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A Noiva Indesejada

A Noiva Indesejada

Autor:: Gorgeous Killer
Gênero: Fantasia
A notícia do casamento arranjado do filho do magnata imobiliário, Sr. Eduardo Silva, com uma das jovens Mendes chegou como um trovão, com minha mãe, Dona Beatriz, exaltando Laura como a escolhida. Ouvi tudo do meu canto, um calafrio percorrendo minha espinha, pois eu já tinha vivido aquele dia, uma vida passada que me levou à morte num rio gelado durante meu próprio casamento forçado. Minha mãe decidiu que a "sorte" escolheria, e, convenientemente, Laura tirou o "Cartão da Fortuna", radiante. Mas, a euforia passou, minha mãe me puxou e sussurrou desesperada: "Sofia, minha filha... Você precisa fazer isso. Você precisa ir no lugar da Laura." Ela implorou, dizendo Laura ser fraca e delicada, e que eu, a forte, deveria fazer aquele pequeno sacrifício pela minha prima. Ela prometeu que meu pai, o Dr. Ricardo, me traria de volta quando resolvesse seus casos, uma promessa que na vida passada nunca se cumpriu. A ironia era cortante. Ela me queria forte para o sacrifício, mas nunca para me proteger. A mulher que me enviou para a morte sem hesitar agora pedia novamente. Mas eu voltei. Abri os olhos e estava aqui, de volta ao início de tudo. Desta vez, eu não seria a ovelha levada para o abate. Com um sorriso forçado e a voz mais dócil, respondi: "Tudo bem, mamãe. Eu vou." Desta vez, o sacrifício seria deles.

Introdução

A notícia do casamento arranjado do filho do magnata imobiliário, Sr. Eduardo Silva, com uma das jovens Mendes chegou como um trovão, com minha mãe, Dona Beatriz, exaltando Laura como a escolhida. Ouvi tudo do meu canto, um calafrio percorrendo minha espinha, pois eu já tinha vivido aquele dia, uma vida passada que me levou à morte num rio gelado durante meu próprio casamento forçado.

Minha mãe decidiu que a "sorte" escolheria, e, convenientemente, Laura tirou o "Cartão da Fortuna", radiante. Mas, a euforia passou, minha mãe me puxou e sussurrou desesperada: "Sofia, minha filha... Você precisa fazer isso. Você precisa ir no lugar da Laura."

Ela implorou, dizendo Laura ser fraca e delicada, e que eu, a forte, deveria fazer aquele pequeno sacrifício pela minha prima. Ela prometeu que meu pai, o Dr. Ricardo, me traria de volta quando resolvesse seus casos, uma promessa que na vida passada nunca se cumpriu.

A ironia era cortante. Ela me queria forte para o sacrifício, mas nunca para me proteger. A mulher que me enviou para a morte sem hesitar agora pedia novamente.

Mas eu voltei. Abri os olhos e estava aqui, de volta ao início de tudo. Desta vez, eu não seria a ovelha levada para o abate.

Com um sorriso forçado e a voz mais dócil, respondi: "Tudo bem, mamãe. Eu vou." Desta vez, o sacrifício seria deles.

Capítulo 1

A notícia chegou como um trovão em um dia de céu claro. O filho mais velho do magnata imobiliário, Sr. Eduardo Silva, viria ao Rio de Janeiro. O objetivo era claro: um casamento para selar uma aliança estratégica entre sua fortuna estrangeira e uma família influente do Brasil. E a nossa família, os Mendes, tinha sido a escolhida.

Minha mãe, Dona Beatriz Mendes, quase não se continha de alegria. Seus olhos brilhavam enquanto ela segurava as mãos da minha prima, Laura.

"Laura, querida! Você ouviu? Esta é a nossa chance! A chance da sua vida!"

Laura, que vivia conosco desde que seus pais morreram, sorriu, um misto de vaidade e triunfo no rosto.

