, muita carne nova jogando na cara do pai sem pena.
...
Hoje vai ter a festa de dois anos do meu afilhado Felipe, filho do VT com a Manuelly. Essa magrela virou minha melhor amiga, sem maldade, a mina é meu fechamento, dou muito valor a isso.
Chego na festa sozinho, Rayane não quis vim como sempre, disse que estava com dor de cabeça, mas eu tô ligado que é k.o dela, ela tem ciúmes das mina daqui e fica queimando direto, já disse pra ela que não vai arrumar nada.
- Fala garotão_ grito pro Felipe que está no colo da Manu.
- Olha o dindo filho_ ela fala apontando pra mim e o pivete desce do colo correndo na minha direção igual foguete.
- Tido, tido._ ele fala todo embolado mas dá pra entender_ fetas do miki, ô._ aponta em direção a mesa toda arrumada bonitona do Mickey que ele gosta.
- Tá bonitão porra_ eu falo pra ele e a Manu dá um tapa no meu braço na mesma hora.
- Para de fala essas coisas perto do menino, ele está imitando tudo agora._ ela briga e eu dou uma gargalhada escutando ele repetir o que eu falei.
Entrego o presente dele, e ele fica todo bobo com a moto BMW elétrica braba que eu trouxe.
Faço ela entra sozinha com o controle remoto, e a Manuelly coloca a mão na testa me olha balançando a cabeça de um lado pro outro desaprovando. Ela não gosta dessas motos, porque ele quer fica andando pela casa toda com ela, o menor é rataria filho.
Entrego o bagulho pra eles, e vou pra mesa encontra os manos, geral já lá.
Isah com o barrigão dela, tá gata minha irmãzinha.
Sara tá correndo atrás da Eloá, que parece até um moleque de atentada que ela é, puxou o tio dela, com certeza.
Menor e Rayssa sentados conversando, e o moleque deles no pula pula.
- Cadê sua mulher ?._ Isah pergunta me encarando com uma sobrancelha levantada.
- Tá passando mal._ respondo dando um gole na minha cerveja sem muita emoção.
- É, ela sempre passa mal quando tu vem aqui mesm._Rayssa fala com um sorrisinho debochado.
- Quem?._ a Sara chega pegando fôlego, depois de conseguir coloca a piveta no brinquedo pra mina lá olhar.
- A Rayane._ Isabella diz revirando os olhos.
- Háa irmão, depois que você virou dono de morro, ela está insuportável, desculpa, mas eu tinha que falar._ Sara fala comendo salgadinho e dando de ombros.
- Aquela ali nunca me enganou._Rayssa fala meio entre os dentes e o Menor cutuca ela como cotovelo, e eu finjo que nem ouvi nada.
Fico lá observando a molecada tacando fogo na festa.
Eu sempre quis ter um moleque, mas com a Rayane nem dá, a mina tá muito malucona, só não mandei ela mete o pé ainda, porquê a mina é de família, e eu disse pra mãe dela que ia assumir, a mina fez de tudo pra fica do meu lado, tenho que dá valor a isso.
Mas minha irmã tá certa, no começo ela era maneira pra caralho, zoava com nós, fazia questão de tá no meio da rapaziada, parecia que ia ter maior amizade com as meninas. Só que depois que eu assumi definitivamente o morro, ela começou a k.ozada, inventando vários coisa, apertando minha mente sobre as minas daqui, o problema sempre foi principalmente com a Manu.
...
Nós começou a conversar sobre vários bagulho e o VT senta do meu lado.
- Porra mano, dá maior trabalho ter filho tá ligado? mas vou te fala, não tem coisa melhor que tu ver o sorriso do muleque depois de ter passado um perrengue com a mãe dele perturbando por causa de festa, tá ligado mano?_ ele fala e eu começo a rir da cara dele_ papo reto, a felicidade da minha família não tem preço irmão._ diz ele olhando a Manu e o Felipe tirando foto nos brinquedos_ como está tudo lá?._ pergunta agora me olhando e fumando um Beck.
- Tá Mec pô, tudo sobre controle, tá pra chegar uns armamentos que o Oscar conseguiu pra mim esses dias._ falo distraído olhando as crianças correndo, pra lá e pra cá, tacando o terro na festa.
