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A Primeira Estrela - Guardiões do Mundo

A Primeira Estrela - Guardiões do Mundo

Autor:: L. G. COELHO
Gênero: Fantasia
Depois de vários anos, destruições e mortes, o mundo já não é o mesmo, a democracia de muitos países está arruinada, pois as poucas pessoas que ainda restam no mundo só pensam em tomar o poder para si. Depois que uma grande epidemia de uma doença extremamente contagiosa que matou muitos seres humanos, o mundo quase já não tinha vida humana, os poucos que tinham brigavam entre si por alimentos e lugares seguros para viver. Mas aos poucos a doença foi superada e a civilização voltou a crescer, depois de pelo menos quinhentos anos e de tudo regressar ao quase zero, o mundo voltou a seguir um caminho seguro para os humanos. Pelo menos é isso que os reis e aristocratas contam ao povo, mas o que tem por de trás desse poder que mata, consome e leva as pessoas a lutarem entre si? Porque o mundo não pode ser salvo antes de toda destruição? Vários porquês ficaram rondando as pessoas por muitos e muitos anos mas nenhuma vez se teve respostas então aos poucos aquilo foi esquecido e a vida seguiu, até o surgimento dos marcados pelos deuses e da ganância dos homens tentar apaga-las da face da terra. O que mais precisa acontecer para as pessoas deixarem de ser gananciosas e se unirem para sobreviver? O mundo está morrendo e só os escolhidos podem salva-lo.

Capítulo 1 Epílogo - O Começo de Tudo

" Oh, pai me diga

Nós recebemos o que merecemos?

Ou recebemos o que outros merecem?

Você deixou meus pés correrem livremente?

Ou deixou seus pés me guiarem pelo seu caminho?

Tantas perguntas sem respostas, acabo ficando confusa.

Mas estou trilhando o caminho certo, não é? "

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31_12_2019 – 00:59

Todos se preparam para um novo ano, as luzes brilham pelas cidades, as pessoas sorriem e brincam pelas ruas festejando pelo novo ano que esta por vir. Os seres humanos sempre buscam a vida em primeiro lugar, um único gesto que pode mudar esse pensamento.

Os últimos minutos antes de começar um novo ano e de talvez novos começos estourarem, assim a vida segue em um fluxo sem fim que sempre vai seguindo guiado pelas ações humanas.

01_01_2020 – China

" Em 31 de dezembro de 2019, autoridades chinesas enviaram um alerta à Organização Mundial da Saúde (OMS): casos de pneumonia detectados na cidade de Wuhan, cuja causa se desconhecia, precisavam de atenção, o que levou ao fechamento do Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan em 1º de janeiro de 2020. "

03_01_2020 – China

Foram reportados 44 pacientes suspeitos de ter a doença misteriosa que começou a se espalhar por Wuhan. Os médicos não sabiam o que fazer sobre os casos da doença desconhecida que começou a ser estudada rapidamente.

07_01_2020 – China

O país asiático descobriu a identidade do micro-organismo que logo tomou conta das manchetes de todo o planeta, denominado como Sarcs-CoV-2 uma doença extremamente contagiosa que que necessitava de constate monitoramento.

09_01_2020 – China

A primeira morte associada ao Sars-CoV-2 foi registrada, cientistas se dedicavam ao sequenciamento genético da ameaça sem precedentes, o medo já se alastra pelo pais e pelo mundo que acompanham o caso.

12_01_2020 – China

Os cientistas finalmente compartilharam informações para dar auxílio países dos cinco continentes a testarem e rastrearem as pessoas em condições que podiam ser do Sarcs-CoV-2.

13_01_2020

No dia 13, a Tailândia se deparou com o primeiro caso, e nos dias seguintes Japão e Coreia do Sul entraram para a lista. Em 18 e 19 de janeiro, já havia 204 contaminados e três mortos apenas na China. No dia 21, a OMS confirmou que as transmissões ocorriam entre humanos.

Em meio a um aumento significativo de confirmações, que já somavam 580 na China, com 17 mortos, em 22 de janeiro o comitê de emergência adiou a decisão de aconselhar o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a declarar o surto como emergência de saúde pública de preocupação internacional. No dia 23 , Wuhan, Ezhou, Pequim e Huanggang começaram a adotar medidas para conter as infecções. Singapura confirmou seu primeiro caso importado ainda em janeiro, assim como o Vietnã.