"É claro, tia. Somos a família mais importante. Quem mais eles escolheriam?"

Meu irmão, Carlos, concordou com a cabeça, bajulando Laura como sempre.

"Com a beleza da Laura, o gringo nem vai pensar duas vezes."

Eu, Sofia Mendes, estava sentada um pouco afastada, perto da janela. Ninguém olhou para mim. Ninguém perguntou o que eu achava. Para eles, eu era apenas parte da mobília.

Mas eu ouvi. E um calafrio percorreu minha espinha. Um calafrio que não era do vento que entrava pela janela, mas de uma memória.

Eu já tinha vivido aquele dia.

Na minha vida passada, a notícia também chegou assim. E o que se seguiu foi um pesadelo. Um pesadelo que terminou comigo, morta, no fundo de um rio gelado durante a viagem para o meu próprio casamento arranjado. Ninguém chorou por mim. Declararam como um acidente trágico e seguiram em frente.

Mas eu voltei. Abri os olhos e estava aqui, de volta ao início de tudo. Desta vez, eu não seria a ovelha levada para o abate.

Minha mãe finalmente pareceu se lembrar da minha existência. Ela se virou para mim, mas seu rosto não tinha o mesmo calor que demonstrava para Laura.

"Sofia, você também está aqui. Ótimo."

Ela pigarreou, assumindo um ar de seriedade.

"Como temos duas jovens em idade de casar, para que tudo seja justo aos olhos de Deus e dos homens, vamos tirar a sorte. Um 'Cartão da Fortuna' para o casamento, e um 'Cartão da Sorte' para quem fica. Será o destino a decidir."

Laura sorriu, confiante. Ela sempre teve sorte. Ou melhor, minha mãe sempre garantia que a sorte estivesse do lado dela.

E, como esperado, Laura tirou o "Cartão da Fortuna". Ela o ergueu no ar, radiante.

"Eu sabia! O destino me escolheu!"

Carlos a abraçou.

"Parabéns, minha irmã!"

Minha mãe chorou de felicidade. Mas então, quando a euforia inicial passou, ela veio até mim. Seu rosto estava pálido. Ela me puxou para um canto, longe dos outros.

"Sofia, minha filha..."

A voz dela era um sussurro desesperado.

"Você precisa fazer isso. Você precisa ir no lugar da Laura."

Eu a encarei, sem expressão.

"Mas o destino a escolheu."

Lágrimas brotaram nos olhos dela. Lágrimas de crocodilo, eu sabia.

"Sua prima é fraca! Ela é delicada! Uma viagem longa como essa, um país estranho... ela não sobreviveria! Você é forte, Sofia. Você sempre foi."

A ironia era tão cruel que quase me fez rir. Forte. Eu era forte porque tive que aprender a sobreviver aos maus-tratos e à negligência dela.

"E não se preocupe", ela continuou, segurando minhas mãos com força. "Seu pai... o Dr. Ricardo... ele é um advogado famoso, influente. Assim que ele resolver os casos importantes dele e voltar, eu peço para ele te trazer de volta. É só por um tempo, minha filha. Um pequeno sacrifício pela sua prima."

Pai. A menção dele me causou uma pontada de dor. Ele estava sempre ausente, mergulhado em um trabalho secreto que ninguém entendia. Na minha vida passada, eu morri esperando que ele viesse me salvar.

Eu olhei para o rosto suplicante da minha mãe. O rosto da mulher que me enviou para a morte sem hesitar.

Desta vez, o sacrifício seria deles.

"Tudo bem, mamãe", eu disse, com a voz mais dócil que consegui fingir. "Eu vou."

Ela suspirou de alívio, me abraçando com uma falsidade que me dava náuseas.

"Oh, minha filha boa! Eu sabia que podia contar com você!"

