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A Verdade por Trás do Talismã

A Verdade por Trás do Talismã

Autor:: Charlotte
Gênero: Jovem Adulto
No dia do vestibular, eu, Pedro, me sentia o príncipe da minha família, o herdeiro que todos mimavam e confiavam, pronto para cumprir meu destino. Mas a vitória da aprovação se transformou no meu inferno pessoal, quando um talismã de madeira, idêntico ao da minha falecida irmã Ana, me jogou no abismo. "Seu desgraçado! Ingrato! Como você ousa trazer essa maldição para dentro da nossa casa?", gritou meu pai, arrancando-o da minha mão e jogando-o longe. Fui expulso de casa, chamado de "monstro" e "psicopata" pelo diretor da escola, ridicularizado por jornalistas, e até mesmo meu melhor amigo, Lucas, me viu com nojo. Eu me perguntava, desesperado, o que aquele simples pedaço de madeira tinha de tão terrível para virar minha vida de cabeça para baixo e me fazer ser acusado da morte do meu avô. Mas quando a escuridão da cela da delegacia me envolveu, a claustrofobia me atingiu, e memórias enterradas de um porão, do choro de Ana e do talismã que ela me deu, estouraram em minha mente, revelando uma verdade chocante: o talismã não era uma maldição, mas a chave, e eu me lembrava de tudo.

Introdução

No dia do vestibular, eu, Pedro, me sentia o príncipe da minha família, o herdeiro que todos mimavam e confiavam, pronto para cumprir meu destino.

Mas a vitória da aprovação se transformou no meu inferno pessoal, quando um talismã de madeira, idêntico ao da minha falecida irmã Ana, me jogou no abismo.

"Seu desgraçado! Ingrato! Como você ousa trazer essa maldição para dentro da nossa casa?", gritou meu pai, arrancando-o da minha mão e jogando-o longe.

Fui expulso de casa, chamado de "monstro" e "psicopata" pelo diretor da escola, ridicularizado por jornalistas, e até mesmo meu melhor amigo, Lucas, me viu com nojo.

Eu me perguntava, desesperado, o que aquele simples pedaço de madeira tinha de tão terrível para virar minha vida de cabeça para baixo e me fazer ser acusado da morte do meu avô.

Mas quando a escuridão da cela da delegacia me envolveu, a claustrofobia me atingiu, e memórias enterradas de um porão, do choro de Ana e do talismã que ela me deu, estouraram em minha mente, revelando uma verdade chocante: o talismã não era uma maldição, mas a chave, e eu me lembrava de tudo.

Capítulo 1

No dia do vestibular, o ar parecia mais pesado que o normal. Eu me sentia como o queridinho do mundo, o centro do universo da minha família. Desde que me entendo por gente, eles me tratam como um príncipe.

Meu nome é Pedro, e hoje era o dia mais importante da minha vida até então.

A família inteira me acompanhou até o portão da escola, como se eu fosse para uma guerra. Meu avô, o patriarca severo, deu um raro tapinha no meu ombro. Meu pai me abraçou com força. Minha mãe, tios e tias me enchiam de palavras de encorajamento.

Eles me criaram com um único propósito, ser o herdeiro, o orgulho da família. E eu estava prestes a cumprir meu destino.

"Boa sorte, meu filho! Você é o nosso campeão!", disse meu pai, com os olhos brilhando.

Entrei na sala de provas sentindo o peso da expectativa deles, mas também uma confiança inabalável.

A prova correu bem, exatamente como eu esperava. Saí de lá com a certeza da aprovação. Enquanto caminhava pelo pátio vazio, algo no chão chamou minha atenção. Era um pequeno talismã de madeira, com um desenho simples gravado.

Apanhei-o do chão, e uma sensação estranha e familiar percorreu meu corpo. Eu não sabia por que, mas senti que aquele objeto era importante. Era um amuleto da sorte, igual ao que minha irmã, Ana, usava. Ela faleceu há muitos anos.

Uma onda de nostalgia e tristeza me atingiu, mas logo a afastei. Hoje era um dia de celebração. Guardei o talismã no bolso e fui para casa, ansioso para dar a boa notícia à minha família.

Abri a porta de casa com um sorriso no rosto.

"Voltei! A prova foi um sucesso!"

A sala, que deveria estar em festa, estava em um silêncio mortal. Meu pai, minha mãe, meu avô, todos estavam lá, e seus rostos eram máscaras de fúria.

Meu pai se levantou de um salto e andou na minha direção. Seu rosto estava vermelho de raiva.

"O que é isso no seu bolso?", ele perguntou, com a voz carregada de uma raiva que eu nunca tinha visto.