Em 30 de janeiro, Tedros Adhanom mudou sua postura, pois a China estava com 9.692 contaminações e 213 mortes. No dia 31, países começaram a controlar suas fronteiras e atividades internas: o novo normal, enfim, estava dando as caras.

Mas já era tarde demais, a doença que começou com a virada de ano agora já estava em todo o planeta, os contaminados só aumentavam e as pessoas só ficaram com mais medo, cada vez menos pessoas nas ruas e cada vez mais mortes, desde crianças a idosos, ninguém estava seguro mesmo estando dentro de casa.

Ninguém saia de casa além de médicos e enfermeiros, a comida ficava cada vez mais cara e cada vez mais pessoas ficavam em estados deploráveis. Todos estavam tão preocupados com o futuro mas ninguém sabia o que fazer para ajudar a seguir.

As mortes continuavam a crescer mas então a luz veio, uma vacina que prometia imunizar a população e acabar com esse problema havia sido criadas, o alívio mundial veio, mas durou pouco.

A vacina não era efetiva pois o vírus se tornou mais e mais forte, as únicas pessoas imunes eram os recém nascidos, ao menos uma vez ainda era possível sobreviver após ser contaminado, mas se chegasse a pegar uma segunda vez, a morte era sua única saída.

Agora o mundo que antes tinha uma população de sete vírgula oito bilhões de pessoas tem pouco mais de dois bilhões, várias cidades estão totalmente desertas, fábricas, indústrias, empresas e lavouras estão em desordem.

Os seres humanos faziam de tudo para sobreviver e elevar sua expectativa de vida para não virarem uma espécie extinta assim como muitos animais.

Agora tudo que mais há no mundo são crianças sem pais, que precisam de auxílio para crescerem, as poucas pessoas adultas que ainda restam tentam ensinar essas crianças os princípios básicos da sobrevivência já que os mesmos logo morram.

O mais impressionante de tudo isso é que os lugares que se encontravam grandes populações como Japão, agora estão cada vez menores e tem cada vez menos dos seus.

31_12_2020

O mundo já não é o mesmo. A população atual é de quinhentos e noventa e dois milhões, todos lutando pela sobrevivência da espécie, a democracia aos poucos está caindo e a sobrevivência de quem tem mais dinheiro está ganhando.

A existência humana está por um fio. Mas ao menos algumas criança ainda são imunes e podem sobreviver e então repovoar o mundo que agora se parece totalmente com um governo monárquico. Ninguém sabe o que o futuro os reserva e todos vivem suas vidas com medo do amanhã.

Esse é mesmo o fim da espécie humana? Esse é o final do mundo?

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Capítulo 2 Grandes Mudanças

Corra, eles vão te perseguir

Até a escuridão...

Sim, eles vão te perseguir

Até cair sem vida...

E eles vão te pegar

Até o seu interior estar vazio...

Até que você não possa mais respirar.

..........

-Zoe... -porque sempre grita. -Zoe... Venha já aqui. -acho que deixei ela com raiva.

-Já vou mãe. -grito de cima da árvore onde descansava. É quase hora da inspeção, claro que mamãe estaria desesperada, não sei o que houve para acontecerem inspeções todos os dias menos aos domingos. Subir era sempre mais fácil que descer, entro na pequena casa vendo minha mãe e minha vo já com a porta aberta e em pé juntas, vou para o lado delas e espero.

-Senhoras. -o guarda diz entrando. -Hoje a inspeção será diferente, há um tipo de doença se alastrando pelas cidades e vilas como a sua, gostaríamos que respondessem a todas as perguntas sem quetinarem. -ele olha para nos três e seu olhar demora em meu corpo. -Caso uma de vocês esteja contaminada tenho que leva-la imediatamente. -ele puxa uma cadeira da pequena mesa e se senta.

Guardas são sempre folgados, só porque tem uma farda acham-se donos do mundo. Fechei os olhos por um instante para não me estressar e algo incomum acontecer como da última vez.

-Alguma de vocês têm alguma marca rescente no corpo? -minha mãe e minha vo negam, mas eu não. Fazem dois dias que uma pequena marca nasceu em meu pulso esquerdo, a princípio achei que fosse normal, mas então na inspeção da tarde o guarda foi rude e me irritei, quando vi ele estava flutuando no ar e gritando em desespero, sabia que era minha culpa, mas não conseguia controlar.