- Nossos compradores lá da barra tá elogiando seu pó, disse que é um dos melhores do rio, o que mais sai na boate dele lá no asfalto._ ele fala soltando a fumaça e me encarando rindo.
- Pô, os cara são bons nessa porra mano, mas eles são viciados pra caralho, tem que tá em cima direto se não eles usa tudo que produz._ falo fumando um também e encarando.
- Atividade cria, tem que manter as paradas no controle, sem prejuízo._ concordo com a cabeça, e a Manu começa a chama ele pra tira mais foto e o cara fica puto coçando a cabeça_ caralho mermão, tô fudido._ele diz levantando da cadeira e sai saindo.
...
Um pouco depois, canta o parabéns, o pessoal vai tudo embora, e fica só os cria bebendo mais um tempo, trocando ideia, logo depois eu meto o pé pra casa.
Chego em na base e Rayane tá vendo televisão deitada na sala. Eu vou perto dela, dou um beijo e ela retribui. Tiro meu fuzil das costas, coloco minha pistola na mesinha e sento no sofá relaxando o corpo com meu celular na mão.
- Como foi lá?_ ela pergunta sem tirar os olhos da televisão.
- Foi Mec, o moleque ficou felizão com o presente._ falo vendo as fotos que nos tirou na festa.
- E suas amigas como estão?_ ela agora fala olhando na minha direção de braços cruzados.
Eu fico puto na merma hora e tiro os olhos do celular encarando ela sério.
- Qual foi Rayane? Tá mandadona tu em, se liga nos teus papos, não adianta fica de ciuminho não que as mina é de maior tempão po._ falo sem paciência já.
- Só acho engraçado que você faz maior questão de está com elas, ao invés de fica aqui comigo._ ela fala fazendo chame.
Eu olho pra cara dela e resolvo nem responder nada, só pego minha pistola da mesinha e subo pro quarto.
Tô ficando cansado dessa porra de ciúme o tempo todo já, toma no cu.
Tomo um banho e vou deitar, tô cansadão dos trabalhos de hoje, e tem muita coisa pra fazer amanhã ainda.
Fecho meus olhos e não demora muito pra diaba chegar e deitar do meu lado.
- Amor?._ ela me chama com a mão no meu rosto.
- Tô suave Rayane, to cheio de sono, vou dormi._ respondo sem dá muita confiança.
- Meu beijo de boa noite?._ diz ela manhosa.
Eu dou um beijo nela rápido e fecho meus olhos de novo e já pego no sono.
Bruninho
Acordo 6:30 da manhã e levanto de vagar.
Tomo meu banho tranquilão, jogo um traje maneiro no corpo e desço a escada pra sala.
Pego meus armamento, faço toque com os cara da contenção, e parto pra boca a pé mermo, com a segurança atrás.
Desde que eu assumi o morro, tento me aproximar o máximo da comunidade pra passar confiança prós morador.
Até por que, eu sou novo aqui né, e alguns ainda não se acostumaram com a troca no poder, muitos foram criados com os menor que foram mortos no confronto, e alguns ficaram um pouco bolados com tudo que aconteceu naquele dia, nós sacudiu legal.
Mas a maioria diz ter gostado da nova facção, que a favela mudou muito depois que o VT tomou o morro, diz que a facção atual é mais família.
Na verdade Naldinho só queria poder, dinheiro e mulher. O cara não ligava muito pra comunidade que tinha.
A maioria aqui tinham medo dele, e eu não quero medo, eu quero respeito, que são duas coisas parecidas, porém muito diferente.
Vou caminhando no suave rindo das bobeira dos cara, falo com alguns manos que passa por nós, cumprimento morador que vem fazer queixa e os caralhos.
Quando nós tá quase chegando na boca, passa um grupinho de piranha do lado da tropa e os cara já começa a comenta igual cachorro.
- Gostosas pra caralho._ um dos meus seguranças assobia.
Elas passa jogando na cara do pai como sempre né, não tem jeito.
- E aí Patrão._ a tal da Érica me joga piada mexendo no cabelo.
- Meu pau._ respondo sério sem olhar pra cara dela.
- Queria, posso pegar?._ ela fala debochando, rebolando e rindo.
É puta mermo né, alá.
- Postura 0 em._ olho de rabo de olho pra ela_ respeita minha aliança caralho._ beijo a minha aliancinha de compromisso e os caras da segurança começa a rir igual uns otário.
