Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Fantasia > A Traição Que Libertou Sofia
A Traição Que Libertou Sofia

A Traição Que Libertou Sofia

Autor:: Gu Jian
Gênero: Fantasia
A porta do quarto bateu com uma força que fez o espelho tremer, o que parecia ser apenas mais uma discussão, mas não para mim. A voz furiosa de Marcos, familiar demais, carregava uma raiva conhecida, mas desta vez, eu não sentia medo. Apenas nojo, ao ver as mensagens e fotos da minha melhor amiga, Jéssica, no celular dele. De repente, palavras estranhas, em azul translúcido, começaram a piscar no ar, prevendo cada movimento, cada mentira que ele proferiria. "Foge, Sofia! Esse cara não presta!" , elas diziam. Eu não estava louca, era uma informação bizarra, mas útil, de que minha vida era um roteiro. Ignorei suas ameaças de arrombar a porta e comecei a arrumar uma mochila, as vozes me incentivando: "Isso! Não fica aí chorando. Pega suas coisas e some!" . Ao abrir a porta, Marcos zombou, acusando-me de um "teatrinho" , enquanto tentava me manipular com sua calma ensaiada, dizendo que eu "entendi tudo errado" . O choque e a dor viraram uma pedra de gelo no peito quando ele me ameaçou com Milo, nosso gato, meu único ponto fraco. Pior que a traição, foi a descoberta de que aquele "Marcos" que comi pizza no chão e amei com cada fibra do meu ser, nunca existiu. A realidade nua e crua se revelou: por mais doce que a "Sofia" fosse, para Marcos, eu era apenas o alvo de suas mentiras, e Milo, uma ferramenta de chantagem. Aquele não era o meu fim. Era o começo da minha guerra.

Introdução

A porta do quarto bateu com uma força que fez o espelho tremer, o que parecia ser apenas mais uma discussão, mas não para mim.

A voz furiosa de Marcos, familiar demais, carregava uma raiva conhecida, mas desta vez, eu não sentia medo.

Apenas nojo, ao ver as mensagens e fotos da minha melhor amiga, Jéssica, no celular dele.

De repente, palavras estranhas, em azul translúcido, começaram a piscar no ar, prevendo cada movimento, cada mentira que ele proferiria. "Foge, Sofia! Esse cara não presta!" , elas diziam.

Eu não estava louca, era uma informação bizarra, mas útil, de que minha vida era um roteiro.

Ignorei suas ameaças de arrombar a porta e comecei a arrumar uma mochila, as vozes me incentivando: "Isso! Não fica aí chorando. Pega suas coisas e some!" .

Ao abrir a porta, Marcos zombou, acusando-me de um "teatrinho" , enquanto tentava me manipular com sua calma ensaiada, dizendo que eu "entendi tudo errado" .

O choque e a dor viraram uma pedra de gelo no peito quando ele me ameaçou com Milo, nosso gato, meu único ponto fraco.

Pior que a traição, foi a descoberta de que aquele "Marcos" que comi pizza no chão e amei com cada fibra do meu ser, nunca existiu.

A realidade nua e crua se revelou: por mais doce que a "Sofia" fosse, para Marcos, eu era apenas o alvo de suas mentiras, e Milo, uma ferramenta de chantagem.

Aquele não era o meu fim. Era o começo da minha guerra.

Capítulo 1

A porta do quarto bateu com uma força que fez o espelho na parede tremer.

"Sofia, você tá maluca? Abre essa porta agora!"

A voz de Marcos, do outro lado, estava cheia de raiva. Uma raiva que eu conhecia bem. Mas desta vez, algo estava diferente.

Eu não estava com medo. Estava com nojo.

Meu celular ainda estava na minha mão, aberto na conversa que eu não deveria ter visto. A tela iluminava as lágrimas silenciosas que escorriam pelo meu rosto.