-A Srta. tem alguma marca? -o guarda pergunta e fico tentada a negar.

-Sim. -puxo a manga da blusa e mostro a marca que mais parecia um risco em preto encurvado.

-Sente alguma coisa quando fica nervosa ou com raiva? -pergunta somente a mim.

-Não. -minto.

-Preciso que venha comigo para a capital, temos que ter certeza que não é a doença. -diz levantando-se.

-Pode arrumar uma pequena bolsa com coisas uteis, caso não tenha nada poderá voltar para sua família.

Minha mãe já chora e vovo tentava acalma-la. Subo ao meu quarto e começo a arrumar uma bolsa, quando coloco tudo vovó entra no quarto.

-Querida, quero que fique com isso. -pega um cordão e coloca em meu pescoço. -Era de seu pai, ele disse para te entregar quando algo do tipo acontecesse, disse que te protegeria. -ela beija minha testa e desço as escadas rápido. Vejo minha mãe conversando com o guarda que se levanta quando me vê.

-Pode juntar-se ao grupo lá fora. -ele diz.

-Filha, pegue. -ela vem com uma vasilha e me entrega. -São os bolos e salgados que não vendemos hoje, leve para não ficar com fome no caminho ate a capital. -diz e me abraça. -Eu te amo.

-Também te amo mamãe. -assim que sai vi um grande grupo de soldados e jovens, alguns sentados em carroças outros apoidos em árvores, me aproximei e fiquei perto do grupo, logo começamos a andar, reparei que a maioria dos jovens tinha uma mochila, alguns conversavam entre si.

-Nem consegui comer... deveria ter ficado quieta. -escuto alguém falar ao meu lado. Ao me virar vejo uma menina, ela deve ter uns doze anos, seus cabelos são castanhos e curtos, seus olhos são amarelados, a boca pequena está formando um biquinho e usa um vestido verde que vai até os joelhos, sua mochila rosa parece bem cheia, ela anda como se fosse cair e ficar por ali mesmo.

-Se quiser tenho uns bolinhos. -falo e ela me olha. -Posso dividir com você. -ela abre um sorriso.

-Mesmo? -diz e sorrio.

-Pegue. -lhe estendo um pedaço de bolo. Ela pega e começa a comer.

-Obrigada... -para e me olha.

-Zoe. -completo e ela me olha admirada.

-Obrigada Zoe, eu sou Samantha, mas pode me chamar de Sam. -ela come o bolo quase que rindo de felicidade.

-Onde está sua marca? -pergunto e ela me mostra a orelha direita. Chego perto e vejo atrás da orelha dela tem um risco como o meu mas com um outro menor em baixo.

-E a sua? -ela pergunta e mostro o pulso. Ela faz um som estranho, mas não é para meu pulso que ela olha, sigo seu olhar até onde está seu olhar.

A maioria dos jovens está paralisada de medo, bem em nossa frente tem uma criatura enorme e feia, sua boca tem vários dentes, seu corpo tem muitos espinhos e ele parece um grande lagarto raivoso e grande, o que acontece é rápido, só há tempo de escutar um corram e depois vários soldados são atacados caindo no chão.

-Sam, corre. -grito agarrando a mão dela, começo a puxa-la em direção a floresta e posso notar vários outros jovens nos seguindo, escuto o som alto de algo explodindo mas não olho para trás, ainda segurando a mão de Sam corro o máximo que consigo, vejo uma árvore grande e com um buraco dentro,aquelas árvores eram comuns no meio da floresta, sem pensar muito entro dentro do buraco e puxo ela comigo, vejo quando três jovens fazem o mesmo que eu dentro de outras árvores por ali.

No mesmo momento vejo um menino correndo sozinho, ele deve ter a idade de Sam, algo vem atrás dele, esperei o momento certo como meu pai havia me ensinado e quando a coisa ia ataca-lo eu o puxei para dentro da árvore e tapando sua boca com a mão. Depois do que parecem várias horas escondidos resolvo verificar se ainda há algum perigo.

-Não façam barulho, a mata é bem perigosa nesse horário. -digo aos dois, já estava quase escuro, não via sinal de nada além das pessoas que sabia estar nas árvores. -Podem vim, precisamos catar madeira e fazer uma fogueira bem rápido. -falo e logo vejo não só os dois que estavam comigo sair do esconderijo improvisado, mas várias outras pessoas também, deveria ter uns quinze ou mais.