...
Entro na boca e já começo os trabalhos de uma vez. Vários b.o pra resolver, muita coisa pra fazer hoje.
Meto a cara nós trabalho e nem vejo o dia passar, e quando termino os bagulho, acendo um balão pra relaxar, boto ele pra subir e fico na salinha marolando.
Um temo depois, quando eu estava quase indo embora, alguém bate na porta da minha sala.
Fico olhando pra porta pensando se deixo entra ou não. Já sei que é b.o na certa, mas uma hora ou outra vou ter que resolver mermo, então não tem pra onde corre, mando entra.
E entra o doidão do Fê, o moleque só vive na onde, parece até um cigarro de maconha ambulante, alá.
- Ai patrão, tem uma mina querendo trocar um lero com tu._ ele fala pausadamente muito louco de maconha.
- Que mina e essa porra?_ pergunto cruzando os braços e rindo da cara de drogado dele.
- Sei não patrão, só sei que a mina é gata, padrão FIFA_ ele coloca mão no peito fingindo ser a mina, ele fica se balançando igual viadinho e eu dou uma gargalhada alta com a imitação dele.
- Manda essa mina entra aí cara._ falo ainda rindo dele e ele sai saindo da sala.
Esse cara é foda, foi uns dos maluco que veio do Vidigal pra trabalhar aqui com a gente, moleque firmeza, muito engraçado, maconheiro pra caralho, mas é bom de trabalho pra caralho também, topa tudo, moleque é da guerra.
Um minuto depois entra a mina que ele falo.
O bife é padrão mermo, toda gostosa, boquinha carnuda, cabelo enroladão até a bunda, magrinha, mas com peitinho durinho, bundinha redondinha, gata pra caralho, a mina é sexy viado.
Olho pra ela de cima em baixo e percebo que ela tá nervosa.
Não sei por que, mas essa mina me faz lembra a Manuelly.
Dou um riso de canto da boca com a lembrança e ela franze a sobrancelha me encarando.
- Solta a voz mina, o que tu quer aqui dentro da boca de fumo? aqui não é lugar de mina descente não._ falo ainda com o sorrisinho e ela fica puta.
- Infelizmente, pra tratar desse assunto tenho que entra nesse lugar horrível._ ela fala fazendo cara de nojo.
Hum... Mandadinha ela, alá!
- E que assunto é esse aí?_ cruzo os braços jogando o peso no corpo no encosto da poltrona encarando ela, e ela fica sem graça mexendo na unha de cabeça baixa_ bora fia, tenho teu tempo não._ falo e ela se assusta.
- É que meu pai é viciado, e eu estou achando que a conta dele provavelmente está muito alta, porque os cara já foi lá em casa cobrar duas vezes, mas ele não tem o dinheiro, queria pedir mais um tempo para mim poder ajuda ele a paga essa dívida, eu vou entra de férias daqui a um mês e vou pagar tudo que tiver aí sem falta._ ela fala toda sem graça e eu fico encarando ela por um tempo antes de fazer minha pergunta.
- Qual o nome dele, e onde vocês mora?_ pergunto depois de um tempo mexendo no PC.
- Luiz Carlos, goma 5._ fala chegando mais perto da minha mesa.
Vejo no Pc a conta do cara e até me assusto com o tamanho da dívida dele.
Olho pra cara dela com a sobrancelha arquivada e ela sustenta meu olhar.
Puta que pariu viado, a mina é gata mermo.
Nós ficamos um tempo se encarando e acho que tô hipnotizado pelo olhar ela mano.
Ela também não desvia o olhar e pisca os cílios longos dela e depois suspira.
Eu respiro fundo tentando afastar meus olhos do dela e me concentra, depois de um tempo consigo recuperar minha consciência e volto a encarar a tela do PC.
- Mano vou te falar, tem nem desenrolo, ou teu pai paga essa dívida aí, ou infelizmente vou tem que passar ele._ falo sem neurose e ela arregala os olhos e da um passo pra trás me encarando assustada.
- O que? Não... Mas por quê? Você tem que esperar as pessoas ter dinheiro pra te pagar, se você matar todo mundo, você nunca vai ter o seu dinheiro. Isso também é desumano que eu saiba, ele tem família você não tem coração?_ ela fala toda desesperada andando de um lado por outro me deixando tonto.