Fotos. Mensagens. Planos. Tudo com ela. Jéssica.

Minha melhor amiga.

De repente, palavras estranhas começaram a piscar na minha frente, flutuando no ar como poeira iluminada pelo sol. Eram transparentes, em um tom azul claro.

[Finalmente! A protagonista descobriu a traição!]

[Essa cena é clássica. Agora começa o drama do perdão. Que preguiça.]

[Foge, Sofia! Esse cara não presta!]

Pisquei, esfregando os olhos com força. As palavras não sumiram. Elas apenas tremeram um pouco e se reorganizaram.

Eu estava ficando louca? Era o choque?

"Sofia, eu vou arrombar essa porta! Você tá me ouvindo?"

A maçaneta girou violentamente. Ele estava forçando a fechadura.

[Ele vai entrar e começar o show de vitimismo. "Ela me seduziu, eu não queria" . Aposto cinquenta.]

[Cem que ele vai culpar a Sofia por não dar atenção suficiente pra ele.]

[Eu já vi essa história. Ela vai perdoar, e ele vai trair de novo. Livro chato.]

As palavras flutuantes... elas sabiam. Elas sabiam o que ia acontecer. Era como se estivessem assistindo a um filme. Um filme da minha vida.

Um frio percorreu minha espinha. Não era loucura. Era uma informação. Uma ajuda bizarra e inexplicável.

Ignorei os baques na porta. Respirei fundo, sequei as lágrimas com as costas da mão e caminhei até o guarda-roupa.

Peguei a primeira mochila que vi.

Joguei dentro algumas camisetas, calças, roupas íntimas. O carregador do celular. Minha carteira.

"É isso, Sofia? Vai fugir como uma criança?" , ele gritou, a voz distorcida pela madeira.

[Ação! Ela tá fazendo alguma coisa!]

[Isso! Não fica aí chorando. Pega suas coisas e some!]

As palavras flutuantes pareciam estar torcendo por mim. Era a única torcida que eu tinha naquele momento.

Abri a porta de repente.

Marcos quase caiu para dentro do quarto. Ele me olhou, surpreso, depois olhou para a mochila nas minhas costas. Sua expressão mudou de raiva para um desprezo calculado.

"O que é isso? Um teatrinho? Acha que eu vou implorar pra você ficar?"

Ele cruzou os braços, encostando-se no batente da porta, como se fosse o dono da situação.

"Você vai guardar essa mochila, e nós vamos conversar como adultos. Você entendeu tudo errado."

Sua calma era a coisa mais assustadora. A calma de quem já tinha feito aquilo antes. De quem tinha um roteiro pronto.

[Aí vem. O gaslighting de manual.]

[ "Você entendeu tudo errado" = "Você entendeu tudo certo, mas eu não vou admitir" .]

Eu apenas o encarei. Meu silêncio o desarmou mais do que qualquer grito.

"O que foi? O gato comeu sua língua?" , ele zombou. "Vai, fala alguma coisa. Grita. Chora. Faz o seu show."

"Acabou, Marcos" , eu disse. Minha voz saiu firme. Mais firme do que eu esperava.

Ele riu. Uma risada curta, sem humor.

"Acabou? Sofia, a gente não 'acaba' . Nós temos uma vida juntos. Um apartamento. Planos. Você tá tendo um ataque de histeria por causa de umas mensagens idiotas."

"Mensagens idiotas? As fotos no hotel também eram idiotas? Os planos de viajar com ela nas minhas férias?"

O sorriso dele vacilou.

"Ela é sua melhor amiga, Sofia. Estávamos planejando uma surpresa pra você."

A mentira era tão descarada, tão insultuosa, que por um momento eu quis rir também.

[Que mentiroso patético! Surpresa? Sério?]

[Ele nem se esforça pra inventar uma desculpa boa.]

[Sofia, por favor, não caia nessa.]

"Eu não vou ficar" , eu repeti, e tentei passar por ele.