Enquanto ela me abraçava, meus olhos se fixaram em uma fina cicatriz branca no meu pulso. Um lembrete permanente. Na minha vida passada, durante a viagem, os homens do noivo tentaram abusar de mim. Eu lutei. Caí do navio e bati a cabeça em uma pedra antes de afundar. A cicatriz era de onde um deles me agarrou com força, a unha rasgando minha pele.

Não haveria uma segunda vez.

Capítulo 2

No dia seguinte, a casa dos Mendes era um palco. Laura, a escolhida pela "sorte", deveria começar os preparativos. Mas, em vez disso, ela estava deitada no sofá da sala, com um pano úmido na testa, gemendo dramaticamente.

"Ai, minha cabeça... acho que vou desmaiar. A simples ideia de uma viagem tão longa... meu coração não aguenta."

Ela falava com a voz fraca, mas seus olhos estavam atentos, medindo a reação de todos.

Minha mãe, Dona Beatriz, correu para o lado dela, a personificação da preocupação.

"Oh, minha pobre menina! Não se esforce! Carlos, traga um copo de água com açúcar para sua prima! Rápido!"

Carlos, sempre o servo leal de Laura, praticamente voou para a cozinha.

Minha mãe afagava os cabelos de Laura.

"Está vendo? Eu sabia. Você é delicada demais para isso. Uma flor de estufa. Não podemos arriscar sua saúde."

Ela então se virou para mim, que observava a cena em silêncio, perto da porta. A expressão dela endureceu.

"Sofia, venha aqui. Veja o estado da sua prima. É por isso que você, que é mais forte, precisa assumir essa responsabilidade."

Antes que eu pudesse responder, minha fiel empregada, Júlia, que estava espanando um vaso no canto, não se conteve.

"Com todo respeito, Dona Beatriz, mas a Srta. Sofia também não anda bem. Ela mal tocou na comida hoje."

Júlia me conhecia desde criança. Ela era a única que via além das aparências nesta casa. A única que enxugou minhas lágrimas e cuidou dos meus machucados quando ninguém mais se importava.

A fúria de Beatriz se voltou para a empregada.

"Cale a boca, Júlia! Quem lhe deu permissão para opinar nos assuntos da família? Volte para o seu trabalho!"

Júlia baixou a cabeça, mas não sem antes me lançar um olhar preocupado. Eu lhe dei um sorriso discreto. Um sorriso que dizia: "Está tudo bem. Eu tenho um plano."

Meu coração estava firme. A raiva e a dor do passado haviam se transformado em um gelo cortante. A peça teatral deles não me atingia mais. Eu era uma espectadora esperando o momento certo para entrar em cena e mudar o roteiro.

Laura, percebendo que a atenção havia se desviado dela por um instante, soltou um gemido mais alto e seus olhos se reviraram.

"Acho que... que minha visão está escurecendo... Tia, eu não consigo respirar..."

Ela levou a mão ao peito, ofegante, em uma performance digna de um Oscar.

Imediatamente, o caos se reinstalou.

"Meu Deus! Laura! Carlos, chame o Dr. Matos! Agora!", gritou minha mãe, o pânico em sua voz. "Ela está tendo um ataque! É o coração frágil dela!"

Carlos largou o copo d'água, que se espatifou no chão, e correu para o telefone.

Minha mãe se ajoelhou ao lado de Laura, abanando-a com as próprias mãos.

"Respire, meu amor, respire! A tia está aqui! Ninguém vai te forçar a nada!"

Em meio a toda aquela confusão, ela olhou para mim. Não havia preocupação em seu olhar, apenas acusação. Como se a falsa doença de Laura fosse minha culpa. Como se minha simples presença fosse um fardo que causava todo aquele sofrimento.

Eu permaneci imóvel. Por dentro, uma calma assustadora tomava conta de mim. Eles não sabiam com quem estavam lidando. Não mais. A Sofia que eles conheciam estava morta e enterrada. A que estava ali agora não ia mais ser a vítima da história deles.

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