Tirei o talismã, confuso. "Achei no pátio da escola. É só um..."

Antes que eu pudesse terminar a frase, ele arrancou o objeto da minha mão como se fosse veneno e o atirou longe.

"Seu desgraçado! Ingrato! Como você ousa trazer essa maldição para dentro da nossa casa?"

Eu fiquei paralisado. Maldição? Do que ele estava falando?

"Pai, o que foi? É só um amuleto."

"Fora!", gritou meu avô, apontando para a porta. "Saia desta casa e nunca mais volte! Você não é mais nosso filho!"

Minha mãe, que sempre me defendeu, apenas chorava em um canto, sem sequer olhar para mim. Meus tios e tias me olhavam com nojo, como se eu fosse um verme.

Fui empurrado para fora de casa com a roupa do corpo. A porta bateu atrás de mim com um som final, definitivo.

Eu estava na rua, completamente perdido. O que tinha acontecido? Por que eles reagiram daquele jeito? Era tudo por causa de um simples pedaço de madeira?

Bati na porta, desesperado.

"Pai! Mãe! Abram a porta! O que eu fiz de errado?"

Nenhuma resposta. Apenas o silêncio frio do outro lado.

"Por favor, me expliquem! Eu não entendo!"

A janela do segundo andar se abriu e meu pai gritou.

"Suma daqui, seu ingrato! Você nos traiu! Você trouxe a desgraça de volta!"

A janela se fechou. Fiquei ali, parado na calçada, sentindo o mundo desabar ao meu redor. A família que me mimou a vida inteira me expulsou por um motivo que eu não conseguia compreender. A sensação de abandono era total.

Sem ter para onde ir, sentei no meio-fio, tentando processar o que tinha acabado de acontecer. Minha mente era um turbilhão de perguntas sem resposta.

O segurança do nosso condomínio, o Sr. Valdir, que me viu crescer, se aproximou. Ele sempre foi gentil comigo.

"Pedro? O que aconteceu? Por que está aqui fora?"

"Sr. Valdir, minha família... eles me expulsaram."

"Expulsaram? Por quê? Vocês se amam tanto."

Minha voz falhou. "Eu não sei. Foi por causa disso."

Peguei o talismã, que tinha caído perto de mim durante a confusão. Mostrei a ele.

Sr. Valdir recuou como se tivesse visto uma cobra. Seus olhos se arregalaram de horror.

"Meu Deus! Jogue isso fora, garoto! Você está louco? Quer se amaldiçoar?"

Ele se benzeu e se afastou rapidamente, me deixando ainda mais confuso e assustado. Até ele? O que aquele objeto tinha de tão terrível?

Olhei para o pequeno talismã na minha mão. Era inofensivo. Um pedaço de madeira com um desenho. Não fazia sentido.

Uma ideia me ocorreu. Talvez o talismã pertencesse a algum outro candidato do vestibular. Se eu o devolvesse, talvez isso provasse à minha família que eu não tinha más intenções. Era uma esperança frágil, mas era tudo o que eu tinha.

Decidi voltar para a escola. O diretor ainda estava lá, organizando os últimos detalhes. Alguns jornalistas também estavam presentes, cobrindo o evento.

"Diretor, com licença", eu disse, me aproximando. "Acho que um aluno perdeu isso no pátio."

Entreguei o talismã a ele. O diretor pegou o objeto e o examinou com um sorriso.

"Que belo gesto, meu jovem! Em um dia tão competitivo, ver um ato de honestidade como este é inspirador. Qual o seu nome?"

"Pedro", respondi, sentindo um alívio momentâneo.

Os jornalistas se aproximaram, atraídos pela cena.

"Um exemplo para todos os jovens!", disse uma repórter, apontando a câmera para mim. "Senhoras e senhores, temos aqui um jovem de caráter exemplar!"

Por um segundo, senti que tudo ia ficar bem. Eu era um herói. Minha família veria a notícia e perceberia o erro.

Mas então, um dos cinegrafistas focou a câmera no talismã na mão do diretor. Sua expressão mudou drasticamente. Ele baixou a câmera e sussurrou algo para a repórter.

O rosto da repórter se transformou de admiração para repulsa.

"É... é aquele símbolo...", ela gaguejou.

O diretor olhou para o talismã novamente, depois para mim, e seu rosto se contorceu em uma careta de nojo e raiva.

"Você!", ele rosnou, apontando o dedo para mim. "Você é um monstro! Como ousa trazer esse objeto amaldiçoado para a minha escola? Como ousa zombar da memória dela?"

Fiquei petrificado. De novo a mesma reação. Monstro? Zombar de quem? O que estava acontecendo? A esperança que eu senti há segundos se desfez em puro terror.