Começo a catar os gravetos mais próximos e logo os meus dois companheiros fazem o mesmo, os outros ficam nos olhando como se fossemos loucos, assim que pegamos uma quantidade razoável começo a limpar uma área, o escuro já se fazia presente, pego em minha mochila o esqueiro que meu pai mandou eu sempre carregar para emergências, coloco os gravetos de um modo que algumas folhas secas ficassem ao meio, depois coloco fogo, assim faço uma fogueira e começo a puxar um tronco que vi enquanto pegava gravetos e coloco perto da fogueira me sentando.

-Ficarem longe desse fogo pode mata-los, não só por causa do frio, essa floresta é bem perigosa a noite. -digo alto o suficiente para todos ouvirem e vejo alguns se aproximarem, Sam senta ao meu lado e o menino sem nome senta ao outro.

-Como se chama? -pergunto ao menino, ele também não parecia ter mais de doze anos.

-Rick. -sua voz sai baixa.

-Está com fome? -pergunto e ele afirma. Pego a vasilha que minha mãe havia me dado e vejo o quanto de comida ainda temos, teria que matar alguns animais para comer, mas isso daria pra hoje. Pego dois bolinho entregando um para cada, agora olho para frente e vejo melhor cada pessoa ali, oito meninos nove meninas contando comigo e Sam. Dezessete pessoas.

-Vocês estão com fome? -pergunto aos mais próximos. Alguns afirmam, outros relutam mais acabam confirmando. Levanto e começo a distribuir o que eu tinha, alguns recusam por já terem o que comer, volto ao meu lugar com três bolinhos, e oito salgados, minha mãe tinha preparado uma vasilha bem cheia. Sentei novamente.

-Vocês dois tem algum pano que possam usar para se cobrirem? -olho para Sam e Rick, eles ascentem. -Melhor pegarem, daqui a algum tempo vai ficar muito frio, tenho plena serteza que essa noite será bem longa. -olho pra o céu, estava parcialmente nublado.

-Como sabe tanto sobre essa floresta? -alguém pergunta e me sento.

-Minha casa é a última da vila, fica bem perto da mata, muitas vezes meu pai me levava para o meio da mata para acampar, caçar e dormir sob as estrelas. -respondo sem saber os certo quem havia perguntado.

-Conheço esse lugar bem, apesar de não saber exatamente onde estamos por não ter observado durante o dia, essa escuridão não ajuda em nada. -suspirei, puxo minha mochila e pego meu cobertor, vou até o troco da árvore e estendo-o dentro do buraco.

-Venham, devem estar cansados de toda aquela correria. -os dois se aproximam e se deitam, sorrio.

-Por favor não deixe a gente sozinho. -escuto Rick falar antes de fechar os olhos.

-Zoe, será que vamos volta pra casa? -Sam pergunta meia sonolenta.

-Vou fazer o possível para que você volte pra casa, agora durma. -voltei ao tronco me sentando, vi alguns me olhando e depois se aproximando da fogueira. -Eai quem são vocês e onde estão as suas marcas ? -tento iniciar uma conversa.

-Eu sou Jamile, minha marca é na mão direita. -diz a menina de touca.

-Prazer Jamile, sou a Zoe. - sorrio.

-Sou Hudson, minha marca é na mão esquerda. -o rapaz que recusou os bolinhos por ter algumas barrinhas e outras coisas na mochila, ele encara Jamile, fiz que escutei mas acho que ele nem notou.

-Vamos lá gente, vocês estão presos nessa mata comigo, não custa nada conversar. -falo e alguns se aproximam mais de onde estamos. Algum tempo depois todos estão sentados em volta da fogueira enrolados em cobertores que haviam trazido ou vestindo jaquetas quentes, sou a única que não me incomodo com o frio do lugar.

-Eu sou Allana, minha marca é no tornozelo direito. -uma menina de óculos e franja se apresenta.

-Sou Jamal, minha marca é no tornozelo esquerdo, conhecidencia não é lindinha. -acho que ele deve ser o mais velho. A cara de mau dele me assusta, mas deve ser uma boa pessoa, vejo Allana ficar vermelha.

-Robin, marca na panturrilha direita. -um menino que esta totalmente camuflado ao escuro por vestir preto fala.

-Madelyn, marca no meio dos seios. -a menina de cabelos loiros diz tímida.