- Ei, ei aquieta o cu aí fia, tu vem aqui na minha boca me esculacha? Tá drogada?_ eu falo autoritário e ela já começa a chorar.
Porra, aí me fode.
Não consigo ver mulher chorando não papo reto.
- Mina, senta o cu ai._ aponto pro sofá me levantando da minha poltrona_ porra vou te dá o papo reto._ ela me dá espaço no sofá ainda chorando e eu sento do lado dela_ teu pai tá fudido cara, a conta dele tá em 15 mil, e eu vou tem que até bate um lero com o cobrador, quero saber por quê que deixaram uma conta crescer tanto assim._ falo pra ela o mais calmo possível pra ver se ela consegue entender a gravidade da situação.
- 15 mil?._ ela repete encarando o chão com as sobrancelhas levantadas_ eu não tenho esse dinheiro nem se eu entra de ferias._ coloca a mão no rosto e chora mais ainda.
- Ô, eu vou tentar te ajudar._ coço a cabeça incomodado de ver ela chorando_ a última forma é ele fazer uns corre pra mim, até ele conseguir pagar essa dívida aí._ falo encarando ela.
Ela tira as mãos do rosto me encarando com o rosto inchado, os olhos vermelhos, e mordendo os lábios para tentar parar de chorar.
A minha vontade e de segurar o rosto dela e beija muito essa boquinha linda que ela tem.
- A mas ele faria o que? Ele não é novinho assim como vocês, ele não vai aguentar nem segurar um fuzil direito._ ela fala me olhando e toda hora olha pra minha boca também.
Será que ela me quer?
- Ou é isso, ou é a morte, ele escolhe, eu ainda estou sendo bonzinho demais._ o certo é o certo, tô tentando aliviar a parada dele, ou faz ou é um homem morto. Simples!
- Vou conversar com ele, você me dá um dia?._ concordo com a cabeça encarando ela.
Porra, essa mina conseguiu mexer comigo de verdade mermo, sem k.o.
Ela levanta limpando o rosto, me agradece pela oportunidade e sai saindo da minha sala.
Eu fico igual um otário encarando a porta por onde ela acabou de sair tentando entender o que foi que acabou de acontecer.
Eu tenho que fica ligado mano, agora sou um cara casado, se for pra mim fazer algo tenho que fazer no sigilo absoluto.
Sei que os cara que é vilão, faz na careta mermo, e ainda esculacha a fiel, mas eu sou sujeito homem, se eu for fazer tem que ser uma parada muito foda.
Se a minha mulher fosse alguma piranha, eu botava pra foder mermo, mas Rayane é de respeito pô, não vou vacilar com a mina assim não.
Fico viajando na ficha do coroa na tela do PC, mas aqui não diz nada sobre ela.
Eu nem vou procurar saber não, é melhor eu corre de problema, se eu quiser um bife novo vai ser um bife qualquer, pra ela não acabar mexendo com a minha mente, e eu não acaba fazendo merda.
Juliana
Saio daquele lugar com as pernas bambas.
Aquele homem me intimidou tanto que quase não consigo falar nada.
Pelo menos ele me deu uma opção, mas não vai ser nada fácil convencer meu pai a ir trabalhar na boca.
Ele não é um pai ruim, o problema é esse vício maldito que ele não consegue largar de jeito nenhum.
Lá em casa é só eu e ele, minha mãe também era viciada e morreu de overdose quando eu tinha 15 anos.
Meu pai passou a ser um pai e uma mãe para mim, fez muito por mim todos esses anos, ele se controlou e deixou o vício de lado para cuidar só de mim e por muito tempo fomos felizes, só que de uns tempos pra cá, ele infelizmente se afundou novamente nas drogas.
Eu comecei a ficar preocupada, quando os meninos da boca vieram cobra e ele já não tinha dinheiro pra pagar, ele nunca deixou de pagar as dívidas das drogas, pois tinha muito medo que eles fizessem algo comigo.
E quando eles foram cobra pela segunda vez, eu tive a certeza que meu pai estava entregue totalmente.
Meu medo era ele não ter condições de trabalhar e não conseguir mais pagar os meninos, porque eles viriam atrás dele e eu não posso perde meu pai assim.
...