Capítulo 2

O diretor da escola me segurava pelo braço com uma força surpreendente. Seus olhos, antes amigáveis, agora me fuzilavam.

"Seguranças! Tirem esse delinquente daqui! E chamem a polícia!", ele gritou.

"Mas eu não fiz nada!", tentei argumentar, minha voz tremendo. "Eu só queria devolver!"

"Devolver?", ele cuspiu as palavras. "Você queria era profanar este lugar! Exibir seu troféu cruel! Seu doente!"

Os jornalistas, que antes me elogiavam, agora me cercavam como abutres. As câmeras piscavam no meu rosto, e os microfones eram empurrados contra a minha boca.

"Por que você fez isso?", perguntou a mesma repórter, agora com uma voz acusatória. "Qual a sua relação com o caso de Ana?"

Ana. O nome dela de novo. Minha irmã. O que o talismã tinha a ver com ela? Minha mente tentava conectar os pontos, mas era um quebra-cabeça com peças faltando.

"Eu não sei do que vocês estão falando!", gritei, sentindo o pânico subir pela minha garganta. Meu sorriso, que antes era de alívio, agora estava congelado em uma careta de desespero.

Eles não me ouviram. Me arrastaram para fora da escola e me jogaram na calçada. O talismã foi atirado aos meus pés.

"Nunca mais pise aqui, seu psicopata!", gritou o diretor antes de bater o portão.

Sentei no chão, tremendo. As palavras deles ecoavam na minha cabeça: "maldição", "monstro", "cruel", "doente". E o nome de Ana.

Peguei meu celular e liguei para a única pessoa que talvez pudesse me ajudar, meu melhor amigo, Lucas.

"Cara, você não vai acreditar no que aconteceu", disse eu, assim que ele atendeu.

Contei tudo, desde a reação da minha família até a cena na escola. Lucas ouviu em silêncio.

"Que bizarro, Pedro. Não faz o menor sentido. Um talismã?"

"Eu sei! Parece que todo mundo enlouqueceu. Eles mencionaram a Ana."

Houve uma pausa do outro lado da linha. "Sua irmã? Que estranho... Mas olha, talvez seja um grande mal-entendido. Por que você não posta uma foto desse treco na internet? Um anúncio de 'achados e perdidos'. O verdadeiro dono aparece, explica tudo, e sua barra fica limpa."

Parecia uma boa ideia. Uma solução moderna para um problema surreal.

"Você acha que funciona?", perguntei, agarrando-me a essa nova esperança.

"Claro que sim! A internet resolve tudo. Poste com a hashtag da cidade. Vai viralizar, você vai ver."

Agradeci a Lucas e desliguei. Abri minhas redes sociais, tirei uma foto nítida do talismã e escrevi uma legenda simples:

"Encontrei este amuleto da sorte hoje no pátio da escola X, após o vestibular. Se for seu, por favor, entre em contato. Quero muito devolvê-lo ao dono."

Publiquei e esperei. Em poucos minutos, a publicação começou a ganhar tração. Compartilhamentos, curtidas, comentários. Senti um alívio imenso. As pessoas estavam ajudando. Lucas tinha razão.

Comecei a me sentir otimista. Talvez tudo não passasse de um grande e estúpido mal-entendido. Minha família, conhecida na cidade por sua influência e riqueza, era tradicional, talvez supersticiosa demais. Quando vissem que eu estava tentando fazer a coisa certa, me perdoariam.

Eu sempre fui o "príncipe" deles, o filho perfeito, o futuro da nossa linhagem. Eles me amavam. Não podiam ter parado de me amar da noite para o dia. A ideia de que o amor deles era tão frágil era insuportável.

Enquanto eu rolava os comentários, meu celular tocou. Era um número desconhecido, mas eu atendi, esperando ser o dono do talismã.

Era minha tia. Sua voz estava embargada de choro e ódio.

"Pedro? Seu monstro! O que você fez?"

"Tia? O que aconteceu? Eu só..."

"Cale a boca! Por sua culpa! Por causa daquela coisa que você postou na internet, seu avô viu e passou mal! Ele está no hospital! Ele está morrendo, Pedro! E a culpa é sua!"

A ligação caiu.

Meu coração parou. Meu avô. No hospital. Morrendo.

Por minha causa?

O otimismo se transformou em pânico puro. Olhei para a tela do celular, para a foto do talismã que havia postado com tanta esperança. Aquele pequeno objeto de madeira não era um amuleto da sorte. Era uma bomba que eu tinha acabado de detonar no colo da minha família, e eu não fazia a menor ideia do porquê.

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