-Natan, minha marca está no braço esquerdo. -puxa a manga no moletom e mostra, por ele estar perto consigo ver cinco riscos que parecem formar uma chama.

-Aria, marca no braço direito. -diz uma menina alta sentada encostada em uma das árvores.

-Eva, marca na bochecha esquerda. -diz uma menina deitada no colo de um rapaz.

-Sou irmão de Eva, Jack e minha marca é no pulso direito. -sorrio.

-Raquel, também tenho marca na panturrilha. -uma menina baixinha e de cabelos curtinhos, ela tem um ar rebelde, talvez seja pelos varios brincos na orelha.

-Gianne, marca no lóbulo da orelha esquerda. -uma menina que parece não estar nada bem fala. Começo a ir em direção a ela.

-Sou o Noah, marca na bochecha direita. -um menino que está comendo o que parece ser uma maçã fala.

-Connor, marca no lóbulo da orelha direita. - o último diz quando já estou perto o bastante de Gianne. Me abaixo ao lado de Gianne e levo minha mão a testa dela, quando toco sinto o quente.

-Venha... você precisa se aquecer ou vai acabar morrendo. -ajudo Gianne a levantar e a levo até o tronco ao lado de onde Rick e Sam dormem, puxo minha mochila e pego minha segunda coberta e estendo no chão, coloco ela deitada e puxo sua mão a fazendo deitar.

-Alguém tem água? -pergunto saindo do grande tronco.

-Ela está com febre, acho que está pasando para a segunda fase da doença. -digo e logo vejo Jack se aproximando com um cantil, quando entro novamente vejo Connor segurando a mão de Gianne, pego a água e peço para ela beber um pouco, depois ela se deita e adormece, Connor continua ali.

-Ela está tremendo Connor, acho que seria bom você deitar-se com ela, a febre passou, mas talvez o calor humano ajude melhor nessa noite fria. -digo depois de um tempo, saio do buraco no tronco com minha mochila, muitos já dormiam e segui ate Sam e Rick para saber se estavam bem, depois de verificar pego minha adaga colocando na bota e sento no chão, meu corpo reclamava um pouco, mas não podia dormir.

-Descansa um pouco, pode deixar que fico de olho em tudo. -escuto e olho para onde vem a voz, Jack está com a irmã dormindo no colo e uma adaga na mão, sorrio e aceito sua oferta. -Não precisa se preocupar, posso não ser tão experiente na mata, mas caso aconteça algo saberei me defender e defender você.

-Irei aceitar. Antes de amanhecer me acorde para descansar. -falo ele ascente, pouco tempo depois sinto minhas pálpebras pesadas e caio em um sono profundo, mesmo ainda estando totalmente alerta.

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Capítulo 3 Medos

"Nós temos que viver e aprender...

Mas o mundo do cotidiano torna-se um lugar caótico...

Onde nenhum de nós parece pertence..."

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Jack não havia me acordado provavelmente passou a noite acordado, mas me sinto bem melhor depois de dormir. Abro os olhos sentindo a claridade bater em meu rosto e invadir minha visão, olho para o local onde Jack estava com a irmã de noite e é lá ele continua, cheio de olheiras e com um sorriso contido no rosto.

Me espreguiço me levantando, não sei qual a desse garoto, nos tínhamos um trato e ele não cumpriu, me levanto dobrando o cobertor e colocando de lado, caminho até ele que continua com a irmã deitada em seu colo.

-Achei que tínhamos combinado de você me acordar para que pudesse dormir. -digo brava, ele não sabe que ficar sem dormir vai prejudicar sua saúde.

-Você parecia bem mais cansada que eu. Posso dormir um pouco agora, ainda é bem cedo, não tá vendo que quase ninguém acordou ainda. -me responde como se isso não fosse nada, esse cara me tira do sério e mal nos conhecemos.

-Durma agora então, irei dar uma olhada ao redor para ver se reconheço onde estamos, caso eu não volte não ousem me procurar, sigam caminho sem mim. -aviso me afastando, vou ate minha mochila e a pego, estou bem acostumada a andar com uma mochila por todo lado, vou me afastando em meio as árvores e plantas com as folhas ainda molhadas do orvalho da manhã.

Deve ser por volta das seis da manhã, o orvalho ainda está nas folhas, ouço um barulho e olho para o lado vendo um veado, ele vai ser bem bom para a primeira refeição do dia, o café.