Ele segurou meu braço. Com força.

"Você não vai a lugar nenhum. Essa é a minha casa."

"O aluguel está no nome dos dois" , eu disse, puxando meu braço. "E estou saindo da minha metade."

A raiva voltou aos olhos dele, pura e sem disfarces.

"Você vai se arrepender disso, sua vadia ingrata. Depois de tudo que eu fiz por você!"

"Tudo o que você fez por mim?" , eu questionei, e o som da minha própria risada amarga encheu o corredor. "Você quer dizer mentir? Me enganar? Com a minha melhor amiga?"

A imagem de dois anos atrás veio à minha mente, nítida como uma foto.

Nós tínhamos acabado de nos mudar para este apartamento. As caixas estavam por toda parte. Estávamos cansados, cobertos de poeira, mas felizes.

Pedimos pizza e sentamos no chão da sala vazia, usando uma caixa como mesa.

Ele me abraçou por trás e sussurrou no meu ouvido: "É o nosso começo, meu amor. Daqui pra frente, vai ser sempre a gente contra o mundo."

Naquele momento, eu acreditei nele. Acreditei com cada fibra do meu ser. Aquele Marcos, sorrindo com molho de tomate no canto da boca, parecia incapaz de qualquer maldade.

A lembrança me atingiu com força. A dor daquele momento feliz, agora contaminado, era pior do que a raiva.

Ele não era o homem com quem eu sentei no chão para comer pizza. Ele era um estranho que usava o rosto dele.

[O flashback da dor. Clássico.]

[Isso é pra fazer a gente sentir pena dela. Mas a gente sente é raiva dele.]

[Essa memória agora tá estragada pra sempre. Que desgraçado.]

As palavras flutuantes, de alguma forma, me ancoravam na realidade. Elas verbalizavam o caos dentro de mim.

Uma nova leva de comentários apareceu, mais densa.

[Para quem chegou agora: essa é a história da "Doce Sofia" . Ela é a típica protagonista boazinha que sempre é enganada. O roteiro original diz que ela perdoa o Marcos, ele promete mudar, e eles ficam nesse ciclo por mais 50 capítulos.]

[Até que ele a trai com a própria irmã dela e rouba a herança da família.]

[Mas parece que algo bugou. A protagonista tá agindo diferente.]

[Ela tá vendo a gente? Ela tá nos lendo?]

Eu estava. E estava entendendo. Eu não era louca. Eu era uma personagem. Uma personagem em um roteiro de merda, destinada a sofrer para o entretenimento de... seja lá quem eles fossem.

E a traição com a Jéssica era só o começo.

Tudo começou uma hora atrás. Marcos estava no banho, e o celular dele, que nunca saía do lado dele, estava na mesa de cabeceira. Ele sempre o deixava com a tela virada para baixo. Um hábito que começou há uns seis meses.

Eu nunca tive o impulso de olhar. Confiança, eu dizia a mim mesma.

Mas hoje, o celular vibrou sem parar. Uma, duas, dez vezes. A tela se acendeu, e o nome "Jéssica" apareceu.

"Amor, já falou com ela?"

"Esquece ela. Só quero você."

"Quando vamos contar?"

"Ele já tá no banho?"

Minhas mãos tremeram quando peguei o aparelho. A senha era o aniversário dele. Não. Tentei o meu aniversário. Abriu.

A galeria de fotos estava cheia de imagens deles. Jantares. Cinema. Um fim de semana em um hotel fazenda que ele me disse que foi uma "viagem de trabalho" .

Neles, Jéssica usava um colar. Um colar que eu dei a ela de aniversário.

O ar sumiu dos meus pulmões. Fui rolando as mensagens, cada palavra me afundando mais e mais.

Eles não estavam apenas tendo um caso. Eles estavam planejando um futuro. Falavam sobre como eu era ingênua, carente, fácil de manipular. Riam de mim.