Quando chego em casa, ele está largado no sofá e eu agradeço a Deus por isso, pelo menos está dormindo, e não pela rua se drogando ou fazendo coisa pior.
Quando ele acordar, o efeito das drogas já vai ter passado e nos vamos poder conversar sobre o que esta acontecendo.
Espero que ele entenda a gravidade da situação que estamos vivendo.
Meu emprego de vendedora não paga o melhor dos salários, porém ele sustenta a casa, dá pra pelo menos pra compra a comida e paga algumas contas.
Meu pai trabalha como ajudante de pedreiro, e de uns tempos pra cá, quando ele voltou para essas drogas malditas, ele deixou de ajudar na casa e as coisas se apertaram um pouco para o meu lado, mas não é nada que eu não possa da um jeito.
Entro no banheiro, tomo meu banho e vou para a cozinha começar fazer o almoço.
Deixo tudo prontinho e vou me arrumar pro trabalho.
Coloco meu uniforme, penteio meu cabelo, faço uma trança boxeadora e vou pra cozinha colocar meu almoço.
Meu pai já acordou e está tomando banho pra almoçar também.
Eu espero ele terminar o banho dele e vim pra cozinha, a conversa vai ser difícil, mas precisamos resolver logo essa situação.
...
Depois de um tempo ele sai do banheiro, coloca sua comida, e se senta na cadeira a minha frente, e fica me encarando.
- Onde você estava filha?._ ele me pergunta quando começa a comer.
- Fui la conversar com o novo dono do morro._ falo sem rodeios e ele quase engasga com a comida, bate na mesa e me encara nervoso.
- O que? Você foi fazer o que lá no meio de traficante Juliana?_ ele fala furioso.
Meus pais sempre soube que a vida que levavam não era digna, e sempre me disseram para não ser fraca como eles foram.
- Os caras do movimento vieram duas vezes só essa semana pai, eu vi sua conta, e ela é absurda._ falo seria encarando ele.
- Não quero saber Juliana, não quero você metida nessa história._ ele muda o tom voltando a comer sua comida me deixando com mais raiva ainda.
- E o senhor acha certo eu ver isso tudo e fica calada? Acha mesmo que vou deixar o senhor morrer por causa desse maldito vício?._ eu grito já com lágrimas nos olhos e com a voz falha.
- Filha eu sinto muito por te fazer passar por isso, mas te peço, por favor não se mete com esses caras, eu vou resolver isso, vou conversar com ele e ver se ele me dá um tempo pra pagar essa dívida._ diz ele me encarando também segurando as lágrimas.
- Ele disse que o senhor pode trabalhar pra ele para quita essa dívida pai._ falo segurando sua mão_ ele disse que se não for isso é a morte._ ele me encara sério com os olhos arregalando.
- Eu não sou bandido Juliana, vou arrumar um jeito de pagar, mas não vou me envolver com o crime, sou viciado mas sou honesto, já te dei mal exemplo demais minha filha._ ele deixa algumas lágrimas caírem partindo o meu coração no meio.
- Pai eu conheço o senhor, sei que se dedicou pra ser um bom pai, e o senhor foi o melhor do mundo para mim, todos temos os nossos defeitos e eu sei do lado ruim que o senhor também tem, mas o lado bom é muito maior._ falo e ele enxuga as lágrimas_ pai, sua dívida é de 15mil reais_._ eu coloco todo o meu pesar na voz, e ele arregala os olhos ainda mais, depois apoia sua cabeça nas mãos desesperado entendendo a gravidade da dívida.
- Meu Deus filha, o que eu fiz? De onde vou tirar esse dinheiro todo?._ ele fala triste.
- Infelizmente não temos opção, o senhor vai ter que quitar essa dívida ou eles vão vim atrás do senhor pai._ falo também triste e ele me olha com o olhar vazio_ ele nos deu 1 dia para pensar, eu vou trabalhar agora, mais tarde conversamos melhor, não faça nada que se arrependa depois por favor, me espera sóbrio e em casa._ dou um beijo na testa dele levantando da cadeira.
Não comi quase nada, estou sem apetite desda segunda vez que os traficantes vieram cobra meu pai.
Escovo meus dentes correndo e saio de casa.
A loja que eu trabalho é no asfalto, consegui esse emprego através de uma amiga do curso que fiz, a mãe dela é gerente da loja e arrumou a vaga para mim.