Sempre fui boa em caçar e andar na mata, por várias vezes depois que meu pai se foi eu fui acampar sozinha e voltava com algum animal para mamãe fazer. Um dos locais que eu mais gostava era a mata e tudo que podia ver nela, explorar é uma de minhas paixões, principalmente quando descubro coisas novas.

Espero pacientemente em cima da árvore pela minha presa, a única arma que tenho é uma adaga, somente improvisei uma armadilha e o veado se aproximava para pegar as frutinhas que coloquei ao centro, quando ele coloca o focinho nas frutas um grande galho fura o seu pescoço espalhando sangue para todos os lados, desço da árvore satisfeita pelo meu trabalho.

Agora preciso fazer a sangria, retirar o couro porque é útil para fazer sacolas e mapas, quando estou cortando as partes que vão ser mais fáceis de fazer, ouço uma movimentação, subo rapidamente a primeira árvore que vejo em minha frente, algo está muito suspeito por aqui.

-Alfa zero cinco. -escuto, parece ser a voz de um homem adulto, isso é estranho o que eles fazem nessa parte da mata em tal hora da manhã.

-Alfa zero cinco. -pareciam dois guardas. -A entrega foi feita?

-Não senhor. Fomos atacado pela nova criatura, a grande maioria dos jovens com marca morreram senhor. -as vozes parecem vir do leste, o veado que matei está ao norte, se eles se moverem para o norte terei sérios problemas.

-Não há problema, todos seriam executados de qualquer jeito mesmo. -essas palavras fazem meu coração acelerar e minha respiração fica pesada. O que ele quer dizer com isso? Seriamos executados?

-Alguns entraram na mata, mas creio que tenham morrido para os lobos, vimos marcas de sangue quando fizemos a vistoria ontem. -o guarda continua falando, preciso descobrir mais, o que mais eles sabem? O quanto sabem? Mas não posso arriscar.

-Certo, vamos voltar ao posto, ninguém pode saber essa conversa, são ordens diretas do rei, se o povo ficar sabendo das mortes propositais de alguns jovens será nosso fim. -depois que escuto isso vem o som de passos se afastando. Eles estão indo rumo a sul onde fica a estrada principal na qual fomos atacados ontem.

Acho que finalmente posso descer da árvore, não parece ter mais ninguém por aqui o que é ótimo. Mas não consigo acreditar no que acabei de ouvir, uma ordem direta do rei? Execução de crianças marcadas? Mas porque? Droga você tá pensando demais Zoe, vamos cortar o resto da carne e voltar.

Termino de cortar o veado colocando os pedaços em folhas grandes que sei não serem venenosas, vou em direção a onde escutei os soldados conversando, se eles estavam aqui deve ser por conta de água, os cavalos e os outros soldados precisar estar bem hidratados para chegar até a capital.

Caminho um pouco e então escuto o barulho de água, finalmente sei onde estou, depois de algum tempo chego as margens do rio, se eu somente vim reto do sudoeste então onde estão os outros agora é ao sudeste do Rio Tempestuoso, isso quer dizer que não estamos longe da vila, mas se voltarmos iremos ser capturados de novo ou eles podem até mesmo nos matar.

Pego meus cantis na mochila e encho no rio, começo a refazer meu caminho para o acampamento, eu vim até aqui marcando as árvores com um trevo, assim fica mais fácil de se localizar onde fica o acampamento.

Continuo andando seguindo as marcas, mas quando passo perto da enorme árvore roxa que tem bem ao centro de uma clareira na mata vejo uma pequena trilha de sangue, começo a segui-la e paro perto de um arbusto que tem uma árvore com buraco como as que usamos para dormir.

Pego o isqueiro e ilumino dentro, assim que meus olhos se acostumam vejo alguém segurando uma faca e ensanguentado, um rapaz de cabelos avermelhados como os meus, nossa única diferença é a cor dos olhos, os dele de um verde quase da cor de uma folha recém nascida, já os meus de um azul quase como as águas mais profundas de um lago.

-Calma aí, sou amiga. -falo erguendo as mãos. -Está ferido? -pergunto e ele não diz nada. -Estamos em um acampamento, deixe-me te ajudar. -me aproximo e ele abaixa a faca, vejo sua perna machucada e pego meu vestido na mochila, era um vestido bonito mas não vou usar algo assim em uma mata, rasgo um pedaço e começo a enrolar na perna dele.