O som do chuveiro parou. Eu larguei o celular na cama como se queimasse e corri para o quarto de hóspedes, trancando a porta.

Foi quando os gritos começaram. E as palavras flutuantes apareceram.

Agora, de pé no corredor, eu o olhava sem uma única lágrima. A dor tinha se transformado em uma pedra de gelo no meu peito.

Meu único objetivo era sair dali.

Com o Milo.

Meu gato. Onde estava o Milo?

Meu coração gelou.

"Onde está o Milo?" , perguntei, a voz subitamente urgente.

Marcos deu de ombros, um gesto cruel de indiferença.

"Sei lá. Por aí. Talvez a sua amiguinha Jéssica saiba. Ela adora brincar com ele."

O jeito que ele disse "brincar" me deu um calafrio.

Eu me virei e fui em direção à porta da frente, ignorando os protestos e insultos dele. A mão na maçaneta, eu parei.

Eu não podia ir sem o Milo.

Com a determinação renovada, eu me virei, passei por Marcos como se ele fosse um poste e comecei a procurar meu gato, chamando seu nome.

Minha liberdade teria que esperar alguns minutos. Mas eu não iria a lugar nenhum sem a única criatura naquela casa que realmente me amava.

---

Capítulo 2

O desespero começou a subir pela minha garganta.

"Milo! Cadê você, meu filho?"

Minha voz ecoou pelo apartamento silencioso e hostil.

Marcos tinha saído, batendo a porta com força. Provavelmente para se encontrar com Jéssica e planejar a próxima mentira.

Eu olhei debaixo do sofá, atrás das cortinas, dentro do meu próprio guarda-roupa. Nada.

Então, eu o vi.

Ele estava no parapeito da janela da cozinha. A janela estava escancarada.

Morávamos no décimo andar.

Milo estava encolhido, o pelo preto eriçado, olhando para o vazio lá embaixo. Um vento forte balançou seu corpo pequeno.

Meu coração parou.

"Milo, não se mexe. A mamãe tá aqui."

Minha voz era um sussurro trêmulo. Eu comecei a andar lentamente em sua direção, com as mãos estendidas.

[NÃO! NÃO SE APROXIME! ELE VAI SE ASSUSTAR!]

As palavras azuis piscaram com urgência na minha frente.

[Se você for direto, ele pode pular! Gatos se assustam fácil em parapeitos!]

[Ela deixou a janela aberta de propósito! A Jéssica fez isso!]

Parei imediatamente, o corpo rígido de pavor. Eles estavam certos. Um movimento em falso e seria o fim.

As lágrimas que eu segurei antes agora ameaçavam transbordar. Eu não podia perdê-lo. Ele era minha família.

"O que eu faço?" , sussurrei para o ar, para as palavras flutuantes. "Me ajudem."

[Distração! Você precisa de uma distração!]

[Jogue algo barulhento no chão, longe da janela, no canto oposto da cozinha.]

[Isso o fará olhar para trás, para dentro. E te dará uma chance de fechar a janela.]

Olhei ao redor. A cozinha estava impecavelmente limpa. Jéssica provavelmente tinha feito uma "limpeza" para o Marcos.

Meu olhar caiu sobre um vaso de metal na bancada. Era pesado. Perfeito.

Respirei fundo, mirando no canto mais distante da cozinha.

[Espere! Pergunte se a porta da frente está trancada!]

[Boa! Se o Marcos voltar, você tá ferrada!]

Meu coração martelava. Eu não tinha tempo de ir até a porta.

"A porta está trancada?" , perguntei em voz alta, me sentindo uma idiota.

[NÃO! ELE SAIU COM TANTA RAIVA QUE BATEU A PORTA, MAS NÃO TRANCOU!]

[Ele e a Jéssica estão na cafeteria da esquina. Vimos pela "Câmera do Vizinho" .]