Vou no ponto do moto táxi, e peço pra ele me deixar lá em baixo.
...
Chego no trabalho e as meninas da manhã já estão indo embora, cumprimento elas e entro na loja correndo.
Olho em volta e não vejo minha gerente na loja, acho muito estranho, ela sempre é a primeira a chegar, porém não comento nada.
Começo a arrumar algumas coisas que estão fora do lugar e passo o espanador nas prateleiras dos calçados.
- Ju, você notou que a Kátia não veio hoje?._ Débora me pergunta disfarçando.
- Claro, foi a primeira coisa que reparei quando cheguei aqui, achei estranho, ela nunca chega atrasada._ falo me tocando que a Vanessa também não falou nada o dia todo no ZAP, ela sempre manda uma corrente de bom dia de manhã.
...
Continuamos trabalhando e quando da 18:30 o nosso expediente acaba.
Hoje o movimento foi forte, e eu quase não vi a hora passar.
Dou tchau para as meninas e vou embora.
Entro em casa procurando meu pai, mas ele já não está mas lá.
Só espero que ele não esteja se drogando para não complicar mais ainda a nossa vida.
Coloco meu telefone pra carregar e vou tomar um banho.
Quando termino, eu visto um shorts jeans e um cropped, meu telefone já deu 50% e tá ótimo, depois coloco pra carregar mais um pouquinho.
Estou morta de fome e morrendo de preguiça pra fazer comida, então vou compra um x tudo mesmo e esperar meu pai chega.
...
Saindo de casa recebendo uma mensagem no celular da Vanessa e eu abro correndo.
*Vavá amiga*
- Oi amiga, você não sabe o que aconteceu._ ela começa. ?
- O que houve? te deixei mil mensagens e liguei várias vezes, sua mãe nem trabalhar foi hoje, fiquei preocupada caramba.
- Aí amiga passei mal a madrugada toda, vomitando e com dores, minha mãe não dormiu preocupada comigo e hoje de manhã fomos no médico e descobrimos que estou grávida??
Eu fico em choque com o que ela me diz.
Não acredito que ela fez essa burrada, ainda mais de quem.
Nossa cara, a tia Kátia deve está arrasada, ela nunca aceitou o relacionamento da Vanessa com o 2D.
1 ano atrás quando o novo dono assumiu de vez, teve um baile de 2 dias aqui no morro, e a Vanessa quase implorou pra que eu fosse com ela, já que ela mora lá no asfalto e eu aqui, ela poderia dizer que ia dormi na minha casa para podermos ir juntas, e foi o que aconteceu.
Acabou que ela conheceu o 2D, traficante que veio do outro morro e começou a se envolver com ele, desde então eles estão juntos, mas tia Kátia nunca aceitou, porém, respeitava o relacionamento da filha, até porque Vanessa já é maior de idade, mas até aí ter um filho, acho que ela não vai encarar isso muito bem.
- O que?? Você é louca, não conhece anticoncepcional? Pílula do dia seguinte ou camisinha sua retardada?
- Amiga eu esqueci de tomar, ele me deu dinheiro pra compra e eu tomei açaí, eu ia compra depois com o meu dinheiro, mas eu esqueci.?
- Porra, você é uma imbecil cara, o que a tia falou sobre isso?
- Ela falou que eu vou ter que morar com o Dudu de qualquer jeito. :'(
- E ele já sabe?
- Não amiga, vou prai amanhã conta pra ele, você vai comigo? Por favor?
- Claro que vou, antes vou da dois tapas no meio da sua cara pra ver se você parar de ser ridícula.
Assim que chego no x tudo, eu faço meu pedido e fico esperando ficar pronto.
Tô cheia de fome, não comi nada hoje no almoço, e parece que um minuto demora uma eternidade.
Converso mais um pouco com a Vanessa e com o moço do x- tudo.
De longe, vejo uns 3 caras arrastando uma pessoa pelos braços.
Todas as pessoas que estão na rua, logo se levantam para poder ver o espetáculo.
Os caras vão chegando mais perto e eu me esforço entre as pessoas para poder ver melhor o que está acontecendo.
E aquela pessoa não me é estranha.
Eu conheço aquela cabeça, e também aquela blusa.
Porra, não acredito!
- PAAAAI..._ eu grito ofegante e com o coração a mil.