-Quem é você? -ele pergunta ainda meio tenso, acho que ele esta sobe adrenalina porque nem ao menos grita quando aperto o tecido em volta do machucado.

-Muito prazer Zoe. -término de estancar o sangramento e ele nem ao menos emitiu um som além do de sua respiração cansada. -Consegue se levantar? -ele faz que sim com a cabeça, acho que consigo dar apoio para ele até o acampamento. -Irei te dar apoio e vamos até o acampamento, não podemos ficar aqui, há soldados por perto. Nunca se sabe quando seremos pegos. -assim que saímos do buraco na árvore ele começa a reclamar pela dor na perna, acho que a adrenalina e o medo da mortes que mantinham o machucado anestesiado está passando.

Ele até tentou se fazer de forte mas não deu certo, depois de andarmos um pouco já estava com a respiração pesada e ofegante pela dor, além de fazer caretas de tempos em tempos, ele está se fazendo de forte eu acho.

-Falta muito? Acho que não aguento mais andar, estou com sede e fome, além de uma dor muito forte. -fala e paro fazendo ele se sentar em uma pedra, pego o cantil e um dos bolinhos que ainda estava guardado em um saquinho de pano, entrego para ele que bebê da água e come como se fosse a coisa mais gostosa do mundo, acho que agora sei porque ele parecia tão pálido.

-Não podemos ficar parados por muito mais tempo, vamos. -assim que ele acaba de comer já o ajudo a levantar e começamos a andar, ele anda apoiado em mim mesmo o seu peso sendo quase o dobro do meu e seu tamanho também, quando chego onde já vejo algumas pessoas do meu novo grupo.

-PESSOAL! -chamo alto e vejo Jack vindo em minha direção, sua cara é de surpresa ao ver o que eu carrego, além de também de admiração, quem vê esse monte de sangue pesa que é só dele mas também é do veado que matei antes.

-Explico quando todos estiverem juntos, me ajude, ele é muito pesado. -digo e Jack o ajuda a chegar até o meio do acampamento onde ele senta em um dos troncos que estão em volta da fogueira, paro tentando recuperar o fôlego, acho que fiquei muito relaxada depois de algum tempo parada.

-Algumas pessoas já acordaram, estávamos começando a ficar preocupados com a sua demora, o que faríamos sem nossa líder. -ele diz depois de voltar e pegar minha mochila da minhas costas, sem dizer mais nada começa a andar em minha frente indo até o círculo de novo.

-Quem disse que sou a líder? -pergunto ao me juntar com todos eles e o mesmo da risada enquanto balança a cabeça em negativo.

-Está agindo como líder, eles te consideraram a líder pelo que fez ontem. -sai puxando o desconhecido para dentro de uma das árvores, acho que vai ficar tudo bem, além do mais precisamos ajudar uns aos outros.

Passo a mão pelos cabelos frustrada, esse Jack tem uma língua solta mas pelo menos ele é bem direto e gosto disso apesar dele ser irritante para burro. Olho ao redor começando a puxar algumas coisas, preciso adiantar o café logo.

Depois de alguns minutos todos já estavam acordado, estou reacendendo a fogueira para preparar a carne de veado, vou fazer uma sopa leve com carne, já que não temos muitos ingredientes por aqui.

Apenas sal, vou usar a vasilha de minha mãe, e o sal que carrego comigo por ser enjoada com comida sem gosto, e também é uma coisa que meu pai me ensinou quando ainda estava conosco.

"Quando for para um lugar desconhecido sempre tenha o necessário para sua própria sobrevivência."

Sorrio triste enquanto mexo os condimentos, vou ter que fazer isso algumas vezes até conseguir fazer para todos, também estou usando algumas coisas que as meninas tinham achado perto do lugar onde estamos, são alguns cogumelos e batatas, alguns rapazes pegaram todos os cantis e seguiram minhas instruções para buscarem água no rio.

Tudo que falta agora é todos estão se sentarem e comerem, apesar de ser desconfortável comer já que estamos fazendo isso em cascas de cozalo, uma fruta que nasce entre as raízes das árvores menores, e que quando aberta a casca se torna grossa como pedra, seu suco é gostoso mas não há mais nada de útil para elas além de servirem de vasilhas, além de que se elas forem ingeridas de forma errada ou em grandes quantias pode ter um leve veneno que te causa uma dor de estômago infernal.