[Você tem uns 10 minutos, talvez menos.]

Ok. Dez minutos.

Com uma mão trêmula, peguei o vaso de metal. Com toda a minha força, eu o arremessei contra o chão de azulejos no outro lado da cozinha.

O barulho foi ensurdecedor.

Milo deu um pulo, virando-se para o som com os olhos arregalados. Ele se achatou no parapeito, mas agora estava virado para dentro.

Era a minha chance.

Num movimento rápido, me lancei para a frente. Minha mão agarrou o puxador da janela e a fechou com um estrondo.

O corpo de Milo pulou do parapeito para o chão da cozinha, assustado com o barulho da janela batendo. Ele correu e se escondeu debaixo da mesa.

Eu deslizei pela parede até o chão, o corpo inteiro tremendo. A adrenalina me deixou fraca. Por um segundo, a imagem do meu gato caindo ecoou na minha mente.

Eu fechei os olhos, respirando fundo.

"Acabou. Ele tá seguro."

Rastejei até debaixo da mesa. Milo estava encolhido em um canto, tremendo.

"Oi, meu amor" , eu sussurrei. "Tá tudo bem agora. A mamãe tá aqui."

Estendi a mão lentamente. Ele cheirou meus dedos e então esfregou a cabeça na minha mão, ronronando baixinho.

Eu o puxei para o meu colo, abraçando seu corpo pequeno e quente. Enterrei meu rosto em seu pelo macio e finalmente chorei.

Chorei pela traição, pela mentira, pelo perigo que meu gato correu. Chorei pela vida que eu achei que tinha e que se desfez em uma hora.

O ronronar dele era a única coisa real naquele momento.

O som da porta se abrindo me fez congelar.

Marcos e Jéssica entraram, rindo de alguma piada. Meu coração endureceu.

Eu saí de debaixo da mesa com Milo nos braços.

"O que foi isso? Que barulho foi esse?" , perguntou Marcos, o sorriso sumindo do seu rosto ao me ver.

Jéssica me olhou, e pela primeira vez, vi um brilho de triunfo em seus olhos antes que ela o escondesse atrás de uma máscara de preocupação.

"Sofia! Você ainda está aqui! Ficamos preocupados" , ela disse, com sua voz doce e falsa. "O que aconteceu? Você está bem?"

Ela se aproximou como se fosse me abraçar.

Eu dei um passo para trás, apertando Milo contra o peito.

"A janela da cozinha estava aberta" , eu disse, olhando diretamente para ela.

A cor sumiu do rosto de Jéssica.

"Aberta? Ai, meu Deus! Deve ter sido o vento. Essa janela tem um trinco ruim" , ela mentiu, colocando a mão no peito em um gesto dramático. "O Milo... ele está bem?"

Marcos olhou da janela fechada para o vaso amassado no chão e depois para mim.

"Você está acusando a Jéssica? Você enlouqueceu de vez?" , ele disse, a voz subindo de tom. "Ela veio aqui pra te ajudar, pra conversar com você!"

"Ajudar?" , repeti.

"Sim! Ajudar! Ela está preocupada com sua saúde mental, Sofia! Esse seu ciúme está doentio!"

Eu olhei para Marcos. O homem que eu amei. O homem que prometeu ficar do meu lado.

Ele não estava me defendendo. Ele não estava preocupado com o nosso gato.

Sua prioridade era proteger Jéssica. Proteger a nova vida deles.

Naquele momento, eu soube. Não havia nada para salvar. Nenhuma conversa a ser tida.

A imagem do Marcos que comia pizza no chão comigo se dissolveu completamente. Em seu lugar, estava um estranho. Um inimigo.

Eu não sentia mais tristeza. Não sentia mais o coração partido.

Eu sentia uma clareza fria e cortante.

O amor tinha morrido. E no seu lugar, algo muito mais forte estava nascendo.

A vontade de lutar.

---

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022