Quando eu falei isso pra todos eles quase que param de comer na hora e correm pata longe, acho que devia ter avisado antes mas eu fiz o processo de desintoxicação dessas cascas antes de começar a servir, é um processo bem simples, basta queima-las e depois deixar esfriar.

-Então, agora que comeu, descansou, seu ferimento foi tratado, poderia nos dizer seu nome? -me direciono ao rapaz que ainda não conhecemos, ele estava tão pálido antes que parecia um fantasma mas agora está bem melhor.

-Eu sou Cameron Hopkins Burton, primeiro Príncipe na linha de sucessão do Terceiro Reino Colossos. -arregalo os olhos e vejo que a reação dos outros não foi diferente da minha, um príncipe? Sério mesmo? Um rapaz da realeza está sentado em nossa rodinha de amigos comendo em uma casca de cozalo enquanto conversa animado com todos. Acho que meus olhos estão me enganando.

-Calma aí... o que um príncipe fazia no meio dos plebeus e tão longe de casa? Lembro de ter visto você na caravana. -me levanto indo até onde Rick e Sam estão sentados. Quero verificar se Sam está melhor, quando cheguei mais cedo me disseram que Sam estava quente hoje quando acordou, talvez passando pela segunda etapa da doença, se é que isso é uma doença.

-A exatamente duas semanas meu Reino foi atacado não sabemos por quem, mas por ordens do meu pai o rei fui enviado para cá com três pessoas responsáveis por minha segurança, nós passamos por camponeses, mas aí ontem na vistoria perguntaram da marca, disse que tinha uma e eles pediram para acompanha-los, depois vocês sabem o que aconteceu, os meus seguranças devem estar desesperados. -ele passa a mão pelo cabelo e vejo Madelyn o encarando com as bochechas coradas, acho que ela está imaginando coisas.

-Aaah. -o grito estridente me faz virar a cabeça, quando olho para o lado vejo Rick se contorcendo, droga logo agora. Me aproximo dele rápido vejo que sua testa e corpo estão muito quente, olho para os outros que já começam a agir, hoje mais cedo Sam teve uma reação parecida, acho que por eles serem mais novos a doença está indo mais rápido, o pego no colo e o levo ele a árvore e o deito logo Sam está ao lado dele segurando sua mão assim como ele havia feito com ela, parece que os dois tiveram uma ligação forte pela manhã.

-Alguém me trás água e um pano. -fico observando suas reações, sinto um pano ser colocado em meu ombro, não vejo quem me trás o que pedi só me viro vendo sua agonia, começo a limpar o suor que sai dele, sua reação está muito pior do que a de Sam.

-Zoe, eu faço isso, pode deixar que eu cuido dele. -Sam pega minha mão. -Ele me prometeu não morrer, vamos voltar pra casa juntos. -ela diz e afirmo saindo do tronco e deixando ela cuidando dele, não podemos dar bobeira ou um de nós pode acabar morrendo.

-Gente vamos fazer uma reunião, temos que decidir o que fazer, tenho algumas informações importantes para passar a todos. -digo e vejo todos voltando sérios, Madelyn senta ao lado de Cameron que lhe dá um sorriso, ainda bem que ele não esta sendo excluído por ser um príncipe.

-Quais informações você tem? -Eva pergunta se sentando no chão, acho que estão mais relaxados depois de comerem, mas ainda sinto a tensão no ar depois do que viram.

-Quando estava caçando hoje encontrei dois guardas, eles conversavam sobre nós, o guarda que parecia ser o general falou ao outro que se nossas marcas fossem confirmadas seríamos executados ou dados como mortos pela doença, tudo as ordens do rei. -começo a falar tudo que ouvi e vejo o medo em alguns, depois de algum tempo conversando resolvemos montar uma espécie de plano para descobrir a verdade.

-Então preparem-se, nós iremos até a capital, daremos um jeito de passar despercebidos, assim podemos ver, se o que eu ouvi é verdade, caso seja retornaremos para o acampamento. -finalizo e todos concordam. -Agora vamos descansar um pouco mais, depois arrumaremos tudo e partiremos ainda hoje, achamos um lugar para acampar no caminho. -eles começam a se dispersar.

Mesmo que o medo nos ronde, vamos rumo a capital, precisamos desvendar esse mistério e acabar com isso de uma vez, essa dúvida do porque fomos separados de nossas famílias.

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